{"id":63948,"date":"2022-01-28T10:18:45","date_gmt":"2022-01-28T13:18:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=63948"},"modified":"2022-03-04T00:09:25","modified_gmt":"2022-03-04T03:09:25","slug":"entrevista-greg-anderson-sunn-goatsnake-fala-sobre-o-novo-disco-do-engine-kid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/01\/28\/entrevista-greg-anderson-sunn-goatsnake-fala-sobre-o-novo-disco-do-engine-kid\/","title":{"rendered":"Entrevista: Greg Anderson (Goatsnake, Sunn) fala sobre o novo disco do Engine Kid"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Greg Anderson diz que \u00e9 obcecado por m\u00fasica. E isso n\u00e3o \u00e9 um exagero. Para comprovar essa afirma\u00e7\u00e3o, basta dar uma olhada r\u00e1pida na lista de bandas e projetos do guitarrista norte-americano. Iniciado no meio dos anos 1980, o extenso curr\u00edculo traz bandas de metal, como Thor&#8217;s Hammer, Burning Witch, Goatsnake e Sunn, de hardcore, incluindo nomes importantes da cena de Seattle, como Brotherhood e False Liberty, e at\u00e9 de noise rock, caso do <a href=\"https:\/\/enginekidsl.bandcamp.com\/album\/special-olympics-ep\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Engine Kid<\/a>, que acaba de lan\u00e7ar <a href=\"https:\/\/enginekidsl.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">seu primeiro disco em mais de duas d\u00e9cadas<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Intitulado \u201cSpecial Olympics\u201d (2021), o novo EP da banda criada em Seattle em 1991 foi lan\u00e7ado no \u00faltimo m\u00eas de dezembro pela gravadora do pr\u00f3prio Greg, a lend\u00e1ria <a href=\"https:\/\/southernlord.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Southern Lord<\/a>, que completa 25 anos de hist\u00f3ria em 2023. Ao longo de quatro m\u00fasicas, que totalizam pouco mais de 10 minutos, o trio composto por Greg, Brian Kraft (baixo\/vocal) e Jade Devitt (bateria) traz uma continua\u00e7\u00e3o perfeita ao \u00faltimo trabalho que tinham lan\u00e7ado juntos, o j\u00e1 cl\u00e1ssico \u201cAngel Wings\u201d (1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita por telefone no in\u00edcio de janeiro, Greg fala sobre como foi voltar a tocar com o Engine Kid depois de tanto tempo, destaca a import\u00e2ncia do Slint para a banda e para a sua vida, lembra como era a cena de Seattle no final dos anos 1980 e in\u00edcio dos 1990, revela como o Sepultura roubou a cena em um show com o Helmet e o Ministry na cidade, reflete sobre o legado da Southern Lord e fala como foi criar o seu pr\u00f3prio pedal de distor\u00e7\u00e3o, entre muitas outras coisas. Confira abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Engine Kid - Patty : Tania\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VSdL1jBxyWc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que fez voc\u00eas decidirem reunir o Engine Kid ap\u00f3s tanto tempo? Foi um lance da pandemia ou teve mais a ver com o fato de terem relan\u00e7ado os discos da banda <a href=\"https:\/\/www.discogs.com\/pt_BR\/release\/19116001-Engine-Kid-Everything-Left-Inside\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em um box com seis vinis<\/a> no ano passado?<\/strong><br \/>\n\u00c9, n\u00f3s come\u00e7amos a trabalhar no box de vinis antes da pandemia. Durante esse processo, n\u00f3s meio que nos reconectamos. O baterista, Jade, vive em Los Angeles e \u00e9 um bom amigo, nos vemos com frequ\u00eancia. Tocamos juntos ao longo dos \u00faltimos anos e fizemos outros projetos. Mas o baixista, Brian, vive na regi\u00e3o leste do estado de Washington, bem longe de n\u00f3s. Por isso, n\u00e3o o v\u00edamos com tanta frequ\u00eancia, apenas falando por mensagens \u00e0s vezes, mas n\u00e3o est\u00e1vamos realmente em contato com ele. Mas nos falamos bastante durante o processo de montar o box de vinis e realmente curtimos muito a companhia um do outro. Ent\u00e3o decidimos que seria legal nos reunirmos pessoalmente, para nos divertir e talvez tocar juntos. Ent\u00e3o finalmente fizemos isso, o Brian dirigiu de Spokane at\u00e9 Los Angeles para encontrar eu e o Jade. E foi \u00f3timo! Foi \u00f3timo nos reunirmos de novo, ainda somos amigos e gostamos de sair juntos, isso foi \u00f3timo. Quando nos reunimos na mesma sala para tocar, foi incr\u00edvel. Parecia que n\u00e3o tinha passado tempo algum, mesmo j\u00e1 fazendo cerca de 25 anos desde a \u00faltima vez que t\u00ednhamos tocado juntos na mesma sala. Realmente gostamos de tocar juntos. Mesmo tendo pouco tempo para fazer isso, muita coisa aconteceu e foi muito criativo em termos musicais. Por isso, decidimos que seria divertido ir para o est\u00fadio e gravar algumas das m\u00fasicas em que est\u00e1vamos trabalhando. Algumas dessas m\u00fasicas que gravamos s\u00e3o m\u00fasicas que foram escritas originalmente na \u00e9poca em que a banda estava perto de acabar, no meio dos anos 1990. S\u00e3o m\u00fasicas em que est\u00e1vamos trabalhando, mas que nunca chegaram a ser gravadas em um est\u00fadio. Esse foi meio que o nosso ponto de partida, come\u00e7amos com essas m\u00fasicas, meio que relembrando e reaprendendo a tocar esses riffs e m\u00fasicas, e tamb\u00e9m houve algumas coisas que criamos na hora e gravamos no momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E as vers\u00f5es finais dessas m\u00fasicas antigas, vamos dizer, s\u00e3o muito diferentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vers\u00f5es originais delas? Pensa que as suas outras experi\u00eancias musicais ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas te influenciaram de alguma maneira no sentido de repensar essas m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nSim, definitivamente. Tanto tempo passou e todos n\u00f3s fizemos tanta coisa musicalmente e passamos por tantas coisas na vida que n\u00e3o tinha como isso n\u00e3o acontecer. E n\u00e3o era nossa inten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somos o tipo de pessoa que vai dizer \u201cN\u00f3s dever\u00edamos tentar emular isso, exatamente como era\u201d. Parecia um pouco bobo fazer dessa maneira (risos). Ent\u00e3o definitivamente houve&#8230; Quer dizer, tanta coisa aconteceu nas nossas vidas que certamente impacta e influencia o que voc\u00ea faz. Isso me parece algo natural &#8211; e \u00e9 legal. Porque n\u00f3s todos meio que estamos na mesma p\u00e1gina, ainda curtimos muitas das mesmas bandas e tamb\u00e9m das coisas que tocamos. Eu ainda adoro o estilo do Brian de tocar baixo e ainda adoro a forma como Jade toca bateria. Mesmo tendo feito tantas coisas diferentes nas nossas vidas, e tamb\u00e9m em termos musicais, ainda havia aquele estilo de cada um como m\u00fasico que todos gostamos. E tudo tamb\u00e9m funcionou muito bem junto. A qu\u00edmica entre n\u00f3s tr\u00eas ainda estava l\u00e1, o que foi muito excitante \u2013 e tamb\u00e9m afirmativo para tudo isso, algo como \u201cAhh, n\u00f3s ainda gostamos de tocar juntos, e ainda temos qu\u00edmica.\u201d Ent\u00e3o foi divertido voltar a tocar com esses caras e ter essa experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas est\u00e3o planejando fazer um show especial ou algo assim no futuro?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, na verdade n\u00e3o. Apenas quer\u00edamos nos juntar no mesmo lugar, como amigos. N\u00e3o havia nenhum tipo de aspira\u00e7\u00e3o ou objetivo. Falamos um pouco sobre talvez nos reunirmos para escrever m\u00fasicas novas e gravar de novo. Mas eu n\u00e3o sei, n\u00e3o parece algo necessariamente confort\u00e1vel ou correto fazer shows com essa banda (risos). Eu n\u00e3o sei&#8230;e n\u00e3o tenho nada contra isso. Para n\u00f3s, sendo honesto com voc\u00ea, foi apenas algo pela gente, algo como \u201cOk, vamos fazer isso apenas porque \u00e9 o que gostar\u00edamos de fazer, tocar juntos mais uma vez\u201d. N\u00e3o est\u00e1vamos necessariamente tentando fazer uma \u201creuni\u00e3o\u201d ou tocar para outras pessoas. Lan\u00e7ar essas m\u00fasicas novas foi algo totalmente n\u00e3o planejado, nem de longe. Foi apenas algo que aconteceu porque pensamos \u201cIsso acabou ficando bem legal e realmente gostamos, ent\u00e3o vamos compartilhar com outras pessoas\u201d. N\u00e3o havia um objetivo do tipo \u201cOk, n\u00f3s vamos voltar\u201d, \u201cVamos tocar nesses festivais\u201d ou \u201cA banda est\u00e1 de volta\u201d. N\u00e3o \u00e9 assim que isso est\u00e1 acontecendo, ou como n\u00f3s queremos que isso aconte\u00e7a. S\u00f3 quer\u00edamos reunir tr\u00eas amigos pela primeira vez em muito tempo. Pensamos que seria muito interessante j\u00e1 que passou tanto tempo. N\u00f3s est\u00e1vamos curiosos, como \u201cIsso ainda vai ser legal? Ainda vamos nos divertir? E ser\u00e1 que vai soar bem?\u201d E n\u00f3s realmente gostamos, ent\u00e3o decidimos documentar isso e compartilhar com o pequeno grupo de pessoas que poderia se interessar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ENGINE KID - Special Olympics EP (full album)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tQqQgo-0S7A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre o novo EP, \u201cSpecial Olympics\u201d (2021), j\u00e1 que voc\u00ea o mencionou agora pouco. Gostaria de saber se h\u00e1 algum significado especial para o t\u00edtulo e a capa do disco, \u201cSpecial Olympics\u201d. \u00c9 algo que voc\u00ea j\u00e1 pensava de alguma forma desde aquela \u00e9poca, nos anos 1990, ou \u00e9 algo que surgiu mais recentemente?<\/strong><br \/>\nBom, a m\u00fasica \u201cSpecial Olympics\u201d \u00e9 uma das faixas que j\u00e1 estavam escritas. Logo antes de a banda acabar, j\u00e1 a toc\u00e1vamos. E a estrutura da m\u00fasica segue bem de perto de onde paramos em 1995. Mas n\u00e3o h\u00e1 necessariamente um significado profundo, filos\u00f3fico, especial ou algo assim por tr\u00e1s do t\u00edtulo (risos). Us\u00e1vamos a analogia das \u201cSpecial Olympics\u201d (\u201cOl\u00edmpiadas Especiais\u201d) mais sobre como os desafios que aparecem ao longo da nossa vida, e basicamente super\u00e1-los e perseverar. \u00c9 mais em um sentido mais abstrato, n\u00e3o era algo como um hino profundo ou significativo nem nada desse tipo. Era algo mais abstrato. E muito tinha a ver com a parte fon\u00e9tica, sendo honesto com voc\u00ea, a forma como as palavras se encaixam com o ritmo e as notas da m\u00fasica. Na \u00e9poca, \u00e9ramos \u2013 e continuamos a ser \u2013 influenciados por bandas como o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/21\/entrevista-dale-crover-e-o-novo-disco-acustico-do-melvins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Melvins<\/a>, em que muitas vezes as letras s\u00e3o apenas coisas sem nexo. E s\u00e3o apenas coisas que soam bem com a m\u00fasica, mas s\u00e3o apresentadas de uma maneira bastante abstrata e vaga, quase como um outro instrumento adicionado \u00e0 bagun\u00e7a sonora. E muitas letras do Engine Kid s\u00e3o meio abstratas, um pouco introspectivas, mas mais abstratas em vez de algo mais direto e com um significado profundo e filos\u00f3fico por tr\u00e1s delas. E as letras de outras faixas do disco, como \u201cBurban on Bladez\u201d, tamb\u00e9m s\u00e3o muito abstratas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Engine Kid foi uma das suas primeiras bandas, depois do Brotherhood e outras bandas mais hardcore que voc\u00ea tocou antes, e essas experi\u00eancias de forma\u00e7\u00e3o costumam ter bastante impacto nas nossas vidas. Por isso, gostaria de saber qual foi o impacto da banda (Engine Kid) na sua vida. Pensa que ela influenciou ou impactou de alguma maneira as suas outras bandas e experi\u00eancias musicais que vieram depois na sua vida?<\/strong><br \/>\nCom certeza. O Engine Kid sempre foi sobre experimenta\u00e7\u00e3o, especialmente em termos de som, volume e din\u00e2mica tamb\u00e9m, obviamente. Entre 1985 e 1990 mais ou menos, as bandas em que toquei eram basicamente bandas de hardcore e elas eram muito \u201cformulaicas\u201d. Havia um padr\u00e3o tradicional definido e um \u201ctemplate\u201d para a m\u00fasica que faz\u00edamos. O Engine Kid foi a primeira banda em que estive envolvido que n\u00e3o estava interessada em seguir aquelas regras que t\u00ednhamos seguido no passado. E meio que quebrar os limites, musicalmente e liricamente. As letras das bandas em que eu tinha tocado antes eram bastante diretas \u2013 e muitas delas eram como \u201chinos\u201d, especialmente no Brotherhood. Ent\u00e3o (o Engine Kid) era sobre fazer algo diferente em rela\u00e7\u00e3o ao que t\u00ednhamos feito no passado. Se h\u00e1 uma forma de resumir, ent\u00e3o seria isso: tentar fazer algo diferente do que t\u00ednhamos feito antes. E todas as bandas e projetos musicais em que participei desde ent\u00e3o tamb\u00e9m meio que tem sido sobre isso: tentar criar algo \u00fanico com cada uma das bandas. \u00c0s vezes \u00e9 mais aparente e \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9. Mas \u00e9 sobre seguir em frente, progredir. O Engine Kid foi muito importante para a minha vida como m\u00fasico, no sentido que foi meio que o primeiro passo fazendo isso. E \u00e9 um passo corajoso de se dar, porque tudo o que eu tinha feito antes, e meus amigos, colegas e as bandas que eu gostava, eles tinham sido bem-sucedidos fazendo o que faziam com base em uma f\u00f3rmula. Ent\u00e3o foi realmente um pouco assustador sair disso e fazer algo que voc\u00ea n\u00e3o sabia o que iria acontecer. Era o desconhecido, entrar no desconhecido com a sua m\u00fasica. E o Engine Kid foi a minha primeira banda a fazer isso. Foi algo muito importante para mim, e que continuo tentando fazer musicalmente at\u00e9 hoje \u2013 e continuarei tentando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como era quando a banda come\u00e7ou, no in\u00edcio dos anos 1990, voc\u00eas se sentiam parte da cena de Seattle? Ou voc\u00eas eram mais como \u201cestranhos\u201d na cidade j\u00e1 que faziam um som mais experimental e diferente do que as bandas locais sobre as quais a imprensa falava mais na \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nBom, todos n\u00f3s viemos da cena punk\/hardcore que eu mencionei. Na verdade, n\u00f3s \u00e9ramos um pouco mais jovens do que as bandas mais conhecidas de Seattle, tipo as bandas grunge, como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/05\/entrevista-steve-turne-mudhoney-fala-sobre-os-30-anos-de-every-good-boy-deserves-fudge\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mudhoney<\/a>, Nirvana, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/14\/entrevista-thomas-andrew-doyle-tad-hog-molly-brothers-of-sonic-cloth\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">TAD<\/a> e Soundgarden. Os caras dessas bandas eram quatro ou cinco anos mais velhos do que a gente. N\u00f3s tamb\u00e9m \u00e9ramos parte de um tipo de comunidade diferente de pessoas. Todos gost\u00e1vamos dessas bandas e \u00edamos ver shows delas. Mas os nossos amigos eram de uma cena diferente, vinham mais da cena underground do punk\/hardcore e do metal. Ent\u00e3o a m\u00fasica que decidimos fazer com o Engine Kid, como j\u00e1 mencionei, era realmente diferente daquela cena punk\/hardcore e metal. Por isso, n\u00f3s \u00e9ramos como esp\u00e9cies de p\u00e1rias. N\u00e3o apenas \u00e9ramos p\u00e1rias da cena da qual viemos \u2013 e fazendo uma m\u00fasica diferente daquela, mas tamb\u00e9m n\u00e3o nos encaix\u00e1vamos com o que estava acontecendo musicalmente em Seattle na \u00e9poca. Porque tamb\u00e9m era uma cena diferente. E musicalmente n\u00f3s quer\u00edamos fazer algo diferente, t\u00ednhamos algo diferente em mente. N\u00f3s gost\u00e1vamos daquela m\u00fasica &#8211; eu amava o Soundgarden, amava o TAD. Mas quer\u00edamos fazer algo que fosse nosso, e buscar influ\u00eancias diferentes tamb\u00e9m. Mas esse tipo de posi\u00e7\u00e3o&#8230;era a mesma coisa com o Brotherhood. N\u00e3o havia bandas de hardcore em Seattle, definitivamente n\u00e3o havia bandas straight-edge (risos). Ou mesmo de bandas de hardcore mais acelerado. Havia uma cena muito pequena na \u00e9poca. Ent\u00e3o qualquer banda em que toquei&#8230;E antes disso, toquei em uma banda chamada False Liberty, que era uma banda de hardcore acelerado, na pegada do D.R.I. e do Die Kreuzen. E, de novo, n\u00e3o havia nada desse tipo acontecendo em Seattle na \u00e9poca. Ent\u00e3o a m\u00fasica que toquei na minha vida, eu sinto que prospero, cres\u00e7o nesse tipo de situa\u00e7\u00e3o, em que n\u00e3o h\u00e1 muita gente que curta aquilo ou em que n\u00e3o tenha mais ningu\u00e9m fazendo o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo. Gosto de estar nessa posi\u00e7\u00e3o. E o Engine Kid foi meio que uma continua\u00e7\u00e3o disso, como o que fizemos com o Brotherhood. Com o Brotherhood, n\u00f3s basicamente criamos a nossa pr\u00f3pria cena, porque n\u00e3o havia basicamente nada acontecendo, ent\u00e3o criamos a nossa pr\u00f3pria cena. E o Engine Kid fez algo similar, de alguma maneira, no sentido que criamos nossa pr\u00f3pria cena e comunidade porque n\u00e3o havia mais nada desse tipo naquela regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E havia alguma banda local da qual voc\u00eas eram mais pr\u00f3ximos na \u00e9poca, com o Engine Kid, talvez da gera\u00e7\u00e3o de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nDurante a \u00e9poca do Engine Kid, havia uma banda com quem fizemos muitas coisas e que consider\u00e1vamos como nossos irm\u00e3os mais velhos, que era o <a href=\"https:\/\/skwm.bandcamp.com\/album\/in-the-west\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Silkworm<\/a>. Mesmo a m\u00fasica n\u00e3o sendo muito&#8230; j\u00e1 que \u00e9ramos muito mais pesados e agressivos. Mas todos gost\u00e1vamos do mesmo tipo de m\u00fasica. E eu achava que eles eram uma banda incr\u00edvel. Eles eram o que seria chamado de uma banda de indie rock (risos). N\u00e3o tinham nenhuma influ\u00eancia de punk ou metal, mas eu realmente gostava da m\u00fasica deles. E t\u00ednhamos um v\u00ednculo por meio de coisas como Neil Young ou Miles Davis, por exemplo. Tamb\u00e9m havia uma outra banda, chamada <a href=\"https:\/\/jessamine.bandcamp.com\/album\/jessamine\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jessamine<\/a>, que tamb\u00e9m era muito diferente da gente em termos de estilo, mas \u00e9ramos amigos e faz\u00edamos shows juntos. Ent\u00e3o o Jessamine, o Silkworm e n\u00f3s (Engine Kid), era basicamente n\u00f3s contra todo mundo (risos). N\u00f3s meio que criamos a nossa pr\u00f3pria comunidade e a nossa pr\u00f3pria cena. Eram as bandas com quem toc\u00e1vamos e com quem sent\u00edamos uma conex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sei que o Slint foi uma das principais inspira\u00e7\u00f5es para o Engine Kid. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/05\/11\/entrevista-david-pajo-slint-tortoise-zwan-papa-m-interpol\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Entrevistei o David Pajo, guitarrista da banda, h\u00e1 cerca de dois anos<\/a> (em outubro de 2019) quando ele tocou no Brasil e na conversa ele falou sobre como voc\u00eas s\u00e3o bons amigos e at\u00e9 possuem tatuagens iguais do \u201cSpiderland\u201d (1991). Voc\u00eas colaboraram recentemente no disco mais recente do Goatsnake, \u201cBlack Age Blues\u201d (2015), em que o David toca a intro da primeira m\u00fasica, e tamb\u00e9m em turn\u00eas, com ele abrindo shows do Sunn com o Papa M nos EUA. Voc\u00ea se lembra como voc\u00eas conheceram? E j\u00e1 pensaram em gravar algo juntos?<\/strong><br \/>\n\u00c9, conheci o David em Los Angeles, acho que em 2006 ou 2007. Fomos apresentados por amigos em comum, e eu fiquei realmente alucinado, porque sou muito f\u00e3 do Slint h\u00e1 muito tempo. Eles s\u00e3o uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos. \u00c9 uma banda muito importante na minha vida, e que realmente me influenciou. Obviamente, o Engine Kid foi muito influenciado pelo Slint. A forma como eles usam a din\u00e2mica e um tipo de tens\u00e3o. Toda a abordagem deles para a m\u00fasica mudou a minha vida de muitas formas, mudou a forma como eu penso sobre m\u00fasica. E continua a fazer isso. Ent\u00e3o \u00e9 uma banda muito importante para mim (risos). Ent\u00e3o quando o conheci (David), eu fiquei muito pirado. E Los Angeles \u00e9 uma cidade muito estranha, e isso \u00e9 algo que amo na cidade, que \u00e9 o fato de que voc\u00ea nunca sabe com quem vai encontrar. \u00c9 apenas como um im\u00e3 para conectar pessoas interessantes e ecl\u00e9ticas. Aconteceu uma coisa engra\u00e7ada quando me mudei para L.A. em 1996 e comecei a tocar com o Goatsnake. Eu estava andando na rua perto do meu apartamento e era bem cedo, come\u00e7o da manh\u00e3. N\u00e3o me lembro o que estava fazendo, mas olhei para o outro da rua e vi um cara que parecia com o Brian McMahan do Slint. E eu lembro de pensar \u201cCara, isso \u00e9 muito estranho. Esse cara \u00e9 igual o Brian McMahan\u201d. Mas n\u00e3o pensei muito nisso depois. Alguns dias depois, o Goatsnake estava ensaiando em um est\u00fadio no centro de Los Angeles e eu estava no corredor, indo para a nossa sala de ensaio, quando encontrei com esse mesmo cara que vi na rua, e era o Brian McMahan do Slint. Ele estava morando em L.A. em 1996, 1997. Los Angeles \u00e9 assim, um tipo de im\u00e3 estranho. E quando conheci o (David) Pajo em uma casa de shows, algu\u00e9m nos apresentou e nos demos bem logo de cara. Porque, assim como eu, ele tamb\u00e9m \u00e9 obcecado por m\u00fasica. Ele gosta muito de metal, ent\u00e3o falamos muito sobre isso. Basicamente nos tornamos amigos e o convidamos para tocar no disco do Goatsnake, o que foi incr\u00edvel. E n\u00f3s falamos sobre fazer algo juntos, mas por qualquer raz\u00e3o que seja, n\u00e3o aconteceu. Sei que o David \u00e9 realmente, de algumas maneiras ele \u00e9 meio temer\u00e1rio &#8211; e n\u00e3o digo isso de uma maneira negativa. Por isso, acho que ele gosta de trabalhar sozinho, penso que \u00e9 como ele se sente mais confort\u00e1vel. N\u00f3s falamos muito sobre trabalhar juntos, e h\u00e1 pessoas sobre as quais falamos que queremos tocar, e com quem toquei, mas ainda n\u00e3o toquei com o David. Por qualquer raz\u00e3o, n\u00e3o aconteceu. E n\u00e3o sei se isso \u00e9 porque ele se sente mais confort\u00e1vel tocando sozinho ou algo assim. Mas penso que ir\u00e1 acontecer em algum momento. Ter ele tocando com o Sunn foi incr\u00edvel, fizemos uma turn\u00ea juntos, em que ele abria os shows com um set solo tocando guitarra (Nota: com o projeto Papa M, que passou por S\u00e3o Paulo em 2019). E era apenas lindo o que ele tocava todas as noites. Ele \u00e9 uma das minhas pessoas e m\u00fasicos favoritos, ent\u00e3o espero que algum dia possamos fazer m\u00fasica juntos, espero que isso aconte\u00e7a em algum momento.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Age Blues\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kOP-81lee9jzcckxsmOvIzdSCbOasODUY\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E pensa que depois que voc\u00ea se mudou para Los Angeles, a cidade te influenciou em talvez colaborar mais? Porque ao longo dos anos voc\u00ea colaborou com muitos artistas e bandas diferentes. Pensa que isso tem algo a ver com a cidade em si?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, acho que n\u00e3o. Quer dizer, n\u00e3o \u00e9 nada contra Los Angeles, de maneira alguma. Mas \u00e9 que a maioria das pessoas com quem colaborei ao longo dos anos, especialmente com o Sunn, n\u00e3o tem nada a ver com Los Angeles. Eu n\u00e3o sei, \u00e9 engra\u00e7ado, mas nunca pensei em como a cidade me influenciou \u2013 se \u00e9 que ela me influenciou de alguma forma. Como disse, \u00e9 como se a cidade tivesse um im\u00e3 para atrair pessoas interessantes e ecl\u00e9ticas. Como contei h\u00e1 pouco, nos meus primeiros meses ap\u00f3s mudar para Los Angeles, encontrei o Brian do Slint, uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos. E a banda em que eu tocava, o Goatsnake, compartilhava o mesmo est\u00fadio de ensaio com o Melvins, outra das minhas bandas favoritas de todos os tempos (risos). Foi algo como \u201cUau, e tudo isso est\u00e1 acontecendo em Los Angeles\u201d. O Brian \u00e9 de Louisville, no Kentucky, e o Melvins s\u00e3o de Aberdeen, no estado de Washington, e depois de San Francisco. Mas agora eles est\u00e3o em Los Angeles. Ent\u00e3o tende a ser esse lugar em que voc\u00ea vai encontrar pessoas e em que voc\u00ea poder\u00e1 ter colabora\u00e7\u00f5es ou experi\u00eancias com pessoas de lugares muito diferentes. N\u00e3o sei, n\u00e3o posso dizer que Los Angeles necessariamente influenciou&#8230; Ou talvez eu possa dizer que tenha facilitado ter encontros com algumas dessas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 alguns anos, voc\u00ea colaborou com a Earthquaker Devices para criar um pedal de distor\u00e7\u00e3o chamado <a href=\"https:\/\/www.earthquakerdevices.com\/life-pedal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Life Pedal<\/a>, em refer\u00eancia ao disco do Sunn, \u201cLife Metal\u201d (2019). Por isso, gostaria de saber como \u00e9 tocar com um pedal que leva seu nome e que voc\u00ea ajudou a criar? E voc\u00ea pensa que \u00e9 influenciado ou impactado em como pensa sobre a sua m\u00fasica dependendo do equipamento que esteja usando, seja um captador, um pedal ou um amplificador, por exemplo.<\/strong><br \/>\nA colabora\u00e7\u00e3o com a Earthquaker foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel. Eles s\u00e3o \u00f3timos e sinto que estamos na mesma p\u00e1gina em muitas coisas. Eles meio que v\u00eam do mesmo background. O Jimmy (Jamie Stillman, fundador da empresa) vem do punk, ele tocou em bandas a vida inteira, tinha a sua pr\u00f3pria gravadora. Ent\u00e3o havia muitas similaridades entre n\u00f3s dois e nos demos muito bem por isso. Para o Sunn, para o Stephen (O&#8217;Malley), que \u00e9 o outro guitarrista, e eu, n\u00f3s somos muito obcecados com timbres, sons e amplificadores. E esse \u00e9 meio que um ponto focal da banda. Ent\u00e3o poder fazer algo, ou trabalhar com algu\u00e9m e essa pessoa criar algo que tenhas as qualidades do nosso timbre, n\u00e3o foi apenas uma honra, mas tamb\u00e9m algo muito legal. Eu uso o pedal na maior parte das coisas que fa\u00e7o (risos). Foi algo criado e desenvolvido com base nas nossas especifica\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o isso foi realmente uma honra e muito legal. Especialmente com uma empresa t\u00e3o legal quanto a Earthquaker. Em rela\u00e7\u00e3o ao Sunn, e todas \u00e0s outras coisas que eu fiz em termos musicais, especialmente nos \u00faltimos 20 anos, tem um foco em timbre. E o equipamento que n\u00f3s usamos \u00e9 muito importante. Nos anos 1980, quando estava em bandas punk\/hardcore, e at\u00e9 no Engine Kid de certo modo, voc\u00ea n\u00e3o pensava tanto no equipamento em que estava tocando. Era mais sobre a execu\u00e7\u00e3o. E vindo de um background punk\/hardcore, isso nunca foi algo que realmente importasse. Voc\u00ea n\u00e3o ouvia tanto as pessoas falando sobre equipamento, ou como conseguiam determinado som. Voc\u00ea apenas tocava com o que pudesse comprar e em que pudesse colocar as m\u00e3os. Mas \u00e0 medida que ficamos mais velhos e mais ligados em timbres, sons e em criar m\u00fasicas, isso definitivamente tornou-se importante. E, com o passar do tempo, \u00e0 medida que conseguimos empregos e ganhamos algum dinheiro, tamb\u00e9m passamos a poder comprar equipamentos (risos). Quando voc\u00ea est\u00e1 come\u00e7ando, pensa apenas \u201cVou tocar com apenas o que tiver&#8230; Ou algu\u00e9m me empresta ou, sei l\u00e1, vou tocar com o que a minha m\u00e3e pode comprar\u201d. \u00c9 mais ou menos assim que come\u00e7ou. Algumas pessoas ainda est\u00e3o neste ponto, e n\u00e3o h\u00e1 nada de errado com isso. Mas eu fiquei realmente obcecado com timbres e como alcan\u00e7ar os diferentes tipos de timbres. Para mim, essa \u00e9 uma parte muito importante na hora de criar m\u00fasica: manipular o equipamento que voc\u00ea possui ou adquirir equipamentos para manipular e alcan\u00e7ar os sons que est\u00e1 buscando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E houve algum ponto de virada neste sentido, talvez uma banda ou artista que voc\u00ea viu um show ou escutou um disco, que te fez querer focar mais nessa parte?<\/strong><br \/>\nQuando comecei o Engine Kid, o Melvins com certeza. O Earth tamb\u00e9m, os dois primeiros discos do Earth lan\u00e7ados pela Sub Pop s\u00e3o realmente influentes em termos de satura\u00e7\u00e3o e de uma \u201cparede de som\u201d (\u201cwall of sound\u201d, no original). Foi como nos ligamos nos amplifacadores da Sunn, por causa do Melvins. Porque eram os amplificadores que eles usavam. E tamb\u00e9m era uma empresa da regi\u00e3o do Noroeste Pac\u00edfico (Pacific Northwest, no original, \u00e1rea que engloba cidades como Seattle e Portland). A Sunn era uma empresa interessante porque eles meio que fabricavam amplificadores para guitarristas iniciantes, tornando-os acess\u00edveis para que as pessoas pudessem compr\u00e1-los. Assim como era com a Peavey no sul dos EUA, era algo como \u201cN\u00e3o podemos comprar um Marshall ou esses amplificadores brit\u00e2nicos de v\u00e1lvula, essas marcas caras, mas aqui est\u00e1 uma empresa que est\u00e1 fabricando amplificadores de qualidade e menos caros\u201d. \u00c9 por isso que voc\u00ea via as bandas da regi\u00e3o do Noroeste Pac\u00edfico, como o Melvins, tocando com amplicadores da Sunn, porque era o que as pessoas conseguiam comprar. E tamb\u00e9m porque eles estavam dispon\u00edveis em muitas lojas de penhores, por pre\u00e7os muito baixos. Tipo, voc\u00ea podia ir numa dessas lojas e comprar um amplificador decente por 100 d\u00f3lares (risos). Ent\u00e3o foi mais ou menos assim que conhecemos a Sunn, por causa da conex\u00e3o com regi\u00e3o do Noroeste Pac\u00edfico e porque bandas como Melvins tinham esses amplificadores e usavam eles nos shows. \u201cAh, Ok. Essa banda soa incrivelmente bem, adoro o som de guitarra deles.\u201d E ent\u00e3o voc\u00ea investiga um pouco e descobre o que eles usam.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sunn O))) Life Pedal Octave Distortion + Booster Demo | EarthQuaker Devices\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zx_NPRrgfLM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sempre gosto de fazer essa pergunta \u2013 e sei que n\u00e3o f\u00e1cil, mas gostaria que me dissesse tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e porque eles fizeram isso.<\/strong><br \/>\nDefinitivamente o \u201cSpiderland\u201d (1991), do Slint, com certeza. Especialmente pensando no Engine Kid. Nunca tinha escutado nada do tipo antes na minha vida. Quando escutei esse disco, foi apenas algo t\u00e3o \u00fanico e estranho, mas tamb\u00e9m super intrigante, do tipo \u201cO que \u00e9 isso? Quem s\u00e3o esses caras?\u201d. Havia muito mist\u00e9rio em torno desse disco quando foi lan\u00e7ado. E ent\u00e3o descobrir que a banda j\u00e1 tinha acabado quando os conheci. Era muito dif\u00edcil obter qualquer tipo de informa\u00e7\u00e3o sobre eles naquela \u00e9poca, obviamente n\u00e3o havia Internet. E ningu\u00e9m realmente sabia de nada, lembro de ficar realmente obcecado, de ficar perguntando para as pessoas (risos). Buscando e ca\u00e7ando informa\u00e7\u00f5es at\u00e9 descobrir que a banda j\u00e1 tinha acabado (risos). Ent\u00e3o n\u00e3o havia chance de v\u00ea-los ao vivo, e nem sabia se haveria novas grava\u00e7\u00f5es no futuro, provavelmente n\u00e3o. Mas lembro de pensar \u201cOk, o que esses caras est\u00e3o fazendo agora?\u201d, e ent\u00e3o ficar tentando descobrir, conhecer os outros projetos musicais em que eles estavam envolvidos. Mas esse disco realmente mudou a forma como penso sobre m\u00fasica. E me apresentou de verdade ao poder da din\u00e2mica, todo o lance da justaposi\u00e7\u00e3o de \u201cbaixo\/alto\u201d (\u201cquiet\/loud\u201d, no original) e como usar isso na m\u00fasica, como uma forma de se expressar pela m\u00fasica. Isso foi algo excitante. E eles eram uma daquelas bandas, quando o disco saiu, que ningu\u00e9m realmente conhecia. Ent\u00e3o voc\u00ea sentia que tinha esbarrado em algo que era seu, j\u00e1 que ningu\u00e9m mais conhecia ou se importava \u2013 as pessoas estavam interessadas em outras coisas. Obviamente que, como esse disco \u00e9 t\u00e3o incr\u00edvel e t\u00e3o poderoso, ele tornou-se bastante popular depois e as pessoas o reconhecem hoje em dia. Mas na \u00e9poca em que foi lan\u00e7ado, foi algo meio no impulso. Quem me mostrou foi o pessoal da loja de discos que eu frequentava em Seattle, que me mostrou tanta m\u00fasica incr\u00edvel, a Fallout Records, eles sabiam que eu gostava das coisas da Touch &amp; Go e que me interessava por coisas diferentes. Ent\u00e3o eles me disseram \u201cAh, voc\u00ea devia sacar esse disco do Slint\u201d. E eu comprei o disco e levei-o para casa apenas com base na recomenda\u00e7\u00e3o deles. Apenas arrisquei e ent\u00e3o pensei \u201cIsso \u00e9 apenas t\u00e3o incr\u00edvel. E t\u00e3o diferente\u201d. Ent\u00e3o esse \u00e9 um disco importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cBitches Brew\u201d (1970), do Miles Davis, tamb\u00e9m \u00e9 um disco muito importante. \u00c9 um disco que&#8230; quando o escutei, n\u00e3o pude acreditar em como esse disco era rico em sons, sentimentos e emo\u00e7\u00f5es. E tamb\u00e9m em como esse \u00e1lbum era sombrio. At\u00e9 aquele momento, quando o escutei, o meu conhecimento sobre o Miles Davis era o \u201cKind of Blue\u201d (1959) (risos) &#8211; que \u00e9 um disco que eu gosto, mas \u00e9 algo que voc\u00ea quase poderia ouvir numa cafeteria, mais como m\u00fasica de fundo, que n\u00e3o parecia ter muita \u201cousadia\u201d. E est\u00e1 tudo bem, \u00e9 um disco incr\u00edvel, adoro ele. Mas quando ouvi o \u201cBitches Brew\u201d, foi algo como \u201cAhh, esse \u00e9 o mesmo cara?\u201d. Fiquei impressionado com a progress\u00e3o musical. E, sendo como eu sou, quis saber tudo sobre o disco. Ent\u00e3o voc\u00ea come\u00e7a a ir atr\u00e1s para ler tudo que est\u00e1 dispon\u00edvel, pergunta para as pessoas, e conhece a jornada louca e interessante que esse cara percorreu na sua vida e na m\u00fasica. Esse disco apenas meio que deu um chute na minha bunda, eu n\u00e3o podia acreditar no quanto era bom. E outro disco, eu n\u00e3o sei&#8230;\u00e9 uma pergunta meio dif\u00edcil. Porque sou meio obcecado por m\u00fasica. E h\u00e1 muitas coisas, \u00e9 dif\u00edcil escolher apenas tr\u00eas, separar apenas alguns \u00e1lbuns. Mas acho que pensando no Engine Kid, outro disco que foi muito importante \u2013 e influente &#8211; para a banda foi o \u201cBen Hur\u201d (1990), do Bitch Magnet. Eles eram uma banda, que de alguma forma, tamb\u00e9m vieram da mesma cena\/comunidade do Slint. E tamb\u00e9m fiquei muito impressionado pelo uso que eles faziam da din\u00e2mica. Mas h\u00e1 algo no estilo e no som das guitarras desse disco que s\u00e3o um pouco mais pesados do que o Slint \u2013 e dos quais gosto bastante. Tamb\u00e9m h\u00e1 um pouco mais de melodia nos vocais, o que tamb\u00e9m achei que era muito legal. Quer dizer, acho que as duas bandas, Slint e Bitch Magnet, s\u00e3o \u00f3timas. Mas era outro disco meio que obrigat\u00f3rio pensando nas influ\u00eancias do Engine Kid e que tamb\u00e9m foi muito importante \u2013 e ainda \u00e9. Eu ainda escuto esse disco e ainda o adoro, ele resistiu ao teste do tempo. Quer dizer, h\u00e1 outros discos que foram muito importantes de outras formas para mim. Poderia citar facilmente qualquer um dos quatro primeiros discos do Sabbath. Eles tamb\u00e9m foram muito importantes para qualquer uma das bandas em que j\u00e1 toquei, especialmente para o Goatsnake. Mas estava pensando mais nas coisas em que estava ouvindo e sendo influenciado com o Engine Kid.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como sou do Brasil, sempre gosto de perguntar isso: voc\u00ea conhece alguma banda ou artista do Brasil?<\/strong><br \/>\nRatos de Por\u00e3o? Eu falei certo? (risos) Gosto muito desses caras, acho que tenho alguns 7\u201d deles. Quando ouvia muito hardcore nos anos 1980, lembro que gostava bastante desses caras. E o Sepultura tamb\u00e9m, certo? Mas \u00e9 engra\u00e7ado, eu s\u00f3 conheci o Sepultura por volta da \u00e9poca do \u201cChaos AD\u201d (1993). Me lembro que no in\u00edcio dos anos 1990 eu fui ver um show. Eu realmente gostava do Helmet, especialmente os dois primeiros discos deles \u2013 que tamb\u00e9m foram muito influentes para o Engine Kid. Todos n\u00f3s curt\u00edamos muito o Helmet, especialmente o primeiro disco deles, o \u201cStrap It On\u201d (1990). Mas quando o Helmet ficou maior, eles assinaram com uma grande gravadora e fizeram uma turn\u00ea que tinha o Ministry, o Helmet e o Sepultura. E eu n\u00e3o tinha nem ideia. Eu fui ao show para ver o Helmet, n\u00e3o era um grande f\u00e3 do Ministry, mas amava o Helmet. Ent\u00e3o fui ver o Helmet, e nunca tinha ouvido falar do Sepultura. Foi algo \u2018Nossa, uma banda de metal, uma banda brasileira de metal vai abrir para eles? Nunca ouvi falar deles\u2019. E eles (Sepultura) subiram no palco e eles foram realmente fodas pra caralho. A energia e o entusiasmo deles era apenas irreal, parecia um show de hardcore. Eles apenas chegaram com tanta energia, foi muito poderoso. E eles literalmente apenas acabaram com todo mundo no palco. Tipo, o Helmet tocou depois e foi totalmente entediante. O Ministry foi tocar e eu apenas pensei \u2018Eu vi a melhor banda, o Sepultura foi a melhor banda. As outras coisas s\u00e3o porcarias em compara\u00e7\u00e3o com o quanto eles foram incr\u00edveis\u2019(risos). E dali para frente eu me tornei um f\u00e3 (do Sepultura). E ent\u00e3o fui conhecer os discos deles, como o \u201cBeneath the Remains\u201d (1989), que \u00e9 um dos meus favoritos. Na verdade, na faixa \u201cThe Abattoir\u201d, do novo disco do Engine Kid, eu usei a frase \u201cBeneath the Remains\u201d na letra dessa m\u00fasica, o que foi meio que um \u201caceno\u201d para o Sepultura. Mas adoro o \u201cChaos AD\u201d e o \u201cRoots\u201d (1996), e tamb\u00e9m os discos mais thrash que vieram antes. Meio que perdi contato depois, n\u00e3o sei o que eles est\u00e3o fazendo agora. Mas \u00e9, eles s\u00e3o uma banda incr\u00edvel. E nunca me esquecerei desse show. E, para mim, esses s\u00e3o meio que os melhores shows: quando voc\u00ea n\u00e3o conhece a banda ou n\u00e3o sabe o que esperar e eles destroem tudo completamente, sabe? Te deixam totalmente atordoado (risos). Para mim, essas s\u00e3o as melhores experi\u00eancias, muito melhores do que ir ver uma banda que voc\u00ea ama e ent\u00e3o voc\u00ea vai v\u00ea-los tocar e pode ser \u00f3timo, mas \u00e9 aquele fator surpresa, \u201cbang!\u201d, que te acerta na cabe\u00e7a! E foi assim que aconteceu naquele show do Sepultura, nunca vou esquecer disso (risos)! Eles estavam muito animados. E \u00e9 engra\u00e7ado porque ningu\u00e9m sabia quem eles eram em Seattle no in\u00edcio dos anos 1990. As pessoas obviamente estavam curtindo grunge, e gostavam do Helmet e do Ministry, que eram os headliners. Mas no in\u00edcio dos anos 1990 \u2013 e nos anos 1990 de forma geral \u2013 as pessoas n\u00e3o curtiam muito metal em Seattle, n\u00e3o era algo \u201clegal\u201d. E muitas das coisas incr\u00edveis que estavam acontecendo, como a cena death metal e as bandas da Earache, como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/28\/entrevista-mark-barney-greenway-fala-do-novo-disco-do-napalm-death\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Napalm Death<\/a>, Entombed, Carcass, ningu\u00e9m realmente gostava dessas coisas em Seattle. Porque eles estavam apenas obcecados com a m\u00fasica da cena local de Seattle. E o Sepultura meio que se encaixava nessa categoria, em que ningu\u00e9m sabia quem eles eram \u2013 eu n\u00e3o sabia quem eles eram! E, por isso, foi um choque completo ver essa banda levantando tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 tocou em muitas bandas e gravou muitos discos como m\u00fasico. Al\u00e9m disso, voc\u00ea tamb\u00e9m lan\u00e7ou muitos e muitos discos com a sua gravadora, a Southern Lord, que, caso eu n\u00e3o esteja enganado, ir\u00e1 completar 25 anos de hist\u00f3ria em 2023. Por isso, gostaria de saber do que voc\u00ea tem mais orgulho na hist\u00f3ria da gravadora?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei, n\u00e3o sei qual o momento do qual tenho mais orgulho. Acho que apenas o fato de conseguirmos ter algum tipo de sucesso e podermos continuar fazendo isso, acho que \u00e9 do que tenho mais orgulho. \u00c9 meio que um milagre, para ser honesto com voc\u00ea, conseguir continuar existindo durante 25 anos. Isso \u00e9 louco, nunca pensei nisso. A gravadora come\u00e7ou apenas com a ideia de lan\u00e7ar m\u00fasica interessante e coloc\u00e1-la no mundo, j\u00e1 que ningu\u00e9m ia fazer isso \u2013 foi assim que come\u00e7ou. E o fato de ter crescido para algo que j\u00e1 lan\u00e7ou tantos discos incr\u00edveis, j\u00e1 que tive muita sorte de poder ter trabalhado com artistas incr\u00edveis, \u00e9 maravilhoso. N\u00e3o consigo escolher algo ou um momento espec\u00edfico como o meu favorito ou do qual tenho mais orgulho. Mas apenas o fato de ainda estarmos aqui e podermos trabalhar com artistas realmente incr\u00edveis. Isso me d\u00e1 orgulho e me deixa feliz.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sunn O))) - What&#039;s In My Bag?\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vx_5wGulwro?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Engine Kid - Burban on Bladez\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kmCRv3jafd4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Engine Kid &quot;Everything Left Inside&quot; Box Set (RSD 6\/12\/2021)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-e_UKQ1RVA0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Guitarrista comenta sobre o primeiro disco em 25 anos da banda noise rock, fala sobre a import\u00e2ncia do Slint e do Melvins na sua vida e revela como o Sepultura roubou a cena do Ministry e o Helmet num show em Seattle.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/01\/28\/entrevista-greg-anderson-sunn-goatsnake-fala-sobre-o-novo-disco-do-engine-kid\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":63967,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5412,5411,5410],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63948"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63948"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63948\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63969,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63948\/revisions\/63969"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}