{"id":63923,"date":"2022-01-25T23:47:18","date_gmt":"2022-01-26T02:47:18","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=63923"},"modified":"2022-03-03T23:16:11","modified_gmt":"2022-03-04T02:16:11","slug":"entrevista-voivod-thrash-sincronizado-com-o-ecletismo-e-o-mundo-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/01\/25\/entrevista-voivod-thrash-sincronizado-com-o-ecletismo-e-o-mundo-de-hoje\/","title":{"rendered":"Entrevista: Voivod, thrash sincronizado com o ecletismo e o mundo de hoje"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reinventar-se parece n\u00e3o ser um problema para o Voivod. A banda canadense despontou em meados dos 1980 como expoente do thrash, mas j\u00e1 indicando uma sonoridade e tem\u00e1tica nem t\u00e3o ortodoxas para o g\u00eanero \u2014 talvez uma busca ent\u00e3o incipiente por outras dimens\u00f5es sonoras. Com o tempo, um disco ap\u00f3s o outro, provou-se uma for\u00e7a criativa capaz de incluir elementos de deriva\u00e7\u00f5es distintas do rock e de fora dele para criar uma identidade musical complexa de rotular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ess\u00eancia do metal sempre esteve presente, mas o Voivod agregou uma abordagem meio jazzy e um qu\u00ea de m\u00fasica cl\u00e1ssica, al\u00e9m de influ\u00eancias marcantes de rock progressivo, hardcore, rock alternativo, post-punk e psicodelia como base para temas ligados \u00e0 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e at\u00e9 questionamentos filos\u00f3ficos. Em seus 40 anos de trajet\u00f3ria, o grupo deixou claro a capacidade de inovar a forma como apresenta seu som. Para o d\u00e9cimo quinto \u00e1lbum da carreira, \u201c<a href=\"https:\/\/voivodband.lnk.to\/SynchroAnarchyID\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Synchro Anarchy<\/a>\u201d \u2014 com lan\u00e7amento em 11 de fevereiro \u2014, o desafio foi uma nova metodologia de composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acostumados a criar em est\u00fadio, Michel \u201cAway\u201d Langevin (bateria e respons\u00e1vel por boa parte das artes de capa da banda) e Denis \u201cSnake\u201d B\u00e9langer (voz), ambos da forma\u00e7\u00e3o original, ao lado de Daniel \u201cChewy\u201d Mongrain e Dominic \u201cRocky\u201d Laroche (baixo), precisaram rever processos de cria\u00e7\u00e3o. E nisso a tecnologia dos tempos em que vivemos foi providencial \u2014 e essencial (lembremos que o conjunto tem um trabalho cl\u00e1ssico chamado \u201cKilling Technology\u201d, de 1987).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSomos sortudos de viver essa situa\u00e7\u00e3o (pandemia) em um mundo no qual podemos conversar com as pessoas mesmo que distantes. Ent\u00e3o, pode-se dizer que a tecnologia ajuda se voc\u00ea us\u00e1-la de uma boa maneira, acho. \u00c9 uma faca de dois gumes. Certamente, a tecnologia colaborou na composi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum em meio \u00e0 pandemia. Nos tornamos cada vez mais escravos disso. Mas, ao mesmo tempo, podemos usar essa ferramenta de maneiras positivas\u201d, comenta o guitarrista Chewy (o primeiro, da esquerda para a direita, na foto que abre o texto) sobre a feitura do trabalho mais recente no contexto das ferramentas contempor\u00e2neas de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A musicalidade ecl\u00e9tica da banda \u00e9 evidente em \u2018Paranormalium\u2019 e \u2018Planet Eaters\u2019 (v\u00eddeos no final do texto), e refor\u00e7a o car\u00e1ter vanguardista do Voivod \u2014 nome capaz de se apresenta<a href=\"https:\/\/youtu.be\/zk4-Zz1pqf4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">r com um naipe de metais no Festival International de Jazz de Montreal<\/a> (2019) e credenciada a receber o pr\u00eamio de \u201c\u00c1lbum de Metal do Ano\u201d no Juno Awards (o equivalente Grammy no Canad\u00e1) pelo disco \u201cThe Wake\u201d (2018). Na entrevista que segue, feita por videochamada, um educado e atencioso Chewy (integrante do Voivod desde 2008) fala sobre a gama de influ\u00eancias, a produ\u00e7\u00e3o de \u201cSynchro Anarchy\u201d, moderniza\u00e7\u00e3o e impress\u00f5es de mundo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"VOIVOD \u2013 Iconspiracy (Lost Machine - Live \/ OFFICIAL VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Znf1JaT07nc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como o Voivod acabou desenvolvendo uma sonoridade que combina estilos distintos dentro rock? Alguns que, em um primeiro momento, podem at\u00e9 parecer que n\u00e3o funcionariam juntos, como thrash, rock progressivo, rock alternativo, kraut rock e at\u00e9 hardcore?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma boa pergunta. Na real, acho que n\u00e3o foi quest\u00e3o de escolha. Foi mais por terem sido influenciados por diferentes tipos de m\u00fasica, e n\u00e3o apenas pelo metal. Lembremos que, quando o Voivod come\u00e7ou, em 1982, quase 40 anos atr\u00e1s, n\u00e3o havia muitas bandas thrash, pois, de alguma maneira, o Voivod \u00e9 uma das que inventou esse estilo. Mas os caras, j\u00e1 l\u00e1 no come\u00e7o, estavam ouvindo muitas coisas diferentes. De rock progressivo ao punk rock, al\u00e9m de New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) como Iron Maiden e Judas Priest. Ent\u00e3o, era uma mistura disso tudo. Acho que o pessoal sempre foi curioso, como m\u00fasicos, como artistas, para ir a fundo em g\u00eaneros distintos. Em algum momento, sei que o Away come\u00e7ou a curtir bastante som eletr\u00f4nico, bem como m\u00fasica moderna e contempor\u00e2nea. O (ex-guitarrista) Piggy costumava ouvir muita m\u00fasica cl\u00e1ssica. Logo, tudo isso colocado junto, vindo de diferentes pessoas escutando sonoridades variadas, acabou se incorporando ao som da banda e se tornou algo que foi crescendo um \u00e1lbum depois do outro. Se voc\u00ea prestar aten\u00e7\u00e3o no primeiro ou segundo disco, ou mesmo o \u201cThe Wake\u201d (2018) ou algum do meio da discografia, percebe-se que h\u00e1 um elemento central que est\u00e1 l\u00e1. Mas \u00e9 sempre uma banda que soa diferente. Peguemos o \u201cAngel Rat\u201d (1991), por exemplo. E isso \u00e9 fascinante para mim, h\u00e1 sempre uma pesquisa de nova abordagem. Creio que isso \u00e9 algo intr\u00ednseco dos caras, mas vou me incluir tamb\u00e9m como algu\u00e9m que pensa da mesma forma. Esse lance de sempre tentar descobrir algo novo e se reconstruir ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Voivod \u00e9 uma banda \u00fanica dentro do metal, muito em fun\u00e7\u00e3o dessa mescla de estilos que falamos. Quais considera os pr\u00f3s e contras de trabalhar dessa maneira mais ecl\u00e9tica, de pensar fora da caixa? E por que considera ser importante criar uma identidade com sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nAcho que essa identidade \u00e9 algo que voc\u00ea j\u00e1 tem como pessoa, como artista. N\u00e3o precisa cri\u00e1-la. Mas \u00e9 f\u00e1cil esquecer-se disso e copiar outros, fazendo o mesmo som que j\u00e1 existe. Ent\u00e3o, para ter autenticidade no processo art\u00edstico, \u00e9 preciso ser o mais pr\u00f3ximo e verdadeiro poss\u00edvel de voc\u00ea mesmo. Mesmo que isso signifique n\u00e3o alcan\u00e7ar a maioria das pessoas. Se algu\u00e9m entrar na vibe que voc\u00ea est\u00e1 emanando, que \u00e9 algo que voc\u00ea oferece de si mesmo, \u00e9 o que vale. Voc\u00ea est\u00e1 ofertando sua identidade, expressando a si mesmo por meio da m\u00fasica. E se isso \u00e9 verdade, as pessoas que recebem a mensagem, os receptores do sinal, vibrar\u00e3o na mesma sintonia. Elas v\u00e3o gostar, entender e se conectar com aquilo. E esse \u00e9 um poder da m\u00fasica: unir as pessoas pela vibra\u00e7\u00e3o da m\u00fasica que n\u00e3o existia at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O novo trabalho chama-se \u201cSynchro Anarchy\u201d. Acredita que vivemos em uma sociedade sincronizada anarquicamente? E quando menciono anarquia n\u00e3o me refiro \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que prega aus\u00eancia de governos e institui\u00e7\u00f5es que ditam as regras. Mas, sim, de algo que indica desorganiza\u00e7\u00e3o, falta de valores humanos. E que, neste caso, est\u00e1 sincronizada no sentido de ocorrer em praticamente todo o planeta.<\/strong><br \/>\nFoi o Snake que deu esse t\u00edtulo para uma m\u00fasica. Como est\u00e1vamos procurando um nome para o \u00e1lbum, ficamos prestando aten\u00e7\u00e3o nas letras para ver se aparecia algo que j\u00e1 estivesse l\u00e1. E \u201cSynchro Anarchy\u201d pareceu bacana, algo que realmente refletia o que a sociedade est\u00e1 vivendo, mas que em geral j\u00e1 experienciou. E \u00e9 meio contradit\u00f3rio ao mesmo tempo, pois tem a sincronia, coordena\u00e7\u00e3o, ritmo, ao mesmo tempo em que remete \u00e0 possibilidade de anarquia dentro disso, de que algo pode dar errado ou certo em quest\u00f5es de segundos. Algo que foge ao nosso controle indicando que em instantes a exist\u00eancia pode mudar. N\u00f3s em geral, como humanos, estamos tentando descobrir como isso funciona. Tentamos sistematizar tudo e colocar as coisas em pequenas caixas para entender. Chegamos at\u00e9 aos \u00e1tomos e quarks para compreender o universo, por exemplo. Mas essa vida \u00e9 meio an\u00e1rquica, no sentido de n\u00e3o podermos controlar tudo. Enfim, \u00e9 um t\u00edtulo bem amplo, pode incluir muitas quest\u00f5es filos\u00f3ficas, e voc\u00ea pode interpretar do seu jeito. Para mim, \u00e9 algo t\u00e3o simples quanto a pr\u00f3pria express\u00e3o. Creio que ela fala por si e representa o nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum foi composto durante a pandemia, certo? Como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o nesse per\u00edodo. Rolou tudo online, com os integrantes trocando partes das m\u00fasicas para criar as composi\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nO que costumamos fazer \u00e9 tocar juntos em um espa\u00e7o para ensaios, com todos trazendo suas ideias para as jams. Ent\u00e3o, algo acontece e voltamos para casa trabalhar em nossas partes, aprimor\u00e1-las. Mas n\u00e3o foi assim que rolou dessa vez, pois n\u00e3o t\u00ednhamos um local para ensaiar durante a pandemia. Ent\u00e3o, comecei a escrever uns dois anos atr\u00e1s, no come\u00e7o dessa situa\u00e7\u00e3o de \u201canarquia sincronizada\u201d (risos). A gente estava bastante motivado, mas logo meio que fomos perdendo contato um com o outro, e eu parei. Cerca de um ano e meio depois, t\u00ednhamos um prazo, precis\u00e1vamos produzir um disco. O Away disse: \u201cvamos l\u00e1, pessoal! Temos um contrato, precisamos entregar material\u201d. Ent\u00e3o, ele pegou algumas ideias que eu gravei e juntou o que achava que funcionaria. Eu nunca tinha trabalhado assim, e creio que a banda tamb\u00e9m n\u00e3o. Bom, ele juntou essas ideias e me mandou. Eu as arranjei, e ele programou as baterias em cima disso. Depois, me enviou novamente e eu trabalhei em cima do que recebi. Gravei alguns baixos tamb\u00e9m e fiz arranjos. O Away tamb\u00e9m gravou algumas baterias sem nenhuma base de cordas, apenas como sugest\u00e3o. Tipo: \u201cseria bacana se esse groove estivesse em algum som\u201d. Ent\u00e3o, eram s\u00f3 baterias. E algumas dessas partes me inspiraram a compor, o que n\u00e3o \u00e9 comum para mim. Ent\u00e3o, fomos colocados em uma condi\u00e7\u00e3o criativa em que n\u00e3o hav\u00edamos estado, e isso nos ajudou a ter um som particular nesse \u00e1lbum. Eu acolhi essa nova maneira criativa. No come\u00e7o, estava um pouco ressentido e frustrado por trabalhar assim, n\u00e3o estava acostumado. Nada contra quem faz dessa forma, de verdade. Mas no fim gostei de como foi. Acabamos no est\u00fadio por quatro meses. Primeiro, com as demos que criamos para ver se soavam naturais quando estiv\u00e9ssemos juntos, j\u00e1 que n\u00e3o hav\u00edamos tocado lado a lado por um tempo. Fizemos uns tr\u00eas dias assim. Arranjei novamente alguns sons em casa e mandei para o est\u00fadio as faixas base com a batida do metr\u00f4nomo para o Away gravar as baterias. Realmente quer\u00edamos estar na mesma sala e tocar ao vivo para gravar, como fizemos com o EP \u201cPost Society\u201d (2016), que foi muito legal. Mas n\u00e3o tinha como. Era como uma luxuria fazer isso, ent\u00e3o trabalhamos parte por parte, e os temas foram se desenvolvendo durante a grava\u00e7\u00e3o. Lembro-me do Snake escrever as letras e ir direto para cant\u00e1-las. Foi um processo r\u00e1pido e intenso, que nos colocou numa situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia em que todos os sentidos estavam apurados. Prontos para atacar, esse era o sentimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom, podemos dizer que a tecnologia ajudou na composi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, permitindo essa troca de ideia e trechos das m\u00fasicas. Como voc\u00ea, como cidad\u00e3o, percebe a evolu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da tecnologia? E quanto esse tema influenciou o novo trabalho, j\u00e1 que o assunto sempre permeou a obra do Voivod?<\/strong><br \/>\nSomos sortudos de viver essa situa\u00e7\u00e3o (pandemia) em um mundo no qual podemos conversar com as pessoas mesmo que distantes. Ent\u00e3o, pode-se dizer que a tecnologia ajuda se voc\u00ea us\u00e1-la de uma boa maneira, acho. \u00c9 uma faca de dois gumes. Certamente, a tecnologia ajudou na composi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum em meio \u00e0 pandemia. Nos tornamos cada vez mais escravos disso. Mas, ao mesmo tempo, podemos usar essa ferramenta de maneiras positivas. Seria muito dif\u00edcil viver sem as facilidades que a evolu\u00e7\u00e3o trouxe. Tipo, voltar para a fazenda, plantar a pr\u00f3pria comida, criar animais. \u00c9 uma escolha de vida, na verdade. H\u00e1 quem opte por rumos diferentes. Mas, enfim\u2026 a tecnologia auxiliou bastante para que fiz\u00e9ssemos o disco, e tamb\u00e9m com os shows via streaming \u2014 algo impens\u00e1vel h\u00e1 uns 10 anos. Esse \u00e9 o lado bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi essa experi\u00eancia de tocar para c\u00e2meras, sem p\u00fablico?<\/strong><br \/>\n(risos) Foi bem estranho. O pessoal das c\u00e2meras, de certa forma, era uma plateia, mesmo tendo de ser cuidadosos para n\u00e3o fazer barulho. No geral, foi divertido. Afinal, est\u00e1vamos tocando m\u00fasica juntos e sab\u00edamos que havia gente assistindo em diferentes locais do globo. E estavam curtindo, compartilhando conosco essa conex\u00e3o. Esse sinalzinho que sai da minha guitarra, a vibra\u00e7\u00e3o da corda, que cria uma onda el\u00e9trica que vai para um console, que vai para web e que chega na sua casa, nos seus ouvidos, que vibram com o som da guitarra. \u00c9 doido! Foi uma experi\u00eancia sensacional. Creio que vamos fazer mais transmiss\u00f5es ao vivo, como eventos especiais. Talvez tocando discos inteiros, como fizemos com \u201cDimension Hatross\u201d e \u201cNothingface\u201d. Mas, voltando \u00e0 quest\u00e3o, depois que toc\u00e1vamos as m\u00fasicas na transmiss\u00e3o, dava pra ouvir barulho de grilo no est\u00fadio (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Voivod \u00e9 conhecido por temas sci-fi, quest\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m do terreno. Pensa que o futuro est\u00e1 fora do planeta, considerando que a Terra n\u00e3o deve suportar por muito tempo o ritmo de degrada\u00e7\u00e3o que o ser humano imp\u00f5e?<\/strong><br \/>\nAcho que a Terra vai sobreviver a n\u00f3s, humanidade. O planeta n\u00e3o precisa da gente. Talvez tenha necessitado h\u00e1 milh\u00f5es de anos, mas agora n\u00e3o mais. Acho que est\u00e1 nos punindo hoje em dia. Para mim, a Terra \u00e9 um organismo vivo, um ser por si s\u00f3. N\u00f3s n\u00e3o a respeitamos, mesmo em quest\u00f5es menores, cotidianas. Quando compro um telefone novo, por exemplo. Vivemos nessa era estranha. \u2018Planet Eaters\u2019, faixa do novo disco, \u00e9 uma boa maneira de descrever isso, algo bem sci-fi. Tipo quando o Snake escreve \u201csave for your next trip to mars\u201d (economize para sua pr\u00f3xima viagem \u00e0 Marte), me remete a Philip K. Dick (famoso escritor de fic\u00e7\u00e3o) que inspirou filmes como \u201cMinority Report\u201d e \u201cO Vingador do Futuro\u201d. \u00c9 algo que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o improv\u00e1vel hoje em dia quando voc\u00ea v\u00ea gente indo ao espa\u00e7o e planejando viajar \u00e0 Marte em 10 ou 20 anos. Temos de nos dar conta de que nossos dias como uma esp\u00e9cie est\u00e3o contados, e precisamos mudar nossa maneira de viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma declara\u00e7\u00e3o sua no press release do disco que diz que \u00e9 um trabalho sombrio, mas com vislumbres de luz. Acredita que aprendemos algo com a pandemia? Que esse per\u00edodo horroroso pode nos trazer ensinamentos?<\/strong><br \/>\nAcho que aprendemos muito e sobre diferentes perspectivas. Muitas amizades terminaram, pudemos perceber sobre a fragilidade dos relacionamentos humanos. Claro, ainda h\u00e1 muito o que aprender, e vamos nos dar conta no futuro. Mesmo sendo sombrio, o disco passa uma ideia de que h\u00e1 sempre esperan\u00e7a. H\u00e1 uma mensagem positiva, se voc\u00ea equilibrar os temas pesados e profundos. Talvez uma palavra mais adequada seja mesmo profundo em vez de sombrio. \u00c9 um disco profundo, tanto musical quanto liricamente. Vai da luz \u00e0 escurid\u00e3o, criando um alcance amplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considera-se uma pessoa esperan\u00e7osa?<\/strong><br \/>\nTentamos ser. \u00c9 preciso seguir em frente. Olhar para o passado e aprender, mas almejando e agindo para o futuro, tentando fazer melhor. Ao menos temos esperan\u00e7a de ter esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem um som do novo disco que se chama \u2018The World Today\u2019. Como voc\u00ea percebe o mundo atualmente?<\/strong><br \/>\n\u00c9 complicado ter uma perspectiva quando se est\u00e1 vivendo o momento. Mas \u00e9 uma mistura de sentimentos entre coisas lindas e outras horrorosas. H\u00e1 muitas crises no mundo neste momento. Diferentes conflitos em variados pa\u00edses. Sempre foi assim, na verdade, mas aqui e agora, n\u00e3o sei descrever. Parece ainda mais sombrio. O ritmo de vida \u00e9 muito veloz, temos de estar ligados na tecnologia 24 horas, sete dias por semana. Estamos sempre no gatilho, o tempo todo, sempre prontos para algo acontecer. Tento n\u00e3o pensar muito sobre isso, n\u00e3o entrar nessa mentalidade mais obscura. Gosto de focar no que posso fazer, nas a\u00e7\u00f5es que podem tornar minha vida e das pessoas em volta melhor. Acho que a mensagem da m\u00fasica \u2018The World Today\u2019 \u00e9 apenas para voc\u00ea tentar ser uma pessoa legal. Vamos tentar ser gentis. \u00c9 simples. Para come\u00e7ar, d\u00ea bom dia para quem passa por voc\u00ea na rua, por exemplo. Tudo pode ficar mais claro, mais leve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredita que a arte, a m\u00fasica neste caso, ajuda as pessoas a passarem por situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis?<\/strong><br \/>\nSim, muito. Tem sido uma situa\u00e7\u00e3o bem complicada para m\u00fasicos que n\u00e3o podem excursionar, n\u00e3o podem ganhar seu dinheiro. A arte sempre foi bastante complicada para se viver dela. E sem poder tocar \u00e9 imposs\u00edvel. Mas, h\u00e1 outros jeitos de chegar at\u00e9 as pessoas. Enfim, acho que a m\u00fasica ajuda a n\u00e3o enlouquecer. \u00c9 como embarcar em uma jornada, mesmo ficando em casa. Voc\u00ea viaja com a mente, com os sonhos. Ajuda a nos expressarmos, tanto para quem comp\u00f5e quanto para quem escuta. M\u00fasica \u00e9 algo que se pode ouvir fazendo outra atividade, correndo, ou apenas se sentar e curtir como um ritual.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"VOIVOD - Planet Eaters (OFFICIAL VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lvHjNcjMqvU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"VOIVOD - Paranormalium (LYRIC VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sIgY8LNK8H4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Voivod live Amphith\u00e9\u00e2tre Cogeco, Trois-Rivi\u00e8res 2021\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/I8ceENDspho?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A ess\u00eancia do metal sempre esteve presente, mas o Voivod agregou uma abordagem meio jazzy e um qu\u00ea de m\u00fasica cl\u00e1ssica, al\u00e9m de influ\u00eancias marcantes de rock progressivo, hardcore, rock alternativo, post-punk e psicodelia como base em seu som&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/01\/25\/entrevista-voivod-thrash-sincronizado-com-o-ecletismo-e-o-mundo-de-hoje\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":63924,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5408],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63923"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63923"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63923\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":64217,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63923\/revisions\/64217"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}