{"id":63888,"date":"2022-01-21T01:37:55","date_gmt":"2022-01-21T04:37:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=63888"},"modified":"2022-05-08T22:39:12","modified_gmt":"2022-05-09T01:39:12","slug":"entrevista-charme-chulo-deliciosamente-pop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/01\/21\/entrevista-charme-chulo-deliciosamente-pop\/","title":{"rendered":"Entrevista: Charme Chulo deliciosamente pop"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a> e <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem veja in\u00fameras desvantagens em ver o tempo se esvair. As m\u00e3os ficam cheias de calos, os cabelos se embranquecem, as ideias podem se tornar mais conservadoras. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m beleza na experi\u00eancia. Em muitos casos, a passagem dos anos pode justamente deixar a vida um pouco mais doce, mais harm\u00f4nica, mais livre para novos passos \u2013 de dan\u00e7a, inclusive. \u00c9 mais ou menos o que aconteceu com o Charme Chulo. Formada no come\u00e7o dos anos 2000, liderada pelos primos Igor Fillus (voz) e Leandro Delmonico (guitarra e viola), \u201ca veterana banda de Curitiba\u201d j\u00e1 fez muita gente de camisa xadrez ficar de cabelo em p\u00e9 ao botar Ti\u00e3o Carreiro e Johnny Marr em p\u00e9 de igualdade, incriminando Mazzaropis e Barnab\u00e9s por a\u00ed com seu indie\/rock caipira. Mas esses dias ficaram para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/onegocio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Neg\u00f3cio \u00e9 o Seguinte<\/a>\u201d, disco lan\u00e7ado pelo quarteto (completado pelo baixista Hudson Antunes e o baterista Douglas Vicente) no segundo semestre de 2021 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/12\/20\/apca-revela-lista-com-50-melhores-albuns-brasileiros-de-2021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e um dos 50 discos do ano passado pra APCA<\/a>), o cruzamento entre o som \u201cde c\u00e1\u201d e o que vem \u201cde fora\u201d nunca esteve t\u00e3o\u2026 integrado, resultando em um trabalho deliciosamente pop. \u201cA gente sempre teve muito a dizer com nosso indie\/rock caipira, mas era hora de come\u00e7ar a se enxergar como banda veterana. Nisso, me deu uma vontade absurda de compor um trabalho que trouxesse o lado mais pop do Charme Chulo. Sinto que \u2018O Neg\u00f3cio \u00e9 o Seguinte\u2019 soa quase como um recome\u00e7o\u201d, diz Delmonico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber o que o guitarrista quer dizer: a dualidade guitarra\/viola dos primeiros discos se tornou mais fluida, abrindo espa\u00e7o para vers\u00f5es muito pr\u00f3prias de guitarradas\/tecnobregas (\u201cRabo de Foguete\u201d) e arrochas (\u201cFeio Favorito\u201d), um ou outro beat dan\u00e7ante (\u201cBalan\u00e7o Qualquer\u201d) e bonitas baladas (\u201cMais Al\u00e9m\u201d). \u201cNo fim das contas, \u00e9 tudo meio raiz\u201d, afirma Delmonico. Mas a evolu\u00e7\u00e3o, aposta o primo Igor, n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 na banda, mas tamb\u00e9m no ouvido das pessoas. \u201cQuando come\u00e7amos, nosso som contrastava ainda mais com as bandas da nossa gera\u00e7\u00e3o. Hoje, o p\u00fablico parece aceitar muito mais a pluralidade\u201d, ressalta o vocalista, na conversa por e-mail que ele e Leandro bateram com o Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vai se enganar, por\u00e9m, quem achar que vai encontrar um Charme Chulo completamente diferente do que havia no antecessor \u201cCrucificados pelo Sistema Bruto\u201d, disco duplo (e at\u00e9 certo ponto, herc\u00faleo) lan\u00e7ado no j\u00e1 distante 2014. A ironia e a explora\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es, velhas amigas do grupo, seguem em alta \u2013 afinal, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser uma banda que pensa adiante estando dentro da cidade que virou \u201cRep\u00fablica\u201d. \u201cO nome Charme Chulo surgiu para resumir o esp\u00edrito controverso da cidade, a vontade de \u2018acaipirar\u2019 o som veio disso, como se a gente pudesse j\u00e1 prever todo esse clima\u201d, diz Delmonico. \u201cTemos um certo orgulho por representar a cidade mais sofisticada, e ao mesmo tempo, mais \u2018jacu\u2019 do Pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, Fillus e Delmonico falam um pouco mais sobre o processo de concep\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de \u201cO Neg\u00f3cio \u00e9 o Seguinte\u201d, em boa parte financiado com uma campanha de crowdfunding baseada em camisetas exclusivas, realizada em meio \u00e0 pandemia e (mais uma!) crise econ\u00f4mica. Eles tamb\u00e9m explicam o apelo mais pop e dan\u00e7ante do disco \u2013 Leandro diz que Igor \u00e9 um \u00f3timo bailarino \u2013 e se mostram otimistas com 2022 e com a pr\u00f3pria capacidade de seguirem criando. \u201cA gente ainda vai misturar o rock caipira com o rock rural\u201d, avisa Igor. \u201cA\u00ed a coisa vai ficar complexa! (risos)\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Neg\u00f3cio \u00c9 o Seguinte\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mWaN7IHkIFPtHntbT2K5Y_ib63dAU6igE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sete anos sem um disco novo \u00e9 tempo pra caramba \u2013 ainda mais no mundo pop, que costuma fabricar sucessos que duram alguns meses, \u00e0s vezes semanas. Tudo bem que no meio desse tempo voc\u00eas lan\u00e7aram alguns singles, mas voc\u00eas imaginavam que \u201cO Neg\u00f3cio \u00e9 o Seguinte\u201d fosse demorar tanto pra sair? Como foram esses anos pra voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nLeandro Delmonico: Certamente \u00e9 muito tempo. O fato \u00e9 que o disco &#8220;Crucificados pelo Sistema Bruto&#8221;, de 2014, encerrou um per\u00edodo de dedica\u00e7\u00e3o quase exclusiva \u00e0 banda. Ap\u00f3s isso, eu e o Igor (fundadores e compositores do Charme Chulo) cuidamos de alguns projetos pessoais. Tanto foi assim que ele foi surpreendido quando cheguei com o conceito do que viria a ser &#8220;O Neg\u00f3cio \u00e9 o Seguinte&#8221;. Sete anos foi o tempo necess\u00e1rio para convenc\u00ea-lo a passar por todo o processo de composi\u00e7\u00e3o, financiamento e produ\u00e7\u00e3o (risos). A banda nunca se afastou totalmente dos palcos e eu nunca parei de captar o que vinha sendo produzido na m\u00fasica brasileira. O single &#8220;Mais al\u00e9m&#8221;, de 2018, marca o come\u00e7o dessa retomada. A gente sempre teve muito a dizer com o nosso indie\/rock caipira, no entanto, era hora de come\u00e7ar a se enxergar como banda veterana, valorizando nossa pequena hist\u00f3ria e firmando novas parcerias. Nisso, me deu uma vontade absurda de compor um trabalho que trouxesse o lado mais pop do Charme Chulo. Hoje, sinto que &#8220;O Neg\u00f3cio \u00e9 o Seguinte&#8221; soa quase como um recome\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o Charme Chulo come\u00e7ou, o sertanejo brasileiro j\u00e1 era pop, mas numa intensidade bem menor que a de hoje. A provoca\u00e7\u00e3o est\u00e9tica que voc\u00eas propunham com o \u201crock caipira\u201d ainda faz sentido?<\/strong><br \/>\nLeandro: Essa quest\u00e3o \u00e9 muito interessante e vai al\u00e9m do sertanejo. Acho que o pop alternativo brasileiro est\u00e1 cada vez mais regional. Quando come\u00e7amos, nosso som contrastava ainda mais com as bandas da mesma gera\u00e7\u00e3o. Hoje, o p\u00fablico parece aceitar muito mais a pluralidade. Esse progresso, al\u00e9m do dom\u00ednio absoluto dos subg\u00eaneros do sertanejo, deixou a viola menos provocativa. Mas ainda acho que o rock caipira pode mais, pois ainda falamos para um p\u00fablico mais &#8220;existencial&#8221; e menos &#8220;baladeiro&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/charmechulo.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">na primeira conversa (das v\u00e1rias) que voc\u00eas tiveram com o Scream &amp; Yell<\/a>, 17 anos atr\u00e1s, ainda sobre o primeiro EP, voc\u00eas listavam um punhado de refer\u00eancias: Ti\u00e3o Carreiro e Pardinho, Almir Sater, Paulo Freire (o violeiro, n\u00e3o o educador!), Os Serranos, Smiths, R.E.M, The Thrills\u2026 Em um dos releases do novo \u00e1lbum foi a primeira vez que o nome de S\u00e1, Rodrix e Guarabyra aparece e&#8230; soa t\u00e3o \u00f3bvio (risos). Como nunca falamos sobre isso? Rock caipira e rock rural s\u00e3o primos ou g\u00eameos?<\/strong><br \/>\nIgor Fillus: Adoramos falar de nossas influ\u00eancias musicais. Seja pelo eterno prazer de prestar rever\u00eancia a todos estes grandes artistas, de diferentes estilos musicais, ou por realmente fazermos um som bem d\u00edspar, tamb\u00e9m, ent\u00e3o gostamos de buscar esse &#8220;ch\u00e3o&#8221;. Gostamos tamb\u00e9m de executar algumas vers\u00f5es desses artistas ao vivo. Por isso, sim, diria que o rock caipira est\u00e1 mais para primo do rock rural. A gente ainda vai misturar o rock caipira com o rock rural, a\u00ed a coisa vai ficar complexa (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por outro lado, o disco novo traz um flerte diferente com outras sonoridades (como carimb\u00f3 e arrocha), algo que j\u00e1 estava presente no disco anterior, como no funk estilizado de \u201cMulti Stillus\u201d. Como surgiram essas ideias? Foi natural pra voc\u00eas ir expandindo esse processo? Ou rolou algo meio \u201cputz, vai sair da f\u00f3rmula\u201d, talvez isso n\u00e3o caiba no Charme Chulo?<\/strong><br \/>\nLeandro: Diferente do \u201cSistema Bruto&#8221;, em que a pegada era mais sarc\u00e1stica, o novo \u00e1lbum flerta com novos &#8220;balan\u00e7os&#8221; brasileiros para can\u00e7\u00f5es dan\u00e7antes. Sempre gostei das guitarras da lambada, por exemplo. No fim das contas, \u00e9 tudo meio raiz. Adoro o brega da galera de Recife e essa batida meio &#8220;ragga&#8221;, meio arrocha, est\u00e1 impregnada em tudo que toca por a\u00ed (Pabllo Vittar e Duda Beat, por exemplo). Al\u00e9m de manter o caipira sempre presente e flertar com o folk pop, resolvemos experimentar este lado dan\u00e7ante mais atual. O Charme Chulo sempre tem nas dancinhas do Igor um dos pontos fortes, ent\u00e3o nada mais justo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Charme Chulo \u2014 &quot;Nem a saudade&quot; (videoclipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Tn25IHofSHg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos \u00faltimos anos, uma frase ganhou destaque nas redes sociais: \u201cNada que \u00e9 bom vem de Curitiba\u201d, \u00e0 qual a banda \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o honrosa. Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas com a cidade? E com a fama da cidade?<\/strong><br \/>\nLeandro: Curiosamente, nossa rela\u00e7\u00e3o com Curitiba \u00e9 fundamental, at\u00e9 porque o nome Charme Chulo surgiu para resumir o esp\u00edrito controverso desta cidade. A vontade de &#8220;acaipirar&#8221; o som veio tamb\u00e9m disso, como se na \u00e9poca j\u00e1 pud\u00e9ssemos prever todo esse clima de &#8220;Rep\u00fablica de Curitiba&#8221; que enfrentamos hoje. Vale lembrar tamb\u00e9m que o &#8220;ilustr\u00edssimo&#8221; S\u00e9rgio Moro nasceu em Maring\u00e1, a mesma cidade que a gente. Mas Curitiba tamb\u00e9m faz jus a muita coisa legal e inovadora. Nossa base de f\u00e3s \u00e9 daqui e a cidade sustenta a hist\u00f3ria da banda at\u00e9 hoje. Este \u00e1lbum \u00e9 prova disso, alguns f\u00e3s daqui evolu\u00edram com a gente e hoje s\u00e3o base forte de apoio. Temos um certo orgulho por representar a cidade mais sofisticada e, ao mesmo tempo, mais &#8220;jacu&#8221; do pa\u00eds (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando em Curitiba, em 2018 voc\u00eas lan\u00e7aram &#8220;Mais Al\u00e9m&#8221; com a Tuyo, que \u00e9 outra banda da cidade que despontou recentemente. Para o \u00e1lbum, voc\u00eas decidiram gravar uma nova vers\u00e3o da m\u00fasica. Qual foi a ideia por tr\u00e1s dessa nova \u201cMais Al\u00e9m\u201d?<\/strong><br \/>\nIgor: Basicamente, ap\u00f3s a vers\u00e3o de &#8220;Mais al\u00e9m&#8221; com o Tuyo, sentimos a necessidade de propor uma segunda vers\u00e3o que fosse mais f\u00e1cil de executar ao vivo, sem a participa\u00e7\u00e3o do trio, at\u00e9 pela relev\u00e2ncia compositiva dessa m\u00fasica para nossa hist\u00f3ria. Mas, num poss\u00edvel lan\u00e7amento em vinil, por exemplo, gostar\u00edamos de ver a vers\u00e3o de 2018 entrar como um b\u00f4nus. O novo \u00e1lbum agora lan\u00e7ado simplesmente surgiu da musicalidade proposta ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com \u201cO Neg\u00f3cio \u00e9 o Seguinte\u201d voc\u00eas repetem a parceria com Rodrigo Lemos (Pol\u00e9xia, Lemoskine, A Banda Mais Bonita da Cidade) na produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ele assina \u201cCrucificados pelo Sistema Bruto\u201d. Como funciona essa colabora\u00e7\u00e3o de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nIgor: N\u00f3s crescemos com o Rodrigo Lemos, somos da mesma cidade e praticamente da mesma gera\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma sintonia, que veio surgindo desde 2014 no disco anterior e se revelou absolutamente incr\u00edvel para essa nova proposta mais pop. As coisas calharam e pela primeira vez o Charme Chulo, com esse som t\u00e3o pitoresco (que s\u00f3 os compositores mesmo normalmente podem saber o que querem), teve uma produ\u00e7\u00e3o exclusiva e aut\u00f4noma de um terceiro. A capacidade do Rodrigo de respeitar a marca da banda mas conceber essa roupagem mais pop, no mais amplo sentido da palavra, foi fundamental para atingirmos o objetivo do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na \u00faltima d\u00e9cada, a gente vem discutindo muito sobre formas de financiar a m\u00fasica \u2013 e muita banda pagava os discos vendendo camisetas na banca, mas s\u00f3 nas turn\u00eas, depois que tudo estava pronto. Voc\u00eas inverteram essa l\u00f3gica. Pensando que se financiar o disco antes de ouvir \u00e9 dif\u00edcil, ter uma camiseta daquele disco sem nem ouvir \u00e9 ainda mais, como foi esse processo?<\/strong><br \/>\nIgor: Na verdade, sentimos muita seguran\u00e7a nessa proposta de start e financiamento do novo \u00e1lbum. Foi justamente o fato da pessoa receber um produto (camiseta exclusiva) antes de atingir a meta que deixou as coisas mais leves. Foi uma campanha muito acertada, somada \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o das pessoas em apoio \u00e0 cultura (como o apoio direto que recebemos da empresa Ebanx) e o boom das vendas online, durante a pandemia. A fa\u00edsca incendiou e com ajuda do nosso amado p\u00fablico espalhado pelo Brasil, conseguimos! Obrigado a todos, sempre!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Charme Chulo \u2014 &quot;Rabo de foguete&quot; (videoclipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ou61VF781JE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda nesse assunto de financiamento, voc\u00eas conseguiram coisas muito bacanas, como apoio direto de algumas empresas. Ou seja, houve muito corre para que \u201cO Neg\u00f3cio \u00e9 o Seguinte\u201d se transformasse em realidade. Como foi planejar o \u00e1lbum? Vai longe o tempo em que ter uma banda era s\u00f3 compor e tocar, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nLeandro: Exatamente. Isso acaba contribuindo com a demora entre um lan\u00e7amento e outro. O \u00faltimo disco j\u00e1 havia sido concebido via financiamento coletivo. Para este eu j\u00e1 tinha ideia de fazer algo baseado na venda de camisetas, como uma recompensa \u00fanica. Na pr\u00e1tica, tudo fica mais complexo e temos que pensar em todos os detalhes, tend\u00eancias, etc., o que \u00e9 bem estafante. Mesmo assim, a jornada \u00e9 gratificante. O simples fato de come\u00e7ar o projeto fez a gente reencontrar muita gente e descobrir novas sa\u00eddas. \u00c9 a\u00ed que mora o lado bom de se tornar uma banda veterana: voc\u00ea come\u00e7a a ganhar um certo respeito e seus admiradores tamb\u00e9m crescem. Quanto ao modo &#8220;s\u00f3 compor e tocar&#8221;, nunca conhecemos (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A capa do novo disco \u00e9 muito, muito bacana. Voc\u00eas j\u00e1 est\u00e3o no segundo clipe, tamb\u00e9m. Como foram pra voc\u00eas essas experi\u00eancias com os novos clipes e como essa preocupa\u00e7\u00e3o com o lado est\u00e9tico se encaixa na banda?<\/strong><br \/>\nIgor: Acho que n\u00f3s somos, sim, muito caprichosos e cuidadosos com nossa produ\u00e7\u00e3o em geral. Gostamos de pensar que s\u00e3o materiais, registros, grava\u00e7\u00f5es para a posteridade, e com os clipes n\u00e3o \u00e9 diferente. Depois que voc\u00ea atinge um certo patamar de qualidade n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel baixar, apenas subir, no m\u00ednimo manter. E, para complementar, tem a quest\u00e3o da proposta musical da banda ser inusitada, ent\u00e3o se voc\u00ea quer se fazer entender, tem que fazer o melhor, procurando gerar menos d\u00favida poss\u00edvel nas coisas elementares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando nisso\u2026 as letras do Charme Chulo s\u00e3o cheias de ironias, como \u00e9 o caso de \u201cFeio Favorito\u201d, mas\u2026 as pessoas ainda entendem ironia?<\/strong><br \/>\nLeandro: No Brasil de Bolsonaro eu duvido de um monte de coisa, viu. Mas tenho certeza que nosso pequeno e amado p\u00fablico entende, sim. A ironia \u00e9 uma das marcas do Charme Chulo. Tudo \u00e9 muito contradit\u00f3rio. O pr\u00f3prio caipira pode ser nobre e pejorativo ao mesmo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda sobre \u201cFeio Favorito\u201d: como voc\u00eas definiriam, aurelianamente, um \u201cfeio empoderado\u201d?<\/strong><br \/>\nLeandro: Eu queria trazer para esta faixa aquele humor meio pastel\u00e3o, ao melhor estilo Falc\u00e3o, tanto que citamos at\u00e9 Os Trapalh\u00f5es na letra. O Charme Chulo sempre falou para o caipira oprimido pela cidade, pelo consumo e pela vaidade. O feio empoderado \u00e9 aquela &#8220;pessoa que se vale de artif\u00edcios sofisticados, sagazes, criativos e humor\u00edsticos para disputar notoriedade social com as ditas celebridades do Instagram&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 lan\u00e7ar um disco num momento em que fazer show ainda \u00e9 meio delicado? E como \u00e9 que a pandemia afetou o planejamento da banda, n\u00e3o s\u00f3 quanto a lan\u00e7amentos, mas tamb\u00e9m a pegar estrada, ensaiar, gravar?<\/strong><br \/>\nLeandro: A pandemia acabou n\u00e3o prejudicando o Charme Chulo pelo simples fato da banda usar este per\u00edodo para compor e depois gravar o \u00e1lbum. Talvez tenha prejudicado durante a campanha de financiamento, mas conhecemos tanta gente que parou de trabalhar por causa da pandemia que n\u00e3o nos sentimos no direito de reclamar. Foi uma quest\u00e3o de escolha encarar a campanha durante este per\u00edodo. Rolou aquele lance da galera lembrar o quanto a arte \u00e9 fundamental nesses momentos. Na virada para 2021, as coisas ficaram mais dram\u00e1ticas e a grana do povo acabou. Agora, estamos olhando com otimismo para essa nova fase. Fizemos dois shows em dezembro agora, uma live (Ita\u00fa Cultural) e um presencial (Sesc Pa\u00e7o da Liberdade) com duas sess\u00f5es esgotadas. A gente espera viajar com o disco em 2022.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Charme Chulo part. Tuyo:  Mais Al\u00e9m I Casa da Frente\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eCu2ouTUV90?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Charme Chulo - &quot;\u00c9 Que \u00c0s Vezes (Melhor \u00c9 Morar na Fazenda)&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9SbxZ4UTrSo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Charme Chulo - Videoclipe &quot;Polaca Azeda&quot;\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kK92rnuaWTM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Charme Chulo - Videoclipe &quot;Fala Comigo, Barnab\u00e9!&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mOs7l4jLxKM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista e, desde 2006, acredita que \u201cmaturidade \u00e9 uma fase, adolesc\u00eancia \u00e9 para sempre\u201d. \u00c9 um dos respons\u00e1veis pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/indieeldorado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>, na Eldorado FM, e autor de \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Raios-trov%C3%B5es-hist%C3%B3ria-fen%C3%B4meno-R%C3%A1-Tim-Bum\/dp\/8532311385\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Raios e Trov\u00f5es \u2013 A hist\u00f3ria do fen\u00f4meno Castelo R\u00e1-Tim-Bum<\/a>\u201d, editado pela Summus Editorial. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/em><br \/>\n&#8211; <em>Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a><\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Charme Chulo (2005): \u201cA inspira\u00e7\u00e3o vem dos sentimentos mais pesados e \u00edntimos\u201d (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/charmechulo.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Charme Chulo faz rock para dialogar com as grandes massas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/03\/17\/charme-chulo-e-a-defesa-da-brasilidade-esquecida\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Charme Chulo (2009): \u201cA m\u00fasica caipira \u00e9 s\u00f3 uma das influ\u00eancias da banda\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/09\/23\/a-moda-caipira-do-charme-chulo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Charme Chulo (2014) num disco conceitual repleto de sagazes cr\u00edticas de costumes (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/06\/entrevista-o-terceiro-disco-do-charme-chulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Charme Chulo (2015) ao vivo no palco do Sesc Belenzinho (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/30\/charme-chulo-ao-vivo-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Festa Scream &amp; Yell #1 na Casa Dissenso: Charme Chulo ao vivo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/03\/28\/festa-scream-yell-1-na-casa-dissenso\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cCharme Chulo\u201d, o \u00e1lbum, amplia a equa\u00e7\u00e3o e vai al\u00e9m de Smiths com viola caipira (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/04\/30\/estreia-do-charme-chulo-e-o-disco-da-semana\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cA gente sempre teve muito a dizer com nosso indie\/rock caipira, mas era hora de come\u00e7ar a se enxergar como banda veterana. Nisso, me deu uma vontade absurda de compor um trabalho que trouxesse o lado mais pop do Charme Chulo. Sinto que \u2018O Neg\u00f3cio \u00e9 o Seguinte\u2019 soa quase como um recome\u00e7o\u201d, diz Delmonico.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/01\/21\/entrevista-charme-chulo-deliciosamente-pop\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":63894,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1434],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63888"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63888"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63888\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63931,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63888\/revisions\/63931"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}