{"id":63639,"date":"2022-01-03T03:17:51","date_gmt":"2022-01-03T06:17:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=63639"},"modified":"2022-02-21T10:12:17","modified_gmt":"2022-02-21T13:12:17","slug":"entrevista-badsista-reabre-a-noite-com-gueto-elegance","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/01\/03\/entrevista-badsista-reabre-a-noite-com-gueto-elegance\/","title":{"rendered":"Entrevista: Badsista reabre a noite com &#8220;Gueto Elegance&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Victoranpires\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Victor de Almeida<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O beat de \u201cChora na Minha Frente\u201d abre o primeiro \u00e1lbum de <a href=\"https:\/\/badsista.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BADSISTA<\/a>, \u201c<a href=\"https:\/\/ingrv.es\/gueto-elegance-dkp-p\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gueto Elegance<\/a>\u201d (um dos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/12\/20\/apca-revela-lista-com-50-melhores-albuns-brasileiros-de-2021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">50 discos de 2021 para a APCA<\/a>) e, tamb\u00e9m, marca o in\u00edcio de uma festa imaginada, narrada e vivida em primeira pessoa pela produtora musical e DJ paulista. Ao longo das 12 faixas, entramos em uma festa constru\u00edda atrav\u00e9s de narrativas sonoras e textuais que embaralham os sentidos e as sensa\u00e7\u00f5es da noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cad\u00eancia dos beats e BPMs, o grave pesado e preciso, a sobreposi\u00e7\u00e3o r\u00edtmica-percussiva que levaram a frita\u00e7\u00e3o de BADSISTA do bairro de Itaquera ao Boiler Room ganham novas nuances em \u201c<a href=\"https:\/\/ingrv.es\/gueto-elegance-dkp-p\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gueto Elegance<\/a>\u201d. \u00c9 um disco que diz mais sobre a trajet\u00f3ria de Rafaela Andrade, pessoa f\u00edsica, do que sobre os \u00faltimos trabalhos lan\u00e7ados por BADSISTA. G\u00eaneros como o funk, o house e techno s\u00e3o mesclados de maneira muito particular com dancehall, reggaeton e Miami bass mostrando a versatilidade da produtora reconhecida por trabalhos assinados junto com Linn da Quebrada, Jup do Bairro e Lei di Dai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGueto Elegance\u201d traz camadas e nuances delicadas dentro da m\u00fasica eletr\u00f4nica. O agito e frenesi das faixas da primeira metade do disco \u2013 como \u201cBandida\u201d, \u201cSoca\u201d e \u201cNa Pista\u201d \u2013 s\u00e3o contrastadas pelo clima meio contemplativo, rom\u00e2ntico ou melanc\u00f3lico de um fim de festa em tracks como \u201cHoje Eu Quero Brilhar\u201d, \u201cAmor Que N\u00e3o Posso Inventar\u201d e \u201cSem Dar Tchau\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ponto de relevo no disco \u00e9 o atravessamento musical e o di\u00e1logo com diversas periferias, tanto no Brasil quanto da \u00c1frica. Nomes como Jup do Bairro, Ventura Profana (BA), Ashira (SP), Lari BXD (RJ) figuram na lista de participa\u00e7\u00f5es especiais junto com MC Yallah (Qu\u00eania), Lord Spikeheart (Uganda) e Rey Sapienz (Congo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se por um lado, a pandemia e seus desdobramentos para a \u00e1rea cultural geraram uma s\u00e9rie de preju\u00edzos e cancelamentos muito sentidos por BADSISTA, que tinha seu 2020 quase todo reservado com apresenta\u00e7\u00f5es no Brasil e fora. Por outro, possibilitou uma imers\u00e3o no processo de produ\u00e7\u00e3o de \u201cGueto Elegance\u201d, incluindo uma resid\u00eancia em Uganda que, segundo a pr\u00f3pria, transformou muito do que viria a ser o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda falando na pandemia, parece que o \u00e1lbum, lan\u00e7ado no fim de novembro de 2021, inaugura tamb\u00e9m um outro momento. Um momento de reabertura da noite, das festas e de uma retomada dos encontros presenciais propiciados pelo avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Mesmo em tempos marcados pela ansiedade, falta de perspectiva e dificuldades que o contexto pand\u00eamico ainda nos imp\u00f5e, \u201cGueto Elegance\u201d ganha uma outra import\u00e2ncia. \u00c9 um disco que nos faz lembrar que, como coloca Luiz Antonio Simas, n\u00e3o fazemos festa porque a vida \u00e9 mole, mas pela raz\u00e3o inversa. E fazer festa \u00e9, sim, importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento do \u00e1lbum, o Scream &amp; Yell conversou com BADSISTA sobre o processo de composi\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o e lan\u00e7amento de \u201c<a href=\"https:\/\/ingrv.es\/gueto-elegance-dkp-p\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gueto Elegance<\/a>\u201d, os desafios para recriar o disco ao vivo e o desejo de tocar com banda. O papo tamb\u00e9m aborda estrat\u00e9gias de distribui\u00e7\u00e3o musical, monop\u00f3lio nas plataformas de streaming e sobreviv\u00eancia de uma artista independente durante a pandemia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BADSISTA - Chora Na Minha Frente (Visualizer Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a9NrpNZPg-4?list=PLBaYjukH69e4kRoGsDJYLvpdt25uG_s9l\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGueto Elegance\u201d saiu j\u00e1 no final de novembro de 2021. Apesar de ser lan\u00e7ado no final do ano, \u00e9poca preterida por muitos para um lan\u00e7amento, o disco encontra um cen\u00e1rio de \u201cretomada\u201d da m\u00fasica, das festas, dos encontros. Quando ouvi o disco a primeira vez, fiquei sentindo que tinha uma marca\u00e7\u00e3o temporal a\u00ed, talvez n\u00e3o tivesse outro momento para sair. Voc\u00ea sentiu isso tamb\u00e9m? \u00c9 poss\u00edvel dizer que \u201cGueto Elegance\u201d marca uma outra retomada pra Badsista?<\/strong><br \/>\nPara mim, \u201cGueto Elegance\u201d \u00e9 o fim e o come\u00e7o ao mesmo tempo, sabe? Isso que voc\u00ea falou, do tempo, \u00e9 um momento em que as pessoas j\u00e1 est\u00e3o meio que recuando, n\u00e9? As pessoas v\u00e3o lan\u00e7ar um single, uma coisa meio de ver\u00e3o e n\u00e3o um \u00e1lbum. E ao mesmo tempo que vem num fim de ano, vem nesse momento de que as coisas aqui em S\u00e3o Paulo est\u00e3o meio que voltando. Para mim, marca um momento de mudan\u00e7a e de transforma\u00e7\u00e3o. Perante as coisas que eu fiz antes, mais minhas assim, sem ser com os outros artistas. Essas coisas que eu fiz antes estavam ditando muito. Eu me sentia um pouco ref\u00e9m da minha pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o, sabe? Eu fiz um neg\u00f3cio naquele momento e aquilo parece que virou o meu todo. Eu n\u00e3o queria que o que rolou no Boiler Room, que foi uma coisa que teve um alcance muito grande, virasse a minha totalidade. At\u00e9 porque eu j\u00e1 mergulhei em v\u00e1rios outros lugares. E a\u00ed, eu acho que tudo aquilo que eu estava fazendo antes foi muito legal. Condizia muito com o que eu vivi&#8230; Muitas viagens internacionais, vendo outros artistas, muitos festivais, vivendo outras coisas. E aquilo me contaminou bastante naquele momento. Mas agora, em 2021, n\u00e3o fazia muito sentido depois do rolou com todo mundo chegar com alguma coisa muito agressiva, trevas, acelerada. Eu curto viver o meu tempo, nem o passado, nem o futuro. Eu tenho tentado muito viver o agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco traz uma linha narrativa em torno da noite, da festa, dos climas da pista. N\u00e3o apenas nas narrativas sonoras nas mudan\u00e7as de BPM, nos graves que v\u00e3o mudando ao longo do disco, nos g\u00eaneros que voc\u00ea flerta, coisas que voc\u00ea domina. Mas tem uma outra narrativa textual nos t\u00edtulos e letras que \u00e9 bem evidente tamb\u00e9m. A narrativa em primeira pessoa \u00e9 uma das grandes chaves para entender o cen\u00e1rio que voc\u00ea constr\u00f3i e que voc\u00ea se insere ao longo do disco. A festa \u00e9 toda sob a sua perspectiva. Escrever e cantar foi um dos desafios do processo criativo de \u201cGuetto Elegance\u201d? Mesmo com tempo de carreira, como foi esse processo para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o tinha percebido isso ainda. Canto desde muito nova. Deixei (de cantar) porque eu tinha cansado. Eu cantava em barzinho, mas uma hora deixei porque a coisa de DJ come\u00e7ou a acontecer e era onde eu estava fazendo mais dinheiro. E, por isso, foi algo de que acabei me afastando. Justamente porque n\u00e3o gosto de tudo muito. Quando algo come\u00e7a a ficar repetitivo, eu meio que me canso. Foi o que aconteceu em 2019 com a frita\u00e7\u00e3o etc. Eu curto, eu gosto mesmo desse tipo de som. Toco porque acho massa, mas eu n\u00e3o queria cair, de novo, no buraco da repeti\u00e7\u00e3o. Buraco que eu j\u00e1 tinha ca\u00eddo antes trabalhando com outras coisas, como na \u00e9poca do barzinho. Eu fiquei muito tempo sem pegar no viol\u00e3o, sem cantar. O viol\u00e3o sempre foi um porto seguro para mim que sempre fui muito t\u00edmida e era algo que me conectava \u00e0s outras pessoas. Foi muito triste para mim n\u00e3o ter vontade de tocar. Eu sentia que eu tinha que ditar meus pr\u00f3ximos passos. Assim como fiz antes quando comecei a ser DJ, a entrar no meio do techno. A\u00ed cheguei num momento que ou eu continuava sendo a Badsista do Boiler Room ou eu fa\u00e7o outra coisa. Ser DJ \u00e9 apenas uma das coisas que eu fa\u00e7o. O lance de escrever n\u00e3o era uma coisa t\u00e3o pr\u00f3xima de mim como tocar e cantar. Eu escrevo desde nova e n\u00e3o gostava muito das minhas letras. Acho que eu fazia sempre uma poesia que n\u00e3o dava muito certo, ficava meio tosco. Mas uma das primeiras coisas que escrevi para esse disco foi \u201cVSNF\u201d. E eu ficava pensando em chamar fulano para cantar, vou chamar cicrano para colaborar comigo. E eu pensava: \u201cfoda-se\u201d. A pessoa vai chegar para fazer o bagulho e n\u00e3o vai fazer o que eu t\u00f4 pensando. S\u00f3 eu poderia fazer o que eu t\u00f4 pensando. E eu pensava: ser\u00e1 que vou escrever uma poesia superdif\u00edcil? Mano, quer saber? Eu vou escrever as coisas que eu vi, vivi e do jeito que eu falo. Eu n\u00e3o tenho grandes l\u00edricas e palavras dif\u00edceis, eu gosto de falar e ser entendida. Tanto por uma pessoa intelectual quanto por algu\u00e9m que n\u00e3o tenha conhecimento acad\u00eamico. Eu tenho isso por causa da minha m\u00e3e, que terminou o fundamental e eu j\u00e1 tinha mais de 18 anos, mas que l\u00ea muito. Eu entendi que para voc\u00ea ser inteligente n\u00e3o precisa falar dif\u00edcil. Falar dif\u00edcil \u00e9 mais uma forma de excluir. A comunica\u00e7\u00e3o para ser feita, precisa ser entendida por quem est\u00e1 ouvindo. Isso \u00e9 muito precioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu tive a oportunidade de assistir a estreia do doc da Linn da Quebrada, \u201cQuem Soul Eu\u201d, onde se passa muito do processo criativo do \u00faltimo disco dela, \u201cTrava L\u00ednguas\u201d. Uma das muitas coisas que me chamou a aten\u00e7\u00e3o nos bastidores \u00e9 o seu processo de produ\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o com Linn. Das solu\u00e7\u00f5es e cria\u00e7\u00f5es que voc\u00ea trazia. Coisa que tamb\u00e9m acontece no trabalho de Jup do Bairro, que voc\u00ea tamb\u00e9m produziu. Essa \u00faltima, \u201cSinfonia do Corpo\u201d traz uma pegada que flerta a m\u00fasica ambiente que \u00e9 um outro lado seu.<\/strong><br \/>\nE dela tamb\u00e9m. Naquela m\u00fasica (\u201cSinfonia do Corpo\u201d) eu tinha feito umas tr\u00eas vers\u00f5es. Eu mandei para ela um minuto de tecladinho, era s\u00f3 um loop. E ela foi e falou: \u201cVamos fazer\u201d. A gente foi, gravou e voltou para mim depois de gravar voz. A\u00ed eu trabalhei em v\u00e1rias baterias e fiz umas coisas doidonas que eu queria fazer e mandei para ela de volta. E ela: \u201cN\u00e3o gostei, quero s\u00f3 o tecladinho\u201d. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>(risos) Essas hist\u00f3rias de parcerias com a Linn e a Jup s\u00e3o \u00f3timas. Falam muito do processo, n\u00e9? Mesmo no seu \u00e1lbum solo, \u201cGueto Elegance\u201d, traz nove feats. A colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que te move? O que as participa\u00e7\u00f5es de \u201cGueto Elegance\u201d dizem sobre o \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nMuita coisa do que est\u00e1 ali vem muito desse contexto pand\u00eamico, sabe? Muita troca de mensagem pela Internet. Muitas pessoas eu s\u00f3 fui encontrar depois, tipo a Lari bxd, eu n\u00e3o conhecia pessoalmente. A gente se conheceu no dia da grava\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 uma menina que n\u00e3o \u00e9 conhecida e que eu descobri depois de uma vez que eu twittei que queria fazer uns trap com umas meninas e tal. E ela mandou uma grava\u00e7\u00e3o de celular e eu fiz essa m\u00fasica com ela. E eu falei que iria colocar no meu \u00e1lbum, isso no final de 2019. Acho que ela j\u00e1 tinha desacreditado&#8230; (risos) No fim, ela me surpreendeu muito. Terminamos nossa sess\u00e3o umas duas horas antes do que eu tinha estipulado. A m\u00fasica com a Ashira tamb\u00e9m nasceu pela Internet. Deixa ver&#8230; A Ventura eu tamb\u00e9m j\u00e1 conhecia, mas quando eu fiz um beat foi a primeira pessoa que eu mandei. Eu sabia que ela cantava. Ventura vem da igreja, ela canta muito. A fam\u00edlia dela toda \u00e9 muito musical e todo mundo da igreja. E ela tem esse timbre&#8230; S\u00f3 quem cresceu dentro da igreja tem esse timbre. E eu queria que ela cantasse. Quando ela me mandou o que ela tinha feito para a m\u00fasica, eu quase chorei. Eu falei: \u201cEssa m\u00fasica vai ficar muito linda, socorro\u201d. (risos) Das \u00faltimas m\u00fasicas para fechar foi com a Jup. Que \u00e9 uma pessoa que \u00e9 muito parceria de vida al\u00e9m do nosso trabalho. Al\u00e9m de Jup do Bairro e Badsista, a gente \u00e9 muito parceira e muito amiga. Tanto que eu nem esperava ser t\u00e3o pr\u00f3xima assim. E a gente usou a m\u00fasica para dar umas gongadas em algumas pessoas. (risos) Tudo nasceu muito nesse contexto pand\u00eamico, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o tem como fugir muito, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nA n\u00e3o ser a track com a (MC) Yallah, com o Rey Sapienz e o Lord (Spikeheart) foram as \u00fanicas que eu gravei presencial. Que eu cheguei a ir para l\u00e1 no meio do ano (de 2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente falou da parte das letras e das participa\u00e7\u00f5es, mas, \u201cGueto Elegance\u201d, me parece, traz uma outra mudan\u00e7a musical em rela\u00e7\u00e3o a outros trabalhos seus como o \u201cLucy 3D\u201d, por exemplo. O que voc\u00ea vinha lan\u00e7ando no Bandcamp. A frita\u00e7\u00e3o, que levou voc\u00ea a palcos como o Boiler Room, parece ganhar outras dire\u00e7\u00f5es e outros significados no novo \u00e1lbum. Faz sentido?<\/strong><br \/>\nEu gosto de dizer que n\u00e3o importa muito o estilo da m\u00fasica. O que eu quis trazer no \u201cGueto Elegance\u201d \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o do som. O que o som ali te traz. Muita gente ficou naquele neg\u00f3cio: \u201cque estilo que eu posso definir o \u00e1lbum?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem tanta coisa ali, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nTem muita coisa ali porque n\u00e3o fico me prendendo a estilo. Numa mesma m\u00fasica eu posso ter uma bateria que \u00e9 mais house e um baixo que \u00e9 meio dancehall. O lance da \u201cLucy 3D\u201d era de uma \u00e9poca que eu queria que as pessoas tocassem a minha m\u00fasica. Por isso eu colocava de gra\u00e7a, se as pessoas n\u00e3o pudessem pagar eu passava o link. Eu queria que isso rodasse al\u00e9m de mim. Mas quando eu quis fazer um \u00e1lbum, eu n\u00e3o queria s\u00f3 juntar umas m\u00fasicas e lan\u00e7ar. Para mim, por mais que ele tenha rolado de forma muito natural, tem esse grande eixo do gueto, da periferia musical, marcando todas as m\u00fasicas, inclusive com a galera de fora. Que mesmo num contexto global e internacional, tanto eu quanto eles, a gente est\u00e1 na periferia da cena internacional. S\u00e3o outras periferias. S\u00e3o coisas que atravessam todo mundo. Ashira de ser de uma cidade sat\u00e9lite de Bras\u00edlia. A Lari que \u00e9 de uma baixada do Rio. A Jup que \u00e9 do extremo sul, l\u00e1 do Cap\u00e3o Redondo. A Ventura que \u00e9 uma mistura de Salvador e Rio de Janeiro. Acho que isso acaba cruzando o \u00e1lbum todo. Quando decidi fazer o \u00e1lbum eu quis fazer algo que durasse, para que daqui a 10 anos a gente olhasse e pensasse: \u201c\u00e9 daora mesmo isso aqui, ela lan\u00e7ou isso aqui 10 anos atr\u00e1s\u201d. O \u00e1lbum quis ser essa provoca\u00e7\u00e3o sonora. Como o \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/25\/faixa-a-faixa-corpo-sem-juizo-jup-do-bairro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Corpo Sem Ju\u00edzo<\/a>\u201d da Jup, quando a gente fez a gente sabia que ia ser grande, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/01\/19\/apca-elege-os-melhores-de-2020-em-10-categorias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mas n\u00e3o imaginava que ia ganhar o pr\u00eamio da APCA<\/a>, artista revela\u00e7\u00e3o do Multishow. Mas \u00e9 isso&#8230; A Jup veio na excel\u00eancia. \u00c9 uma pessoa que se preparou 10 anos para lan\u00e7ar o primeiro \u00e1lbum dela.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-63646\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/GUETO.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/GUETO.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/GUETO-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/GUETO-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu acho isso muito bom porque acaba que tudo \u00e9 meio parte do processo, n\u00e9? Inclusive, eu gosto muito de ouvir playlists de refer\u00eancias e ouvindo as inspira\u00e7\u00f5es de \u201cGueto Elegance\u201d d\u00e1 pra entender um pouco do olhar que voc\u00ea tem para m\u00fasica e o que te trouxe at\u00e9 o disco. O que tava tocando na sua casa. Nomes como Rihanna, Kelela e Mayer Hawthorne figuram com Rey Sapienz, MC Yallah e Soichi Terada.<\/strong><br \/>\nTem screamo tamb\u00e9m. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Exato. Poderia falar um pouco sobre o processo de pesquisa e de refer\u00eancias para o \u00e1lbum? Voc\u00ea falou que tinha muito do processo pand\u00eamico na produ\u00e7\u00e3o do disco, esse qu\u00ea de isolamento e pandemia tamb\u00e9m marcaram esses h\u00e1bitos de escuta?<\/strong><br \/>\nNa verdade, tem muita coisa ali na playlist. O Soichi Terada era algo que eu vinha ouvindo desde 2019. O Sandy B tamb\u00e9m. Essas refer\u00eancias que eu coloquei na playlist s\u00e3o coisas que eu tenho ouvido nos \u00faltimos anos, sabe? O Underoath que est\u00e1 l\u00e1, Alesana que s\u00e3o coisas do screamo e do post-hardcore s\u00e3o coisas que eu ouvia quando tinha 17 anos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem at\u00e9 um Dance of Days ali no meio. A presen\u00e7a de \u201cLinda, a dor n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o glamorosa assim afinal\u201d n\u00e3o deu para deixar passar.<\/strong><br \/>\nTem o Dance of Days que eu tamb\u00e9m ouvia nessa \u00e9poca. Lembro de um show do Dance of Days aqui em Itaquera num lugar pequeno. E a galera insana com Nen\u00ea Altro que, inclusive, <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/splash\/noticias\/2020\/11\/09\/nene-altro-do-dance-of-days-se-assume-como-mulher-transexual.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">transicionou, n\u00e9<\/a>? E eu depois falando com a Jup: \u201cMona, que doideira\u201d. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dos primeiros shows que eu tenho lembran\u00e7a de ir adolescente foi um show do Dance Of Days em Macei\u00f3&#8230;<\/strong><br \/>\nSim, aquela loucura, n\u00e9? Aquele show&#8230; Gente, era uma loucura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na terceira m\u00fasica, Nen\u00ea j\u00e1 estava pendurado na grade da luz de cabe\u00e7a para baixo&#8230;<\/strong><br \/>\nE eu lembro das pessoas puxando ele. Uma loucura, gente. Eu pensando: \u201cJ\u00e1 j\u00e1 vai quebrar os instrumentos, j\u00e1 j\u00e1 vai quebrar tudo\u201d. (risos) Mas era isso, essa energia, tipo&#8230; Eu acho que eu venho me preparando para lan\u00e7ar esse \u00e1lbum h\u00e1 muitos anos. Nesse \u00e1lbum, eu junto tudo que eu aprendi desde quando eu comecei a mexer com m\u00fasica. Fazer m\u00fasica no computador, escrever, cantar, tocar&#8230; Sabe, tudo que tem tocado de instrumento fui eu que toquei&#8230; Os sintetizadores, o baixo, fui eu que toquei. Eu meio que amarro tudo que eu aprendi nesses anos nesse \u00e1lbum. Eu acho que vem da\u00ed. E quando eu monto essa playlist, n\u00e3o \u00e9 que eu estava ouvindo e pensando em fazer um \u00e1lbum. O \u00e1lbum foi nascendo natural, quando eu me dei conta eu j\u00e1 tinha quatro ou cinco m\u00fasicas. E pensei: \u201cessas m\u00fasicas aqui juntas ia ficar massa\u201d. A\u00ed foi quando comecei a ficar mais focada em terminar o \u00e1lbum. Por isso que eu falo que esse \u00e1lbum \u00e9 o fim e o come\u00e7o de uma coisa. \u00c9 o fim de v\u00e1rios anos de estudo e viv\u00eancia, sabe? E ele \u00e9 o come\u00e7o desse novo passo. Eu me vejo muito empolgada para me mostrar no palco, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ficar apertando play, mudando pitch e mexendo no fader.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Interessante isso&#8230; Eu me peguei ouvindo o disco e pensando nessa Badsista do Boiler Room e que produzia outros artistas tamb\u00e9m. E \u00e9 tanta coisa acontecendo ali que eu pensava: \u201ccomo ela est\u00e1 pensando em fazer isso ao vivo\u201d? (risos)<\/strong><br \/>\n(risos) Eu j\u00e1 pensei sim. Na verdade, como eu ainda transito nesse rol\u00ea de festa eletr\u00f4nica e n\u00e3o quero me separar muito disso, eu tenho preparado um live set, que eu fico ali com as CDJ, mas eu toco outros instrumentos que n\u00e3o s\u00f3 as CDJs. E canto tamb\u00e9m. T\u00f4 fazendo vers\u00f5es especiais das m\u00fasicas para esse live set. Mas eu queria tamb\u00e9m fazer um show do \u00e1lbum com banda. Queria bateria, guitarrista, tecladistas&#8230; Fazer uns arranjos para tocar com banda. Mas para fechar um show desse tem que ter algu\u00e9m que pague por esse show, n\u00e9? Seriam mais pessoas, n\u00e3o seria eu sozinha. Mas eu j\u00e1 estou me preparando, escrevendo uns arranjos no (Ableton) Live de como seria isso ao vivo com banda. E j\u00e1 estou preparando essas coisas em formato de live set como \u00e9 uma coisa mais cont\u00ednua flertando muito com o rol\u00ea de m\u00fasica eletr\u00f4nica, trazendo as m\u00fasicas do \u00e1lbum. A\u00ed eu dou uma espalhada das m\u00fasicas pelo set. Mas eu pensava durante o processo de grava\u00e7\u00e3o do disco: \u201ceu vou ter que cantar, caralho.\u201d (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 aquela coisa muito do produtor, n\u00e9? Quem teve banda e executa, pensa com aquela cabe\u00e7a, n\u00e9? \u201cT\u00e1 ficando \u00f3timo aqui, mas como eu vou fazer para executar ao vivo essas 15 pistas de sintetizador?\u201d (risos)<\/strong><br \/>\nVai ter que virar uma. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Exato. (risos) Tem outras duas coisas que eu queria saber de voc\u00ea, a primeira \u00e9 que muita coisa da sua discografia est\u00e1 dispon\u00edvel apenas no Bandcamp. Compila\u00e7\u00f5es como \u201cLucy 3D\u201d, \u201cZL Club Music pt. II, \u201cHits de ver\u00e3o (pt I e pt II)\u201d foram lan\u00e7adas em sextas-feiras durante 2021, acredito que dentro do Bandcamp Fridays, n\u00e9? Pouca coisa desse material est\u00e1 dispon\u00edvel em outras plataformas, como o Spotify. Como voc\u00ea pensa as estrat\u00e9gias de disponibiliza\u00e7\u00e3o da sua m\u00fasica? Acho que essa \u00e9 uma conversa que precisaremos ter na m\u00fasica o quanto antes. Pensar a sobreviv\u00eancia musical passa tamb\u00e9m por saber trabalhar sua m\u00fasica em diferentes plataformas?<\/strong><br \/>\nTotal. <a href=\"https:\/\/badsista.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A minha sa\u00edda no Bandcamp<\/a> \u00e9 porque muita coisa do \u201cLucy 3D\u201d eu uso vocal de funk e eu n\u00e3o posso distribuir isso. Eu ainda distribu\u00ed duas num gato total. (risos) Foi 100% no gato. (risos) Mas o lance do Bandcamp, para mim, ele vem mais num rol\u00ea financeiro. Ele \u00e9 o dinheiro mais direto que eu recebo. Na primeira sexta-feira que teve, eu recebi 200 ou 300 d\u00f3lares de venda. Eu que n\u00e3o estava tocando. Vou falar um neg\u00f3cio para voc\u00ea, eu fiquei muito frustrada em 2020. Eu estava \u201cbookada\u201d at\u00e9 outubro, eu n\u00e3o tinha mais data, sabia todas as cidades, pa\u00edses que eu ia estar. Eu ficava pensando: \u201choje era para eu estar em tal lugar\u201d. O que eu vou fazer? Fodeu. Sobrevivi com esse lance do Bandcamp Friday nos primeiros tr\u00eas e quatro meses. Era o dinheiro que eu fazia mercado, pagava minhas contas. Por isso, fiquei ali, colocando track.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu fico vendo o quanto de gente que incentiva \u201capoiar o artista\u201d tocando a m\u00fasica no Spotify, n\u00e9? Fazer 200 ou 300 d\u00f3lares de play no Spotify \u00e9 uma tarefa e tanto&#8230;<\/strong><br \/>\nNossa, para voc\u00ea ganhar 200 d\u00f3lares no Spotify \u00e9 mais de um milh\u00e3o de plays. N\u00e3o tem como, sabe? \u201cA\u00ed, taca streaming na lenda\u201d. N\u00e3o, gente. N\u00e3o taca streaming. Se voc\u00ea quiser, bem. Mas, se voc\u00ea quiser ajudar mesmo, pede o link e me manda um PIX. Se voc\u00ea n\u00e3o tiver um cart\u00e3o internacional ou uma conta no PayPal. Teve gente que fez isso comigo, falou que n\u00e3o tinha como comprar no Bandcamp e queria muito ter. A\u00ed eu passei o link e a pessoa me fez um PIX. E a pessoa, ainda sim, ajudou. O Bandcamp foi muito essa sa\u00edda financeira, sabe? E, tamb\u00e9m, as pessoas que me seguem no Bandcamp \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o que eu venho cultivando h\u00e1 um temp\u00e3o. Eu fazia muito isso de colocar \u201cname your price\u201d, a pessoa paga se quiser ou pega de gra\u00e7a. Eu n\u00e3o gosto de elitizar o acesso \u00e0 minha m\u00fasica. Se voc\u00ea me jogar no Soulseek, est\u00e1 tudo l\u00e1. At\u00e9 meus sample packs. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de ser uma sa\u00edda que acaba excluindo, afinal, n\u00e3o \u00e9 todo DJ ou artista que tem uma conta no PayPal ou um cart\u00e3o internacional para receber ou pagar. Eu acho que se tem que trabalhar com o que est\u00e1 posto a\u00ed, sem ficar muito ref\u00e9m do Spotify. N\u00e3o d\u00e1 para ficar trabalhando sem refletir essas dimens\u00f5es do compartilhamento da m\u00fasica.<\/strong><br \/>\nSim, nossa, isso \u00e9 chato mesmo. O neg\u00f3cio do Bandcamp mesmo. Ano passado eu sa\u00ed nos destaques do Bandcamp porque eu estava rodando muito l\u00e1 fora. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o com a comunidade internacional que eu t\u00f4 cultivando h\u00e1 muito tempo. As pessoas de fora estarem prestando no que eu fa\u00e7o aqui \u00e9 resultado do trabalho que a gente est\u00e1 fazendo nesses anos. Queria muito que a gente tivesse algo aqui no Brasil, na nossa moeda. Que o dinheiro fosse mais direto para o artista. Eu me vejo muito ref\u00e9m das plataformas e por isso eu n\u00e3o estava colocando muita coisa nessas plataformas. Eu recebo de tr\u00eas em tr\u00eas meses 25 d\u00f3lares&#8230; Eu vou ficar comendo de tr\u00eas em tr\u00eas meses? Acho que as pessoas n\u00e3o entendem, acham que o Spotify d\u00e1 dinheiro, mas n\u00e3o d\u00e1. O dinheiro acaba vindo das gigs, mas e quando as gigs acabam?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E essa rela\u00e7\u00e3o que voc\u00ea mant\u00e9m fora do Brasil? Um tempo atr\u00e1s voc\u00ea fez uma viagem \u00e0 Kampala, Uganda. Era uma resid\u00eancia? Poderia falar um pouco sobre essa viagem? \u00c9 poss\u00edvel dizer que ela repercutiu em \u201cGueto Elegance\u201d?<\/strong><br \/>\nEra uma resid\u00eancia. Eu fiquei um m\u00eas e meio l\u00e1. Quando cheguei, o \u00e1lbum era outra coisa. Quando comecei a trocar com o pessoal de l\u00e1, eu mudei muita coisa. Teve m\u00fasica que cheguei a apagar o projeto inteiro, deixei s\u00f3 os vocais, e comecei do zero. N\u00e3o tem como n\u00e3o se contaminar pelo que a galera t\u00e1 fazendo, o que eles ouvem. As coisas s\u00e3o muito percussivas. Como as coisas s\u00e3o esquentadas, mesmo no pop. \u00c0s vezes, sinto que o pop brasileiro \u00e9 muito imediatista. E l\u00e1 as coisas s\u00e3o meio cozinhadas. \u00c9 muito de ritual, de voc\u00ea ficar cozinhando um neg\u00f3cio, hipnotizando. A track com o Rey mesmo, eu n\u00e3o era muito pr\u00f3xima dele quando fui l\u00e1 em 2019. Mas teve um dia que eu estava super entediada e eu cheguei l\u00e1 no quarto dele, que l\u00e1 \u00e9 uma grande casa e eu cheguei para encher o saco dele. E eu falei que eu montava uma bateria em dois segundos. A\u00ed ele abriu um projeto vazio no Ableton (Live) e falou: \u201cEnt\u00e3o, faz a\u00ed\u201d. E foi assim que a gente come\u00e7ou essa m\u00fasica. Isso a gente come\u00e7ou meio-dia, ficamos at\u00e9 meia-noite. Depois contei para eles que essa faixa iria para o meu disco. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma \u00faltima pergunta, o que voc\u00ea planeja para \u201cGueto Elegance\u201d? O que podemos esperar de desdobramentos desse projeto?<\/strong><br \/>\nEu pretendo lan\u00e7ar um \u00e1lbum de remixes, que eu ainda estou fazendo a curadoria de quem vai fazer o que. E mais uma vez vou gastar meu capital social. (risos) Chamar uma galera aqui do Brasil e algumas pessoas de fora que eu j\u00e1 colaborei ou fiz alguma conex\u00e3o. Eu pretendo lan\u00e7ar algo no ver\u00e3o do hemisf\u00e9rio norte, eu quero lan\u00e7ar mais perto do ver\u00e3o deles. Para fazer um flerte com a galera de l\u00e1, ser\u00e3o vers\u00f5es mais para a pista, mais festa, para tocar, sabe? Essa vai ser a curadoria. At\u00e9 agora.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-63645\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/BADSISTA_0452-PEDRO-PINHO.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"957\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/BADSISTA_0452-PEDRO-PINHO.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/BADSISTA_0452-PEDRO-PINHO-235x300.jpg 235w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Victor de Almeida (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Victoranpires\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@Victoranpires<\/a>) \u00e9 jornalista, Doutor em Comunica\u00e7\u00e3o pela UFPE e professor da Universidade Federal de Alagoas. Autor dos livros \u201cAl\u00e9m do P\u00f3s-Rock\u201d (2015) e \u201cCircuitos Urbanos e Palcos Midi\u00e1ticos\u201d (2017).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O beat de \u201cChora na Minha Frente\u201d abre o primeiro \u00e1lbum de BADSISTA, \u201cGueto Elegance\u201d (um dos 50 discos de 2021 para a APCA) e, tamb\u00e9m, marca o in\u00edcio de uma festa imaginada, narrada e vivida em primeira pessoa pela produtora musical e DJ paulista&#8230;.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/01\/03\/entrevista-badsista-reabre-a-noite-com-gueto-elegance\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":57,"featured_media":63644,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2693],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63639"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63639"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63639\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63647,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63639\/revisions\/63647"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63644"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}