{"id":63477,"date":"2021-12-17T01:33:41","date_gmt":"2021-12-17T04:33:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=63477"},"modified":"2022-02-21T10:12:13","modified_gmt":"2022-02-21T13:12:13","slug":"um-lugar-de-agonias-sons-entrevista-com-vina-do-throe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/12\/17\/um-lugar-de-agonias-sons-entrevista-com-vina-do-throe\/","title":{"rendered":"Um lugar de agonias &#038; sons: entrevista com Vina, do Throe"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe um lugar da exist\u00eancia que \u00e9 s\u00f3 nosso. Que nos pertence e nos traz senso de pertencimento. Conecta-nos, seja l\u00e1 com o que for. Embora o caminho para tal ponto esteja em n\u00f3s, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil encontr\u00e1-lo. Pelo contr\u00e1rio: \u00e9 f\u00e1cil perder-se nessa busca. E tamb\u00e9m existe uma trajet\u00f3ria coletiva, o caminhar com a massa, que enseja um passo a passo com o contexto sociocultural coletivo de cada \u00e9poca. \u00c9 na encruzilhada dessas estradas de vida que o <a href=\"https:\/\/throeband.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Throe<\/a> se materializa, tornando-se a manifesta\u00e7\u00e3o das viv\u00eancias, e das refer\u00eancias, de seu criador: o m\u00fasico e jornalista Vin\u00edcius Castro, o Vina. Nesse contexto, o trabalho mais recente da empreitada de um homem s\u00f3, mas resultado tamb\u00e9m de um pensar colaborativo, \u00e9 ve\u00edculo de express\u00e3o para uma mente que buscar entender o pr\u00f3prio tempo sem receio de sentir emo\u00e7\u00f5es d\u00edspares e necess\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Composto em meio \u00e0 pandemia, \u201c<a href=\"https:\/\/throeband.bandcamp.com\/album\/throematism\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Throematism<\/a>\u201d (2021) traz ecos das in\u00fameras sonoridades que seu autor assimilou desde o fim anos 1980, do peso ao experimentalismo, e o que h\u00e1 de poss\u00edvel entre esses universos. Fora as reminisc\u00eancias de outras formas de arte, como a literatura. N\u00e3o esque\u00e7amos, ainda, das subjetividades, daquilo que n\u00e3o se v\u00ea nem se ouve, mas que deixa marcas e cicatrizes de alguma forma pouco tang\u00edvel, por\u00e9m concreta. No Throe, os barulhos \u2014 e longe, bem longe, de usar o termo em sentido pejorativo \u2014 que saem de algum instrumento ou traquitanas eletr\u00f4nicas come\u00e7am a ser compostos antes, num percurso que vem da alma e passa pelo c\u00e9rebro e pelas entranhas. Praticamente todos os temas s\u00e3o pensados e arquitetados dessa forma por Vina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O press release adianta: trata-se de \u201cum disco \u00edntimo da dor. Um registro dedicado a todo cora\u00e7\u00e3o que bate fora de seu tempo por ter perdido algu\u00e9m que amava\u201d. O material de divulga\u00e7\u00e3o complementa que h\u00e1 \u201cinflu\u00eancias que esbarram no post-rock de bandas como Red Sparowes e Mogwai, no shoegaze do My Bloody Valentine, no post-punk\/g\u00f3tico do The Cure e Fields of the Nephilim, e nas varia\u00e7\u00f5es do metal, passando por nomes como Celtic Frost, Paradise Lost, Godflesh, entre outros\u201d.\u00a0Uma viagem que pode ser terap\u00eautica, mas que n\u00e3o exclui os solavancos de alguns traumas. Enfim, um \u00e1lbum que sintetiza 2021 sem pronunciar uma palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para compreender melhor essa loucura que nos acerta o \u00e2mago e torna mandat\u00f3rio devolver ao mundo em forma de arte o que ele nos transmite, conversamos com Vina \u2014 que tamb\u00e9m \u00e9 guitarrista do <a href=\"https:\/\/hueyband.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Huey<\/a> e um dos idealizadores\/mantenedores do site independente sobre m\u00fasica <a href=\"https:\/\/slikeus.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sounds Like Us<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/throeband.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>https:\/\/throeband.bandcamp.com\/<\/strong><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Neon Star\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WqxxkqZcjSw?list=OLAK5uy_mU2z4vEtr8diRIMVqpYR95xDoU-Yq-Fkk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Throe tem uma caracter\u00edstica que considero virtude: \u00e9 dif\u00edcil encontrar outra banda para fazer compara\u00e7\u00f5es, dizer que se parecem. Talvez um Mogwai da vida ou coisa assim. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso: a sonoridade mistura muitas refer\u00eancias e acaba criando algo pr\u00f3prio. De uns anos pra c\u00e1 tem sido comum essa cruza de influ\u00eancias. Mas, no passado &#8211; principalmente para quem curtia som mais pesado -, sair do lugar comum, driblar a cartilha, nem sempre era visto como algo positivo. Acredita que esse lance de \u2018troozismo\u2019 tem perdido for\u00e7a e a galera do meio tem se sentido mais livre para experimentar, para flertar com elementos que n\u00e3o tem a ver s\u00f3 com peso? Como foi pra ti trabalhar essa gama de musicalidades que criam uma est\u00e9tica sonora em que se percebe diversidade na unidade?<\/strong><br \/>\nMuito legal esse lance de diversidade e unidade. Eu sempre fui mais atra\u00eddo por bandas com algum tipo de assinatura e, ao mesmo tempo em que isso pode ser visto de forma positiva, tamb\u00e9m fica retido a um lugar meio sem nome. Mas esse lugar \u201cmeio sem nome\u201d pra mim \u00e9 bom, porque meio que vira o meu lugar. Talvez seja esse lugar que soa como \u201calgo pr\u00f3prio\u201d, como voc\u00ea falou, e acho que sempre procuro por isso. Concordo que no metal driblar a tal cartilha n\u00e3o era algo bem aceito, mas isso foi mudando, ainda que lentamente, j\u00e1 no final dos anos 1980. Tudo bem que as coisas ainda eram mais segmentadas, n\u00e3o s\u00f3 na m\u00fasica, mas tamb\u00e9m nas lojas, baladas, bares, casas de show, mas no meio dos anos 80 o Kerry King gravou com o Beastie Boys, o Anthrax lan\u00e7ou \u201cI\u2019m The Man\u201d e depois apareceu o Faith No More, Fishbone, o Mordred misturando thrash com scratch e at\u00e9 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=kBYE41RY1t4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a \u201czuera\u201d do Anal Cunt com o EMF&#8230;<\/a> Isso foi dando uma perspectiva de que era legal misturar sonoridades e criar coisas diferentes. Com o tempo esse \u201cfora da cartilha\u201d foi virando algo natural e, sei l\u00e1, ouvir Carnage, Portishead, Armagedom ou Living Colour no mesmo dia deixou de ser uma quest\u00e3o. Essa mistureba, que ficou ainda mais evidente nos anos 1990, influenciou uma galera a experimentar sonoridades, se libertar criativamente e n\u00e3o ficar s\u00f3 no metal mais cl\u00e1ssico. Eu me incluo nisso e acho que, como voc\u00ea disse, essa gama de refer\u00eancias acaba aparecendo no Throe. Mesmo o lance do peso, que pra mim pode estar tamb\u00e9m nas inten\u00e7\u00f5es e n\u00e3o s\u00f3 no timbre grave ou atolado de distor\u00e7\u00e3o. Sabe, \u201cSome Kind of a Stranger\u201d, do Sisters of Mercy \u00e9 t\u00e3o pesada quanto \u201cHell Awaits\u201d, do Slayer; \u201cGod of Emptiness\u201d, do Morbid Angel ou \u201cDeus lhe Pague\u201d, do Chico Buarque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra situa\u00e7\u00e3o que me agrada bastante nessa linha de som do Throe \u00e9 que h\u00e1 uma tens\u00e3o constante, mesmo nos momentos mais calmos. \u00c0s vezes isso descamba em alguma explos\u00e3o, um crescendo que vai dando lugar a algo mais barulhento. E, mesmo quando isso n\u00e3o rola, a intensidade parece sempre presente. Acho que a vers\u00e3o de &#8220;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=iHwVzG2aOds\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00daltimo C\u00e9u<\/a>&#8221; do \u201cThroematism\u201d \u00e9 um exemplo. A faixa vem naquele pique sossegado, com beats e toques eletr\u00f4nicos, pra eclodir numa parte mais \u201cheavy\u201d, com aquela linha de guitarra meio black metal que parece que te chama para um passeio pelo inferno da pr\u00f3pria exist\u00eancia. Por que acreditas que isso acontece?<\/strong><br \/>\nEu gosto dessa tens\u00e3o, do sobressalto, e essa ideia que voc\u00ea trouxe de um passeio pelo inferno da pr\u00f3pria exist\u00eancia \u00e9 uma leitura interessante sobre o disco, n\u00e3o tinha pensado nisso. Acho que essa tens\u00e3o d\u00e1 um certo descontrole para as m\u00fasicas e tem uma imprevisibilidade que eu acho legal porque cria uma conversa entre as m\u00fasicas e quem t\u00e1 ali ouvindo e que vai interpretar tudo aquilo livremente. Eu tentei transmitir essas sensa\u00e7\u00f5es do jeito mais transparente poss\u00edvel porque eram elas que estavam comigo no momento das composi\u00e7\u00f5es. O riff black metal da \u201c\u00daltimo C\u00e9u\u201d \u00e9 algo engra\u00e7ado, porque originalmente ele era mais uma tentativa de My Bloody Valentine. A\u00ed um dia eu estava tocando esse riff e comecei a acelerar a forma de palhetar e abri ainda mais as notas at\u00e9 que virou o que virou. A partir dali eu n\u00e3o mexi mais porque o riff me deu esse sentido claustrof\u00f3bico que eu queria antes da \u00faltima parte da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, como tu costumas criar as composi\u00e7\u00f5es? Onde come\u00e7a e como \u00e9 o processo de se ir trabalhando as diversas camadas?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho um m\u00e9todo muito definido, mas geralmente come\u00e7a por uma melodia de guitarra, mesmo. A\u00ed eu toco aquilo v\u00e1rias e v\u00e1rias vezes, em diferentes velocidades, palhetadas, dedilhado, e vou experimentando at\u00e9 entender como ele pode funcionar para o que eu quero transmitir e se ele pede camadas, dobras, synths, ru\u00eddos, voz&#8230; As linhas de bateria meio que aparecem quase que ao mesmo tempo. Eu fui criado numa casa onde se ouvia muito samba tradicional, samba can\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a coisa do batuque sempre foi algo pr\u00f3ximo e ainda que as composi\u00e7\u00f5es comecem pela guitarra, na minha cabe\u00e7a sempre vem uma linha de bateria junto. Eu tenho tentado n\u00e3o limitar muito as cria\u00e7\u00f5es e o Throe \u00e9 sobre isso. Tem sido legal limitar menos e lapidar s\u00f3 o necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algumas faixas do Throe t\u00eam colabora\u00e7\u00e3o de parceiros teus. Mas, na ess\u00eancia, \u00e9s tu que cria e executa praticamente tudo. Por que essa op\u00e7\u00e3o de tocar a empreitada nessa pegada meio solo?<\/strong><br \/>\nO Throe \u00e9 pessoal, mas n\u00e3o \u00e9 algo sozinho. Pra mim \u00e9 meio desconfort\u00e1vel dizer projeto solo, sei l\u00e1&#8230; Eu sempre gostei de colabora\u00e7\u00f5es e de ter por perto pessoas que eu admiro pra criar algo junto. \u201cThroematism\u201d foi composto e gravado por mim, mas o disco tem o Marco Nunes comigo na produ\u00e7\u00e3o e ele tamb\u00e9m fez a mix e a masteriza\u00e7\u00e3o. O Marco tamb\u00e9m toca no Chaosfear e gravou baixo na faixa t\u00edtulo. O Minoru, que toca comigo no Huey, faz todas as artes das capas do Thore. Em \u201cThroematism\u201d a foto da capa \u00e9 da Claudia Tavares e as de divulga\u00e7\u00e3o s\u00e3o do R\u00e9gis Bezerra. Sem essas pessoas o disco n\u00e3o seria o mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Throe \u00e9 uma ideia antiga, certo? Mas registros mesmo s\u00f3 rolaram a partir de 2020. Tem a ver com a pandemia, que nos desestabilizou e fez com que repens\u00e1ssemos v\u00e1rias quest\u00f5es? Serviu tamb\u00e9m como ferramenta terap\u00eautica, algo que permitiu colocar pra fora sentimentos\/dores que nem se sabe bem o que s\u00e3o? Caso sim, nesse sentido, lembrou um pouco do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/16\/entrevista-shane-embury-napalm-death-apresenta-seu-novo-projeto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Shane Embury (Napalm Death) com o Dark Sky Burial<\/a>, que ele disse ter tido como gatilho a passagem do pai &#8211; entre outras quest\u00f5es. O cara contou que ficar \u2018brincando\u2019 com loopings ajudou ele a colocar um pouco das ideias em ordem.<\/strong><br \/>\nTem a ver sim, e seria inevit\u00e1vel n\u00e3o ter porque \u00e9 a \u00e9poca que estamos vivendo. O disco foi composto e gerado em um contexto traum\u00e1tico, sem precedentes, em um ambiente de muita tristeza, perdas irrepar\u00e1veis, al\u00e9m de uma sensa\u00e7\u00e3o de \u00f3dio, ang\u00fastia e revolta muito grande. Concordo que tem algo terap\u00eautico pelo fato da m\u00fasica ser uma esp\u00e9cie de canal de expurgo para um tanto de sentimentos que n\u00e3o caberiam em palavras, mas acho que com \u201cThroematism\u201d eu quis mais remoer e bagun\u00e7ar as ideias do que colocar essas mesmas ideias em ordem. Acho que em um sentido subjetivo, a desordem foi uma coisa interessante nesse disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O pr\u00f3prio t\u00edtulo \u201cThroematism\u201d remete \u00e0 traumatism (traumatismo), no sentido mais subjetivo de uma les\u00e3o ou ferida que nos machuca, nos perturba. Tem algum sentido isso pra ti? Caso sim, fazer esse trampo teve algo de curador?<\/strong><br \/>\nFaz total sentido! A palavra Throematism veio de outro neologismo. Minha companheira, a Amanda, que criou o <a href=\"https:\/\/slikeus.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sounds Like Us<\/a> comigo, \u00e9 psicanalista e um dia ela me mostrou esse neologismo, criado pelo psicanalista Lacan, que ela leu em um livro onde ele juntava as palavras \u201ctrou\u201d (buraco, em franc\u00eas), e \u201ctraumatisme\u201d (traumatismo). A sonoridade de \u201ctrou\u201d e Throe s\u00e3o muito pr\u00f3ximas e a\u00ed quando ela me disse isso, j\u00e1 apontando a semelhan\u00e7a entre as palavras, me veio a ideia de formar essa outra palavra juntando Throe e \u201cmatism\u201d e batizar o disco dessa forma. Foi bem louco porque foi como poder nomear aquele lugar \u201csem nome\u201d que comentei no in\u00edcio da entrevista e essa nova palavra representava muito o sentimento dolorido do disco e a\u00ed amarrou toda a ideia. Mas n\u00e3o sei te dizer se o disco me curou de algo. Acho que \u00e9 um processo e ele \u00e9 parte disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sabendo que tu \u00e9s um cara ligado \u00e0s artes: quais refer\u00eancias teve pra cria\u00e7\u00e3o desse novo registro? N\u00e3o apenas da m\u00fasica, mas do cinema, da literatura ou seja do que for. Que discos estava ouvindo, que filmes te tocaram, que leituras te causaram inquieta\u00e7\u00e3o a ponto de talvez terem se refletido nos quatro temas do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei se foram refer\u00eancias diretas, mas dois livros que eu gostei bastante foi o \u201cUnknown Pleasures\u201d, sobre o Joy Division, <a href=\"https:\/\/www.cobogo.com.br\/produto\/joy-division-unknown-pleasures-529\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da cole\u00e7\u00e3o &#8220;O Livro do Disco&#8221;, da Editora Cobog\u00f3<\/a>; e o \u201cBarbed Wire Kisses\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/28\/entrevista-zoe-howe-autora-de-barbed-wire-kisses-a-historia-do-jesus-and-mary-chain\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">biografia do Jesus and Mary Chain<\/a>, da Editora Sapopemba. Acho que foram livros que me pegaram pela coisa da produ\u00e7\u00e3o, do que voc\u00ea pode experimentar no est\u00fadio e tamb\u00e9m de que forma uma banda constr\u00f3i sua identidade sonora e outras coisas mais. Entre os discos, lembro que ouvi muito o \u201cLost Souls\u201d, do Doves; \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/23\/meu-disco-favorito-de-2020-jehnny-beth\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">To Love is to Live<\/a>\u201d, da Jehnny Beth; \u201cAscension\u201d, do Jesu; \u201cPlaguewielder\u201d, do Darkthrone; \u201cWeather Diaries\u201d, do Ride; \u201cShades of God\u201d, do Paradise Lost\u2026 S\u00e3o discos que devem ter esbarrado em \u201cThroematism\u201d, mas eu n\u00e3o saberia te dizer onde isso aconteceu&#8230; hahaha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu tens o apoio da Abraxas, selo bacana que tem dado espa\u00e7o para artistas do underground. Mas, ainda assim, segue na independ\u00eancia. Como percebe esse fazer no submundo, que alegrias e que agruras o m\u00fasico \u00e0 margem do mainstream passa?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o depender de uma gravadora ou de algu\u00e9m que queira mudar a forma como o Throe deve soar e chegar nas pessoas \u00e9 uma das partes de ser independente que me agrada. Apesar de ter ganhado mais aten\u00e7\u00e3o em certos per\u00edodos, a m\u00fasica independente, ou parte dela, sempre esteve \u00e0 margem e foi nesse circuito que eu aprendi sobre o senso de comunidade na m\u00fasica. Na verdade, acho que isso j\u00e1 tava impl\u00edcito l\u00e1 atr\u00e1s quando comecei a trocar fitas k7. Se eu tivesse um disco em k7 que um amigo n\u00e3o tinha, eu gravava uma fita pra ele e vice-versa. Acho que isso diz muito sobre o quanto n\u00e3o adianta eu ter, o legal \u00e9 n\u00f3s termos. Acho que a parte ruim do independente t\u00e1 muito mais ligada \u00e0s expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 ou n\u00e3o sucesso. E pra mim sucesso \u00e9 poder me expressar por meio da m\u00fasica e com uma liberdade que n\u00e3o se negocia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m de ser m\u00fasico independente, tu tamb\u00e9m se dedica ao jornalismo musical alternativo com o nobre Sounds Like Us. Como percebe a import\u00e2ncia desses ve\u00edculos de m\u00eddia mais focados no nicho &#8211; naquele em que circulamos, ao menos -, que abrem espa\u00e7o para o que n\u00e3o se v\u00ea frequentemente na imprensa tradicional. E pergunto isso porque tu tens essa perspectiva de quem est\u00e1 dos dois lados do balc\u00e3o.<\/strong><br \/>\nObrigado pelo nobre! Eu e a Amanda sempre fomos leitores de m\u00eddias de nicho e independentes. Talvez por isso seja inevit\u00e1vel que isso reflita na maneira como a gente direciona o Sounds Like Us e faz com que a gente se preocupe muito mais com a qualidade do que com a quantidade. Mas n\u00e3o por que isso \u00e9 certo ou errado, mas simplesmente porque escolhemos isso. Como m\u00fasico e admirador de m\u00fasica, a imprensa independente e de nicho sempre foi muito importante pra mim. O Grito da Rua, Som Pop, Realce que passavam na TV&#8230; O pr\u00f3prio Som Pop e o TV Mix que levavam bandas como Garotos Podres, Anthares ou Lobotomia pra tocar ao vivo em TV aberta. Na r\u00e1dio tinha o Independ\u00eancia ou Morte e o Comando Metal&#8230; E as revistas Rock Brigade, Metal, os p\u00f4steres gigantes da Som Tr\u00eas&#8230; Esses ve\u00edculos ajudaram muito na minha forma\u00e7\u00e3o. At\u00e9 os \u00e1lbuns de figurinhas dos anos 80 e come\u00e7o dos 90, tipo o Rock Attack, Stamp Color, Overdose e Rock Stamp foram uma influ\u00eancia grande pra eu descobrir um monte de banda porque tinha figurinhas de skate e de bandas tipo WASP, Venom, SOD, Uriah Heep, Metal Church, DRI&#8230; Tudo isso era fonte pra conhecer novas bandas e saber mais sobre as que a gente curtia. Hoje existem muitos mais selos, podcasts, revistas, zines, programas de r\u00e1dio web, locais para shows e sites independentes que s\u00e3o resistentes e seguem em atividade, ainda que muitas vezes isso seja uma luta dif\u00edcil. Eu sou leitor dessas m\u00eddias e frequentador desses lugares e acho importante que eles sigam existindo porque s\u00e3o esses ve\u00edculos e lugares que v\u00e3o formar novas opini\u00f5es, despertar novos gostos, divulgar novas bandas, construir novas mem\u00f3rias e assim criar novas hist\u00f3rias para serem contadas l\u00e1 na frente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-63480\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/throe2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/throe2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/throe2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/throe2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para compreender melhor o Throe e essa loucura que nos acerta o \u00e2mago e torna mandat\u00f3rio devolver ao mundo em forma de arte o que ele nos transmite, conversamos com Vina \u2014 que tamb\u00e9m \u00e9 guitarrista do Huey e um dos idealizadores\/ mantenedores do site Sounds Like Us.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/12\/17\/um-lugar-de-agonias-sons-entrevista-com-vina-do-throe\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":63479,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5391],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63477"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63477"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63477\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63922,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63477\/revisions\/63922"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63479"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}