{"id":63390,"date":"2021-12-06T00:18:08","date_gmt":"2021-12-06T03:18:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=63390"},"modified":"2022-03-16T01:24:03","modified_gmt":"2022-03-16T04:24:03","slug":"entrevista-sam-henry-wipers-napalm-beach-the-rats-jenny-dont-and-the-spurs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/12\/06\/entrevista-sam-henry-wipers-napalm-beach-the-rats-jenny-dont-and-the-spurs\/","title":{"rendered":"Entrevista: Sam Henry (Wipers, Napalm Beach, The Rats, Jenny Don\u2019t and the Spurs)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nome essencial da cena de Portland, Sam Henry \u00e9 um dos principais bateristas da hist\u00f3ria do punk\/hardcore dos Estados Unidos. Com influ\u00eancias marcantes de jazz \u2013 Buddy Rich foi o seu primeiro grande her\u00f3i na bateria, o m\u00fasico possui um estilo muito pr\u00f3prio e marcante, que fica evidente em m\u00fasicas j\u00e1 cl\u00e1ssicas como \u201cD7\u201d e \u201cReturn of the Rat\u201d, ambas do primeiro disco do Wipers, \u201cIs This Real?\u201d (1980), que foram regravadas no in\u00edcio dos anos 1990 pelo Nirvana (e podem ser ouvidas no box &#8220;<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/nirvanaclassic.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">With The Lights Out<\/a>&#8220;, de 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da banda liderada por Greg Sage, Sam tamb\u00e9m tocou em outros grupos marcantes de Portland, como o Rats, que depois deu origem ao Dead Moon, o Napalm Beach, em que formou uma parceria duradoura e extremamente criativa com o vocalista\/guitarrista Chris Newman, e, mais recentemente, com o Jenny Don\u2019t and the Spurs, que navega de forma bastante confort\u00e1vel e interessante pelo territ\u00f3rio do country.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita por telefone no final de setembro, o mais do que simp\u00e1tico e divertido Sam fala sobre o mais recente \u00e1lbum com Jenny Don\u2019t and the Spurs, \u201cFire on the Ridge\u201d (2021), a amizade com Chris Newman, que faleceu em 2021, relembra o in\u00edcio sua trajet\u00f3ria com o Wipers, incluindo a temporada da banda em Nova York, entre muitas outras coisas. Confira abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jenny Don&#039;t And The Spurs - Trouble On My Mind\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/C6Kt8wLQc6M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Jenny Don\u2019t and the Spurs lan\u00e7ou no \u00faltimo m\u00eas de junho um disco chamado \u201cFire on the Ridge\u201d. Como tem sido a recep\u00e7\u00e3o para o \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s esgotamos o disco duas vezes na nossa turn\u00ea com o Charley Crockett, em que abrimos os shows dele no Texas, Novo M\u00e9xico, Phoenix, Colorado, em diversos lugares. Tamb\u00e9m fizemos alguns shows como headliners e o disco se esgotou muito r\u00e1pido. O que nos surpreendeu, porque esse \u00e1lbum foi meio que uma maldi\u00e7\u00e3o para a gente (risos). Foi um disco dif\u00edcil de fazer. O Kelly (Halliburton, baixista da banda) est\u00e1 fora de servi\u00e7o pelos pr\u00f3ximos meses por um problema de sa\u00fade. O Kelly, eu e o Erick Olson, do Poison Idea, temos uma outra banda, que toca surf music, chamada Fathoms. <a href=\"https:\/\/jennydontandthespurs.bandcamp.com\/track\/dead-mans-cove\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Acabamos de lan\u00e7ar um single<\/a>, que tamb\u00e9m estava \u00e0 venda na tour do Jenny Don&#8217;t e tamb\u00e9m estava esgotando sempre. Apenas fiquei pensando \u201cUau, isso \u00e9 legal\u201d. Foi algo que fizemos durante a pandemia, quando n\u00e3o t\u00ednhamos o que fazer e pensamos que seria divertido ver o que aconteceria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E os dois discos foram feitos durante a pandemia mesmo?<\/strong><br \/>\nSim, foi logo antes, bem na transi\u00e7\u00e3o. Foi algo como \u201cPera a\u00ed, n\u00e3o temos mais nada para fazer\u201d (risos). E apenas demorou tanto tempo porque muita gente n\u00e3o estava trabalhando na pandemia, por isso levou algum tempo (risos). Recentemente n\u00f3s fizemos um memorial em homenagem ao Chris Newman (vocalista\/guitarrista do Napalm Beach, que faleceu em maio de 2021), em que o Fathoms tocou \u2013 e eu tamb\u00e9m toquei com o Dave Dillinger (baixista), do Napalm Beach, e o meu amigo Howard G. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MOCBPegVEVI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Esse memorial est\u00e1 dispon\u00edvel online<\/a>, foi transmitido ao vivo pela Internet, e acabou sendo muito legal. Tivemos de adiar o memorial, porque eu tinha que sair em turn\u00ea, e todo mundo ficou bravo comigo (risos). \u201cMe desculpem, apenas preciso ir tocar\u201d (risos). O Chris morreu em maio, no fim de maio. Ele foi meu amigo e companheiro de banda por 40 anos, por mais de 40 anos. Eu tenho 64 anos, o Chris morreu aos 67. Ent\u00e3o \u00e9&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea v\u00ea o legado do Napalm Beach ap\u00f3s todo esse tempo que voc\u00ea e o Chris tocaram juntos, lan\u00e7ando discos e tocando pelo mundo?<\/strong><br \/>\nO Napalm n\u00e3o&#8230; Todas as bandas, como Nirvana, Soundgarden, e at\u00e9 o Dead Moon, todas elas abriram para o Napalm Beach em diferentes lugares. E quando o Napalm Beach foi para a Europa, um produtor de shows nos perguntou sobre quais outras bandas de Portland pens\u00e1vamos que seriam legais para irem tocar na Europa. E n\u00f3s falamos sobre o Poison Idea e o Dead Moon e eles decolaram loucamente. E, \u00e9 claro, que na turn\u00ea seguinte que fizemos em 1990 \u2013 nossa primeira tour l\u00e1 na Europa foi em 1989 quando o Muro de Berlim foi derrubado. E ent\u00e3o nos perguntaram sobre quais bandas seriam legais para irem tocar l\u00e1. Na pr\u00f3xima vez que fomos para a Europa, de repente o Dead Moon e o Poison Idea est\u00e3o indo. E, de repente, o Nirvana lan\u00e7ou a \u201cSmells Like Teen Spirit\u201d e todo mundo estava curtindo o Nirvana. E eu pensei \u201cAhh, esses caras abriram para n\u00f3s, h\u00e1 um ano\u201d (risos). E todo mundo ficou grande. O Napalm Beach nunca quis fazer parte da Sub Pop ou ser uma banda de Seattle, mesmo tocando muito na cidade. Chris apenas n\u00e3o queria ser uma banda de Seattle, n\u00f3s viv\u00edamos em Portland. Mas n\u00f3s ainda abrimos para o Public Image Ltd, X, todas as bandas grandes que iam para Seattle. Porque Seattle fica a apenas duas horas e meia, tr\u00eas horas de Portland. Ent\u00e3o n\u00f3s sempre \u00edamos para l\u00e1 tocar, e todas as bandas de Seattle ficavam putas com a gente. \u201cPor que est\u00e3o putos com a gente? Apenas fiquem melhores\u201d (risos). E elas ficaram (risos)!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea pensa que a banda recebeu o reconhecimento que merecia durante a carreira?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s meio que nos perdemos, houve muitas drogas. Naquela \u00e9poca, houve muita coca\u00edna, muita hero\u00edna. Muitas drogas com todo mundo, todas as bandas usavam. E isso cobrou um pre\u00e7o do Napalm Beach. Mas o Napalm Beach sobreviveu e ainda foi para a Europa at\u00e9 1993 ou 1994. E ainda est\u00e1vamos lan\u00e7ando discos, mas tudo ficou muito agitado com a Sub Pop e toda a cena de Seattle, do grunge. E o Kurt Cobain falou algo como: \u201cSe n\u00e3o fosse pelo Napalm Beach e pelo Wipers, eu nem estaria fazendo o que fa\u00e7o\u201d. Ent\u00e3o n\u00f3s tivemos bastante reconhecimento por isso. E a \u00faltima coisa que o Chris (Newman) fez foi com o Mark Lanegan, do Screaming Trees. Ele regravou a m\u00fasica \u201cHoly Ground\u201d, e chamou o Chris para cantar e tocar. Essa foi basicamente uma das \u00faltimas coisas que ele gravou.\u201d (Nota: Chris Newman tamb\u00e9m gravou um disco com produ\u00e7\u00e3o de Lanegan, intitulado \u201c<a href=\"https:\/\/chrisnewmandeluxecombo.bandcamp.com\/album\/re-revolution\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Re-Revolution<\/a>\u201d, lan\u00e7ado em 2019)<\/p>\n<figure id=\"attachment_63396\" aria-describedby=\"caption-attachment-63396\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-63396 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/wipers.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/wipers.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/wipers-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-63396\" class=\"wp-caption-text\"><\/em> <em>Wipers em 1980: Dave Koupal, Sam Henry e Greg Sage<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sempre viveu no Oregon, certo? Nasceu em Oregon City, cresceu em Milwaulkie e depois se mudou para Portland. Por isso, queria saber qual o papel da cidade (Portland) e da regi\u00e3o como um todo para a m\u00fasica que voc\u00ea fez para as suas bandas?<\/strong><br \/>\nPortland sempre teve uma cena muito legal. A cidade ainda est\u00e1 lutando bastante por causa da pandemia. As casas de shows est\u00e3o reabrindo, os shows finalmente est\u00e3o voltando a acontecer \u2013 mas \u00e9 claro que voc\u00ea precisa usar m\u00e1scara, ter um teste negativo, levar o seu cart\u00e3o de vacina\u00e7\u00e3o, coisas da pandemia. Mas Portland sempre foi muito legal. Passei a minha vida toda aqui. Mudei para c\u00e1 com o Wipers. Naquela \u00e9poca voc\u00ea precisava mudar para uma cidade, se implantar l\u00e1 e esperar que algo acontecesse. O Wipers foi para Los Angeles, Nova York. Na verdade, antes do Wipers eu estava na Fl\u00f3rida com o baixista Dave Koupal, e o Greg Sage veio nos encontrar e montou a banda. Foi assim que o Wipers come\u00e7ou. Mas eu j\u00e1 estava tocando com esses caras uns tr\u00eas ou quatro anos antes do Wipers, em uma banda chamada Sage \u2013 e antes disso a banda se chamava Hard Road. Mas n\u00e3o havia lugares para tocar em Portland, porque a disco music dominou tudo. Isso foi em 1977, 1978, quando comecei a tocar com eles. O Wipers n\u00e3o aconteceu at\u00e9 1979, que foi quando voltamos de carro da Fl\u00f3rida, e come\u00e7amos a montar as primeiras vers\u00f5es do \u201cIs This Real?\u201d (1980). O Greg teve de descascar todo o est\u00fadio de novo e deixou todo mundo bravo. N\u00f3s tiramos o teto, as paredes e o ch\u00e3o do est\u00fadio, apenas para conseguir o som que ele queria (risos). O pessoal ficou falando \u201cQuem \u00e9 esse cara? Tirem ele daqui!\u201d Quando finalizamos o disco, ningu\u00e9m ficou feliz com ele. Mas ele ainda se mant\u00e9m at\u00e9 hoje. As pessoas ainda compram o \u201cIs This Real?\u201d, o que meio que deixa eu e o Dave nervosos, porque n\u00e3o ganhamos um centavo. Se for para a Europa, pode encontrar o disco sendo vendido a 100 euros (risos). \u00c9 tipo \u201cO que? E eu n\u00e3o ganho nada disso? \u00c9 algo como: Quantas vers\u00f5es j\u00e1 foram feitas? Ai, meu deus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vez ou outra, falo com o Greg, quando estou em Phoenix (cidade onde o m\u00fasico vive h\u00e1 algum tempo), dou uma ligada para ele. Na \u00faltima vez que falei com ele por telefone, ele me disse \u201cAh, estava pensando em voc\u00ea e no Dave, naquela \u00e9poca\u201d. E perguntei \u201cPor que?\u201d, e ele explicou \u201cO Gus Van Sant, o diretor de cinema, ia lan\u00e7ar um filme com o \u2018Is This Real?\u2019 como trilha-sonora\u201d. E ent\u00e3o falei \u201cOh, e voc\u00ea falou com ele?\u201d, ao que o Greg respondeu \u201cN\u00e3o, ele ainda me deve 100 d\u00f3lares do \u2018<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Kkb45LecGXg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Drugstore Cowboy<\/a>\u2019 (nota: filme de Gus Van Sant de 1989 filmado em Portland) (risos)\u201d. Ent\u00e3o essa foi a conversa que eu tive com o Greg. E ele tamb\u00e9m falou \u201cAhh, voc\u00eas v\u00e3o tocar aqui? Que legal, adoraria ir ver voc\u00eas. Mas estamos com uma onda de frio aqui\u201d. Ent\u00e3o respondi \u201cComo assim? Est\u00e1 mais de 40 graus. Do que voc\u00ea est\u00e1 falando?\u201d. Estava fazendo uns 43 graus em Phoenix quando liguei para ele e \u00edamos tocar com a Jenny Don\u00b4t and the Spurs. Ele perguntou onde \u00edamos tocar e eu disse que era em um bar chamado Chopper Johns, e ele respondeu \u201cAh, eu gosto muito desse bar e adoraria ir ver voc\u00eas tocarem, mas, como eu disse, h\u00e1 uma onda de frio\u201d. Apenas falei \u201cCara, est\u00e1 mais de 40 graus. Do que voc\u00ea est\u00e1 falando?\u201d, e ele respondeu \u201cAh n\u00e3o, estava 48 graus h\u00e1 alguns dias, mas se voc\u00ea sair e a temperatura cair, ent\u00e3o voc\u00ea fica doente. Estou me sentindo um pouco doente\u201d. Apenas pensei \u201cOk, essa \u00e9 uma \u00f3tima hist\u00f3ria. Estou parado no meio do estacionamento pegando fogo, falando ao telefone com voc\u00ea enquanto suo bicas, e voc\u00ea me diz que est\u00e1 com frio (risos)\u201d. Mas \u00e9, o Wipers tornou-se algo grande em Portland em 1979, n\u00f3s tocamos muito com bandas como Ramones e The Weirdos. Muitas bandas punks faziam shows por l\u00e1 na \u00e9poca e n\u00f3s toc\u00e1vamos com elas. N\u00f3s conhecemos os Ramones em Portland e quando nos mudamos Nova York, os vimos na rua e eles se lembraram da gente. Eles eram caras legais, apenas caras tranquilos, p\u00e9s no ch\u00e3o \u2013 o tipo de cara que voc\u00ea conheceria na escola e ficaria amigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00eas estavam em Nova York, puderam conhecer\/acompanhar as bandas da cidade na \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nO Greg meio que deixou eu o Dave, o baixista, comendo poeira e saiu por conta pr\u00f3pria. Mas n\u00f3s conseguimos ver o Suicide, foi de onde o Greg tirou os \u201cUhhh, uhh! Romeo, go Romeo\u201d, esse lance (Nota: nesse momento, Sam faz gritos agudos em refer\u00eancia \u00e0 m\u00fasica \u201cRomeo\u201d, do disco \u201cOver the Edge\u201d, de 1983, do Wipers). Ele realmente pegou muita coisa do Suicide. Eu, obviamente, sa\u00ed da banda antes do segundo \u00e1lbum (\u201cYouth of America\u201d, de 1981) e ent\u00e3o o Dave voltou dizendo \u201cEle me fez trabalhar para consertar o est\u00fadio. Tive que ensinar o novo baixista a tocar baixo. Fiquei muito irritado com o Greg\u201d. E ent\u00e3o eu disse \u201cMas voc\u00eas sempre est\u00e3o irritados um com o outro desde que os conhe\u00e7o\u201d (risos). E j\u00e1 fazia cinco anos que estava tocando com eles (risos). Mas eu sa\u00ed da banda em Nova York e ent\u00e3o voltei para Portland, que foi quando comecei a tocar com o Freddy e a Toody, do Dead Moon. Eles tinham uma banda chamada The Rats e comecei a tocar com eles. O Greg estava em um show e a banda do Chris, do Napalm Beach, estava tocando \u2013 ele tinha uma banda chamada The Untouchables na \u00e9poca. Eles estavam fazendo um show e o Greg estava assistindo e chegou para mim, quando est\u00e1vamos s\u00f3 eu e ele na frente do palco assistindo a banda tocar, e ele falou \u201cVoc\u00ea devia estar em uma banda com esse cara. Esse cara \u00e9 um \u00f3timo guitarrista\u201d. Depois disso acho que fiquei anos sem ver o Greg (risos). (Nota: Greg Sage depois produziu e lan\u00e7ou os primeiros \u00e1lbuns do Napalm Beach).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E foi assim que voc\u00ea conheceu o Chris?<\/strong><br \/>\nSim, basicamente foi isso. O Greg meio que o indicou para mim. E o Rats abriu para o Napalm Beach, eles tinham acabado de mudar o nome de Untouchables para Napalm Beach. Eles tocavam toda segunda \u00e0 noite em um lugar chamado Euphoria e n\u00f3s (Rats) sempre abr\u00edamos para eles. E tamb\u00e9m tocamos com eles em Seattle v\u00e1rias vezes. E sempre que os escutava, eu pensava \u201cQuero tocar com eles, gosto da m\u00fasica desse cara\u201d. Ent\u00e3o o Freddy Cole, do Rats, me deu um ultimato, ele disse algo como \u201cEm qual banda voc\u00ea quer tocar?\u201d e eu falei \u201cBom, vou tocar nas duas bandas, eu toco bateria, esse \u00e9 o meu trabalho\u201d. E ele disse \u201cN\u00e3o, voc\u00ea precisa estar em uma banda ou na outra\u201d. Ent\u00e3o eu escolhi o Napalm Beach e o Freedy e a Toody formaram o Dead Moon uns tr\u00eas anos depois e ent\u00e3o ficaram muito famosos (risos). E o Napalm Beach meio que secou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas agora estou com a Jenny Don\u00b4t and the Spurs. Conheci a Jenny h\u00e1 14 anos, ela tinha acabado de se mudar de Bellingham, Washington. Eu estava em um bar e ela chegou \u201cOi Sam, meu nome \u00e9 Jenny\u201d, ela era pr\u00f3xima do Andrew Loomis, do Dead Moon, antes de ele falecer. E a\u00ed come\u00e7amos a conversar e ent\u00e3o ela perguntou \u201cVoc\u00ea quer tocar?\u201d e respondi \u201cClaro, n\u00e3o estou fazendo nada\u201d \u2013 e realmente n\u00e3o estava. Na \u00e9poca eu trabalhava em um est\u00fadio de ensaio, era um armaz\u00e9m com 42 salas de ensaio, gerenciei o local por cerca de 15 anos. Durante essa \u00e9poca comecei a tocar com a Jenny. Essa \u00e9 uma hist\u00f3ria engra\u00e7ada: eu entrei para o Napalm Beach porque queria tocar com o baixista deles, Dave Minick, que saiu da banda assim que eu entrei \u2013 foi algo como \u201cO que? Essa era a raz\u00e3o pela qual queria tocar com voc\u00eas\u201d, foi toda uma situa\u00e7\u00e3o, mas ent\u00e3o, finalmente, 20 anos depois, pude tocar com ele. Quando a Jenny perguntou quem ir\u00edamos chamar para tocar baixo, eu falei \u201cDave Minick, ele era do Napalm Beach e algu\u00e9m com quem eu queria tocar h\u00e1 anos\u201d. Ao mesmo tempo, na \u00e9poca eu estava tocando em uma outra banda com o Chris (Newman) chamada The Last Accolade, ou era algo diferente. N\u00e3o me lembro, ele n\u00e3o conseguia se decidir sobre o nome da banda, ficava sempre mudando. Eu tocava teclado nessa banda e o Dave tocava baixo. Ent\u00e3o falei para ele \u201cCara, voc\u00ea precisa vir tocar com essa vocalista que eu conheci\u201d. E ela (Jenny) tinha um amigo de Bellingham que a ensinou a tocar guitarra, na \u00e9poca ela s\u00f3 sabia tocar uma corda. Lan\u00e7amos um disco talvez cedo demais, o nosso primeiro, chamado \u201cAway Away\u201d (2010) \u2013 (Nota: nesta \u00e9poca, a banda se chamava apenas Don&#8217;t e fazia <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8ZPznpheieI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um som calcado no punk<\/a>). E o Dave ficou conosco por cerca de cinco anos, tocamos na Europa cinco ou seis vezes. Ent\u00e3o \u00e9, finalmente pude tocar com ele, s\u00f3 demorou uns 25 anos (risos). Mas ent\u00e3o ele (Dave) saiu da banda e o Kelly (Halliburton, atual baixista da banda) come\u00e7ou a tocar com a gente \u2013 o Kelly e a Jenny s\u00e3o um casal. Mas ent\u00e3o o Kelly come\u00e7ou a tocar baixo e ficamos sem guitarrista. A\u00ed o Eric Olson, do Poison Idea, falou \u201cEu toco\u201d. Ent\u00e3o virou um supergrupo com a Jenny no vocal. Fizemos uma tour pela Europa que foi muito bem, mas fizemos apenas um single com essa forma\u00e7\u00e3o e foi isso. A Jenny ent\u00e3o falou \u201cEnt\u00e3o, eu n\u00e3o quero mais tocar rock, ningu\u00e9m vem aos nossos shows, ningu\u00e9m se importa, a cena punk est\u00e1 morta. Quero tocar country\u201d. E a\u00ed ela come\u00e7ou a escrever todas essas m\u00fasicas country, e como eu estava tocando com ela h\u00e1 tanto tempo, apenas disse \u201cClaro, o que voc\u00ea quiser, Jenny\u201d. Ent\u00e3o ela come\u00e7ou a tocar: era apenas eu e ela, e eu estava tocando guitarra, mas ent\u00e3o pensei \u201cAh n\u00e3o, eu deveria tocar bateria\u201d e muitas vezes eu apenas tocava na caixa com \u201cvassouras\u201d e ela tocava viol\u00e3o. E ent\u00e3o come\u00e7amos uma banda, a\u00ed o Kelly entrou, porque ele estava com alguns problemas na \u00e9poca. A\u00ed a Don\u00b4t deixou de existir e a Jenny apenas continuou compondo, ela escrevia algo como 10 m\u00fasicas em dois dias, era algo como \u201cO que? O que voc\u00ea est\u00e1 fazendo?\u201d (risos). Ent\u00e3o lan\u00e7amos um single, o Freedy e a Toody foram nos ver e falaram \u201cVoc\u00eas precisam fazer isso para sempre\u201d e a Jenny continuou escrevendo m\u00fasicas. E agora, 13 anos depois, continuo tocando com a Jenny Don&#8217;t and the Spurs, agora sou um baterista de country\/western (risos).<\/p>\n<figure id=\"attachment_63394\" aria-describedby=\"caption-attachment-63394\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-63394 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/jenny.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"962\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/jenny.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/jenny-234x300.jpg 234w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-63394\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jenny Don\u00b4t and the Spurs \/ Foto de Shawna Schiro<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E qual a diferen\u00e7a para voc\u00ea, enquanto baterista, entre tocar m\u00fasica country e os estilos mais r\u00e1pidos e pesados que voc\u00ea estava acostumado a tocar antes?<\/strong><br \/>\nAh, \u00e9 terrivelmente f\u00e1cil, \u00e9 muito melhor. Eu tenho 64 anos, ent\u00e3o \u00e9 muito mais f\u00e1cil e relaxante. Quer dizer, comecei a tocar em casas de shows e bares quando tinha 10 anos de idade. Meu pai me colocou para tocar com bandas e de repente comecei a fazer shows. Ainda estava no ensino prim\u00e1rio e ia fazer shows com bandas de country e western, ent\u00e3o esses foram os meus primeiros shows quando comecei a tocar. E eles ficavam se virando e falando \u201cSammy, pare com isso!\u201d, porque eu realmente estava curtindo Buddy Rich e jazz. Ent\u00e3o eles ficavam falando \u201cToque algo mais country, pare com essa merda de jazz\u201d (risos). Por isso, a Jenny Don\u00b4t and the Spurs \u00e9 perfeito, porque posso tocar jazz e country ao mesmo tempo \u2013 e tamb\u00e9m um pouco de rock (risos). E a banda como um todo n\u00e3o \u00e9 realmente country, nos encaixamos em um estilo estranho, algum tipo de m\u00fasica country. Eu n\u00e3o sei o que \u00e9, mas todo mundo parece gostar (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria saber se houve algum tipo ponto de virada importante para a cena punk de Portland realmente come\u00e7ar a se consolidar? Li muitas pessoas falando sobre um show dos Ramones que acho que aconteceu em 1977 e que teve uma grande import\u00e2ncia para essa consolida\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea concorda com isso, foi isso mesmo?<\/strong><br \/>\nOs Ramones em 1977 em Portand? Acho que foi em 1978, tenho quase certeza. O Wipers tinha que tocar toda segunda-feira \u00e0 noite apenas para provar para os donos da casa de shows que o punk ia ficar bem. E naquela \u00e9poca n\u00f3s pod\u00edamos fazer um show para todas as idades e um para maiores de 21 anos. O Greg conseguiu isso e era algo muito dif\u00edcil de conseguir em Portland, uma permiss\u00e3o da OLCC, da Oregon Liquor Comission Control (atualmente chamada de Oregon Licor and Cannabis Comission). Ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o podia estar em uma banda com menos de 21 anos de idade e fazer shows, mas eu fiz isso quando tinha 10 anos \u2013 eu tinha de me esconder dentro do arm\u00e1rio de bebidas entre os intervalos, e apenas pensava \u201cAh, nossa. Isso \u00e9 \u00f3timo\u201d (risos). Mas sobre o show dos Ramones, os Ramones acabaram tocando&#8230;Eles (donos da casa de shows) trouxeram os Dictators, e era meio que um bar hippie, eles tinham muito medo do punk. Estamos falando de 1978 em Portland, ent\u00e3o eles tinham muito medo do punk e de toda essa nova cena que estava acontecendo. Por isso, o Wipers tinha que tocar toda segunda-feira \u00e0 noite e todo mundo aparecia \u2013 n\u00f3s toc\u00e1vamos das 19h \u00e0s 21h e tinha uma banda hippie tocava depois da gente. N\u00f3s ench\u00edamos o lugar e ent\u00e3o todo mundo ia embora quando a banda hippie tocava. A\u00ed os Ramones vieram e n\u00f3s abrimos para os Ramones. E depois lan\u00e7amos o disco \u201c10-29-79\u201d, uma compila\u00e7\u00e3o ao vivo em que todas as bandas punk de Portland tocaram. E o Greg deveria gravar esses shows, mas havia muita pol\u00edtica envolvida, todo os outros punks queriam sua parte, mas foi ideia do Greg e n\u00f3s tivemos que tocar para conseguir a casa de shows (risos). E foi algo que levou cerca de tr\u00eas meses. Isso meio que levou ao fim do Wipers, ele nunca se recuperou disso. Ent\u00e3o todo mundo se mudou de volta para Portland, com exce\u00e7\u00e3o do Dave, que foi para Ohio. Mas ainda falo com Dave com frequ\u00eancia, somos bons amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas j\u00e1 consideraram uma reuni\u00e3o do lineup original do Wipers?<\/strong><br \/>\nAh, j\u00e1 houve tantas pessoas que nos ofereceram tanto dinheiro para fazer isso. Eu estava em turn\u00ea com a Jenny Don\u00b4t e algu\u00e9m chegava falando \u201cEu pago 5 mil euros para voc\u00eas\u201d e respondi \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 muita coisa\u201d, e a pessoa falava \u201cEnt\u00e3o 15 mil euros\u201d e continuava subindo. E eu pensava \u201cS\u00e9rio? Isso nunca vai acontecer, me desculpe. Mas nunca vai acontecer\u201d. H\u00e1 anos as pessoas falam isso \u201cO Wipers vai se reunir\u201d, mas ent\u00e3o o Greg diz \u201cEu n\u00e3o vou tocar com o Sam e o Dave\u201d. Mas \u00e9 isso o que todo mundo quer, a forma\u00e7\u00e3o original do Wipers. J\u00e1 nos falaram \u201cColoco voc\u00eas para tocarem 3 noites, todas v\u00e3o esgotar, coloco voc\u00eas em hot\u00e9is chiques, o que voc\u00eas quiserem\u201d e apenas respondo \u201cIsso nunca vai acontecer, me desculpe\u201d (risos). Eu j\u00e1 falei com o Greg sobre isso algumas vezes e ele disse \u201cPor que eu iria fazer isso? Eu j\u00e1 disse tudo que eu precisava dizer\u201d (risos). E ele falou \u201cN\u00e3o curto esse lance de reuni\u00f5es de bandas\u201d, e apenas pensei \u201cQue seja, cara\u201d (risos). \u00c9 claro que eu e o Dave ficamos \u201cSeu cuz\u00e3o, n\u00f3s poder\u00edamos ficar ricos em uma semana. Por que voc\u00ea n\u00e3o nos d\u00e1 uma chance? N\u00f3s n\u00e3o recebemos dinheiro dos discos. Todos n\u00f3s poder\u00edamos ficar ricos e nos aposentar em uma semana\u201d (risos). Provavelmente teria levado uns dois meses, mas \u00e9, poder\u00edamos estar bem. Mas voc\u00ea tem de fazer o que \u00e9 preciso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_63397\" aria-describedby=\"caption-attachment-63397\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-63397 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/napalmbeach.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/napalmbeach.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/napalmbeach-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-63397\" class=\"wp-caption-text\"><em>Napalm Beach, 1990: Dave Dillinger, Chris Newman e Sam Henry<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem algum disco favorito entre os que gravou com as suas bandas, Wipers, The Rats, Napalm Beach?<\/strong><br \/>\nAhh, tenho alguns v\u00e1rios. Gosto muito do \u201cIs This Real?\u201d (1980), do Wipers. Tamb\u00e9m do primeiro single do Wipers, \u201cBetter Off Dead\u201d (1978), e do \u201cAlien Boy\u201d (1980). Entre os meus favoritos tamb\u00e9m h\u00e1 alguns discos do Napalm Beach, e realmente gosto do disco do The Rats que fiz com Freddy e Toody, \u201cIntermittent Signals\u201d (1980). Provavelmente o meu disco favorito com o Napalm Beach \u00e9 o \u201cFire Air and Water\u201d (1990), porque fizemos esse \u00e1lbum no meio de uma turn\u00ea e ele saiu perfeito. E pude tocar teclado no disco (risos). Eu toquei os coros na m\u00fasica \u201cHoly Ground\u201d, tocava bastante teclado com o Chris. Na verdade, tamb\u00e9m toquei teclado com a Jenny Don\u00b4t and the Spurs. Acho que meu disco favorito com a Jenny Don\u00b4t and the Spurs \u00e9 o nosso \u00e1lbum mais recente, \u201cFire on the Ridge\u201d (2021). Levou algum tempo para ser feito. Muitos bateristas de bandas com quem fizemos shows vieram falar comigo coisas como \u201cVoc\u00ea \u00e9 um \u00f3timo baterista, mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel te escutar no disco\u201d. E ent\u00e3o disco \u201cIsso \u00e9 porque \u00e9 um disco de country\/western\u201d (risos). \u201cVoc\u00ea precisa ver um show ao vivo\u201d. Mas \u00e9, acho que esse \u00e9 o meu trabalho favorito com a Jenny Don\u00b4t. E com o Fathoms \u00e9 o novo single, que tamb\u00e9m \u00e9 bastante divertido \u2013 temos mais duas m\u00fasicas para lan\u00e7ar em breve. Gravamos quatro no total, mas temos material suficiente para um disco j\u00e1. Ou seja, temos material para um set tamb\u00e9m, o que significa que j\u00e1 podemos sair em turn\u00ea (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como pensa que o fato de voc\u00ea ser legalmente cego impactou na maneira como voc\u00ea se relaciona com o seu instrumento, a bateria, e com a m\u00fasica de forma geral?<\/strong><br \/>\nEu meio que nunca me encaixei, todo mundo pegava no meu p\u00e9 porque eu n\u00e3o conseguia enxergar muito bem. E eu tamb\u00e9m sou dalt\u00f4nico, ent\u00e3o n\u00e3o conseguia distinguir cores. Ent\u00e3o eu apenas mergulhei de cabe\u00e7a nos discos. Quando eu tinha tr\u00eas anos de idade, a minha m\u00e3e me sentou com um toca-discos e me ensinou como usar um daqueles pequenos toca-discos para crian\u00e7as. T\u00ednhamos discos do Pedro e o Lobo e do Mickey Mouse, ent\u00e3o eu escutava esses discos por quatro ou cinco horas &#8211; e tinha de escut\u00e1-los em um volume baixo para n\u00e3o acordar o meu pai, j\u00e1 que ele trabalhava at\u00e9 as quatro horas da manh\u00e3 e ent\u00e3o dormia at\u00e9 a uma da tarde. Com essa idade, eu ainda n\u00e3o ia para a escola e ficava sempre fazendo barulho, tentando tocar bateria em todos os lugares, como na v\u00e1lvula de ventila\u00e7\u00e3o do radiador do aquecedor da casa \u2013 \u201ctim, tim, tim\u201d. E minha m\u00e3e falava \u201cN\u00e3o, n\u00e3o! Escute baixinho!\u201d, e eu tinha de escutar muito perto do alto-falante. Ent\u00e3o aprendi muito sobre m\u00fasica quando era muito pequeno e n\u00e3o sabia disso (risos). Mas isso meio que entrou no meu c\u00e9rebro, foi isso que aconteceu. Esse foi o resultado (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por favor, me diga tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e porque eles fizeram isso.<\/strong><br \/>\nHmm, essa \u00e9 uma boa pergunta. O primeiro que eu diria \u00e9 o \u201cElvis Presley\u201d (1956). H\u00e1 mais do que tr\u00eas discos que mudaram a minha vida (risos). Mas vou voltar para quando era crian\u00e7a. A minha irm\u00e3 tinha os discos do Elvis, eu tinha uns 4 ou 5 anos de idade. E, \u00e9 claro, o Buddy Rich e sua Big Band, todos os discos dele. E tamb\u00e9m diria o Emerson, Lake &amp; Palmer (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a \u00faltima pergunta. Voc\u00ea j\u00e1 tocou em muitas bandas que influenciaram pessoas ao redor do mundo. Do que voc\u00ea tem mais orgulho na sua carreira?<\/strong><br \/>\nOh, tenho orgulho de tudo que estou fazendo agora com a Jenny Don&#8217;t and the Spurs. Todas as coisas j\u00e1 se foram e quase todo mundo morreu. A \u00fanica coisa que est\u00e1 acontecendo agora \u00e9 a Jenny Don&#8217;t and The Spurs e tenho orgulho do nosso trabalho. Apenas tenho orgulho de ainda estar tocando bateria e a maneira como toco, n\u00e3o preciso que ningu\u00e9m me diga como tocar. Apenas fa\u00e7o o que quero, como sempre fiz (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jenny Don&#039;t &amp; The Spurs-Rattlesnakes and Dogs\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zqapgfBVS1A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Napalm Beach-Live Star Theater 2015\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ruQRl3nhJMI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nirvana - D-7 (Live at Reading 1992)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0oBHEvYAJnY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Return of the Rat\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/p1MD1UjStLg?list=OLAK5uy_lMxeSSFRM6-8NkMkWPE2hc99PxMyfdiYg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Baterista relembra seus mais de 50 anos de carreira, incluindo discos cl\u00e1ssicos com Wipers e Napalm Beach, e fala sobre o rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u00e1lbum com sua banda atual, Jenny Don\u00b4t and the Spurs, em que troca o som pesado pela m\u00fasica country.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/12\/06\/entrevista-sam-henry-wipers-napalm-beach-the-rats-jenny-dont-and-the-spurs\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":63392,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5388,5386,5387,5385],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63390"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63390"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63390\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63402,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63390\/revisions\/63402"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63392"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}