{"id":63375,"date":"2021-12-03T14:45:16","date_gmt":"2021-12-03T17:45:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=63375"},"modified":"2022-01-07T13:12:09","modified_gmt":"2022-01-07T16:12:09","slug":"a-autentica-em-bh-muda-de-endereco-e-coloca-no-ar-campanha-de-financiamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/12\/03\/a-autentica-em-bh-muda-de-endereco-e-coloca-no-ar-campanha-de-financiamento\/","title":{"rendered":"A Aut\u00eantica, em BH, muda de endere\u00e7o e coloca no ar campanha de financiamento"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundada em 2015, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/autenticabh\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Aut\u00eantica<\/a>\u00a0\u00e9 uma casa de shows de Belo Horizonte que inscreveu seu nome no cen\u00e1rio da m\u00fasica independente do pa\u00eds. Reconhecida por sua profunda liga\u00e7\u00e3o com a cena musical contempor\u00e2nea, A Aut\u00eantica tem sido um porto seguro para p\u00fablico e artistas das mais diversas tribos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma curadoria pautada pelo respeito \u00e0 diversidade cultural, humana e musical, a Aut\u00eantica sempre teve uma programa\u00e7\u00e3o intensa recebendo uma m\u00e9dia de 12 eventos ao vivo por m\u00eas. Por\u00e9m, devido as agruras da pandemia, a casa fechou as portas em 2020. Mas muito se engana quem a acha que a hist\u00f3ria se encerra aqui!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com f\u00f4lego e energia renovadas, A Aut\u00eantica agora pretende al\u00e7ar voos mais altos, mudando-se para um novo endere\u00e7o e num local ainda maior: o antigo Lapa Multishow. Durante anos, o Lapa foi um dos palcos mais importantes da cidade, mas fechou as portas em 2011 e desde ent\u00e3o tem funcionado como estacionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que o projeto seja concretizado, os propriet\u00e1rios da casa colocaram <a href=\"https:\/\/www.sympla.com.br\/te-vejo-na-autentica---financiamento-coletivo__1412075\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no ar uma campanha de financiamento coletivo<\/a>. Com o objetivo de arrecadar R$ 200 mil reais at\u00e9 20 de dezembro de 2021, toda a verba ser\u00e1 utilizada para reformas no espa\u00e7o. Para os que contribu\u00edrem, o valor investido ser\u00e1 revertido em dobro (as chamadas \u201c<a href=\"https:\/\/www.sympla.com.br\/te-vejo-na-autentica---financiamento-coletivo__1412075\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dobradinhas Aut\u00eanticas<\/a>\u201d). Os cr\u00e9ditos podem ser utilizados na aquisi\u00e7\u00e3o de ingressos de eventos a serem realizados em 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por telefone, o multifacetado <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/08\/06\/entrevista-leo-moraes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">L\u00e9o Moares<\/a> (que al\u00e9m produtor e m\u00fasico \u00e9 um dos s\u00f3cios da Aut\u00eantica) fala sobre como nasceu a sua rela\u00e7\u00e3o com o universo da cultura, o legado deixado pela casa de show em sua primeira fase, a ascens\u00e3o do mercado musical independente e muito mais. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Te vejo na Aut\u00eantica?\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CEjd0VcOfr8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como cidad\u00e3o belo-horizontino pude acompanhar de perto sua trajet\u00f3ria pelos mais diversos caminhos. Mas a cultura, em suas mais diversas vertentes, sempre foi o elo. Desta feita queria entender mais como voc\u00ea adentrou nesse universo, quais foram as primeiras portas que se abriram e em que momento voc\u00ea percebeu que esta rela\u00e7\u00e3o o definiria para todo e sempre?<\/strong><br \/>\nEu comecei na m\u00fasica ainda em Vi\u00e7osa, cidade onde passei boa parte da minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. S\u00f3 que l\u00e1 eu n\u00e3o tinha nenhuma perspectiva de profissionaliza\u00e7\u00e3o. Foi quando cheguei em BH, no in\u00edcio dos anos 90, que me enturmei com a galera da m\u00fasica e aos poucos fui enxergando ali uma possibilidade. Tive uma banda na \u00e9poca da faculdade, os Gardenais, com a qual lancei dois \u00e1lbuns, sendo que o segundo (&#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/10\/24\/500-toques-rogerio-skylab-gardenais-e-itinerante-magazine\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lindo Triste Mundo<\/a>\u201d, de 2006) foi produzido por Kassin e Berna Ceppas, no Rio. O trabalho dos Gardenais rendeu muitas coisas legais, incluindo a participa\u00e7\u00e3o no Conex\u00e3o Telemig Celular, a abertura do show de lan\u00e7amento do \u00e1lbum &#8220;4&#8221; do Los Hermanos, a participa\u00e7\u00e3o no Show das D\u00e9cadas, com nomes como Paralamas do Sucesso, Vanessa da Mata, Cidade Negra, e outros. Eu j\u00e1 vinha me enveredando pelo \u00e1udio, e pela produ\u00e7\u00e3o musical, e com a implos\u00e3o da banda acabei abrindo um est\u00fadio, o Pato Multim\u00eddia, onde gravei \u00e1lbuns relevantes da cena local, como &#8220;Homens Lentos&#8221; da Fase Rosa, &#8220;Naturais e Id\u00eanticos&#8230;&#8221; do Dibigode, e v\u00e1rios outros. Nessa \u00e9poca j\u00e1 estava com o Valsa Bin\u00e1ria, banda na qual assumi a frente, compondo e cantando, e circulei por diversos festivais. A essa altura eu j\u00e1 encarava minha carreira como uma mistura de atua\u00e7\u00f5es em diversas \u00e1reas da m\u00fasica, sem pretens\u00f5es de ter na banda meu ganha-p\u00e3o. Depois de participar do Programa de Solu\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas Para a M\u00fasica, do SEBRAE-MG, acabei detectando essa lacuna na cena local, que era uma casa de porte m\u00e9dio, aberta \u00e0 m\u00fasica autoral. Da\u00ed nasceu A Aut\u00eantica, que abrimos em 2015 e fomos for\u00e7ados a fechar pela pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando da Aut\u00eantica, eu era um ass\u00edduo frequentador da casa. E apesar de ser frequentador de muito espa\u00e7os culturais em BH (Matriz, Lapa Multishow, Butec\u00e1rio&#8230;) era ali que me sentia em casa. E esta percep\u00e7\u00e3o veio desde a primeira noite aberta ao p\u00fablico, que teve um show cat\u00e1rtico da Lupe de Lupe em 2015. De l\u00e1 para c\u00e1, vi o espa\u00e7o crescer, em v\u00e1rios sentidos, e sentia um enorme orgulho de pensar que a minha cidade natal tinha espa\u00e7o que abrigava as mais diversas manifesta\u00e7\u00f5es musicais, com um olhar atento para a cena independente. Nesse sentido como foram estes quase cinco anos de atividade e qual o legado deixado desta primeira fase?<\/strong><br \/>\nEsse show da Lupe de Lupe foi o primeiro aberto ao p\u00fablico da casa. Na noite anterior tinha rolado um evento fechado de lan\u00e7amento com Marco Lobo e Billy Cobham. Pra gente foi muito simb\u00f3lico que logo no primeiro fim de semana a casa j\u00e1 tenha dado esse recado, recebendo um show internacional num dia, e no outro um show de uma banda local, com perfil t\u00e3o alternativo como a Lupe de Lupe. \u00c9 o que a gente sentia falta na cena, uma vez que esses outros locais que voc\u00ea citou s\u00e3o incr\u00edveis, mas t\u00eam um recorte estil\u00edstico bem espec\u00edfico. A ideia da Aut\u00eantica sempre foi ter o leque o mais aberto poss\u00edvel, abrigando todo o espectro da m\u00fasica contempor\u00e2nea. \u00c9 a casa que recebe o Roberto Menescal um dia e em outro o Napalm Death, e o palco onde esses caras tocaram \u00e9 o mesmo onde a garotada que frequentava as Sess\u00f5es Aut\u00eanticas (nossa noite de palco aberto) tocava. Engra\u00e7ado que a minha gera\u00e7\u00e3o tem muito forte a imagem do Lapa Multishow ocupando esse espa\u00e7o, e acho um agrad\u00e1vel capricho de destino que agora a gente v\u00e1 ocupar aquele im\u00f3vel. A gente sentiu uma mudan\u00e7a no astral da cena independente logo de sa\u00edda, vinha gente de banda dizer que estavam desanimando com o autoral, mas que a Aut\u00eantica tinha dado um g\u00e1s de \u00e2nimo. Acho que parte do legado \u00e9 esse, de mostrar que \u00e9 sim poss\u00edvel, mesmo que n\u00e3o seja f\u00e1cil, obter sustentabilidade trabalhando com m\u00fasica autoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas est\u00e3o com campanha de financiamento coletivo para reabrir as portas num local emblem\u00e1tico para a cidade. Por\u00e9m, em tempos em que vemos diversas casas de show enfrentarem dificuldades \/ fecharem as portas devidos a diversos fatores, voc\u00eas decidiram seguir em frente. Quais s\u00e3o as motiva\u00e7\u00f5es que alimentam esta continuidade e o que podemos esperar da nova Aut\u00eantica?<\/strong><br \/>\nO modelo de neg\u00f3cios da Aut\u00eantica, com capacidade para 400 pessoas, trazendo artistas de fora como fazemos, \u00e9 bem desanimador. A coisa tinha que girar muito bem pra conseguirmos um zero a zero. Casas do mesmo porte estavam, j\u00e1 antes da pandemia, fazendo movimentos para reduzir custos, indo para locais menores, mudando o modelo de programa\u00e7\u00e3o evitando artistas de fora. N\u00f3s pensamos em ir no sentido oposto, indo para um local com maior capacidade de p\u00fablico, mas com custos n\u00e3o t\u00e3o maiores. Dessa forma a gente consegue aumentar consideravelmente o potencial de receita, com uma eleva\u00e7\u00e3o bem pequena dos custos f\u00edxos. Ent\u00e3o poderemos trazer artistas de um patamar maior, que n\u00e3o cabiam no antigo espa\u00e7o, de uma forma muito mais vi\u00e1vel financeiramente. E com um projeto modul\u00e1vel, continuaremos conseguindo trazer artistas que levam 300 a 600 pessoas e at\u00e9 menores, com 100 a 200 pessoas, como faz\u00edamos, mas contaremos com um a dois &#8220;event\u00f5es&#8221; de casa cheia por m\u00eas que empurrar\u00e3o a casa pro azul. Foi a forma que encontramos no plano de neg\u00f3cios para equilibrar o lado financeiro ao nosso prop\u00f3sito inegoci\u00e1vel de mantermos uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com a cena local. No papel est\u00e1 lindo, vamos ver como isso acontece na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para encerrar gostaria que voc\u00ea falasse do momento especial que a m\u00fasica independente vive. Acredito isto se deve, primeiramente, ao grande volume de produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas de qualidade que acabam por reverberar, por exemplo, num maior engajamento do p\u00fablico. O resultado disso pode ser percebido tanto nas plataformas de streamings quanto nos line ups de grandes festivais. Nesse sentido, como voc\u00ea v\u00ea este movimento? E ainda: qual foi \/ \u00e9 o papel da Aut\u00eantica na constru\u00e7\u00e3o deste cen\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nPensando no mercado musical dividido em tr\u00eas fatias, tendo no topo o mainstream, no meio o mercado m\u00e9dio, e na base o underground, eu enxergo da seguinte forma. Quando a gente fala de m\u00fasica independente, estamos nos referindo ao underground, que \u00e9 por natureza ca\u00f3tico e n\u00e3o-profissional, mas altamente criativo e disruptivo, e ao mercado m\u00e9dio, que est\u00e1 em plena expans\u00e3o, e altamente profissionalizado. O teto desse mercado est\u00e1 sendo empurrado para cima por alguns artistas, e puxando consigo toda cena. O importante desse movimento \u00e9 que a t\u00e3o sonhada sustentabilidade fica cada vez mais palp\u00e1vel, n\u00e3o sendo mais necess\u00e1rio romper o mainstream para ter uma carreira relevante e lucrativa. \u00c9 olhando para isso tamb\u00e9m que demos o passo de ir para um local maior, crescendo juntamente com a cena a que pertencemos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_63377\" aria-describedby=\"caption-attachment-63377\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-63377 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/leomoraes.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/leomoraes.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/leomoraes-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/leomoraes-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-63377\" class=\"wp-caption-text\"><em>Leo Moraes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com f\u00f4lego e energia renovadas, A Aut\u00eantica agora pretende al\u00e7ar voos mais altos, mudando-se para um novo endere\u00e7o e num local ainda maior: o antigo Lapa Multishow. Leo Moraes conta dos desafios da nova fase!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/12\/03\/a-autentica-em-bh-muda-de-endereco-e-coloca-no-ar-campanha-de-financiamento\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":63376,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3041],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63375"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63375"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63375\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63379,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63375\/revisions\/63379"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}