{"id":63312,"date":"2021-11-24T22:31:02","date_gmt":"2021-11-25T01:31:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=63312"},"modified":"2022-02-10T01:49:35","modified_gmt":"2022-02-10T04:49:35","slug":"especial-the-beatles-get-back-peter-jackson-fala-sobre-o-mergulho-nas-imagens-ineditas-das-sessoes-do-let-it-be","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/24\/especial-the-beatles-get-back-peter-jackson-fala-sobre-o-mergulho-nas-imagens-ineditas-das-sessoes-do-let-it-be\/","title":{"rendered":"Especial: &#8220;The Beatles &#8211; Get Back&#8221; | Peter Jackson fala sobre o mergulho nas imagens in\u00e9ditas das sess\u00f5es do \u201cLet it Be\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>edi\u00e7\u00e3o e texto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><br \/>\nentrevista por Scott Nance<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu estava no lugar certo, na hora certa&#8221;. Com essa defini\u00e7\u00e3o b\u00e1sica dada sempre por aquelas modestas pessoas detentoras do toque de Midas, o cineasta Peter Jackson classificou seu acesso \u00e0s 60 horas de filmagens e 130 horas de \u00e1udio in\u00e9ditos das grava\u00e7\u00f5es do document\u00e1rio \u201cLet it Be\u201d, dirigido em janeiro de 1969 (mas lan\u00e7ado em maio de 1970) por Michael Lindsay-Hogg. Em coletiva de imprensa via Zoom, na qual esteve presente o Scream &amp; Yell, o diretor da trilogia \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d (2001) e do recente document\u00e1rio \u201cEles N\u00e3o Envelhecer\u00e3o\u201d (2018), que traz imagens colorizada digitalmente e in\u00e9ditas da Primeira Guerra Mundial, falou sobre como teve acesso aos originais captados por Lindsay-Hogg e como se deu o processo criativo dessa viagem imersiva dentro daqueles dias de inverno, na Londres de 50 anos atr\u00e1s. Tal imers\u00e3o deu origem \u00e0 miniss\u00e9rie em tr\u00eas epis\u00f3dios (e um total de oito horas de dura\u00e7\u00e3o) <a href=\"https:\/\/www.disneyplus.com\/pt-br\/series\/the-beatles-get-back\/7DcWEeWVqrkE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que estreia nesta quinta, 25 de novembro, na plataforma Disney+<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu estava em Londres em busca de algumas imagens do Museu Imperial de Guerra e que iria usar no \u2018Eles N\u00e3o Envelhecer\u00e3o\u2019. Na cidade, tive uma reuni\u00e3o com Jeff Jones e Jonathan Clyde (N.E. produtores da Apple Corps). Eles queriam conversar sobre A.R. (augmented reality ou realidade aumentada) e VR (realidade virtual). Eles deviam ter lido uma entrevista minha na qual falo que tenho interesse nesse campo. Ent\u00e3o, queriam me consultar, pois estavam fazendo uma exposi\u00e7\u00e3o dos Beatles&#8221;, relembra Jackson acerca do encontro ainda em meados da d\u00e9cada passada. O que os executivos da Apple n\u00e3o esperavam era que, a partir daquele encontro, o cineasta lhe faria uma pergunta crucial. &#8220;Durante a reuni\u00e3o, eu n\u00e3o queria agir como um f\u00e3, mas uma coisa que eu sempre me perguntei nos \u00faltimos 40 anos foi sobre o que teria acontecido com todas as imagens n\u00e3o utilizadas em \u2018Let it Be\u2019?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Peter Jackson precisa frisar que &#8220;n\u00e3o queria soar como um f\u00e3&#8221; diante de uma pergunta acerca de algo t\u00e3o importante como as imagens dos Beatles durante um dos seus derradeiros trabalhos juntos, bom, sabemos o peso disso. E sabemos, tamb\u00e9m, como ter um f\u00e3 da estatura do cineasta neozeland\u00eas \u00e0 frente de qualquer projeto sobre os Beatles pode significar. &#8220;Eu conheci Paul McCartney h\u00e1 muito tempo, em uma premiere de \u2018As Duas Torres\u2019 (2002). Ele me disse que era um grande f\u00e3 de \u2018O Senhor dos An\u00e9is\u2019, e eu lhe perguntei sobre a hist\u00f3ria dos Beatles fazerem uma adapta\u00e7\u00e3o com Stanley Kubrick. Se aquilo era verdade, mesmo. E era&#8221;, relembra o cineasta entre sorrisos. Assim, observar aqueles caminhos se cruzando quase duas d\u00e9cadas depois daquele encontro, e com Jackson, agora, colocando a m\u00e3o na massa ao mergulhar nas dezenas de horas de material in\u00e9dito do \u201cLet it Be\u201d, torna tal simbolismo ainda mais especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Sempre tive curiosidade sobre isso. Eu sabia que Michael LIndsay-Hogg filmou muita coisa que acabou n\u00e3o usando. Eu n\u00e3o fazia ideia se havia sobrevivido. N\u00e3o tinha ideia do quanto tinha. E nenhum livro falou sobre isso realmente&#8221;, pontua o cineasta. A resposta positiva dos executivos n\u00e3o poderia ter sido melhor para algu\u00e9m que, apesar de tentar n\u00e3o soar como um f\u00e3 em suas perguntas, possui os Beatles como s\u00edmbolos formadores de sua pr\u00f3pria bagagem cultural. &#8220;Os primeiros discos que comprei na vida foram as colet\u00e2neas \u2018Azul\u2019 e \u2018Vermelha\u2019, em 1972&#8221;, relembra o diretor que, \u00e0 \u00e9poca dessa compra, tinha apenas 11 anos de idade. &#8220;Eu nunca comprei os discos de mais ningu\u00e9m. Comprei todos os \u00e1lbuns dos Beatles e os das carreiras solo e todo resto. Eu sou a pessoa mais limitada e entediante (risos). N\u00e3o sei nada sobre outros artistas. Mas, sabe, por mim, tudo bem&#8221;. Sendo algu\u00e9m cuja afetividade pela banda de Liverpool representava tanto na pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o, ouvir dos executivos a resposta positiva de que, sim, eles tinham toda aquela quantidade de horas in\u00e9ditas das sess\u00f5es do \u2018Let it Be\u2019 fez Peter Jackson embarcar em um, at\u00e9 aquele momento, n\u00e3o programado projeto: &#8220;Oh, meu Deus! Como eu fa\u00e7o para ter acesso? Qual truque eu tenho que fazer para, de fato, assistir a essas imagens? Se voc\u00eas forem considerar algu\u00e9m para esse projeto, lembrem-se de mim&#8221;, relembra a conversa. &#8220;Fui para aquela reuni\u00e3o no intuito de falar sobre Realidade Virtual, e sai com algo ainda melhor. Estava no lugar certo e na hora certa&#8221;, confirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de ter acesso \u00e0s imagens e dedicar horas e mais horas de sua rotina em sua casa, na Nova Zel\u00e2ndia, para adentrar naqueles dias em janeiro de 1969, Peter Jackson precisou criar uma meta de n\u00e3o fazer mais um filme sobre o qu\u00e3o miser\u00e1vel foi aquele per\u00edodo entre John, Paul, George e Ringo. Para sua surpresa, acabou assistindo a algo diferente. &#8220;As sess\u00f5es do projeto \u2018Get Back\u2019 s\u00e3o not\u00f3rias. Eu e qualquer f\u00e3 dos Beatles sabemos disso. Eu li todos os livros nos \u00faltimos 40 anos. Mas todos esses escritores, obviamente, n\u00e3o estavam l\u00e1. Mas eles ainda descrevem as sess\u00f5es como miser\u00e1veis, como sendo o per\u00edodo mais sofredor da banda. Os Beatles estavam se separando, estavam em disputas, havia c\u00e2meras filmando as brigas. Eles n\u00e3o podiam mais estar na companhia uns dos outros. V\u00e1rias coisas terr\u00edveis no decorrer dos anos haviam sido escritas descrevendo aquelas sess\u00f5es. Ent\u00e3o, era tipo isso que eu esperava ver ao come\u00e7ar a assistir \u00e0s imagens. Eu disse a eles: &#8216;olha, se essas imagens forem sofridas como devem ser, eu n\u00e3o farei um filme sobre isso. Mas eu ainda preciso assistir. Mas de forma nenhuma eu vou pegar um monte de imagens na qual vemos os Beatles sofrendo e farei um filme feliz&#8217;, E eu tamb\u00e9m n\u00e3o faria um filme de sofrimento&#8221;, relembra Peter Jackson, frisando: &#8220;se o filme \u2018Let it Be\u2019 foi o que eles permitiram que fosse visto, que diabos eles n\u00e3o queriam que n\u00f3s v\u00edssemos? E agora eu teria que ser o cara que ia sentar em frente \u00e0 TV e ver tudo aquilo. Eu n\u00e3o queria ser esse cara. Mas, ao mesmo tempo, eu queria&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Beatles: Get Back | Sneak Peak\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/X46iWmiLvZg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Scream &amp; Yell teve acesso a uma pr\u00e9via de 42 minutos do document\u00e1rio, que, em sua vers\u00e3o final em tr\u00eas cap\u00edtulos, contar\u00e1 com quase oito horas no total. Nas imagens, uma prova de que o modo como o document\u00e1rio de Michael Lindsay-Hogg preferiu seguir pelo not\u00f3rio caminho das pedras atravessado pela banda naquele fase final n\u00e3o foi o mais fiel poss\u00edvel ao que, na realidade, acontecia naquela \u00e9poca entre os quatro rapazes. Curiosamente, o document\u00e1rio \u201cAnthology\u201d, lan\u00e7ado em 1995, tamb\u00e9m preferiu seguir por esse vi\u00e9s \u00e1spero da fase final, n\u00e3o mostrando a face mais leve daqueles dias em janeiro de 1969, e tendo at\u00e9 mesmo George, Ringo e Paul, ent\u00e3o com pouco mais de 50 anos de idade, corroborando a exist\u00eancia daqueles momentos espinhosos, mas, no entanto, n\u00e3o adentrando no ambiente menos tenso que tamb\u00e9m existiu ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, claro que havia rusgas e brigas. Claro que havia um desgaste percept\u00edvel. Mas n\u00e3o somente isso. Na pr\u00e9via de 42 minutos liberada para a imprensa, vemos um John leve, recebendo o carinho de sua amada Yoko enquanto dedilha acordes no ensaio. Vemos George batalhar ao piano a composi\u00e7\u00e3o de \u201cOld Brown Shoe\u201d, enquanto Paul o estimula a continuar (o baixista chega a sentar-se \u00e0 bateria para lhe dar um compasso). Macca, inclusive, tinha ganhado a reputa\u00e7\u00e3o de se tornar um tanto mand\u00e3o naquela fase, algo que ao vermos essas imagens, chegamos a uma conclus\u00e3o inversa: de que Paul, na verdade, era algu\u00e9m bem encorajador. Em outro momento, vemos Ringo (que sempre ser\u00e1 Ringo, o amigo de todos) compartilhar uma goma de mascar com Yoko, que a divide em duas dando a outra metade a John, em uma met\u00e1fora visual perfeita de como os dois passaram a ser indissoci\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre esse per\u00edodo no qual Paul se tornou o l\u00edder do grupo, Peter Jackson explica que a escolha do est\u00fadio de Twickenham partiu mais de uma iniciativa do baixista. O lugar em si n\u00e3o ia ser onde os quatro iriam gravar o disco, mas, sim, onde os ensaios aconteceriam. Mas, o mais empolgado com a ideia do projeto era, de fato, McCartney. &#8220;Eles se reuniram l\u00e1 em 02 de janeiro de 1969. Fazia muito frio e eles estavam naquele lugar imenso para ensaiar para um show que aconteceria dentro de mais ou menos 18 dias. E fica claro que Paul queria que aquilo acontecesse, mas, tamb\u00e9m, que John, George e Ringo estavam l\u00e1 por causa de Paul. Seus cora\u00e7\u00f5es n\u00e3o estavam t\u00e3o envolvidos quanto o de Paul. E ele meio que se sente como se estivesse arrastando esse trio pregui\u00e7oso atr\u00e1s dele. A cada dia que passa, eles precisam escrever essas can\u00e7\u00f5es, e o tempo \u00e9 limitado. Parte do problema \u00e9 que Paul \u00e9 muito ambicioso com o projeto, tipo pirado, mesmo. Eles criaram um problema para eles mesmos e Paul est\u00e1 assumindo a responsabilidade daquilo. Ele \u00e9 o cara que precisa dizer: &#8216;Pessoal, temos apenas mais oito dias, e s\u00f3 tr\u00eas m\u00fasicas prontas&#8217;, sabe? Ele \u00e9 o cara que precisa lembrar a todos que estamos nos perdendo aqui e precisamos entrar no eixo. Eu j\u00e1 estive nessa mesma posi\u00e7\u00e3o antes. De j\u00e1 ser quatro da tarde e ainda n\u00e3o ter terminado uma cena e precisar extravasar com a equipe no set. Eu entendo essa posi\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Peter Jackson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Houve sess\u00f5es em que, sim, Paul estava agindo um pouco como mand\u00e3o com todos, e tudo aquilo. Mas \u00e9 isso. Voc\u00ea pode cham\u00e1-lo de mand\u00e3o, de chefe, mas, sabe, eu sou um diretor, e eu espero que ningu\u00e9m me chame de mand\u00e3o (bossy), porque eu s\u00f3 estou fazendo aquilo cuja atribui\u00e7\u00e3o caiu sobre mim. Ent\u00e3o, vamos l\u00e1, pessoal. Falem comigo. Temos tempo. Isso n\u00e3o \u00e9 ser mand\u00e3o. Isso \u00e9 ser respons\u00e1vel. E Paul \u00e9 meio que o respons\u00e1vel ali. Ele quem est\u00e1 carregando o estresse daquilo. Porque ele quer que tudo que os Beatles fa\u00e7am seja fant\u00e1stico. Eles possuem um padr\u00e3o, sabe? E Paul sabe muito bem disso. Ele n\u00e3o quer que aquilo seja mais um \u2018Magical Mistery Tour\u2019. Ele quer os Beatles fazendo isso. Precisa ser fant\u00e1stico. E Paul est\u00e1 meio que estressando, pois se pergunta se aquilo vai ser mesmo o que ele espera que seja. Por isso est\u00e1 carregando consigo muito estresse&#8221;, explica o diretor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante da press\u00e3o de seguir um cronograma apertado de composi\u00e7\u00f5es em um projeto desafiador que os colocava juntos em um est\u00fadio diferente do aconchegante e habitual Abbey Road (como dito, Lindsay-Hogg iniciou a capta\u00e7\u00e3o de suas imagens no imenso, \u00e1spero e frio Twickenham Studios, nos arredores de Londres) e que tinha como \u00e1pice um mal planejado show ao vivo que representaria o retorno dos rapazes aos palcos ap\u00f3s tr\u00eas anos, o processo de cria\u00e7\u00e3o das novas faixas foi complicado. Tais momentos contaram com situa\u00e7\u00f5es de tens\u00e3o entre eles (como aquele j\u00e1 not\u00f3rio e trazido no \u201cAnthology\u201d, quando vemos George dizendo a Paul: &#8220;Toco o que voc\u00ea quiser que eu toque. Ou nem toco se voc\u00ea mandar&#8221;), mas, para al\u00e9m disso, somando-se ao descarte da ideia de se ensaiar naquele galp\u00e3o frio e a acertada decis\u00e3o de ir para o pr\u00e9dio localizado em Saville Row, Londres, no qual funcionava a Apple Corps, muito da cumplicidade e afeto entre eles p\u00f4de ser recuperado. Depois do \u201c\u00c1lbum Branco\u201d (1968), gravado quase que individualmente pelos quatro em salas diferentes de capta\u00e7\u00e3o, o ambiente novo do Twickenham n\u00e3o foi a melhor escolha na busca de se recuperar a citada cumplicidade e o calor humano daqueles quatro amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante frisar que neste momento citado acima, no qual George fala para Paul sobre fazer suas vontades, aquilo foi dito, como bem capta a c\u00e2mera, sem um tom de voz elevado e sem estarem em um ambiente hostil verbalmente. &#8220;Para come\u00e7ar, nas imagens que tive acesso, estamos falando de um per\u00edodo miser\u00e1vel da banda. Per\u00edodo de conflito, discuss\u00f5es entre eles, e a c\u00e2mera est\u00e1 filmando tudo. Mas em nenhum momento das mais de 150 horas de imagens vi qualquer um deles dizer alguma palavra raivosa ao outro. Claro que tem esse momento com George e Paul, mas ele n\u00e3o est\u00e1 gritando ou xingando Paul. Ele est\u00e1 um pouco irritado. Mas n\u00e3o h\u00e1 um momento sequer no qual eles est\u00e3o realmente agressivos uns com os outros. Suas amizades apenas passam por aquilo&#8221;, pontua Peter Jackson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dos \u00e2nimos aflorados em alguns momentos, o diretor frisa sua surpresa ao observar o comportamento de John Lennon nas filmagens. &#8220;Se voc\u00ea pensa na vers\u00e3o do John Lennon dos anos 1960, em \u2018A Hard Day&#8217;s Night\u2019 (1964), aqueles coletivas de imprensa, ele cantando e essas coisas, aquilo lhe d\u00e1 um senso de quem \u00e9 John Lennon. Nos anos 1970, voc\u00ea tem o John ativista, algu\u00e9m meio com raiva, nervoso, \u2018Gimme Some Truth\u2019, aquela fase com Phil Spector. John como algu\u00e9m de temperamento curto, acho que podemos cham\u00e1-lo assim. Mas esse n\u00e3o \u00e9 o John que voc\u00ea tem nas filmagens aqui. N\u00e3o tem nada a ver com o John que aparece nas sess\u00f5es. Ele \u00e9 engra\u00e7ado, relaxado, maravilhosamente paciente, realmente amig\u00e1vel e sem nunca levantar a voz. Nenhuma palavra nervosa vem de John. E isso eu nunca esperava. Ver que Paul est\u00e1 estressado machuca John. Isso voc\u00ea percebe nos closes no rosto de Lennon. Ele est\u00e1 dizendo: &#8216;Jesus, preciso ajudar Paul.&#8217; Ele quer ajudar Paul, sabe? Seu tom de voz \u00e9 baixo. Ele conversa com Paul de forma am\u00e1vel e paciente. E quando ele pode, ele \u00e9 muito engra\u00e7ado. Ele \u00e9 brincalh\u00e3o. \u00c9 meio palha\u00e7o. Muito engra\u00e7ado. Isso me surpreendeu. Eu estava esperando algo nervoso de John. Algo como as sess\u00f5es do \u2018Imagine\u2019, aquele document\u00e1rio. Aquilo n\u00e3o aparece em momento algum no nosso filme&#8221;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a pr\u00e9via disponibilizada do filme, observar esse John Lennon mais am\u00e1vel e sem deixar aflorar suas feridas diante das c\u00e2meras, fez Peter Jackson pensar no modo como Paul McCartney se referia ao amigo em diversas entrevistas no decorrer dos anos e como essa impress\u00e3o se confirmou ao acessar as imagens. &#8220;Ele (Paul) sempre falou dele como sendo um cara am\u00e1vel. Escutei isso por anos. E eu sempre penso: &#8216;ok, voc\u00ea o conheceu melhor que ningu\u00e9m.&#8217; (Mas) Eu nunca vi um John am\u00e1vel. Eu vi um John engra\u00e7ado, sarc\u00e1stico, tudo aquilo. Nunca vi um John realmente am\u00e1vel. E eu disse isso para Paul. Disse que estava feliz por termos o John am\u00e1vel no filme. E ele me disse: &#8216;Sim. Aquele era o cara. Aquele era o cara de quem eu falava'&#8221;, relembra Peter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o John que vemos nas imagens est\u00e1 passando por um per\u00edodo dif\u00edcil que ainda \u00e9 recente. Peter Jackson explica: &#8220;Ele tem essa fase pessoal dif\u00edcil. Em alguns dias, ele aparece depois de ter ficado acordado a noite inteira fazendo o que n\u00e3o devia. Ele est\u00e1 um pouco desequilibrado quimicamente. Ele est\u00e1 tendo problemas pessoais na vida. Mas na maioria das vezes, ele \u00e9 bem profissional. Ele realmente est\u00e1 comprometido e decide ajudar Paul. N\u00e3o sei se aquela \u00e9 uma decis\u00e3o consciente. Depois que George decide ir embora e depois volta, voc\u00ea sente que John agora est\u00e1 dizendo: &#8216;Bom, eu entendo o que Paul quer que aconte\u00e7a'&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-63314\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/georgeharrison.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"499\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/georgeharrison.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/georgeharrison-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GEORGE COMPOSITOR E \u201cLET IT BE\u201d<\/strong><br \/>\nNesta lembran\u00e7a do fato de que George decidiu ir embora, mas acabou sendo convencido a voltar, \u00e9 v\u00e1lido lembrar que, na presen\u00e7a de Harrison, temos um ex\u00edmio guitarrista e um compositor em ascens\u00e3o, mas que ainda tem como parceiros na escrita a dupla Lennon &amp; McCartney. Assim, era natural que ele ficasse nervoso diante da possibilidade de apresentar o seu pr\u00f3prio material de composi\u00e7\u00e3o, mesmo ap\u00f3s \u201cTaxman\u201d, \u201cI Need You\u201d e \u201cWhile My Guitar Gently Weeps\u201d e outras terem comprovado seu talento. &#8220;Uma coisa que amo em George aqui, e que eu n\u00e3o havia percebido muito bem at\u00e9 que assisti \u00e0s imagens, e talvez seja s\u00f3 algo relacionado com a reputa\u00e7\u00e3o de 1969, \u00e9 que quando eles se mudam para Saville Row, eles come\u00e7am a gravar m\u00fasicas como \u2018Don\u00b4t Let Me Down\u2019, \u2018Get Back\u2019, \u2018Dig Pony\u2019, e quando eles dois (John e Paul) est\u00e3o trabalhando nessas faixas, George est\u00e1 realmente comprometido com eles. Ele \u00e9 o mais falante. Quase que mais ainda que John e Paul quando est\u00e1 sugerindo coisas. &#8216;N\u00f3s poder\u00edamos, sabe, mudar esse acorde, ou fazer isso com o solo&#8217;, coisas assim, sabe? George est\u00e1 completamente comprometido com as m\u00fasicas de Paul e John. Em torn\u00e1-las boas. E eu estava esperando mais de George uma postura tipo,&#8217;farei o que voc\u00ea quiser que eu fa\u00e7a&#8217;. Mas ele se joga sobre as can\u00e7\u00f5es de John e Paul. E o estranho \u00e9 que quando s\u00e3o as suas pr\u00f3prias m\u00fasicas, ele fica um pouco mais nervoso. Ele tem mais confian\u00e7a em sugerir coisas para as m\u00fasicas dos outros dois. Quando se trata das suas pr\u00f3prias composi\u00e7\u00f5es, ele fica&#8230; bom, eu acho que \u00e9 uma coisa do ser humano. Voc\u00ea pode julgar muito melhor o trabalho dos outros do que o seu pr\u00f3prio. E temos essa sensa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade quando George oferece suas pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es. Ele est\u00e1 bem nervoso. Mas ele tem essas can\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas, mas quando se trata das can\u00e7\u00f5es de John e Paul, ele realmente se compromete&#8221;, salienta Peter Jackson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A faixa t\u00edtulo do disco lan\u00e7ado em 1970 \u00e9 um exemplo claro dessa sintonia, conforme explica Peter. &#8220;Quando Paul come\u00e7a a tocar \u2018Let it Be\u2019 pela primeira vez, voc\u00ea v\u00ea os rapazes escutando. E tem aquela reputa\u00e7\u00e3o antiga em rela\u00e7\u00e3o a John Lennon odiar a m\u00fasica, dela ser basicamente de Paul apenas, e ser uma merda feita por Paul, e todo esse tipo de coisa que foi dito. Mas quando voc\u00ea assiste, tudo fica dito em sil\u00eancio. Voc\u00ea olha para George e Ringo, e em suas express\u00f5es, eles est\u00e3o pensando: &#8216;essa \u00e9 uma grande can\u00e7\u00e3o&#8217;. E era uma m\u00fasica fant\u00e1stica que Paul havia escrito. Claro que \u00e9 Paul sentimentalizando coisas, mas \u00e9 \u00f3tima. E John, Ringo e George realmente se comprometem com Paul para ajud\u00e1-lo a criar \u2018Let it Be\u2019.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o baterista, Peter Jackson o define com uma frase: &#8220;Ringo is a Brock&#8221;. A express\u00e3o em ingl\u00eas, que possui diversos significados, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/07\/especial-ringo-starr-80-anos-por-joao-barone\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">define perfeitamente Richard Starkey<\/a> como um sujeito am\u00e1vel, presente, capaz de suavizar ambientes e fazer valer sua presen\u00e7a calma e apaziguadora entre aquelas pessoas com quem ele vivia e trabalhava. Mas, tamb\u00e9m, funciona como um pilar. &#8220;Eu conversei com ele sobre isso. Sobre ser isso que eu sentia dele. George e John podiam ficar brincando no est\u00fadio, tocando coisas como \u2018Peggy Sue\u2019, e depois passavam para \u2018Don\u00b4t Let me Down\u2019. E quando eles estavam tocando algo de Buddy Holly ou de Chuck Berry, assim do nada, eles esperavam que a bateria os acompanhasse. Voc\u00ea meio que tem aquela impress\u00e3o: &#8216;ser\u00e1 que o pobre do Ringo n\u00e3o conseguia relaxar por um momento?&#8217; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/07\/especial-ringo-starr-80-anos-por-charles-gavin\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ele \u00e9 um grande baterista<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E seu trabalho era, assim que algu\u00e9m come\u00e7asse a tocar algo, ele j\u00e1 deveria estar l\u00e1 com uma batida de bateria para acompanhar de imediato. Foi isso que Ringo me falou. E ele disse que, ao final de cada dia, estava exausto. Porque ele n\u00e3o sabia o que iria acontecer. Ele tinha que entregar a eles uma batida. Eu n\u00e3o sei nada da particularidade de m\u00fasicos, mas ele, para mim, parece um baterista fant\u00e1stico. E eu amo aqueles \u00e2ngulos de c\u00e2mera com ele. H\u00e1 \u00e2ngulos que eu nunca tinha visto. Normalmente, sempre temos aqueles \u00e2ngulos com John e Paul e tudo mais, e Ringo est\u00e1 meio que l\u00e1 sendo filmado enquanto toca. Mas, dessa vez, temos a c\u00e2mera sobre seu ombro, e ele est\u00e1 fazendo todas aquelas coisas de bateria, e voc\u00ea est\u00e1 bem ali com Ringo. E eu amo isso. Nunca havia visto Ringo ser filmado dessa forma. \u00c9 fant\u00e1stico&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mudan\u00e7a para Saville Row \u00e9 salientada por Peter Jackson como sendo um ponto de virada na atmosfera entre os quatro m\u00fasicos. &#8220;Eles estavam no Twickenham e a sensa\u00e7\u00e3o era de que Paul n\u00e3o tinha uma vis\u00e3o geral de todo o projeto. Era meio como: &#8216;estamos aqui, estamos ensaiando, vai haver tipo um show. E n\u00f3s estamos congelando aqui. Acordamos de manh\u00e3 e voc\u00eas est\u00e3o aqui. Ok, \u00f3timo.&#8217; Mas quando eles se veem ensaiando em Saville Row, s\u00e3o as mesmas m\u00fasicas, ainda est\u00e3o tocando ao vivo, mas todos eles se empolgam e de repente todos os quatro est\u00e3o juntos. E ent\u00e3o John, Paul, George e Ringo pensam: &#8216;Bom, isso pode ser realmente algo bom.&#8217; Sabe, foi preciso que eles fossem para Saville Row para que entendessem que estavam se divertindo. E tudo muda, pois Paul n\u00e3o precisava mais ficar pagando de chefe, pois todos tinham embarcado no projeto naquele ponto&#8221;, explica Jackson.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-63317\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/letitbesessions.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/letitbesessions.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/letitbesessions-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>TIMING EQUIVOCADO<\/strong><br \/>\nEssa impress\u00e3o sedimentada no decorrer dos \u00faltimos 50 anos de que todo o per\u00edodo de grava\u00e7\u00e3o do \u201cLet it Be\u201d seria uma fase miser\u00e1vel e de sofrimento, vem muito do timing de lan\u00e7amento do filme um ano e meio ap\u00f3s sua capta\u00e7\u00e3o e a coincid\u00eancia de chegar ao p\u00fablico exatamente quando os quatro decidiram efetivamente encerrar a banda. Mas \u00e9 preciso refletir o fato de que aquelas quatro pessoas estavam vivendo juntas h\u00e1 quase 15 anos, desde meados dos anos 1950, buscando trabalhar com m\u00fasica, viajando juntos; dividindo quartinhos; vans congelantes pelas estradas da Inglaterra; palcos de inferninhos na Alemanha; segurando a barra de cada negativa recebida antes do sucesso avassalador que come\u00e7aria a vir a partir de 1962. E mesmo ap\u00f3s isso, n\u00e3o se tornou t\u00e3o mais f\u00e1cil. Amigos que convivem por tanto tempo juntos, uma hora ou outra v\u00e3o brigar. Aquelas eram pessoas que cresceram juntas, mas que, invariavelmente, uma hora precisariam das suas individualidades. Mas isso n\u00e3o significava que apenas tens\u00f5es existiram naquele final de suas trajet\u00f3rias juntos como uma banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Peter Jackson explica que, ao mergulhar no material bruto captado por Lindsay-Hogg, constatou exatamente esse fato. Que a reputa\u00e7\u00e3o daquele per\u00edodo final dos Beatles n\u00e3o vinha de janeiro de 1969, quando as imagens do \u201cLet it Be\u201d foram captadas, mas, sim, de maio de 1970, quando, realmente, n\u00e3o representava a melhor fase dos quatro em termos de harmonia entre si. &#8220;Ao assistir \u00e0s imagens, eu ficava rindo. Eu n\u00e3o acreditava no que estava vendo. Paul compondo \u2018Get Back\u2019! Deus, era incr\u00edvel. Passei 22 dias assistindo e era apenas metade do material. E, claro, coisas aconteciam. George decide sair em certo est\u00e1gio, mas aquilo \u00e9 algo que acontece. N\u00e3o significa que eram os Beatles se separando. Era apenas algo que eles precisavam trabalhar. \u00c9 apenas vida. Aquele era um projeto provavelmente ambicioso demais e as coisas poderiam desandar. E, sim, isso acontece. Eu fiquei pensando: &#8216;Bom, isso \u00e9 uma estranha distor\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e da Hist\u00f3ria, porque a reputa\u00e7\u00e3o ruim vem n\u00e3o daquele come\u00e7o de 1969, mas de maio do ano seguinte'&#8221;, salienta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que diretor traz aqui \u00e9 uma pertinente an\u00e1lise do citado timing infeliz que o lan\u00e7amento, mais de um ano depois das filmagens, trouxe para \u201cLet it Be\u201d, o filme de Michael Lindsay-Hogg. &#8220;Em abril de 1970, todo mundo estava lendo not\u00edcias sobre a separa\u00e7\u00e3o dos Beatles. Ent\u00e3o, eles v\u00e3o assistir a esse filme, que \u00e9 um doc com capta\u00e7\u00e3o estilo &#8216;mosca na parede&#8217;, e todos assumem que, ali, est\u00e3o assistindo os Beatles se separando. Isso por causa das manchetes, e da chamada do filme como um &#8216;\u00edntimo olhar dos Beatles&#8217;. Eles estavam impondo as manchetes de abril de 1970 a um filme que o p\u00fablico assistiu no m\u00eas seguinte, em maio. E aquela reputa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com \u2018Let it Be\u2019. Eu assisti ao filme recentemente. E n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim. N\u00e3o \u00e9 o que todo mundo diz, sabe? O filme \u00e9 bom. Se tem um problema com ele, \u00e9 o seu timing. Michael Lindsay-Hogg fez um filme que n\u00e3o merece a reputa\u00e7\u00e3o que tem apenas por causa da ocasi\u00e3o em que ele terminou sua p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, que foi quando os Beatles estavam se separando&#8221;, pontua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda em rela\u00e7\u00e3o ao modo como o per\u00edodo de capta\u00e7\u00e3o de Lindsay-Hogg ficou marcado como uma fase de espinhos entre eles, Peter Jackson volta a comentar aquele famoso momento entre George e Paul, quando o primeiro diz que, sobre tocar, ele seguir\u00e1 as ordens do segundo seja l\u00e1 quais elas forem. &#8220;Eu falei sobre Paul ter agido de forma mandona, meio \u2018bossy\u2019 para com os outros. Tudo est\u00e1 l\u00e1 nas imagens. Esse momento de George e Paul, em Let it Be, dura um minuto. Falei com Paul ao telefone sobre isso. Disse a ele que ter\u00edamos aquele momento no filme. Disse a ele que ia manter, porque, sen\u00e3o, seria acusado de whitewash, de querer suavizar. Mas eu expliquei a ele que, em \u2018Let it Be\u2019, aquele momento dura um minuto, mas que, agora, eu iria colocar dez minutos daquela conversa. E que isso iria coloc\u00e1-la dentro do contexto. Mas n\u00e3o tem nada a ver com melhorar a imagem de Paul&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-63318\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/billypreston.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"526\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/billypreston.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/billypreston-300x210.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/billypreston-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AM\u00c1VEL BILLY PRESTON<\/strong><br \/>\nOs mitos e hist\u00f3rias por tr\u00e1s daqueles dias que culminaram com o concerto no telhado s\u00e3o muitos. Um deles \u00e9 aquele que afirma que o tecladista Billy Preston, cuja participa\u00e7\u00e3o em algumas faixas do disco \u201cLet it Be\u201d e a sua presen\u00e7a nas sess\u00f5es do \u201cGet Back\u201d foram proporcionadas na inten\u00e7\u00e3o de acalmar os \u00e2nimos e fazer John, Paul, George e Ringo &#8220;se comportarem&#8221; entre si por causa de algu\u00e9m lhes fazer uma visita. Possivelmente pela conhecida ideia de que George Harrison havia convidado Eric Clapton para tocar na grava\u00e7\u00e3o de \u201cWhile My Guitar Gently Weeps\u201d, durante a cria\u00e7\u00e3o do \u201c\u00c1lbum Branco\u201d, para que sua presen\u00e7a suavizasse aquelas sess\u00f5es individuais, a presen\u00e7a de Billy em Saville Row durante o \u201cLet it Be\u201d tenha seguido pela mesma err\u00f4nea impress\u00e3o. &#8220;Billy estava em Londres naquela ocasi\u00e3o para participar de alguns programas de TV. Ele n\u00e3o estava na cidade por causa dos shows que fez acompanhando Ray Charles. Isso havia sido no ano anterior. N\u00e3o aconteceu essa hist\u00f3ria de que George havia ido ao show encontrar com Billy e convidando-o para aparecer pedindo ajuda no sentido de \u2018faz\u00ea-los se comportar\u2019. N\u00e3o foi isso. Billy apenas foi visit\u00e1-los para dar um oi. John Lennon o puxa e Billy ainda est\u00e1 de casaco. John diz: &#8216;Ei, mano, a gente precisa de um tecladista. Estamos fazendo essa parada ao vivo e se um de n\u00f3s formos para o teclado, vamos perder uma guitarra. Tem um teclado ali. Voc\u00ea quer encarar e nos dar uma m\u00e3o?&#8217; E Billy n\u00e3o tem nem mesmo chance de tirar seu casaco e j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1 fazendo o solo de \u2018Don&#8217;t Let me Down\u2019&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de n\u00e3o estar ali intencionalmente visando &#8220;supervisionar comportamentos alheios&#8221;, \u00e9 palp\u00e1vel o modo como a energia positiva da presen\u00e7a de Billy age no ambiente. &#8220;Quando comecei a assistir \u00e0s imagens, eu fiquei ansioso pelo momento em que Billy apareceria. Porque amo Billy. Assim, n\u00e3o conhe\u00e7o muito de sua carreira. Sabia que ele estava envolvido nisso, obviamente, mas, por exemplo, eu n\u00e3o tenho um disco dele. N\u00e3o me considero um aficionado por Billy Preston&#8221;, explica Jackson. &#8220;Mas assistindo \u00e0s imagens dele, voc\u00ea se encanta. Ele \u00e9 uma alma t\u00e3o gentil e bonita. E t\u00e3o talentoso. N\u00e3o sou m\u00fasico, mas quando ele senta ao teclado e meio que apenas come\u00e7a a tocar, ele acerta aqueles solos de primeira. E a\u00ed voc\u00ea meio que pensa: &#8216;Voc\u00ea n\u00e3o teria que ensaiar? Voc\u00ea vai fazer isso de primeira? &#8216; E, sim, ele vai! Eu s\u00f3 conseguia pensar no m\u00fasico incr\u00edvel que ele era. Eu amo Billy. E eles o amam, tamb\u00e9m. No momento em que ele come\u00e7a a tocar, voc\u00ea sente a energia no lugar aumentando. Por isso n\u00e3o acredito nesse papo j\u00e1 falado tantas vezes de que Billy estava l\u00e1 para faz\u00ea-los se comportar&#8221;, pontua o diretor.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-63319\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/yoko.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/yoko.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/yoko-300x187.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>YOKO E JOHN<\/strong><br \/>\nH\u00e1, claro, aquele clich\u00ea que se consolidou como um previs\u00edvel lugar comum em diversas abordagens sobre a hist\u00f3ria dos Beatles: Yoko Ono como sendo o piv\u00f4 para desestabiliza\u00e7\u00f5es e catalisador para o t\u00e9rmino da banda. Bom, hoje, sabemos n\u00e3o ser verdade. Como dito antes, aqueles quatro rapazes haviam crescido juntos, passando metade das suas vidas como companhias constantes. Em algum momento, as pr\u00f3prias individualidades iriam aflorar. No caso de John, sua paix\u00e3o avassaladora e amor por Yoko representavam uma vontade de estar com ela 24h do seu dia. E nada era mais justo do que aquilo como algo que representaria sua pr\u00f3pria felicidade. Yoko j\u00e1 havia estado continuamente junto a John desde as grava\u00e7\u00f5es do \u201c\u00c1lbum Branco\u201d .A banda j\u00e1 estava acostumada a t\u00ea-la ao seu lado. Por\u00e9m, no decorrer das \u00faltimas cinco d\u00e9cadas, a premissa de que sua presen\u00e7a nas grava\u00e7\u00f5es do \u201cLet it Be\u201d era algo a criar a tens\u00e3o que quebrou aquela banda naqueles dias de janeiro de 1969 \u00e9 o tipo de mito a ser derrubado no document\u00e1rio dirigido por Peter Jackson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 interessante observar que quando voc\u00ea \u00e9 famoso como s\u00e3o os Beatles, tudo que \u00e9 reportado e escrito sobre isso se torna um mito no decorrer do tempo. \u00c9 algo meio preto no branco, sabe? Com Yoko se tornou algo assim: &#8216;ou ela n\u00e3o estava no est\u00fadio, ou ela estava l\u00e1 para separar a banda&#8217;. \u00c9 sempre uma coisa ou outra (risos)&#8221;, brinca Peter. &#8220;A verdade, no entanto, \u00e9 muito mais complexa do que isso. Yoko est\u00e1 ali porque John e ela est\u00e3o apaixonados um pelo outro. John sai de manh\u00e3 para ir trabalhar e n\u00e3o quer dizer tchau e ficar sem v\u00ea-la por oito horas. Ele est\u00e1 ali com sua banda, se quiser t\u00ea-la junto a ele, por que n\u00e3o?&#8221;, questiona Jackson. &#8220;Por isso, l\u00e1 estava Yoko. E os outros, claro, talvez eles preferissem que ela n\u00e3o estivesse ali? Talvez. Mas eles amam John. Se \u00e9 isso que ele quer, ent\u00e3o est\u00e1 tudo bem. Mas o detalhe mais cr\u00edtico com Yoko, e que acho que precisa se reconhecido, \u00e9 que ela n\u00e3o interferia com o que eles estavam fazendo. Ela n\u00e3o ficava nos ensaios buzinando os outros tr\u00eas e dizendo: &#8216;Oh, eu acho que aquele solo devia ser mais r\u00e1pido&#8217;. Ela nunca interferia. Sentava-se l\u00e1, tricotava, escrevia, fazia sua arte. Ela estava l\u00e1 com John. Ela nunca interferia&#8221;, salienta Jackson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 pertinente observar que, conhecendo o hist\u00f3rico de John Lennon nos anos a partir da fase do literal pedido de socorro em \u201cHelp!\u201d (1965), passando pelas experimenta\u00e7\u00f5es musicais e qu\u00edmicas de \u201cRubber Soul\u201d (1965) e \u201cRevolver\u201d (1966); a perda de Brian Epstein; o div\u00f3rcio com Cynthia acontecendo logo em seguida ao come\u00e7o de seu romance com Yoko; a fase junkie, quando se envolveu com drogas mais pesadas como hero\u00edna; o per\u00edodo \u201cSgt. Pepper&#8217;s\u201d (1967) e White Album (1968), Yoko sempre funcionou como um porto seguro para o atormentado e fr\u00e1gil m\u00fasico. Ela o salvou. Literalmente. Assim, sua depend\u00eancia afetiva para com Yoko e o modo como ela correspondia \u00e0quele amor, era crucial para John funcionasse como m\u00fasico. Sem ela, a partir do momento em que eles se conheceram at\u00e9 sua precoce morte menos de 15 anos depois do primeiro encontro na galeria com a lupa, a palavra &#8220;yes&#8221; e a escada, n\u00e3o haveria o artista John Lennon como conhecemos. Muito menos o homem, o ser humano, repleto de talento, mas, tamb\u00e9m, com muitas fraquezas e falhas, por\u00e9m, com uma vontade urgente de melhorar como pessoa. E a presen\u00e7a de Yoko, naquele momento, significava muito dessa vontade. E ela sabia dessa sua import\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ela era muito respeitosa com todos eles. Nunca tentava interromper ou dar uma opini\u00e3o sobre o que eles faziam, sabe? Eles (ela e John) eram seres humanos. E isso, na verdade, \u00e9 amor. Ela est\u00e1 l\u00e1 porque ama John e John a ama. E os outros caras sabem disso. Isso \u00e9 um pouco duro em um mundo diferente, mas eles entendem aquilo. Eles n\u00e3o t\u00eam uma atitude contra ela. Nas oito horas desse document\u00e1rio, voc\u00ea vai ter um senso de realidade bem forte da hist\u00f3ria real&#8221;, explica o diretor.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-63320\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/pauljohn.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/pauljohn.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/pauljohn-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00c1QUINA DO TEMPO<\/strong><br \/>\nJunto \u00e0s quest\u00f5es afetivas da banda, bem como as relacionadas ao timing no qual o filme de Michael Lindsay-Hogg foi lan\u00e7ado em 1970, h\u00e1 tamb\u00e9m um outro detalhe a ser observado no que se refere ao modo como o p\u00fablico teve acesso ao document\u00e1rio \u201cLet it Be\u201d h\u00e1 50 anos: o aspecto t\u00e9cnico da capta\u00e7\u00e3o do diretor em 1969, cujas imagens foram registradas em 16mm. Peter Jackson aborda esse processo de transfer\u00eancia do filme para 35mm e em como isso impactou tanto naquele per\u00edodo quanto no seu pr\u00f3prio projeto \u201cThe Beatles &#8211; Get Back\u201d. &#8220;A transfer\u00eancia do filme de Michael Lindsay-Hogg de 16mm para 35mm n\u00e3o foi muito boa em 1970. Ficou com muito granulado e um visual escurecido. Esse visual, junto \u00e0s manchetes da separa\u00e7\u00e3o da banda em abril de 1970, ajudou a criar essa reputa\u00e7\u00e3o&#8221;, opina. A pr\u00e9via de pouco mais de 40 minutos disponibilizada do novo document\u00e1rio, por\u00e9m, nos d\u00e1 uma impress\u00e3o cristalina de imagem e som. Essa meta tinha algo a ver com uma fantasia pessoal do pr\u00f3prio Peter Jackson em sonhar poder estar presente nos anos 1960 vendo pessoalmente a banda em est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Esse processo tinha sido algo pelo qual, de v\u00e1rias formas, j\u00e1 hav\u00edamos passado antes. Fizemos um document\u00e1rio sobre a Primeira Guerra Mundial chamado \u2018Eles N\u00e3o Envelhecer\u00e3o\u2019 (2018) e trabalhamos com imagens que tinham 100 anos de idade e que estavam em estado deplor\u00e1vel. Tentamos torn\u00e1-las modernas e de qualidade o m\u00e1ximo que pudemos. Nesse processo, desenvolvemos softwares e c\u00f3digos. Ent\u00e3o, quando chegou a hora de colocarmos os negativos em 16mm das sess\u00f5es \u2018Get Back\u2019 na nossa moviola, era algo que j\u00e1 t\u00ednhamos feito antes. Claro que aqui voc\u00ea est\u00e1 lidando com cores, e n\u00e3o com preto e branco. Eu queria tornar aquelas imagens cristalinas. Sendo um f\u00e3 dos Beatles, sempre fantasiei que algu\u00e9m inventasse uma m\u00e1quina do tempo. Se me perguntassem para onde eu iria, eu ia responder para os anos 1960. N\u00e3o sei exatamente o dia, teria que pensar um pouco. Mas eu iria para o est\u00fadio dos Beatles e apenas ia ficar l\u00e1 no canto, sentado, sem interferir. Apenas os observando trabalhar. Essa seria minha fantasia de viagem do tempo. Assim, tendo essas imagens, eu queria que todo mundo sentisse a mesma coisa. Essa \u00e9 a raz\u00e3o de eu n\u00e3o ter colocado nenhuma entrevista moderna. Eu n\u00e3o queria Ringo e Paul lembrando o que havia acontecido. Eu n\u00e3o queria tornar esses 50 anos passados um elemento no filme. Eu queria que a gente viajasse 50 anos no tempo, e que eles viessem e nos levassem pelo resto do caminho. Assim, eu n\u00e3o queria que a pel\u00edcula atrapalhasse. Eu n\u00e3o queria o granulado. Nada disso. Eu s\u00f3 queria que parecesse quase como se n\u00f3s estiv\u00e9ssemos l\u00e1 com eles, sem nenhum ru\u00eddo de filme no caminho&#8221;, explica Peter Jackson em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro aspecto desse processo t\u00e9cnico crucial, claro, vem do som. Para isso, a performance da equipe liderada por Peter Jackson \u00e9 ainda mais surpreendente tanto no que se refere ao resultado final quanto ao modo como aquilo foi alcan\u00e7ado. &#8220;O \u00e1udio foi uma grande quebra de barreiras. N\u00e3o sei se voc\u00ea j\u00e1 chegou a ouvir um bootleg das sess\u00f5es do \u2018Get Back\u2019. Eu costumava comprar pilhas e pilhas deles. Eu ainda compro essas coisas. Mas as sess\u00f5es do \u2018Get Back\u2019 eram intermin\u00e1veis. E voc\u00ea tentava ouvir as conversas, mas o som das guitarras ficava atrapalhando. E isso irritava quando voc\u00ea queria ouvir o que eles diziam, pois o som dos instrumentos ficava na frente. N\u00f3s temos essas fitas Nagra em mono que a equipe estava gravando. E \u00e9 bem frustrante. A coisa mais frustrante em rela\u00e7\u00e3o a todo esse projeto no come\u00e7o era o \u00e1udio. Era algo como: &#8216;Ok, \u00e9 fant\u00e1stico, mas, Deus, eu queria ouvir o que eles est\u00e3o dizendo'&#8221;, relembra o cineasta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solu\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, veio de um processo genial dentro do dom\u00ednio da tecnologia. &#8220;Aqui na Nova Zel\u00e2ndia, temos um pessoal bem inteligente. Eles desenvolveram um programa de intelig\u00eancia artificial. Um programa de aprendizagem no qual pod\u00edamos pegar essa fita mono, digitalizar, colocar no computador e ensin\u00e1-lo qual \u00e9 o som da guitarra. Ensin\u00e1-lo qual \u00e9 o som da voz humana. Ensin\u00e1-lo qual \u00e9 o som da bateria. Ent\u00e3o, os rapazes est\u00e3o tocando, e o som das guitarras e da bateria est\u00e1 afogando os vocais, e \u00e9 tudo meio misturado e confuso. E ent\u00e3o podemos pedir apenas o som da guitarra. Ou ent\u00e3o voc\u00ea v\u00ea Ringo tocando, mas n\u00e3o d\u00e1 para ouvir o que ele diz. Ou ent\u00e3o eles est\u00e3o cantando, mas est\u00e3o apenas movimentando os l\u00e1bios, e voc\u00ea tem essa bela trilha da guitarra. E voc\u00ea pode dizer: &#8216;D\u00ea-me apenas os vocais.&#8217; E voc\u00ea literalmente s\u00f3 tem os vocais. Ent\u00e3o, desenvolvemos essa tecnologia que nos permite &#8216;desmixar&#8217; e misturar todos os componentes dessas faixas em mono. Isso no permitiu equilibrar essas can\u00e7\u00f5es, especialmente nos primeiros registros em Twickenham. O \u00fanico \u00e1udio l\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um canal de 8 faixas sendo gravado. N\u00e3o \u00e9 um est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o. \u00c9 um ensaio. Por isso, s\u00f3 tem mesmo uma equipe de \u00e1udio do filme, e (a capta\u00e7\u00e3o) \u00e9 bem ruim&#8221;, explica Peter Jackson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a tecnologia alcan\u00e7ada pela equipe na Nova Zel\u00e2ndia, o cineasta chegou a um apuro t\u00e9cnico no som das sess\u00f5es que faz jus \u00e0 qualidade da m\u00fasica que estava sendo criada ali. Mas n\u00e3o somente a qualidade t\u00e9cnica da capta\u00e7\u00e3o precisa ser salientada aqui. O modo como todo o processo foi feito por Michael Lindsay-Hogg \u00e9 destacado por Peter Jackson. &#8220;Conseguimos equilibrar tudo e fazer soar com qualidade. Mas o que realmente trouxe isso (o equil\u00edbrio) \u00e9 que havia uma din\u00e2mica do que acontece. Os Beatles contrataram Michael Lindsay-Hogg. Eles est\u00e3o pagando todos os custos daquilo. Eles o contrataram para realizar uma grava\u00e7\u00e3o do tipo &#8216;mosca na parede&#8217; (fly on the wall footage) deles ensaiando. Depois que come\u00e7ou, eles se assustaram com todas as c\u00e2meras e microfones ao redor. No trailer, acho que voc\u00ea v\u00ea George perguntando: &#8216;voc\u00ea est\u00e1 nos gravando?&#8217; E a resposta \u00e9 meio, &#8216;bom, George, voc\u00ea contratou esse cara para vir com todo aquele equipamento. Claro que ele est\u00e1 gravando voc\u00eas.&#8217; De repente, eles meio que se assuntam. Porque nunca estiveram sob os holofotes daquela maneira. Ent\u00e3o, aquilo se torna uma batalha de \u00edmpetos na qual Michael Lindsay-Hogg est\u00e1 fazendo um favor ao mundo&#8221;, afirma Jackson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cineasta explica, ainda, que Lindsay-Hogg procurou meios de trabalhar seu registro de modo a captar o mais naturalmente poss\u00edvel aquelas quatro figuras. &#8220;Ele inventou maneiras inteligentes de film\u00e1-los sem que eles soubessem. Colocou as c\u00e2meras em trip\u00e9s, mas ao inv\u00e9s de ter um cara olhando pela lente e escutando os Beatles dizendo: &#8216;Oh, estamos sendo filmados, &#8216;ele fazia o operador apertar o bot\u00e3o para rodar o filme, e depois ele ia tomar um ch\u00e1. Cobria a luz vermelha da c\u00e2mera com fita adesiva e, assim, o Beatles olhavam para o trip\u00e9 e pensavam: &#8216;Ah, eles n\u00e3o est\u00e3o filmando. O cara est\u00e1 l\u00e1 tomando uma x\u00edcara de ch\u00e1. Certo. N\u00e3o est\u00e3o filmando. Podemos ter uma conversa confidencial&#8217;. Mas a verdade \u00e9 que Michael est\u00e1 filmando tudo, escondendo microfones em toda parte. E ent\u00e3o, o que eles fazem? Porque isso \u00e9 uma batalha de \u00edmpetos. Eles percebem que ele est\u00e1 na cola deles. Assim, quando eles come\u00e7am uma conversa, George e John principalmente, eles aumentam ao m\u00e1ximo o volume de capta\u00e7\u00e3o do microfone e come\u00e7am a dedilhar as guitarras. E quando v\u00e3o conversar, deliberadamente abaixam ao m\u00ednimo o volume de capta\u00e7\u00e3o do microfone de Michael. \u00c9 isso que voc\u00ea escuta nos bootlegs. Mas com essa tecnologia da &#8216;desmixa\u00e7\u00e3o&#8217; que n\u00f3s temos, al\u00e9m de limpar as can\u00e7\u00f5es, fomos capazes de nos livrar de todos os barulhos de guitarras e as conversas surgiram&#8221;, comemora Peter Jackson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de conseguir ter acesso a conversas que foram propositalmente encobertas pelos Beatles durante as grava\u00e7\u00f5es de um document\u00e1rio que eles mesmos autorizaram acontecer com a grava\u00e7\u00e3o fulltime de seu tempo em est\u00fadio \u00e9 algo que j\u00e1 torna \u201cThe Beatles &#8211; Get Back\u201d um banquete para qualquer f\u00e3. &#8220;Estamos revelando velhas conversas que foram propositalmente abafadas para que n\u00e3o escutassem e que nunca foram ouvidas antes. Isso nos permite ouvir os Beatles contando a hist\u00f3ria porque, como disse antes, eu n\u00e3o queria ter imagens modernas de pessoas contando a hist\u00f3ria. Eu s\u00f3 queria que eles fossem vistos. Assim, eles precisam contar a hist\u00f3ria estando em janeiro de 1969. E para fazer isso, voc\u00ea precisa ouvir as conversas. Porque eles est\u00e3o falando sobre coisas dando errado, sobre o que eles pretendem fazer. Eles contam a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Ao revelar essas conversas de maneira clara, somos capazes de t\u00ea-los contando a pr\u00f3pria hist\u00f3ria atrav\u00e9s desses 21 dias&#8221;, explica o cineasta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-63321\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Paul-e-John1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1145\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Paul-e-John1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Paul-e-John1-197x300.jpg 197w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PAUL E JOHN<\/strong><br \/>\nRecentemente, <a href=\"https:\/\/www.thetimes.co.uk\/article\/paul-mccartney-peter-jackson-on-beatles-documentary-break-up-82w8rf9dm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paul McCartney falou sobre o fato de como assistir ao document\u00e1rio<\/a>. fez com que ele mudasse seu modo de pensar sobre o t\u00e9rmino da banda. &#8220;Eu acho que Paul tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que, quando eles chegaram \u00e0s sess\u00f5es do \u2018Get Back\u2019, sua amizade com John havia entrado em colapso e se dissolvido. Que essa era a mem\u00f3ria que ele tinha do per\u00edodo. Mas \u00e9 aquilo que eu estava falando antes. Ele est\u00e1 lembrando do t\u00e9rmino da banda. Ele n\u00e3o est\u00e1 lembrando dos 50 meses anteriores. Porque Paul nos mostrou fotografias que Linda tirou em 1968 <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/artanddesign\/2019\/jun\/26\/paul-mccartney-on-lindas-best-photos-seeing-the-joy-between-me-and-john-really-helped-me\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">na qual ele e John est\u00e3o sentados juntos<\/a>. E ele disse que sempre amou aquela foto, pois ela mostra os dois trabalhando juntos. E quando ele me falou isso, eu lhe disse: &#8216;Paul, n\u00f3s temos 60 horas que s\u00e3o exatamente aquela fotografia. N\u00f3s temos aqueles caras amando a companhia um do outro, escrevendo juntos. Espere at\u00e9 voc\u00ea ver isso. Voc\u00ea vai pirar.&#8217; Vou te dizer algo sobre Paul. Sabe, todo mundo tem suas opini\u00f5es e atitudes, mas o que voc\u00ea precisa ver em Paul \u00e9 que ele estava vendo aquele cara, seu parceiro criativo, seu melhor amigo desde os 15 anos de idade&#8230; Paul est\u00e1 se tornando seu segundo parceiro criativo. Ele est\u00e1 vendo seu melhor amigo e parceiro criativo com outra pessoa. No caso, Yoko. E John est\u00e1 todo feliz lhe falando sobre os projetos que est\u00e1 fazendo com ela. E Paul lhe diz que acha \u00f3timo. Que aquilo \u00e9 \u00f3timo. E voc\u00ea meio que sente que seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 se despeda\u00e7ando. N\u00e3o de uma maneira petulante, mas de uma maneira honesta. N\u00e3o d\u00e1 para imaginar o qu\u00e3o doloroso aquilo deve ser. John estava mudando seus interesses e amor. Ele ainda amava Paul, mas, tamb\u00e9m, amava outra pessoa. \u00c9 algo bem emocional o que vemos. E bem interessante de se ver&#8221;, reflete Peter Jackson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre aquela foto em quest\u00e3o, na qual John e Paul est\u00e3o compondo juntos em 1968, muito daquele momento \u00e9, realmente, percept\u00edvel nos 42 minutos da pr\u00e9via disponibilizada de \u201cThe Beatles &#8211; Get Back\u201d. Peter Jackson traz, inclusive, algo que surpreendeu at\u00e9 Paul McCartney que n\u00e3o tinha qualquer lembran\u00e7a desse fato que aconteceu h\u00e1 52 anos. &#8220;Eu estava em uma reuni\u00e3o com Paul e lhe perguntei se ele lembrava da can\u00e7\u00e3o de John, \u2018Gimme Some Truth\u2019. Ele disse que sim, aquela do \u00e1lbum \u2018Imagine\u2019. Eu lhe perguntei: &#8216;voc\u00ea sabia que a co-escreveu junto com John?&#8217; Ele me olhou e perguntou do que eu estava falando. Ent\u00e3o, eu lhe mostrei umas imagens das sess\u00f5es do \u2018Get Back\u2019 nas quais John e ele estavam trabalhando nessa faixa. Paul veio com aquele trecho &#8216;money for hope&#8217;, que John adorou. Paul me olhou e disse que n\u00e3o tinha nenhuma mem\u00f3ria disso. Mas disse que sempre amou aquela m\u00fasica. &#8216;Se eu tiver algum cr\u00e9dito por ela, \u00f3timo!&#8217;, ele me disse (risos). &#8220;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-63322\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ringo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ringo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/ringo-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PAUL E RINGO, HOJE<\/strong><br \/>\nAo lidar com um material t\u00e3o precioso para tantas pessoas ao redor do mundo, um registro in\u00e9dito da banda mais popular da hist\u00f3ria da m\u00fasica pop, Peter Jackson sabia do peso dessa responsabilidade. Por\u00e9m, havia duas pessoas a quem ele precisava mostrar aquele trabalho pronto cujas opini\u00f5es eram ainda mais importantes: Paul McCartney e Ringo Starr. &#8220;Eles assistiram a uma vers\u00e3o que ainda n\u00e3o estava finalizada h\u00e1 alguns meses. Tinha seis horas de dura\u00e7\u00e3o. Os dois me mandaram algumas notas sobre o que viram&#8221;, explica Peter Jackson. &#8220;No decorrer dos anos, eles assistiram a alguns trechos daquelas grava\u00e7\u00f5es. Mas essa era a primeira vez que eles assistiriam a algo assim. Eu estava esperando um monte de notas de observa\u00e7\u00e3o. Isso por dois motivos. Um porque conversei com Michael Lindsay-Hogg durante todo esse per\u00edodo de produ\u00e7\u00e3o. E ele me deu todo suporte. Michael me contou sobre a experi\u00eancia que teve em 1969, quando estava montando o \u2018Let it Be\u2019. E lembre-se que ele editou o filme a partir de exatamente as mesmas imagens que eu editei. Ent\u00e3o, s\u00e3o basicamente 50 anos de separa\u00e7\u00e3o. Mas ele me disse: &#8216;Eu estava na sala de montagem, e Paul entrava e me pedia para fazer algumas coisas com as imagens. No dia seguinte, John vinha e me dizia para desfazer tudo o que Paul havia dito, pois ele queria que fosse feito assim. E depois vinha George&#8230; &#8216; E eu ouvindo aquilo de Michael ficava pensando que teria ficado louco. Mas eu estou aqui na Nova Zel\u00e2ndia, bem distante. E tamb\u00e9m, 50 anos depois, eles n\u00e3o s\u00e3o mais quem eles eram. Acho que eles conhecem a si mesmo. Porque depois de 50 anos sem deixar que ningu\u00e9m assistisse a essas imagens, eles finalmente deixaram ser exibidas. Acho que eles chegaram a um ponto de suas vidas no qual entenderam que a import\u00e2ncia hist\u00f3rica disso supera qualquer sentimento emocional. Isso \u00e9 um documento hist\u00f3rico da Rock and Roll. Isso \u00e9 Hist\u00f3ria. Precisa ser divulgado&#8221;, comemora Peter Jackson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cineasta neozeland\u00eas explica que, ao exibir o document\u00e1rio a Paul e Ringo, ficou na expectativa e receber muitas notas. &#8220;Lembro que quando fiz \u2018O Senhor dos An\u00e9is\u2019, a Warner me deu seis, sete p\u00e1ginas de notas. Algo como: &#8216;Isso \u00e9 muito longo.&#8217; Ent\u00e3o, eu estava esperando &#8216;algo beatle&#8217; como: &#8216;voc\u00ea pode cortar um pouco? Porque eu n\u00e3o acho que&#8230; &#8216; Sabe? Algo assim. Mas, ao inv\u00e9s disso, basicamente o que recebi foram vers\u00f5es de: &#8216;Foi muito estressante assistir. \u00c9 algo muito cru. Meu Deus! Mas \u00e9 uma hist\u00f3ria definitiva desse per\u00edodo, por isso n\u00e3o mude nada.&#8217;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Essa foi a primeira vez na minha vida que eu escutei um &#8216;n\u00e3o mude nada&#8217;. E voc\u00ea precisa dar o cr\u00e9dito a eles por isso. Porque eles est\u00e3o sendo muito corajosos em se expor com esse material cru. Qual a melhor forma de dizer isso? Eles nunca permitiram as pessoas verem os Beatles de modo t\u00e3o honesto antes. Isso requer coragem &#8220;, finaliza Peter Jackson.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Beatles: Get Back | Trailer Oficial Legendado | Disney+\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rfdkH2MGEmY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;Get Back&quot; Rooftop Performance | The Beatles: Get Back | Disney+\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/f3Ta3dNdVS8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Beatles: Get Back | Clipe \u201cI\u2019ve Got A Feeling\u201d | Disney+\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/d58r8KwKkkc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Watch The Beatles rehearsing \u201cDon\u2019t Let Me Down\u201d in &quot;The Beatles: Get Back&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/385eTo76OzA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Essa foi a primeira vez na minha vida que eu escutei um &#8216;n\u00e3o mude nada&#8217;. E voc\u00ea precisa dar o cr\u00e9dito a eles (Paul McCartney e Ringo Starr) por isso. Porque eles est\u00e3o sendo muito corajosos em se expor com esse material cru&#8221;, avisa Peter Jackson\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/24\/especial-the-beatles-get-back-peter-jackson-fala-sobre-o-mergulho-nas-imagens-ineditas-das-sessoes-do-let-it-be\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":63323,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[1157,4273,4272,1187,4274],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63312"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63312"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63312\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63330,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63312\/revisions\/63330"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63323"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}