{"id":63281,"date":"2021-11-22T14:29:20","date_gmt":"2021-11-22T17:29:20","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=63281"},"modified":"2022-01-18T22:18:16","modified_gmt":"2022-01-19T01:18:16","slug":"tres-perguntas-zoe-trio-fala-sobre-o-ep-cisma-e-bjork","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/22\/tres-perguntas-zoe-trio-fala-sobre-o-ep-cisma-e-bjork\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Zoe Trio fala sobre o EP &#8220;Cisma&#8221; e Bj\u00f6rk"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada no Rio de Janeiro em 2008, a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ZoeTrioMusica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zoe Trio<\/a> est\u00e1 de volta com trabalho novo, \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/cisma\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cisma<\/a>\u201d (2021), um EP de quatro faixas que est\u00e1 saindo via Selo Curva e cujo norte \u00e9 mais rock, enquanto os anteriores tendiam mais ao jazz e ao post rock experimental. \u201cEu estava h\u00e1 um tempo querendo fazer, por mais simpl\u00f3rio que pare\u00e7a, riffs\u201d, conta o guitarrista Paulo Grua na conversa abaixo feita por e-mail. \u201cEu amo Page, Iommi, Towshend&#8230; queria fazer ao menos um punhado de can\u00e7\u00f5es onde o riff seria o mais importante\u201d, completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As tr\u00eas lendas da guitarra elencadas por Paulo no primeiro par\u00e1grafo, no entanto, est\u00e3o longe de serem inspira\u00e7\u00e3o para um formato \u00f3bvio, muito pelo contr\u00e1rio: \u201cA obviedade \u00e9 inimiga da arte. Por isso a gente sempre tenta pegar m\u00fasicas que a gente gosta de ouvir, independentemente de ter \u2018a cara\u2019 do nosso som. Ali\u00e1s, isso contribui muito pra um dos nossos objetivos, que \u00e9 N\u00c3O fazer \u2018m\u00fasica para m\u00fasicos\u2019 (erro que muitos grupos instrumentais cometem)\u201d, vaticina o baixista Daniel Coelho (Diego Martins completa o trio na bateria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o EP \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/cisma\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cisma<\/a>\u201d, a cover escolhida foi da can\u00e7\u00e3o \u201cIsobel\u201d, presente no \u00e1lbum \u201cPost\u201d (1995), de Bj\u00f6rk, que surge aqui numa viagem incr\u00edvel de nove minutos. \u201cBj\u00f6rk \u00e9 um dos g\u00eanios (g\u00eanio mesmo, no sentido real da palavra) n\u00e3o apenas da m\u00fasica, mas das artes visuais tamb\u00e9m. Acho que isso tem um valor enorme\u201d, comenta Diego. \u201cCisma\u201d, que encerra um sil\u00eancio discogr\u00e1fico de cinco anos do Zoe Trio, j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel em todas as plataformas digitais. Ou\u00e7a na sua plataforma favorita e leia o bate papo com Diego e Paulo abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Off-kilter\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tdNcxofMYpI?list=OLAK5uy_nMMZNekM5xV9sv50TfPKnTAGPdV2KcAxo\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas come\u00e7aram mais post-rock l\u00e1 em 2012, com o \u00e1lbum de estreia homonino. Depois namoraram o jazz no EP &#8220;Tristeza&#8221; (2016). Agora com o EP &#8220;Cisma&#8221; (2021) a sonoridade, ainda que instrumental, d\u00e1 outra guinada. Eu queria saber como essas mudan\u00e7as s\u00e3o pensadas dentro do trio. \u00c9 algo de sair um som e voc\u00eas come\u00e7arem a burilar at\u00e9 saber onde vai dar ou uma coisa mais pensada, tipo, &#8220;vamos seguir esse caminho&#8221;?<\/strong><br \/>\nPaulo &#8211; Olha, a gente gosta de muita coisa diferente, \u00e0s vezes nem sabemos o que influenciou cada som. No primeiro disco foi absolutamente livre; o \u00fanico crit\u00e9rio era tocar aquilo que n\u00e3o poder\u00edamos tocar em nenhum outro lugar. A gente tamb\u00e9m tava ouvindo muito Macaco Bong, Toe&#8230; com certeza influenciaram nesse caminho de m\u00fasicas longas e com v\u00e1rias partes. A partir de ent\u00e3o, os seguintes tiveram sim um &#8220;norte&#8221;, pra ajudar a gente a focar e n\u00e3o se perder no processo. No segundo EP, a primeira que compus foi a faixa t\u00edtulo, e eu estava ouvindo muito Django Reinherdt, e a\u00ed saiu essa vers\u00e3o minimalista de jazz. A gente curtiu, e acabamos seguindo nessa dire\u00e7\u00e3o mais calma e com influ\u00eancias de jazz. No &#8220;Cisma&#8221;, eu estava h\u00e1 um tempo querendo fazer, por mais simpl\u00f3rio que pare\u00e7a, riffs. Eu amo Page, Iommi, Towshend&#8230; queria fazer ao menos um punhado de can\u00e7\u00f5es onde o riff seria o mais importante. A gente fez a faixa t\u00edtulo l\u00e1 pra 2017, quando o mundo j\u00e1 estava dando sinais de que ia ficar de ponta-cabe\u00e7a, e tocamos ao vivo nos \u00faltimos shows juntos e rolou super bem. Da\u00ed ficou claro que era tamb\u00e9m um bom momento pra explorar esse caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como rolou a parceria com o Selo Curva para lan\u00e7ar &#8220;Cisma&#8221;? Como \u00e9 para voc\u00eas ter um selo apoiando a banda no trampo de lan\u00e7ar um trabalho novo?<\/strong><br \/>\nPaulo &#8211; Eu tamb\u00e9m toco em outra banda, a Velhomo\u00e7o, que lan\u00e7ou pelo Curva. Depois acabamos mudando de selo, mas o Alexandre deixou as portas abertas pra gente voltar e, pra minha surpresa, ele conhecia o trio e falou, &#8220;quando vcs retornarem com o Zoe, me avisem&#8221;. E assim foi. Ele, Eduardo e toda galera do selo nos recebeu de bra\u00e7os abertos e deram uma baita for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diego &#8211; Ter o selo dando esse suporte \u2013 pra n\u00f3s, que somos uma banda h\u00e1 uns 15 anos \u2013 est\u00e1 sendo como um solteiro morando sozinho quando descobre aquele robozinho aspirador de p\u00f3: voc\u00ea n\u00e3o sabia que era essencial at\u00e9 ter um. Antes a gente (n\u00e3o) fazia tudo sozinho. E como temos outras atividades al\u00e9m da m\u00fasica, acabava que muita coisa ficava varrida pra debaixo do tapete, principalmente relacionada \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o do nosso trabalho. Deix\u00e1vamos coisas essenciais relacionadas a esse planejamento de lado. Agora, com o Selo Curva na ponta, parece que um mundo novo se abriu para a banda. Ali\u00e1s, um salve enorme pro Alexandre e pro Eduardo, que tocam esse coletivo maravilhoso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bj\u00f6rk \u00e9 absolutamente incr\u00edvel, e rar\u00edssimos artistas brasileiros arriscam a fazer uma vers\u00e3o de uma can\u00e7\u00e3o dela. Como surgiu o desejo de tocar &#8220;Isobel&#8221; e como foi construir o arranjo que est\u00e1 no &#8220;Cisma&#8221;?<\/strong><br \/>\nDiego &#8211; Primeiro, \u00e9 uma pena que pouca gente no Brasil esteja ouvindo e tocando Bj\u00f6rk. Justo ela, que tanto valoriza a m\u00fasica brasileira (a vers\u00e3o de &#8220;Travessia&#8221;, do Bituca, \u00e9 uma coisa maravilhosa). Pra mim, ela \u00e9 um dos g\u00eanios (g\u00eanio mesmo, no sentido real da palavra) n\u00e3o apenas da m\u00fasica, mas das artes visuais tamb\u00e9m. Acho que isso tem um valor enorme: quando o m\u00fasico se preocupa n\u00e3o apenas em como as pessoas ouvem, mas tamb\u00e9m como elas visualizam a sua m\u00fasica. Eu e Paulo somos muito visuais, e a Bj\u00f6rk leva isso \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias de uma forma quase que po\u00e9tica. Quanto \u00e0 vers\u00e3o em si, \u00e9 uma coisa que sempre fazemos no trio. Tentamos procurar m\u00fasicas que saiam do \u00f3bvio das vers\u00f5es instrumentais. N\u00e3o faz muito sentido pra n\u00f3s como power trio, por exemplo, pegar um standard do Led Zeppelin que j\u00e1 tem os riffs de guitarra, as linhas de baixo e os grooves de bateria prontos, e fazer um cover. Fazer isso nos deixaria em um dilema: ou ir\u00edamos descaracterizar completamente a m\u00fasica, ou a nossa \u201cvers\u00e3o\u201d acabaria ficando \u00f3bvia demais. E, no final das contas, a obviedade \u00e9 inimiga da arte. Por isso a gente sempre tenta pegar m\u00fasicas que a gente gosta de ouvir, independentemente de ter \u201ca cara\u201d do nosso som. Ali\u00e1s, isso contribui muito pra um dos nossos objetivos, que \u00e9 N\u00c3O fazer \u201cm\u00fasica para m\u00fasicos\u201d (erro que muitos grupos instrumentais cometem). Isso tamb\u00e9m foi muito levado em conta na hora de compor nossa vers\u00e3o, porque \u00e9 importante que o f\u00e3 de Bj\u00f6rk consiga identificar a composi\u00e7\u00e3o que ele conhece na nossa interpreta\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, como eu e Paulo somos muito f\u00e3s da Bj\u00f6rk, fazer uma vers\u00e3o de &#8220;Isobel&#8221; foi algo muito natural.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Umbabarauma (Jorge Ben) - cover ZoeTrio\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PTU0I6PTH34?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell desde 2000 e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne.<\/a> A foto que abre o texto \u00e9 de Amaury Alves \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Formada no Rio de Janeiro em 2008, a Zoe Trio est\u00e1 de volta com trabalho novo, \u201cCisma\u201d (2021), um EP de quatro faixas que est\u00e1 saindo via Selo Curva e cujo norte \u00e9 mais rock, enquanto os anteriores tendiam mais ao jazz e ao post rock experimental\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/22\/tres-perguntas-zoe-trio-fala-sobre-o-ep-cisma-e-bjork\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":63282,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5380],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63281"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63281"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63283,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63281\/revisions\/63283"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}