{"id":63211,"date":"2021-11-18T13:32:41","date_gmt":"2021-11-18T16:32:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=63211"},"modified":"2022-03-27T00:51:00","modified_gmt":"2022-03-27T03:51:00","slug":"entrevista-monoswezi-shanu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/18\/entrevista-monoswezi-shanu\/","title":{"rendered":"Entrevista: coletivo n\u00f3rdico africano Monoswezi fala do \u00e1lbum &#8220;Shanu&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Empolgante coletivo n\u00f3rdico africano, o quinteto Monoswezi exibe o encontro de nacionalidades no pr\u00f3prio nome, contra\u00e7\u00e3o das quatro nacionalidades dos membros fundadores: Mo\u00e7ambique (Mo), Noruega (No), Su\u00e9cia (Swe) e Zimb\u00e1bue (Zi). Tendo na voz maravilhosa da zimbabuana Hope Masike (que tamb\u00e9m toca percuss\u00e3o e o instrumento tradicional Mbira) um de seus cart\u00f5es de visitas, o Monoswezi decidiu experimentar ainda mais em seu quinto disco, o recem-lan\u00e7ado \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/08ZqQuI5jlq6DmsSFcCIIK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Shanu<\/a>\u201d (2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPartimos para uma explora\u00e7\u00e3o de novos elementos como o mellotron e as guitarras\u201d, conta o mo\u00e7ambicano Calu Tsemane (vocal, percuss\u00e3o e guitarra) em entrevista por e-mail ao Scream &amp; Yell. O mellotron e o harmonium entram na sonoridade percussiva da banda introduzidos pelo noruegues Hallvard Godal, que ainda toca sax e clarinete. A cozinha da banda \u00e9 sueca: Putte Johander no baixo e eventuais guitarras e Erik Nylander na bateria e percuss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma\u00e7\u00e3o do Monoswezi valoriza a import\u00e2ncia dos intercambios culturais. Hallvard trabalhou em Mo\u00e7ambique em 2008 como parte de um interc\u00e2mbio cultural e conheceu Calu \u2013 os dois come\u00e7aram a tocar juntos. Em 2009, Hope foi do Zimb\u00e1bue para a Noruega como parte do mesmo programa de interc\u00e2mbio e Calu se mudou para o pa\u00eds n\u00f3rdico. Hallvard complementa: \u201cConhecia Putte e Erik de outras bandas com quem trabalhava e sabia do interesse deles na m\u00fasica africana. Juntamos todos e o coletivo tomou forma\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Monoswezi <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCQpH_oJsoqaa2XDKRogk3BA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">j\u00e1 lan\u00e7ou quatro discos entre 2011 e 2017<\/a>, e hiato de dois anos entre os lan\u00e7amentos acabou aumentando por causa das restri\u00e7\u00f5es da pan- demia. Hallvard, Calu e Erik vivem na Noruega, perto da capital Oslo; Putte vive na Su\u00e9cia, numa ilha chamada Koster que fica a apenas 1h30 de carro de Oslo; j\u00e1 Hope vive em Harare, Zimb\u00e1bue. \u201cShanu\u201d come\u00e7ou a ser gravado antes da pandemia, na Ocean Sound Recordings em Giske (Noruega), algumas grava\u00e7\u00f5es adicionais foram feitas durante uma turn\u00ea pela \u00cdndia, e outras no est\u00fadio de Putte e Erik.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As letras do novo \u00e1lbum revelam uma rica gama de diferentes temas, caracter\u00edstica principal de Hope, uma contadora de hist\u00f3rias nata, com can\u00e7\u00f5es sobre perder as ra\u00edzes e se distanciar da pr\u00f3pria heran\u00e7a ( \u201cTsika Dzako\u201d), sobre o problema cont\u00ednuo da desigualdade entre g\u00eaneros, penoso para as mulheres (\u201cWe Crown You Nehanda\u201d) e da gan\u00e2ncia e ego\u00edsmo dos governantes (\u201cZvorema\u201d). Abaixo, Calu fala um pouco mais sobre \u201cShanu\u201d e o Monoswezi. Acompanhe!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Monoswezi Kuwonererwa\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EbTKUot-ypk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Calu, como voc\u00ea v\u00ea \u201cShanu\u201d em compara\u00e7\u00e3o aos quatro \u00e1lbuns anteriores do Monoswezi? O que voc\u00ea percebe que mudou na sonoridade de voc\u00eas nesses 10 anos de discografia oficial?<\/strong><br \/>\n\u201cShanu\u201d para mim \u00e9 uma verdadeira viagem sonora por causa da ousadia que tivemos nas composi\u00e7\u00f5es e n\u00e3o s\u00f3: todo o trabalho foi um processo muito divertido, desde a cria\u00e7\u00e3o ou seja a concep\u00e7\u00e3o dos temas at\u00e9 a sua materializa\u00e7\u00e3o pelo simples fato de n\u00f3s termos partido para uma explora\u00e7\u00e3o de novos elementos como o melotron e guitarras. Isso criou uma nova din\u00e2mica no meio de todo o processo criativo e experimental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A faixa tr\u00eas do novo \u00e1lbum se chama &#8220;Where is My Mbira?&#8221; e eu gostaria que voc\u00ea nos contasse um pouco sobre esse instrumento bastante particular que a Hope toca e que \u00e9 essencial ao som do Monoswezi.<\/strong><br \/>\n\u00c9 um instrumento t\u00edpico tradicional do Zimbabwe bem como duma parte do centro de Mo\u00e7ambique. \u00c9 um instrumento com uma carga cultural e espiritual muito forte pelo fato de ter sido usado durante muitos anos como uma arma de combate ao mal que atormenta as nossas sociedades. Em algumas regi\u00f5es, inicialmente, usava-se somente como componente importante durante cerim\u00f4nias f\u00fanebres para evocar os esp\u00edritos dos antepassados e pedir que recebam de bra\u00e7os abertos o ente querido rec\u00e9m partido. A Mbira tamb\u00e9m era usada como meio de comunica\u00e7\u00e3o entre o mundo dos vivos e dos mortos para pedir chuva nos tempos de seca, pedir prote\u00e7\u00e3o durante a ca\u00e7a, sorte no matrim\u00f4nio, abund\u00e2ncia durante a colheita&#8230; Ent\u00e3o, a Mbira foi um instrumento com uma presen\u00e7a muito forte e importante no nosso cotidiano. Esta faixa foi uma verdadeira aventura porque gravei as guitarras de maneira muito simples, mas numa verdadeira viagem com o pensamento ligado em todas essas coisas que a Mbira representa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O videoclipe de &#8220;Kuwonererwa&#8221; \u00e9 incr\u00edvel. Como funcionou essa colabora\u00e7\u00e3o com Ronald Kabicek?<\/strong><br \/>\nA colabora\u00e7\u00e3o tornou-se poss\u00edvel porque o Hallvard Godal conhecia o Ronald, e estava familiarizado com alguns de seus trabalhos de que ele realmente gostava. Ent\u00e3o Hallvard perguntou a ele se estava interessado em colaborar, e ele disse que sim! E n\u00f3s concordamos que a m\u00fasica do v\u00eddeo seria a \u201cKuwonererwa\u201d. Ele queria fazer algo relacionado \u00e0s letras, mas fora isso ele estava totalmente livre. \u00c9 um processo muito longo esse tipo de anima\u00e7\u00e3o, uma combina\u00e7\u00e3o de filmagem f\u00edsica e anima\u00e7\u00e3o digital, e tornando-as em um \u00fanico universo. Ele trabalhou nisso por quase um ano, e acho que o resultado \u00e9 \u00f3timo! Um universo e uma atmosfera muito especiais, abertos e ainda muito ligados \u00e0 m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma faixa cantada em portugu\u00eas no \u00e1lbum, &#8220;Um Pouco&#8221;, e eu gostaria de saber como ela nasceu? Era uma ideia ter uma can\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas no disco?<\/strong><br \/>\n\u201cUm Pouco\u201d \u00e9 uma m\u00fasica da minha autoria. Inicialmente eu queria usa-la no meu \u00e1lbum solo, pois eu j\u00e1 a tocava num projeto onde componho as m\u00fasicas e convido v\u00e1rios artistas para participarem, e nesse processo de busca de composi\u00e7\u00f5es para a Monoswezi, a banda escolheu essa can\u00e7\u00e3o e assim foi. N\u00e3o era ideia termos uma can\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas, mas isso acabou sendo um acidente de percurso e funcionou muit\u00edssimo bem, porque geralmente quando gravamos um \u00e1lbum, cada um de n\u00f3s tr\u00e1s sugest\u00f5es de m\u00fasica que tem para trazer para banda e assim funciona o processo todo. S\u00e3o muitas hist\u00f3rias nas can\u00e7\u00f5es e esta \u00e9 verdadeiramente uma banda super boa de trabalhar. Liberdade total<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas com o Brasil? O que voc\u00eas conhecem daqui? \u00c9 poss\u00edvel perceber a g\u00eanese da m\u00fasica africana em v\u00e1rios g\u00eaneros musicais brasileiros!<\/strong><br \/>\nBem, eu acho que nenhum de n\u00f3s j\u00e1 esteve no Brasil, por isso pensamos no Brasil como um pr\u00f3ximo destino para a banda. A rela\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 muito vaga, mas, se calhar, para mim que sou de Mo\u00e7ambiqu, h\u00e1 a conex\u00e3o de dois paises que tiveram uma experi\u00eancia brutal de escravatura e coloniza\u00e7\u00e3o. Porque \u00e9 poss\u00edvel perceber a g\u00eanese da m\u00fasica africana em v\u00e1rios g\u00eaneros brasileiros, foi muita informa\u00e7\u00e3o levada pelos escravos. Isso porque a musica, para n\u00f3s, tem sido um elemento muito importante na celebra\u00e7\u00e3o da vida. A \u00c1frica contribuiu bastante na propaga\u00e7\u00e3o de ritmos que vieram a ser base na cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios g\u00eaneros musicais. Muita coisa n\u00e3o est\u00e1 escrita, mas nota-se ao ouvido nu. hehehehehe<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Monoswezi - Loko U Muka (Official video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gyVFvM3DDXo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sola Mani by Monoswezi@Cosmopolite Oslo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rFQmL1xgDpg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Kuwonererwa\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kj8wtSj59Aw?list=OLAK5uy_l1OSgm6ygykqQrH1RsOyNyCd4Hj2Nn4r8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell desde 2000 e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Empolgante coletivo n\u00f3rdico africano, o quinteto Monoswezi exibe o encontro de nacionalidades no pr\u00f3prio nome, contra\u00e7\u00e3o das quatro nacionalidades dos membros fundadores: Mo\u00e7ambique (Mo), Noruega (No), Su\u00e9cia (Swe) e Zimb\u00e1bue (Zi).\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/18\/entrevista-monoswezi-shanu\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":63213,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5378],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63211"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63211"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63211\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63215,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63211\/revisions\/63215"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}