{"id":6311,"date":"2010-11-09T19:46:24","date_gmt":"2010-11-09T21:46:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=6311"},"modified":"2021-05-24T02:51:16","modified_gmt":"2021-05-24T05:51:16","slug":"discografia-comentada-bob-dylan-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-2\/","title":{"rendered":"Discografia Comentada: Bob Dylan (parte 2)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-6373\" title=\"bobdylan_sonybmg_divulgacao2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/bobdylan_sonybmg_divulgacao2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"628\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/bobdylan_sonybmg_divulgacao2.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/bobdylan_sonybmg_divulgacao2-238x300.jpg 238w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/eduardomarciano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gabriel Innocentini<\/a><br \/>\nContinua\u00e7\u00e3o da parte 1 da discografia de Bob Dylan <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6339 aligncenter\" title=\"infidels\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/infidels.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/infidels.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/infidels-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Infidels (1983)<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s tr\u00eas discos crist\u00e3os, Bob volta ao juda\u00edsmo. Retorno, ma non troppo? \u201cEle era um judeu confuso\u201d, afirmou o rabino Kasriel Kastel. Desta vez, Bob decidiu dar duro no est\u00fadio, gastando horas e mais horas para chegar numa performance satisfat\u00f3ria. E chegou, mas deixou de fora o que havia de melhor (\u201cFoot of Pride\u201d e \u201cBlind Willie McTell\u201d, para citar duas). Ent\u00e3o fica combinado: \u201cInfidels\u201d \u00e9 o melhor disco que n\u00e3o existe de Bob Dylan. Ainda assim \u00e9 seu melhor trabalho nos anos 80. Ele queria produzir o disco, mas sabia que estava defasado com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia e cogitou Bowie, Zappa e at\u00e9 mesmo Costello. No fim, quem ocupou o posto foi o escudeiro Mark Knopfler. A produ\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o diferente de seu padr\u00e3o habitual que ele gastou muito tempo dos 18 dias de grava\u00e7\u00f5es em jams de covers de Sinatra, Willie Nelson e Hank Williams. Por\u00e9m, nem mesmo o fato de ter se ocupado mais de um ano com as composi\u00e7\u00f5es fez com que ele abandonasse a id\u00e9ia de reescrev\u00ea-las no est\u00fadio. Tudo perfeito, mas Dylan, alegando press\u00e3o da gravadora, n\u00e3o esperou Mark Knopfler voltar da Alemanha para terminar de produzir as faixas e resolveu regravar alguns vocais e retrabalhar algumas can\u00e7\u00f5es. Funcionou em \u201cBlood On The Tracks\u201d, mas n\u00e3o em \u201cInfidels\u201d. Felizmente os lan\u00e7amentos de sobras corrigiram as escolhas infelizes na sele\u00e7\u00e3o final do \u00e1lbum. E ainda tinha o videoclipe (a MTV, surgida em 1981, come\u00e7ava a modificar o com\u00e9rcio da m\u00fasica no in\u00edcio da d\u00e9cada). Bob tinha tudo para se dar bem nesse ramo, adorava cinema, tinha tido a id\u00e9ia para o clipe pioneiro de \u201cSubterranean Homesick Blues\u201d, mas n\u00e3o se esfor\u00e7ou para que \u201cJokerman\u201d desse certo. A can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma obra-prima, com seus significados velados, suas refer\u00eancias mitol\u00f3gicas e seu sentido talvez impenetr\u00e1vel. A cozinha (Sly Dunbar na bateria e percuss\u00e3o, Robbie Shakespeare no baixo) est\u00e1 impec\u00e1vel durante o disco e o ex-Rolling Stone Mick Taylor tamb\u00e9m comparece, com um dos melhores solos em toda sua carreira na faixa final. Em \u201cSweetheart Like You\u201d, Dylan cutuca as feministas. \u201cNeighbourhood Bully\u201d \u00e9 melhor, vibrante e potente em sua hist\u00f3ria sobre o mundo \u00e0 beira de uma cat\u00e1strofe. \u201cLicence To Kill\u201d fecha o primeiro lado de forma branda e calma. Dylan foi buscar no Novo Testamento a id\u00e9ia para \u201cMan Of Peace\u201d: \u201cat\u00e9 mesmo o Satan\u00e1s se disfar\u00e7a em anjo de luz\u201d (Cor\u00edntios 2, 11:14). \u201cI and I\u201d, que significa \u201cn\u00f3s\u201d em patois jamaicano, \u00e9 um reggae sobre as opress\u00f5es da fama e do sucesso. \u201cInfidels\u201d termina em uma bela can\u00e7\u00e3o de amor, \u201cDon\u2019t Faal Apart On Me Tonight\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6340 aligncenter\" title=\"reallive\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/reallive.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/reallive.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/reallive-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Real Live (1984)<\/strong><br \/>\nUm disco dispens\u00e1vel. A sele\u00e7\u00e3o das faixas parece ter sido a pior poss\u00edvel. \u00c9 preciso procurar pelos discos piratas dessa turn\u00ea ou ent\u00e3o torcer para que a Columbia revisite esse per\u00edodo nas pr\u00f3ximas Bootleg Series. S\u00f3 de ouvir o timbre de guitarra em \u201cKnockin\u2019 On Heaven\u2019s Door\u201d ou \u201cEvery Grain Of Sand\u201d j\u00e1 d\u00e1 para sacar que \u00e9 Carlos Santana quem comanda a festa. No entanto, essas duas can\u00e7\u00f5es ficaram de fora de \u201cReal Live\u201d. Bob Dylan defendeu o disco, afirmando que se trata de uma fotografia do que eram as can\u00e7\u00f5es no per\u00edodo. Pode at\u00e9 ser, mas o produtor Glyn Johns conseguiu escolher as fotos mais desgastadas. Mick Taylor, ex-Rolling Stones, tamb\u00e9m comparece, assim como o tecladista do Faces, Ian McLagan. Gravado em Roma, \u201cReal Live\u201d poderia ser um bom disco duplo ao vivo, mas esbarra nas escolhas equivocadas. Por exemplo, quem precisa ouvir as interpreta\u00e7\u00f5es cansadas de Bob para \u201cBallad Of A Thin Man\u201d ou \u201cTombstone Blues\u201d? Algu\u00e9m pode at\u00e9 se empolgar com as m\u00fasicas de \u201cInfidels\u201d (\u201cI and I\u201d e \u201cLicense To Kill\u201d), mas ainda \u00e9 pouco para justificar um disco. \u201cTangled Up In Blue\u201d traz novos versos, \u00e9 quase uma nova can\u00e7\u00e3o, mas a \u201cBible Version\u201d \u00e9 muito mais instigante. A dica \u00e9 procurar o que ficou de fora do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 4<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6341 aligncenter\" title=\"empireburlesque\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/empireburlesque.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/empireburlesque.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/empireburlesque-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Empire Burlesque (1985)<\/strong><br \/>\nPavoroso. Bob Dylan chamou Arthur Baker, produtor de dance music (!), para dar um jeito no catad\u00e3o de can\u00e7\u00f5es que ele gravava desde 84. O resultado \u00e9 que os f\u00e3s preferem o \u00e1lbum pirata \u201cClean Cuts\u201d ao oficial, pois ao menos n\u00e3o havia o festival de eco e reverb no disco lan\u00e7ado simultaneamente em vinil e CD. \u00c9 o tipo de \u00e1lbum que j\u00e1 pede para ficar na prateleira s\u00f3 por causa da capa. Em todo caso, vamos anotar o que pode ser salvo dessas ru\u00ednas. \u201cTight Connection To My Heart\u201d cont\u00e9m uma fala do Capit\u00e3o Kirk para o Dr. Spok (\u201cI\u2019ll go along with the charade until I can think my way out\u201d), o que faz dela uma das letras mais bizarras j\u00e1 escritas por Bob Dylan. A can\u00e7\u00e3o seguinte, \u201cSeeing The Real You At Last\u201d \u00e9 bem melhor, uma cr\u00f4nica sobre o fim da rela\u00e7\u00e3o. Jeff Tweedy tinha essa can\u00e7\u00e3o em mente quando comp\u00f4s \u201cGlad It\u2019s Over\u201d? Os solos em \u201cEmotionally Yours\u201d n\u00e3o s\u00e3o ruins. Os cr\u00edticos de hoje em dia pedem uma revis\u00e3o mais benevolente, mas n\u00e3o d\u00e1 para ignorar a melodia, ou o que sobrou dela, soterrada debaixo dos acr\u00e9scimos de Baker, e focar apenas nas letras. A melhor decis\u00e3o de Dylan neste \u00e1lbum foi gravar \u201cDark Eyes\u201d de forma ac\u00fastica e solit\u00e1ria. Ele escreveu a can\u00e7\u00e3o depois de esbarrar com uma prostituta no elevador de um hotel. Perdida nessa colcha de retalhos, \u201cDark Eyes\u201d \u00e9 como um b\u00e1lsamo, mas Howard Sounes d\u00e1 a palavra final: n\u00e3o \u00e9 uma grande can\u00e7\u00e3o de Bob Dylan. Antes que voc\u00ea grite de indigna\u00e7\u00e3o, fa\u00e7a uma lista das 40 melhores composi\u00e7\u00f5es do Bardo e diga se \u201cDark Eyes\u201d conseguiu alguma vaguinha, ok?<br \/>\nNota: 5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6342 aligncenter\" title=\"biograph\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/biograph.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Biograph (1985)<\/strong><br \/>\nUma caixa com 53 can\u00e7\u00f5es. Dylan n\u00e3o se mostrou feliz com a sele\u00e7\u00e3o: \u201cExistem algumas coisas que n\u00e3o foram ouvidas antes, mas a maior parte delas j\u00e1 saiu em discos piratas. \u00c9 simplesmente uma nova embalagem que vai custar muito dinheiro\u201d. N\u00e3o foi feita nenhuma tentativa no sentido de ordenar as can\u00e7\u00f5es para que exista algum sentido, mas \u201cBiograph\u201d veio a calhar para mostrar que, apesar de tudo, \u201cShot Of Love\u201d poderia ter sido um grande disco se tivesse \u201cCaribbean Wind\u201d, \u201cAngelina\u201d e a vers\u00e3o iluminada de \u201cEvery Grain of Sand\u201d. Dylan est\u00e1 sozinho ao piano e com sua gaita em \u201cI\u2019ll Keep It With Mine\u201d, que teria sido escrita para Nico, do Velvet. De \u201cThe Times They Are A-Changin\u2019\u201d vem a p\u00e9rola \u201cPercy\u2019s Song\u201d, cuja melodia foi emprestada de Paul Clayton. \u201cLay Down Your Weary Tune\u201d \u00e9 da mesma leva e parece mais um poema musicado do que uma can\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o chega a ser dem\u00e9rito. \u201cMixed Up Confusion\u201d vem do distante ano de 62, quando Dylan tentou gravar com uma banda el\u00e9trica pela primeira vez (ele j\u00e1 pensava nisso desde o in\u00edcio). Soa mais como curiosidade, embora seja bem alegre por causa da gaita. \u201cBaby, I\u2019m In The Mood For You\u201d foi descartada de \u201cFreewheelin\u2019\u201d com raz\u00e3o, n\u00e3o por ser ruim, mas por n\u00e3o estar no mesmo n\u00edvel das que entraram no \u00e1lbum cl\u00e1ssico de 1963. O per\u00edodo 65-66 n\u00e3o traz muitas novidades para os f\u00e3s. A principal \u00e9 uma tomada de \u201cI Don\u2019t Believe You\u201d de maio de 66 com os Hawks em Belfast, um pouco menos carregada do que a vers\u00e3o de Manchester, mas em 1985 j\u00e1 deve ter sido um presente divino. \u201cVisions Of Johanna\u201d surge numa vers\u00e3o do Royal Albert Hall, \u201ccomo se gravada numa catedral\u201d. De Manchester, aparece a vers\u00e3o de \u201cIt\u2019s All Over Now Baby Blue\u201d, inclu\u00edda posteriormente nas Bootleg Series. \u00c9 poss\u00edvel ouvir Dylan com os Hawks em \u201cCan You Please Crawl Out Your Window?\u201d, gravada em outubro de 65, e em \u201cI Wanna Be Your Lover\u201d, das sess\u00f5es de \u201cBlonde On Blonde\u201d. Da d\u00e9cada de 70, \u201cUp To Me\u201d nos faz pensar que \u201cBlood On The Tracks\u201d poderia ser melhor do que \u00e9. \u201cAbandoned Love\u201d saiu de \u201cDesire\u201d para dar lugar a \u201cJoey\u201d, no entanto o disco comportaria ambas. A caixa nos brinda tamb\u00e9m com uma vers\u00e3o altamente inflam\u00e1vel de \u201cRomance In Durango\u201d. A \u00faltima can\u00e7\u00e3o desse conjunto ca\u00f3tico de can\u00e7\u00f5es \u00e9 uma tomada intimista de \u201cForever Young\u201d, feita num velho gravador de rolo em 1973. \u201cBiograph\u201d \u00e9 uma boa caixa, mas para iniciados. H\u00e1 obras-primas renegadas e uma curiosidade aqui, outra ali. Seria o suficiente para qualquer artista entrar no pante\u00e3o dos mitos da m\u00fasica pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6343 aligncenter\" title=\"knockedoutloaded\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/knockedoutloaded.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Knocked Out Loaded (1986)<\/strong><br \/>\nN\u00e3o fosse por \u201cBrownsville Girl\u201d, \u201cKnocked Out Loaded\u201d seria dispens\u00e1vel. H\u00e1 toda sorte de tralhas aqui: sobras de \u201cEmpire Burlesque\u201d (\u201cMaybe Someday\u201d, \u201cDrifiting Too Far From The Shore\u201d) que deveriam ter permanecido in\u00e9ditas; uma can\u00e7\u00e3o t\u00e3o ruim escrita pelo ator Kriss Kristofferson (\u201cThey Killed Him\u201d) que nos faz pensar que ele deveria \u201cter se limitado a zelador durante as sess\u00f5es de Blonde On Blonde\u201d, como afirmou Brian Hinton; al\u00e9m de \u201cUnder Your Spell\u201d, co-escrita com Carol B. Sager, mulher de Burt Bacharach (Elvis Costello teve mais tento e se tornou parceiro do lado talentoso da fam\u00edlia). \u00c9 mais interessante conversar sobre a capa, que remete a um dos filmes preferidos de Martin Scorsese, \u201cDuelo ao Sol\u201d, de 1946, com Gregory Peck e Jennifer Jones. \u201cBrownsville Girl\u201d tem corais femininos e at\u00e9 saxofone, mas concentre-se na letra, uma parceria de Bob com o ator Sam Shepard, que tamb\u00e9m faz vezes de escritor e dramaturgo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 3,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6344 aligncenter\" title=\"downinthegroove\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/downinthegroove.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Down In The Groove (1988)<\/strong><\/span><br \/>\nBaixo, bem baixo. Quando Bob Dylan quer, ele pode ser muito ruim. Este \u00e9 o caso de \u201cDown In The Groove\u201d. Ao menos ele \u00e9 curto, s\u00e3o apenas 32 minutos de m\u00fasica. At\u00e9 o ex-Sex Pistol Steve Jones se assustou quando recebeu um chamado de Bob Dylan para trabalharem juntos num projeto de can\u00e7\u00f5es alheias e composi\u00e7\u00f5es originais despretensiosas. Paul Simonon (The Clash) foi recrutado para as grava\u00e7\u00f5es, mas a \u00fanica faixa inclu\u00edda no \u00e1lbum foi \u201cSally Sue Brown\u201d. \u201cSilvio\u201d e \u201cUgliest Girl in the World\u201d s\u00e3o parcerias com Robert Hunter, letrista do Grateful Dead. Bob estava t\u00e3o por baixo nesse per\u00edodo de sua vida que cogitou entrar para a banda de Jerry Garcia em 87. S\u00f3 que ele foi t\u00e3o desagrad\u00e1vel e pentelho que ensaiou duzentas m\u00fasicas para n\u00e3o tocar absolutamente nenhuma delas quando chegou a hora de se apresentar nos palcos. Em \u201cDown In The Groove\u201d temos um ensaio do que a voz de Dylan se tornaria na d\u00e9cada de 90 e especialmente na primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo: uma voz de autoridade, tal qual a de seu \u00eddolo Johnny Cash. Claro, bastaria um \u201cal\u00f4\u201d no telefone para sabermos que \u00e9 Bob Dylan quem fala. Mas agora na parte final de sua carreira, sua voz se tornou seu melhor patrim\u00f4nio para cantar sobre envelhecimento, morte e a sensa\u00e7\u00e3o constante de deslocamento. O problema, aqui, ainda \u00e9 o repert\u00f3rio, fraco demais para um desempenho que ainda apresenta alguma for\u00e7a, alguma energia. Mas toda vez que \u201cDeath Is Not The End\u201d toma o ambiente, arrepia. Talvez porque tenha sido escrita originalmente para \u201cInfidels\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 4,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6346 aligncenter\" title=\"dylan_dead\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/dylan_dead.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dylan And The Dead (1989)<\/strong><br \/>\nNo livro \u201cCr\u00f4nicas\u201d, Bob se refere ao fato de andar perdido, apresentando-se apenas com o nome, quando estava em turn\u00ea com Tom Petty and The Heartbreakers. Ele admite que n\u00e3o estava dando o seu melhor nos shows, escondendo-se atr\u00e1s da massa sonora e dos vocais de apoio. Em 1987, num show em Locarno, na Su\u00ed\u00e7a, uma frase surgiu em sua mente: \u201cEstou decidido a resistir, independentemente de Deus me libertar ou n\u00e3o\u201d. Foi a partir da\u00ed que ele conseguiu se conectar novamente com suas can\u00e7\u00f5es e deu in\u00edcio \u00e0 Turn\u00ea Sem Fim (Never Ending Tour), com o objetivo de se reaproximar de seu p\u00fablico. Antes disso, ainda em 87, Bob tentou se reunir com outro grupo, o lend\u00e1rio Grateful Dead, para seis shows. Nos ensaios, que podem ser ouvidos no disco pirata \u201cThe French Girl\u201d, algumas can\u00e7\u00f5es se sobressa\u00edram, como \u201cJohn Brown\u201d e \u201cTomorrow Is A Long Time\u201d. Tudo bem, seria um disco correto nota 6, n\u00e3o fosse o fato de Dylan ouvir as grava\u00e7\u00f5es em um aparelho de som barato e pedir para diminuir o volume de sua voz no disco \u201cDylan And The Dead\u201d. A melhor coisa deste \u00e1lbum \u00e9 a capa: de um lado Dylan, do outro o esqueleto dos Dead e no meio uma locomotiva assustadora. Assustador tamb\u00e9m \u00e9 o conte\u00fado do disco: interpreta\u00e7\u00f5es desinteressadas de Dylan, que ainda consegue atrapalhar os Dead quando a coisa parece engrenar, como em \u201cKnockin\u2019 On Heaven\u2019s Door\u201d. Em \u201cQueen Jane Approximately\u201d e \u201cAll Along The Watchtower\u201d, Dylan parece um pouco mais disposto a colaborar, mas essas perfomances entregam muito pouco para o que as can\u00e7\u00f5es e os ouvintes esperam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 3<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6347 aligncenter\" title=\"ohmercy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/ohmercy.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/ohmercy.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/ohmercy-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Oh Mercy (1989)<\/strong><br \/>\nMais um renascimento. Dessa vez, bancado por Daniel Lanois, produtor do U2, recomendado por Bono Vox. Bob Dylan atendeu, e Lanois deu vida a uma carreira que estava no limbo, em que pese certo sucesso na virada da d\u00e9cada com os Travelling Wilburys, uma reuni\u00e3o de superstars como Roy Orbinson, George Harrison, Tom Petty e Jeff Lynne. Quem quiser saber mais sobre a g\u00eanese deste disco, pode ler o cap\u00edtulo com o t\u00edtulo do \u00e1lbum em \u201cCr\u00f4nicas\u201d, lan\u00e7ado no Brasil pela Ediouro. Depois de mais um acidente, desta vez em sua m\u00e3o, que ficou \u201crasgada e estra\u00e7alhada at\u00e9 os ossos\u201d, Bob cogitou bancar o Rimbaud e n\u00e3o compor nunca mais, mas voltou a escrever aos poucos, quando a inspira\u00e7\u00e3o batia, e se sentiu confiante para tentar gravar. No est\u00fadio de Nova Orleans, ele retornou \u00e0 antiga forma. Se n\u00e3o de maneira brilhante, ao menos com um disco que poderia ser assinado por Bob Dylan sem remorsos. \u201cShooting Star\u201d \u00e9 linda, uma de suas can\u00e7\u00f5es mais suaves e desesperan\u00e7adas. Apenas Dylan poderia escrever uma can\u00e7\u00e3o como \u201cMost Of The Time\u201d. Um compositor comum diria que sente a falta da amada o tempo todo. Dylan est\u00e1 bem \u201cna maior parte do tempo\u201d, \u00e9 claro. Quem j\u00e1 sofreu por amor sabe como \u00e9. Stephen Freas foi esperto o bastante para met\u00ea-la num momento decisivo do filme \u201cAlta Fidelidade\u201d, baseado no romance de Nick Hornby. N\u00e3o bastasse essas duas, ainda temos \u201cMan In The Long Black Coat\u201d. Marcelo Nova adora esse verso: \u201cPeople don\u2019t leave or die, people just float\u201d. E quem h\u00e1 de negar? Bob Dylan nutre um carinho especial por este disco, pois manteve can\u00e7\u00f5es dele em seu repert\u00f3rio durante muitos anos, al\u00e9m de ter mostrado v\u00e1rias vers\u00f5es delas no bootleg n\u00famero 8.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6348 aligncenter\" title=\"undertheredsky\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/undertheredsky.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Under Red Sky (1990)<\/strong><br \/>\nClinton Heylin defende uma suposta superioridade de \u201cUnder Red Sky\u201d sobre o anterior, \u201cOh Mercy\u201d, que era introspectivo e melanc\u00f3lico enquanto \u201cUnder Red Sky\u201d soa um retorno ao rhythm and blues com a participa\u00e7\u00e3o de guitarristas lend\u00e1rios, como Jimmie Vaughan e Stevie Ray Vaughan (repare no peso de \u201cGod Knows\u201d, descartada sob a produ\u00e7\u00e3o de Daniel Lanois). N\u00e3o \u00e9 para tanta empolga\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim quanto sugere o t\u00edtulo \u2013 est\u00e1 no meio termo, por causa das letras nonsense e enigm\u00e1ticas e da falta de unidade ao conjunto, que teve muitos convidados ilustres. A faixa-t\u00edtulo \u00e9 sobre a inf\u00e2ncia de Dylan em Hibbing, cidade onde cresceu, no norte dos EUA. \u201cWiggle Wiggle\u201d (com Slash na guitarra) \u00e9 muito boa, uma can\u00e7\u00e3o com a urg\u00eancia e a excita\u00e7\u00e3o do sexo, com algumas imagens bizarras de brinde. \u201cTV Talkin\u2019 Song\u201d tem uma letra incr\u00edvel sobre um enforcamento presenciado ao vivo e depois visto novamente pela televis\u00e3o, no mesmo processo de afastamento usado em \u201cBlack Diamond Bay\u201d. Mas a can\u00e7\u00e3o n\u00e3o engrena, infelizmente. Algumas m\u00fasicas foram prejudicadas pela obsess\u00e3o de Dylan em reescrever as letras ao regravar os vocais, para desespero do produtor David Was, que declarou ter \u201cperdido algo\u201d nesse processo. O caso mais emblem\u00e1tico \u00e9 o de \u201cBorn In Time\u201d, cujo verso \u201cI took you close, I got what I deserved\u201d foi trocado para \u201cYou won\u2019t get anything you don\u2019t deserve\u201d. Elton John e David Crosby tocaram em \u201c2 x 2\u201d, uma can\u00e7\u00e3o que, pelo conte\u00fado, poderia estar nas \u201cBasement Tapes\u201d. \u201cUnbelievable\u201d, uma das melhores do disco, conta com Al Kooper nos teclados e com um pouco mais de inspira\u00e7\u00e3o poderia fazer parte da safra anos 2000 (\u201cLove And Theft\u201d e \u201cModern Times\u201d). \u201cHandy Dandy\u201d mant\u00e9m o n\u00edvel, com o brasileiro Paulinho da Costa na percuss\u00e3o. Brian Hilton acredita que ela seja \u201ccomo uma vers\u00e3o de ninar de \u2018Like a Rolling Stone\u2019\u201d. Na \u00faltima faixa, Dylan pede ao Senhor: \u201cmay the Lord have mercy on us all\u201d. Ele ficaria 7 anos sem gravar uma composi\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6349 aligncenter\" title=\"goodasibeentoyou\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/goodasibeentoyou.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/goodasibeentoyou.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/goodasibeentoyou-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Good As I Been To You (1992)<\/strong><br \/>\nNos per\u00edodos de seca criativa, Dylan sempre teve por h\u00e1bito se voltar para as can\u00e7\u00f5es tradicionais. Foi assim na \u00e9poca das \u201cBasement Tapes\u201d (1967), foi assim no final da d\u00e9cada de 70, foi assim no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90. Como competir em f\u00faria com a garotada de Seattle? O melhor mesmo era dar um tempo e voltar \u00e0s ra\u00edzes, mergulhar na tradi\u00e7\u00e3o. Com Dylan, isto sempre deu certo. \u201cAquelas pessoas, elas ainda est\u00e3o aqui comigo. Elas n\u00e3o s\u00e3o fantasmas do passado ou qualquer coisa desse tipo. Elas permanecem aqui\u201d. A cr\u00edtica gostou, elogiando a simplicidade do som e a intensidade das interpreta\u00e7\u00f5es e da voz de Dylan, comparando-o aos fantasmas que ele resgatava (Son House, Mississipi John Hurt, Lonnie Johnson, etc). Um elogio ir\u00f4nico, claro, por\u00e9m um elogio. Tamb\u00e9m teve pol\u00eamica, pelo fato de todas as can\u00e7\u00f5es terem sido creditadas como \u201cArranjo original de Bob Dylan\u201d, quando a verdade n\u00e3o era bem essa&#8230; De fato, muitos arranjos foram surrupiados, mas a conversa aqui \u00e9 outra. \u201cGood As I Been To You\u201d foi um disco de seguran\u00e7a: n\u00e3o acrescentou nada de novo \u2013 nem de original \u2013 mas tamb\u00e9m n\u00e3o foi nada constrangedor como seus piores trabalhos da d\u00e9cada passada. Se voc\u00ea gosta de faroeste, n\u00e3o vai perder nenhum faroeste de John Wayne, por pior que seja. Com Bob Dylan, \u00e9 a mesma coisa: ele raramente erra quando faz o feij\u00e3o-com-arroz, isto \u00e9, voz &amp; viol\u00e3o. D\u00e1 pra ouvir numa boa. Se voc\u00ea estiver cansado do mundo, \u00e9 claro. \u201cFrankie &amp; Albert\u201d, que abre o disco, \u00e9 de arrepiar a alma, numa interpreta\u00e7\u00e3o fria como um iceberg. A gaita de \u201cSittin\u2019 On Top Of The World\u201d transmite todo o pesar e a decep\u00e7\u00e3o por ter sido abandonado por uma mulher. Um dos poucos momentos de lux\u00faria de \u201cGood As I Been To You\u201d \u00e9 a regrava\u00e7\u00e3o de \u201cTomorrow Night\u201d, can\u00e7\u00e3o de Elvis Presley nos tempos de Sun \u2013 repare no modo como Bob enfatiza o espa\u00e7o entre \u201csurrender\u201d e \u201cto me\u201d. Os cr\u00edticos foram ao \u00eaxtase, dizendo se tratar de um verdadeiro crooner. Mas o ponto alto do disco \u00e9 mesmo a \u00faltima faixa, \u201cFroggie Went A Courtin\u2019\u201d, com suas imagens nonsense e o conselho: \u201cIf you want any more, you can sing it yourself\u201d. Mas Dylan nos daria mais no pr\u00f3ximo disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6350 aligncenter\" title=\"worldgonewrong\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/worldgonewrong.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>World Gone Wrong (1993)<\/strong><br \/>\nGravado em duas sess\u00f5es em maio de 93, este disco pende mais para o blues, com um imagin\u00e1rio mais violento do que o anterior. Bob Dylan manifestou sua admira\u00e7\u00e3o pelo som dos cantores dos anos 50 e 60: \u201cAs pessoas deveriam correr atr\u00e1s das velhas grava\u00e7\u00f5es e descobrir o que \u00e9 a coisa real, porque a minha [m\u00fasica] \u00e9 de segunda gera\u00e7\u00e3o\u201d. Em um momento no qual os m\u00fasicos exploravam cada vez mais as novas tecnologias, Dylan se voltava para o b\u00e1sico novamente: voz &amp; viol\u00e3o, com a gaita espocando seu brilho aqui e ali. A Rolling Stone gostou: \u201cum cantor de blues genial, oracular e atemporal\u201d. Nem todos entenderam assim na \u00e9poca, mas passados 17 anos, parece que a revista fundada por Ralph Gleason acertou na mosca. A faixa-t\u00edtulo, que abre o disco, j\u00e1 estabelece o par\u00e2metro: \u201cStrange things have happened, like never before\u201d. Estamos em um mundo corrompido, onde n\u00e3o h\u00e1 reden\u00e7\u00e3o. Dylan canta as frases tristes de \u201cBlood In My Eyes\u201d com uma alegria contida, principalmente no refr\u00e3o, fazendo um contraponto muito eficiente entre o que est\u00e1 sendo dito e o modo de dizer. A can\u00e7\u00e3o seguinte, \u201cBroke Down Engine\u201d, pode assustar os que pensavam estar num cemit\u00e9rio: Bob fica animad\u00edssimo ao chamar o Senhor e a batida do viol\u00e3o levanta todos os mortos. \u201cDelia\u201d, no entanto, marca a volta \u00e0 tumba: \u201call the friends I ever had are gone\u201d. Para cantar o blues \u00e9 preciso viver o blues \u2013 e \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o pensar no Bob Dylan isolado desta \u00e9poca, quase sem amigos de confian\u00e7a, pagando o pre\u00e7o por ter sido arrogante e mesquinho com a maioria das pessoas. Mas \u00e9 em \u201cTwo Soldiers\u201d que a alma arrepia, numa hist\u00f3ria com \u201ca horrible dying yell\u201d. Existe uma integra\u00e7\u00e3o espetacular da voz \u00e1spera e rouca de Dylan com o dedilhar tenso do viol\u00e3o. \u00c9 quase um \u201cTime Out Of Mind\u201d ac\u00fastico, tocado pelo mesmo homem solit\u00e1rio que escreveria \u201cThings Have Changed\u201d anos depois. \u201cLone Pilgrim\u201d \u00e9 o ermit\u00e3o solit\u00e1rio de \u201cTime Pass Slowly\u201d, agora sem parentes por perto, e encerra o disco de forma tranq\u00fcila e contida. O mundo termina com um suspiro, n\u00e3o com um grito, disse o poeta T. S. Eliot. Apesar desse per\u00edodo ac\u00fastico, engana-se quem pensa que Dylan estava s\u00f3 jo\u00e3ogilbertizando o que fazia de bom: durante a Never Ending Tour, ele estava aprendendo a tocar guitarra com um pequeno conjunto, liderado por G. E. Smith, maestro da banda do Saturday Night Live. Bill Flanagan resume a parada: \u201cWorld Gone Wrong \u00e9 para qualquer um que tenha ouvido para escutar e cora\u00e7\u00e3o para sentir\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6351 aligncenter\" title=\"mtvunplugged_1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/mtvunplugged_1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MTV Unplugged (1994)<\/strong><br \/>\nO fato de Bob Dylan voltar a tocar viol\u00e3o e gaita pode sugerir que o trovador est\u00e1 de volta. N\u00e3o \u00e9 para tanto: algumas interpreta\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam brilho algum e a escolha do repert\u00f3rio teve de se acomodar aos pedidos da MTV, o que levou a algum desinteresse por parte de Dylan em se entregar como deveria na interpreta\u00e7\u00e3o de seus hits. Este \u00e1lbum \u00e9 tamb\u00e9m uma tentativa de Bob Dylan de se aproximar do p\u00fablico jovem, algo que ele j\u00e1 vinha fazendo com a Never Ending Tour. S\u00e3o 10 can\u00e7\u00f5es e mais algumas que ficaram de fora. Das que entraram, duas valem o disco. A primeira \u00e9 \u201cShooting Star\u201d, numa interpreta\u00e7\u00e3o que parece ser a definitiva da can\u00e7\u00e3o. A outra \u00e9 \u201cLove Minus Zero\/No Limit\u201d, recheada de viol\u00e3o steel. \u201cO modo como ele canta \u201cwall\u201d vale o disco\u201d, segundo Brian Hilton. Dif\u00edcil discordar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6352 aligncenter\" title=\"time_out_mind\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/time_out_mind.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/time_out_mind.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/time_out_mind-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Time Out Of Mind (1997)<\/strong><br \/>\nOutro renascimento (este sombrio em todos os sentidos) patrocinado por Daniel Lanois. Um problema no cora\u00e7\u00e3o levou Dylan para o hospital e influenciou a tem\u00e1tica do disco (morte, vazio, solid\u00e3o). Ele queria que o disco pudesse ser \u201cmais sentido do que pensado\u201d, que fosse \u201cuma performance em vez de uma coisa do tipo liter\u00e1ria\u201d. Aqui Dylan veste a tradi\u00e7\u00e3o com roupas contempor\u00e2neas, no que pode ser visto como o disco que marca o fim do s\u00e9culo XX. Basta a primeira frase de \u201cLove Sick\u201d \u2013 e o modo como Dylan a canta \u2013 para sabermos que estamos diante de uma obra-prima: \u201cI\u2019m walking&#8230; through streets that are dead\u201d. N\u00e3o \u00e9 propriamente o m\u00e9rito liter\u00e1rio, mas a intensidade da interpreta\u00e7\u00e3o que faz a excel\u00eancia do \u00e1lbum. \u00c9 tamb\u00e9m o in\u00edcio de um longo debate sobre a quest\u00e3o autoral das can\u00e7\u00f5es: a quem pertencem os versos? Bob Dylan roubou muitas frases de m\u00fasicas antigas, dos discos de 78 rota\u00e7\u00f5es. Os especialistas gastam saliva e pesquisa para descobrir de onde foi feito o roubo. Por ora, basta-nos curtir a m\u00fasica. \u201cDirt Road Blues\u201d foi definida pelo autor como se \u201cCharley Patton tivesse vivido o bastante para gravar nos est\u00fadios da Sun nos anos 1950\u201d. A terceira faixa, \u201cStanding In The Doorway\u201d \u00e9 um country vagaroso, com muitos empr\u00e9stimos, mas com um raro senso de devasta\u00e7\u00e3o na m\u00fasica popular (\u201ceven if the flesh fall off of my face\u201d). \u00c9 a continua\u00e7\u00e3o, a explica\u00e7\u00e3o de \u201cLove Sick\u201d. A sensa\u00e7\u00e3o de vazio \u00e9 constante em todo o disco, com versos sobre a falta de palavras. O cansa\u00e7o, a solid\u00e3o e o solo de gaita em \u201cTryin\u2019To Get To Heaven\u201d s\u00e3o comoventes, vindos de um sujeito que pode cantar \u201cI been all around the world, boys\u201d, soando dur\u00e3o e destru\u00eddo ao mesmo tempo. \u201c\u2019Till I Fell In Love With You\u201d \u00e9 um rhythm and blues que exemplifica o som quente e claustrof\u00f3bico do disco. Mas \u00e9 em \u201cNot Dark Yet\u201d que o tema da morte corta como navalha. N\u00e3o parece haver reden\u00e7\u00e3o para este cantor de blues, recitando sua dor contra uma combina\u00e7\u00e3o maravilhosa de guitarra e bateria. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o sobre envelhecimento e tamb\u00e9m sobre um amor desfeito. Na entrega do Grammy, quando foi premiado por \u201cCold Irons Bound\u201d, Dylan afirmou que sentiu o esp\u00edrito de Buddy Holly no est\u00fadio durante as grava\u00e7\u00f5es. \u201cMake You Feel My Love\u201d \u00e9 talvez o momento mais alegre do disco, quase um Roberto Carlos americanizado. Qualquer vest\u00edgio de sentimentalidade \u00e9 deixado para tr\u00e1s em \u201cCan\u2019t Wait\u201d, raivosa e animada, com alguma sensualidade na batida matreira. \u201cHighlands\u201d fecha o disco, deixando o ouvinte com a sensa\u00e7\u00e3o de que a can\u00e7\u00e3o poderia continuar infinitamente, como se o tempo presente fosse perp\u00e9tuo, gra\u00e7as ao riff roubado de Charley Patton, que se repete hipnoticamente durante 16 minutos e 32 segundos. A voz corro\u00edda desse homem devastado foi um sucesso, o primeiro \u00e1lbum de platina desde \u201cSlow Train Coming\u201d. Curiosidade: vale dar uma olhada no filme \u201cA M\u00e1scara do Anonimato\u201d (2003), em que Dylan interpreta a si mesmo, com apresenta\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias m\u00fasicas deste disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 10,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6353 aligncenter\" title=\"love-and-theft\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/love-and-theft.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/love-and-theft.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/love-and-theft-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cLove And Theft\u201d (2001)<\/strong><br \/>\nEzra Pound, o poeta mais influente do s\u00e9culo XX, disse certa vez: se voc\u00ea for roubar, trate de ser honesto e explicar suas refer\u00eancias ou fazer isso do modo mais camuflado poss\u00edvel. Dylan oscila entre estes dois p\u00f3los. S\u00e3o comuns as entrevistas em que ele cita seus her\u00f3is do passado, ao mesmo tempo em que esconde suas refer\u00eancias. Da\u00ed as aspas do t\u00edtulo na capa do \u00e1lbum (\u201cAmor e Roubo\u201d). O disco foi lan\u00e7ado numa data ingl\u00f3ria: 11 de setembro de 2001. Alguns consideraram \u201cLove And Theft\u201d uma resposta bem humorada e surrealista ao ataque \u00e0s Torres G\u00eameas. \u201cQualquer dia acima do ch\u00e3o \u00e9 um bom dia\u201d, declarou Dylan na \u00e9poca. Bob pensa no \u00e1lbum \u201cmais como uma colet\u00e2nea de greatest hits, sem os hits\u201d. Brian Hinton est\u00e1 mais pr\u00f3ximo da verdade, ao considerar o disco uma obra p\u00f3s-moderna, \u201creunindo ecos, express\u00f5es e sons e chacoalhando o caleidosc\u00f3pio mais uma vez\u201d. A quest\u00e3o da autoria e do pl\u00e1gio foi muito debatida. Dylan teria retrabalhado trechos do livro \u201cConfiss\u00f5es de um Yakuza\u201d, de Junichi Saga, sobre um g\u00e2ngster que est\u00e1 para morrer. Outros cr\u00edticos consideraram tudo isso uma piada de mau gosto: imagens bizarras, voz deteriorada, versos roubados. Melhor \u00e9 aproveitar o que h\u00e1 de bom nessa cole\u00e7\u00e3o de quase uma hora, espalhada em 12 can\u00e7\u00f5es. O in\u00edcio n\u00e3o poderia ser menos nonsense. Dylan se aproveita de Twedle Dee e Twedle Dum, de Lewis Carroll, para compor uma \u201cHighway 61 Revisited tocada por malucos\u201d, segundo Hinton. Abandonada em \u201cTime Out Of Mind\u201d (e gravada por Sheryl Crow em \u201cThe Global Sessions\u201d, de 1998), \u201cMississipi\u201d introduz a devasta\u00e7\u00e3o no disco, apesar de acenar com a esperan\u00e7a do amor redentor (\u201cI&#8217;m gonna look at you \u2019till my eyes go blind\u201d). Os blues (\u201cLonesome Day Blues\u201d, \u201cHonest With Me\u201d, \u201cCry A While\u201d) tornam \u201cLove And Theft\u201d um disco animado, com direito a piadinhas amorosas. Uma mulher tem um rosto \u201clike a teddy bear\u201d. Em \u201cSummer Days\u201d, Dylan turbina seu desejo: \u201cI\u2019ve got eight carburetors, baby\u201d. O conselho final est\u00e1 em \u201cSugar Baby\u201d, can\u00e7\u00e3o de amor e reden\u00e7\u00e3o: \u201cYou always got to be prepared but you never know for what\u201d. Algu\u00e9m que dissesse que \u201cLove And Theft\u201d \u00e9 \u201cUnder The Red Sky\u201d filtrado pelo Dylan de \u201cGood As I Been To You\u201d e \u201cWorld Gone Wrong\u201d n\u00e3o estaria longe da verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6354 aligncenter\" title=\"moderntimesbobdylan\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/moderntimesbobdylan.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Modern Times (2006)<\/strong><\/span><br \/>\nEstamos no mesmo terreno do disco anterior, mas o tom aqui \u00e9 mais s\u00f3brio. A mistura de blues, rockabilly, country e empr\u00e9stimos continua. Bob Dylan disse que adora cantar melodias alheias na cabe\u00e7a, enquanto dirige ou conversa, adaptando e mudando as letras, at\u00e9 que tenha algo novo (como ele canta numa m\u00fasica deste \u00e1lbum, \u201cI keep recycling the same old thoughts\u201d). Este \u201cnovo\u201d \u00e9 objeto de muito debate, tal como em \u201cLove And Theft\u201d: o que \u00e9 de Dylan, o que n\u00e3o \u00e9 de Dylan? Os autores roubados parecem velhos demais at\u00e9 para reclamar, supondo que ainda exista algum vivo para abrir a boca. Folclore irland\u00eas, standards, baladas dos anos 30 e 40 s\u00e3o o pontap\u00e9 inicial para Dylan tocar seu jogo. \u201cThunder On The Mountain\u201d \u00e9 um dos melhores come\u00e7os de disco de Bob Dylan: a guitarra entra solando e a bateria nervosa d\u00e1 o tom desse country levado pelo piano, com direito a cita\u00e7\u00e3o ao poeta Ov\u00eddio e \u00e0 cantora Alicia Keys. \u201cSpirit On The Water\u201d e \u201cBeyond The Horizon\u201d est\u00e3o entre as can\u00e7\u00f5es de amor mais felizes de Bob, com a segunda nos remetendo ao nosso inevit\u00e1vel Rei Roberto Carlos. Por\u00e9m, \u00e9 em \u201cWhen The Deal Goes Down\u201d \u2013 cujo clipe tem ningu\u00e9m menos do que Scarlet Johanson de mai\u00f4! \u2013 que Dylan afirma o amor incondicional: \u201cI owe my heart to you, and that\u2019s sayin\u2019 it true, and I\u2019ll be with you when the deal goes down\u201d. Dos blues, \u201cRollin\u2019 And Tumblin\u2019\u201d, \u201cThe Levee\u2019s Gonna Break\u201d e \u201cSomeday Baby\u201d, este \u00e9 o melhor, num casamento infernal de letra (\u201cI don\u2019t care what you do, I don\u2019t care what you say, I don\u2019t care where you go or how long you stay, someday baby, you ain\u2019t gonna worry po\u2019me any more\u201d) e m\u00fasica (a pegada quente dos riffs e os solos de guitarra). Duas can\u00e7\u00f5es se sobressaem aqui. A primeira \u00e9 \u201cWorkingman\u2019s Blues #2\u201d, apoiada num belo trabalho de cordas, sobre trabalhadores em tempos econ\u00f4micos dif\u00edceis. Soa t\u00e3o antiga que poderia ter sido cantada durante a Grande Depress\u00e3o, mas guarda versos atuais: \u201cSome people never worked a day in their life, don\u2019t know what work ever means\u201d. A outra \u00e9 a faixa de encerramento, \u201cAin\u2019t Talkin\u2019\u201d, um passeio de um sujeito devastado num mundo violento. Praticamente uma vers\u00e3o f\u00fanebre de \u201cThings Have Changed\u201d, se esta tivesse sido gravada durante \u201cTime Out Of Mind\u201d: \u201cThe sufferin\u2019 is unending, every nook and cranny has its tears, I\u2019m not playing, I\u2019m not pretending, I\u2019m not nursin\u2019 any superfluous fears, ain\u2019t talkin\u2019, just walkin\u2019\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6355 aligncenter\" title=\"_jpg\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/_jpg.jpeg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Together Trough Life (2009)<\/strong><br \/>\n\u201cBeyond Here Lies Nothing\u201d abre o disco com uma batida seca de bateria, tal e qual \u201cLike a Rolling Stone\u201d abria o m\u00edtico \u201cHighway 61 Revisited\u201d no long\u00ednquo ano de 1965. Se seu clipe tivesse sido feito por algum artista mais jovem teria dado o que falar: um casal se espanca durante toda a can\u00e7\u00e3o para fazer as pazes no final. O acorde\u00e3o de David Hidalgo que aparece nesta faixa d\u00e1 o tom do disco, composto por blues repletos de energia. As can\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a ser produzidas para o filme \u201cMy Own Love Song\u201d, do diretor franc\u00eas Olivier Dahan. Muitas delas s\u00e3o em parceria com Robert Hunter, do Grateful Dead. Desde \u201cDesire\u201d, em 76, que Dylan n\u00e3o dividia a autoria com outro parceiro em tantas can\u00e7\u00f5es. Hunter e Dylan j\u00e1 haviam composto juntos nos anos 80. Talvez por causa dessa uni\u00e3o seja dif\u00edcil considerar \u201cTogether Trough Life\u201d como o volume 3 de uma trilogia iniciada em \u201cLove And Theft\u201d, de acordo com a sugest\u00e3o de Dylan. Ele gostou do som vivo do disco (\u201cgruda na cabe\u00e7a como uma dor de dente\u201d). \u201cLife Is Hard\u201d \u00e9 o centro tem\u00e1tico do \u00e1lbum, afirmando a necessidade de sonhar (um misto de esperan\u00e7a e medo) e de amar, pois a vida \u00e9 dura. O verso pungente \u201cdreams never did work for me anyway\u201d \u00e9 o tipo de coisa que poderia estar num daqueles blues do in\u00edcio do s\u00e9culo, cantados por algum Blind qualquer. \u201cForgetful Heart\u201d \u00e9 um dos destaques do \u00e1lbum, um blues dark sobre mais um amor perdido: \u201cYou were the answer to my prayer\u201d. Mas hoje tudo o que ele ouve \u00e9 \u201cthe sound of pain\u201d. \u201cJolene\u201d mant\u00e9m a pegada e o embalo, num rock cru, com um refr\u00e3o matreiro (\u201cJolene, Jolene, I am the king and you is the Queen\u201d), reconhecendo que o amor pode salv\u00e1-lo das trevas (\u201cIf you hold me in your arms, things don\u2019t look so dark\u201d). \u201cI Feel A Change Comin\u2019 On\u201d \u00e9 uma m\u00fasica sobre a velhice, o amor e o fim da vida. Bob ainda teve a pachorra de meter umas refer\u00eancias ao modo como James Joyce tratava sua esposa Nora nas cartas (\u201cYou are as whore as ever, baby, you can start a fire\u201d). N\u00e3o tem nada a ver, mas \u00e9 curioso: embora \u201cUlysses\u201d tenha sido escrito para ela, Nora se recusou a ler uma p\u00e1gina do catatau de seu marido. N\u00e3o poderia ser mais certeiro quando Dylan canta: \u201cSome people tell me I got the blood of the land in my voice\u201d. Ao contr\u00e1rio do que se poderia esperar, nem mesmo a chegada de um negro \u00e0 presid\u00eancia parece ter trazido esperan\u00e7a ao compositor neste mundo corrompido, que assegura sarcasticamente, com voz sombria, no fim do disco: \u201cIt\u2019s All Good\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6356 aligncenter\" title=\"dylan_heart\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/dylan_heart.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Christmas In The Heart (2009)<\/strong><br \/>\nMuita gente pensou que era piada: Bob Dylan faria um disco s\u00f3 com m\u00fasicas natalinas. N\u00e3o era. \u201cMust Be Santa\u201d teve direito at\u00e9 a clipe na televis\u00e3o \u2013 e com uma risada que nos remete aos tempos daquele caipira que divertia a plat\u00e9ia com piadas e m\u00fasicas engra\u00e7adas no in\u00edcio de carreira. Parece m\u00fasica de fanfarra, muito por causa do acorde\u00e3o. A introdu\u00e7\u00e3o de \u201cO Come All Your Faithfull\u201d vem do latim, enquanto a faixa anterior \u201cChristmas Blues\u201d \u00e9 um blues para ningu\u00e9m botar defeito, com o Papai Noel deixando o blues nos sapatinhos, em vez de presentes. O som dessa brincadeira toda parece vir diretamente de algum filme empoeirado e preto e branco de eras antigas. Ou do seu programa de r\u00e1dio, o \u201cTheme Time Radio Hour\u201d. Nada menos do que 7 das 15 m\u00fasicas s\u00e3o de Frank Sinatra, do disco \u201cA Jolly\u2019s Christmas\u201d, de 1957. Algumas pessoas disseram que este \u00e1lbum \u00e9 um desejo secreto de Bob Dylan bancar o Dean Martin. Seria um retorno ao Dylan crist\u00e3o dos anos 80? Parece pouco para uma afirma\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica. De todo modo, \u00e9 um disco engra\u00e7ado, inesperado, que n\u00e3o deixa de ser uma piada \u2013 muito bem contada, por sinal. Em \u201cThe Christimas Song\u201d, Dylan se permite mencionar Jack Frost, nome com o qual ele assina a produ\u00e7\u00e3o de seus discos. \u201cO Little Town of Bethlehem\u201d \u00e9 o encerramento perfeito, parece que estamos numa catedral \u2013 do blues, \u00e9 claro \u2013 e a voz de Bob soa mais adequada do que nunca: como uma lixa, aut\u00eantica. Uma voz que nos faz pensar: esta vers\u00e3o do Papai Noel talvez pudesse ser desenhada pelo Dr. Seuss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/bobdylan.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tempest (2014)<\/strong><br \/>\nUm anticl\u00edmax. Depois de uma sequ\u00eancia poderosa que se inicia com \u201cTime Out of Mind\u201d, passa por \u201cLove and Theft\u201d e \u201cTogether Through Life\u201d, este \u00e1lbum pode ser considerado uma decep\u00e7\u00e3o. Apenas a grife explica que tenha cavado um lugar em listas de melhores do ano. Dylan mergulha em imagens tradicionais da m\u00fasica folk e do blues, por\u00e9m sem inspira\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m espera nada menos do que excel\u00eancia quando p\u00f5e um Bob Dylan pra tocar, caso dessa cole\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es mais ou menos. A faixa-t\u00edtulo, \u201cScarlet Town\u201d e a homenagem a Lennon em \u201cRoll Over John\u201d se arrastam, e o cansa\u00e7o de Dylan \u00e9 tamb\u00e9m o cansa\u00e7o do ouvinte. Vale conferir a violenta \u201cSoon After Midnight\u201d e a grande joia de Tempest: \u201cLong and Wasted Years\u201d, um belo lamento para um amor perdido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/dylan_shadows.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"448\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Shadows In The Night (2015)<\/strong><br \/>\nDylan canta Frank Sinatra. Uma surpresa apenas para os que n\u00e3o conhecem Mr. Zimmerman. Ele sempre foi bem claro: \u201cEu fa\u00e7o m\u00fasica americana\u201d. Este \u00e1lbum \u00e9 um passeio breve por cl\u00e1ssicos j\u00e1 conhecidos nas vozes de Sinatra, Ray Charles, Billie Holliday etc. Embora afirme ser esta a melhor grava\u00e7\u00e3o de sua voz em toda a carreira, Dylan n\u00e3o compete (nem haveria como) com essas gargantas de ouro. Auxiliado pela slide guitar de Donny Herron, principal contribuinte para o som coeso do \u00e1lbum, sempre em tom menor, a marca de Bob est\u00e1 na interpreta\u00e7\u00e3o surpreendente (repare, por exemplo, no modo fr\u00e1gil como pronuncia a palavra \u201cdark\u201d em \u201cThe night we called it a day\u201d). \u201cAutumn leaves\u201d ganha vers\u00e3o espectral, a melodia flutuando pelo ar feito as folhas da letra. H\u00e1 um tanto de abandono aqui, como se Dylan tivesse de alcan\u00e7ar lugares poucas vezes acessados em seu papel de mero int\u00e9rprete. Somado aos temas de solid\u00e3o, tristeza e apelos por volta da amada, este disco surpreende positivamente (ainda mais vindo na sequ\u00eancia do terr\u00edvel \u201cTempest\u201d). A boa not\u00edcia \u00e9 que h\u00e1 mais de uma dezena de grava\u00e7\u00f5es que n\u00e3o foram aproveitadas (que ele vai lan\u00e7ar na sequencia)!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-61040\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/tripicate.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/tripicate.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/tripicate-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fallen Angels (2016) e Triplicate (2017)<\/strong><br \/>\nContinua\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o pelo cancioneiro americano (Great American Songbook). A inten\u00e7\u00e3o de Bob era trazer estas can\u00e7\u00f5es de volta \u00e0 vida, \u201cdescobri-las\u201d (\u201cuncovering them\u201d). Nas entrevistas mais recentes, daquele seu modo enigm\u00e1tico, Dylan tem enfatizado a import\u00e2ncia da arquitetura da can\u00e7\u00e3o. Conceito que n\u00e3o sabe explicar muito bem, exceto para apontar onde n\u00e3o existe e onde existe \u2013 caso desta nova leva de can\u00e7\u00f5es. Seu desejo de investigar as can\u00e7\u00f5es \u201cque o rock and roll veio para destruir\u201d (inclusive com a sua ajuda&#8230;) vem desde a d\u00e9cada de 1970, quando ouviu \u201cStardust\u201d, de Willie Nelson. Mesmo na passagem de som dos shows evang\u00e9licos, em 1978, Dylan j\u00e1 bancava o crooner em \u201cA Couple More Years\u201d (de Shel Silverstein) e \u201cShe\u2019s Not For You\u201d (de Willie Nelson), sonhando ainda em gravar um disco de cl\u00e1ssicos country. Os arranjos de &#8220;Fallen Angels&#8221; e &#8220;Triplicate&#8221; continuam s\u00f3brios e minimalistas: como produtor, ele decidiu prescindir do piano, pois ocupava muito espa\u00e7o. Seu papel \u00e9 cantar, auxiliado pelos cinco parceiros fi\u00e9is: os guitarristas Charlie Sexton e Dean Parks, o baterista George Recile, o mago do pedal steel Donnie Herron e o seu bra\u00e7o-direito, o baixista Tony Garnier. Assim, a trupe dylanesca segue no processo de estripar a can\u00e7\u00e3o original de tudo o que \u00e9 acess\u00f3rio, para chegar \u00e0 sua ess\u00eancia. Novamente \u00e9 a sua voz quem vem para o centro do palco. Mesmo nos shows da Never Ending Tour, quando uma destas can\u00e7\u00f5es era performada, ele costumava sair da lateral e assumir o papel completo de vocalista diante da plateia. Bob chegava at\u00e9 a sorrir, ao se curvar para agradecer os aplausos ap\u00f3s \u201cWhy Try to Change Me Now?\u201d. &#8220;Fallen Angels&#8221; segue na mesma trilha de seu antecessor &#8220;Shadows In The Night&#8221;. A novidade de \u201cTriplicate\u201d \u00e9 o acr\u00e9scimo de uma se\u00e7\u00e3o de metais, que traz uma alegria despreocupada a certas can\u00e7\u00f5es, como em \u201cBraggin\u2019\u201d, \u201cDay In, Day Out\u201d, \u201cI Guess I\u2019ll Have to Change My Plans\u201d. Juntos, estes 5 discos formam um conjunto de can\u00e7\u00f5es selecionadas cuidadosamente para sobreviver \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o da sociedade de consumo, que imp\u00f5e \u201cas mesmas roupas, os mesmos pensamentos, a mesma comida. Tudo \u00e9 processado\u201d. Contra a tecnologia dos est\u00fadios (\u201ccontr\u00e1ria \u00e0s emo\u00e7\u00f5es que informam a vida de uma pessoa\u201d), Dylan oferece o que ningu\u00e9m mais pode oferecer: sua voz, sua presen\u00e7a. Fr\u00e1gil e poderosa, amorosa e desolada, sutil e amea\u00e7adora. Como presente de anivers\u00e1rio para os 18 anos de sua filha Rosanne, Johnny Cash elencou cem can\u00e7\u00f5es country que ela deveria ouvir (posteriormente uma d\u00fazia delas deu origem ao disco The List). Bob Dylan agiu de modo semelhante aqui, com uma diferen\u00e7a \u2013 imprimiu nelas a sua voz. Podemos ouvi-lo dizer: \u00e9 assim que elas devem ser tocadas. Ou seja, como can\u00e7\u00f5es folks.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-61042 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/rpughdylcan.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/rpughdylcan.jpg 400w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/rpughdylcan-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/rpughdylcan-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rough and Rowdy Ways (2020)<\/strong><br \/>\nA chave para o primeiro disco de in\u00e9ditas em oito anos est\u00e1 no verso da whitmaniana \u201cI Contain Multitudes\u201d: \u201cI go right where all things lost are made good again\u201d. Ou seja, mais uma vez o tema do expedicion\u00e1rio musical que traz \u00e0 vida can\u00e7\u00f5es esquecidas. Como o empolgante riff de \u201cFalse Prophet\u201d (roubado de Billy The Kid Emerson). Como a estranha sequ\u00eancia de acordes de \u201cBlack Rider\u201d (ainda n\u00e3o descobrimos qual a origem desse roubo&#8230;). Como na infind\u00e1vel enumera\u00e7\u00e3o de artistas e pol\u00edticos de \u201cMurder Must Foul\u201d. \u201cEu abri meu cora\u00e7\u00e3o para o mundo e o mundo entrou\u201d. Estaria Dylan a ler o Livro dos Mortos eg\u00edpcio? Certo \u00e9 que enquanto estava descobrindo (\u201cuncovering\u201d) Sinatra, Bob levou mais um pr\u00eamio, desta feita o Nobel de Literatura. Mais certo ainda \u00e9 que a presen\u00e7a do guitarrista Blake Mills poderia marcar uma nova transforma\u00e7\u00e3o em sua banda. Por enquanto, ainda permanece o mist\u00e9rio: qual a real participa\u00e7\u00e3o de Mills neste \u00e1lbum? Ele postou trechos de 7 das 9 can\u00e7\u00f5es no Instagram, sugerindo que sua participa\u00e7\u00e3o iria al\u00e9m do cr\u00e9dito de \u201cm\u00fasico adicional\u201d. De fato, a eleg\u00e2ncia e a destreza dos licks e dos acordes \u201cblocados\u201d tocados por Blake Mills s\u00e3o marcantes, a distin\u00e7\u00e3o de que algo novo aconteceu na nossa presen\u00e7a. Qual foi o \u00faltimo disco de \u201coriginais\u201d em que tantas melodias simplesmente grudaram t\u00e3o instant\u00e2neas em nossa mente? Talvez por isso mesmo seu nome tenha ficado esmaecido. O som caracter\u00edstico de &#8220;Rough and Rowdy Ways&#8221; n\u00e3o existiria sem Blake Mills, a arma secreta menos secreta desde o acorde\u00e3o de David Hidalgo. Mas quem \u00e9 este guitarrista indie no universo de Bob Dylan? Exato: apenas mais um guitarrista a servi\u00e7o de algu\u00e9m que subiu \u201ca montanha de espadas com os p\u00e9s descal\u00e7os\u201d, algu\u00e9m que \u201cn\u00e3o se lembra de quando nasceu nem de quando morreu\u201d. H\u00e1 um estranho mist\u00e9rio nestas can\u00e7\u00f5es, que nos confrontam com as partes desconhecida de n\u00f3s pr\u00f3prios (\u201cIn the mystic hours when a person\u2019s alone\u201d). O falso profeta, o cavaleiro negro, as musas gregas, os rios, a imortalidade, a morte, o amor, os brinquedos infantis, os ap\u00f3stolos crist\u00e3os. Dylan vai desenrolando com a l\u00edngua o mapa espiritual do cosmos, em especial da sua Am\u00e9rica. Nesse turbilh\u00e3o de rimas inusitadas somos transportados para um espa\u00e7o onde tudo pode acontecer: a can\u00e7\u00e3o. Se calhar, ela \u00e9 o \u201cvoc\u00ea\u201d de \u201cMy Own Version of You\u201d (que parece sa\u00edda de um filme B noir), e n\u00e3o algu\u00e9m de carne e osso, ou uma tola fantasia machista como fizeram supor. Uma can\u00e7\u00e3o prima de \u201cMan In The Long Black Coat\u201d (procure a explica\u00e7\u00e3o dylanesca em suas Cr\u00f4nicas). A pandemia do coronav\u00edrus pode ter sido a desculpa perfeita para os quase 17min de \u201cMurder Must Foul\u201d, que alcan\u00e7ou um inusitado sucesso (se as pessoas tentaram decodificar esta medita\u00e7\u00e3o, \u00e9 outra hist\u00f3ria &#8211; e se \u00e9 poss\u00edvel decodific\u00e1-la, \u00e9 tarefa para os acad\u00eamicos). De qualquer forma, ao ouvir esta can\u00e7\u00e3o, Chrissie Hynde (The Pretenders), abandonou a letargia e decidiu gravar um disco completo de covers do Bob, intitulado &#8220;Standing in The Doorway&#8221;. Mais prov\u00e1vel \u00e9 que \u201cI\u2019ve Made up My Mind to Give Myself to You\u201d se torne outra balada cl\u00e1ssica, na linha de \u201cMake You Feel My Love\u201d: h\u00e1 uma do\u00e7ura incomum em sua l\u00edrica aqui \u2013 repare no modo como ele canta \u201clost in the stars\u201d logo no verso inicial. Inflex\u00f5es de voz como esta, mudan\u00e7as sutis e \u00e0s vezes \u00e0speras no fraseado, mostram o dom\u00ednio e a maestria imperfeita de Bob Dylan, numa reuni\u00e3o de can\u00e7\u00f5es que crescem aos poucos, repletas de assombros e epifanias. O recado est\u00e1 dado mais uma vez: \u201cDo it with laughter and do it with tears\u201d. Nunca houve melhor conselho para cruzar o rubic\u00e3o, seja pela primeira, seja pela \u00faltima vez.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6360 aligncenter\" title=\"dylan_bootlegs\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/dylan_bootlegs.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/dylan_bootlegs.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/dylan_bootlegs-300x175.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">As Bootlegs Series<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1991, a fim de (tamb\u00e9m) lucrar com suas sobras e grava\u00e7\u00f5es ao vivo (o que muita gente j\u00e1 vinha fazendo desde os anos 60), Bob Dylan colocou na lojas um box triplo chamado provocativamente de \u201cBootleg Series\u201d que resumiam trinta anos (1961\/1991) de pirataria em 58 can\u00e7\u00f5es que flagravam de uma sess\u00e3o na casa de Dylan em 1961 (&#8220;Hard Times in New York Town&#8221;), outra no famoso Gaslight Cafe, em Greenwich Village (&#8220;No More Auction Block&#8221;,1962), passavam por sobras dos \u00e1lbuns cl\u00e1ssicos indo at\u00e9 outtakes do \u00e1lbum \u201cOh Mercy\u201d. Os f\u00e3s que ajoelharam-se perante \u201cBiograph\u201d, o box de 1985, podiam morrer felizes agora. Ou n\u00e3o, pois muito ainda estava por vir. Em 1998, Dylan deu sequencia ao projeto colocando no mercado o \u00e1udio completo do m\u00edtico show em Manchester, em 1966, que durante d\u00e9cadas foi comercializado pelos pirateiros como sendo em Londres. Dylan brinca com o engano dando nome ao bootleg n\u00famero 4 de The \u201cRoyal Albert Hall\u201d Concert. O hist\u00f3rico climax do final do show, em que algu\u00e9m da plateia chama Dylan de Judas, est\u00e1 eternizado no obrigat\u00f3rio document\u00e1rio de Martin Scorsese, \u201cNo Direction Home\u201d, e neste CD duplo que cont\u00e9m as duas entradas de Dylan no palco, a primeira ac\u00fastica (aplaudida) e a segunda el\u00e9trica (vaiada). O volume 5 resgata 22 faixas entre altos e baixos da The Rolling Thunder Revue, a tour amalucada que Dylan promoveu em 1975 no estilo caravana de circo. O volume 6 volta no tempo flagrando Bob Dylan ao vivo no Halloween de 1964 (acompanhado de viol\u00e3o, gaita e Joan Baez) no Philharmonic Hall, em Nova York. O volume sete pegou o bonde do document\u00e1rio de Scorsese, e cont\u00e9m 28 grava\u00e7\u00f5es abrangendo 1959 a 1966 (duas bem conhecidas, &#8220;Song to Woody&#8221;, do primeiro disco, e&#8221; Like A Rolling Stone&#8221;, do bootleg 4). O volume 8 cont\u00e9m 27 grava\u00e7\u00f5es que abrangem pepitas de 1989 a 2006 (uma edi\u00e7\u00e3o de luxo trazia mais 12 n\u00fameros resgatados do mesmo per\u00edodo). Rec\u00e9m-lan\u00e7ada, a nona bootleg series volta mais uma vez no tempo com 47 grava\u00e7\u00f5es entre 1962\/1964 que compreendem tudo (ser\u00e1?) que Dylan gravou para as companhias Leeds e Witmark. Uma edi\u00e7\u00e3o especial deste \u00faltimo \u00e1lbum traz sete registros do concerto de Dylan na Brandeis University, em 1963. H\u00e1 muito ouro nestas bootlegs series, mas o garimpeiro s\u00f3 ir\u00e1 visualizar o brilho de uma can\u00e7\u00e3o renegada (ou de um arranjo deixado de lado) ap\u00f3s cavar muito na discografia do homem. O desafio vale \u00e0 pena. Muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/dylan_bootleg.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Colet\u00e2neas<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 5 anos, Dylan j\u00e1 tinha uma colet\u00e2nea de hits digna de fazer inveja a artistas cujas carreiras n\u00e3o passaram de um ou dois sucessos. \u201cBob Dylan&#8217;s Greatest Hits\u201d (1967) \u00e9 uma boa sele\u00e7\u00e3o, baseada no disco mais recente da \u00e9poca, \u201cBlonde On Blonde\u201d, que carrega quatro m\u00fasicas. Aqui est\u00e3o as can\u00e7\u00f5es de protesto, a guinada para o rock e algumas baladas. A \u00fanica in\u00e9dita \u00e9 a raivosa \u201cPositively 4th Street\u201d, que ficou de fora de \u201cHighway 61 Revisited\u201d. A \u201c4th Street\u201d fica no cora\u00e7\u00e3o de Manhattan, na zona bo\u00eamia do Greenwich Village. Cogita-se que seja endere\u00e7ada a Joan Baez. Seja quem for o destinat\u00e1rio, jamais a m\u00fasica pop veiculou tanto \u00f3dio em 4 minutos: \u201cI wish that for just one time\/You could stand inside my shoes\/And just for that one moment\/I could be you\/\/Yes, I wish that for just one time\/You could stand inside my shoes\/You&#8217;d know what a drag it is\/To see you\u201d. Pode ser uma boa porta para quem nunca ouviu nada de Bob Dylan, mas nos faz pensar em sele\u00e7\u00f5es melhores. Quatro anos depois sa\u00eda \u201cMore Bob Dylan\u2019s Greatest Hits\u201d (1971). O \u201chits\u201d do t\u00edtulo \u00e9 licen\u00e7a po\u00e9tica. Basta ver a sele\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas para sacar que for\u00e7aram a barra. No entanto, este \u00e9 Bob Dylan, e casado com o primeiro disco de hits, d\u00e1 uma boa medida de seu talento. Os destaques s\u00e3o \u201cWatching The River Flow\u201d, com Bob cantando logo na abertura: \u201cWhat\u2019s the matter with me, I don\u2019t have a lot to say\u201d. O lado 4 do vinil (ou o fim do segundo CD, como queira) traz cavalos de batalha lan\u00e7ados como singles, no caso &#8220;You Ain&#8217;t Going Nowhere&#8221; e &#8220;I Shall Be Released&#8221;, que s\u00f3 existem oficialmente em colet\u00e2neas como esta.\u00a0 Caetano Veloso adora se gabar de ter sido o primeiro compositor no Brasil a meter \u201cCoca-Cola\u201d numa can\u00e7\u00e3o popular, mas Bob Dylan conseguiu rimar o refrigerante com \u201cgondola\u201d em \u201cWhen I Paint My Masterpiece\u201d. Algumas can\u00e7\u00f5es das Basement Tapes j\u00e1 come\u00e7am a circular neste \u00e1lbum duplo. Ou\u00e7a sem erro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6361 aligncenter\" title=\"dylan_dulan\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/dylan_dulan.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA saga dos \u201cGreatest Hits\u201d teve seu volume 3 editado em 1994 fechando a tampa com can\u00e7\u00f5es da safra 1971\/1991. J\u00e1 bastaria por &#8220;Knockin&#8217; on Heaven&#8217;s Door&#8221;, mas tem tamb\u00e9m &#8220;Tangled Up in Blue&#8221;, &#8220;Hurricane&#8221;, &#8220;Jokerman&#8221;, &#8220;Forever Young&#8221; (j\u00e1 deu vontade de comprar, diz ae) e curiosidades como o b-side &#8220;The Groom&#8217;s Still Waiting at the Altar&#8221; e duas sobras de \u201cOh Mercy\u201d \u2013 que hoje em dia n\u00e3o s\u00e3o mais novidade.\u00a0 \u201cThe Essencial Bob Dylan\u201d (2000) surgiu para colocar ordem na casa. Colet\u00e2nea dupla, com 30 m\u00fasicas, que pegam desde \u201cBlowin\u2019 in The Wind\u201d (07\/62) indo at\u00e9 \u201cThings Have Changed\u201d (07\/99) com todos os principais hits do compositor, sem muitas surpresas. Aqui o \u00e1lbum vencedor \u00e9 \u201cBringing It All Back Home\u201d, com quatro inclus\u00f5es, mas os destaques s\u00e3o as tr\u00eas faixas que s\u00f3 figuram em colet\u00e2neas: \u201cPositively 4th Street\u201d (que s\u00f3 saiu em single e no \u201cGreatest Hits\u201d 1), &#8220;I Shall Be Released&#8221; e &#8220;You Ain&#8217;t Goin&#8217; Nowhere&#8221; (que juntas integram apenas o \u201cMore Bob Dylan\u2019s Greatest Hits\u201d). De quebra ainda tem \u201cKnockin On Heaven\u2019s Door\u201d, que faz a trilha de \u201cPat Garret And Billy The Kid\u201d algo indicado apenas para dylanologos. N\u00e3o ria, eles existem (e com certeza est\u00e3o lendo tudo isso, a prop\u00f3sito, lembran\u00e7as). Resum\u00e3o mesmo \u00e9 o box triplo \u201cDylan\u201d, de 2006, com 51 can\u00e7\u00f5es que peneiram a carreira do homem deixando de fora da sele\u00e7\u00e3o apenas os \u00e1lbuns \u201cSelf Portrait\u201d, \u201cDylan\u201d e \u201cSaved\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6362 aligncenter\" title=\"dylan_book\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/dylan_book.jpg\" alt=\"\" width=\"194\" height=\"259\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Tributos<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melhor biografia, de longe, \u00e9 a escrita por Clinton Heylin, dispon\u00edvel apenas em ingl\u00eas: \u201cBob Dylan: Behind the Shades Revisited\u201d. Al\u00e9m de narrar a hist\u00f3ria de vida do nosso artista favorito, Heylin ainda se dedica a boas an\u00e1lises e interpreta\u00e7\u00f5es dos discos. Em portugu\u00eas, temos \u201cDylan\u201d, do competente Howard Sounes (lan\u00e7ada no Brasil pela Conrad), que come\u00e7a exatamente flagrando Bob Dylan desajeitado nos preparativos do concerto de 16\/10\/1992, que iria comemorar seus 30 anos de carreira. O show (lan\u00e7ado posteriormente em CD duplo) traz uma constela\u00e7\u00e3o not\u00e1vel de artistas pagando tributo ao velho Bob. Stevie Wonder (\u201cBlowin\u2019 in The Wind\u201d), Lou Reed (\u201cFoot of Pride\u201d), Eddie Vedder e Mike McCready (\u201cMasters of War\u201d), Johnny Cash e June Carter (\u201cIt Ain\u2019t Me, Babe\u201d), Ron Wood (\u201cSeven Days\u201d), Neil Young (\u201cAll Along The Watchtower\u201d), Eric Clapton (\u201cDon\u2019t Think Twice, It\u2019s All Right\u201d), George Harrison (\u201cAbsolutely Sweet Marie\u201d), Tom Petty (\u201cRainy Day Women #12 &amp; 35\u201d) e The Band (\u201cWhen I Paint My Masterpiece\u201d), entre muitos outros, se reuniram para interpretar n\u00fameros dylanescos. No fim, o pr\u00f3prio Bob sobe ao palco para tocar vers\u00f5es solo de \u201cIt&#8217;s Alright, Ma (I&#8217;m Only Bleeding)\u201d e \u201cGirl from the North Country\u201d e receber a \u201ccompania\u201d de Eric Clapton, George Harrison,\u00a0 Neil Young,\u00a0 Roger McGuinn e Tom Petty em uma vers\u00e3o turbinada de \u201cMy Back Pages\u201d. Para o final, todo mundo subiu ao palco para entoar \u201cKnockin&#8217; on Heaven&#8217;s Door\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6363 aligncenter\" title=\"dylan_unuct\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/dylan_unuct.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nEm 2002, a Uncut preparou uma homenagem em uma edi\u00e7\u00e3o da revista que trazia um longo perfil do cantor. Dividida em dois CDs, \u201cHard Rain\u201d juntou covers exclusivas para o projeto de gente como Paul Weller (&#8220;I Shall Be Released&#8221;), Paul Westerberger (Positively 4th Street\u201d), The Waterboys (\u201cGirl from the North Country\u201d),\u00a0 Johhny Marr (\u201cDon\u2019t Think Twice, It\u2019s All Right\u201d) e Charlatans (\u201cTonight I\u2019ll Be Staying Here With You\u201d) assim como resgatou vers\u00f5es j\u00e1 registradas por Cat Power (\u201cPaths of Victory), Yo La Tengo (\u201cI Threw It All Away\u201d), Cowboy Junkies (\u201cIf You Gotta Go, Go Now\u201d), Lee Ranaldo (\u201cVisions of Johana\u201d) e Echo and The Bunnymen (\u201cIt\u2019s All Over Now, Baby Blue\u201d), entre outros. Tr\u00eas anos depois, a Uncut voltou a homenagear Dylan, desta vez revistando um \u00e1lbum inteiro, o \u201cHighway 61 Revisited\u201d, com a presen\u00e7a de Drive By Truckers (&#8220;Like a Rolling Stone&#8221;), Paul Westerberger (&#8220;It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry&#8221;), Williard Grant Conspirancy (&#8220;Ballad of a Thin Man&#8221;), American Music Club (&#8220;Queen Jane Approximately&#8221;) e The Handsome Family (&#8220;Just Like Tom Thumb&#8217;s Blues&#8221;), entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6364 aligncenter\" title=\"dylan_there\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/dylan_there.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2007, aproveitando o embalo do lan\u00e7amento do filme \u201cI\u2019m Not There\u201d, de Todd Haynes, um bom CD duplo foi lan\u00e7ado em uma sele\u00e7\u00e3o que soa interessante. Lee Ranaldo, do Sonic Youth, montou um supergrupo para acompanhar os \u201csem banda\u201d: Steve Shelley na bateria (Sonic Youth), Nels Cline (Wilco) numa guitarra, Tom Verlaine (Television) na outra, Tony Garnier (Bob Dylan Band) no baixo, Smokey Hormel (parceiro de Miho Hatori) tamb\u00e9m na guitarra, e John Medeski (do grupo Medeski, Martin and Wood) nos teclados. Essa turma faz a cama para Eddie Vedder (\u201cAll Along the Watchtower\u201d) Stephen Malkmus (\u201cBallad of a Thin Man\u201d e \u201cMaggie\u2019s Farm\u201d) e Karen O (\u201cHighway 61 Revisited\u201d). O Calexico ficou respons\u00e1vel por acompanhar Jim James (My Morning Jacket, em \u201cGoin\u2019 To Acapulco\u201d), Roger McGuinn (\u201cOne More Cup of Coffee\u201d) e Charlotte Gainsbourg (\u201cJust Like a Woman\u201d). E ainda tem Cat Power (acompanhada por sua Memphis Rhythm Band em \u201cStuck Inside of Mobile with the Memphis Blues Again\u201d), Jeff Tweedy (\u201dSimple Twist of Fate\u201d), Mark Lanegan (\u201dThe Man in the Long Black Coat\u201d), The Hold Steady (\u201dCan You Please Crawl Out Your Window?\u201d), Yo La Tengo (\u201dFourth Time Around\u201d) e Sonic Youth (\u201cI\u2019m Not There\u201d, que tamb\u00e9m surge em uma vers\u00e3o de 1967 de Dylan com a Band\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\"><strong>Continua\u00e7\u00e3o: Discografia Comentada: Bob Dylan (parte 1)<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6374\" title=\"bobdylan_sonybmg_divulgacao1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/bobdylan_sonybmg_divulgacao1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Gabriel Innocentini (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/eduardomarciano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@eduardomarciano<\/a>) cursa jornalismo na Unesp e assina o blog <a href=\"http:\/\/blogeurogol.blogspot.com\/\">Eurogol<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Bob Dylan ao vivo em S\u00e3o Paulo, 2008: retrato borrado da era de ouro do rock \u2018n roll (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/03\/07\/bob-dylan-e-o-retrato-borrado-da-era-de-ouro-do-rock-n-roll\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Bob Dylan ao vivo em Bras\u00edlia, 2012: Deixou todo mundo chapado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/22\/bob-dylan-ao-vivo-em-brasilia\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Bob Dylan ao vivo em S\u00e3o Paulo, 2012: Uma noite inspirada (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/22\/bob-dylan-ao-vivo-em-sao-paulo-2012\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cThe Other Side of Mirror: Bob Dylan at the Newport\u201d, de Murray Lerner, \u00e9 essencial (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/05\/alguns-filmes-do-7%C2%BA-in-editbrasil\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Bob Dylan e a can\u00e7\u00e3o que mudou todas as can\u00e7\u00f5es: \u201cLike a Rolling Stone\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/04\/20\/a-cancao-que-mudou-as-cancoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Original vs Vers\u00e3o: Bob Dylan e Skank (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/07\/original-vs-versao-bob-dylan-e-skank\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Original vs Vers\u00e3o: It\u2019s All Over Now, Baby Blue (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/05\/original-vs-versao-it%E2%80%99s-all-over-now-baby-blue\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBob Dylan \u2013 Letra e M\u00fasica\u201d: Um passatempo ok, mas\u2026 v\u00e1 ouvir as originais (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/04\/17\/george-harrison-paul-mccartney-e-bob-dylan\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; A bela trilha sonora do filme \u201cI\u2019m Not There\u201d, de Todd Haynes (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/05\/trilha-sonora-do-filme-im-not-there-e-o-disco-da-semana\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cI\u2019m Not There\u201d, o mais pr\u00f3ximo que o p\u00fablico chegou de Bob Dylan (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/04\/mostra-de-sao-paulo-im-not-there\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cNo Direction Home\u201d, a cinebiografia de Bob Dylan por Martin Scorsese (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/09\/2006\/12\/28\/os-dez-discos-mais-influentes-de-todos-os-tempos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Bob Dylan, Martin Scorcese e a Hist\u00f3ria Universal, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/outros\/macoito.htm\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Outras discografias comentadas:<br \/>\n<\/strong>&#8211; Elvis Costello, por Marco Antonio Bart (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/20\/discografia-comentada-elvis-costello\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; Echo and The Bunnymen, por Marcelo Costa (<a href=\"..\/2009\/06\/11\/discografia-comentada-echo-the-bunnymen\/\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; The Cure, por Samuel Martins (<a href=\"..\/2010\/09\/20\/2009\/04\/23\/discografia-comentada-the-cure\/\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; Leonard Cohen, por Julio Costello (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/leonardcohen.html\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; Midnight Oil, por Leonardo Vinhas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/midnightoil_discografia.htm\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; Nick Cave, por Leonardo Vinhas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/nickacvediscografia.htm\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; R.E.M., por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/remdiscografia.html\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; The Clash, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/clash_discografia.htm\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Fotos da parte 1 por Divulga\u00e7\u00e3o Paramont. Fotos da parte 2 por Divulga\u00e7\u00e3o Sony\/BMG<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Gabriel Innocentini Continua\u00e7\u00e3o da parte 1 da discografia de Bob Dylan aqui Infidels (1983) Ap\u00f3s tr\u00eas discos crist\u00e3os, Bob volta ao juda\u00edsmo. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-2\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":32,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1320],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6311"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/32"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6311"}],"version-history":[{"count":26,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61043,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6311\/revisions\/61043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}