{"id":63002,"date":"2021-11-08T00:34:27","date_gmt":"2021-11-08T03:34:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=63002"},"modified":"2021-12-17T01:37:35","modified_gmt":"2021-12-17T04:37:35","slug":"entrevista-preto-no-metal-questionando-a-pouca-representatividade-negra-na-musica-pesada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/08\/entrevista-preto-no-metal-questionando-a-pouca-representatividade-negra-na-musica-pesada\/","title":{"rendered":"Entrevista: Preto no Metal questiona pouca representatividade negra na m\u00fasica pesada"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pergunta para convivas que curtem som pesado: quais bandas e\/ou artistas do g\u00eanero no cen\u00e1rio nacional com integrantes negros que voc\u00eas curtem? Pode ser uma quest\u00e3o inc\u00f4moda, por diferentes motivos, mas ela \u00e9 necess\u00e1ria. Dentre tantas raz\u00f5es, est\u00e1 o fato de que existem pessoas de cor tocando rock e suas vertentes extremas, mas elas n\u00e3o t\u00eam a mesma visibilidade que a de grupos formados somente por brancos. Desavisados podem dizer que n\u00e3o existem tantos pretos que gostam de rock. E a\u00ed temos mais facetas do mesmo problema, pois a afirma\u00e7\u00e3o pode ser resqu\u00edcio do estere\u00f3tipo de que negros curtem s\u00f3 rap, samba, pagode e funk. Ou esquecemos estar em uma na\u00e7\u00e3o onde aproximadamente 56% da popula\u00e7\u00e3o se declara parda ou preta, conforme o Instituto Brasileira de Geografia ou Estat\u00edstica (IBGE) \u2014 o que, numericamente, deveria se refletir em maior paridade no nicho da m\u00fasica pesada. N\u00e3o esque\u00e7amos, ainda, que a g\u00eanese do que se conhece hoje por rock e suas varia\u00e7\u00f5es veio de manifesta\u00e7\u00f5es culturais negras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para trabalhar esses e outros t\u00f3picos relacionados \u00e0 presen\u00e7a da comunidade negra na m\u00fasica pesada \u2014 inclusive o racismo estrutural que se reflete tamb\u00e9m em outros setores da sociedade \u2014 foi que surgiu o <a href=\"https:\/\/linktr.ee\/pretonometal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Preto no Metal\/Coletivo Livre<\/a>, em 2019. A proposta, no come\u00e7o, era realizar uma mostra com fotos de m\u00fasicos negros da cena em Porto Alegre, bem como um document\u00e1rio. Mas o projeto logo tomou novas propor\u00e7\u00f5es: \u201cCom a ideia de fazer o ensaio que originou o Preto \u00e9 que nos demos conta dessa quest\u00e3o de que o racismo na m\u00fasica pesada \u00e9 real e da representatividade muito modesta (em n\u00fameros) dos negros nesse nicho musical\u201d, explica o m\u00fasico Lohy Silveira, um dos integrantes da iniciativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da quest\u00e3o racial, o Preto tamb\u00e9m abre espa\u00e7o para discutir outros tipos de preconceito, como social e de g\u00eanero. Mantido at\u00e9 aqui de forma independente, o coletivo agora est\u00e1 em busca de apoio para ampliar e qualificar suas atividades. Para isso, abriu um financiamento coletivo aqui <a href=\"https:\/\/apoia.se\/pretonometal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/apoia.se\/pretonometal<\/a>. Conversamos com uma equipe do Preto sobre o projeto, planos, preconceitos, receptividade e outros temas. As respostas foram dadas por Indy Lopes (idealizadora e fot\u00f3grafa), Joe Ribeiro (criador de conte\u00fado), Helena Meireles (criadora de conte\u00fado) e Lohy Silveira (idealizador e redator, tamb\u00e9m baixista e vocalista da banda Rebaelliun).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LIVE DO PRETO COM ANG\u00caLO, CLEMENTE, CANNIBAL, MARCELO E MAURICIO.\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ar4wLEyxALE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O objetivo inicial do Preto no Metal era ser uma exposi\u00e7\u00e3o de fotos e um document\u00e1rio com m\u00fasicos negros do cen\u00e1rio pesado no Sul do pa\u00eds, no intuito de dar visibilidade \u00e0 quest\u00e3o racial na m\u00fasica extrema, certo? Por\u00e9m, uma dessas imagens foi parar nas redes sociais e acabou gerando uma aglutina\u00e7\u00e3o de pessoas interessadas em discutir, grosso modo, temas como racismo no som pesado. Duas quest\u00f5es para iniciar: podem fazer um resumo de como o projeto saiu da teoria para a pr\u00e1tica, de como evoluiu da ideia de uma mostra fotogr\u00e1fica e um filme documental para o que \u00e9 hoje? E por que acham que a concep\u00e7\u00e3o inicial acabou tomando propor\u00e7\u00f5es maiores?<\/strong><br \/>\nIndy Lopes\u2014 Foi org\u00e2nico, simplesmente a situa\u00e7\u00e3o tomou uma propor\u00e7\u00e3o que ningu\u00e9m imaginava. Acho que, de fato, foi a car\u00eancia de pessoas no metal discutindo esses temas, principalmente pessoas que j\u00e1 n\u00e3o estavam mais no meio exatamente por conta do preconceito disfar\u00e7ado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joe Ribeiro \u2014 De princ\u00edpio, acho que o Preto se formou pelo questionamento que todos que fazem parte t\u00eam: onde est\u00e1 a representatividade negra no estilo musical e por que nunca ningu\u00e9m questionou? Ou fecharam os olhos para padroniza\u00e7\u00e3o de como deve ser uma banda de rock criada pela ind\u00fastria musical em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cor da pele de seus integrantes? Muito do que o Preto fez se deve ao fato de que, al\u00e9m do estilo, podemos dar voz a esse questionamento que muitos tamb\u00e9m t\u00eam. Em sua hist\u00f3ria, o rock foi criado pelo povo preto, mas com o tempo foi tirado de cena para se fazer aceito pela popula\u00e7\u00e3o branca racista que n\u00e3o queria ver seus filhos imitando e cantando can\u00e7\u00f5es que os precursores do estilo faziam. Outro ponto que fez o coletivo crescer \u00e9 que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds repleto de estilos musicais. Por\u00e9m, s\u00f3 associam a comunidade negra com gostar de samba, pagode, rap ou, mais recentemente, funk. Essa associa\u00e7\u00e3o nos afasta e por muito nos diminuiu, e isso faz com que n\u00e3o sejamos reconhecidos como consumidores\/f\u00e3s de outros estilos. Como dito antes: a padroniza\u00e7\u00e3o feita pela ind\u00fastria musical, com o tempo, fez com que o rock s\u00f3 fosse associado a pessoas brancas, classe m\u00e9dia ou alta. O projeto vem mostrando que h\u00e1 muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s fazendo som, como tamb\u00e9m mostramos que m\u00fasicos pretos n\u00e3o s\u00e3o apenas o Hendrix e Sister Rosetta Tharpe, que muitos outros fazem parte da hist\u00f3ria do rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Helena Meireles \u2014 A ideia inicial tomou essa propor\u00e7\u00e3o por dois fatores, que acabam se combinando: a exposi\u00e7\u00e3o foi algo in\u00e9dito, e acabou acusando a falta de representatividade (verdadeira, pois nada adianta ser uma representatividade vazia) preta no meio da m\u00fasica extrema. No momento que compreendemos que o p\u00fablico (principalmente de pessoas pretas) precisava ser acolhido em um meio que tem se mostrado t\u00e3o racista, homof\u00f3bico, mis\u00f3gino e excludente de v\u00e1rias outras formas, tomamos a iniciativa de abra\u00e7ar algo al\u00e9m da principal ideia (a exposi\u00e7\u00e3o de fotos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 Acho que quando nos demos conta de que seria dif\u00edcil reunir um grupo de m\u00fasicos negros para fazer um ensaio fotogr\u00e1fico em Porto Alegre \u00e9 que a quest\u00e3o de representatividade bateu forte, como um tijolo no nosso peito. Com a ideia de fazer o ensaio que originou o Preto \u00e9 que nos demos conta dessa quest\u00e3o de que o racismo na m\u00fasica pesada \u00e9 real e da representatividade muito modesta (em n\u00fameros) dos negros nesse nicho musical. Agora, dessa teoria e vis\u00e3o, para a pr\u00e1tica em si, tudo correu de uma forma bem flu\u00edda. A Indy \u00e9 uma pessoa muito agilizada e organizada, e isso foi fundamental para tudo que tem acontecido no Preto at\u00e9 hoje. Principalmente nesse quesito de transformar a ideia em realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quanto o contexto em que vivemos, com preconceitos cada vez menos velados, influenciou nesse processo de o Preto no Metal ampliar os objetivos iniciais? Pensam que foi o momento certo ou consideram que era algo que j\u00e1 podia ter sido feito?<\/strong><br \/>\nIndy Lopes\u2014 Acho que se fazia ideia de que existia, mas quando tu escutas, l\u00ea pessoas relatando situa\u00e7\u00f5es sofridas, tu acabas realizando aquilo. \u00c9 como conhecer uma pessoa com quem tu s\u00f3 falavas pela internet: o tro\u00e7o se materializa na tua frente. Cara, se voc\u00ea pensar a merda que \u00e9 qualquer tipo de preconceito, certamente algo que nem deveria existir, fica chocado ao ver isso. \u00c9 algo que n\u00e3o devia haver, mas j\u00e1 que existe, algo tem que ser feito. E pra ontem! \u00c9 muito urgente corrigir isso, a gurizada t\u00e1 a\u00ed chegando e eles n\u00e3o podem cometer os erros que cometemos no passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Helena Meireles \u2014 Influenciou bastante, sim. Talvez n\u00e3o tenha sido algo que tivesse de ter come\u00e7ado antes, justamente por j\u00e1 haver discuss\u00f5es antecessoras ao que fazemos. O Preto no Metal deu continuidade ao que v\u00e1rias pessoas j\u00e1 se propunham a discutir, mas fazendo o recorte dentro da m\u00fasica extrema (que \u00e9 um peda\u00e7o da nossa sociedade, e tende a reproduzir os mesmos comportamentos dela).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 Considerando que essas quest\u00f5es n\u00e3o surgiram ontem, claro, tudo isso poderia ter sido abordado muito antes. A quest\u00e3o \u00e9, ser\u00e1 que h\u00e1 cinco ou 10 anos as pessoas estariam prontas para admitir ou pensar em representatividade no nosso meio? At\u00e9 hoje ainda percebemos uma clara resist\u00eancia de alguns em sequer cogitar a exist\u00eancia dos temas que abordamos e questionamos. Ent\u00e3o, creio que o momento certo sempre ser\u00e1 aquele que tu te d\u00e1 conta da import\u00e2ncia de debater esses temas e estar aberto a repensar teu ponto de vista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerando esse nicho do metal \u2014 tentando dar uma amplitude que vai do rock ao black metal, passando por todas as ramifica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre esses g\u00eaneros \u2014 como foi a receptividade, tanto do p\u00fablico quanto dos artistas que est\u00e3o nesse meio?<\/strong><br \/>\nIndy Lopes\u2014 N\u00e3o tem uma r\u00e9gua, a gente brinca que somos odiados pelos headbangers e pelos movimentos mais extremistas. Mas, ao mesmo tempo, voc\u00ea v\u00ea apoio de pessoas que nem sonharia ter. Inclusive, tem muita gente que nem do metal \u00e9 que nos segue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Helena Ribeira \u2014 Foi uma receptividade incr\u00edvel. Muita gente reconhece a import\u00e2ncia de projetos assim no meio do rock, e rola uma acolhida m\u00fatua de todo mundo, desde os m\u00fasicos at\u00e9 o p\u00fablico, passando pelas m\u00eddias de rock\/metal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 De maneira geral foi positiva, porque foram v\u00e1rias as pessoas que tiveram a catarse de perceber que talvez nunca pensaram no quanto a representatividade negra \u00e9 importante tamb\u00e9m nesse setor da cultura, e que o racismo ataca nesse nosso meio tamb\u00e9m. Claro, mesmo entre os negros, alguns minimizaram a import\u00e2ncia de falar sobre esses temas e devemos isso, principalmente, ao racismo estrutural que ataca de forma invis\u00edvel e silenciosa, mas faz um estrago irrepar\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pegando o gancho da pergunta anterior: contem uma rea\u00e7\u00e3o positiva e uma negativa que consideram ser interessante mencionar em rela\u00e7\u00e3o ao projeto.<\/strong><br \/>\nIndy Lopes\u2014 A positiva \u00e9 receber mensagens dizendo que, por causa do Preto, a pessoa voltou a ouvir heavy metal, conhecer mais m\u00fasicos por conta do Um M\u00fasico por Dia (se\u00e7\u00e3o nas redes sociais do Preto no Metal que indica artistas), isso d\u00e1 muito quentinho no cora\u00e7\u00e3o. Mas, em contrapartida, levamos muito tempo para lidar com troll. Hoje \u00e9 tranquilo, a gente exclui e bane, mas no in\u00edcio causou muitas l\u00e1grimas. Minhas \u00e9 claro&#8230; kkk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joe Ribeiro \u2014 As rea\u00e7\u00f5es positivas s\u00e3o as mensagens que recebemos de seguidores dizendo o quanto se sentem representados pelo coletivo. \u00c0s vezes, nos parabenizando pelo trabalho feito, dizendo que a ideia \u00e9 algo muito necess\u00e1rio. As negativas s\u00e3o de pessoas que ainda se encontram fechadas aos temas que abordamos. Muitos ainda se negam a sair da sua zona de conforto quando questionamos a falta de representatividade, quanto abordamos temas como machismo e homofobia na cena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Helena Meireles \u2014 Experi\u00eancias negativas temos algumas que acontecem, mas com uma frequ\u00eancia n\u00e3o muito alta. Rola de vermos rea\u00e7\u00f5es de deboche em posts nossos, e que sabemos que s\u00e3o pessoas da extrema direita querendo \u201cmelar\u201d o que temos feito. As experi\u00eancias positivas tem um valor muito maior. Posso falar, particularmente, que o meu projeto Afroheadbanger surgiu pouco depois que conheci o Preto no Metal. O Preto me mostrou a import\u00e2ncia de dar sequ\u00eancia nessa ideia de, principalmente, enaltecermos pessoas pretas no heavy metal, al\u00e9m de, tamb\u00e9m, me mostrar a import\u00e2ncia de falarmos sobre racismo nesse meio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 Acho que uma positiva \u2013 para al\u00e9m de gente que se d\u00e1 conta do quanto \u00e9 relevante mitigar qualquer a\u00e7\u00e3o opressiva \u2013 s\u00e3o as pessoas que nos relatam terem voltado a se interessar pelo som pesado por saber que tem pessoas que querem, abordando e debatendo os temas que o Preto trata, uma cena mais inclusiva e menos preconceituosa. Isso de fato \u00e9 muito bacana, porque pra mim que estou envolvido com o underground desde muito novo, perceber pessoas voltando a ter interesse pela cena e citar o Preto como um dos motivos \u00e9 inspirador. As rea\u00e7\u00f5es negativas mais bizarras foram as que acreditam que o Preto queria instituir cotas para negros dentro do Heavy Metal. N\u00e3o sei se por pura ignor\u00e2ncia ou por uma simples demonstra\u00e7\u00e3o de sarcasmo. Em pleno 2021 considero ambos os motivos lament\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O quanto consideram que a falta de representatividade pode ter interferido, historicamente, na participa\u00e7\u00e3o de mais pessoas negras no universo do som pesado?<\/strong><br \/>\nIndy Lopes\u2014 Nossa! Hoje, com tudo que j\u00e1 vivemos, muito, muito mesmo. E \u00e9 apavorante ouvir de algu\u00e9m que n\u00e3o est\u00e1 na cena por medo. Medo real, sabe? Medo f\u00edsico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joe Ribeiro \u2014 De modo nacional, essa falta interferiu e muito. Temos hoje, no nosso quadro di\u00e1rio Um M\u00fasico por Dia, quase 200 artistas entre m\u00fasicos e bandas formadas por pretos somente do Brasil. H\u00e1 bandas que est\u00e3o h\u00e1 muito tempo na estrada, como tamb\u00e9m novas. Se voc\u00ea ouvir, vai ver que todas t\u00eam excelentes \u00e1lbuns. Claro que temos alguns m\u00fasicos que fizeram sucesso nacionalmente, mas a grande diferen\u00e7a \u00e9 o quanto esses artistas s\u00e3o lembrados pelos seus trabalhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se pegarmos o per\u00edodo que o rock esteve mais em alta no pa\u00eds dificilmente voc\u00ea vai encontrar um preto entre essas bandas. Salvo que o \u00fanico que esteve em destaque foi o Derrick Green, mesmo sendo pelas cr\u00edticas ao entrar no lugar do Max no Sepultura.<\/strong><br \/>\nHelena Meireles \u2014 Interferiu foi muito, imensuravelmente. \u00c9 bastante grave percebermos que as figuras brancas lucram em cima do que pessoas pretas fizeram, al\u00e9m de todo o apagamento de personalidades pretas provocado por esse racismo escancarado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 Acredito que interferiu drasticamente. N\u00e3o tenho d\u00favidas de que deixamos de conhecer muitos talentos por puro preconceito nesse decorrer hist\u00f3rico. A verdade \u00e9 que, durante muito tempo, a branquitude fez, e segue fazendo, com que a balan\u00e7a nunca ficasse igualada. E isso influencia tudo que deriva dessa compara\u00e7\u00e3o injusta. O mundo da m\u00fasica desde o mainstream ao underground n\u00e3o teria como fugir disso tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O foco do Preto no Metal \u00e9, como bem sugere o nome, metal. Posto isso, mais uma da s\u00e9ria duas perguntas em uma: 1) Como avaliam, atualmente, a participa\u00e7\u00e3o da comunidade negra na m\u00fasica pesada nacionalmente? H\u00e1 mais espa\u00e7o e aceita\u00e7\u00e3o? 2) E como percebem essa situa\u00e7\u00e3o em outros g\u00eaneros?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Indy Lopes \u2014 A receptividade \u00e9 muito grande. A chegada de novos seguidores por meio de bandas \u00e9 di\u00e1ria. Muitas bandas nos seguem, tanto com pretes como com brancos. Talvez por nossa postura de n\u00e3o discutir com troll, a gente n\u00e3o desperdi\u00e7a tempo com essa gente. Quer conversar educadamente, pode vir. N\u00e3o importa a ideologia, mas se n\u00e3o houver respeito \u00e9 exclus\u00e3o e banimento. Sobre outros estilos: o rap sofre algo parecido, foi invadido pelos brancos. Ent\u00e3o voc\u00ea consegue fazer um comparativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Helena Meireles \u2014 A participa\u00e7\u00e3o de pessoas pretas na cena extrema sempre existiu, \u00e9 algo que devemos ter em mente. A quest\u00e3o \u00e9 a visibilidade que essas pessoas t\u00eam, que a\u00ed \u00e9 bastante baixa. Essa visibilidade tem tomado um g\u00e1s nos \u00faltimos anos, principalmente porque as pessoas que caminham conosco compreendem a import\u00e2ncia disso. Posso usar o exemplo do rap aqui, um g\u00eanero majoritariamente preto e que, por ter crescido muito nos \u00faltimos anos, tem experimentado uma tentativa de \u201cembranquecimento\u201d do movimento. Notem que n\u00e3o falo que pessoas brancas n\u00e3o podem fazer rap ou coisa do tipo. A quest\u00e3o \u00e9 compreender quem veio antes e que isso n\u00e3o pode ser apagado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 Eu penso que, apesar de muito talentosa ainda segue modesta. At\u00e9 porque essa n\u00e3o \u00e9 uma realidade que muda da noite para o dia. Ela se resume ao underground, e nesse quesito, principalmente em algumas regi\u00f5es do Brasil, ela \u00e9 maior. Mas ainda assim, pense comigo: o maior expoente negro da m\u00fasica pesada e que canta na maior banda de metal de todos os tempos do Brasil, n\u00e3o \u00e9 brasileiro. Observando esse cen\u00e1rio j\u00e1 d\u00e1 pra ter uma ideia da realidade do m\u00fasico negro que faz m\u00fasica pesada no Brasil. Sobre espa\u00e7o e aceita\u00e7\u00e3o, acho que segue igual. A diferen\u00e7a \u00e9 que agora aquela brincadeira de mau gosto ou aquele olhar desconfiado ou de reprova\u00e7\u00e3o passam menos batido. Nos outros estilos a representatividade sempre foi maior. Em quase todos, eu diria. O problema no som pesado \u00e9 a import\u00e2ncia que as pessoas d\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o est\u00e9tica. Como o negro n\u00e3o faz parte desse imagin\u00e1rio geral do estere\u00f3tipo headbanger, o metaleiro m\u00e9dio ainda torce o nariz. Nos outros estilos raramente se d\u00e1 tanta import\u00e2ncia assim a como os f\u00e3s ou m\u00fasicos se vestem ou \u00e0 sua imagem de forma geral. Ent\u00e3o, ver um negro atuando nesses estilos acaba ficando mais normalizado, eu acredito. A quest\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 que muitos ou n\u00e3o sabem ou n\u00e3o se importam que mesmo os negros dando origem ao som que hoje \u00e9 o pai e a m\u00e3e da m\u00fasica pesada, as pessoas pensem que rock \u00e9 m\u00fasica de branco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse trabalho que voc\u00eas prestam durante cerca de dois anos, quais constata\u00e7\u00f5es acham que s\u00e3o importantes dar visibilidade? Por ex: acreditam que o racismo, e outros preconceitos, ocorrem mais por falta de informa\u00e7\u00e3o ou por outros aspectos (tipo: a pessoa \u00e9 bicho ruim mesmo)?<\/strong><br \/>\nIndy Lopes\u2014 Acho que tem ambos. Tem gente que n\u00e3o tem jeito, mas acho que h\u00e1 outros que n\u00e3o tem empatia, viv\u00eancia. Eu mesma, por mais que eu me achasse uma pessoa bacana, que cuida de bichinho de rua e ajuda outras pessoas, s\u00f3 me dei conta do quanto eu era cuzona quando me separei do traste do meu ex e me relacionei com o Lohy. Claro que com quem voc\u00ea se relaciona faz diferen\u00e7a e a forma com que voc\u00ea se relaciona, seja amigo ou \u201cconje\u201d. Eu tive sorte de ter muitos amigos que vinham e davam no meio, chegavam e diziam: tu est\u00e1 falando merda, t\u00e1 errada. E da\u00ed vai de voc\u00ea aceitar ou n\u00e3o. Eu preferi aceitar e mudar, mas eu sei que fui uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Helena Meireles \u2014 Acreditamos que essas opress\u00f5es acontecem justamente por nossa sociedade ser assim. Lembra que falamos que o meio metal \u00e9 um recorte da sociedade? \u00c0s vezes a pessoa n\u00e3o \u00e9 ruim de fato, mas ela cresceu enraizada nisso. A nossa ideia \u00e9 disseminar o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00e3o e discuss\u00f5es pertinentes que pudermos para que as pessoas na m\u00fasica extrema n\u00e3o reproduzam comportamentos que corroborem com a estrutura que oprime muita gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 Existem os dois casos, n\u00e9. Em igual propor\u00e7\u00e3o? N\u00e3o acredito. Apesar de sempre aparecer mais os \u201cbicho ruim\u201d, a grande maioria de preconceituosos apenas repete o que foram condicionados a pensar a vida toda. A\u00ed vem aquilo que eu falei antes. Dos tent\u00e1culos invis\u00edveis do racismo estrutural. Do racismo que te faz pensar que \u00e9 normal mesmo n\u00e3o vermos tantos negros em posi\u00e7\u00f5es de destaque, e t\u00e1 tudo bem. Os que aparecem s\u00e3o por m\u00e9rito, e os que n\u00e3o \u201cvencem\u201d \u00e9 porque n\u00e3o se esfor\u00e7aram o bastante. As pessoas realmente acreditam nisso, n\u00e3o admitem o peso do passado sobre as nossas costas e pensam que o \u201co que passou, passou&#8230;\u201d, simples assim.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-63008\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/pretonometal2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/pretonometal2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/pretonometal2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/pretonometal2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Avaliam que no Rio Grande do Sul, estado que teve tradi\u00e7\u00e3o escravagista e tend\u00eancia ao elitismo, \u00e9 mais complexo se trabalhar quest\u00e3o racial? E como \u00e9 isso no meio metal? Ali\u00e1s, como descreveriam o metaleiro ga\u00facho mediano?<\/strong><br \/>\nIndy Lopes \u2014 \u00c9 dif\u00edcil, tem dias que \u00e9 muito dif\u00edcil. At\u00e9 a forma de lidar com o resto do pa\u00eds, pois muita gente n\u00e3o se d\u00e1 conta de onde \u00e9 o Preto. Da\u00ed tu tem que dar uma de: \u201cah, mas nem todo ga\u00facho\u2026\u201d. Porque \u00e9 foda, n\u00e3o tem s\u00f3 ot\u00e1rio aqui, mas que tem muito, tem. O metaleiro do Sul tem que ser estudado, ele acredita piamente que \u00e9 europeu e sat\u00e3 o livre de falar o contr\u00e1rio. Se tiver nome diferente ent\u00e3o, da\u00ed sim \u00e9 sangue puro. S\u00e3o uns arrombados do caralho que n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia de classe e que acham que s\u00e3o vikings farroupilhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 Sem sombra de d\u00favidas. O ga\u00facho m\u00e9dio n\u00e3o \u00e9 diferente do metaleiro m\u00e9dio nesse sentido. Ele pensa que \u00e9 europeu porque tem a pele clara e sobrenome italiano ou alem\u00e3o, acha que luta social e combate a intoler\u00e2ncia \u00e9 mimimi. Venera vikings e deuses n\u00f3rdicos, mas acha tudo bem o massacre dos povos ind\u00edgenas, porque eram selvagens. Tem orgulho do gauchismo e do 20 de setembro e acha que povo negro foi escravizado porque n\u00e3o teve \u00edmpeto para lutar e por a\u00ed vai\u2026 Ent\u00e3o, sim. Trabalhar essa quest\u00e3o sempre ser\u00e1 mais dif\u00edcil em locais assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Preto no Metal tamb\u00e9m aborda quest\u00f5es relacionadas a outros grupos que sofrem com falta de aceita\u00e7\u00e3o e\/ou visibilidade, como mulheres e comunidade LGBTQIA+. \u00c9 poss\u00edvel avaliar se h\u00e1 preconceito mais dif\u00edcil de ser combatido do que outro (tipo, dizer que o racismo tem mais for\u00e7a que a misoginia)?<\/strong><br \/>\nIndy \u2014 Numericamente? Talvez, mas quando voc\u00ea se d\u00e1 conta que, por exemplo, um em cada 10 estupros s\u00e3o registrados, voc\u00ea fica sem saber. E tamb\u00e9m tem a quest\u00e3o de n\u00e3o ser uma competi\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante esses grupos se unirem, respeitando claro, suas individualidades, mas se unindo. Isso \u00e9 algo que a direita faz muito bem, e que n\u00f3s da esquerda n\u00e3o sabemos fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Helena Meireles \u2014 Compreendo que essa avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, principalmente porque as opress\u00f5es se atravessam (\u00e9 o que chamamos de interseccionalidade). Um exemplo: por mais que seja dif\u00edcil de uma mulher branca acessar determinados espa\u00e7os que um homem branco usa, pra uma mulher preta essa dificuldade ser\u00e1 maior, pelo fator de ra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 O preconceito geralmente n\u00e3o \u00e9 isolado nesse sentido. Ou seja, o cara que tem preconceito racial, provavelmente ter\u00e1 preconceito de g\u00eanero ou orienta\u00e7\u00e3o sexual. Acho que h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m com o volume da representatividade. Os grupos que consideram e buscam o ideal normativo v\u00e3o se sentir mais amea\u00e7ados por aquele grupo que est\u00e1 se fazendo mais presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do preconceito racial, como consideram que a desigualdade social impacta na participa\u00e7\u00e3o dos negros em bandas de rock e metal?<\/strong><br \/>\nIndy Lopes \u2014 Bom, basta ir em uma loja de instrumentos musicais ou a grandes concertos de m\u00fasica: tudo \u00e9 inacess\u00edvel. Por isso funk, trap, rap, hip hop fazem tanto sucesso nas periferias. Tu s\u00f3 precisa de ti e um telefone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joe Ribeiro \u2014 Essa desigualdade dificulta, e muito, para que tenhamos acesso ao estudo e aos instrumentos musicais. Isso n\u00e3o \u00e9 apenas na m\u00fasica, mas tamb\u00e9m podemos colocar a dificuldade de muitos terem acesso de forma profissional ao esporte, ao cinema, ao teatro e \u00e0 arte em geral. Para qualquer coisa que uma pessoa pobre possa fazer, o custo de mat\u00e9rias e aulas \u00e9 caro, e se torna acess\u00edvel apenas a jovens com pais que possuem uma renda financeira boa. Para uma pessoa que recebe pouco e tem que pagar moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e1gua, luz e outros gastos necess\u00e1rios para sobreviver, \u00e9 imposs\u00edvel custear o que \u00e9 preciso para ser m\u00fasico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Helena Meireles \u2014 Dificulta principalmente no acesso \u00e0 determinados espa\u00e7os e situa\u00e7\u00f5es. Como os \u00edndices de pobreza, por exemplo, atingem muito mais pessoas pretas, esse fator acaba sendo determinante. Ter uma banda ou um espa\u00e7o musical demanda dinheiro e investimentos, que muitas das pessoas pretas n\u00e3o t\u00eam como arcar.<br \/>\nLohy Silveira \u2014 Acho que n\u00e3o h\u00e1 como ignorar que o racismo est\u00e1 ligado tamb\u00e9m, e fortemente, com a desigualdade social. E isso, obviamente chega no cen\u00e1rio underground. Como quase todas as iniciativas s\u00e3o independentes, o acesso a instrumentos musicais, por exemplo, tem forte influ\u00eancia na representatividade negra no rock e variantes. Mais ainda nos estilos extremos da m\u00fasica pesada. O incentivo cultural tamb\u00e9m \u00e9 um fator muito importante. Um povo que pouco \u00e9 incentivado e n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de consumir cultura e ter seus pr\u00f3prios gostos, fica ref\u00e9m do que lhe \u00e9 \u201cservido\u201d. E isso influencia muito a representatividade tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente, <a href=\"https:\/\/apoia.se\/pretonometal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o projeto lan\u00e7ou um financiamento coletivo<\/a>. O que os levou a fazer isso agora, e n\u00e3o antes, por exemplo?<\/strong><br \/>\nIndy Lopes \u2014 Eu, Indy, sempre fui o cofrinho do Preto e recentemente tive uma mudan\u00e7a, um custo extra na minha vida. Isso pesou no meu or\u00e7amento e eu ro\u00ed a corda \u2014 al\u00e9m, claro, do custo de vida que, com esse animal no governo, subiu e sobe a cada dia. Foi tamb\u00e9m uma forma de ver se h\u00e1 apoio para tentar um financiamento para fazer um festival ao vivo, ser\u00e1 um term\u00f4metro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 Sempre tivemos muito receio de fazer algo assim. Eu particularmente, porque desde sempre fiz meus corres de forma independente e nunca fiz uma vaquinha ou solicitei apoio para qualquer projeto. Mas com o Preto eu comecei a entender e querer fazer valer o sentido real de coletivo. E como sozinho n\u00e3o se faz nada, acho que expor que temos custos e n\u00e3o temos patroc\u00ednio, e que toda a ajuda \u00e9 bem-vinda para seguirmos fazendo, e fazendo mais, e fazendo melhor, \u00e9 uma boa maneira de colocar na roda o sentido real do termo coletivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais atividades esse financiamento vai ajudar a manter?<\/strong><br \/>\nIndy Lopes \u2014 A gente quer pagar coisas que tem custo mensal adiantado por um ano, pra n\u00e3o ter essa preocupa\u00e7\u00e3o mensal:<\/p>\n<p>40% &#8211; produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio (pr\u00e9 e p\u00f3s \/ ajuda de custos)<br \/>\n25% &#8211; ferramentas de produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado di\u00e1rio (softwares, dom\u00ednio, hospedagem<br \/>\n17% &#8211; divulga\u00e7\u00e3o\/alcance\/atingir novas pessoas (podcast, plataformas digitais, streaming)<br \/>\n13% &#8211; taxas administrativas (Projeto Apoia-se)<br \/>\n5% &#8211; caixa emergencial (Reserva para novos projetos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 Os custos de manuten\u00e7\u00e3o das redes sociais, site e ferramentas para gera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado durante um ano. Vai nos ajudar na produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio tamb\u00e9m, al\u00e9m de proporcionar um apoio fundamental na divulga\u00e7\u00e3o do conte\u00fado produzido em nossas redes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m da ajuda financeira, como quem n\u00e3o se enquadra nesses grupos que s\u00e3o oprimidos de alguma forma pode ajudar a dar voz e visibilidade a essas pessoas, respeitando o lugar de fala de cada um?<\/strong><br \/>\nIndy \u2014 O termo lugar de fala foi t\u00e3o deturpado quanto mimimi. Lugar de fala todo mundo tem, \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o social, o que as pessoas podem n\u00e3o ter \u00e9 protagonismo. Mas isso n\u00e3o quer dizer que as pessoas est\u00e3o proibidas de falar de assuntos que talvez n\u00e3o vivenciem na pele. \u00c9 importante ceder espa\u00e7o a quem tem protagonismo. Ex: Eu evito aparecer em lives, a prefer\u00eancia sempre \u00e9 de meus companheiros e convidados, mas eu fa\u00e7o a maior parte da vida administrativa e burocr\u00e1tica (chaaata) do coletivo, porque essa \u00e9 a minha vida no meu trabalho gerador de renda inclusive. Sei o que fazer e como fazer, e com a ajuda dos meus companheiros, nos organizamos assim: o Joe e a Helena chegaram em um momento que eu estava exausta (n\u00e3o que eu ainda n\u00e3o esteja), mas foi um f\u00f4lego. A chegada deles agregou demais, muita gente nos diz o que fazer, como e onde fazer, mas vim e pegar junto, junto mesmo, ningu\u00e9m quer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 Acho que o fundamental como comportamento \u00e9 respeitar e entender que toda e qualquer luta contra a intoler\u00e2ncia \u00e9 v\u00e1lida. Em qualquer esfera. Entender e reconhecer seus privil\u00e9gios \u00e9 outra face da mesma moeda. Rever conceitos seus e dos que os cercam tamb\u00e9m \u00e9 muito v\u00e1lido. E, principalmente, aceitar que isso \u00e9 um processo. Ningu\u00e9m nasce 100% ciente de como as coisas funcionam. Ningu\u00e9m nasce desconstru\u00eddo, ent\u00e3o \u00e9 preciso ter vontade de mudar. Ter empatia pelas pessoas e agregar, sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ser\u00e1 que m\u00fasica e posicionamento n\u00e3o misturam?<\/strong><br \/>\nIndy \u2014 Acho que depende. Nem sempre o artista opta por fazer, acho que o cara pode falar de amor apenas e ser um ot\u00e1rio. Eu n\u00e3o vou ouvir ele, n\u00e3o darei meu dinheiro a algu\u00e9m assim, mas n\u00e3o posso dizer que a m\u00fasica dele e a posi\u00e7\u00e3o se misturaram, entende? Acho que deveria, assim voc\u00ea pode escolher ser f\u00e3 ou n\u00e3o, mas tamb\u00e9m temos que ter cuidado \u00e0s vezes, porque aquela pessoa do passado pode talvez n\u00e3o ser mais a do presente. Como eu n\u00e3o sou, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9. E da\u00ed como fica? Claro que voltamos \u00e0 outra pergunta, tem gente que n\u00e3o muda, mas e quem quer ou est\u00e1 mudando?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lohy Silveira \u2014 Acho que isso \u00e9 complicado. O mundo ideal seria vivermos uma realidade em que o posicionamento fosse algo intr\u00ednseco. Que a luta pela igualdade social e contra os preconceitos que vemos presentes fosse algo \u00f3bvio. Eu, por exemplo, nunca havia sentido necessidade de me posicionar at\u00e9 esse fortalecimento bizarro da extrema direita fascist\u00f3ide. Eu n\u00e3o conseguiria dormir sabendo que fiquei calado enquanto o povo estava elegendo aquele equino, por exemplo. Ent\u00e3o, acredito que deva ser algo que venha de dentro pra fora e n\u00e3o por press\u00e3o. O posicionamento deve se refletir na sua arte? Para isso vale a mesma l\u00f3gica, se for leg\u00edtimo sempre ser\u00e1 v\u00e1lido. Agora para al\u00e9m de a arte refletir posicionamento, acredito que seja importante que o artista se posicione tamb\u00e9m como forma de influenciar quem o admira. Sendo pelo interesse do povo, acho que sempre \u00e9 bem-vindo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PRETO NO METAL TEASER DO DOCUMENT\u00c1RIO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wIdqdJupreQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LIVE DO PRETO LGBTQIA+ \/ TERROR NAS ARTES\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fhWKx1-jMv0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Surgido em 2019 para trabalhar t\u00f3picos relacionados \u00e0 presen\u00e7a da comunidade negra na m\u00fasica pesada, o Coletivo Preto no Metal est\u00e1 com uma campanha de financiamento. Conhe\u00e7a!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/08\/entrevista-preto-no-metal-questionando-a-pouca-representatividade-negra-na-musica-pesada\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":63006,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5372],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63002"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63002"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63002\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63012,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63002\/revisions\/63012"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63002"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63002"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63002"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}