{"id":6298,"date":"2010-11-06T12:25:58","date_gmt":"2010-11-06T15:25:58","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=6298"},"modified":"2016-09-04T14:15:22","modified_gmt":"2016-09-04T17:15:22","slug":"entrevista-kid-vinil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/06\/entrevista-kid-vinil\/","title":{"rendered":"Entrevista: Kid Vinil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6299\" title=\"kid_vinil\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/kid_vinil.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Marcos Paulino<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea tem mais de 30 anos, Kid Vinil dispensa apresenta\u00e7\u00f5es. Caso seja mais jovem, saiba que ele \u00e9 uma esp\u00e9cie de faz-tudo quando o assunto \u00e9 rock. Tem muitas hist\u00f3rias pra contar do r\u00e1dio, da TV, do underground e do mainstream. J\u00e1 experimentou os holofotes da fama nos anos 80, depois de ter sido um dos precursores do punk no Brasil. J\u00e1 marcou \u00e9poca com programas radiof\u00f4nicos e televisivos. E conhece o mundo pop como poucos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu curr\u00edculo de bons trabalhos prestados ao rock and roll nacional inclui trabalhos com nomes lend\u00e1rios como o grupo punk Verminose, o p\u00f3s punk new wave do Magazine (que estourou nos anos 80 e ensaiou uma retomada no come\u00e7o dos anos 2000 com o bom disco \u201cNa Honestidade\u201d), o rock and roll com toques de blues do Kid Vinil e os Her\u00f3is do Brasil (com Andr\u00e9 Christovam na guitarra) e mais (vale fu\u00e7ar a biografia do cara <a href=\"http:\/\/www.kidvinil.com.br\/biografia.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, Kid mant\u00e9m uma coluna semanal no site Yahoo (leia <a href=\"http:\/\/colunistas.yahoo.net\/colunistas\/2\/index.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) e est\u00e1 trabalhando no lan\u00e7amento do primeiro CD da Kid Vinil Xperience, banda que o acompanha nos seus shows, apresentando as m\u00fasicas que fizeram parte de sua carreira. \u00c9 formada por Carlos Nishimiya (guitarra), F\u00e1bio McCoy (bateria) e Carlos Rodrigues (baixo). Nesta entrevista ao PLUG, parceiro do Scream &amp; Yell, ele lan\u00e7a seu olhar sobre o passado e o presente do rock nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual a rela\u00e7\u00e3o de Kid Vinil com o p\u00fablico jovem? Eles sabem que voc\u00ea \u00e9 autor de hits como \u201cSou Boy\u201d e \u201cTic Tic Nervoso\u201d?<\/strong><br \/>\nOs mais espertos at\u00e9 sabem que eu cantava essas m\u00fasicas, mas tudo depende do interesse de cada um. Existem jovens interessados na m\u00fasica dos anos 80, n\u00e3o \u00e9 uma maioria, mas sempre encontro pessoas me perguntando sobre as m\u00fasicas e at\u00e9 fico espantado deles conhecerem meu trabalho. Mas isso \u00e9 fruto daquilo que n\u00f3s plantamos na d\u00e9cada de 80 e sucesso \u00e9 uma coisa que fica pra sempre, ainda bem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Como voc\u00ea, que fez sucesso na \u00e9poca \u00e1urea do rock nacional, analisa a nova gera\u00e7\u00e3o de bandas brasileiras?<\/strong><\/span><br \/>\nA d\u00e9cada de 80 foi uma \u00e9poca muito boa pro rock brasileiro, pois toda a m\u00eddia abria espa\u00e7os para as novas bandas. Hoje \u00e9 diferente. Existe uma gera\u00e7\u00e3o de bandas para adolescentes, os chamados coloridos ou emos, que fazem sucesso com o investimento de grandes empres\u00e1rios. O rock de qualidade est\u00e1 na cena mais alternativa e nos festivais independentes. Curto mais essa turma dos independentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falta uma ditadura (ou ao menos lembran\u00e7as mais recentes dela) pra fazer a molecada transgredir mais, musicalmente falando?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o exatamente isso, mas as coisas mudaram a partir da d\u00e9cada de 90. A m\u00fasica mais popular no Brasil dominou as r\u00e1dios e a TV com pagode, sertanejo, ax\u00e9, funk. O rock perdeu espa\u00e7o e, a partir disso, s\u00f3 produtos comerciais fazem sucesso. A culpa n\u00e3o \u00e9 do sistema e da liberdade de express\u00e3o que vivemos, mas os grandes culpados s\u00e3o os caras que manipulam o poder das r\u00e1dios, da TV e da imprensa, enfim, os megaempres\u00e1rios. Nada vai mudar esse cen\u00e1rio, infelizmente, pois a grana \u00e9 que movimenta o mundo art\u00edstico hoje em dia, talento pouco importa. O jovem est\u00e1 c\u00f4modo nessa situa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o vai fazer nenhuma revolu\u00e7\u00e3o pra mud\u00e1-la. \u00c9 triste pensar nisso, mas \u00e9 a verdade. Os tempos revolucion\u00e1rios se foram, o rock e a m\u00fasica brasileira de qualidade agonizam em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E do cen\u00e1rio internacional, quais s\u00e3o as suas observa\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nO cen\u00e1rio internacional, contr\u00e1rio a tudo que vivemos, ainda preserva suas ra\u00edzes de criadores do rock e mant\u00e9m bons projetos tanto na Europa quanto nos EUA. A cena independente l\u00e1 fora \u00e9 bem organizada, os jovens universit\u00e1rios ouvem boa m\u00fasica e s\u00e3o bem informados. A imprensa valoriza as coisas boas, as r\u00e1dios abrem espa\u00e7o pra m\u00fasica de qualidade. \u00c9 bem diferente daqui. O problema \u00e9 que muita gente acha que o rock independente de l\u00e1 est\u00e1 em baixa, mas nem sequer ouve e tenta entender as novas propostas. \u00c9 muito comum baixar qualquer coisa na internet, mas antes \u00e9 preciso ter uma no\u00e7\u00e3o de boa m\u00fasica pra avaliar as novidades e isso \u00e9 pra poucos ou pros mais espertos, que leem as melhores publica\u00e7\u00f5es da internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea foi um dos precursores do punk brasileiro. Restou alguma coisa (que preste) daquela \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nAs bandas mais tradicionais, como C\u00f3lera, Inocentes e Garotos Podres ainda est\u00e3o na ativa. Acho que esses caras fizeram um movimento naquela \u00e9poca e continuam em atividade, isso \u00e9 que importa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tamb\u00e9m consta em seu curr\u00edculo uma fase de muitos holofotes, com o Magazine. Era mais dif\u00edcil naquele per\u00edodo passar do underground para o mainstream?<\/strong><br \/>\nTalvez, pois a m\u00eddia estava de olho em tudo que acontecia e dava o maior apoio pras novas bandas. Da\u00ed era muito mais f\u00e1cil uma banda underground assinar com uma grande gravadora e fazer sucesso. Existem muitos exemplos de gente que come\u00e7ou no underground e depois assinou com uma grande gravadora, vide Legi\u00e3o, Tit\u00e3s, Ira!, Capital, Plebe Rude etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A r\u00e1dio \u00e9 uma de suas paix\u00f5es. Falta mais variedade \u00e0s emissoras brasileiras hoje?<\/strong><br \/>\nCom certeza, mais variedade e conhecimento musical, mas existem muitos interesses financeiros por tr\u00e1s disso tudo e isso impede a criatividade. Se n\u00e3o tocam coisas mais interessantes \u00e9 porque t\u00eam medo de perder audi\u00eancia. Trabalhei muito em r\u00e1dio e lembro que, quando a audi\u00eancia estava caindo, a \u00fanica coisa que eles queriam era que a gente tocasse s\u00f3 m\u00fasicas manjadas e sucessos de que o povo gosta, pro ibope subir. \u00c9 isso que as r\u00e1dios fazem at\u00e9 hoje. (Elas) t\u00eam medo de ariscar no novo ou no mais obscuro e no lado B da m\u00fasica. Uma pena!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 um dos que v\u00ea uma ditadura emo\/sertaneja nas r\u00e1dios?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 ditadura, \u00e9 grana que fala mais alto, isso gera muito dinheiro e interesses de grandes empres\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea apresenta programas de TV desde a \u00e9poca pr\u00e9-internet. Como era lidar com m\u00fasica e imagem naquele per\u00edodo?<\/strong><br \/>\nFazer TV era bem interessante, diferente do r\u00e1dio, que era s\u00f3 abrir o microfone e sair apresentando m\u00fasica. Na TV \u00e9 preciso produ\u00e7\u00e3o, tem muitos detalhes e regras para se cumprir. N\u00e3o d\u00e1 pra ter a mesma liberdade do r\u00e1dio, mas sempre fiz TV do que jeito que gostava, pois eu mesmo fazia meus roteiros e minha produ\u00e7\u00e3o musical. At\u00e9 mesmo o guarda-roupa era meu. Gosto de fazer TV assim, com toda liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que tipo de programa de TV voc\u00ea gostaria de fazer hoje?<\/strong><br \/>\nUm programa nos moldes do \u201cLado B\u201d ainda faz falta, eu curtia demais apresent\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que som voc\u00ea tem escutado ultimamente?<\/strong><br \/>\nMuita coisa. Dos brasileiros, Haxixins, Do Amor, Falcatrua, Dead Lovers Twisted Heart, Superguidis, Tambourines, Garotas Suecas. Dos gringos, Warpaint, Ariel Pink\u2019s Haunted Grafitti, Tame Impala, Tweak Bird, Of Montreal, Surfer Blood, Dum Dum Girls, Arcade Fire, Ttus Andronicus, Gaslight Anthem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E qual voc\u00ea n\u00e3o escuta de jeito nenhum?<\/strong><br \/>\nPasso batido em todos esses emos, tipo Restart, Strike, Fresno etc. E nem os emos de l\u00e1 de fora, tipo Fall Out Boy, Panic at the Disco, Simple Plan etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A quantas anda o Kid Vinil Xperience? Vai sair um disco?<\/strong><br \/>\nSim, j\u00e1 entrou na f\u00e1brica e receberemos em breve. O nome do CD \u00e9 \u201cTime Was\u201d e ser\u00e1 um disco de obscuridades que gravamos da d\u00e9cada de 60, n\u00e3o tem nenhuma m\u00fasica conhecida. Era um disco que eu queria fazer h\u00e1 muito tempo e tem a cara do Xperience. Ser\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o independente e venderemos em nossos shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos Paulino \u00e9 jornalista e editor do caderno <a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com.br\/\" target=\"_blank\">Plug<\/a>, do jornal <a href=\"http:\/\/www.gazetadelimeira.com.br\/\" target=\"_blank\">Gazeta de Limeira<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;O rock de qualidade est\u00e1 na cena alternativa e nos festivais independentes. 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