{"id":62704,"date":"2021-10-19T00:51:53","date_gmt":"2021-10-19T03:51:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=62704"},"modified":"2021-11-19T02:40:52","modified_gmt":"2021-11-19T05:40:52","slug":"entrevista-lucas-goncalves-apresenta-verona-seu-segundo-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/19\/entrevista-lucas-goncalves-apresenta-verona-seu-segundo-disco\/","title":{"rendered":"Entrevista: Lucas Gon\u00e7alves apresenta &#8220;Verona&#8221;, seu segundo disco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/trsobrinho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thiago Sobrinho<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dono do elogiado \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/30\/faixa-a-faixa-se-chover-de-lucas-goncalves\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Se Chover<\/a>\u201d, lan\u00e7ado em outubro de 2020 e presente entre <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/01\/26\/scream-yell-os-50-melhores-discos-de-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">os melhores do ano na lista do Scream &amp; Yell<\/a>, o m\u00fasico mineiro Lucas Gon\u00e7alves acaba de lan\u00e7ar o seu segundo trabalho solo. Trata-se de \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/veronadisc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Verona<\/a>\u201d, \u00e1lbum composto por 17 faixas que, assim como o anterior, tamb\u00e9m se debru\u00e7a sobre a nostalgia. \u201cEsse \u00e9 o meu segundo disco de saudade. S\u00f3 que agora com um pouco mais de experi\u00eancia de fazer disco, de amarrar as m\u00fasicas\u201d, admite Lucas ao Scream &amp; Yell sobre o disco que chegou \u00e0s plataformas de streaming no dia 23 de setembro \u2013 apenas 11 meses ap\u00f3s \u201cSe Chover\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, quando Lucas afirma que \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/veronadisc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Verona<\/a>\u201d transmite um pouco mais de experi\u00eancia na hora de fazer um disco, ele n\u00e3o est\u00e1 se referindo apenas \u00e0 bagagem que acumulou gravando discos. Tamb\u00e9m tem a ver com um novo modo de pensar o conceito de um disco. Parte desse aprendizado, segundo o artista de 29 anos de idade, se deu durante a grava\u00e7\u00e3o do novo \u00e1lbum da Maglore, banda em que ele assumiu o baixo em 2017. O novo trabalho dos caras foi gravado no Est\u00fadio Ilha do Corvo, em Belo Horizonte, Minas Gerais. \u201cAt\u00e9 por esse processo da Maglore de fazer um disco novo, fui percebendo quest\u00f5es como a ordem das m\u00fasicas no \u00e1lbum. Aprendi a equilibrar um disco. Ap\u00f3s esse processo, ouvi todas as m\u00fasicas que tinha gravado at\u00e9 ent\u00e3o, e j\u00e1 tinha umas 12 em mar\u00e7o, e as outras foram nascendo\u201d, conta o m\u00fasico, que tamb\u00e9m \u00e9 guitarrista da banda Vitraux.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pronto. Da\u00ed pra frente foi s\u00f3 preencher os buracos narrativos de \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/veronadisc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Verona<\/a>\u201d. Mas qual hist\u00f3ria Lucas quer contar com esse novo trabalho? \u201cNa verdade, s\u00e3o v\u00e1rias hist\u00f3rias. Mas todas se passam em Passa Quatro, cidade no Sul de Minas Gerais. A cidade \u00e9 o grande personagem desse \u00e1lbum\u201d, conta ele, sobre o munic\u00edpio onde o pai, que partiu em 2017 v\u00edtima de um c\u00e2ncer, vivia e onde Lucas morou at\u00e9 se mudar para S\u00e3o Paulo. E continua: \u201cPara quem conhece a cidade, consegue enxergar todo o caminho que fa\u00e7o. Acho que esse \u00e9 um disco de noite, de madrugada. \u00c9 uma viagem que, de repente, voc\u00ea pega estrada e vai de noite no Bar do Paul\u00e3o, escuta os sinos da Matriz&#8230; \u00c9 uma noitada na cidade. \u00c9 uma jornada solit\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a viagem, ao menos musicalmente, \u00e9 longa. \u201cVerona\u201d ultrapassa os 70 minutos de dura\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, \u00e9 um trabalho coeso. As faixas n\u00e3o se perdem. Pelo contr\u00e1rio. Elas dialogam entre si num painel rico de timbres que remetem ao rock dos finzinho dos anos 70 com ecos de Pink Floyd e at\u00e9 mesmo folk. Apesar de solo, o novo \u00e1lbum de Lucas contou com a ajuda de diversos \u201camigos do peito\u201d, pegando emprestado o nome da quarta faixa do \u00e1lbum, regrava\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica de Iso Guedes, compositor de Passa Quatro e amigo de Lucas. Vitor Loureiro gravou os sintetizadores em \u201cVer a Cidade\u201d. Hel\u00f4 Ribeiro empresta sua voz e toca flauta transversal em \u201cAt\u00e9\u201d. A lista de participa\u00e7\u00f5es \u00e9 longa e pode ser conferida no encarte do \u00e1lbum que est\u00e1 sendo vendido por R$ 10 <a href=\"https:\/\/www.solarmusicbox.com\/banquinha\/p\/lucas-gonalves-verona-disco-completo-extras-exclusivos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no site da Solar Music Box<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m h\u00e1 a ideia de lan\u00e7ar o \u00e1lbum no formato em vinil e o videoclipe de \u201cSubir a Serra\u201d. Mas antes disso, Lucas faz o show de lan\u00e7amento do \u00e1lbum. A apresenta\u00e7\u00e3o rola no dia 25 de novembro no Teatro Cacilda Becker, no bairro da Lapa, em S\u00e3o Paulo. \u201cEsse \u00e9 um show que faz parte do Projeto Amplifiquintas, da Prefeitura de S\u00e3o Paulo. A noite tamb\u00e9m ter\u00e1 show do Gustavo Galo, que eu toco junto dele\u201d, anima-se Lucas para a noite em que ir\u00e1 apresentar pela primeira vez ao p\u00fablico toda a saudade presente em \u201cVerona\u201d. Abaixo, ele fala sobre o disco, sua cidade natal, saudade, fam\u00edlia e muito mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Verona - lyric-videos\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL7UNQv6iUrMQX7TkXuC366vMsq45RD5-L\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ei Lucas, beleza? Como est\u00e1? Antes de a gente falar sobre o \u00e1lbum, voc\u00ea havia comentado no nosso contato inicial que estava no processo de mixagem de um disco. Pode falar mais um pouco?<\/strong><br \/>\n\u00c9 da Maglore. \u00c9 um \u00e1lbum que a gente fez \u00e0s pressas em fevereiro. Gravamos em Belo Horizonte, na Ilha do Corvo. Agora, estamos mixando. Estamos chegando a um resultado legal. S\u00f3 deve sair em 2022. N\u00e3o temos ainda o nome do trabalho, mas ele vai ter 13 faixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi essa sua entrada na Maglore e como eles te influenciaram musicalmente? Voc\u00ea, apesar de tocar baixo, n\u00e3o \u00e9 um baixista\u2026<\/strong><br \/>\nEu voltei ao contrabaixo. Comecei a tocar baixo por falta de baixista na minha cidade. E conheci a Maglore em 2013 quando fiz o som da banda na Casa do Mancha, aqui em S\u00e3o Paulo. Eu trabalhava como t\u00e9cnico de som l\u00e1 e fiquei f\u00e3. Levei as m\u00fasicas deles para Minas e apresentei para os amigos. Passou um tempo, e eles me chamaram. E, acredito, que a banda me influenciou pela brasilidade. Eles me trouxeram muitas refer\u00eancias de bandas brasileiras. At\u00e9 ent\u00e3o, eu era pirado em bandas sessentistas inglesas e no folk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D\u00e1 pra ouvir essas influ\u00eancias no seu novo trabalho?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei. Esse disco solo era o som que eu ouvia muito em Minas. E meu pai gostava muito. Mirei muito no Pink Floyd e um pouco na ideia de folk rock. N\u00e3o tem um viol\u00e3o de nylon no disco, diferente do primeiro \u00e1lbum. \u201cVerona\u201d \u00e9 todo em dois viol\u00f5es de a\u00e7o e um espa\u00e7o no meio para colocar guitarras e vocais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que \u201cVerona\u201d?<\/strong><br \/>\nPor duas raz\u00f5es. O meu pai teve esse carro quando eu nasci. E como o disco parte de uma foto do meu pai correndo na beira do asfalto, eu pensei em \u201cVerona\u201d por isso: pelas lembran\u00e7as. Queria passar uma imagem da cidade do meu pai em 1978. Passar uma vis\u00e3o mais rom\u00e2ntica das lembran\u00e7as. Isso e tamb\u00e9m a cidade italiana Verona, onde se passa Romeu e Julieta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi o ponto de partida desse \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nFoi em julho do ano passado quando comecei a gravar. Na verdade, sempre estou gravando as m\u00fasicas em casa sem pretens\u00e3o de lan\u00e7ar. Mas, na \u00e9poca, gravei \u201cSubir a Serra\u201d e \u201cVer a Cidade\u201d, que eram duas baladas que eu tinha. Lembro que baixei o tom e o andamento das m\u00fasicas e tudo soou lindo! Pensei at\u00e9 que tivesse gravado num est\u00fadio grande. O espectro de som ficou maior. A\u00ed percebi que tinha um caminho para o disco e fui compondo outras m\u00fasicas para se conectar com aquilo. Mas acho que s\u00f3 em mar\u00e7o deste ano me dei conta que tinha um disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 esse estranhamento de cidade do interior no seu \u00e1lbum? Tipo, de voc\u00ea ser o cara \u201cesquisito\u201d por ser algu\u00e9m que gosta de m\u00fasica e tudo?<\/strong><br \/>\nL\u00e1 eu nunca tive esse estranhamento porque a cidade \u00e9 toda musical. Sempre me dei com a turma de l\u00e1. Quando morei l\u00e1, sempre tocava nos bares e sempre colocava m\u00fasicas pr\u00f3prias. Essa coisa da cidade na madrugada, eu imaginei mais na coisa da pandemia. Virou uma cidade meio fantasma. Passa Quatro \u00e9 uma cidade muito pequena onde voc\u00ea sai \u00e0s seis da manh\u00e3 num fim de semana e n\u00e3o v\u00ea ningu\u00e9m na rua. Ou sai \u00e0 uma da manh\u00e3 e n\u00e3o tem ningu\u00e9m mais na rua. E como estava com saudades da cidade, havia dois anos que n\u00e3o visitava, Passa Quatro invadiu meu est\u00fadio. Sentia aquela neblina chegando e v\u00e1rias lembran\u00e7as foram surgindo. Acho que durante a pandemia aconteceu com muita gente esse mergulho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parece ter um carinho muito grande pelo passado.<\/strong><br \/>\nAcho que sim. Sou atravessado por isso no cotidiano. \u00c0s vezes estou na varanda, e sou arrebatado por imagens que a gente guarda da inf\u00e2ncia. Estou sempre lembrando da varanda l\u00e1 de casa, o piso. E isso pode acontecer pela roupa que algu\u00e9m usa na rua ou o jeito que a luz entra no quarto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De que forma esse passado te ajuda a entender o presente?<\/strong><br \/>\nAcho que musicalmente\u2026 \u00c9 algo que acontece quando eu descobria m\u00fasicas novas. Acho que isso \u00e9 algo que eu queria ter de novo. A gente vai ficar mais velho e n\u00e3o tem mais aquele deslumbre com as coisas. As coisas v\u00e3o ficando sistem\u00e1ticas demais e perdem a magia. E eu tento puxar isso nas minhas m\u00fasicas para mim mesmo, algo que remeta \u00e0s coisas que eu ouvia. E, com a nossa inf\u00e2ncia na cidade do interior, a gente lembra de ficar na rua, jogar bola, brincar de pique. Desde que cheguei na cidade grande, eu ando com medo na rua. Nesses tempos de crise, a gente fica com mais medo ainda. Voc\u00ea vai vivendo com medo. Acho que sou saudosista com o passado pela liberdade que a gente tinha. Hoje t\u00e1 todo mundo com o celular na m\u00e3o o tempo todo, meio preso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62711\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/verona1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/verona1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/verona1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/verona1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o h\u00e1 como falar do seu disco sem falar sobre o seu pai. Ele teve uma altera\u00e7\u00e3o no cerebelo que tirou sua capacidade motora\u2026<\/strong><br \/>\nO meu pai faleceu em 2017. Quando a Maglore lan\u00e7ou o disco \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/18\/entrevista-maglore-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Todas as Bandeiras<\/a>\u201d, ele faleceu um dia antes ou um dia depois. No primeiro show da Maglore depois disso, o Teago homenageou o meu pai. O meu pai ouvia de tudo. Ele era musical. Ele tinha uma paix\u00e3o especial por Beatles. Ele ia ao mercado de carro e deixava o som alto tocando Beatles enquanto fazia compra. Ele anunciava a presen\u00e7a dele com m\u00fasica. E ele sempre me apoiou com a minha carreira. P\u00f4, ele sempre me ajudou mudou. Mesmo quando a Vitraux fez CD. A gente fez prensagem de mil CDs e ele vendeu um monte em Passa Quatro. Eu dando CDs pros amigos e ele vendendo. Eu confundo muito nossas lembran\u00e7as com m\u00fasicas. Seja com Beatles, Cat Stevens ou Milton Nascimento. \u00c9 massa. A hist\u00f3ria dele virou m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pode falar sobre essa doen\u00e7a que afetou a capacidade motora dele?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 uma coisa de fam\u00edlia. \u00c9 heredit\u00e1rio. \u00c9 uma doen\u00e7a no cerebelo. Ele corria, andava de moto e bicicleta. E, aos 30 anos, ele perdeu o equil\u00edbrio e caiu na frente de casa. E a\u00ed ficou fazendo os exames at\u00e9 descobrir que era isso. Mas n\u00e3o foi disso que ele faleceu. Ele descobriu um c\u00e2ncer em 2016 e partiu muito r\u00e1pido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por ser algo heredit\u00e1rio, \u00e9 algo que te assusta?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o penso mais nisso. \u00c9 algo que pode acontecer. Tenho algumas tias e tios que tiveram. J\u00e1 os meus primos n\u00e3o t\u00eam. Nenhum apresentou. Acho que o risco \u00e9 bem pequeno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao \u201cVerona\u201d&#8230; Voc\u00ea disse que \u00e9 um disco de saudade. Qual a diferen\u00e7a da saudade dele para o \u201cSe Chover\u201d?<\/strong><br \/>\nAcho que em &#8220;Se Chover&#8221; mirei numa est\u00e9tica que eu tinha muita saudade desse ritual de ouvir m\u00fasica com o meu pai. Lembro de a gente ouvir Clube da Esquina, com aquele viol\u00e3o de nylon na frente e o rock atr\u00e1s. \u00c9 um disco de saudade querendo voltar pro passado. O \u201cVerona\u201d \u00e9 quase a mesma coisa. Mas invento algumas mem\u00f3rias. Parece que exagero em algumas delas. E a est\u00e9tica \u00e9 mais roqueira. \u00c9 mais 77 pra 80. Enquanto \u201cSe Chover\u201d t\u00e1 mais pra 68 a 72.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Compor \u00e9 um processo terap\u00eautico para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nTotalmente. Eu brinco com alguns amigos que eu n\u00e3o procurei terapia ainda porque estou fazendo m\u00fasicas. Mas estou h\u00e1 dois meses sem fazer m\u00fasica e devo procurar ajuda (Risos). H\u00e1 casos que letra, harmonia e melodia j\u00e1 v\u00eam na hora. E eu tenho que ter um tempo para me dedicar. Por isso que em tempos de velocidade mais lenta, como no in\u00edcio da pandemia, eu consegui compor bastante. Consegui fazer muita coisa legal. At\u00e9 tinha um projeto de can\u00e7\u00f5es de Folia de Reis, um disco el\u00e9trico, mas o \u201cVerona\u201d roubou a frente e era outra coisa de mem\u00f3ria. Isso vai ficar pro futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi parar numa cidade grande como S\u00e3o Paulo?<\/strong><br \/>\nFoi na vontade de cair nessa cena autoral que eu j\u00e1 acompanhava de longe e querendo fazer parte dessas bandas que eu ouvia, como Supercordas, Jair Naves, Vanguart e tal. Eu dizia que queria fazer m\u00fasica com essa galera. E a\u00ed vim para S\u00e3o Paulo nessa loucura. Eu tinha uma banda em Minas e t\u00ednhamos um disco gravado. Mas n\u00e3o estava masterizado. Na \u00e9poca, eu namorava uma paulistana que estava em Passa Quatro h\u00e1 alguns anos. E ela ia vir pra S\u00e3o Paulo estudar e me chamou pra morar com ela na casa da av\u00f3. Um ano depois, em 2012, eu comecei a trabalhar na Casa do Mancha. A cidade de S\u00e3o Paulo me inspirou muito a escrever outras coisas. A cidade tem a m\u00fasica dela. E isso tamb\u00e9m me bateu. E foi massa. Conheci toda turma daqui. Vi muita banda aparecendo na Casa do Mancha. Fiz o som e amizade com muita gente. Morei em quarto de pens\u00e3o, fiz bicos na Teodoro Sampaio para me sustentar. E, no meio disso tudo, meu pai me ligando falando que ia me mandar R$ 100 e eu n\u00e3o sabia como dizer pra ele que com aquela grana n\u00e3o dava pra fazer muita coisa aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o processo de se lan\u00e7ar como solo?<\/strong><br \/>\nNossa&#8230; Eu n\u00e3o lembro a decis\u00e3o exata. Lembro que em 2019, eu comecei a organizar minhas pastas de m\u00fasicas. Fui achando essas letras, as met\u00e1foras com sol e chuva e vi que tinha esse primeiro disco: \u201cSe Chover\u201d. Percebi que as m\u00fasicas n\u00e3o iam pra Maglore ou Vitraux e decidi fazer meu primeiro disco. A\u00ed montei a banda para ensaiar. Passamos um ano gravando. Foi algo natural, as m\u00fasicas pediam o seu lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 teve a oportunidade de produzir outros artistas?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 produzi o primeiro EP de uma banda de Guarulhos chamado Belga Bord\u00f4. A banda, infelizmente, acabou. E quando sa\u00ed da pens\u00e3o e vim morar nessa casa onde estou na Vila Madalena, vim com o Jo\u00e3o e o Ivo, da Vitraux. A gente trocava muita coisa de gravar. Aprendi muito com eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que tipo de produtor voc\u00ea quer se tornar?<\/strong><br \/>\nAinda n\u00e3o sei bem. Quero ser mais uma pessoa a ser chamada para colaborar no sentido de dar ideias e caminhos. Mais sugerir um caminho especial na obra do que tirar um som espec\u00edfico. N\u00e3o sei se ainda tenho essa marca. Por enquanto, quero ser um apoio para quem quer ser produzido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acha que, em algum dia, o seu trabalho solo pode se tornar a sua banda principal?<\/strong><br \/>\nAcho que n\u00e3o consigo me enxergar nesse cen\u00e1rio solo. Eu gosto das bandas, gosto da Maglore e da Vitraux. Pretendo fazer muitos discos e viajar muito com eles. Mas no meu solo pretendo fazer discos. Quero deixar isso sair. Se for acontecendo, eu n\u00e3o vou negar.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62712\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/verona2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/verona2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/verona2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/verona2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Thiago Sobrinho (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/trsobrinho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.trsobrinho<\/a>) \u00e9 jornalista do A Tribuna em Vit\u00f3ria, Esp\u00edrito Santo. A foto que abre o texto \u00e9 de Carime Elmor e Felipe Vieira<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dono do elogiado \u201cSe Chover\u201d, lan\u00e7ado em outubro de 2020 e presente entre os melhores do ano na lista do Scream &#038; Yell, o m\u00fasico mineiro Lucas Gon\u00e7alves acaba de lan\u00e7ar o seu segundo trabalho solo, um disco que tamb\u00e9m se debru\u00e7a sobre a nostalgia&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/19\/entrevista-lucas-goncalves-apresenta-verona-seu-segundo-disco\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":59,"featured_media":62710,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4803,188],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62704"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62704"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62704\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62713,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62704\/revisions\/62713"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62710"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}