{"id":62526,"date":"2021-10-06T00:10:55","date_gmt":"2021-10-06T03:10:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=62526"},"modified":"2022-03-22T15:01:17","modified_gmt":"2022-03-22T18:01:17","slug":"entrevista-thiago-pereira-fala-sobre-o-livro-vida-pop-sobre-duas-obras-de-nick-hornby","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/06\/entrevista-thiago-pereira-fala-sobre-o-livro-vida-pop-sobre-duas-obras-de-nick-hornby\/","title":{"rendered":"Entrevista: Thiago Pereira fala sobre o livro &#8220;Vida Pop&#8221;, sobre duas obras de Nick Hornby"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/thiago.pereira.56808\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thiago Pereira Alberto<\/a> \u00e9 doutor em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela Universidade Federal Fluminense com est\u00e1gio doutoral na Universidade do Porto, em Portugal. Em sua tese, realizou pesquisa sobre a nostalgia na m\u00fasica pop a partir da banda inglesa The Smiths. Atualmente \u00e9 professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), no departamento de comunica\u00e7\u00e3o social. Para al\u00e9m da doc\u00eancia Thiago \u00e9 baixista <a href=\"https:\/\/pelos.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da banda Pelos,<\/a> de Belo Horizonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Graduado em jornalismo, Thiago foi editor de cultura do jornal Hoje Em Dia, rep\u00f3rter e redator do jornal O Tempo e colunista do jornal Estado de Minas. Tamb\u00e9m trabalhou por 10 anos como rep\u00f3rter e coordenador de produ\u00e7\u00e3o do programa televisivo Alto Falante (Rede Minas) e colaborou com ve\u00edculos nacionais como UOL, R7, Playboy <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/thiago-pereira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e o pr\u00f3prio Scream &amp; Yell<\/a>. Como se n\u00e3o bastasse tantos predicados, agora em 2021 acaba de lan\u00e7ar seu primeiro livro: \u201c<a href=\"https:\/\/www.editoraappris.com.br\/produto\/5351-vida-pop-representaes-e-reconhecimentos-da-cultura-pop-em-fices-de-nick-hornby\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vida Pop: representa\u00e7\u00f5es e reconhecimentos da cultura pop em fic\u00e7\u00f5es de Nick Hornby<\/a>\u201d, via Appris Editora .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fruto de sua pesquisa de mestrado, na obra o autor analisa o impacto da cultura pop tanto em suas dimens\u00f5es hist\u00f3ricas quanto em suas possibilidades de agenciar novas experi\u00eancias e modos de vida para o sujeito contempor\u00e2neo, a partir de seus processos afetivos com a m\u00fasica, cinema, TV e literatura. E para tanto adota como refer\u00eancia duas obras do influente escritor brit\u00e2nico Nick Hornby que conquistaram gera\u00e7\u00f5es: o cl\u00e1ssico \u201cAlta Fidelidade\u201d (1995) e \u201cJuliet, Nua e Crua\u201d (2009).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, Thiago fala sobre cultura pop e o seu papel na atualidade, o universo da produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e o mercado editorial, o trabalho de Nick Hornby (seu legado e influ\u00eancia), o processo de composi\u00e7\u00e3o de sua pesquisa e muito mais. Confira!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62528\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Thiago_Pereira_Alberto_capa_1_4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Thiago_Pereira_Alberto_capa_1_4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Thiago_Pereira_Alberto_capa_1_4-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Thiago_Pereira_Alberto_capa_1_4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como se deu a sua rela\u00e7\u00e3o com este universo? E como Hornby entrou nessa jogada?<\/strong><br \/>\nO universo da pesquisa cient\u00edfica, ou a \u2018academia\u2019, na verdade, vem de casa mesmo: sou filho de professores universit\u00e1rios, ent\u00e3o os verbetes \u201caula\u201d, \u201cteses\u201d, \u201corienta\u00e7\u00f5es\u201d fizeram parte da gram\u00e1tica cotidiana da minha forma\u00e7\u00e3o. Era o trabalho dos meus pais, basicamente; portanto, assunto recorrente e mais ou menos inspirador, especialmente no caso de minha m\u00e3e, professora e pesquisadora de Comunica\u00e7\u00e3o Social \u2013 curso que tanto eu como meu irm\u00e3o viemos a fazer. A diferen\u00e7a crucial \u00e9 que, desde cedo, me decidi que iria para a pr\u00e1tica, encarar o mercado, longe de salas de aula (apesar daqueles apelos que escutei desde cedo \u2018ah, ser\u00e1 professor como os pais\u2019) talvez pela cl\u00e1ssica rebeldia juvenil de \u2018negar\u2019 o percurso familiar, de alguma maneira. Fiz minha gradua\u00e7\u00e3o em jornalismo j\u00e1 interessado em encarar reda\u00e7\u00f5es e se conseguisse trabalhar com cultura, melhor ainda. Dei sorte e foi o que aconteceu: ainda na universidade, logo no in\u00edcio, consegui ser colaborador do jornal Hoje em Dia, fazendo cr\u00edticas de discos e algum tempo depois comecei um est\u00e1gio no Alto Falante, cl\u00e1ssico programa de m\u00fasica da Rede Minas, que fez parte da minha forma\u00e7\u00e3o como sujeito pop. O est\u00e1gio se transformou em um casamento de 10 anos com o AF, onde eu e Terence Machado, para al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o chefe-funcion\u00e1rio, criamos uma parceria muito legal, uma amizade foda e uma vontade grande de estender nossos desejos profissionais e nosso amor pela m\u00fasica. Chamamos o Rodrigo James, nosso comparsa, e a chancela Alto Falante \u2018virou\u2019 programa de r\u00e1dio em algumas emissoras de BH, a coluna Esquema Novo, publicada no Hoje em Dia e depois por muitos anos no Estado de Minas, site, colabora\u00e7\u00e3o para diversos ve\u00edculos, produ\u00e7\u00e3o de eventos como as Noites Alto Falante e o Festival Garimpo, banda de farra etc. Anos incr\u00edveis, eu diria &#x1f609;. Quase uma d\u00e9cada depois, eu me sentia meio \u2018instrumentalizado\u2019, um pouco farto daquela rela\u00e7\u00e3o profissional com a cultura pop e querendo encarar outras perspectivas, n\u00e3o apenas diante do circuito da m\u00fasica, mas tamb\u00e9m me voltar \u00e0 literatura, cinema, artes visuais&#8230; ampliar estes meus interesses. Depois de uma especializa\u00e7\u00e3o em Produ\u00e7\u00e3o e Cr\u00edtica Cultural, o mestrado me pareceu um caminho interessante; encarar, de fato, o mundo da pesquisa acad\u00eamica. Seguindo meu estado de esp\u00edrito do per\u00edodo, propus um projeto de pesquisa cujo objeto central n\u00e3o era exatamente a m\u00fasica pop, mas a cultura pop como um \u2018todo\u2019. E apostei que Nick Hornby, escritor que est\u00e1 comigo desde a adolesc\u00eancia, poderia me inspirar uma discuss\u00e3o produtiva nesse sentido, sob a \u00f3tica da literatura (sempre fui um estudante de Letras frustrado tamb\u00e9m). Deu \u2018certo\u2019 e em dezembro de 2012 defendi a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado que \u00e9 a base do \u201cVida Pop\u201d, lan\u00e7ado este ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No livro voc\u00ea faz uma an\u00e1lise do que se entende como cultura pop e tem na obra de Hornby como ponto de inflex\u00e3o no modo operandi de se lidar com a mesma. Nesse sentido, como a obra do autor foi determinante para este ponto de transi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEm algum momento imaginei que boa parte da obra de Hornby era um ponto de observa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise privilegiado para entender a cultura pop n\u00e3o apenas como modus operandi advindo de uma s\u00e9rie de articula\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, sociais, pol\u00edtico-econ\u00f4micas da segunda metade do s\u00e9culo XX para c\u00e1; mas como modus vivendi de muitos de n\u00f3s. Dentro do escopo liter\u00e1rio, ele talvez seja o narrador definitivo de nossas vidas pop, com seus personagens absolutamente atravessados pelas possibilidades subjetivas \u2013 afetivas dos discos, filmes, s\u00e9ries e tudo mais que comp\u00f5em esse caldo midi\u00e1tico que entendemos frequentemente como pop. Muitos de seus personagens s\u00e3o habitantes t\u00edpicos desse universo e constelam suas exist\u00eancias muito a partir das nebulosas do afeto pop: as representa\u00e7\u00f5es que ele sugere e proporciona atrav\u00e9s do suporte romance liter\u00e1rio nos oferece o reconhecimento imediato dos objetos (e do nosso amor por eles) que formam um invent\u00e1rio composicional do \u2018eu-pop\u2019. De certa maneira, em s\u00edntese, \u00e9 essa a articula\u00e7\u00e3o que proponho no livro: um trajeto de compreens\u00e3o do que \u00e9 a cultura pop (suas dimens\u00f5es hist\u00f3ricas, em um estudo sobre a pop art), o que ela faz com a gente e o que fazemos com ela (suas din\u00e2micas e modula\u00e7\u00f5es de subjetividade) e como Hornby consegue retratar esses processos com alguma precis\u00e3o e, claro, afinco liter\u00e1rio. O escritor talentoso que \u00e9, antes de tudo um sujeito pop, endere\u00e7ando, em obras como \u201cAlta Fidelidade\u201d e \u201cJuliet Nua e Crua\u201d, esses reconhecimentos para leitores que se entendem como sujeites pop tamb\u00e9m. E de maneira muito engenhosa, Hornby e sua obra se estabelecem como pe\u00e7as pop importantes para nossas engrenagens afetivas: somos, em parte, alguns de seus personagens tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com carreira iniciada nos anos 90 o trabalho de Hornby atravessou por diversas fases e iria, anos mais tarde, estender o seu leque para outros estados da arte como o cinema e a m\u00fasica. Ap\u00f3s estas tr\u00eas d\u00e9cadas de bons servi\u00e7os prestados qual o legado deixado pelo autor?<\/strong><br \/>\nTrata-se de um termo \u2018problem\u00e1tico\u2019, que n\u00e3o sei se seria chamado para tomar ch\u00e1 nas Academias de Letras, mas&#8230; Hornby talvez seja o nome definitivo de uma certa \u2018literatura pop\u2019. Discuto isso no livro, no entendimento de que esse termo pop pode chancelar \u2013 e por vezes adesivou de fato \u2013 a obra de autores diversos, que n\u00e3o necessariamente se comunicam em termos de estilo ou est\u00e9tica: Roberto Drummond e seu \u201cSangue de Cola Cola\u201d \u00e9 literatura pop? Caio Fernando Abreu e \u201cMorangos Mofados\u201d? Manuel Puig, Bret Easton Ellis, Rick Moody, Anne Tyler&#8230;a lista \u00e9 longa e confusa. Nesse sentido, a obra de Hornby ofereceu um diapas\u00e3o, mais ou menos est\u00e1vel, para a tessitura de romances que enquadram, de fato e de maneira central, o que sugiro como vida pop. No sentido de que, para al\u00e9m da cultura pop ser o cen\u00e1rio definitivo de boa parte de seus romances, ela \u00e9 o modulador subjetivo principal dos personagens que s\u00e3o retratados, a lente mais importante que oferece a eles suas vis\u00f5es de mundo e as cartografias que mapeiam seus rumos neste sentido. A obsess\u00e3o de Rob Flemming em \u201cAlta Fidelidade\u201d ou de Duncan, em \u201cJuliet Nua e Crua\u201d, com suas m\u00fasicas, seus discos, suas s\u00e9ries, seus filmes \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, uma esp\u00e9cie de \u00e2ncora existencial que justifica suas perman\u00eancias no mundo. Quem nunca? Pode se discutir a qualidade de Nick Hornby como escritor, romancista, claro \u2013 mas me parece inevit\u00e1vel, v\u00ea-lo como cronista de uma gera\u00e7\u00e3o, narrador de um mundo onde o pop ocupa um lugar menos \u2018localiz\u00e1vel\u2019 em termos de idade, territ\u00f3rios etc. e&#8230; n\u00e3o poupa ningu\u00e9m ou quase ningu\u00e9m (risos). Nesse sentido, de representar esse modo de vida, Hornby \u00e9 muito poderoso e, indo al\u00e9m, influente. A obsess\u00e3o de listas como mania informacional do jornalismo hoje seria t\u00e3o forte sem \u201cAlta Fidelidade\u201d? Tenho d\u00favidas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62530\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/altafidelidade.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"556\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/altafidelidade.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/altafidelidade-300x222.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sua rela\u00e7\u00e3o com &#8220;Alta Fidelidade&#8221; nasceu assim que o livro foi lan\u00e7ado, mas em que momento voc\u00ea percebeu que a obra seria objeto de uma pesquisa acad\u00eamica? E a partir desta percep\u00e7\u00e3o como a academia abra\u00e7ou este projeto?<\/strong><br \/>\nTeve este aspecto pessoal e proposital, de querer encarar a empreitada (um mestrado, no caso), mais desvinculado de algo que at\u00e9 ent\u00e3o tomava muito do meu tempo e do meu interesse \u2013 a m\u00fasica pop \u2013 diretamente. Ent\u00e3o, foi um interesse genu\u00edno de \u2018fugir, pero no mucho\u2019, do meu enquadramento usual (na \u00e9poca) de curiosidades. Possivelmente, a primeira pergunta que fiz ao pensar na pesquisa foi \u201cO que \u00e9 essa cultura pop que me e nos cerca?\u201d; o passo seguinte foi pensar em um objeto para ajudar nesta an\u00e1lise, e neste momento, me veio Hornby e toda minha rela\u00e7\u00e3o afetiva com sua literatura. Para al\u00e9m, me pareceu produtivo pensar em uma esp\u00e9cie de arco hist\u00f3rico e anal\u00edtico entre duas de suas obras: \u201cAlta Fidelidade\u201d, que li ainda adolescente em 1998, quando de sua primeira edi\u00e7\u00e3o nacional e seu ent\u00e3o \u00faltimo livro, \u201cJuliet Nua e Crua\u201d. Como sugiro no meu livro, percebo um di\u00e1logo instigante entre ambos os romances, que dizem inclusive de um processo de celebra\u00e7\u00e3o e crise desse sujeito pop. Evidentemente, n\u00e3o foi uma fuga t\u00e3o bem-sucedida assim buscar Hornby, mas quando penso, por exemplo, no exame que realizei em meu doutorado, onde tive como objeto principal os Smiths, a quest\u00e3o fica ainda mais n\u00edtida para mim. Como resultado, \u201cVida Pop\u201d talvez possa ser percebido como uma obra n\u00e3o t\u00e3o vinculada ao corpo de pesquisas nos quais me dedico mais intensamente hoje, que s\u00e3o os estudos de m\u00fasica e som dentro da comunica\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 recep\u00e7\u00e3o da \u2018academia\u2019, talvez pensar assim seja macro demais, n\u00e3o sei se consigo avaliar isso; mas me lembro de um interesse de colegas e outros pesquisadores na \u00e9poca, em congressos, semin\u00e1rios e publica\u00e7\u00f5es, algo que vem se repetindo com o livro e que me deixa superfeliz. Em uma dimens\u00e3o menor, tive um orientador interessado no tema hornybiano, que ainda era bem pouco explorado em pesquisas brasileiras, o que foi uma motiva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No in\u00edcio do livro voc\u00ea escreve uma carta a Rob Fleming, personagem central de &#8220;Alta Fidelidade&#8221;. Dentre os v\u00e1rios pontos citados voc\u00ea faz men\u00e7\u00e3o a algumas mudan\u00e7as estruturais \/ essenciais que o mercado da cultura pop sofreu nos \u00faltimos anos, abordando em especial a mudan\u00e7a do formato de consumo da arte que migrou, essencialmente, do f\u00edsico para as plataformas digitais. Como voc\u00ea lidou com essa transi\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea acha que o formato atual ajudou a democratizar o acesso a arte de modo geral?<\/strong><br \/>\nEssa carta foi um recurso que encontrei para tentar \u2018atualizar\u2019 de certa maneira o livro, diante da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado original. Esta foi uma quest\u00e3o importante e levemente dram\u00e1tica (risos) no processo: h\u00e1 uma grande dist\u00e2ncia temporal entre as duas coisas. Ao mesmo tempo em que era fundamental para mim atualizar o material original, tamb\u00e9m entrei numas de uma certa \u2018honestidade intelectual\u2019 pr\u00f3pria, que me dizia o tempo todo para respeitar aquela fotografia original, por mais \u2018amarelada\u2019 que ela estivesse. A quest\u00e3o das mudan\u00e7as de consumo, do f\u00edsico para o digital, s\u00e3o um ponto; mas acredito que de alguma maneira j\u00e1 estavam contempladas na pr\u00f3pria an\u00e1lise que proponho no \u201cVida Pop\u201d, j\u00e1 que o arco hist\u00f3rico entre \u201cAlta Fidelidade\u201d (e sua loja de discos) e \u201cJuliet Nua e Crua\u201d (e seu f\u00f3rum de internet) d\u00e3o a ver com alguma precis\u00e3o essa mudan\u00e7a \u2013 e principalmente, algumas \u2018n\u00e3o-mudan\u00e7as\u2019, the love for the songs remains the same etc&#8230; O ponto que considerei mais cr\u00edtico, diante deste v\u00e3o cronol\u00f3gico, foi a aus\u00eancia de uma abordagem mais \u2018estrutural\u2019, que avan\u00e7asse a ideia de representa\u00e7\u00e3o do que chamo de sujeito pop para algo al\u00e9m da representa\u00e7\u00e3o hornbyana: homens, brancos, de meia-idade, heterossexuais, anglo sax\u00f4nicos. Nesse sentido, a s\u00e9rie \u201cAlta Fidelidade\u201d produzida pelo Hulu, no in\u00edcio de 2020, foi fundamental: ao modificar muitos desse vetores de representa\u00e7\u00e3o (Rob como uma mulher negra, sexualmente flu\u00edda etc., cercada de pessoas assim) me levou tanto a querer ampliar a no\u00e7\u00e3o de sujeito pop (pensar em sujeite pop me inspira hoje) quanto a validar, tantos anos depois, tanto a obra de Hornby como meu pr\u00f3prio exame sobre ela. Nessa dire\u00e7\u00e3o (e em outras), a s\u00e9rie \u00e9 brilhante e muito inspiradora, porque deixa bem evidente e segue \u2018homenageando\u2019 o \u2018centro\u2019 tem\u00e1tico de \u201cAlta Fidelidade\u201d \u2013 a tal \u201cvida pop\u201d, afinal \u2013 mas representando, de forma lind\u00edssima, reconhecimentos de outras ordens et\u00e1rias, sexuais, raciais etc. De certa maneira, \u00e9 o caminho que mais me motiva a voltar a qualquer tipo de an\u00e1lise sobre Hornby ou sobre meu livro sobre ele. J\u00e1 comecei um pouco isso aqui em um trabalho que apresentei recentemente, em um simp\u00f3sio chamado Popfilia, realizado na Universidade Federal de Pernambuco, chamado \u201cHI (GH) (IN)FIDELITY!\u2019: notas iniciais sobre o sujeito pop em Alta Fidelidade, de Nick Hornby e o sujeite pop na s\u00e9rie hom\u00f4nima de 2020\u201d, <a href=\"https:\/\/grupopufpe.com.br\/anais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dispon\u00edvel aqui<\/a> e, tamb\u00e9m, no v\u00eddeo abaixo, resumido:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"[SIMP\u00d3SIO POPFILIA 2021]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j7YJldhU9NE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cVida Pop\u201d \u00e9 fruto de uma pesquisa acad\u00eamica que se tornou livro, iniciativa est\u00e1 tem se tornado cada vez mais comum quando o assunto \u00e9 o universo da cultura pop. Como se deu o convite para lan\u00e7ar sua tese neste formato? E como anda o mercado editorial em rela\u00e7\u00e3o a obras desta natureza?<\/strong><br \/>\nO convite se deu, creio, atrav\u00e9s de um rastreamento praticado por determinadas editoras, como a Appris, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s disserta\u00e7\u00f5es e teses que s\u00e3o publicadas nas universidades brasileiras. N\u00e3o posso cravar, mas creio que estas editoras fazem uma busca geral em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 temas que elas consideram, de acordo com seus par\u00e2metros, public\u00e1veis ou algo do tipo. Acho que muitos pesquisadores e autores s\u00e3o diretamente convidados, claro, mas em casos como o meu, seguramente \u00e9 um processo menos espec\u00edfico \u2013 \u2018encontraram\u2019 minha pesquisa, anos atr\u00e1s, e me convidaram para publicar. Em rela\u00e7\u00e3o ao mercado editorial, realmente n\u00e3o saberia dizer com precis\u00e3o como anda, mas, tamb\u00e9m tenho a impress\u00e3o de que h\u00e1 um interesse em publicar perspectivas mais te\u00f3ricas ou \u2018acad\u00eamicas\u2019 sobre temas candentes na cultura pop contempor\u00e2nea. Nesse sentido, \u201cVida Pop\u201d \u00e9 mais um entre muitos outros lan\u00e7amentos que abordam e habitam esse lugar, o que muito me satisfaz. Espero que ele e outras obras neste sentido alcancem leitores interessados no(s) tema(s), para al\u00e9m de seus usos cient\u00edficos; particularmente, mesmo como jornalista, sempre me interessou angula\u00e7\u00f5es mais \u2018densas\u2019 (na falta de um termo melhor) de an\u00e1lise sobre este universo pop. De certa maneira, \u00e9 essa minha contribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no livro, na minha tese e nos meus artigos publicados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Alta Fidalidade&#8221; e &#8220;Juliet, Nua e Crua&#8221; foram as obras de Hornby que serviram de refer\u00eancia para nortear parte da sua pesquisa. Ambas retratam o autor em momentos distintos da carreia do autor. Dentro da sua vasta biografia por que voc\u00ea selecionou estas obras e quais s\u00e3o os pontos de conson\u00e2ncia entre elas?<\/strong><br \/>\nComo citei antes, percebi e percebo um di\u00e1logo interno bastante instigante e produtivo entre as obras. Entendo-as, em linhas gerais, como um movimento inicial de celebra\u00e7\u00e3o e posteriormente, de crise deste sujeito e da vida pop que proponho sistematizar na minha an\u00e1lise. Particularmente, adoro pensar que, em algum lugar da prateleira que guarda a cole\u00e7\u00e3o pop de Duncan, de \u201cJuliet&#8230;\u201d, est\u00e1 o livro e o filme de \u201cAlta Fidelidade\u201d&#8230; (risos). At\u00e9 por sua recep\u00e7\u00e3o externa, \u201cAlta Fidelidade\u201d \u00e9 uma grande festa representativa desses sujeitos que vivem no entorno dos discos, filmes, livros e nada mais, como j\u00e1 diria um grande sujeito pop, Guilherme Arantes (risos). No fim das contas, pensando na obra em si, entendo-o como uma louva\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura pop e sua validade como uma b\u00fassola orientadora de sensibilidades contempor\u00e2neas: Rob Flemming \u00e9 um homem poss\u00edvel, no fim das contas (risos). Seu reconhecimento p\u00fablico \u00e9 not\u00e1vel, especialmente quando pensamos em par\u00e2metros como vendagens e desdobramentos midi\u00e1ticos (filme, pe\u00e7as teatrais etc.) \u2013 25 anos depois de seu lan\u00e7amento, estava tematizando uma s\u00e9rie! Assim, percebo \u201cAlta Fidelidade\u201d como uma esp\u00e9cie de consagra\u00e7\u00e3o, para Hornby como autor e para o modo liter\u00e1rio em que ele atua; uma obra e, principalmente, uma narratividade extremamente influente, em leitores e em outros escritores. Aqui no Brasil, por exemplo, apostaria que autores (que aprecio bastante) como Andr\u00e9 Takeda e Leandro Leal leram ou se inspiraram em Hornby de certa forma. Percebo \u201cJuliet Nua e Crua\u201d, opostamente, como um sinal da impossibilidade de se ser apenas Rob Flemming. Seu protagonista, Duncan, \u00e9 um sujeito em crise na sua vida pop, com o mundo o avisando, o tempo todo, que os discos, filmes, livros e nada mais n\u00e3o d\u00e3o conta de tudo. \u00c9 um romance muito interessante \u2013 talvez subestimado \u2013 porque localiza o sujeito pop modula\u00e7\u00f5es interessantes no mundo da web 2.0; transp\u00f5e aquele elitismo cr\u00edtico e cultural da bancada da loja de discos para os f\u00f3runs da internet. Nessa nova encena\u00e7\u00e3o, mostra um aspecto que acho incr\u00edvel no Hornby romancista que \u00e9 um certo \u2018realismo liter\u00e1rio\u2019, no sentido de inventariar o mundo que cerca seus personagens \u2013 e n\u00f3s, leitores. Assim, \u201cJuliet&#8230;\u201d habilidosamente trata tamb\u00e9m de um certo redimensionamento de cultura de f\u00e3s, da obsess\u00e3o pelo arquivo no mundo contempor\u00e2neo, do etarismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s l\u00f3gicas do afeto pop. E, por fim, Hornby atualiza um \u2018subtexto\u2019 fundamental que noto entre ambas as obras: o lidar e tensionar a ideia de \u2018maturidade\u2019 masculina. Rob e Duncan s\u00e3o sujeitos pop em crise; mas o primeiro consegue lidar melhor com isso tamb\u00e9m atrav\u00e9s de sua rela\u00e7\u00e3o afetiva e rom\u00e2ntica: ganha um final feliz e celebrat\u00f3rio. J\u00e1 o segundo, no mesmo aspecto, fica para tr\u00e1s, em crise completa como sujeito e como homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda falando da esfera acad\u00eamica parece-me que hoje em dia pesquisas cuja tem\u00e1tica esteja ligada a cultura pop tem tido maior aceita\u00e7\u00e3o nesta esfera. Voc\u00ea tamb\u00e9m v\u00ea desta maneira? E caso sim a que se deve esta mudan\u00e7a de olhar?<\/strong><br \/>\nTalvez sim, mas digo isso a partir do que me parece ser a percep\u00e7\u00e3o das minhas grandes refer\u00eancias cient\u00edficas-acad\u00eamicas, um grupo de pesquisadores incr\u00edveis (como minha orientadora Simone Pereira de S\u00e1, e pesquisadores como Jeder Janotti Jr., Adriana Amaral e Thiago Soares, que prefaciou o \u201cVida Pop\u201d) que j\u00e1 est\u00e3o nessa \u2018batalha\u2019 h\u00e1 tempo suficiente para serem vistos como inspiradores e far\u00f3is para quem est\u00e1 chegando agora. O que posso afirmar \u00e9 que, desde o in\u00edcio da d\u00e9cada frequentando eventos e conhecendo pesquisas que tematizam o pop, me impressiona a quantidade e a qualidade de trabalhos, assim como o gigantesco escopo de assuntos que esses trabalhos alcan\u00e7am. \u00c9 um universo que me atrai muito e, suspeito, possuem tamb\u00e9m uma forte ader\u00eancia com pessoas \u2018de fora\u2019, o que de alguma maneira ajuda a \u2018quebrar\u2019 o consagrado div\u00f3rcio entre mercado e a academia. Particularmente, fico muito feliz com a repercuss\u00e3o \u2018fora da bolha\u2019 de determinados trabalhos vindos das universidades; ou quando estes pesquisadores s\u00e3o fonte para a produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e midi\u00e1tica em geral. Entendo \u2013 e talvez isso tenha a ver com minha experi\u00eancia de mercado \u2013 esses processos mais como complementares para um certo \u2018entendimento\u2019 de mundo do que opostos. Um exemplo evidente disso para mim: estou organizando, junto com os pesquisadores Jeder Janotti e Jonas Pilz, um livro que re\u00fane cap\u00edtulos que tematizam e tensionam as quest\u00f5es e problemas que envolvem o rock na atualidade; t\u00eam previs\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o para o ano que vem. Muito recentemente, vi que o Pedro Antunes, na sua coluna no UOL, colocou para jogo uma quest\u00e3o muito similar a que estamos propomos. Idem para v\u00e1rias quest\u00f5es que o Mac aponta aqui no Scream. Volta e meia cito material jornal\u00edstico-midi\u00e1tico em meus trabalhos, assim como v\u00e1rios colegas. Entendo isso como uma via de m\u00e3o dupla vi\u00e1vel e importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Num exerc\u00edcio inevit\u00e1vel gostaria que fizesse um top 5 sobre Hornby. E vale misturar tudo o que ele produziu!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bom e velho desafio hornbyano, vamos l\u00e1. Hoje vou de:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">01. \u201cAlta Fidelidade\u201d (o cl\u00e1ssico) (risos)<br \/>\n02. \u201c31 Can\u00e7\u00f5es\u201d (um livro de ensaios brilhante, onde se v\u00ea Hornby n\u00e3o como narrador dos sujeites pop; mas como um sujeito pop de fato)<br \/>\n03. \u201cJuliet Nua e Crua\u201d (como j\u00e1 disse, acho subestimado) (risos)<br \/>\n04. \u201cJesus Mamilo\u201d (um conto genial dele, que trata maravilhosamente da eterna discuss\u00e3o sobre alta e baixa cultura, presente na colet\u00e2nea \u201cConversando com o Anjo\u201d)<br \/>\n05. \u201cFebre de Bola\u201d (as dores e del\u00edcias do futebol. Mais as dores, o que soa atual\u00edssimo para um cruzeirense sofrido como eu)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como b\u00f4nus track, preciso citar \u201cSlam\u201d, um romance adolescente que foi superimportante para mim, em uma \u00e9poca espec\u00edfica da minha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual o papel da cultura pop na vida das pessoas na atualidade?<\/strong><br \/>\nNa atualidade e sempre: nos representar e nos reconhecer no agora, mas tamb\u00e9m nos permitir sonhar e fantasiar com outros amanh\u00e3s; nos tornar menos sozinhos e nos fazer necessitar uma solitude etc. etc. Meio brega tudo isso \u2013 mas, porra, pop \u00e9 maravilhosamente isso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62529\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Thiago_Pereira_Alberto_capa_1_5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Thiago_Pereira_Alberto_capa_1_5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Thiago_Pereira_Alberto_capa_1_5-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Thiago_Pereira_Alberto_capa_1_5-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cThe State of the Union\u201d, um livro de um Nick Hornby mais maduro (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/25\/tres-livros-nick-hornby-sylvia-plath-lizzy-goodman\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cHigh Fidelity\u201d, a s\u00e9rie, ainda \u00e9 deliciosamente pop, mas soa mais\u2026 inteligente (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/05\/12\/tres-series-high-fidelity-my-brillant-friend-chernobyl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013\u00a0\u201cJuliet, Nua e Crua\u201d, o filme: uma pe\u00e7a sat\u00edrica disfar\u00e7ada de com\u00e9dia rom\u00e2ntica (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/01\/13\/tres-filmes-gauguin-viagem-ao-taiti-desobediencia-e-juliet-nua-e-crua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013\u00a0Adapta\u00e7\u00e3o italiana de &#8220;Slam&#8221;, de Nick Hornby, fracassa, mas faz ter vontade de reler o livro (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/11\/13\/tres-filmes-slam-as-confissoes-e-o-fantasma-da-sicilia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013\u00a0\u201cFebre da Bola\u201d, o filme: a vers\u00e3o americana com\u00a0 Jimmy Fallon e Drew Barrymore (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/cinemadois\/amoremjogo.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013\u00a0\u201cFebre da Bola\u201d, o filme: a vers\u00e3o inglesa com Colin Firth (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/secoes\/febredabola.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cUma Longa Queda\u201d, de Nick Hornby, incomoda muito mais que diverte (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/03\/17\/livro-uma-longa-queda-nick-hornby\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cFunny Girl\u201d abre possibilidades tem\u00e1ticas interessantes para Nick Hornby (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/23\/livro-funny-girl-de-nick-hornby\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Sobre Nick Horby e \u201cAlta Fidelidade\u201d, por Marcelo Costa (aqui)<br \/>\n\u2013 \u201cFebre da Bola\u201d, o filme: a vers\u00e3o americana com\u00a0 Jimmy Fallon e Drew Barrymore (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/cinemadois\/amoremjogo.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cFebre da Bola\u201d, o filme: a vers\u00e3o inglesa com Colin Firth (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/secoes\/febredabola.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Entrevista: Guilherme Weber fala sobre &#8220;A Vida \u00e9 Cheia de Som e F\u00faria&#8221;, adapta\u00e7\u00e3o de &#8220;Alta Fidelidade&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/mais\/somefuria.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cUm Grande Garoto\u201d \u00e9 romance urgente, daqueles que retratam uma \u00e9poca (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/literatura\/grndgrt.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cUm Grande Garoto\u201d, o filme, surge po\u00e9tico em algumas partes e pat\u00e9tico em outras (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/cinema\/umgrandegaroto.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cComo Ser Legal\u201d, de Nick Hornby, \u00e9 uma extens\u00e3o da \u201cteoria das calcinhas velhas\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/literatura\/comoserlegal.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fruto de sua pesquisa de mestrado, na obra o autor analisa o impacto da cultura pop tanto em suas dimens\u00f5es hist\u00f3ricas quanto em suas possibilidades de agenciar novas experi\u00eancias e modos de vida para o sujeito contempor\u00e2neo, a partir de seus processos afetivos com a m\u00fasica, cinema, TV e literatura.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/06\/entrevista-thiago-pereira-fala-sobre-o-livro-vida-pop-sobre-duas-obras-de-nick-hornby\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":62527,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[2439],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62526"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62526"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62526\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62534,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62526\/revisions\/62534"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62527"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}