{"id":62513,"date":"2021-10-04T17:58:03","date_gmt":"2021-10-04T20:58:03","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=62513"},"modified":"2022-01-03T03:19:52","modified_gmt":"2022-01-03T06:19:52","slug":"entrevista-fabio-de-carvalho-aprofunda-o-olhar-sobre-anjo-pornografico-seu-novo-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/04\/entrevista-fabio-de-carvalho-aprofunda-o-olhar-sobre-anjo-pornografico-seu-novo-disco\/","title":{"rendered":"Entrevista: F\u00e1bio de Carvalho aprofunda o olhar sobre &#8220;Anjo Pornogr\u00e1fico&#8221;, seu novo disco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cinco anos ap\u00f3s o elogiado EP \u201cSonho de Cachorro\u201d (2015) e um per\u00edodo de dedica\u00e7\u00e3o a banda <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/15\/entrevista-el-toro-fuerte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">El Toro Fuerte<\/a>, F\u00e1bio de Carvalho est\u00e1 de volta com o \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/fabiodecarvalho.bandcamp.com\/album\/anjo-pornogr-fico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Anjo Pornogr\u00e1fico<\/a>\u201d (2021), disco em que o cantautor mineiro coloca em evid\u00eancia melodias raivosas em ode ao caos da contemporaneidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Composto por nove faixas, \u201c<a href=\"https:\/\/fabiodecarvalho.bandcamp.com\/album\/anjo-pornogr-fico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Anjo Pornogr\u00e1fico<\/a>\u201d coloca as principais refer\u00eancias que perpassam o trabalho de F\u00e1bio de Carvalho, de artistas como Daughters, Nick Cave, The Drones e Jair Naves passando por Lupe de Lupe, Swans, Arrigo Barnab\u00e9 e Oxbow.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/02\/08\/entrevista-aldan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a tamb\u00e9m mineira Aldan<\/a> como banda de apoio, o disco foi produzido por Fernando Bones (Aldan) e vem sendo arquitetado desde 2018. A pandemia atrasou parte do processo de grava\u00e7\u00e3o, que somente foi concretizado em 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum \u00e9 um lan\u00e7amento da Rubedo Discos, novo selo (capitaneado por Bones e Carvalho) que pretende ter como foco dar visibilidade a bandas experimentais que est\u00e3o fora dos holofotes da m\u00eddia tradicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, F\u00e1bio fala sobre a pandemia e os desafios ligados ao fazer art\u00edstico no per\u00edodo, a parceria com a Aldan, as dificuldades quanto ao processo de cria\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o do disco do novo disco, o selo Rubedo Discos, planos futuros e muito mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fa\u0301bio de Carvalho - Anjo Pornogra\u0301fico - 2021 (\u00e1lbum completo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/r-MD9qk6PZ8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeiramente eu gostaria de saber como tem sido este per\u00edodo de pandemia? Como ela impactou (ou n\u00e3o) suas vidas, em especial no fazer art\u00edstico de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nA pandemia foi respons\u00e1vel por produzir uma esp\u00e9cie de intervalo que dividiu o processo de feitura do \u201cAnjo Pornogr\u00e1fico\u201d em dois. Antes das primeiras medidas de isolamento social o disco n\u00e3o tinha esse nome e, principalmente, contava com letras muito diferentes. Havia uma consist\u00eancia sonora, mas n\u00e3o havia uma consist\u00eancia tem\u00e1tica que busquei construir a partir do momento em que retomamos os trabalhos. Os intervalos, sabemos, tamb\u00e9m s\u00e3o reflexivos. Comecei a criar uma dist\u00e2ncia das composi\u00e7\u00f5es e dos arranjos, porque come\u00e7aram a soar como se pertencessem a um momento passado, onde me inspirava por coisas que j\u00e1 n\u00e3o eram meu foco. Tudo que havia gravado at\u00e9 hoje tinha sido feito com rapidez. Em parte, pelo custo econ\u00f4mico de manter uma opera\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o por mais de alguns meses, mesmo em est\u00fadios caseiros, mas tamb\u00e9m me parece comum o receio de trabalhar com longas dura\u00e7\u00f5es. A maioria das ideias \u00e9 descartada na medida em que expandimos a dura\u00e7\u00e3o de um processo. Ele vai se metamorfoseando, o que pode ser perigoso se comprometer os fundamentos daquilo que se fazia anteriormente. Sinto o \u201cAnjo Pornogr\u00e1fico\u201d atravessado por esse conflito entre um projeto inicial, o distanciamento cr\u00edtico produzido pelo isolamento social e uma retomada insegura. A inseguran\u00e7a, na realidade, girava mais em torno das letras do que dos instrumentos. A maioria dos versos foram finalizados poucas horas antes da entrada no est\u00fadio para as grava\u00e7\u00f5es finais. N\u00e3o \u00e9 algo que eu gostaria de fazer de novo, acho que o disco acaba deixando a desejar nesse departamento. Mas, ao mesmo tempo, acho que \u00e9 fruto dessa situa\u00e7\u00e3o estranha onde j\u00e1 me cansava desses anos de feitura do trabalho. No entanto, penso que experimentar essa longa dura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ativou meus sentidos para um outro modo de conduzir o processo criativo. Os intervalos foram, pessoalmente, momentos em que busquei perspectivar meu lugar dentro de uma cena. O que exatamente eu estou fazendo? Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o desse disco em rela\u00e7\u00e3o aos outros trabalhos entre os quais meu nome est\u00e1 orbitando? Uma solu\u00e7\u00e3o estranha que encontrei para algumas d\u00favidas, que j\u00e1 estavam ali antes, foi sair do coletivo\/movimento Gera\u00e7\u00e3o Perdida de Minas Gerais um pouco antes da pandemia. Quanto mais pensava, menos sentido fazia e, no entanto, eu n\u00e3o parava de buscar motivos para faz\u00ea-lo. Ent\u00e3o eu fiz e desse modo inventei algumas raz\u00f5es que poderiam apaziguar a aparente indiferen\u00e7a que isso parecia, no fundo, significar. Afinal, ainda estou colaborando com m\u00fasicos do movimento e mantenho rela\u00e7\u00f5es de amizade e admira\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, por que sair? Acho que o que eu buscava nesse processo era realmente cultivar alguma esp\u00e9cie de solid\u00e3o e de sil\u00eancio que vem com essa decis\u00e3o. Dist\u00e2ncia, de novo. Sentia essa vontade de dist\u00e2ncia e sil\u00eancio tamb\u00e9m quanto ao processo de feitura de um disco com a El Toro Fuerte e o hiato da banda. Tanto a Gera\u00e7\u00e3o quanto a El Toro foram os dois canais atrav\u00e9s dos quais a minha m\u00fasica chegou para as pessoas. Foi ali tamb\u00e9m, em torno de 2016, que se falou de rock triste e de uma cena emergente. Sinto que essa alcunha tem logrado para muitas bandas e que, efetivamente, h\u00e1 um espa\u00e7o de mercado pra elas. Com a El Toro, principalmente, tive a oportunidade de tocar pra p\u00fablicos consideravelmente maiores, de ter contato com o lado profissional da m\u00fasica. Uma das principais estrat\u00e9gias nesse meio \u00e9 construir uma identidade forte de banda, artista, cantor, enfim. Eu mesmo era, ent\u00e3o, o m\u00fasico de rock triste que canta can\u00e7\u00f5es para as pessoas se identificarem e que participa dessa banda de emo El Toro Fuerte. Toda essa identidade ia se formando em torno do que eu fa\u00e7o e, assim, j\u00e1 abria um caminho com expectativas de decis\u00f5es futuras, das sonoridades dos meus pr\u00f3ximos projetos. Ao mesmo tempo, penso que uma boa m\u00fasica \u00e9 algo que extrapola por completo qualquer identifica\u00e7\u00e3o estrita com um grupo de artistas. Uma banda, com sorte, far\u00e1 um punhado de m\u00fasicas realmente boas e isso tem muito pouco a ver com tudo que se vende ao redor dessas m\u00fasicas. N\u00e3o \u00e9 sobre uma identidade visual ou sonora que fideliza os ouvintes. N\u00e3o \u00e9 um g\u00eanero ou estilo de composi\u00e7\u00e3o que sempre sai bem. Fazer uma boa m\u00fasica tem a ver, no fim, muito pouco a ver com a sua pessoa ou com a consist\u00eancia com que a sua pessoa pode produzir can\u00e7\u00f5es. Estar na El Toro Fuerte foi em grande parte trabalhar com a mentalidade de fazer m\u00fasicas de um certo estilo, com uma certa inten\u00e7\u00e3o. Tentei ser uma esp\u00e9cie de radar, captando as palavras e sons que poderiam ressoar com o p\u00fablico. Me parece que a mentalidade do pop tem a ver com isso. Criar hits \u00e9 isso. O hit \u00e9 a m\u00fasica que cola nas pessoas, que elas incorporam como se elas mesmas tivessem feito a letra. \u00c9 uma captura, e n\u00e3o digo isso num sentido pejorativo, mas m\u00e1gico. Na El Toro acho que brincamos com isso, sabendo que nossos shows tinham a qualidade emocional das pessoas se juntarem pra cantar com a gente no palco. Mas sabia tamb\u00e9m que \u00e9ramos uma banda pequena. O \u201cAnjo Pornogr\u00e1fico\u201d, acredito, \u00e9 um disco que faz fronteira entre dois modos de pensar minha rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica, embora ele n\u00e3o seja \u2013 e n\u00e3o poderia ser \u2013 a express\u00e3o completa dessas ideias. Ele carrega algo dessa vontade de coes\u00e3o, de mirar numa certa sonoridade, de imitar e de gerar identifica\u00e7\u00e3o, mas ele tamb\u00e9m \u00e9 o impulso inicial de uma vontade de romper com essa l\u00f3gica, de criar situa\u00e7\u00f5es l\u00edricas onde a identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 desconfort\u00e1vel ou intoler\u00e1vel. J\u00e1 mencionei isso em outras situa\u00e7\u00f5es, mas algo que corria na minha mente durante a confec\u00e7\u00e3o das letras era aquele motivo do cinema slasher da c\u00e2mera assumir a perspectiva do man\u00edaco ou assassino. \u00c9 frequente no disco que o eu l\u00edrico n\u00e3o seja exatamente um sujeito com o qual as pessoas queiram se identificar ou consigam se ver nele. E, no entanto, a voz pode inflamar seus corpos de outros modos. \u00c9, ent\u00e3o, um exorcismo. A escuta pode ser tamb\u00e9m um modo de expurgar os pr\u00f3prios sons e n\u00e3o s\u00f3 de incorpor\u00e1-los e pronto. No \u201cAnjo Pornogr\u00e1fico\u201d, trabalho essas din\u00e2micas que, de certo modo, tem a ver com o campo do religioso e do profano, do que cria dist\u00e2ncia e do que anula a dist\u00e2ncia, do que redime e do que corr\u00f3i.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao longo dos \u00faltimos anos voc\u00ea construiu com o Fernando Bones, ao meu ver, trajet\u00f3rias art\u00edsticas com v\u00e1rios pontos de afinidade e aproxima\u00e7\u00e3o. Mas, de fato, o que eu gostaria de saber \u00e9 como foi o in\u00edcio da rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas? E quais elementos voc\u00eas julgaram essenciais para firmar essa parceria?<\/strong><br \/>\nEu diria que a nossa rela\u00e7\u00e3o m\u00fasico-produtor tende a ser duradoura. N\u00e3o acho que estamos nem pr\u00f3ximos de esgotar o potencial que temos de criar juntos. Acho que o Bones \u00e9 uma parte essencial do som do \u201cAnjo Pornogr\u00e1fico\u201d, no sentido de que ele me ajudou a construir aqueles sons praticamente do zero. Chegando no est\u00fadio para a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o tudo que eu tinha eram ideias pra guitarras e vozes. Os baixos e baterias foram criadas ora por mim ora por ele, mas n\u00f3s est\u00e1vamos juntos naquele espa\u00e7o e acredito que isso faz de cada coisa feita ali algo coletivo. No final das contas, ali \u00e9 o espa\u00e7o onde essa ideia da unidade do Criador come\u00e7a a ruir tamb\u00e9m. Quer dizer, n\u00e3o s\u00f3 ele criou arranjos, como escolheu como microfonar, como distribuir os sons na mixagem e isso \u00e9 tudo fundamental. Achei importante frisar isso correndo o risco de cair um pouco na obviedade. Al\u00e9m disso, o Bones \u00e9 um pouco mais p\u00e9 no ch\u00e3o que eu. Mais seguro de que \u00e9 preciso se ater a algumas ideias, n\u00e3o ir vagando de uma para outra tentando tudo. Na verdade, a insist\u00eancia dele em seguir uma certa ideia inicial, em manter uma consist\u00eancia sonora, foi o que produziu a coes\u00e3o interna do \u201cAnjo Pornogr\u00e1fico\u201d. Ele tem um discernimento cr\u00edtico maior e \u00e0s vezes uma desconfian\u00e7a quanto a muitas novidades. Isso me ajuda a n\u00e3o perder a cabe\u00e7a e n\u00e3o esquecer sobre o que uma m\u00fasica realmente \u00e9. Ao mesmo tempo, n\u00e3o era raro que eu apresentasse algo novo para ele, alguma ideia imprevista, e ele aprovasse essa intromiss\u00e3o no arranjo inicial. Ent\u00e3o, acho que ele \u00e9 um produtor que mant\u00eam seus ouvidos abertos, que consegue trabalhar alguma flexibilidade que termina por ser ben\u00e9fica para o projeto. Preciso destacar o papel fundamental que a Aldan, banda de Belo Horizonte da qual o Bones tamb\u00e9m faz parte, desempenhou nesse disco. S\u00e3o os membros da banda que ensaiaram por meses comigo e que tiveram o compromisso de recuperar todo o repert\u00f3rio ap\u00f3s meses de pandemia para concluirmos as grava\u00e7\u00f5es. J\u00e1 tinham uns dois anos que achava a Aldan o melhor show de rock de Belo Horizonte, ent\u00e3o quando eles propuseram fazer esse disco comigo foi como ter a banda dos sonhos te apoiando. Quanto a isso, acho que \u00e9 um daqueles acontecimentos sobre os quais sempre vou expressar muita gratid\u00e3o pela confian\u00e7a que eles depositaram em mim. Eles sempre acreditaram no trabalho e eu sou uma das pessoas que mais acredita na banda deles, sendo realmente um entusiasta de muito do que eles j\u00e1 fizeram e do que penso que ser\u00e1 um futuro ainda maior.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Festival Esconderijo: Papo com F\u00e1bio de Carvalho\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-fp0Ak6J_UM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando do disco como se deu o processo de cria\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o do disco de &#8220;Anjo Pornogr\u00e1fico&#8221;? Quais foram os desafios promovidos no decorrer destes dois anos de gesta\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum at\u00e9 o resultado final?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 discutimos alguns dos pontos do processo de grava\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do \u201cAnjo\u201d nessa conversa acima, ent\u00e3o vou aproveitar a oportunidade para aprofundar em algumas quest\u00f5es que n\u00e3o foram levantadas ali. Talvez o principal desafio tenha sido a minha voz. Sabia que n\u00e3o queria cantar do mesmo modo que antes, e que as novas m\u00fasicas tamb\u00e9m n\u00e3o pediam aquele tipo de interpreta\u00e7\u00e3o. O ensaio em dire\u00e7\u00e3o as escolhas vocais do \u201cAnjo Pornogr\u00e1fico\u201d j\u00e1 podem ser ouvidas no meu single \u201cTrocando de Pele\u201d (2017), em que busquei experimentar com vozes mais agressivas e com efeitos na p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o. A verdade \u00e9 que no \u201cTudo em V\u00e3o\u201d (2015) ou \u201cSonho de Cachorro\u201d (2016) n\u00e3o tem praticamente qualquer pensamento sobre voz. Aqueles eram puramente os jeitos que eu sabia cantar intuitivamente. Claro que fui tentando trabalhar afina\u00e7\u00e3o e melodia, mas n\u00e3o era algo que passava pela minha cabe\u00e7a que eu pudesse mudar minha voz e fazer dela um instrumento como os outros. Alguma das principais refer\u00eancias nessa nova dire\u00e7\u00e3o foram o Nick Cave nos seus primeiros trabalhos com o Birthday Party e depois o Bad Seeds, o Jair Naves, com sua voz grave e dram\u00e1tica, e Arrigo Barnab\u00e9 nos seus momentos mais estranhos. Era preciso introduzir uma dose de mania, exagero e caricatura na forma de narrar as situa\u00e7\u00f5es e expressar os estados de esp\u00edrito que animam as can\u00e7\u00f5es. Havia tamb\u00e9m um conflito recorrente entre o s\u00e9rio e o c\u00f4mico. Era preciso tratar os temas do disco com a densidade que merecem sem deixar de lado algo de grotesco que tamb\u00e9m est\u00e1 l\u00e1. O grotesco, nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 simplesmente o repulsivo ou inc\u00f4modo, mas carrega algo de c\u00ednico. Esse cinismo, sobretudo, expressa a relatividade dos valores, a efemeridade dos sentimentos e impulsos. Queria tamb\u00e9m traduzir o peso moral que geralmente acompanha o pensamento sobre o amor, o desejo, o v\u00edcio e a viol\u00eancia, sem que a moralidade desse as m\u00fasicas uma face de cr\u00edtica ou de pedagogia. Se adentrei no projeto animado pelo sentimento de que queria falar algo sobre o mal, busquei tirar as m\u00fasicas de uma atmosfera redentora que poderia iluminar e diferenciar, por meio da rela\u00e7\u00e3o letras-vozes, os sentimentos bons e ruins. Era preciso n\u00e3o assegurar os ouvintes de um car\u00e1ter \u201cconscientizado\u201d da m\u00fasica, porque isso me soa como a maior das pretens\u00f5es. Como se coubesse ao artista ser um condutor, um \u201cexplicador\u201d do que ele conta. Quando escrevo sobre isso, por mais geral que soe, estou pensando em situa\u00e7\u00f5es criativas bastante concretas. Busquei reservar para a faixa t\u00edtulo uma esp\u00e9cie de s\u00edntese das ideias do trabalho que carregasse essa tens\u00e3o, onde n\u00e3o se trata exatamente de dizer \u201cisso \u00e9 errado\u201d, por mais que a perturba\u00e7\u00e3o moral se manifeste sonoramente no car\u00e1ter ruidoso e feio de muitas passagens. Naquela m\u00fasica busquei tra\u00e7ar um panorama de signos recorrentes na nossa cultura: a evolu\u00e7\u00e3o da preocupa\u00e7\u00e3o da medicina com o onanista, esse personagem dos s\u00e9culos passados, que hoje se transfigura no jovem masturbador que se aplica ao #nofap e outros programas de disciplina e dom\u00ednio de si. H\u00e1 tamb\u00e9m toda uma atmosfera de pensamento acerca das masculinidades t\u00f3xicas, da desconstru\u00e7\u00e3o e das transforma\u00e7\u00f5es nos h\u00e1bitos. Uma associa\u00e7\u00e3o que escuto frequentemente como verdade \u00e9 o car\u00e1ter pedag\u00f3gico da pornografia, sim? Tra\u00e7ando uma rela\u00e7\u00e3o direta entre o consumo de material pornogr\u00e1fico e o comportamento masculino t\u00f3xico. Penso tamb\u00e9m sobre as din\u00e2micas de consumo da Internet onde tomamos posse de imagens produzidas para tornar os corpos desej\u00e1veis, sejam imagens propriamente pornogr\u00e1ficas ou nas redes sociais onde a exposi\u00e7\u00e3o do corpo me parece passar por um mesmo desejo de desnudamento, mesmo que sem que o corpo se dispa literalmente. A din\u00e2mica da Internet implica um jogo de observa\u00e7\u00e3o onde estamos perpetuamente deixando os rastros do nosso olhar nos objetos que tocamos por via dos mecanismos de intera\u00e7\u00e3o, enfim. H\u00e1 todo um modo de participa\u00e7\u00e3o que coloca o nosso corpo no centro de uma vertigem de discursos que ora nos alertam para a desmedida dos nossos h\u00e1bitos e solicitam nossa reforma, ora nos inscrevem em c\u00edrculos de consumo-produ\u00e7\u00e3o que colocam nossa sexualidade como matriz energ\u00e9tica. Nisso tudo, enxergo menos um potencial de trazer solu\u00e7\u00f5es e mais de conceber fic\u00e7\u00f5es a partir do nosso presente. Arrematando, acho que a maior dificuldade do disco foi caminhar essa linha t\u00eanue de elabora\u00e7\u00e3o de um presente conflituoso, sem inoc\u00eancia e nem voca\u00e7\u00e3o para diagn\u00f3sticos. Os sintomas, se desejarmos conect\u00e1-los em outras redes de significa\u00e7\u00e3o, podem levar a toda sorte de inven\u00e7\u00e3o monstruosa, fant\u00e1stica, absurda. A doen\u00e7a esgota os sintomas e os reduz a uma coisa s\u00f3. Nietzsche escreve que o cristianismo perverteu o Eros em v\u00edcio. Essa redu\u00e7\u00e3o dos sentidos e da experi\u00eancia me intriga. Alguma pot\u00eancia se perde nessa passagem de estados do Eros. Hoje somos os possu\u00eddos que desejam um exorcismo imediato, ou que nos digladiamos com nossa pr\u00f3pria vontade inconstante, amb\u00edgua, em um mundo onde a no\u00e7\u00e3o de Eros j\u00e1 n\u00e3o faz tanto sentido, mas onde a de Cristo tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 exatamente como j\u00e1 foi. Acredito nesse \u201cclima\u201d ao redor, ent\u00e3o busquei intensificar os afetos que parecem comp\u00f4-lo, de prazer e transgress\u00e3o, de v\u00edcio, p\u00e2nico, um estado de desejo sem limites que s\u00f3 tem o \u201ceu\u201d como solu\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m o tratamento que esses afetos recebem como patologias, mat\u00e9rias da neuroci\u00eancia ou nos novos pensamentos cr\u00edticos do capitalismo. Queria friccionar esse espa\u00e7o que separa os sintomas dos diagn\u00f3sticos criando situa\u00e7\u00f5es l\u00edricas onde o monstruoso, o patol\u00f3gico e o divino se misturam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De modo geral, e de forma bem superficial \u00e9 verdade, o \u00e1lbum \u00e9 uma pungente ode a vida contempor\u00e2nea e seus desdobramentos, tendo como background para o lirismo marginal o uso bem-vindo de melodias pesadas, calcadas em distor\u00e7\u00f5es. Nesse sentido, como se dera este o processo de jun\u00e7\u00e3o destes elementos e de que maneira o mundo de hoje serviu de subterfugio \/ amparo para cria\u00e7\u00e3o deste universo presente no disco?<\/strong><br \/>\nGosto que voc\u00ea use a ideia de \u201code\u201d para descrever a inten\u00e7\u00e3o do disco. Acho que diz dessa linha que busquei percorrer entre o desespero e a celebra\u00e7\u00e3o, entre os diagn\u00f3sticos do fim iminente e a possibilidade de um novo come\u00e7o. \u00c9 como se o disco jamais se resolvesse entre o carnaval e o apocalipse, trazendo imagens presentes em cada um desses universos. Mais precisamente, fazendo ver as intersec\u00e7\u00f5es que existem entre os dois. Os personagens que habitam esse \u201clirismo marginal\u201d tamb\u00e9m vivem essa ambiguidade. Em \u201cO Amor \u00c9\u201d eu canto: Engoli\/ Vomitei\/ Cria\u00e7\u00e3o. Em resumo, acho que o disco est\u00e1 a\u00ed, nessa cria\u00e7\u00e3o a partir do intrag\u00e1vel. O porn\u00f3grafo e o anjo s\u00e3o as duas personagens que rondam o disco. Por um lado, a quest\u00e3o do fim da dist\u00e2ncia, do que se fala hoje de \u201cpornografiza\u00e7\u00e3o\u201d do mundo e suas rela\u00e7\u00f5es, da imagem que impede o pensamento e a rela\u00e7\u00e3o. Do outro, essa figura monstruosa que extrapola os limites do olhar que, no limite, pode cegar. A viol\u00eancia que esses dois polos, aquele que mostra tudo e aquele que jamais pode se mostrar por completo, produzem no corpo humano. S\u00e3o duas experi\u00eancias que colocam o espet\u00e1culo e o medo no mesmo dom\u00ednio. Acho que o pornogr\u00e1fico guarda rela\u00e7\u00f5es com outros campos de experimenta\u00e7\u00e3o corporal, como o cinema de terror, gore, enfim. Acho que existem esses procedimentos que s\u00e3o de uma viol\u00eancia ineg\u00e1vel e, no entanto, n\u00f3s frequentemente recorremos a eles. Era preciso falar sobre tudo isso. Os signos do cristianismo, que me acompanham t\u00eam muito tempo, tamb\u00e9m foram objetos que busquei deslocar dentro do contexto do disco. Tentei trazer algumas imagens e frases conhecidas e ver o que acontecia quando eu colocava elas diretamente dentro desse cen\u00e1rio apocal\u00edptico, porque, no fim das contas, o pensamento crist\u00e3o esteve sempre especulando o fim do mundo, acreditando que ele viria. Sempre houve, e ainda existem, diversos projetos de f\u00e9 crist\u00e3 para lidar com isso. As profecias, arrebatamentos, reden\u00e7\u00f5es e ju\u00edzos finais. Minha vida esteve muito intimamente conectada com essas promessas e isso me trouxe um grande medo. Fui ensinado a respeitar esse medo como uma prova da verdade das profecias. No entanto, o fim do mundo est\u00e1 sempre se adiando e n\u00f3s permanecemos aqui fazendo as engrenagens desses pensamentos se renovarem. Caminhamos entre as imagens do transe, de sermos arrebatados por uma for\u00e7a maior, e a necessidade de manter a unidade das institui\u00e7\u00f5es que representam essa for\u00e7a na terra. Se as vozes l\u00edricas do disco recorrem a santos, vers\u00edculos, profecias, elas n\u00e3o est\u00e3o exatamente reiterando a mensagem das institui\u00e7\u00f5es. Queria, enfim, percorrer os perigos do transe, mas tamb\u00e9m das m\u00e1quinas contempor\u00e2neas que tentam torn\u00e1-lo \u00fatil, estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco \u00e9 o primeiro lan\u00e7amento do selo &#8220;Rubedo discos&#8221;, parceria firmada por voc\u00eas. Como nasceu a ideia do selo? Qual \u00e9 o seu prop\u00f3sito? E ainda: qual a fatia do mercado que voc\u00eas planejam abra\u00e7ar?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s criamos a Rubedo a partir do desejo de come\u00e7ar uma coisa do zero, de novo. O sentimento de que algo n\u00e3o ia bem no que faz\u00edamos anteriormente e que seria preciso pensar outros meios. Pessoalmente, havia para mim a quest\u00e3o de que faltava a constru\u00e7\u00e3o de uma perspectiva que contrastasse com outros espa\u00e7os e grupos culturais de Belo Horizonte e do pa\u00eds. Sentia uma solubiliza\u00e7\u00e3o muito f\u00e1cil e isso faz com que seja dif\u00edcil para as pessoas entenderem o que \u00e9 que se est\u00e1 fazendo. Com toda a ideia de rock triste n\u00f3s come\u00e7amos a minimamente produzir alguma fric\u00e7\u00e3o, algum jogo de ideias. Sinto hoje que isso se perdeu completamente e deu lugar a um marasmo entre as bandas e seus p\u00fablicos. Havia uma novidade que hoje j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais. A grande quest\u00e3o era criar um selo que abarcasse os sons que sentimos falta de escutar em Belo Horizonte, que tamb\u00e9m pudesse incentivar artistas que n\u00e3o est\u00e3o aparecendo e que n\u00e3o tem os meios econ\u00f4micos pra faz\u00ea-lo. Artistas que, de certo modo, podem ter a liberdade de n\u00e3o combinar com as tend\u00eancias do momento ou que parecem n\u00e3o se adequar a esse campo. Uma banda que sempre me interessou nesse sentido \u00e9 a pr\u00f3pria Aldan, porque acho que eles fazem um som estranho, que as pessoas t\u00eam dificuldade de mapear dentro do que se faz hoje. \u00c9 uma banda de rock, com certeza, mas que n\u00e3o est\u00e1 usando os timbres, as melodias, os temas que hoje tem sido mais assimilados pelo mercado. Arrisco dizer que \u00e9 uma banda que n\u00e3o parece mesmo se importar com isso e que, no entanto, tem tra\u00e7ado um caminho musical cada vez mais interessante. Essa \u00e9 minha interpreta\u00e7\u00e3o, claro. Qual \u00e9 a fatia de mercado pra uma banda como a Aldan? Acho que \u00e9 uma fatia esquisita, mas que a gente acredita demais que existe. A ideia \u00e9 poder ativar as pessoas que v\u00e3o estar interessadas em grupos que tomam riscos e que n\u00e3o se preocupam muito com expectativas. \u00c9 trazer esse p\u00fablico pra perto do selo e criar uma cultura em torno das bandas. Com a Rubedo tentamos tamb\u00e9m resgatar um imagin\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o musical que n\u00e3o se usa tanto atualmente. H\u00e1 toda uma quest\u00e3o com a alquimia que anima algumas das nossas concep\u00e7\u00f5es sobre a m\u00fasica como experimento, transmuta\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias do mundo. \u00c9 uma esp\u00e9cie de pesquisa que estar\u00e1 perpetuamente em elabora\u00e7\u00e3o. O est\u00fadio \u00e9 um laborat\u00f3rio e n\u00f3s vamos nos iniciando nesses longos processos de tradu\u00e7\u00e3o, compara\u00e7\u00e3o, cr\u00edtica e reelabora\u00e7\u00e3o dos sons. Penso que seria muito interessante se consegu\u00edssemos construir um cat\u00e1logo que n\u00e3o deixasse de destacar essa busca, esse desejo de fazer junto e de jeitos diferentes. Em meio a isso tudo, destaco tamb\u00e9m a vontade de abrir espa\u00e7os de di\u00e1logo. Colocar os trabalhos para jogo mesmo, se poss\u00edvel conversando com o p\u00fablico, com as pessoas do jornalismo e da cr\u00edtica musical. O que \u00e9 bom, o que \u00e9 ruim, o que precisa ser discutido, enfim. Construir pensamento em torno das m\u00fasicas. Hoje, uma parte desse meio opera como um guia de consumidor e acho que isso n\u00e3o \u00e9 por si s\u00f3 um grande problema. O problema come\u00e7a quando \u00e9 s\u00f3 isso. Ent\u00e3o se num primeiro momento n\u00f3s n\u00e3o recebermos essa aten\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, n\u00f3s vamos criando nossas pr\u00f3prias oportunidades para conversar e mostrar o que tem por tr\u00e1s dessas can\u00e7\u00f5es. Fizemos uma parceria com o Festival Esconderijo para o lan\u00e7amento do Anjo Pornogr\u00e1fico e eu tive a oportunidade de conversar do mesmo modo que estou fazendo aqui agora, expandindo os meios de comunicar o disco, de pensar com outras pessoas sobre o trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, com disco novo e selo na pra\u00e7a quais ser\u00e3o os pr\u00f3ximos passos?<\/strong><br \/>\nA divulga\u00e7\u00e3o do \u201cAnjo Pornogr\u00e1fico\u201d vai continuar por alguns meses, principalmente por via do lan\u00e7amento de clipes. Al\u00e9m disso, j\u00e1 temos alguns lan\u00e7amentos planejados para o fim do ano. Tem um trabalho do Jo\u00e3o Jardel, um do Fernando Bones e um do Sentidor. Ano que vem vai ser hora de pensar meu pr\u00f3ximo lan\u00e7amento pelo selo tamb\u00e9m, dessa vez com um intervalo menor.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"F\u00e1bio de Carvalho - Trocando de Pele (\u00e1udio oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iRZpmxyBBJE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Laso - nemsemprevaiserassim ft. F\u00e1bio de Carvalho\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/l9Lg_-zbDm8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"F\u00e1bio de Carvalho - Imagens de Voc\u00ea | Sofar Belo Horizonte\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/syrfY_cnl8Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"fabinho\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jkHyytANn5E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"F\u00e1bio de Carvalho deixou o coletivo Gera\u00e7\u00e3o Perdida de Minas Gerais, criou o selo Rubedo Discos (ao lado de Fernando Bones, da Aldan) e apresenta seu segundo disco cheio, &#8220;Anjo Pornogr\u00e1fico&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/04\/entrevista-fabio-de-carvalho-aprofunda-o-olhar-sobre-anjo-pornografico-seu-novo-disco\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":62514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[990],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62513"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62513"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62513\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62515,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62513\/revisions\/62515"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}