{"id":62319,"date":"2021-09-18T01:47:52","date_gmt":"2021-09-18T04:47:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=62319"},"modified":"2021-11-22T01:33:03","modified_gmt":"2021-11-22T04:33:03","slug":"entrevista-fabiana-caso-fala-sobre-o-livro-o-som-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/09\/18\/entrevista-fabiana-caso-fala-sobre-o-livro-o-som-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Fabiana Caso fala sobre o livro &#8220;O Som de S\u00e3o Paulo&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Paulo \u00e9 uma cidade absolutamente incr\u00edvel. Talvez a opini\u00e3o de um paulistano nascido no Belenzinho e registrado num cart\u00f3rio da Rua Augusta (o mesmo que receberia o registro de seu filho 40 e tantos anos depois) possa soar enviesada, mesmo que em 50 anos de vida ele tenha passado 25 dos 30 primeiros numa cidadezinha de interior sonhando o dia em que desceria a Rua Augusta caminhando a 4 quil\u00f4metros por hora, mas falar sobre S\u00e3o Paulo sempre ir\u00e1 gerar coment\u00e1rios calorosos, apaixonadamente ca\u00f3ticos e verborr\u00e1gicos \u2013 para o bem e para o mal. Tai uma cidade que suscita um emaranhado de sensa\u00e7\u00f5es, frustra\u00e7\u00f5es, paix\u00f5es e opini\u00f5es que nem mesmo num boteco virando a madrugada seriam apaziguadas. Por\u00e9m, \u00e9 absolutamente ineg\u00e1vel como esse pedacinho de terra movimentou \u2013 e continua movimentando \u2013 hist\u00f3rias na m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jornalista Fabiana Caso, nascida e criada nessa megal\u00f3pole cinza, decidiu compilar alguns desses causos musicais dessa cidade apaixonadamente absurda propondo uma cartografia sonora de S\u00e3o Paulo, resgatando depoimentos e testemunhos de protagonistas e coadjuvantes dessas hist\u00f3rias sonoras (incluindo entrevistas com nomes como Arnaldo Baptista e Sergio Dias, Edy Star e Tom Z\u00e9, Clemente Nascimento e Sandra Coutinho, Arrigo Barnab\u00e9 e Pericles Cavalcanti, entre tantos), mem\u00f3rias visuais, os clubes (Madame Sat\u00e3, Lira Paulistana, Teatro Ruth Escobar), as m\u00fasicas (por meio de listas, resenhas de \u00e1lbuns etc.), as lojas de discos (Baratos Afins, Wob Bop, Punk Rock Discos) e outros locais importantes, sem abrir m\u00e3o da conex\u00e3o com o presente, na medida em que estabelece pontes com as cenas musicais da atualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado \u00e9 \u201c<a href=\"https:\/\/www.terrenoestranho.com.br\/pagina-de-produto\/o-som-de-s%C3%A3o-paulo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Som de S\u00e3o Paulo \u2013 1967\/1985<\/a>\u201d, livro de edi\u00e7\u00e3o bilingue (portugu\u00eas \/ ingl\u00eas) <a href=\"https:\/\/www.terrenoestranho.com.br\/pagina-de-produto\/o-som-de-s%C3%A3o-paulo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que est\u00e1 sendo lan\u00e7ado no Brasil pela Editora Terreno Estranho<\/a> (e no Reino Unido pela Rough Trade), e que traz Fabiana Caso acompanhada da ilustradora Talita Hoffmann, que assina o bel\u00edssimo projeto gr\u00e1fico. \u201cA inten\u00e7\u00e3o era justamente essa sinergia entre texto e ilustra\u00e7\u00f5es, em um resultado que resgatasse tamb\u00e9m as mem\u00f3rias visuais e est\u00e9ticas ligadas a cada cena diferente\u201d, explica Fabiana na conversa abaixo. Da psicodelia ao tropicalismo, da MPB ao glam, do punk ao p\u00f3s-punk, da n\u00e3o wave \u00e0 Vanguarda Paulista: \u201cO Som de S\u00e3o Paulo \u2013 1967\/1985\u201d passeia de uma maneira leve e informativa, tal qual um almanaque, por v\u00e1rias S\u00e3o Paulo, umas que conhecemos, outras que ouvimos falar e algumas que nem sab\u00edamos que existiam. Tudo na mesma cidade. Tudo no mesmo livro. Conta mais, Fabiana!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62321\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"520\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp1-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu pra voc\u00ea esse desejo de contar a hist\u00f3ria do Som de S\u00e3o Paulo? E, ainda, como foi fazer esse recorte de 18 anos? O projeto j\u00e1 come\u00e7ou assim?<\/strong><br \/>\nSempre gostei de pesquisar e relacionar a influ\u00eancia das cidades, e ambientes, \u00e0 m\u00fasica. Em meu trabalho jornal\u00edstico isso tamb\u00e9m \u00e9 uma constante, com mat\u00e9rias sobre cenas musicais ligadas a diferentes cidades e guias de turismo musical como os que fiz em Berlim, Nova York e Providence. E um dos motivos para eu ter morado em diferentes cidades e pa\u00edses. Desde muito cedo eu tamb\u00e9m costumava curtir imaginar que tipo de cidade influenciaria o surgimento de uma cena rocker ou eletr\u00f4nica, teria a ver com o cinza e as f\u00e1bricas? E esse tipo de coisa\u2026 Por outro lado, sou muito curiosa sobre os locais relacionados \u00e0 m\u00fasica, o que me levou a muitas investiga\u00e7\u00f5es desde a minha adolesc\u00eancia, como a de ter ido in\u00fameras vezes \u00e0 Serra da Cantareira assim que aprendi a dirigir para procurar a casa onde os Mutantes moraram em comunidade l\u00e1, rs. Sempre me admirei tamb\u00e9m com a maneira como o tropicalismo se desenvolveu em S\u00e3o Paulo, que fermentou os encontros, os &#8220;parceiros do futuro&#8221; e o processo criativo do grupo. E ao longo de minhas entrevistas para a imprensa com Tom Z\u00e9, tamb\u00e9m ficava impressionada ao ouvi-lo falar sobre o impacto acachapante de S\u00e3o Paulo em sua vida e arte. A princ\u00edpio, eu pensei em fazer um livro sobre cenas de pop rock de todo o Brasil, mas fui percebendo que o tema era amplo demais, e que foi justamente em S\u00e3o Paulo, onde eu nasci e cresci, que os g\u00eaneros musicais mais relevantes para mim floresceram. A capital paulista foi o epicentro que congregou artistas de todos os cantos que nela encontraram parceiros, ambiente e lugares que geraram combust\u00e3o para detonarem g\u00eaneros t\u00e3o originais e brilhantes como o tropicalismo ou o que ficou conhecido como &#8220;Vanguarda Paulista&#8221;, que provavelmente n\u00e3o teria sido poss\u00edvel sem um Lira Paulistana ou as trocas de ideias na FAU-USP. Em outras cenas, como o punk rock, tamb\u00e9m \u00e9 interessante pensar que sem o encontro com Antonio Bivar, por exemplo, ou sem uma loja como a Punk Rock Discos na Galeria do Rock ou o &#8220;sal\u00e3o&#8221; de shows Constru\u00e7\u00e3o na zona norte, a hist\u00f3ria talvez tivesse sido diferente. Entendi tamb\u00e9m que seria muito mais interessante e abrangente dividir o livro por g\u00eaneros musicais ao inv\u00e9s de anos, incluindo os locais ligados a cada cena e as suas conex\u00f5es com o presente, em um formato que eu nunca vi publicado assim. Senti essa lacuna e quis preench\u00ea-la, em uma publica\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m homenageia a cidade e as suas hist\u00f3rias e mem\u00f3rias musicais. E ah, o per\u00edodo de 18 anos levou em conta o rock psicod\u00e9lico, que acabou se ligando ao pontap\u00e9 universalista tropicalista \u2013 um marco fundamental que, de uma forma ou de outra, acabou influenciando tudo, absolutamente tudo!, o que veio depois na m\u00fasica brasileira, incluindo o pop rock, pela liberdade est\u00e9tica que instaurou. E em quase toda a fase que &#8220;O Som de S\u00e3o Paulo&#8221; aborda, de 1964 at\u00e9 1984, o Brasil esteve sob o terr\u00edvel jugo da ditadura militar, da cassa\u00e7\u00e3o de liberdades art\u00edsticas, da censura. \u00c9 algo extremamente impressionante e motivo de muito orgulho nacional que essas cenas musicais fenomenais pudessem se desenvolver, apesar disso, e cada qual \u00e0 sua maneira, inclusive, fosse de forma est\u00e9tica ou direta, contestat\u00f3ria do autoritarismo. N\u00e3o foi uma motiva\u00e7\u00e3o consciente essa dos anos musicais ultracriativos apesar da censura, mas o recorte de tempo acabou focando isso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O texto dialoga maravilhosamente com as ilustra\u00e7\u00f5es. Quando a Talita entrou no projeto? Voc\u00ea j\u00e1 tinha essa imagina\u00e7\u00e3o de ter o livro com tra\u00e7os de fanzine?<\/strong><br \/>\nQue bom ouvir isso, Marcelo! A inten\u00e7\u00e3o era justamente essa sinergia entre texto e ilustra\u00e7\u00f5es, em um resultado que resgatasse tamb\u00e9m as mem\u00f3rias visuais e est\u00e9ticas ligadas a cada cena diferente. E sim, sempre houve a inten\u00e7\u00e3o de evocar a est\u00e9tica dos fanzines, inclusive no come\u00e7o quer\u00edamos usar fontes de letras e cores de p\u00e1ginas diferentes em cada cap\u00edtulo&#8230; A minha ideia original era trabalhar com diferentes ilustradores. Mas em 2014, vidrada pelo trabalho de pintura brilhante da Talita, fiz o convite a ela para ilustrar um cap\u00edtulo. S\u00f3 que ela se entusiasmou com a ideia do livro e de fazer todas as ilustra\u00e7\u00f5es, j\u00e1 saiu criando tamb\u00e9m a diagrama\u00e7\u00e3o e o design gr\u00e1fico das p\u00e1ginas sobre o &#8220;glam&#8221; tropical. Foi o primeiro cap\u00edtulo em que trabalhamos, eu j\u00e1 tinha parte da pesquisa por eu ter escrito tamb\u00e9m um artigo acad\u00eamico no livro sobre paralelos do glam rock &#8220;Global Glam and Popular Music: Style and Spectacle from the 1970s to the 2000s&#8221;, publicado pela editora brit\u00e2nica Routledge. Ent\u00e3o fomos trabalhando juntas, em nosso tempo livre, ao longo dos anos, com muitas conversas sobre refer\u00eancias visuais, estilo\u2026 e eu n\u00e3o podia estar mais satisfeita com o resultado desse nosso trabalho no Som de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62322\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No grupo de entrevistados h\u00e1 pessoas sensacionais que falam pelos cotovelos, refletem a hist\u00f3ria com uma agilidade e conex\u00e3o impressionantes. Como foi a experi\u00eancia de conversar com essas pessoas ilustres? O que de curiosidades voc\u00ea pode contar?<\/strong><br \/>\nFoi incr\u00edvel cada uma das conversas que tive para o livro, mais de 15 entrevistas, uma melhor que a outra! Desde conversar com Edy Star em uma mesa de bar no Copan e presenciar o reencontro esfuziante dele com amigxs na ruinha do pr\u00e9dio, at\u00e9 a sensacional experi\u00eancia de ter conversado com o Antonio Peticov, o grande conector da cena do rock psicod\u00e9lico, em seu ateli\u00ea, aborrotado de telas atuais e p\u00f4steres dos anos 60 \u2013 incluindo o do festival Primavera, o &#8220;Woodstock&#8221; paulistano que ele quase realizou no Parque do Ibirapuera, n\u00e3o fosse ele ter esquecido completamente que tinha que pedir autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para as autoridades da ditadura militar da \u00e9poca. Aprendi tanto com ele. E com as hist\u00f3rias da ECA como celeiro de bandas do p\u00f3s-punk com a Sandra Coutinho, das Mercen\u00e1rias, com nomes que eram &#8220;contranomes&#8221; como ela me explicou, como As Gralhas. Ser contaminada pelas gargalhadas do Clemente (Nascimento) em uma tarde de sol na Lapa, enquanto ele me contava detalhes das hist\u00f3rias do passado punk rock. Dei muita risada tamb\u00e9m quando o Miguel Barella me contou da confiss\u00e3o et\u00edlica a ele do J\u00falio Barroso: quando ouviu o Agentss, o J\u00falio tomou um porre de whisky para superar a frustra\u00e7\u00e3o de ter uma banda mais &#8220;new wave&#8221; que a dele, a Gang 90. E ele at\u00e9 se mudou do Rio pra S\u00e3o Paulo! Olha, s\u00e3o tantas curiosidades e hist\u00f3rias que eu poderia escrever outro livro aqui sobre isso, rs. Ent\u00e3o, convido a todos a lerem o livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;O Som de S\u00e3o Paulo&#8221; ganhou uma edi\u00e7\u00e3o bilingue, o que \u00e9 perfeito pensando em algumas das cenas retratadas no livro, que repercutem at\u00e9 hoje no exterior. Foi isso que motivou o lan\u00e7amento em portugu\u00eas e ingl\u00eas?<\/strong><br \/>\nSim, desde o princ\u00edpio a minha inten\u00e7\u00e3o era encontrar um modo de publicar o livro tanto no Brasil como no exterior para mostrar tanto cenas musicais que repercutem at\u00e9 hoje como outras menos conhecidas, mas que sempre geram curiosidade no p\u00fablico estrangeiro. Mostrar que a m\u00fasica brasileira tem um espectro muito mais amplo de g\u00eaneros do que a imagem cristalizada do &#8220;pa\u00eds&#8221; da bossa nova, samba e MPB tamb\u00e9m motivou isso. Al\u00e9m do que os meus amigos estrangeiros sempre me pediam recomenda\u00e7\u00f5es de bandas, artistas, can\u00e7\u00f5es, por onde come\u00e7ar em cada g\u00eanero\u2026 ent\u00e3o por isso tamb\u00e9m decidi escrever um livro que serve como uma porta de entrada para cada cena, e de um modo bem visual. A fant\u00e1stica editora Terreno Estranho nos proporcionou a solu\u00e7\u00e3o perfeita com a proposta de uma edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue, acreditando em nosso sonho, materializado lindamente nesta edi\u00e7\u00e3o, com tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas do Fernando Scoczynski Filho.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62324\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual sua fase favorita dessa hist\u00f3ria toda de &#8220;O Som de S\u00e3o Paulo&#8221;? E, paralelamente, houve alguma descoberta pessoal que te empolgou muito durante a feitura do livro, algo que voc\u00ea n\u00e3o conhecia, ou at\u00e9 j\u00e1 tinha ouvido falar, mas mergulhando na hist\u00f3ria para o livro, te deixou completamente chapada?<\/strong><br \/>\nEu gosto demais de todas as fases sonoras abordadas no livro, mas pessoalmente sou muito ligada ao rock psicod\u00e9lico, aos j\u00e1 citados Mutantes e ao maestro Rog\u00e9rio Duprat, assim como ao p\u00f3s-punk e \u00e0s waves sint\u00e9ticas e n\u00e3o-waves. Inclusive eu criei um pequeno festival e festa, a N\u00e9onloop!, ligada \u00e0 cold wave e p\u00f3s-punk de diferentes pa\u00edses, quando discotecava m\u00fasicas do <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/3wyqjYoxJnXhmbEUOLax4u\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Agentss<\/a>, <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/5hqOOVyUwi4TJ8QASCo5Ao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Azul 29<\/a> e outras bandas brasileiras que desbravaram a m\u00fasica com sintetizadores por aqui. Engra\u00e7ado que a melhor &#8220;n\u00e3o-entrevista&#8221; do livro foi com o Kodiac Bachine, do mesmo Agentss do Barella e que hoje atende por Alpa: nosso amigo em comum, o compositor, pianista e tamb\u00e9m DJ Katz Rochlitz, me contou que o Kodiac foi a uma das edi\u00e7\u00f5es de minha festa, mas eu n\u00e3o o conheci l\u00e1, acho que eu estava discotecando. Acabei sendo apresentada a ele pelo Katz em uma outra festa, e ele \u00e9 uma personalidade incr\u00edvel, olhou para mim e adivinhou o meu signo astrol\u00f3gico de cara e nos demos super bem! Combinamos a entrevista, mas como ele n\u00e3o tem celular nem email nem nada do tipo, nunca consegui resposta aos meus in\u00fameros telefonemas ao n\u00famero fixo dele. Espero poder encontr\u00e1-lo de alguma forma para mostrar o livro, com o Agentss na capa, fica o apelo aqui. \ud83d\ude42 Sobre outras descobertas musicais, eu diria que mergulhei ainda mais nos tantos \u00e1lbuns psicod\u00e9licos aos quais o Lanny Gordin emprestou a sua genialidade guitarr\u00edstica tanto como ouvi mais os Baob\u00e1s, o Beat Boys, a sensacional tr\u00edade <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0KeoqNRKodzdVRz7PMvZJM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de \u00e1lbuns psicod\u00e9licos do Ronnie Von<\/a>, <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/2V9qOEnTzgtQ8r4aa0MjL4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o primeiro \u00e1lbum do Edy Star<\/a>&#8230; Chapada mesmo eu fiquei com o \u00e1lbum do Grupo Um <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AA8VmeKjj1g\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lan\u00e7ado pelo selo do Lira Paulistana<\/a> em parceria com a Continental \u2013 impressionantes paisagens sonoras eletroac\u00fasticas, que eu n\u00e3o conhecia! Recomendo muito, assim como o \u00e1lbum solo &#8220;<a href=\"https:\/\/www.mrbongo.com\/products\/ze-eduardo-nazario-poema-da-gota-serena-vinyl-lp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Poema da Gota Serena<\/a>&#8220;, do Z\u00e9 Eduardo Naz\u00e1rio, relan\u00e7ado pelo selo Lugar Alto. Outra banda que me deixou encantada descobrir durante o processo de feitura do livro e que \u00e9 contempor\u00e2nea \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.firefriend.com\/w\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Firefriend<\/a>, que menciono no livro nas conex\u00f5es com o presente e que tive a alegria de ver shows tanto aqui em S\u00e3o Paulo, em lugares como a Casa do Mancha e o Hotel Bar, como no Urban Spree em Berlim em 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que \u00e9 legal falar que, apesar de focado n&#8221;O Som de S\u00e3o Paulo&#8221;, a narrativa abre espa\u00e7o para citar obras nacionais, principalmente nas listas, certo (como &#8220;Pa\u00eabiru&#8221;, os discos tropicalistas&#8230;)<\/strong><br \/>\nAh sim, nas listas de conex\u00f5es com o presente e de locais que proporcionam experimentar essas cenas musicais hoje, eu inclui lojas de discos com bons acervos e raridades, e pensei que seria interessante expandir a geografia das obras e coment\u00e1-las. A prop\u00f3sito, tivemos que editar bastante as listas de conex\u00f5es com o presente devido aos fechamentos e perecimentos durante a pandemia, tanto de festas e bares como especialmente de espa\u00e7os de shows, como foram os casos muito tristes do Hotel Bar e da Casa do Mancha, entre tantos outros, que deixar\u00e3o muitas saudades sonoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62323\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Infelizmente vivemos tempos pand\u00eamicos, mas em tempos normais quais seriam os artistas que poderiam tocar em um show de lan\u00e7amento do livro? Quem voc\u00ea gostaria de convidar?<\/strong><br \/>\nPoxa, sim, eu lamento demais n\u00e3o podermos celebrar o lan\u00e7amento com m\u00fasica, bate-papos, discotecagens \u2013 espero que possamos nos reunir assim em breve, que tenhamos seguran\u00e7a sanit\u00e1ria para tanto. No meu line-up ideal e neste momento imagin\u00e1rio, eu faria convite para As Mercen\u00e1rias, os Agentss ou pelo menos o Miguel Barella revisitando as m\u00fasicas das tantas bandas incr\u00edveis em que tocou, a nova forma\u00e7\u00e3o do Gang 90, Os Inocentes, Alex Antunes, convidaria o Arrigo Barnab\u00e9 para tocar o \u201cClara Crocodilo\u201d&#8230; Eu proporia inclusive uma jam entre todos eles para vermos qual \u00e9 o som de S\u00e3o Paulo de fato, haha, indo bem longe na minha imagina\u00e7\u00e3o experimental, j\u00e1 que \u00e9 s\u00f3 um sonho neste momento. Imagina que barato uns interpretando a m\u00fasica dos outros? Por outro lado, \u00e9 claro que eu tamb\u00e9m convidaria bandas e artistas mencionados nas repercuss\u00f5es atuais como Jonnata Doll, Rakta, o citado Firefriend, Radio Droids e muitos dos synth-artistas que costumavam tocar na N\u00e9onloop!.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imposs\u00edvel n\u00e3o pegar carona na deixa da Nat\u00e1lia Barros no pref\u00e1cio: j\u00e1 h\u00e1 uma ideia de uma sequ\u00eancia?<\/strong><br \/>\nIdeia h\u00e1 sim, e at\u00e9 pesquisa. Mas livros como esse s\u00e3o jornadas bastante delicadas e trabalhosas. Eu e a Talita investimos nosso tempo livre para trabalharmos no Som de S\u00e3o Paulo ao longo dos anos, eu inclusive deixei meu \u00faltimo emprego fixo como editora de m\u00fasica em um servi\u00e7o de streaming para conseguir finalizar esse volume I. Ent\u00e3o, tomara que com a publica\u00e7\u00e3o desta edi\u00e7\u00e3o sensacional da Terreno Estranho a gente possa conseguir bastante repercuss\u00e3o com muitos livros vendidos e recursos para trabalhar em um segundo volume com toda a dedica\u00e7\u00e3o que um trabalho assim exige.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62325\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"748\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp5-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/osomdesp5-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell desde 2000 e assina a&nbsp;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne.<\/a>&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Da psicodelia ao tropicalismo, da MPB ao glam, do punk ao p\u00f3s-punk, da n\u00e3o wave \u00e0 Vanguarda Paulista: \u201cO Som de S\u00e3o Paulo\u201d passeia de maneira leve e informativa por v\u00e1rias S\u00e3o Paulo, umas que conhecemos, outras que ouvimos falar e algumas que nem sab\u00edamos que existiam&#8230;.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/09\/18\/entrevista-fabiana-caso-fala-sobre-o-livro-o-som-de-sao-paulo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":62320,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[3276],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62319"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62319"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62319\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62356,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62319\/revisions\/62356"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62320"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}