{"id":62284,"date":"2021-09-15T01:31:15","date_gmt":"2021-09-15T04:31:15","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=62284"},"modified":"2024-11-20T11:22:19","modified_gmt":"2024-11-20T14:22:19","slug":"entrevista-sergio-mamberti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/09\/15\/entrevista-sergio-mamberti\/","title":{"rendered":"Entrevista: S\u00e9rgio Mamberti"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um gigante da atua\u00e7\u00e3o brasileira, S\u00e9rgio Mamberti (1939\/2021) teve uma carreira m\u00faltipla, trafegando entre o teatro, o cinema e a televis\u00e3o. Foram mais de 50 filmes, dezenas de novelas e s\u00e9ries, in\u00fameras pe\u00e7as, em um espet\u00e1culo cont\u00ednuo cujas cortinas se encerraram no in\u00edcio de setembro. Ele foi marcante: mesclava uma interpreta\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica com uma presen\u00e7a humanista e pol\u00edtica, em textos que iam de Pl\u00ednio Marcos a Shakespeare, de \u201cO Bandido da Luz Vermelha\u201d a \u201cToda Nudez Ser\u00e1 Castigada\u201d. Mas foi num programa de TV para crian\u00e7as que Mamberti, um ator que n\u00e3o se pode resumir a um s\u00f3 papel, encontrou seu maior personagem: o feiticeiro Victor Astrobaldo Stradivarius Victorius I\u2026 \u201craios e trov\u00f5es!\u201d, o Doutor Victor de \u201cCastelo R\u00e1-Tim-Bum\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filmado entre 1993 e 1994, o \u201cCastelo\u201d cristalizou o ator para in\u00fameras gera\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as. Ele mesmo reconhece isso: \u201cO Doutor Victor d\u00e1 de dez em uma novela global de grande audi\u00eancia. Eu fiz pap\u00e9is important\u00edssimos durante cinquenta anos, mas ele marcou de um jeito diferente\u201d, diz o ator nesta entrevista, concedida em 2014, ano em que o \u201cCastelo\u201d completava 20 anos. Realizada na casa de Mamberti no bairro da Bela Vista, em S\u00e3o Paulo, a conversa faz parte da pesquisa do que se tornaria, anos depois, o livro \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/02\/03\/entrevista-bruno-capelas-fala-sobre-o-castelo-ra-tim-bum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Raios e Trov\u00f5es &#8211; A Hist\u00f3ria do Fen\u00f4meno Castelo R\u00e1-Tim-Bum<\/a>\u201d, <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Raios-trov%C3%B5es-hist%C3%B3ria-fen%C3%B4meno-R%C3%A1-Tim-Bum\/dp\/8532311385\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicado pela editora Summus em 2019<\/a>. Esta \u00e9 a primeira vez que ela \u00e9 publicada em sua \u00edntegra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa, ele fala bastante sobre o personagem que o eternizou para gera\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as \u2013 como a inspira\u00e7\u00e3o em Leonardo da Vinci, a busca por valores humanistas e at\u00e9 mesmo o Doutor Victor como parte da simbologia de novos modelos de fam\u00edlia. \u201cO Doutor Victor cria o novo conceito da fam\u00edlia. Os magos do \u2018Castelo\u2019 tinham aquela organiza\u00e7\u00e3o familiar maluca: tem aquela mulher que \u00e9 a Morgana, que \u00e9 mais velha que o Doutor Victor. O Nino n\u00e3o \u00e9 filho, \u00e9 sobrinho; tem as crian\u00e7as que chegam do mundo exterior e v\u00eam conviver\u2026 mas todo mundo est\u00e1 representado ali\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundador do Partido dos Trabalhadores e presidente da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes (Funarte) durante o governo Lula, Mamberti tamb\u00e9m fala de pol\u00edtica, educa\u00e7\u00e3o e cultura. Ele chega a fazer uma an\u00e1lise precisa (e hoje, talvez prof\u00e9tica) sobre a \u00faltima d\u00e9cada brasileira. \u201cN\u00e3o basta se dar emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e0s pessoas, sem uma equival\u00eancia do ponto de vista cultural e educacional. Uma grande parte do contingente que saiu da mis\u00e9ria absoluta ou ascendeu de classe foi, imediatamente, capturado pelo capitalismo mais selvagem, que \u00e9 o do consumo. E eles est\u00e3o se voltando contra tudo o que foi, eles s\u00e3o mobilizados pelos interesses que movem a sociedade de consumo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o ator tamb\u00e9m conta hist\u00f3rias deliciosas de como foi reconhecido pelo personagem (de uma aldeia de \u00edndios bororo no Xingu a uma campanha pol\u00edtica na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica) e reflete sobre o legado do \u201cCastelo R\u00e1-Tim-Bum\u201d, uma cria\u00e7\u00e3o que, em sua vis\u00e3o, completou o ciclo de uma obra de arte. \u201cNo seu sentido mais completo, uma obra de arte acontece quando ela come\u00e7a a criar uma rela\u00e7\u00e3o com quem ela se dirige. E \u00e9 um processo de transforma\u00e7\u00e3o, nunca \u00e9 a mesma coisa, nunca se repete\u201d, diz Mamberti. E se o pano cai, a hist\u00f3ria de um gigante fica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Momentos de F\u00faria do Dr. Victor | Lista Listilha Listosa\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UABQ6vndM_0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para come\u00e7ar, como \u00e9 que a sua hist\u00f3ria se cruzou com o \u201cCastelo\u201d?<\/strong><br \/>\nDesde 1969, eu trabalhei na Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta (propriet\u00e1ria e gestora da TV Cultura e das r\u00e1dios Cultura FM e Cultura Brasil). Eu n\u00e3o queria ir fazer televis\u00e3o no Rio, novela, essas coisas, ent\u00e3o a TV Cultura foi uma possibilidade real para mim. Era uma emissora de sal\u00e1rios pequenos, mas era constante. Ent\u00e3o eu fiz muita coisa l\u00e1 dentro (nos anos 1970): eu fiz teleteatros (pe\u00e7as de teatro filmadas para a TV), telecontos, telecursos\u2026 e fiz o primeiro programa infantil da TV Cultura nos anos 1980, o \u201cCurumim\u201d, bem antes do \u201cR\u00e1-Tim-Bum\u201d. Nessa fase do \u201cCurumim\u201d, a dramaturgia adulta j\u00e1 tinha praticamente se encerrado na Cultura, e a\u00ed eu fui obrigado a me deslocar para fazer novelas no Rio, pelo menos uma vez a cada dois anos. A TV Tupi tinha falido, ent\u00e3o a op\u00e7\u00e3o que a gente tinha na \u00e9poca (para fazer televis\u00e3o) era ir para a Globo. Para voc\u00ea ter uma ideia, a Globo n\u00e3o dava condu\u00e7\u00e3o e nem pagava \u00f4nibus pra gente. Cansei de gravar novela nos anos 80 e voltar de \u00f4nibus com a Laura Cardoso para S\u00e3o Paulo. E n\u00e3o davam hospedagem tamb\u00e9m. Foi s\u00f3 mais tarde que a Globo come\u00e7ou a ter que conquistar os artistas, porque come\u00e7aram a surgir outras op\u00e7\u00f5es de mercado e eles tiveram que come\u00e7ar a ter esses benef\u00edcios, hotel, passagens, essas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na \u00e9poca das grava\u00e7\u00f5es do \u201cCastelo\u201d voc\u00ea estava fazendo novela?<\/strong><br \/>\nIsso, em 1993, foi: eu estava fazendo \u201cOlho no Olho\u201d e tive que pedir autoriza\u00e7\u00e3o da Globo para gravar uma vez por semana no \u201cCastelo\u201d. O convite foi natural: um dia eu fui na Cultura para fazer alguma coisa pontual, e a Bia Rosenberg e o Cao Hamburguer me chamaram. Cao \u00e9 um velho amigo e eles me falaram desse momento que a Cultura estava vivendo, na gest\u00e3o com o Roberto Muylaert, e ele estava fazendo um trabalho muito importante ali. Achei fascinante a ideia que eles tiveram e aceitei o convite. Eu me equilibrava entre Rio e S\u00e3o Paulo nessa \u00e9poca, \u00e0s vezes gravava duas vezes por semana aqui, dependia das necessidades. O ritmo de grava\u00e7\u00e3o do \u201cCastelo\u201d era bastante trabalhoso, porque n\u00e3o tinha nenhuma tecnologia, era tudo artesanal, n\u00e3o tinha computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, nada disso. N\u00e3o tinha ar condicionado no est\u00fadio na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muita gente lembra do calor no est\u00fadio durante as grava\u00e7\u00f5es. Era quente assim?<\/strong><br \/>\nTinha hora que a gente precisava abrir os est\u00fadios para deixar o ar entrar. A\u00ed a gente enxugava o suor, refazia toda a maquiagem, esper\u00e1vamos meia hora e volt\u00e1vamos para gravar. Isso \u00e9 para voc\u00ea ter uma ideia das condi\u00e7\u00f5es que a gente tinha ali, mas era todo mundo apaixonado e a qualidade do produto sempre foi muito boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes da gente falar mais das grava\u00e7\u00f5es, eu queria falar do personagem Dr. Victor. Como foi para voc\u00ea montar esse personagem, que \u00e9 uma mistura de feiticeiro, de inventor\u2026<\/strong><br \/>\nO \u201cCastelo\u201d \u00e9 atemporal, ent\u00e3o a figura do Doutor Victor est\u00e1 muito mais ligada ao conceito, vamos dizer, de ci\u00eancia e cria\u00e7\u00e3o que existem no in\u00edcio da Renascen\u00e7a, com Leonardo Da Vinci, por exemplo. Eu me inspirei muito no Da Vinci para criar o doutor Victor. J\u00e1 o lado m\u00e1gico faz parte, h\u00e1 todo um universo de fantasia, n\u00e9? Mas tamb\u00e9m tem outros aspectos importantes. A coisa mais maravilhosa dele, para mim, \u00e9 o seguinte: ele cria o novo conceito da fam\u00edlia. Os magos do \u201cCastelo\u201d tinham aquela organiza\u00e7\u00e3o familiar maluca: tem aquela mulher que \u00e9 a Morgana, que \u00e9 mais velha que o Doutor Victor. O Nino n\u00e3o \u00e9 filho, \u00e9 sobrinho; tem as crian\u00e7as que chegam do mundo exterior e v\u00eam conviver, mas todo mundo est\u00e1 representado ali. E o Doutor Victor \u00e9 um homem, mas ele \u00e9 o maior parceiro do Nino, brinca com ele, entra totalmente na dele e na dos meninos. Ao mesmo tempo, quando o Nino faz algo que n\u00e3o deveria fazer, ele tamb\u00e9m \u00e9 absolutamente passional, visceral, sem hipocrisia alguma, explode em raios e trov\u00f5es! O Doutor Victor faz uma proposta de valores interessante, porque ele n\u00e3o imp\u00f5e nada, ele cria uma autonomia, um processo de cidadania que vem por meio do conhecimento, da solidariedade e da cria\u00e7\u00e3o, entende? Ao mesmo tempo, sempre tem esse lado do humor, algo que perpassa, e o \u201cCastelo\u201d tem essa mistura, essa multiplicidade de linguagens, com boneco, m\u00fasica, comportamento, e a\u00ed de repente entram os bonecos, os quadros, os bonecos da lareira, a Celeste, uma cobra que quer ter bra\u00e7o, \u00e9 a serpente m\u00edtica, uma sedutora que mora no Castelo, o Porteiro, o Doutor Abobrinha, \u00e9 uma infinidade de est\u00edmulos para a crian\u00e7a\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 algo que sempre me chama a aten\u00e7\u00e3o quando penso no \u201cCastelo\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nTem muitas linguagens, e todas o \u201cCastelo\u201d domina. \u00c9 fascinante: as crian\u00e7as chegavam para mim depois que eu gravei o programa e falavam: \u201cCuidado com o Doutor Abobrinha, Doutor Victor, ele quer demolir o Castelo para fazer um condom\u00ednio!\u201d. Depois que o programa estreou, a repercuss\u00e3o junto ao p\u00fablico come\u00e7ou a ser extraordin\u00e1ria, e rebatia em todos os ambientes. Eu entrava na casa de pessoas de poder econ\u00f4mico, da alta burguesia, e os filhos eram f\u00e3s do \u201cCastelo\u201d, at\u00e9 um chofer de t\u00e1xi, que se emocionou ao me ver. Ele me disse: \u201cVoc\u00ea salvou a vida do meu filho. Ele n\u00e3o queria comer, estava num processo anor\u00e9xico complicad\u00edssimo. Mas ele adorava o \u2018Castelo\u2019, estava assistindo ao programa e eu disse para ele que se ele n\u00e3o comesse, eu ia chamar o Doutor Victor, e a\u00ed ele passou a comer!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que demais isso.<\/strong><br \/>\nTem mais! Quando eu era presidente da Funarte e estava no Minist\u00e9rio da Cultura (na gest\u00e3o de Gilberto Gil, durante o governo Lula), eu fui para uma aldeia dos \u00edndios bororo. Na \u00e9poca, eles estavam tentando recuperar os rituais tradicionais da aldeia, os rituais f\u00fanebres. Eles tinham um ritual pr\u00f3prio, porque eles enterravam os corpos com pouca terra, regavam para a terra apodrecer as carnes e as v\u00edsceras, e a\u00ed depois executavam a lavagem dos ossos. Os padres que ali chegaram disseram para eles que isso era anti higi\u00eanico e proibiram o ritual. E os \u00edndios ficavam inconformados, porque quem morria e n\u00e3o tinha os ossos lavados n\u00e3o conseguia entrar na outra dimens\u00e3o deles, ficava preso aqui na terra. A aldeia deles era circular, e os padres tamb\u00e9m fizeram eles constru\u00edrem a aldeia toda quadrada, houve toda uma viol\u00eancia nesse aspecto. A gente estava tentando recuperar isso com os \u00edndios e quando eu cheguei l\u00e1, com o Gil, ia ter um ritual para nos saudar. Quando terminou o ritual, um monte de indiozinhos, cheio de peninhas, todos pintados, vieram correndo para mim e come\u00e7aram a gritar: \u201cTio Victor, Tio Victor!\u201d. Isso no meio do rio Xingu, eles assistiam o \u201cCastelo\u201d pela televis\u00e3o, foi muito emocionante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que o senhor tenha muitas dessas hist\u00f3rias de ser reconhecido\u2026 o senhor sente que ficou marcado pelo personagem? Tem atores do pr\u00f3prio \u201cCastelo\u201d que n\u00e3o lidam bem com isso&#8230;<\/strong><br \/>\nEu fiz pap\u00e9is important\u00edssimos durante cinquenta anos, mas o Doutor Victor marcou de um jeito diferente: ele foi formador de gera\u00e7\u00f5es. Onde quer que eu v\u00e1, eu tenho que falar \u201cRaios e Trov\u00f5es!\u201d. Reuni\u00e3o com a UNE, Sesc Pinheiros, num restaurante, a cozinheira, o manobrista, todo mundo pede foto, \u00e9 uma loucura, as pessoas ficam emocionadas, tremem as m\u00e3os. O Doutor Victor d\u00e1 de dez a zero numa novela global com muita audi\u00eancia, \u00e9 muito impressionante. Uma vez eu estava na Amaz\u00f4nia, perto de Tucuru\u00ed, e o avi\u00e3o em que eu estava teve que descer para reabastecer. Havia uma pista de pouso e uma cabaninha, eu fiquei sentado num banquinho ali esperando. E quando eu vejo come\u00e7am a aparecer muitos menininhos e menininhas me reconhecendo, foi uma loucura. Outra hist\u00f3ria que me marcou muito foi em 1996, quando n\u00f3s fomos fazer a campanha para a Luiza Erundina (ent\u00e3o candidata \u00e0 prefeitura de S\u00e3o Paulo pelo PT). A gente fez uma a\u00e7\u00e3o chamada de Palanque Cultural: era o contr\u00e1rio do habitual, os pol\u00edticos n\u00e3o falavam. A gente ia, fazia uma apresenta\u00e7\u00e3o cultural e depois a popula\u00e7\u00e3o que se reunia ali tinha a oportunidade de se dirigir ao pol\u00edtico e fazer seus pedidos. Fizemos um desse na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, e o primeiro que quis falar foi um menino de uns 14 anos. E ele pediu para que eles fossem restitu\u00eddos e livrados da humilha\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o pediu comida nem estudo, mas apenas respeito \u00e0 dignidade deles e que eles n\u00e3o fossem t\u00e3o humilhados. A\u00ed ele me reconheceu e falou do \u201cCastelo\u201d, como um exemplo positivo, porque ele e os meninos que ficavam na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica viam o \u201cCastelo\u201d nas vitrines das lojas de TV, e eu fiquei muito tocado de ouvir isso. \u00c9 muito emocionante saber o que a gente pode fazer com a cultura do Pa\u00eds. Acho que um dos problemas que a gente est\u00e1 enfrentando hoje, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s conquistas que foram feitas no nosso governo, \u00e9 que n\u00e3o basta se dar emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e0s pessoas, sem uma equival\u00eancia do ponto de vista cultural e educacional. Uma grande parte do contingente que saiu da mis\u00e9ria absoluta ou ascendeu de classe foi, imediatamente, capturado pelo capitalismo mais selvagem, que \u00e9 o do consumo. E eles est\u00e3o se voltando contra tudo o que foi, eles s\u00e3o mobilizados pelos interesses que movem a sociedade de consumo. A gente teve a vaia na abertura da Copa para a Dilma\u2026 e eu concordo com o Gilberto Carvalho (chefe de Gabinete do governo Lula e ministro chefe da Secretaria Geral da Presid\u00eancia na primeira gest\u00e3o Dilma), que disse que n\u00e3o tinha sido s\u00f3 a elite branca que vaiou a Dilma. O Lula disse que tinha sido s\u00f3 a elite branca e depois retirou, n\u00e3o adianta ficar escondendo o sol com a peneira. Essa era uma preocupa\u00e7\u00e3o grande que n\u00f3s t\u00ednhamos no Minist\u00e9rio da Cultura, mas nem sempre os governantes percebem. E olha que se fala muito em educa\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Educa\u00e7\u00e3o virou um mantra.<\/strong><br \/>\nMas sem educa\u00e7\u00e3o, a cultura parece s\u00f3 adestramento. Ela passa a ser um conjunto de regras, mas ela n\u00e3o transforma. Eu acho que o que tem de maravilhoso no \u201cCastelo\u201d \u00e9 que ele tem papel transformador. Ele era educativo, mas com a dimens\u00e3o cultural, e talvez seja nesse sentido um projeto revolucion\u00e1rio. A gente tem que prestar aten\u00e7\u00e3o nisso. Confio muito no Cao, conhe\u00e7o toda a fam\u00edlia, sei de onde ele veio, de como ele foi formado. S\u00e3o pessoas de esquerda, mas ligados a um processo cultural, o tio dele era o Fl\u00e1vio Imp\u00e9rio. O Cao foi criado no meio desse conceito e o Fl\u00e1vio tinha muito essa vis\u00e3o renascentista, da cultura misturada com ci\u00eancia, com inven\u00e7\u00e3o, com \u00e9tica e com esse lado m\u00e1gico da vida. Mas o Cao compartilhou essa cria\u00e7\u00e3o com todos n\u00f3s. A riqueza do \u201cCastelo R\u00e1 Tim Bum\u201d vai muito al\u00e9m da ideia original: \u00e9 um conjunto de fatores, n\u00e3o existe um dono do \u201cCastelo\u201d. O \u201cCastelo\u201d, na verdade, \u00e9 da popula\u00e7\u00e3o que contribuiu bastante, a obra de arte s\u00f3 se completa assim, na minha opini\u00e3o. Nesses 20 anos, j\u00e1 vimos cinco ou seis gera\u00e7\u00f5es R\u00e1-Tim-Bum, e n\u00e3o foi s\u00f3 no Brasil: eu j\u00e1 fui reconhecido como Tio Victor em Cuba, na Espanha, na Venezuela\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou do Cao agora\u2026 e pra gente falar das grava\u00e7\u00f5es em si, queria come\u00e7ar perguntando como ele era. Dizem que ele era muito exigente, voc\u00ea sentia isso tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nComo o Cao criou a s\u00e9rie, ele tinha um ritmo muito lento para gravar. Acontecia que as grava\u00e7\u00f5es n\u00e3o estavam correndo no ritmo que tinham que correr, porque ele estava o tempo inteiro reelaborando aquela coisa de quem criou, \u201chmm, n\u00e3o ficou t\u00e3o bom\u201d. Do ponto de vista industrial, estava tendo um preju\u00edzo. A\u00ed ele resolveu chamar o Fernando Rodrigues de Souza, que era um diretor de TV, e o Cao passou a fazer uma p\u00f3s- avalia\u00e7\u00e3o, a partir do que estava gravado e o que ele n\u00e3o gostava, ele regravava. A preocupa\u00e7\u00e3o do criador de fazer com que o produto ficasse bom atrapalhou, e a\u00ed ele percebeu que o projeto ia al\u00e9m dele e aquele cuidado que ele estava tendo, em vez de estar facilitando, dificultava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cCastelo\u201d era mais artesanal que, por exemplo, uma novela da Globo?<\/strong><br \/>\nTecnologicamente, era bastante inferior \u00e0 Globo. A produ\u00e7\u00e3o era bastante artesanal, tudo se fazia v\u00e1rias vezes. N\u00e3o havia computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, era tudo no bra\u00e7o, na cria\u00e7\u00e3o. Por outro lado, isso fez o n\u00edvel de criatividade que se desenvolveu ali ser excepcional. Os manipuladores de boneco, os bonequeiros, os meninos do ateli\u00ea, os figurinos, as camareiras, todo mundo dava sua contribui\u00e7\u00e3o e se sentia pertencente \u00e0 coisa. Foi uma experi\u00eancia fant\u00e1stica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 algo que transpassa para a tela. Voc\u00ea v\u00ea toda a magia ali&#8230;<\/strong><br \/>\nEu me sinto encantado, fascinado com o programa, at\u00e9 hoje quando eu vejo, eu fico absolutamente seduzido pelo programa. O ator n\u00e3o \u00e9 um agente externo ao processo: ele passa pela magia. O processo de cria\u00e7\u00e3o do ator \u00e9 um processo m\u00e1gico, e at\u00e9 hoje eu fico impressionado com a cria\u00e7\u00e3o do \u201cCastelo\u201d. As imagens s\u00e3o muito densas: elas t\u00eam muita informa\u00e7\u00e3o e criatividade, ent\u00e3o voc\u00ea pode viajar em v\u00e1rios n\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do programa de TV, o senhor pode voltar a ser o Doutor Victor em \u201cCastelo R\u00e1-Tim-Bum: O Filme\u201d, de 1999. Como foi retornar a esse personagem cinco anos depois?<\/strong><br \/>\nFoi um processo de s\u00edntese. Havia elementos diferentes: os cen\u00e1rios eram imensos, j\u00e1 havia tecnologia, efeitos de computa\u00e7\u00e3o, o personagem da Marieta Severo, a Los\u00e2ngela\u2026 mas tudo se encaixou perfeitamente. O Nino tamb\u00e9m era uma crian\u00e7a, n\u00e3o mais um adulto: a gente entendeu que o Nino adulto no cinema n\u00e3o ia funcionar. E o pr\u00f3prio Doutor Victor mudou: no cinema, ele deixou de ser um homem da Renascen\u00e7a e virou um cientista, uma coisa meio Einstein. Eram novas fei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea gosta do resultado do filme?<\/strong><br \/>\nEu acho que o filme, do ponto de vista de acabamento, \u00e9 extraordin\u00e1rio, a gente achou que as crian\u00e7as ficaram um pouco assustadas,porque o filme tinha o lado mais de suspense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando eu era crian\u00e7a, eu achava muito sombrio.<\/strong><br \/>\nO filme \u00e9 bem mais escuro, \u00e9 sombrio, porque tem o lado da amea\u00e7a. E os vil\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o mais malvados. Na TV, eles eram mais l\u00fadicos, mesmo o Mau era divertid\u00edssimo. J\u00e1 a Los\u00e2ngela, na hora que transforma a Morgana e o Doutor Victor em bonecos de madeira, deixava as crian\u00e7as desesperadas. Era mais declarado.<\/p>\n<figure id=\"attachment_62288\" aria-describedby=\"caption-attachment-62288\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-62288 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Fachada-Castelo_Leticia-Godoy.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Fachada-Castelo_Leticia-Godoy.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Fachada-Castelo_Leticia-Godoy-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-62288\" class=\"wp-caption-text\"><em>Fachada do MIS com a arte da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Castelo R\u00e1-Tim-Bum&#8221; \/ Foto de Let\u00edcia Godoy\/MIS<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Museu da Imagem e do Som (MIS-SP) est\u00e1 (em 2014) para estrear uma exposi\u00e7\u00e3o sobre o \u201cCastelo\u201d. Como \u00e9 para o senhor ver esse reconhecimento, de uma forma mais institucionalizada?<\/strong><br \/>\nVai ser muito emocionante. Acho que vai ser uma festa muito bonita. Ainda acredito que a TV Cultura ainda v\u00e1 assumir o \u201cCastelo\u201d direito. O \u201cCastelo\u201d foi bem mal trabalhado, dada a audi\u00eancia que teve. O resultado econ\u00f4mico que poderia ter vindo dessa audi\u00eancia, que foi bastante grande, bem sucedida, n\u00e3o foi devidamente usufru\u00eddo por n\u00f3s. A gente n\u00e3o ganhava muito, tamb\u00e9m n\u00e3o ganhou muito com os produtos depois. Para quem participou, em termos de imagem foi uma consagra\u00e7\u00e3o, mas o restante foi bem mal trabalhado. Pense na Disney: h\u00e1 ali uma ind\u00fastria, mas tudo tem um n\u00edvel de qualidade. E o \u201cCastelo\u201d tinha esse potencial: podia ter uma R\u00e1-Tim-Bum-l\u00e2ndia, podia ter os produtos do \u201cCastelo R\u00e1-Tim-Bum\u201d, mas eles foram mal trabalhados. Os livros (da Companhia das Letrinhas) foram bacanas, mas tinha caderno, l\u00e1pis, lancheira\u2026 tudo meio mal feito.<\/p>\n<figure id=\"attachment_62287\" aria-describedby=\"caption-attachment-62287\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-62287 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Exposicao_Castelo_Ra-Tim-Bum-Agencia-Brasil-Rovena-Rosa.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Exposicao_Castelo_Ra-Tim-Bum-Agencia-Brasil-Rovena-Rosa.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Exposicao_Castelo_Ra-Tim-Bum-Agencia-Brasil-Rovena-Rosa-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-62287\" class=\"wp-caption-text\"><em>Sala da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Castelo R\u00e1-Tim-Bum\u201d no MIS \/ Foto: Ag\u00eancia Brasil\/Rovena Rosa. <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que voc\u00ea acha que aconteceu isso?<\/strong><br \/>\nAcho que os contratos foram muito mal feitos e subestimaram a exposi\u00e7\u00e3o e o que o \u201cCastelo\u201d poderia ser. N\u00e3o acho que a gente deva transformar numa Disneyl\u00e2ndia, que \u00e9 uma feira de produtos, mas se ao mesmo tempo\u2026 um parque tem\u00e1tico com esse universo do \u201cCastelo\u201d poderia ser uma coisa extremamente rica, muito instrutiva, podendo trabalhar esse lado criativo. Eu n\u00e3o tenho a menor vontade ou sedu\u00e7\u00e3o para ir \u00e0 Disneyl\u00e2ndia, \u00e9 um universo muito \u00f3bvio, n\u00e3o tem a possibilidade de se interagir de uma forma mais criativa, mas h\u00e1 um n\u00edvel de qualidade ali. Mesmo a possibilidade de uma sequ\u00eancia do \u201cCastelo\u201d, isso nunca foi feito. J\u00e1 pensei na continuidade com algo do tipo \u201cNovas Aventuras do Nino\u201d, seria uma coisa mais para adolescentes, com eles enfrentando dilemas do mundo real. Mas a Cultura virou um instrumento de Estado, eu diria que ela se descaracterizou do que era. Essa descaracteriza\u00e7\u00e3o come\u00e7a com a sa\u00edda do Muylaert, vai sendo um processo gradativo\u2026 \u00e9 triste ver isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que voc\u00ea acha da programa\u00e7\u00e3o infantil hoje?<\/strong><br \/>\nEla n\u00e3o existe. H\u00e1 um monte de desenho enlatado, absolutamente circunstancial, totalmente voltada para uma coisa mais consumista, n\u00e3o h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o de fazer um trabalho para a inf\u00e2ncia. Um dos temas que a gente desenvolveu no Minist\u00e9rio era justamente o da cultura para a inf\u00e2ncia. A gente n\u00e3o fala mais cultura da crian\u00e7a, cultura infantil. A gente fala de cultura para a inf\u00e2ncia, ou seja, de estimular processos na crian\u00e7a. O mais lindo no \u201cCastelo\u201d era que a crian\u00e7a n\u00e3o ficava submetida a ele, ela interagia. Isso \u00e9 o que falta na programa\u00e7\u00e3o infantil na televis\u00e3o brasileira. \u00c9 necess\u00e1ria uma reformula\u00e7\u00e3o para que ela volte a ter um papel educador mesmo, fazer essa ponte entre cultura e educa\u00e7\u00e3o para que crian\u00e7as e adolescentes tenham uma programa\u00e7\u00e3o de qualidade. Est\u00e1 dentro desse horizonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea disse que o \u201cCastelo\u201d \u00e9 atemporal. O que voc\u00ea mudaria nele hoje?<\/strong><br \/>\nAcho que dentro da proposta dele, ele foi completo. Hoje voc\u00ea pode ter uma vis\u00e3o diferente, mas a\u00ed seria outro \u201cCastelo\u201d. Na \u00e9poca, do jeito que ele foi concebido, ele foi muito al\u00e9m do que a gente poderia imaginar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E ele consegue ser exibido para as crian\u00e7as de hoje?<\/strong><br \/>\nAs crian\u00e7as continuam seduzidas pelo \u201cCastelo\u201d. Podemos at\u00e9 pensar no aspecto tecnol\u00f3gico, mas do jeito que ele est\u00e1 concebido, a imagina\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a \u00e9 absolutamente contemplada. Ele ainda seduz, porque eu vejo crian\u00e7as de dois, tr\u00eas anos de idade assistindo e elas ficam encantadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas acharam que ia ter tanto sucesso, depois de 20 anos, estamos falando desse projeto ainda?<\/strong><br \/>\nQuando eu aceitei, achei que ia ser uma grande oportunidade de se fazer uma coisa muito criativa, mas tudo dependia de como a gente fosse fazer. Acho que foi muito al\u00e9m do que imaginamos e a perman\u00eancia dele mostra isso. Mesmo \u201cVila S\u00e9samo\u201d, mesmo o \u201cS\u00edtio do Pica-pau Amarelo\u201d, n\u00e3o tem nada que se pare\u00e7a com o \u201cCastelo\u201d. Ali se criou uma dramaturgia onde houve uma s\u00e9rie de contribui\u00e7\u00f5es, foi muita gente contribuindo ali. A ideia original foi desenvolvida pelo Cao, a\u00ed veio o Fl\u00e1vio de Souza com o texto, vieram os atores com suas contribui\u00e7\u00f5es, todo pessoal de cria\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o foi um trabalho realmente coletivo\u2026 e como eu disse, a obra de arte s\u00f3 existe com o p\u00fablico. H\u00e1 uma proposta, e ela se concretiza a partir dessa somat\u00f3ria. \u00c9 a magia de estar com o p\u00fablico no processo criativo, da forma como ele a recebe. Uma obra de arte, no seu sentido mais completo, acontece quando ela come\u00e7a a dialogar, a criar uma rela\u00e7\u00e3o com quem ela se dirige. E \u00e9 um processo de transforma\u00e7\u00e3o, nunca \u00e9 a mesma coisa, nunca se repete. O tempo inteiro, ela est\u00e1 em sinergia. Voc\u00ea v\u00ea a Monalisa, do Da Vinci, ela tem s\u00e9culos mas segue sendo vista como se fosse a primeira vez. Tem o brilho da cria\u00e7\u00e3o, e acho que o \u201cCastelo\u201d tem um pouco desse aspecto. Ele foi um rio que passou em minha vida, como diria o Paulinho da Viola, e o meu cora\u00e7\u00e3o se deixou levar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Persona em Foco - S\u00e9rgio Mamberti - 15\/09\/15\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k3eynFKqWTo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Castelo R\u00e1-Tim-Bum: O Dono do Castelo - Epis\u00f3dio Final\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JbUyPexHGDU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Provoca\u00e7\u00f5es 55 com S\u00e9rgio Mamberti - bloco 01\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JJj-8WcH7AI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Provoca\u00e7\u00f5es 55 com S\u00e9rgio Mamberti - bloco 02\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JhthUvKQmco?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>\u2013<\/strong>\u00a0Bruno Capelas<strong>\u00a0(<\/strong><a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@noacapelas<\/a><strong>)\u00a0<\/strong>\u00e9 jornalista, um dos respons\u00e1veis pelo <a href=\"https:\/\/twitter.com\/indieeldorado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Programa de Indie<\/a>, na Eldorado FM, e autor de \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Raios-trov%C3%B5es-hist%C3%B3ria-fen%C3%B4meno-R%C3%A1-Tim-Bum\/dp\/8532311385\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Raios e Trov\u00f5es \u2013 A hist\u00f3ria do fen\u00f4meno Castelo R\u00e1-Tim-Bum<\/a>\u201d, editado pela Summus Editorial. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um gigante da atua\u00e7\u00e3o brasileira, S\u00e9rgio Mamberti (1939\/2021) teve uma carreira m\u00faltipla, trafegando entre o teatro, o cinema e a televis\u00e3o em um espet\u00e1culo cont\u00ednuo cujas cortinas se encerraram no in\u00edcio de setembro. 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