{"id":62254,"date":"2021-09-13T01:58:11","date_gmt":"2021-09-13T04:58:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=62254"},"modified":"2021-11-24T22:45:50","modified_gmt":"2021-11-25T01:45:50","slug":"entrevista-william-duvall-alice-in-chains-relembra-inicio-de-carreira-no-punk-hardcore-com-o-neon-christ","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/09\/13\/entrevista-william-duvall-alice-in-chains-relembra-inicio-de-carreira-no-punk-hardcore-com-o-neon-christ\/","title":{"rendered":"Entrevista: William DuVall (Alice in Chains) relembra in\u00edcio de carreira no punk\/hardcore com o Neon Christ"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais conhecido do grande p\u00fablico como o vocalista e guitarrista do Alice in Chains desde 2006, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/01\/12\/entrevista-giraffe-tongue-orchestra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">William DuVall<\/a> possui uma longa e variada carreira musical, que come\u00e7ou muito antes disso e vai muito al\u00e9m do rock pesado e arrastado da banda de Seattle, com a qual j\u00e1 gravou tr\u00eas discos e realizou in\u00fameras turn\u00eas pelo mundo. Os seus primeiros passos no mundo da m\u00fasica aconteceram bem longe da Costa Oeste dos EUA, mais especificamente em Atlanta. L\u00e1, um ent\u00e3o adolescente William fundou e tocou guitarra na ultrarr\u00e1pida banda de punk\/hardcore Neon Christ, que existiu originalmente entre 1983 e 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das melhores bandas menos conhecidas da primeira leva da cena hardcore dos EUA, o Neon Christ agora poder\u00e1 ser descoberto por um p\u00fablico maior mundo afora. Isso porque a banda est\u00e1 relan\u00e7ando todas as suas grava\u00e7\u00f5es, um total de 14 m\u00fasicas compostas pelo EP autointitulado e uma sess\u00e3o feita com Nick Jameson, do Foghat. Intitulado \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/neonchrist\/videos\/558771002033900\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1984<\/a>\u201d, em refer\u00eancia ao ano em que todas as faixas foram gravadas, o disco ganhou uma edi\u00e7\u00e3o especial\u00edssima em vinil pelas m\u00e3os da Southern Lord e da DVL, selo do pr\u00f3prio William, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/neonchrist\/videos\/558771002033900\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">j\u00e1 dispon\u00edvel<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita por telefone no in\u00edcio de agosto, um extremamente bem-humorado William relembra os primeiros dias e grava\u00e7\u00f5es com o Neon Christ, conta sobre a sensa\u00e7\u00e3o de voltar aos palcos ap\u00f3s mais de um ano, relembra a proximidade com o Corrosion of Conformity e destaca a sua rela\u00e7\u00e3o especial com o Brasil, onde j\u00e1 esteve por tr\u00eas vezes com o Alice in Chains. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Neon Christ (Rikki)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/U6-6yE7GbBU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi esse \u00faltimo um ano e meio para voc\u00ea durante a pandemia? Ficou mais tempo em Atlanta ou viajando entre Atlanta e a Calif\u00f3rnia?<\/strong><br \/>\nFiquei principalmente em Atlanta nesse tempo todo. Foram apenas algumas viagens aqui e ali. Uma para trabalho e as outras para fam\u00edlia e coisas pessoais. Mas fiquei fixo na maior parte do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que tenha sido um pouco estranho para voc\u00ea, j\u00e1 que estava acostumado a viajar bastante em turn\u00ea nos \u00faltimos anos.<\/strong><br \/>\nSim, muito, muito estranho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por isso, queria saber se, al\u00e9m do relan\u00e7amento do Neon Christ, voc\u00ea dedicou seu tempo para alguma atividade espec\u00edfica, como ler, descobrir ou redescobrir discos, assistir filmes?<\/strong><br \/>\nTodas as op\u00e7\u00f5es mencionadas. E definitivamente escrevi bastante, compus coisas novas. Mas todas as op\u00e7\u00f5es. Sempre h\u00e1 muito trabalho a fazer com a minha gravadora (DVL) e os cat\u00e1logos que eu gerencio. Por isso, sempre h\u00e1 muita coisa para me manter ocupado. Definitivamente tem sido estranho. Esse \u00e9 o maior tempo que fiquei em casa em mais de 20 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi para voc\u00ea voltar a subir em um palco em 12 de junho, quando fez o show de lan\u00e7amento com o Neon Christ em Atlanta? Pelo que vi pude ver dos v\u00eddeos no YouTube, a banda estava soando muito bem e o p\u00fablico estava bastante animado em poder assistir ao show de voc\u00eas.<\/strong><br \/>\n\u00c9, esse foi um dia incr\u00edvel. Apenas fiquei muito feliz com a forma como tudo aconteceu. Tinha pessoas de todos os tipos, foi como uma grande celebra\u00e7\u00e3o \u2013 ou uma catarse gigante, de verdade (risos). Porque as pessoas estavam presas em casa e sem poder assistir m\u00fasica ao vivo h\u00e1 muito tempo. E ent\u00e3o poder sair para aquele show que fizemos em um lugar aberto em Atlanta foi apenas uma grande libera\u00e7\u00e3o para muitas daquelas pessoas. E para n\u00f3s tamb\u00e9m. Ent\u00e3o \u00e9, fiquei muito feliz com a forma como as coisas aconteceram, elas n\u00e3o poderiam ter sido melhores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea ficou nervoso de alguma forma por voltar ao palco ap\u00f3s tanto tempo? Quer dizer, voc\u00ea disse que esse foi o maior tempo que ficou em casa nos \u00faltimos 20 anos.<\/strong><br \/>\nSim, definitivamente muito nervosismo. E especialmente porque o Neon Christ n\u00e3o fazia um show h\u00e1 cerca de 13 anos. Ent\u00e3o sempre h\u00e1 aqueles nervos extras no sentido de \u201cSer\u00e1 que n\u00f3s ainda conseguimos fazer isso?\u201d. A m\u00fasica do Neon Christ exige muito fisicamente e os outros caras da banda n\u00e3o passam o tempo como m\u00fasicos profissionais. Ent\u00e3o, para eles \u00e9 um grande empreendimento voltar \u00e0 forma necess\u00e1ria para tocar esse tipo de m\u00fasica. E mesmo para mim, que tenho a sorte de trabalhar como m\u00fasico em tempo integral, tamb\u00e9m \u00e9 algo desafiador (risos). Ent\u00e3o sim, fiquei bem nervoso, mas uma vez que sobe l\u00e1, voc\u00ea apenas surfa na onda da adrenalina. E parte do que torna o Neon Christ divertido e excitante&#8230; e do que fez todo aquele movimento da cena punk\/hardcore no in\u00edcio dos anos 1980 t\u00e3o excitante era o fato de que sempre existia a possibilidade de que tudo podia sair completamente dos trilhos e desabar (risos). Ent\u00e3o voc\u00ea apenas tinha de abra\u00e7ar isso. N\u00f3s aprendemos, o Neon Christ aprendeu a ser uma banda ao apenas fazermos isso juntos quando \u00e9ramos jovens. Nunca houve nenhuma ilus\u00e3o do tipo \u201cAh, isso vai ser perfeito\u201d. Quer dizer, eu sempre tive ambi\u00e7\u00f5es altas com a banda em termos musicais e art\u00edsticos, certamente n\u00e3o do ponto de vista comercial. Eu era duro com a banda naquela \u00e9poca, e ainda sou \u2013 sempre quero trazer um padr\u00e3o alto para o que estamos fazendo. Mas, tendo dito tudo isso, estamos falando de m\u00fasica punk e vai ser louco e confuso. Ent\u00e3o voc\u00ea tem uma esp\u00e9cie de consenso entre duas filosofias extremas: h\u00e1 o desejo de ser realmente bom e bem-ensaiado e tamb\u00e9m h\u00e1 o elemento puramente ca\u00f3tico. E o que acontece \u00e9 que a verdade fica em algum lugar entre essas duas coisas (risos). Esse show em 12 de junho n\u00e3o foi diferente, foi legal. Houve alguns momentos em que as coisas quase sa\u00edram dos trilhos, mas conseguimos trazer de volta e tudo acabou dando certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas est\u00e3o planejando fazer mais shows? Ou est\u00e3o mais numa pegada de \u201cesperar e ver\u201d por conta da pandemia e tudo mais?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o estamos realmente planejando fazer outros shows. Esse foi um dia muito, muito especial que quer\u00edamos dar para a cidade de Atlanta e para todas as pessoas que j\u00e1 se importaram com o Neon Christ ou com aquela m\u00fasica. Originalmente, seria uma apresenta\u00e7\u00e3o dentro de uma loja de discos, porque est\u00e1vamos celebrando o Record Store Day nos EUA e o lan\u00e7amento da edi\u00e7\u00e3o especial do nosso disco \u201c1984\u201d para o Record Store Day. Inicialmente, ir\u00edamos tocar algumas m\u00fasicas numa loja chamada Criminal Records, em Little Five Points (bairro de Atlanta), mas por conta de todas as restri\u00e7\u00f5es para atividades em locais fechados e tudo mais, vi que seria mais um problema e acabaria n\u00e3o sendo muito divertido (risos). Por isso, decidimos mudar o show para um lugar aberto. E isso, \u00e9 claro, traz os seus pr\u00f3prios desafios: voc\u00ea precisa lidar com a prefeitura, seguran\u00e7a, todas essas coisas. Mas n\u00f3s fizemos e, como eu disse, n\u00e3o posso ficar mais feliz com a forma como as coisas aconteceram. Mas n\u00e3o, isso n\u00e3o \u00e9 parte de algo como \u201cAh, agora vamos sair em turn\u00ea\u201d ou \u201cAgora vamos fazer mais shows em Atlanta\u201d. Foi apenas uma ocasi\u00e3o muito especial.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Neon Christ - Neon Christ (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xH4q7b-lZ5E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora gostaria de falar um pouco sobre o disco em si. Ele possui 10 m\u00fasicas do EP autointitulado, gravado em mar\u00e7o de 1984, e mais quatro m\u00fasicas que foram gravadas no Dia do Trabalho dos EUA, em setembro do mesmo ano. Ent\u00e3o essas 14 m\u00fasicas foram gravadas dentro de um intervalo curto, de aproximadamente seis meses. Mas, ao escut\u00e1-las em sequ\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel notar algumas mudan\u00e7as entre as duas sess\u00f5es, com as faixas do Dia do Trabalho trazendo talvez algumas influ\u00eancias mais mel\u00f3dicas, de p\u00f3s-punk e outras coisas diferentes em algumas faixas, mesmo voc\u00ea tendo uma m\u00fasica como \u201cAfter\u201d, que \u00e9 mais experimental, na primeira grava\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea sentiu isso na \u00e9poca, que a banda estava evoluindo? E isso foi algo natural ou voc\u00eas buscaram conscientemente por novas coisas, novos sons e dire\u00e7\u00f5es musicais e tudo mais?<\/strong><br \/>\nEu estava sempre buscando por sons novos para incorporar \u00e0 banda e expandir o escopo da nossa m\u00fasica. E, ao mesmo tempo, tamb\u00e9m era uma evolu\u00e7\u00e3o natural porque, como disse antes, n\u00f3s est\u00e1vamos aprendendo como ser uma banda \u2013 e os outros caras estavam aprendendo a tocar seus instrumentos, seus papeis. O nosso baterista, Jimmy Demer estava aprendendo a tocar bateria. O nosso baixista nunca tinha tocado baixo antes de entrar para o Neon Christ, ent\u00e3o ele estava aprendendo como ser um baixista. E o nosso vocalista, Randy DuTeau, ainda estava encontrando a sua voz. Ent\u00e3o foi uma combina\u00e7\u00e3o da minha busca constante por expandir e da nossa melhoria enquanto est\u00e1vamos fazendo isso porque toc\u00e1vamos o tempo todo. Por isso, acho que \u00e9 poss\u00edvel ver um crescimento significativo nos seis meses entre essas duas sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o, em mar\u00e7o e setembro de 1984. Mesmo que de alguma forma ainda estiv\u00e9ssemos trabalhando dentro do \u201cidioma\u201d do thrash, o thrash que n\u00f3s est\u00e1vamos fazendo era uma vers\u00e3o mais avan\u00e7ada dele de uma certa maneira. E, como voc\u00ea disse, h\u00e1 esses outros elementos que entram em cena, como na m\u00fasica \u201cThe Knife Cuts So Deep\u201d. Eu nunca tinha escrito nada desse tipo antes. Era algo completamente diferente de qualquer coisa presente no nosso repert\u00f3rio at\u00e9 ent\u00e3o. Foi um ponto de virada. Ent\u00e3o sim, voc\u00ea come\u00e7a a ver essas coisas se encaixarem. E isso tamb\u00e9m foi parte de uma evolu\u00e7\u00e3o ainda maior que continuou depois disso, mas que infelizmente nunca foi documentada de maneira adequada. Por isso, apenas sou muito grato por termos o que temos, essas duas sess\u00f5es de 1984. E por termos conseguido remasterizar essas m\u00fasicas, dar a essas fitas antigas a aten\u00e7\u00e3o que elas mereciam. E tamb\u00e9m por termos tratado essas m\u00fasicas com muito cuidado e lan\u00e7ado elas agora para um novo p\u00fablico. Apenas sou muito grato por isso. As coisas aconteciam muito r\u00e1pido naquela \u00e9poca. A segunda sess\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o, de 3 de setembro de 1984, que comp\u00f5e a segunda parte do disco, foi gravada em quatro horas (risos). Isso mostra como a banda estava afiada! O est\u00fadio ficava na casa do engenheiro de som, o que era algo bastante incomum na \u00e9poca, voc\u00ea n\u00e3o tinha muitos home studios naqueles tempos. Mas esse cara tinha feito alguns discos grandes, ele tinha feito parte do Foghat, que era uma banda dos EUA que foi bem grande nos anos 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSlow Ride\u201d \u00e9 uma m\u00fasica enorme!<\/strong><br \/>\nSim, \u201cSlow Ride\u201d \u00e9 um cl\u00e1ssico! Ele produziu essa m\u00fasica \u2013 e acho que tamb\u00e9m \u00e9 coautor dessa faixa. Por j\u00e1 ter tocado no Foghat, acho que o Nick Jameson tinha os recursos para montar um est\u00fadio na casa dele. Ent\u00e3o n\u00f3s entramos l\u00e1 e fomos direto ao trabalho. E quatro horas depois sa\u00edmos de l\u00e1 com essas quatro m\u00fasicas. Foi a primeira vez que fiz uma grava\u00e7\u00e3o multicanal com a minha guitarra &#8211; antes eu tinha feito overdubs no que j\u00e1 tinha tocado. Voc\u00ea reproduzia um canal e tocava sobre ele, e ent\u00e3o voc\u00ea tinha essas camadas \u2013 nunca tinha tido a chance de fazer isso antes. Ent\u00e3o houve um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa habilidade com os instrumentos e para tocarmos juntos como uma banda, e tamb\u00e9m nas t\u00e9cnicas de grava\u00e7\u00e3o que estavam dispon\u00edveis para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas curtiam Foghat ou outras bandas desse tipo de rock na \u00e9poca? Pergunto porque pode soar um pouco incomum para algumas pessoas uma banda de punk\/HC no auge da cena escolher gravar com um m\u00fasico desse tipo de som. Isso era algo que voc\u00eas queriam, trabalhar com ele por causa do Foghat?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o mesmo (curtia a banda). Eu gostava da m\u00fasica \u201cSlow Ride\u201d, que \u00e9 legal, mas n\u00e3o. Na verdade, o lance \u00e9 que eu tinha essa ideia de querer fazer uma grava\u00e7\u00e3o no Dia do Trabalho (risos). Eu apenas liguei para o Jimmy e falei \u201cN\u00f3s precisamos gravar um disco no Dia do Trabalho\u201d. E n\u00f3s apenas olhamos no jornal e o Nick Jameson tinha publicado um an\u00fancio dizendo \u201cEngenheiro de som dispon\u00edvel\u201d. N\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos muita coisa realmente. Mas ligamos para ele, que tinha o hor\u00e1rio dispon\u00edvel e ent\u00e3o fomos at\u00e9 l\u00e1. As coisas apenas se encaixaram. \u00c9 claro que acho que nos beneficiamos do conhecimento do Nick Jameson do est\u00fadio e por ter feito muitos discos diferentes ao longo dos anos \u2013 n\u00f3s certamente nos beneficiamos disso. E tamb\u00e9m preciso dar muito cr\u00e9dito ao Nick por n\u00e3o nos desprezar como banda. Porque voc\u00ea precisa entender que essa m\u00fasica era odiada naquela \u00e9poca. Quero dizer, era odiada, n\u00e3o era considerada m\u00fasica, era vista como barulho. Tamb\u00e9m havia figuras de autoridade que viam essa m\u00fasica como algo que precisava ser interrompido. N\u00e3o apenas havia pessoas que desprezavam essa m\u00fasica como um g\u00eanero musical, mas tamb\u00e9m havia pessoas que se sentiam amea\u00e7adas por ela. Por isso, dou muito cr\u00e9dito ao Nick por nos receber em seu est\u00fadio, que tamb\u00e9m era a sua casa na \u00e9poca, e nos levar a s\u00e9rio o bastante para nos gravar muito bem. E n\u00f3s tamb\u00e9m \u00e9ramos crian\u00e7as, eu tinha 16 anos. Ele poderia facilmente ter nos desdenhado e rebaixado, tanto de um ponto de vista musical quanto pelas nossas idades. E ele n\u00e3o fez nenhuma dessas coisas. Na verdade, ele foi muito legal. Ele viu como n\u00f3s est\u00e1vamos empolgados em ser o Neon Christ, viu como est\u00e1vamos empolgados com a nossa m\u00fasica. E tamb\u00e9m que, mesmo fazendo algo incomum e com o qual ele n\u00e3o estava acostumado a ouvir ou gravar, n\u00f3s lev\u00e1vamos isso muito, muito a s\u00e9rio. Ele apenas nos acompanhou. Ele tirou um tempo para me mostrar, quando estava colocando o meu amplificador neste pequeno arm\u00e1rio que ele tinha em sua garagem, que voc\u00ea podia colocar um microfone no alto, perto do teto, para as reverbera\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o. Ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o coloca apenas um microfone na frente do amplificador para gravar os sons pr\u00f3ximos, mas tamb\u00e9m coloca microfones afastados e grava as reverbera\u00e7\u00f5es. E essa foi o meu primeiro contato com a t\u00e9cnica de microfona\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia. Ou seja, ele tirou o tempo para n\u00e3o apenas fazer isso, mas tamb\u00e9m para me mostrar o que estava fazendo. Por isso, tenho muito respeito por ele.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62262\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/neonchris1t.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/neonchris1t.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/neonchris1t-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Talvez soe um pouco clich\u00ea, mas tenho escutado o disco nas \u00faltimas semanas e, mesmo com essas m\u00fasicas tendo quase 40 anos, elas ainda soam muito atuais, \u201cfrescas\u201d e agressivas, n\u00e3o apenas em termos sonoros, mas das letras tamb\u00e9m, mesmo com todas as mudan\u00e7as pelas quais a m\u00fasica passou nas \u00faltimas d\u00e9cadas. A que voc\u00ea atribuiu isso, o fato de essas m\u00fasicas terem envelhecido t\u00e3o bem, podendo ter sido escritas por uma banda nova, por exemplo?<\/strong><br \/>\nEm primeiro lugar, obrigado por dizer isso. Isso significa muito, porque eu era apenas um adolescente de 15, 16 anos de idade, no meu quarto na casa dos meus pais, tentando colocar esses sentimentos para fora. E em boa parte do tempo sentindo realmente que ningu\u00e9m se importava \u2013 e que ningu\u00e9m estava escutando (risos). \u00c9 claro que, com o passar do tempo, isso acabou n\u00e3o sendo verdade, mas na \u00e9poca em que foram escritas muitas das m\u00fasicas desse disco \u201c1984\u201d, esse era um grande sentimento. Havia um sentimento do tipo \u201cAh, meu deus, n\u00f3s precisamos sair e abrir caminho contra a apatia, o desinteresse, e a descren\u00e7a e criar um espa\u00e7o para n\u00f3s\u201d. Por isso, realmente agrade\u00e7o voc\u00ea ter dito isso. Penso que \u00e9 o fato que \u00e9 apenas t\u00e3o honesta (a m\u00fasica da banda). E penso que a honestidade \u00e9 atemporal. Quando voc\u00ea combina honestidade emocional verdadeira com algum n\u00edvel de habilidade, mesmo com algumas arestas a aparar, mesmo que seja um bando de adolescentes se juntando e tentando aprender a tocar, penso que apenas h\u00e1 algo dentro disso que \u00e9 t\u00e3o puro que vai transcender o tempo e a \u00e9poca em que foi criado. E tamb\u00e9m penso que o fato de que calhou de estarmos perto do in\u00edcio do que acabou se tornando um movimento cultural muito grande, que continuaria por d\u00e9cadas e d\u00e9cadas depois e varreria o mundo todo. Na \u00e9poca, n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos nem ideia de que isso iria acontecer. Est\u00e1vamos somente tentando tocar a m\u00fasica mais r\u00e1pida, pesada e agressiva que consegu\u00edamos. Apenas para expressar os nossos sentimentos, porque havia tantas coisas para se irritar e para temer. E est\u00e1vamos apenas tentando colocar esses sentimentos para fora para n\u00e3o ficarmos loucos. Mas acho que todas essas coisas contribu\u00edram para que essas m\u00fasicas soassem, como voc\u00ea disse, como se pudessem ter sido gravadas na semana passada ou algo assim. Penso que \u00e9 por isso que durou. Porque vieram muitas bandas depois da gente que pegaram os elementos b\u00e1sicos daquele som e tentaram fazer o seu pr\u00f3prio lance com isso. E agora voc\u00ea tem gera\u00e7\u00f5es de bandas que fizeram isso ao longo de muitos anos. Mas quando voc\u00ea retorna para a nossa \u00e9poca e escuta os discos dessa \u00e9poca, como o \u201c1984\u201d ou qualquer uma das bandas que n\u00f3s ador\u00e1vamos, algumas das quais tivemos a sorte de ficar pr\u00f3ximos e virar amigos, voc\u00ea escuta o entusiasmo de um novo movimento, de um novo g\u00eanero nascendo. Ent\u00e3o acho que \u00e9 como quando voc\u00ea escuta qualquer grava\u00e7\u00e3o que esteja na g\u00eanese de um movimento, como os discos do Chuck Berry e do Little Richard. No come\u00e7o do rock dos anos 1950, voc\u00ea escuta esse mesmo tipo de entusiasmo e \u00e9 quase como se eles tivessem colocando um rel\u00e2mpago em uma garrafa. Ent\u00e3o voc\u00ea escuta n\u00e3o apenas o entusiasmo genu\u00edno do momento sendo capturado em fita, mas com o benef\u00edcio de d\u00e9cadas e d\u00e9cadas de retrospectiva, voc\u00ea escuta a g\u00eanese de um novo som. Ent\u00e3o isso sempre vai carregar muito romance ao redor. Apenas me sinto muito privilegiado por podermos ter feito o que fizemos, e por documentar tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, havia bandas pr\u00f3ximas de voc\u00eas na \u00e9poca? E como era a cena punk\/HC de Atlanta na \u00e9poca? Ou melhor, existia uma cena punk\/HC em Atlanta ou voc\u00eas eram mais pr\u00f3ximos de bandas de outros locais?<\/strong><br \/>\n\u00c9, n\u00e3o existia de fato uma cena. Me mudei com a minha fam\u00edlia de Washington DC para Atlanta em 1982 e n\u00e3o havia nada realmente acontecendo. Tinha uma outra banda que era um pouco similar no sentido de que tocava um tipo de hardcore, um estilo de rock r\u00e1pido, que se chamava DDT. Eles eram um pouco mais velhos; se eu tinha uns 14, 15 anos, eles tinham uns 17, 18 anos. Ent\u00e3o eu os admirava. Quando cheguei em Atlanta, formei uma banda chamada AVOC. E entre o AVOC e o DDT, voc\u00ea tem o in\u00edcio da cena hardcore de Atlanta. O AVOC n\u00e3o chegou a durar um ano. Depois eu formei o Neon Christ na segunda metade de 1983. E o DDT continuou existindo. Ent\u00e3o entre o DDT e o Neon Christ voc\u00ea tem o crescimento da cena. Porque o Neon Christ era bastante implac\u00e1vel em termos de divulga\u00e7\u00e3o, n\u00f3s ench\u00edamos a cidade com nossos adesivos e flyers. \u00c9ramos apenas muito agressivos, quer\u00edamos ser confrontativos. O DDT era muito mais sobre se divertir. Mas n\u00f3s realmente gost\u00e1vamos deles musicalmente, \u00e9ramos amigos deles. E realmente n\u00e3o tinha nada al\u00e9m disso, cara. Era basicamente isso (risos). Um pouco depois, come\u00e7aram a surgir outras bandas, que vieram atr\u00e1s da gente. E obviamente os conhec\u00edamos porque os cham\u00e1vamos para abrir shows e tudo mais. Mas voc\u00ea tinha o Corrosion of Conformity, de Raleigh (na Carolina do Norte, estado vizinho da Ge\u00f3rgia), que eram grandes amigos nossos desde o come\u00e7o. O Neon Christ e o Corrosion of Conformity eram meio que \u201cbandas irm\u00e3s\u201d naquela \u00e9poca, nos primeiros dias. \u00c9ramos muito pr\u00f3ximos, fizemos muitos shows juntos. Normalmente, quando toc\u00e1vamos em Raleigh, n\u00f3s fech\u00e1vamos a noite, e quando toc\u00e1vamos em Atlanta eles tocavam por \u00faltimo. \u00c9ramos muito pr\u00f3ximos. Eles eram uma banda que n\u00f3s admir\u00e1vamos porque eles tamb\u00e9m eram um pouco mais velhos que a gente. E eles podiam viajar, eles podiam realmente fazer turn\u00eas \u2013 o que era muito dif\u00edcil para o Neon Christ por causa da nossa idade. Mas eles subiam numa van e iam para todos os lugares, eles realmente espalharam a palavra. E eles tamb\u00e9m eram muito bons. A primeira vez que os conheci foi durante a \u00e9poca do \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6hnuJ2bcoYAwZV4hFvwper\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eye for an Eye<\/a>\u201d (1984), quando eles tinham o Eric Eycke como vocalista. Depois eles viraram um trio, apenas com o Mike Dean, o Reed Mulin e o Woody Weatherman e come\u00e7aram a tocar o material que acabaria no \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0rAGxy0IjEIU7bWK9khdLT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Animosity<\/a>\u201d (1985), que obviamente \u00e9 um disco cl\u00e1ssico de crossover entre punk e metal. N\u00f3s n\u00e3o cham\u00e1vamos assim na \u00e9poca, mas na primeira vez que os ouvimos tocando essa m\u00fasica, e isso foi ao vivo bem antes de sair o disco, apenas sab\u00edamos que eles estavam com algo que seria realmente fundamental. E foi. N\u00f3s apenas curt\u00edamos muito eles. Mas mesmo antes disso, durante a \u00e9poca do \u201cEye for an Eye\u201d, eles estavam incorporando o Black Sabbath na m\u00fasica deles. Tipo, realmente tocando riffs do Black Sabbath nas m\u00fasicas deles e tudo mais. E ningu\u00e9m estava fazendo isso naquela \u00e9poca, por volta de 1983. Era algo muito raro. O Black Flag estava come\u00e7ando a fazer isso na costa oeste, mas quando voc\u00ea fala do sudeste dos EUA, o Corrosion of Conformity foi realmente bastante pioneiro nisso. Ent\u00e3o havia algumas bandas das quais \u00e9ramos pr\u00f3ximos, o DDT, o Corrosion of Conformity. E, claro, as bandas de outros lugares. Porque a cena era t\u00e3o pequena que todo mundo se conhecia. Por isso, \u00e9ramos amigos ou conhecidos de todas as bandas que ador\u00e1vamos. Porque voc\u00ea precisava ser, voc\u00ea precisava se conectar, n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos mais ningu\u00e9m. Ent\u00e3o n\u00f3s \u00e9ramos pr\u00f3ximos do Jello Biafra e do Dead Kennedys, todo mundo do Black Flag. O Henry Rollins dormiu no ch\u00e3o da casa dos meus pais quando ele fez a sua primeira turn\u00ea de spoken word. N\u00f3s conhec\u00edamos os caras do D.R.I. Praticamente qualquer banda daquela \u00e9poca que voc\u00ea citar, n\u00f3s provavelmente tivemos algum tipo de encontro pessoal ou trocamos cartas. Nos apoi\u00e1vamos de todas as maneiras que consegu\u00edamos. Foi uma \u00e9poca incr\u00edvel, realmente \u00f3tima. N\u00e3o trocaria por nada. Que maneira incr\u00edvel de crescer, que \u00e9poca incr\u00edvel para ser adolescente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62264\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/neonchrist3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/neonchrist3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/neonchrist3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nas suas primeiras bandas, como o AVOC, Neon Christ e Bl\u2019ast!, voc\u00ea era principalmente um guitarrista. Por isso, queria saber quando voc\u00ea descobriu a sua voz como vocalista e passou a se sentir confort\u00e1vel para tamb\u00e9m abra\u00e7ar esse papel enquanto artista?<\/strong><br \/>\nIsso come\u00e7ou, de forma relutante, quando eu tinha por volta de 20 anos de idade. Eu montei uma banda chamada No Walls, que fazia uma mistura de rock, jazz, world music e m\u00fasica experimental. Ent\u00e3o voc\u00ea pode imaginar pegar Ornette Coleman, Jimi Hendrix, Sonic Youth e Joni Mitchell e jogar tudo no liquidificador \u2013 o No Walls era meio sobre isso, tinha todos esses elementos diferentes. Eu tocava guitarra e queria tocar com m\u00fasicos de jazz. Ent\u00e3o eu conheci esses dois caras que estudavam na universidade Georgia Tech em Atlanta. E um deles era o baterista da banda de jazz da Georgia Tech, o Matthew Cowley, que \u00e9 um baterista fenomenal, como um Elvin Jones branco. Quando fui encontrar o Matt pela primeira vez, havia um baixista incr\u00edvel tocando com ele, um cara que era uma combina\u00e7\u00e3o do Jaco Pastorius e do Charles Mingus, que era o Hank Schroy. Ent\u00e3o n\u00f3s come\u00e7amos a fazer jams e no come\u00e7o era apenas instrumental. N\u00f3s fic\u00e1vamos apenas improvisando o tempo todo, toc\u00e1vamos por horas e horas &#8211; n\u00e3o era algo realmente relacionado a m\u00fasicas. E ent\u00e3o eu comecei a levar m\u00fasicas, porque isso vai acontecer comigo em algum momento (risos). Na \u00e9poca, ainda est\u00e1vamos considerando o que ir\u00edamos fazer, como ser\u00edamos enquanto uma banda. E est\u00e1vamos pensando em ter um vocalista, porque eu ainda estava naquele ponto de ainda estar muito relutante em fazer algo assim, de assumir isso. Eu levei uma m\u00fasica para um ensaio, ou sess\u00e3o de improvisa\u00e7\u00e3o, como voc\u00ea queira chamar, e est\u00e1vamos s\u00f3 n\u00f3s tr\u00eas l\u00e1 \u2013 porque \u00e0s vezes t\u00ednhamos outras pessoas conosco \u2013 mas dessa vez era s\u00f3 n\u00f3s tr\u00eas. Ent\u00e3o o Hank, nosso baixista, disse \u201cCara, por que voc\u00ea n\u00e3o canta? Por que voc\u00ea n\u00e3o tenta?\u201d. E n\u00f3s costum\u00e1vamos gravar as nossas jam sessions, t\u00ednhamos um gravador de fita na sala. Ent\u00e3o n\u00f3s gravamos essa m\u00fasica, apenas n\u00f3s tocando-a ao vivo, e depois fomos ouvir e o Hank disse \u201cCara, isso ficou muito bom\u201d. E o Hank n\u00e3o era um cara que falaria algo assim para qualquer um sobre qualquer coisa, era muito raro ele fazer elogios de qualquer tipo e sobre qualquer coisa (risos). Era muito mais f\u00e1cil ele ir para a outra ponta. Ent\u00e3o ele ter dito isso foi algo realmente grande. E eu fiquei \u201cAh, Ok, legal\u201d. A partir da\u00ed, comecei a cantar todas as m\u00fasicas que fizemos. Essas eram m\u00fasicas que iam muito al\u00e9m de qualquer coisa que fosse inspirada pelo punk e hardcore. Essa era a minha busca para finalmente deixar tudo aquilo para tr\u00e1s. Eu amava punk e o que tinha feito por mim e tudo mais, mas nessa \u00e9poca &#8211; estamos falando de 1988 \u2013 eu j\u00e1 tinha feito tudo o que sentia que podia contribuir para esse tipo de m\u00fasica. E foram alguns anos muito agitados entre AVOC, Neon Christ, Bl\u00b4ast! e a Final Offering, que eu montei com o Mike Dean, do Corrosion of Conformity, e o Greg Psomas, do DDT, que era o Keith Moon de Atlanta. Ent\u00e3o eu fiz muitas coisas diferentes interessantes. Nem todas receberam a aten\u00e7\u00e3o que eu gostaria que tivessem recebido, mas o ponto \u00e9 que eu as fiz. Ent\u00e3o em 1988, ao formar o No Walls, eu realmente queria me afastar disso e fazer algo que refletisse mais todas as minhas influ\u00eancias, como o jazz e a world music que eu amava tanto. E as minhas influ\u00eancias de rock mais antigo, como Hendrix e toda a m\u00fasica incr\u00edvel criada nos anos 1960. Ent\u00e3o cantar aquelas m\u00fasicas que escrevi para o No Walls foi quando comecei a tentar entender como realmente fazer isso, ser um vocalista. Foi algo muito assustador, algo que comecei a fazer de forma relutante. E que ainda fa\u00e7o at\u00e9 algum ponto, sou muito agradecido pelo fato de as coisas terem acontecido da maneira como aconteceram. Mas sempre foi algo desafiador (risos). Agora n\u00e3o consigo imaginar a minha vida sem isso, sem poder cantar. N\u00e3o \u00e9 o que comecei fazendo, mas n\u00e3o consigo imaginar a minha vida sem isso. E isso come\u00e7ou com o No Walls, foi quando tudo come\u00e7ou, quando comecei a subida da escalada (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sempre gosto de fazer essa pergunta e sei que ela n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Mas gostaria que me dissesse, por favor, tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e porque eles fizeram isso. N\u00e3o precisam ser os tr\u00eas \u00fanicos que mudaram a sua vida, mas tr\u00eas dos que mudaram.<\/strong><br \/>\nCom certeza eu teria de come\u00e7ar com o \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0B0Zwfcy4pAY2JAoxIEkR5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Band of Gypsys<\/a>\u201d (1969), do Jimi Hendrix. Esse foi o disco que realmente me fez querer tocar. Sempre gostei de m\u00fasica quando era crian\u00e7a, apenas em um n\u00edvel bastante puro de uma crian\u00e7a. Tinha m\u00fasicas que eu realmente gostava, coisas como os Jackson 5 ou o que estivesse na r\u00e1dio, Marvin Gaye. Tive a sorte de crescer durante uma \u00e9poca muito boa para a m\u00fasica, especialmente soul e R&amp;B, rock e funk. Eu adorava Earth, Wind &amp; Fire, Stevie Wonder. Mas quando o meu primo Donald veio morar comigo e com a minha m\u00e3e, ele trouxe sua cole\u00e7\u00e3o de discos &#8211; e o \u201cBand of Gypsys\u201d estava entre os \u00e1lbuns que ele trouxe. Esse foi o primeiro disco em que comecei a fazer perguntas sobre como aqueles sons eram feitos, o que estava acontecendo. E ele (Donald) come\u00e7ou a me falar tudo sobre o Jimi Hendrix e como ele fazia todos aqueles sons com a guitarra. Isso apenas me deixou de queixo ca\u00eddo e realmente me colocou no caminho do tipo \u201cEu preciso fazer isso\u201d. Ent\u00e3o esse disco com certeza \u00e9 o essencial, que come\u00e7ou tudo para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E os outros dois? Acho que teria de dizer o single \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/1CmzDpYQmWtTJdcHVS1fZN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Six Pack<\/a>\u201d (1981), do Black Flag. Esse disco foi muito importante. Acho que foi o primeiro disco do Black Flag que conheci, era t\u00e3o dif\u00edcil encontrar discos punk naquela \u00e9poca. Me lembro que consegui o disco \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/34aFnrFRBlErcbU6moRZR3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Damaged<\/a>\u201d (1981) e o single \u201cSix Pack\u201d mais ou menos na mesma \u00e9poca. Vamos apenas dizer o \u201cDamaged\u201d, porque \u00e9 um cl\u00e1ssico que realmente resume aquela \u00e9poca da minha descoberta do punk e o meu desejo de formar uma banda como o Black Flag.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o eu diria o \u201cBand of Gypsys\u201d, do Hendrix, o \u201cDamaged\u201d, do Black Flag. E o que mais? Meu Deus, h\u00e1 tantos discos que s\u00e3o t\u00e3o importantes, como voc\u00ea pode imaginar. Mas imagino que teria de ir com algo do Coltrane, como \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/5XYodUvdFXy3LiSJ6UfNvF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Love Supreme<\/a>\u201d (1965) ou algo assim, um cl\u00e1ssico absoluto do Coltrane. Porque virtualmente todos os discos do Coltrane, mas especialmente os discos que ele fez nos \u00faltimos sete anos de vida, entre 1960 e 1967, quando ele faleceu. Esses discos possuem uma busca espiritual evidente &#8211; ele estava em busca de algo, em busca do significado final da vida, da exist\u00eancia. E ele estava tentando encontrar e expressar isso por meio do som. Ele estava tentando capturar algo sobre a universalidade da experi\u00eancia humana \u2013 no mundo todo, n\u00e3o importa de onde voc\u00ea \u00e9. Ent\u00e3o ele estava incorporando n\u00e3o apenas as influ\u00eancias com as quais ele cresceu, como blues, jazz e R&amp;B, mas ele estava se interessando por m\u00fasica oriental, m\u00fasica indiana, m\u00fasica asi\u00e1tica \u2013 e, \u00e9 claro, por m\u00fasica africana. E penso que \u201cA Love Supreme\u201d \u00e9 um disco importante porque raramente os artistas que est\u00e3o nesse tipo de busca espiritual tem algum tipo de sucesso comercial. E o Coltrane \u00e9 essa rara exce\u00e7\u00e3o, em que ele seria um artista sem concess\u00f5es, mas com esse disco ele tamb\u00e9m transcendeu qualquer tipo de limita\u00e7\u00e3o comercial. Esse \u00e1lbum conseguiu romper a barreira e alcan\u00e7ar muita gente. Certamente o Coltrane resume tudo que eu amo sobre improvisa\u00e7\u00e3o na m\u00fasica. Ele tinha uma \u00e9tica de trabalho rigorosa, mas tamb\u00e9m tinha uma curiosidade insaci\u00e1vel. E eu amava a banda dele, o Coltrane Quartet, era uma das maiores bandas de todas. A banda que ele tinha com Jimmy Garrison, McCoy Tyner e o Elvin Jones na bateria. Amo todos os discos que eles fizeram e tamb\u00e9m todas as grava\u00e7\u00f5es ao vivo com eles tocando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre esses tr\u00eas discos, com o Hendrix sendo o in\u00edcio, o Black Flag sendo a minha evolu\u00e7\u00e3o em querer estar em uma banda, formar uma banda, e tamb\u00e9m a minha evolu\u00e7\u00e3o em aprender a fazer as coisas sozinho. Porque o Greg Ginn e o que eles fizeram na SST Records, ningu\u00e9m nunca teria gravado, se interessado ou lan\u00e7ado discos daquelas bandas. E aprendi muito com eles apenas sobre n\u00e3o depender de mais ningu\u00e9m, para fazer voc\u00ea mesmo ou isso n\u00e3o ser\u00e1 feito. Ent\u00e3o o Black Flag representa esse aspecto. E o Coltrane representa apenas a curiosidade espiritual e essa busca pura da improvisa\u00e7\u00e3o, de realmente explorar o seu instrumento. Acho que entre esses discos, voc\u00ea tem muito do b\u00e1sico da minha forma\u00e7\u00e3o. Obviamente, eu poderia continuar falando e falando por dias sobre outros artistas: Beatles, Prince, Steve Wonder. Mas esses tr\u00eas representam pilares enormes para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 veio ao Brasil tr\u00eas vezes com o Alice in Chains, tendo feito shows em cen\u00e1rios e situa\u00e7\u00f5es muito diferentes, incluindo o Rock In Rio, uma turn\u00ea com o Judas Priest, um show solo em S\u00e3o Paulo e um festival com o Faith no More, Sonic Youth e outras bandas dos anos 1990. Quais s\u00e3o as suas mem\u00f3rias dessas visitas? Houve algo espec\u00edfico que chamou a sua aten\u00e7\u00e3o nessas visitas?<\/strong><br \/>\nEm primeiro lugar, o p\u00fablico no Brasil est\u00e1 entre os melhores do mundo, de verdade. Eu nunca tinha visto nada assim antes de ver em primeira m\u00e3o, do palco. Preciso dizer que o amor das pessoas a\u00ed \u00e9 muito especial. A forma como elas me abra\u00e7aram e tudo mais. Mencionei a minha banda No Walls h\u00e1 pouco e o baixista do No Walls, Hank Schroy, possui uma grande liga\u00e7\u00e3o com o Brasil, parte da fam\u00edlia dele \u00e9 da\u00ed. Na verdade, ele estava morando perto de S\u00e3o Paulo quando fui tocar no Brasil pela primeira vez com o Alice (em 2011). Ent\u00e3o n\u00f3s tocamos em um festival, que se n\u00e3o me engano era chamado SWU. Foi um show gigante e, como disse, foi a minha primeira exposi\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de energia que as pessoas entregam no p\u00fablico, e o n\u00edvel de dedica\u00e7\u00e3o que elas trazem como f\u00e3s. Tudo desde se reunirem na frente do hotel e ficarem cantando e tamb\u00e9m n\u00e3o poder andar pela rua porque muita gente ficava te seguindo \u2013 e essa foi a minha primeira vez vendo tudo isso. Quando subimos no palco, lembro que come\u00e7ou a chover. E voc\u00ea tinha toda aquela multid\u00e3o no p\u00fablico, milhares e milhares de pessoas, dezenas de milhares de pessoas, e n\u00f3s est\u00e1vamos ficando encharcados. Lembro de pensar algo como \u201cN\u00e3o vou nem tentar me esconder dessa chuva porque isso vai interferir na minha conex\u00e3o com o p\u00fablico. Ent\u00e3o vou abra\u00e7ar isso. Posso ser eletrocutado e morrer, mas vou partir em alta\u201d (risos). Me lembro de andar por todo o palco e de ir at\u00e9 o lado esquerdo, perto da torre de PAs, e ficar com \u00e1gua na altura do tornozelo. Porque tinha umas lonas cobrindo as grandes colunas de alto-falantes e voc\u00ea precisava pisar na lona para poder pisar no retorno. E as lonas formava umas inclina\u00e7\u00f5es e formavam algumas po\u00e7as de \u00e1guas e voc\u00ea precisava pisar nelas para continuar andando. Ou precisava ficar parado, quieto (risos). Eu me lembro que em um momento do show me passou pela cabe\u00e7a que, quando eu era crian\u00e7a, tinha visto na TV um show da Diana Ross no Central Park em Nova York &#8211; fizeram um especial de TV enorme na \u00e9poca, \u201cDiana Ross no Central Park\u201d. E come\u00e7ou a chover nela, e ela \u00e9 uma diva e tudo mais, mas ela apenas abra\u00e7ou isso, algo como \u201cVou ficar toda molhada, com cara de louca, n\u00e3o vai ser glamoroso, vou ficar parecendo um rato encharcado, mas vai ser \u00f3timo. Vou sorrir e aproveitar isso ao m\u00e1ximo\u201d. E, de alguma forma, muitos anos depois, isso passou pela minha cabe\u00e7a enquanto eu estava no palco no Brasil e apenas pensei \u201cQuer saber? \u00c9 isso que est\u00e1 acontecendo e vou apenas ter de fazer isso\u201d (risos). Lembro que tem uma hora que a Diana Ross fica toda reta e apenas abre os bra\u00e7os, como se estivesse abra\u00e7ando a chuva. O Michael Jackson costumava fazer a mesma coisa, em que ele ficava reto como uma flecha e apenas abria os bra\u00e7os, como uma cruz, e ele virava o rosto para cima, como se ele estivesse abra\u00e7ando o que estava acontecendo. E, cara, eu fiz isso no palco durante o show no SWU (risos). Eu pensei \u201cCara, vou fazer o mesmo movimento da Diana Ross e do Michael Jackson. Vou abra\u00e7ar a chuva, abra\u00e7ar as pessoas\u201d (risos). Foi apenas uma experi\u00eancia incr\u00edvel. E s\u00f3 depois que eu fiquei sabendo que aquele show estava sendo transmitido pela TV no Brasil.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ALICE IN CHAINS live SWU 2011 - 14-nov - Full Concert - completo\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/woK6p_fD7Sk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte ao show, eu me encontrei com o Hank Schroy, do No Walls. E eu pedi para ele, falei \u201cCara, n\u00f3s podemos encontrar uma cerim\u00f4nia espiritual ou algo assim? H\u00e1 muitas pr\u00e1ticas espirituais aqui em que tenho interesse\u201d. Ent\u00e3o n\u00f3s ficamos procurando e procurando, ele tinha alguns contatos e ficou fazendo algumas liga\u00e7\u00f5es. Mas ele tamb\u00e9m falou \u201cCara, apenas vou te mostrar a cidade de S\u00e3o Paulo enquanto tentamos encontrar algo\u201d. Ent\u00e3o ficamos indo a esses bares e caf\u00e9s diferentes, ele fazia liga\u00e7\u00f5es a cada parada e eu conhecia pessoas que ele conhecia e que tamb\u00e9m se identificavam com os mesmos tipos de pr\u00e1ticas. Est\u00e1vamos apenas tentando encontrar algo, e acabamos encontrando uma cerim\u00f4nia de Umbanda. Mas nessa busca fomos em quatro ou cinco lugares diferentes em S\u00e3o Paulo. E foi uma viagem, cara, porque come\u00e7amos em um bar que era de esquina e meio aberto, ent\u00e3o era um lance meio interior\/exterior. N\u00f3s est\u00e1vamos sentados l\u00e1 bebendo, o atendente estava nos servindo, o Hank estava fazendo liga\u00e7\u00f5es \u2013 alguns amigos dele que estavam conosco tamb\u00e9m estavam fazendo liga\u00e7\u00f5es. Acho que est\u00e1vamos l\u00e1 h\u00e1 uns 30, 40 minutos, e finalmente depois de todo esse tempo, o atendente olhou para mim e me disse, tentando falar baixo \u201c\u00d3timo show, cara\u201d (risos). E eu fiquei meio \u201cO que? Oh, uau. Ok.\u201d Depois disso, toda a fam\u00edlia dele veio, foi como se a porta tivesse sido aberta \u2013 a m\u00e3e, o pai, os irm\u00e3os e irm\u00e3s. E ent\u00e3o foi como se pessoas da rua tamb\u00e9m come\u00e7aram a vir. De repente, voc\u00ea tinha uma multid\u00e3o numa esquina, em um bar aberto. E eu fiquei \u201cUau!\u201d. Depois fomos para um outro lugar e a mesma coisa aconteceu: levou um tempinho, mas ent\u00e3o as pessoas come\u00e7avam a perceber \u2013 ou talvez elas soubessem desde o in\u00edcio, mas ent\u00e3o reuniam a coragem de dizer algo \u2013 e ent\u00e3o t\u00ednhamos uma multid\u00e3o. Ou n\u00f3s est\u00e1vamos andando pela rua e as pessoas gritavam dos seus carros. Foi uma viagem, cara, porque \u00e0s vezes as pessoas gritavam \u201cAlice! Alice!\u201d e outras \u201cDuvall! Duvall!\u201d. Mas aconteceu isso em todos os lugares que n\u00f3s fomos. Foi muito louco! E desde ent\u00e3o, eu me senti muito abra\u00e7ado pelas pessoas no Brasil. E o Hank at\u00e9 me disse \u201cCara, muita gente aqui n\u00e3o est\u00e1 acostumada a ver algu\u00e9m como voc\u00ea tocando esse tipo de m\u00fasica nesse n\u00edvel, em palcos desse tamanho. Ent\u00e3o para muitas pessoas que se interessam por esse tipo de m\u00fasica e querem tocar esse tipo de m\u00fasica, que podem viver em uma favela, por exemplo, e est\u00e3o tentando fazer algo assim, voc\u00ea representa algo\u201d. E eu apenas fiquei \u201cUau\u201d. Foi muito gratificante. E foi incr\u00edvel todas as vezes que voltamos desde ent\u00e3o. Tem sido algo muito, muito bonito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a \u00faltima pergunta. Voc\u00ea tem uma carreira de quase 40 anos, desde o in\u00edcio com AVOC e Neon Christ, depois Comes With the Fall, Alice in Chains, GTO, carreira solo e muito mais. Por isso, queria saber do que voc\u00ea tem mais orgulho em sua carreira?<\/strong><br \/>\nAh, cara, essa \u00e9 dif\u00edcil. Diria que provavelmente tenho mais orgulho da jornada. Porque, como voc\u00ea disse, tem sido uma jornada longa e estranha (risos). E que tomou muitos desvios e voltas e mais voltas. Em alguns momentos, foi frustrante porque sempre me interessei por muitos estilos diferentes de m\u00fasica. Acho que teria sido mais f\u00e1cil para algu\u00e9m mais inclinado a tomar um caminho mais direto, mas eu nunca conseguiria fazer isso, nunca mesmo. Ent\u00e3o eu passei por todos esses lugares diferentes. E olhando para isso agora, \u00e9 incr\u00edvel (risos). Porque n\u00e3o conhe\u00e7o ningu\u00e9m que tenha tido uma carreira como a minha, de verdade. Uma carreira que v\u00e1 do come\u00e7o da cena hardcore at\u00e9 ter algo gravado pela Dionne Farris, a m\u00fasica \u201cI Know\u201d, at\u00e9 o Alice in Chains (risos). Apenas as pessoas que eu conheci ao longo do caminho, as pessoas com quem pude trabalhar. T\u00eam sido uma jornada muito incomum, mas muito recompensadora. Provavelmente \u00e9 disso que tenho mais orgulho. \u00c9 claro que tenho orgulho de todos os discos que pude fazer, ent\u00e3o seria muito dif\u00edcil destacar qualquer um deles. O \u201cOne Alone\u201d (disco solo lan\u00e7ado em 2019) obviamente \u00e9 muito, muito importante para mim. Mas esse disco do Neon Christ tamb\u00e9m \u00e9. Ent\u00e3o destacar qualquer disco que j\u00e1 gravei &#8211; ou um \u00e1lbum com o Alice in Chains, por exemplo: todos s\u00e3o muito importantes por raz\u00f5es diferentes. Por isso, tenho de dizer que \u00e9 da jornada que tenho mais orgulho. E tamb\u00e9m pelo fato de ela continuar acontecendo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Neon Christ--Rikki (GraveyardMist)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kNoIThcsFS8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Neon Christ: Reunion Show, Little 5 Points, Atlanta, GA (6\/12\/21)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5nwv2IfqrTw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Neon Christ on a GE Wildcat Record Player\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YAtsYa0CQYA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"M\u00fasico fala sobre relan\u00e7amento do disco \u201c1984\u201d, comenta sobre proximidade com Corrosion of Conformity, e destaca rela\u00e7\u00e3o especial com o Brasil, relembrando o show do Alice in Chains na chuva no SWU. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/09\/13\/entrevista-william-duvall-alice-in-chains-relembra-inicio-de-carreira-no-punk-hardcore-com-o-neon-christ\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":62263,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5315,5316,5314],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62254"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62254"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62254\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62265,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62254\/revisions\/62265"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}