{"id":62209,"date":"2021-09-10T01:27:52","date_gmt":"2021-09-10T04:27:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=62209"},"modified":"2021-11-01T01:43:24","modified_gmt":"2021-11-01T04:43:24","slug":"entrevista-sonny-vincent-de-volta-ao-rock-apos-ser-jogado-as-cobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/09\/10\/entrevista-sonny-vincent-de-volta-ao-rock-apos-ser-jogado-as-cobras\/","title":{"rendered":"Entrevista: Sonny Vincent, de volta ao rock ap\u00f3s ser jogado \u00e0s cobras"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/sonnyvincenttestors.bandcamp.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sonny Vincent<\/a> foi frontman de uma banda com nome de cola usada para deixar a galera doidona, esteve na vanguarda da cena punk nova iorquina e aprontou algumas por a\u00ed \u2014 at\u00e9 uma briga com Lenny Kaye, guitarrista do Patti Smith Group, durante uma transmiss\u00e3o de r\u00e1dio ao vivo nos anos 1970. Mesmo que ainda carregue consigo tra\u00e7os da rebeldia juvenil, recentemente assumiu um papel menos \u00f3bvio para quem j\u00e1 foi roqueiro inconsequente: o de av\u00f4 coruja pronto para atender um neto em dificuldades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o intuito de socorrer a fam\u00edlia \u2014 principalmente o hoje jovem Cayden, filho de seu filho \u2014 depois de uma explos\u00e3o dom\u00e9stica, o m\u00fasico deixou a guitarra e o processo criativo de lado por um tempo. Agora, com a situa\u00e7\u00e3o menos tensa, o guitarrista, vocalista e compositor retorna \u00e0 ativa para aumentar ainda mais sua produ\u00e7\u00e3o (que, segundo o pr\u00f3prio, apenas como artista solo tem aproximadamente 25 \u00e1lbuns com faixas in\u00e9ditas). Seu novo lan\u00e7amento \u00e9 \u201c<a href=\"https:\/\/svartrecords.com\/product\/sonny-vincent-snake-pit-therapy-album\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Snake Pit Therapy<\/a>\u201d (2021), trampo com 15 composi\u00e7\u00f5es que sai em 17 de setembro e, no geral, tem um andamento menos acelerado do que o costumeiro para o rocker estadunidense. O trabalho \u00e9 cru e urgente, como se poderia esperar de Sonny, mas carrega uma maturidade extra, forjada pelas vicissitudes da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu me sentia diferente ap\u00f3s a experi\u00eancia que tive em passar por uma trag\u00e9dia e tantas dificuldades envolvendo me dedicar \u00e0 fam\u00edlia, tendo ainda de largar a m\u00fasica. Ter os amigos me resgatando nessa situa\u00e7\u00e3o foi inspirador. Quis fazer um \u00e1lbum em que sim, h\u00e1 raiva, desilus\u00e3o e desespero. Mas tamb\u00e9m queria mostrar outro aspecto, que \u00e9 o de estarmos todos juntos nesse mundo. Todos merecemos felicidade, merecemos ver o lado bom da vida\u201d, abre o cora\u00e7\u00e3o Sonny. Os dois temas liberados como singles \u201cStick\u201d e \u201cThe End of Light&#8221; reafirmam que, desta vez, Sonny preferiu n\u00e3o pisar fundo no acelerador.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62216\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sonyvincent.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"620\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sonyvincent.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/sonyvincent-300x248.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meses atr\u00e1s, Sonny j\u00e1 havia lan\u00e7ado \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/7gsjhbYHYEV98An0OYRIZE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Caveman Logic<\/a>\u201d (2021), \u00e1lbum que gravou com o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/04\/09\/entrevista-bobby-liebling-pentagram-e-sonny-vincent-testors-falam-de-sua-nova-banda-the-limit\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Limit<\/a> \u2014 banda que tem na forma\u00e7\u00e3o outro \u00edcone cult do rock mundial: Bobby Liebling (Pentagram). \u201cSnake Pit Therapy\u201d marca seu retorno como figura central na concep\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o do registro fonogr\u00e1fico. Nesse material, assim como na maioria dos demais assinados com seu nome, Sonny comp\u00f5e, toca guitarra, canta e d\u00e1 o tom de como a obra deve ser. Revezando-se nos instrumentos est\u00e1 um time de parceiros talentosos, por\u00e9m n\u00e3o t\u00e3o conhecidos como em outras ocasi\u00f5es. S\u00e3o eles: Paul Blaccard (bateria, Corpse Grinders), Jo\u00e3o Pedro Ventura (bateria, The Limit \/ Dawnrider), Alex Schwers (bateria, Slime), Bobby Bretton (bateria), Jimmy Recca (baixo, The Stooges), Jamie Garner (baixo e guitarra, Leatherwoods), Tim Shapland (baixo e guitarra), Paulo Viera (guitarra) e Jack De Angelo (baixo, amigo dos tempos de CBGB e Max\u2019s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um livro hom\u00f4nimo ao disco tamb\u00e9m est\u00e1 saindo do prelo. Trata-se de uma colet\u00e2nea com hist\u00f3rias curtas e causos que Sonny experienciou desde que est\u00e1 envolvido na lida com o rock. \u201cAlgumas lembran\u00e7as de quando toquei com Sterling Morrison e Moe Tucker (ambos ex-Velvet Underground), recorda\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia com Bob Stinson (The Replacements), poesias e prosa. Tem ainda uma parte abordando a cena de Nova Iorque, com reflex\u00f5es minhas sobre os personagens da \u00e9poca\u201d, d\u00e1 a letra o m\u00fasico, que pegou gosto pela leitura na pris\u00e3o \u2014 como ele mesmo conta nesta entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonny parece um cara calmo para quem viveu, in loco, a selvageria do rock na Nova Iorque dos anos 1970. No curr\u00edculo do homem est\u00e3o shows insanos no CBGB e no Max\u2019s Kansas City \u2014 templos de uma ent\u00e3o emergente cena punk \u2014, encontro com o artista visual e expoente da pop art Andy Warhol (em seu est\u00fadio, a Factory), a loucura das ruas e os excessos da juventude em busca de identidade e criatividade. \u00c0 frente do Testors, na ativa entre 1975 e 1981, Sonny dividiu o palco com nomes do naipe de The Cramps e Dead Boys. Foi com o grupo que ganhou o respeito necess\u00e1rio, de pares e do p\u00fablico, para seguir por outras empreitadas musicais. Sempre prol\u00edfico, j\u00e1 tocou ao lado de Ron Asheton (The Stooges), Bobby Steele (The Misfits\/The Undead), Ivan Julian (The Voidoids), Cheetah Chrome (The Dead Boys), Captain Sensible e Rat Scabies (Damned), Glen Matlock (Sex Pistols), Greg Ginn (Black Flag), Thurston Moore (Sonic Youth), Bob Stinson (The Replacements), Scott Morgan (Sonic&#8217;s Rendezvous Band), Victor DeLorenzo (Violent Femmes), Wayne Kramer (MC5), Maureen Tucker e Sterling Morrison (The Velvet Underground), Greg Norton (Husker Du) e da banda Rocket From the Crypt.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conversa de quase uma hora via skype, um simp\u00e1tico Sonny falou sobre voltar a fazer m\u00fasica, \u00e1lbum novo, fam\u00edlia, literatura, rebeldia, rela\u00e7\u00e3o com gravadoras e lembran\u00e7as. Tamb\u00e9m contou uma passagem assustadora e engra\u00e7ada na qual se viu envolvido \u2014 e que, segundo o protagonista, deveria ter entrado em seu livro. Ao fim do papo, solicitou gentilmente que fossem disponibilizados os links para compra do <a href=\"https:\/\/svartrecords.com\/product\/sonny-vincent-snake-pit-therapy-album\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">disco<\/a> e do <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Snake-Pit-Therapy-Sonny-Vincent\/dp\/1736538802\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">livro<\/a> (clique na palavra que nomeia cada item e acesse). O \u00e1udio da entrevista na \u00edntegra, em ingl\u00eas, pode ser ouvido no player abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Interview with Sonny Vincent\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LsBwPfsa-oE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem ideia de em quantos \u00e1lbuns, solo ou de bandas que fez parte, voc\u00ea j\u00e1 esteve envolvido at\u00e9 ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEm termos de discos s\u00f3 meus\u2026 Bom, s\u00e3o sempre meus trabalhos, mesmo quando assino como Sonny Vincent and Spite ou Sonny Vincent and The Bad Reactions. Mas sempre sou eu quem comp\u00f5e as faixas, canta e toca guitarra. Mas, enfim, em se tratando de \u00e1lbuns apenas meus, eu diria que existe cerca de 25 registros \u00fanicos lan\u00e7ados, que n\u00e3o possuem m\u00fasicas repetidas. Todos s\u00f3 com temas novos. H\u00e1, ainda, algumas compila\u00e7\u00f5es de faixas diferentes lan\u00e7adas especialmente em pa\u00edses como Alemanha ou Espanha. Tem tamb\u00e9m trabalhos em que toco com outras pessoas, como materiais de Moe Tucker (Velvet Underground). \u00c9 bastante coisa por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que te mant\u00e9m t\u00e3o prol\u00edfico com o passar dos anos?<\/strong><br \/>\nEu realmente curto o processo de fazer as m\u00fasicas e os \u00e1lbuns. Alguns artistas dizem que criar \u00e9 meio sagrado. H\u00e1 algo que me cativa nisso. Desde que eu apareci na cena, no come\u00e7o da \u00e9poca do glam rock e ent\u00e3o do punk, havia diversos aspectos que nos agradavam em primeiro lugar. Claro, tamb\u00e9m esper\u00e1vamos que as pessoas gostassem. Existia quem passava uma imagem, que sentava e escrevia faixas pensando: \u201cO que eu quero \u00e9 criar m\u00fasicas que agradem muita gente\u201d. Eu realmente aprecio quando outros gostam do que fa\u00e7o, mas o que vem primeiro \u00e9 satisfazer a mim mesmo. A cria\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es \u00e9 um prazer e uma alegria para mim. \u00c0s vezes componho algo e penso: \u201cSou muito sortudo! Se houver a promo\u00e7\u00e3o adequada e o dinheiro certo por tr\u00e1s disso, certamente vai repercutir\u201d. A\u00ed, mostro a composi\u00e7\u00e3o para amigos e vejo o que eles pensam. Acredito que tenho escrito alguns hits, mas n\u00e3o disponho dos mecanismos das grandes companhias para faz\u00ea-los chegar em r\u00e1dios do mundo. Ainda assim \u00e9 recompensador. Voc\u00ea n\u00e3o precisa de algu\u00e9m sempre dizendo que seu trabalho \u00e9 bacana. Gosto \u00e9 de agradar a mim mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em uma primeira audi\u00e7\u00e3o do disco novo, \u201cSnake Pit Theory\u201d, ele soa n\u00e3o t\u00e3o veloz quanto alguns de seus registros anteriores. Pelo menos na primeira metade \u2014 embora para mim todo o \u00e1lbum soe mais cadenciado. \u00c9 cru, \u00e9 urgente, por\u00e9m menos acelerado. N\u00e3o que seja lento, pois h\u00e1 temas velozes como \u201cNot Alone\u201d, \u201cJapan Mofo\u201d e \u201cRuby Diamond\u201d. Essa impress\u00e3o de que as composi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o das mais r\u00e1pidas faz sentido para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nSim, faz. Normalmente, n\u00e3o tenho uma ideia preconcebida de como vou fazer um \u00e1lbum: se vai ser r\u00e1pido, lento ou m\u00e9dio. O que acontece, \u00e0s vezes, em meio aos sons mais ligeiros, \u00e9 uma boa balada. S\u00f3 para equilibrar. Tipo, no meio das m\u00fasicas r\u00e1pidas e agressivas, eu apresento ainda uma bela can\u00e7\u00e3o. Mas com esse \u00e1lbum rolou um conceito mais solto, digamos. Talvez at\u00e9 uma dificuldade. Porque durante cinco anos, antes da pandemia, eu estive cuidando da minha fam\u00edlia que sofreu um acidente. Precisei desistir de tudo nesse per\u00edodo, fosse tocar ou gravar. Devotei-me a ajudar meu pessoal a se recuperar. E tive o apoio de f\u00e3s e de amigos, que mandaram mensagens e me ajudaram de muitas formas. Sou humildemente grato por essa onda de amor e de suporte. A quest\u00e3o \u00e9 que pensei n\u00e3o ser de bom tom fazer m\u00fasicas r\u00e1pidas cheias de \u201cfoda-se\u201d nesse contexto. Tipo: \u201cFoda-se o governo, foda-se isso, foda-se aquilo, foda-se o mundo, foda-se a sua m\u00e3e\u201d. Eu me sentia diferente ap\u00f3s a experi\u00eancia que tive em passar por uma trag\u00e9dia e tantas dificuldades envolvendo me dedicar \u00e0 fam\u00edlia, tendo ainda de largar a m\u00fasica. Ter os amigos me resgatando nessa situa\u00e7\u00e3o foi inspirador. Quis fazer um \u00e1lbum em que sim, h\u00e1 raiva, desilus\u00e3o e desespero. Mas tamb\u00e9m queria mostrar outro aspecto, que \u00e9 o de estarmos todos juntos nesse mundo. Todos merecemos felicidade, merecemos ver o lado bom da vida. Sim, estamos cercados por coisas horr\u00edveis, tal qual injusti\u00e7a e outras situa\u00e7\u00f5es pelas quais dever\u00edamos reclamar \u2014 e eu sempre vou fazer isso. Contudo, podemos chorar por um milh\u00e3o de anos ou ficarmos bravos por esse tempo todo, mas devemos a n\u00f3s mesmos a tentativa de perceber algo belo. Temos de dividir alegrias. Ent\u00e3o, em algumas novas m\u00fasicas eu quis apresentar essa atitude positiva. Essa era a \u00fanica prerrogativa que eu tinha: tentar esculpir, ou criar, algo que tivesse essa inten\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s. Eu geralmente componho as m\u00fasicas do jeito que elas aparecem para mim no dia em que s\u00e3o concebidas, sejam do jeito que forem. S\u00f3 que, dessa vez, eu pretendia ter certeza de expressar outros aspectos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sonny Vincent: Stick (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/N0vaO27bNVc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredita na arte, m\u00fasica neste caso, como um meio para expressar emo\u00e7\u00f5es e como algo que pode ajudar em tempos dif\u00edceis?<\/strong><br \/>\nCertamente. Sinto que diversas pessoas que produzem arte t\u00eam experi\u00eancias transformativas, e isso passa para o ouvinte ou quem se relaciona com suas obras. Recebo mensagens de muitas pessoas porque elas se conectam com minhas m\u00fasicas. Porque minhas composi\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam esse lance competitivo. Tipo: \u201cSou melhor que voc\u00ea, costa leste \u00e9 uma merda e costa oeste detona. Foda-se, vou te matar\u201d. H\u00e1 uma raiva nos meus temas, mas \u00e9 contra o sistema e a sociedade que limita as pessoas. E muita gente passa por dificuldades, ouve algumas das minhas faixas e se comunica para dizer que as can\u00e7\u00f5es as ajudaram em per\u00edodos complicados. H\u00e1 esse aspecto de que cria\u00e7\u00e3o faz bem. Conhe\u00e7o m\u00fasicos e artistas cuja arte os auxiliou, que caso n\u00e3o estivessem fazendo o que fazem, poderiam estar na cadeia ou em s\u00e9rios problemas. E \u00e9 recompensador receber recados de algu\u00e9m dizendo: \u201cHey, Sonny, passei por maus bocados e sua m\u00fasica colocou um pouco de luz nessa escurid\u00e3o e me ajudou a atravessar tal fase\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea j\u00e1 mencionou, enfrentou uma situa\u00e7\u00e3o bem ruim envolvendo a fam\u00edlia (um inc\u00eandio que deixou filho e um dos netos bem machucados). A m\u00fasica te ajudou nessa quest\u00e3o, seja emocional ou at\u00e9 financeiramente?<\/strong><br \/>\nDurante uns cinco anos eu n\u00e3o pude fazer m\u00fasica. Simplesmente n\u00e3o havia tempo para isso, eram s\u00f3 hospitais e terapias f\u00edsicas. Foi necess\u00e1rio cuidar da dor do meu neto. Eu realmente dediquei todos os esfor\u00e7os poss\u00edveis em ajudar ele, a m\u00e3e (minha nora) e meu filho a se recuperarem com a mesma paix\u00e3o e velocidade que coloco na m\u00fasica. Quando cheguei at\u00e9 eles, todos estavam em unidades de tratamento intensivo e os progn\u00f3sticos n\u00e3o eram bons. Eles passaram por uma explos\u00e3o, fogo e ficaram muito debilitados, com queimaduras de terceiro grau por cerca de 50% de seus corpos. Foi muito, muito dif\u00edcil. No fim do dia, eu estava em colapso. As m\u00e3os do meu neto funcionam agora, mas se eu n\u00e3o tivesse me dedicado a ajud\u00e1-lo com movimentos, exerc\u00edcios, terapias, idas a hospitais, elas estariam paralisadas. Foi um verdadeiro desafio. Eu n\u00e3o podia fazer m\u00fasica assim, e senti que perdi o compasso. Sempre fui m\u00fasico e, de repente, me tornei quase uma m\u00e3e, levando meu neto aos escoteiros e para a escola, falando com professores. E isso me fazia sentir bem. Quando passei a tomar conta dele, o garoto estava com nove anos e era muito fofo, mas bem machucado. Agora Cayden est\u00e1 com 15, ent\u00e3o tenho mais tempo para voltar \u00e0 m\u00fasica. Criei o disco do The Limit junto com o Bobby Liebling <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/04\/09\/entrevista-bobby-liebling-pentagram-e-sonny-vincent-testors-falam-de-sua-nova-banda-the-limit\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">porque falamos sobre esse projeto<\/a>. Mas tamb\u00e9m queria um trampo do Sonny Vincent e, como tenho um pouco mais de tempo agora que a fam\u00edlia est\u00e1 melhor, pois \u00e9 resiliente, foi poss\u00edvel retornar ao processo criativo de compor. Reencontrei-me com a guitarra. Por um tempo eu senti como se tivesse perdido a identidade por n\u00e3o fazer m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem apenas um neto?<\/strong><br \/>\nTenho outro, em Portland. Foi uma grande jornada com Cayden. E, como comentei, foi muito chocante lidar com ataque card\u00edaco, trag\u00e9dia, situa\u00e7\u00f5es em que minha fam\u00edlia poderia morrer. Ent\u00e3o, ter os amigos mostrando seu amor foi como um novo horizonte para mim. Sempre me senti como um forasteiro, um fora da lei, ent\u00e3o tive muito do que reclamar. Mas, neste caso, como disse, eu quis expressar algumas afirma\u00e7\u00f5es e humildade pelo que passei. Isso me fez algu\u00e9m, de algum modo, diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerando o t\u00edtulo do novo trabalho \u201cSnake Pit Therapy\u201d (terapia do ninho de cobra, em tradu\u00e7\u00e3o livre): seria uma esp\u00e9cie de constata\u00e7\u00e3o sobre estarmos vivendo em um mundo que representaria o nascedouro das serpentes, e a m\u00fasica serviria como uma terapia, um al\u00edvio, para isso?<\/strong><br \/>\nConversando com o baterista Paul Blaccard, que toca na maioria das m\u00fasicas do disco novo, ele descreveu nosso primeiro encontro, que tem rela\u00e7\u00e3o com isso. Na real, \u2018nos conhecemos\u2019 algumas vezes, mas na primeira vez que nos encontramos em uma grava\u00e7\u00e3o eu n\u00e3o mandei as m\u00fasicas antes para que o cara ouvisse. Fomos direto ao est\u00fadio, onde mostrei como queria cada som, e ele teve de dar um jeito rapidamente. Paul disse que foi como ser jogado num \u2018ninho de cobra\u2019, e isso me marcou. Em outra ocasi\u00e3o, fui a um <a href=\"https:\/\/www.cchr.org\/about-us\/cchr-industry-of-death-museum.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">museu de hist\u00f3ria da psiquiatria e da psicologia<\/a>, em Los Angeles, na Sunset Boulevard, e l\u00e1 tinha muitas coisas do passado. Materiais usados quando algu\u00e9m tinha depress\u00e3o ou alguma suposta doen\u00e7a mental. Eles colocavam as cabe\u00e7as das pessoas em caixas zoadas, ou faziam cortes na pele e deixavam a criatura sangrar de cabe\u00e7a para baixo. Claro, depois teve ainda as lobotomias e tratamento de choque. E tinha a \u2018snake pit therapy\u2019, que era usada quando algu\u00e9m estava tendo ataques ou reclamando demais. A\u00ed, os supostos m\u00e9dicos \u2018acalmavam\u2019 essas pessoas as colocando numa esp\u00e9cie de banheira cheia de serpentes. E, claro, depois de um tempo jogado num tro\u00e7o desses, n\u00e3o havia quem n\u00e3o ficasse quieto. Os que entravam l\u00e1 saiam meio zumbis de t\u00e3o assustados. Essa pr\u00e1tica da ind\u00fastria da sa\u00fade mental era realmente brutal. Isso, somado ao que Paul comentou, me pareceu apropriado para algumas experi\u00eancias que vivenciamos. Tipo, \u00e9 contra a lei n\u00e3o mandar as crian\u00e7as para a escola, mas n\u00e3o se leva em conta a individualidade de cada um. H\u00e1 alguns pequenos de cinco anos que, se voc\u00ea olhar, vai perceber que eles precisam caminhar pela floresta por uns dois anos a mais, e n\u00e3o ir para um col\u00e9gio. S\u00f3 que todos precisam ir. E a\u00ed a sirene toca, \u00e9 necess\u00e1rio trocar de classe e as pessoas come\u00e7am a se conformar a agir de acordo com sinais e com alarmes. Quero dizer, treina voc\u00ea para uma sociedade estruturada, mas n\u00e3o \u00e9 justo com o indiv\u00edduo. \u00c9 como se todos fossem jogados \u00e0s cobras.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sonny Vincent: The End Of Light (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_MqELrmMg7g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 conhecido por colabora\u00e7\u00f5es com alguns \u00edcones do rock. Mas o disco novo n\u00e3o tem nenhuma dessas parcerias mais not\u00f3rias. Alguma raz\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEu nem sempre toco com gente conhecida, pois h\u00e1 m\u00fasicos muito bons que n\u00e3o s\u00e3o famosos. Em alguns casos o sucesso \u00e9 porque s\u00e3o pessoas que tocam realmente bem. Ent\u00e3o vejo e penso: \u201cWow, quero o Rat Scabies (baterista, ex-The Damned) tocando no meu \u00e1lbum\u201d. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m gente supertalentosa e menos conhecida. Como o Paul (Blaccard), que falei. Ele esteve no Corpse Grinders, grupo que tocou no Max\u2019s Kansas City e no CBGB. O Arthur Kane, baixista do New York Dolls, fez parte desse conjunto por um tempo, mas eles nunca decolaram porque havia v\u00e1rios problemas internos. Eram meio selvagens. Outro cara que toca bateria no meu disco novo \u00e9 o Alex Schwers, da Alemanha. L\u00e1 ele \u00e9 bem conhecido, tem disco de platina triplo. O Alex \u00e9 simplesmente um dos melhores bateristas com quem j\u00e1 fiz um som. Ele \u00e9 esperto, coloca paix\u00e3o no que faz. Como estou em trabalho solo, posso fazer como artistas que usam uma paleta ampla de cores. Eu poderia, por exemplo, fazer o disco com um baterista s\u00f3. Mas escolhi alguns sons para cada um dos caras que falei.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Shotgun Rationale featuring Sonny Vincent &#039;Dazzle&#039;\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4LdoD0QfuTQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Li algumas hist\u00f3rias interessantes sobre o <a href=\"https:\/\/sonnyvincenttestors.bandcamp.com\/album\/sonny-vincents-shotgun-rationale-cocked\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Shotgun Rationale<\/a>, um dos seus projetos com gente conhecida do rock \u2014 Cheetah Chrome (guitarra, ex-Dead Boys) e Bob Stinson (guitarra, ex-The Replacements). Em uma entrevista antiga falando desse projeto, voc\u00ea comentou que se sentia como um \u2018im\u00e3 de doidos\u2019. Acha mesmo? N\u00e3o seria apenas algu\u00e9m que n\u00e3o tem receio de estar perto de gente tida como estranha, pessoas diferentes, algumas que a sociedade rotula como loucas?<\/strong><br \/>\nSendo sincero, algumas pessoas s\u00e3o simplesmente doidas. Eu amava o Bob do fundo do cora\u00e7\u00e3o, mas ele n\u00e3o parecia certo das ideias. O cara nunca saiu de f\u00e9rias a vida toda. Ele vivia meio isolado, nunca teve um emprego fixo \u2014 acho que nem sabia como preencher um formul\u00e1rio de trampo. Ele era uma rica alma, mas n\u00e3o tinha experi\u00eancia de vida e, para completar, fazia muitas loucuras. Depois que o Replacements o chutou, a menina de uma revista foi entrevist\u00e1-lo, porque ela meio que teve pena dele. Afinal, o cara tocava numa banda de sucesso e estava lavando pratos em um restaurante. E ela foi l\u00e1 no estabelecimento onde ele estava para ouvi-lo contar sua vers\u00e3o. Depois da conversa, a mo\u00e7a deu um beijo na bochecha dele, sem maldade, e o Bob achou que ela estava apaixonada. Ele come\u00e7ou a perseguir a coitada. Mas ele era boa pessoa, nunca vi falar mal de ningu\u00e9m. S\u00f3 era meio fora da curva. O Cheetah era um cara selvagem, e colocar esses dois juntos fez a coisa ser interessante, mas ao mesmo tempo era uma esp\u00e9cie de circo complicado de se domar. \u00c9 bom lembrar que rolaram bons momentos tamb\u00e9m. Tivemos uma gig em um local grande chamado First Place uma vez, em Minnesota, e o Bob estava com um vestido de glitter. E o Cheetah usava suas tradicionais unhas pretas, olhos pintados e tal. Quando virei para o lado, eles estavam se beijando e um tocando a guitarra do outro. Pensei: \u201cQue loucura! Sensacional\u201d!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem uma forte liga\u00e7\u00e3o com o underground, mas tem conquistas para al\u00e9m das fronteiras. Penso que o termo \u201ccult\u201d se aplicaria bem. O que pensa?<\/strong><br \/>\nSempre me identifiquei como parte do underground. Na posi\u00e7\u00e3o em que estou n\u00e3o tenho ressentimentos por n\u00e3o ser mais conhecido, ser um megastar ou ter hits tocando pelo mundo. Gosto de pensar que minha m\u00fasica \u00e9 para pessoas especiais. Quando toco ao vivo, n\u00e3o \u00e9 como se o p\u00fablico fosse um bando de idiotas que ouviram meu som in\u00fameras vezes no r\u00e1dio ou foram assistir porque o baixista \u00e9 bonito. Quando vejo a plateia, me parecem pessoas de quem gosto. Ent\u00e3o, estou em um bom lugar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Testors Original Line-Up 1977 exclusive\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IzDIa8w50p4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Voc\u00ea at\u00e9 teve bandas antes, mas o Testors foi a primeira de suas empreitadas musicais de maior repercuss\u00e3o. E voc\u00eas surgiram em meio \u00e0 cena nova-iorquina, tocando em locais cl\u00e1ssicos como CBGB e Max\u2019s Kansas City, bem como dividindo o palco com uma turma irada, tal qual The Cramps e Dead Boys. O que se lembra desse per\u00edodo e quais sentimentos da \u00e9poca voc\u00ea ainda traz consigo?<\/b><br \/>\nApenas havia um sentimento de empolga\u00e7\u00e3o e criatividade, de se fazer algo novo na cena punk. O rock\u2019n\u2019roll como se conhecia tinha alcan\u00e7ado um pico. Sabe, os Rolling Stones, Little Richard, David Bowie\u2026 Os rockstars meio que se vestiam todos parecidos, de Slade \u00e0 Bowie, com muito brilho. A moda, os est\u00fadios de grava\u00e7\u00e3o e todo o neg\u00f3cio da m\u00fasica haviam chegado a seu auge. Como a ind\u00fastria funcionava, quem trabalhava no ramo, as gravadoras, o funcionamento disso, os pagamentos\u2026 estava tudo dominado, estagnado. Muitos artistas que a galera ouvia quando jovem, \u00e0quela altura, estavam ricos. Gente que era rebelde, que colocava em pauta as frustra\u00e7\u00f5es da juventude, agora morava em castelo e s\u00f3 reclamava dos seus empregados. As coisas haviam mudado. O lance sobre o punk, que foi muito esclarecedor e empolgante, era a desconstru\u00e7\u00e3o. Tipo, o Richard Hell (Television) subia no palco parecendo que havia sa\u00eddo arrastado direto da cama, todo estropiado, com roupas rasgadas, cabelo bagun\u00e7ado. As atitudes eram diferentes e renegavam o histrionismo que precedeu esse momento, embora o que rolava antes fosse meio sagrado. A gente s\u00f3 queria fazer o nosso pr\u00f3prio lance. E isso \u00e9 algo que ainda tenho para mim. Eu n\u00e3o paro e penso: \u201cVou criar um som que vai colar na mente das pessoas, ent\u00e3o elas v\u00e3o enlouquecer e ouvir sem parar\u201d. N\u00e3o penso no lado comercial, na popularidade. Como j\u00e1 disse, me considero bem posicionado. E o p\u00fablico chega at\u00e9 mim, o que \u00e9 recompensador. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a como encaro as coisas hoje em dia, posso dizer que sou menos confrontador. N\u00e3o fico praguejando a pol\u00edcia e sei o que \u00e9 perigoso, algo que os mais jovens n\u00e3o compreendem \u00e0s vezes. Continuo tendo vis\u00f5es de mundo misturadas, e tento expressar minha desilus\u00e3o e insatisfa\u00e7\u00e3o, algo que \u00e9 compartilhado por outras pessoas. Acredito que ainda tem raiva e certo desespero nas minhas composi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que era para voc\u00ea ser punk no passado e o que isso significa agora?<\/strong><br \/>\nEssa transforma\u00e7\u00e3o ocorreu parte porque foi pensada e outra por conta pr\u00f3pria. Como dito, quer\u00edamos algo nosso. Muito da m\u00fasica dos anos 1950 se reverteu e voltou com sua crueza no ent\u00e3o novo rock. Ou seja: as bandas usavam essa pegada mais agressiva do passado e davam uma nova cara. E alguns grupos eram meio suicidas. Eles queriam acontecer no meio musical, mas, ao mesmo tempo, pretendiam mostrar que n\u00e3o era apenas isso sua inten\u00e7\u00e3o. Como uma banda podia se chamar Dead Boys e esperar ganhar o mundo, um Grammy ou seja l\u00e1 o que fosse? As pessoas s\u00e9rias com seus ternos n\u00e3o iriam premiar um conjunto chamado Dead Boys ou Dead Kennedys. O Testors, por exemplo, foi batizado assim porque era o nome da cola favorita que costum\u00e1vamos cheirar naquele tempo. Mesmo que quis\u00e9ssemos ter as pessoas curtindo nosso som, havia rebeldia, uma mensagem de que n\u00e3o ser\u00edamos vendidos. Acho que ainda existe uma cena punk, e muitos m\u00fasicos antigos se ressentem com a galera mais nova que est\u00e1 ligada ao estilo. Mas eu n\u00e3o. Creio que se uma certa filosofia ou atitude ressoa em algu\u00e9m, essa pessoa tem o direito de expressar isso. N\u00e3o me importa se antigamente ou hoje. O que interessa \u00e9 se parece real, genu\u00edno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sempre tocou em temas sociais e pol\u00edticos, mesmo que nas entrelinhas. O qu\u00e3o importante considera abordar assuntos como preconceito, desigualdade, corrup\u00e7\u00e3o\u2026 e outras mazelas que seguimos presenciando mundo afora?<\/strong><br \/>\n\u00c9 importante para mim, sempre fui ativo sobre esses sentimentos e pensamentos, at\u00e9 nas minhas a\u00e7\u00f5es. N\u00e3o escrevo propriamente sobre uma tem\u00e1tica que aborde diretamente essas quest\u00f5es. Tipo, uma letra que diga: \u201cPessoal, a pol\u00edcia deve parar de atirar em crian\u00e7as por viola\u00e7\u00f5es de tr\u00e1fego\u201d ou \u201cas pessoas devem parar de abusar das mulheres\u201d. N\u00e3o falo assim, diretamente. Mas est\u00e1 expresso sobre essas injusti\u00e7as que rolam no planeta todo desde que nascemos, porque \u00e9 algo deprimente. Quando se \u00e9 pequeno e se ouve m\u00fasicas que falam dessas situa\u00e7\u00f5es, sempre h\u00e1 a esperan\u00e7a de que vai melhorar. E algumas at\u00e9 melhoram, mas lentamente, e as pessoas sofrem nesse \u00ednterim. Quem me conhece pessoalmente sabe que eu n\u00e3o sou uma pessoa das mais s\u00e9rias. Tenho minhas convic\u00e7\u00f5es, mas curto tamb\u00e9m me divertir. \u00c9 importante para mim no dia a dia ficar atento ao que rola. Uma vez entrevistei o Richard Hell para uma revista da Alemanha. Eles me deram espa\u00e7o por cerca de um ano e pude fazer papos legais com alguns amigos. Entrevistando Richard, falei: \u201cNos velhos tempos \u00e9ramos rebeldes e reclam\u00f5es. Pensa que isso fez ou faz algum bem? Voc\u00ea continua ativo hoje em dia? Vai a protestos ou faz algum ativismo?\u201d. A resposta dele foi de que sim, ele seguia indo a manifesta\u00e7\u00f5es e era ativo em quest\u00f5es sociais. Quando perguntei se considerava que fazia diferen\u00e7a, Richard disse: \u201cN\u00e3o sei. S\u00f3 sei que os caras maus trabalham 24h sem parar. Sinto-me obrigado a falar sobre isso e fazer algo\u201d. Foi bem profundo. Acho que \u00e9 o sentimento de muita gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea, vai a manifesta\u00e7\u00f5es ou faz algum tipo de ativismo?<\/strong><br \/>\nSim, \u00e0s vezes vou. E tamb\u00e9m fa\u00e7o doa\u00e7\u00f5es. \u00c9 um pouco doido hoje em dia porque, nas redes sociais, se eu fico frustrado e come\u00e7o a me posicionar, muitos me agradecem. \u201cValeu Sonny, precisamos de vozes como voc\u00ea!\u201d E tem outras pessoas com muito \u00f3dio, que n\u00e3o se realizam, e as decis\u00f5es em suas rotinas s\u00e3o formuladas com base nessa ira descabida. Ent\u00e3o, essa gente vem questionar como posso falar em favor de alguma causa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-62215\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/snakepitbook.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"656\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/snakepitbook.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/snakepitbook-300x262.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 lan\u00e7ando um livro tamb\u00e9m, que tem o mesmo t\u00edtulo do novo \u00e1lbum, \u201cSnake Pit Therapy\u201d. Que tipo de publica\u00e7\u00e3o \u00e9?<\/strong><br \/>\nAo mesmo tempo em que estava preparando o lan\u00e7amento do disco com uma gravadora da Finl\u00e2ndia, a Svart Records, tamb\u00e9m havia a previs\u00e3o de colocar um livro na rua. Mas ainda estava sem nome, e algu\u00e9m sugeriu usar o mesmo do \u00e1lbum. Assim, seria poss\u00edvel fazer uma promo\u00e7\u00e3o cruzada. Ent\u00e3o, falei com a gravadora e com a editora e ambos acharam boa ideia. A obra traz hist\u00f3rias curtas que escrevi, algumas lembran\u00e7as de quando toquei com Sterling Morrison e Moe Tucker (ambos ex-Velvet Underground), recorda\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia com Bob Stinson (The Replacements), poesias e prosa. Tem ainda uma parte abordando a cena de Nova Iorque, com reflex\u00f5es minhas sobre os personagens da \u00e9poca. S\u00e3o textos que escrevi com o passar dos anos e as pessoas gostaram. Nunca submeti esse material para poss\u00edvel publica\u00e7\u00e3o at\u00e9 que apareceu algu\u00e9m interessado. Eles viram alguns posts nas redes sociais, curtiram e me contataram. Estou bem feliz que vai rolar. Tem sido \u00f3timo trabalhar com a Svart Records, pois j\u00e1 havia sido passado para tr\u00e1s por outras companhias que nunca retornavam meus contatos, nem me pagavam. \u00c9 muito bom ter por perto gente honesta e que se importa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teve problemas com gravadoras, ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSim. N\u00e3o vou citar nomes para n\u00e3o insultar a fam\u00edlia de ningu\u00e9m. Mas houve uma gravadora que lan\u00e7ou produ\u00e7\u00f5es minhas, me deram um contrato gigante em outra l\u00edngua e eu assinei. Mais tarde, descobri que eles venderam 60 m\u00fasicas a uma grande companhia do show business. E quando eu postei um dos meus pr\u00f3prios sons, na \u00e9poca do Myspace, recebi um aviso legal da Warner para tirar do ar, pois n\u00e3o poderia usar a pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o. Foi um saco. E outra que o pessoal vendeu parte do meu cat\u00e1logo a uma empresa gigante sem me consultar. Eu reclamei com a Warner e disseram que eu teria de procurar quem lhes concedeu os direitos. Isso na real n\u00e3o me incomoda tanto, porque nunca dei muita bola para o lance do dinheiro como outras pessoas d\u00e3o. Quando estou em turn\u00ea n\u00e3o posso ficar perto da mesa do merchandise porque eu acabo dando tudo de gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea l\u00ea bastante? Quanto a literatura ou o simples ato de ler influencia seu processo criativo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o leio tanto quanto costumava. Nunca fui para uma universidade e estive preso por alguns anos. Arrependo-me disso. Mas o tipo de hist\u00f3ria de vida que passei n\u00e3o me colocava no rumo de uma institui\u00e7\u00e3o de ensino superior. Eu era um garoto da rua em Nova Iorque, o que foi meio que uma faculdade. Conheci Andy Warhol na Factory, via os bandidos, assistia bandas\u2026 Tive sorte porque era muito novo, uns 13 anos, mas ningu\u00e9m mexia comigo. Era como se tivesse um anjo da guarda. Hoje quando vejo gente dessa idade penso: \u201cMeu Deus, nem os dedos deles cresceram direito ainda, s\u00e3o uns beb\u00eas\u201d. Mas eu circulava por tudo em Nova Iorque, era um jovem alto para minha idade, mentia sobre quantos anos tinha. Fui sortudo, pois as pessoas se importavam comigo. Mas, certa altura, fui pego com drogas quando estava um pouco mais velho. Na cadeia, o cara da cela ao lado tinha v\u00e1rios livros e me ofereceu alguns. No come\u00e7o eu dizia: \u201cCai fora, me deixa em paz\u201d. Mas l\u00e1 n\u00e3o tinha TV nem nada, ent\u00e3o ler era uma boa alternativa. E esse cara come\u00e7ou a me emprestar algumas obras de Jean Paul Sartre, Louis-Ferdinand C\u00e9line, Kurt Vonnegut, Noam Chomsky, Virginia Woolf. E quando excursionei com o Sterling Morrisson, que era PhD em Literatura Inglesa, ele me disse que mesmo n\u00e3o tendo passado pela Universidade, eu tinha educa\u00e7\u00e3o. Eu li muita coisa. Acabei de ler um livro da Kim Dallesandro, parceira do Joe Dallesandro \u2014 eles faziam parte dos Warhol superstars (grupo de artistas promovidos por Andy Warhol).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 graduado na universidade da vida, como se diz aqui no Brasil.<\/strong><br \/>\nLegal! Bacana essa express\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fazendo o dever de casa pesquisando sobre voc\u00ea, encontrei algo sobre uma hist\u00f3ria do passado envolvendo show e uma \u201cvoodoo lady\u201d, como voc\u00ea descreveu. Fiquei curioso sobre esse causo. Poderia contar mais?<\/strong><br \/>\nAh, meu Deus! Essa \u00e9 boa, eu deveria ter colocado no livro. A garota vodu foi uma mo\u00e7a que conheci em alguma cidade no sul da Alemanha. Ela estava no camarim, conversando, em meio ao pessoal todo que fazia uma festinha, e ent\u00e3o foi embora. Acho que isso foi em uma das minhas primeiras turn\u00eas por aqueles lados. Acabei dando meu telefone a ela, mas depois parei de fazer isso porque naquela \u00e9poca, por meio do n\u00famero de telefone, era poss\u00edvel conseguir o endere\u00e7o. Teve at\u00e9 uma vez que uma menina da \u00c1ustria fez isso e apareceu onde eu morava, batendo loucamente na porta enquanto eu descansava com minha namorada. Quando abri, ela disse (Sonny faz sotaque de pa\u00eds europeu que n\u00e3o fala propriamente o ingl\u00eas): \u201cHello, eu sou a Gretchen, vim visit\u00e1-lo\u201d. \u201cQue merda \u00e9 essa?\u201d, pensei. Bom, mas enfim, eu tinha passado o telefone para essa menina vodu. Ela apareceu depois de uma gig e foi meio estranho, porque vestia cal\u00e7as com listras pretas e brancas finas, tinha ainda uma jaqueta felpuda e um chap\u00e9u com abas largas que cobria o rosto. Ela falava em alem\u00e3o coisa do tipo: \u201csenhor Vincent, aceita um presente?\u201d. A menina carregava uma estranha caixa, e eu disse que n\u00e3o sabia se queria o presente, questionando o que era aquilo. Ent\u00e3o, fomos andando e passamos pelo bar, quando a vi de perto, as cut\u00edculas dela tinham algo meio marrom, que parecia sangue ressecado. A\u00ed, disse que n\u00e3o ficaria mais perto dela enquanto n\u00e3o lavasse as m\u00e3os. E ela limpou. Ent\u00e3o, olhei melhor o pacote que ela queria me dar e estava coberto por vinil, como em bancos de carros ou de bar. Era um material espesso, ent\u00e3o dava para ver que ela n\u00e3o conseguiu fechar aquilo direito e usou cola em alguns pontos. Tinha cabelos nessa cola, e parecia que ela usou ferro de passar para derreter o pacote ou algo assim. O neg\u00f3cio era uma bagun\u00e7a. Quando abri, tinha uma caixa de madeira, com algo escrito talhado a faca. E havia sangue seco ali onde estava escrito \u201cEspero que voc\u00ea curta The Doors\u201d. Ent\u00e3o, abri e havia uma esp\u00e9cie de bilhete. Dizia: \u201cQuerido Senhor Vincent, estou em um lugar de terror psicol\u00f3gico especial no mundo em que ningu\u00e9m nunca esteve. Antes de eu adentrar nesse canto escuro da exist\u00eancia, fui torturada diariamente. E s\u00f3 voc\u00ea pode me salvar. Meu anivers\u00e1rio \u00e9 em duas semanas, se voc\u00ea n\u00e3o me ligar at\u00e9 l\u00e1, vou cometer suic\u00eddio\u201d. E junto tinha um passaporte, ainda v\u00e1lido. E todo tempo ela ficava: \u201cPreciso ir, preciso sair\u201d. A caixa tinha ainda a licen\u00e7a de motorista dela, um minilivro \u2014 de Shakespeare sobre Of\u00e9lia \u2014, preservativo, chocolate, uma espada pequena, penas, dados. Aquilo era definitivamente uma maldi\u00e7\u00e3o vodu. Eu me afastei e ela sumiu. Eu dei a caixa para um roadie da \u00e9poca, que era meu amigo e colecionava artefatos que me assustavam ou que eu n\u00e3o queria. Mas antes eu mostrei para algumas pessoas no clube e todos acharam estranho. Fui para casa, estava morando na Holanda. Falei do acontecido para minha mulher, al\u00e9m das pessoas no clube, e perguntei se achavam que eu deveria ligar para a mo\u00e7a. Todos disseram que n\u00e3o. A\u00ed pensei: \u201cVai que a porra de um telefonema salva a vida de algu\u00e9m? Isso \u00e9 o certo a se fazer\u201d. E eu liguei para ela. Atendeu uma voz grossa e forte me praguejando em alem\u00e3o. Eu disse: \u201cQual seu problema, idiota?\u201d E a resposta foi: \u201cVou at\u00e9 voc\u00ea e vamos ter uma luta de espadas at\u00e9 a morte\u201d. Falei: \u201cSai da\u00ed, seu doido\u201d, e desliguei. Cerca de um ano depois, eu estava tocando em Berlim e havia um protesto na rua. Com isso, todos ficaram presos dentro do local do show. E, no momento do ocorrido, eu n\u00e3o sabia que est\u00e1vamos trancados l\u00e1. Foi uma apresenta\u00e7\u00e3o bem bacana, divertida. Quando estava descansando com a banda no camarim, aparece a mina vodu louca com um cara gigante do lado. E o maluco ainda estava pintado de verde, parecia o Hulk. Eu sempre tento ser legal com quem trabalha comigo, s\u00e3o meus amigos e acho que tenho de tratar as pessoas bem. S\u00f3 que, dessa vez, fui at\u00e9 o roadie e disse: \u201ceu sempre te tratei bem, mas agora precisamos sair dessa porra de clube imediatamente\u201d. Peguei meu case, pedais e cabos e corri para a porta. A\u00ed, descobri que est\u00e1vamos presos l\u00e1! Quando olho para tr\u00e1s, a mina vodu e o Hulk estavam vindo em nossa dire\u00e7\u00e3o. Achamos outra porta, era um pr\u00e9dio gigante, e sa\u00edmos num corredor. Encontramos mais uma porta e, quando a abrimos, tinha uma sala enorme onde rolava uma festa techno, com bolhas de sab\u00e3o espalhadas e som alto. Eu e o roadie corr\u00edamos, mas o ch\u00e3o estava escorregadio por causa do sab\u00e3o das bolhas, e atr\u00e1s de n\u00f3s, seguiam a garota vodu e o Hulk chegando perto. De algum jeito sa\u00edmos do lugar e entramos na van. O roadie foi ao local do show e chamou o resto da equipe, o que acabou com a festa da galera. Conforme fomos avan\u00e7ando com o ve\u00edculo pela rua, vimos os psicopatas na cal\u00e7ada. E eu dizia: \u201cabaixem-se, eles n\u00e3o podem nos ver\u201d. Essa foi a \u00faltima vez que enxerguei a garota vodu. Anos mais tarde, no disco \u201c<a href=\"https:\/\/sonnyvincenttestors.bandcamp.com\/album\/bizarro-hymns\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bizarro Hymns<\/a>\u201d, fiz uma m\u00fasica chamada \u201cVoodoo Lady\u201d. (Nota do autor: na verdade, o nome da m\u00fasica \u00e9 \u2018<a href=\"https:\/\/sonnyvincenttestors.bandcamp.com\/track\/the-voodoo-box\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Voodoo Box<\/a>\u2019).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sonny Vincent live @ Vienna 2015.\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wOqWlQF-oBU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sonny Vincent - My Guitar\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VZ7TJa9Rii4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Moe Tucker Featuring Sterling Morrison, Sonny Vincent, Victor Delorenzo, John Sluggett\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1v6hy4r4zzo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sonny Vincent live Paris 11.04.2015\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PCERxKJWx1o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sonny parece um cara calmo para quem viveu, in loco, a selvageria do rock na Nova Iorque dos anos 1970. E est\u00e1 em plena ativa: em 2021 lan\u00e7ou um \u00e1lbum do projeto The Limit e agora mostra sua faceta solo em um lan\u00e7amento duplo: o disco &#8220;Snake Pit Therapy&#8221; e um livro de mem\u00f3rias&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/09\/10\/entrevista-sonny-vincent-de-volta-ao-rock-apos-ser-jogado-as-cobras\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":62214,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5101],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62209"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62209"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62209\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62278,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62209\/revisions\/62278"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62214"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}