{"id":62127,"date":"2021-09-02T01:56:31","date_gmt":"2021-09-02T04:56:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=62127"},"modified":"2021-10-17T23:43:55","modified_gmt":"2021-10-18T02:43:55","slug":"entrevista-plural-um-trio-gaucho-para-se-prestar-atencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/09\/02\/entrevista-plural-um-trio-gaucho-para-se-prestar-atencao\/","title":{"rendered":"Entrevista: Plural, um trio ga\u00facho para se prestar aten\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a banda tem suas singularidades, assim como cada indiv\u00edduo. Com a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pluralrockmusic\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plural<\/a> n\u00e3o \u00e9 diferente. O nome, na verdade, \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o de que o trio de Porto Alegre preza pelo respeito \u00e0s individualidades que comp\u00f5em a diversidade da vida. Al\u00e9m disso, claro, \u00e9 um indicativo de que as fontes de inspira\u00e7\u00e3o s\u00e3o variadas. Na m\u00fasica, passeiam do rock \u00e0 MPB, com elementos do reggae e do indie pop. Mas v\u00e3o al\u00e9m, contemplando outros fazeres art\u00edsticos e o universo que nos cerca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa olhar heterog\u00eaneo reflete-se nas composi\u00e7\u00f5es. Na faixa que leva o nome do grupo (<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/03cE5v3XN7UVKcg0uhOjmE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um dos tr\u00eas singles lan\u00e7ados pelo trio em 2020<\/a>) e que ganhou videoclipe em 1\u00ba de setembro, vemos um analogia com o Brasil de hoje \u2014 polarizado, intolerante e com dificuldade para observar o que destoa. Como sugerem os versos: \u201cDe olhos que presumem muito ver \/ Sem enxergar \/ N\u00e3o tem percep\u00e7\u00e3o do vazio \/ A se alastrar \/ Os semelhantes v\u00e3o \/ Gritando apontar \/ Os diferentes que devem se ajustar ou se retirar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma simples, mas bem pensada, o v\u00eddeo apresenta um cen\u00e1rio no qual somos pe\u00e7as manipul\u00e1veis nesse infind\u00e1vel jogo de poder. \u201cEssa m\u00fasica em espec\u00edfico foi tomando forma em meio \u00e0s in\u00fameras declara\u00e7\u00f5es abomin\u00e1veis e claras demonstra\u00e7\u00f5es de retrocesso ao longo da campanha e da consequente elei\u00e7\u00e3o deste que a\u00ed est\u00e1. Al\u00e9m de tamb\u00e9m contemplar a polariza\u00e7\u00e3o como uma estrat\u00e9gia de poderosos que se utilizam da flagrante vulnerabilidade das massas, principalmente em tempos de fake news e da banaliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Lucas Bramont, guitarrista e autor da letra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vis\u00e3o da Plural \u00e9 realista, n\u00e3o pessimista. At\u00e9 porque, o conjunto \u2014 integrado ainda por C\u00e1ssia Segal (voz, ex-Redoma) e Renato Siqueira (bateria, It\u2019s All Red) \u2014 emana uma atmosfera leve, acolhedora. O peso fica para alguns momentos no instrumental. Na entrevista que segue, C\u00e1ssia e Lucas falam sobre a trajet\u00f3ria da Plural, multiplicidade de pensamento, o novo trampo audiovisual e refer\u00eancias. Como a pr\u00f3pria banda incita em suas redes: \u201cSeja singular, pense Plural.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Plural - Plural (VIDEOCLIPE OFICIAL)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VAaQ5UJxpSk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vivemos tempos em que parece haver o intuito de se padronizar comportamentos, de se aniquilar as individualidades para criar uma sociedade cada vez mais baseada num senso (nem t\u00e3o) comum. Nesse sentido, um nome como Plural j\u00e1 seria uma afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica? Isso tem a ver com a alcunha da banda? Por favor, expliquem por que a escolha por um nome t\u00e3o simples, mas t\u00e3o cheio de significados, principalmente no contexto atual.<\/strong><br \/>\nC\u00e1ssia Segal \u2014 Plural \u00e9 uma palavra ampla e de forma alguma queremos limitar a um cunho pol\u00edtico. Tem a ver com liberdade, respeito e bem-estar. Ser o que se \u00e9 e sentir-se bem com isso. A padroniza\u00e7\u00e3o dos comportamentos nada mais \u00e9 do que a vontade de \u201cpertencer\u201d a algo, algum grupo ou algum lugar, e isso faz parte do ser humano. O que n\u00e3o d\u00e1 \u00e9 abrir m\u00e3o de princ\u00edpios ou ultrapassar os seus limites e\/ou dos outros. Plural \u00e9 o respeito \u00e0s escolhas, individualidade e diversidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais as singularidades do som da Plural na opini\u00e3o de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nC\u00e1ssia Segal \u2014 Somos apaixonados e nem um pouco preocupados em como v\u00e3o nos descrever. As m\u00fasicas s\u00e3o arranjadas e por vezes compostas em trio, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 um produto final definido, para que se enquadre em um estilo musical, ele simplesmente acontece. Tem muita din\u00e2mica, e n\u00e3o \u00e9 polido para que soe perfeito. Nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que soe real, de acordo com o que cada m\u00fasica pede.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas Bramont \u2014 H\u00e1 quase duas d\u00e9cadas, quando comecei a compor, eu escrevia sobre o que me gerava revolta e dor. Hoje eu continuo escrevendo sobre o que me gera revolta e dor com uma diferen\u00e7a crucial: a capacidade de transmutar o aversivo em algo que acolhe e abra\u00e7a. A revolta que me d\u00e1 vontade de explodir tamb\u00e9m pode me impulsionar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 reflex\u00e3o, ao autoconhecimento e, talvez ent\u00e3o, \u00e0 mudan\u00e7a. Nossas m\u00fasicas nada mais s\u00e3o do que convites a reflex\u00f5es sobre o cotidiano, nos \u00e2mbitos individual e coletivo. Quem sabe um ponto de encontro para que outras pessoas possam se identificar e se aproximar. Por mais clich\u00ea que possa soar, podemos afirmar com bastante alegria que h\u00e1 muita verdade e entrega em cada acorde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os tr\u00eas integrantes t\u00eam trajet\u00f3rias pr\u00e9vias no cen\u00e1rio independente. Como o trio se uniu sob o nome Plural? E como essas jornadas pr\u00e9vias se refletem agora (n\u00e3o apenas musicalmente, mas tamb\u00e9m no sentido da experi\u00eancia)?<\/strong><br \/>\nC\u00e1ssia Segal \u2014 Eu e o Lucas j\u00e1 t\u00ednhamos uma admira\u00e7\u00e3o grande um pelo outro, como m\u00fasicos. Toc\u00e1vamos juntos em festivais h\u00e1 mais de 10 anos, e conhecemos a hist\u00f3ria um do outro. Sabemos que de todos com quem convivemos no meio musical por esses anos, somos as pessoas certas para este projeto. Eu e o Lucas voltamos a tocar juntos e o nome do Renato logo veio. Ele ter aceitado o convite foi muito positivo porque tamb\u00e9m tem refer\u00eancias diversas, al\u00e9m de muita aten\u00e7\u00e3o com a qualidade de tudo o que faz. Acredito que n\u00f3s tr\u00eas juntos somamos muita criatividade, mas tamb\u00e9m temos os p\u00e9s no ch\u00e3o que uma banda tem que ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas Bramont \u2014 Eu e a C\u00e1ssia \u00e9ramos adolescentes quando nos juntamos para fazer m\u00fasica: eu tinha 14, e ela 15 anos. Ent\u00e3o imaginem s\u00f3! Poder reencontr\u00e1-la e retomar a m\u00fasica como nos velhos tempos, por\u00e9m com maturidade e viv\u00eancias, foi praticamente um sonho realizado. Saber que o Renato toparia abra\u00e7ar a ideia tornou a experi\u00eancia transcendental. Lembro-me de ter conhecido ele em 2008, num festival em que eu tocava com a Redoma e ele com a Wasabi. Fazemos um som que se assemelha a certas refer\u00eancias, mas, na pr\u00e1tica, sinto que a Plural faz algo que nenhum de n\u00f3s realizou antes. A qu\u00edmica, a atmosfera, a harmoniza\u00e7\u00e3o das vis\u00f5es de mundo e da mensagem a ser passada, enfim, tudo contribuiu para que fortalec\u00eassemos nosso v\u00ednculo, a nossa fome de m\u00fasica, o apetite pela Plural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As letras s\u00e3o bem reflexivas e, ao mesmo tempo, t\u00eam certa mensagem positiva. \u00c9 algo leve. Criar essa atmosfera mais amena \u00e9 proposital?<\/strong><br \/>\nC\u00e1ssia Segal \u2014 A Plural nos permite falar sobre o que a gente quiser. Desde um posicionamento contr\u00e1rio a qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o ou injusti\u00e7a, at\u00e9 ampliar o que \u00e9 corriqueiro e belo. Tem a ver com nosso momento de vida. Os tr\u00eas s\u00e3o pessoas que t\u00eam muita bagagem na m\u00fasica e v\u00e1rios outros pontos de contato com arte. Al\u00e9m disso, conhecendo os trabalhos musicais anteriores de cada um, pode-se perceber um amadurecimento grande de ideias, gastando menos energia com problemas pequenos e tendo mais vis\u00e3o positiva sobre a vida. Isso, sem deixar de lado a inconformidade com o que fere os nossos princ\u00edpios individuais e os princ\u00edpios da Plural como grupo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Plural - Maria [VIDEOCLIPE OFICIAL]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DIRyti-YuY4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas trabalham a parte l\u00edrica? Parece sempre existir uma conex\u00e3o emotiva nos temas. Por ex: &#8220;Maria&#8221; soa como uma celebra\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e3es; e &#8220;Nobre&#8221; \u00e9 uma homenagem a um amigo que partiu. Existe essa preocupa\u00e7\u00e3o de se trabalhar com sentimentos?<\/strong><br \/>\nC\u00e1ssia Segal \u2014 \u00c9 uma caracter\u00edstica dos compositores desde sempre trazer o amor (e n\u00e3o o amor rom\u00e2ntico, \u00e9 at\u00e9 curioso&#8230;) nos temas. Em algumas outras m\u00fasicas h\u00e1 tamb\u00e9m pessoas como inspira\u00e7\u00e3o, mesmo que n\u00e3o de forma t\u00e3o explicita como em &#8220;Nobre&#8221; e &#8220;Maria&#8221;. Tem frase de musica que surgiu pronta, de uma conversa, por exemplo. Afinal, escrevemos sobre o que enxergamos e sentimos porque nos faz bem, fica bonito e gera intera\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o muito bacana com quem escuta o som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas Bramont \u2014 Sabe aquele conceito de comida que te transporta para algum ou momento da vida, geralmente a inf\u00e2ncia? O cheiro que te faz lembrar daquele lugar que tu nunca mais voltou ou daquela pessoa que tu nunca mais viu? Eu sou psic\u00f3logo e, por esse motivo, consigo analisar minha rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica com um olhar mais agu\u00e7ado. A consequ\u00eancia disso \u00e9 que descobri que a m\u00fasica desempenha um papel central na minha vida, mais por ser uma linguagem de total liberdade de express\u00e3o dos sentimentos do que por gostar de m\u00fasica ou amar o instrumento. A m\u00fasica \u00e9 a ferramenta pela qual lidamos de maneira a transformar e ressignificar a dor, e de maneira a potencializar e multiplicar a felicidade. A m\u00fasica como uma parte das artes, e a arte como um todo, aceitam e permitem um ambiente de livre express\u00e3o. Isso por si s\u00f3 \u00e9 terap\u00eautico. Poder chegar at\u00e9 as pessoas e gerar identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 a cereja do bolo. \u00c9 uma experi\u00eancia de constru\u00e7\u00e3o que exige paci\u00eancia, que pode cansar e esgotar, mas que \u00e9 muito lindo de acompanhar e ver nascer. N\u00e3o h\u00e1 como separar a emo\u00e7\u00e3o de palavras e melodias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sobre a letra espec\u00edfica de &#8220;Plural&#8221;, uma esp\u00e9cie de an\u00e1lise do momento em que estamos inseridos, como se desenvolveu?<\/strong><br \/>\nLucas Bramont \u2014 Comecei a escrever essa m\u00fasica em 2015. Complementando a quest\u00e3o anterior sobre as emo\u00e7\u00f5es: \u00e0s vezes uma emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 facilmente compreendida e a consequ\u00eancia disso \u00e9 que uma m\u00fasica, para tomar sua forma final, acompanha esse mesmo ritmo. Pode ficar pronta em 15 minutos e outra pode demorar tr\u00eas anos at\u00e9 florescer internamente para ent\u00e3o ser traduzida de maneira mais assertiva por meio do processo criativo. Logo, essa m\u00fasica em espec\u00edfico foi tomando forma em meio \u00e0s in\u00fameras declara\u00e7\u00f5es abomin\u00e1veis e claras demonstra\u00e7\u00f5es de retrocesso ao longo da campanha e da consequente elei\u00e7\u00e3o deste que a\u00ed est\u00e1. Al\u00e9m de tamb\u00e9m contemplar a polariza\u00e7\u00e3o como uma estrat\u00e9gia de poderosos que se utilizam da flagrante vulnerabilidade das massas, principalmente em tempos de fake news e da banaliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 correto afirmar que essa m\u00fasica nasceu em 2015 e ganhou sua forma atual entre 2018 e 2019, at\u00e9 porque a composi\u00e7\u00e3o foi trazida \u00e0 luz em forma ac\u00fastica, sofrendo algumas altera\u00e7\u00f5es e contribui\u00e7\u00f5es importantes para a vers\u00e3o de est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O v\u00eddeo tamb\u00e9m \u00e9 muito bacana, explorando a analogia de sermos pe\u00e7as manipul\u00e1veis em um tabuleiro. Como surgiu o conceito e como voc\u00eas o lapidaram para colocar a ideia em pr\u00e1tica?<\/strong><br \/>\nLucas Bramont \u2014 O trecho da m\u00fasica que diz \u201ce quem sou eu pra te mostrar que eles nos transformam em pe\u00e7as de um jogo entre rivais?\u201d \u00e9 o trecho que me fez visualizar mentalmente o tabuleiro no formato do Brasil, e as pessoas como pe\u00e7as de um jogo. H\u00e1 tamb\u00e9m a sutil mensagem por meio das cores refletidas em n\u00f3s enquanto tocamos. A cada \u00e2ngulo diferente, h\u00e1 uma cor diferente, na inten\u00e7\u00e3o de ilustrar que temos representa\u00e7\u00f5es diferentes dependendo do \u00e2ngulo pelo qual conhecemos uma pessoa. Fiquei matutando essa ideia por uns dois anos, at\u00e9 que um dia compartilhei com meu compadre, tatuador e artes\u00e3o Daniel Cruz, que na hora reagiu e disse \u201ceu topo fazer esse tabuleiro\u201d! Como esse era o item mais complexo para se ter acesso, a obra do acaso possibilitou que a ideia pudesse ser trazida \u00e0 realidade. Sobre como apresentar as cenas e construir o clipe \u00e9 algo sempre debatido e compartilhado com meu s\u00f3cio Leandro Monks (num \u00e2mbito mais t\u00e9cnico e de fotografia), e tamb\u00e9m com a C\u00e1ssia e com o Renato (pelo lado mais art\u00edstico e de conceito a ser transmitido).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Plural faz uma releitura ac\u00fastica bem bacana de &#8220;I Could Have Lied&#8221;, faixa talvez subestimada do cl\u00e1ssico \u201cBlood Sugar Sex Magic\u201d, do Red Hot Chili Peppers. Por que um RHCP? E por que este som? H\u00e1 uma identifica\u00e7\u00e3o com o tema por alguma raz\u00e3o?<\/strong><br \/>\nLucas Bramont \u2014 Eu comecei a tocar guitarra depois de fritar o c\u00e9rebro com o \u201cBlood Sugar Sex Magik\u201d (1991) e com o \u201cCalifornication\u201d (1999), e o John Frusciante \u00e9 meu grande mentor. Lembro que eu gravei o show do RHCP no Rock in Rio de 2001 e muito toquei guitarra acompanhando essa grava\u00e7\u00e3o. Por algum motivo que ainda n\u00e3o sei explicar, essa melodia e esse riff me mobilizam e me tocam de uma maneira muito intensa. A atmosfera daquele show contribuiu muito para isso e, desde ent\u00e3o, sempre tive um carinho grande e incondicional por essa que \u00e9 a faixa seis do \u201cBlood Sugar Sex Magik\u201d. Para mim sempre habitou o imagin\u00e1rio, desde os tempos de Redoma, que uma vers\u00e3o com um dueto feminino\/masculino poderia ser uma boa pedida pra agregar na intensidade emocional do som. H\u00e1 inclusive uma hist\u00f3ria de que o Anthony Kiedis teria feito essa m\u00fasica para uma namorada que terminou a rela\u00e7\u00e3o, e ela seria a Sinead O\u2019Connor. De minha parte a identifica\u00e7\u00e3o vem inicialmente pelo riff e pela melodia da m\u00fasica e, anos mais tarde, pela poesia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Plural - I Could Have Lied (Red Hot Chili Peppers Cover Ac\u00fastico EM CASA!)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ni4xBGHZfpA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, tenho impress\u00e3o que h\u00e1 trechos de guitarras que remetem ao John Frusciante, do RHCP. Ele pode ser tido como uma refer\u00eancia?<\/strong><br \/>\nLucas Bramont \u2014 Definitiva e inevitavelmente. Isso fica evidente nas linhas deguitarra e nos backings de \u201cMaria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais outras influ\u00eancias a Plural carrega? Musicais, claro, mas tamb\u00e9m de fora de m\u00fasica que acabam se refletindo de alguma forma no processo criativo?<\/strong><br \/>\nLucas Bramont \u2014 Ishhh&#8230; As influ\u00eancias musicais s\u00e3o tantas! Em sua grande maioria rock, mas tamb\u00e9m bebemos de outras fontes como a MPB e o reggae. Elementos que influenciam implicitamente: filmes e s\u00e9ries, pizza, caf\u00e9, Van Gogh, Dal\u00ed, chocolate, cores, texturas, a beleza ao redor, a estupidez ao redor, sa\u00fade mental, entre muitas outras coisas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda tem elementos de estilos distintos, mas diria que se enquadra, essencialmente, na categoria rock. Como voc\u00eas percebem o cen\u00e1rio do g\u00eanero, seja local ou de forma mais ampla geograficamente, hoje em dia? Consideram que h\u00e1 diversidade?<\/strong><br \/>\nLucas Bramont \u2014 Essa \u00e9 f\u00e1cil e dif\u00edcil de responder. F\u00e1cil porque sim, h\u00e1 uma infinidade de vertentes dentro do rock e, portanto, h\u00e1 diversidade e isso \u00e9 um fato. E dif\u00edcil porque, apesar de o rock ser um g\u00eanero indiscutivelmente importante, me parece que aqui no Brasil ele anda sem moral e explicitamente exclu\u00eddo. Parece-me que de uns tempos para c\u00e1 ele foi sendo abafado, retirado de cena e sumiu para ficar restrito ao \u201cte vira na internet!\u201d. Algo como um vulc\u00e3o enfraquecido, mas sempre na imin\u00eancia de entrar em erup\u00e7\u00e3o novamente (s\u00f3 que n\u00e3o d\u00e1 sinais concretos h\u00e1 um bom tempo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Plural tem tr\u00eas sons nas plataformas de \u00e1udio, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC7up2akshCJCjHYVqDUsJrA\/videos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mas bem mais v\u00eddeos (mesmo que para alguns sons repetidos) dispon\u00edveis<\/a>. Esse cuidado com o audiovisual tem a ver com o trampo do Lucas na 18 Filmes, o que poderia at\u00e9 facilitar as produ\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nLucas Bramont \u2014 Definitivamente! \u00c9 um facilitador extremo nesse quesito. A nossa produ\u00e7\u00e3o audiovisual se deve quase que exclusivamente a esse detalhe. N\u00e3o apenas por encurtar o caminho entre banda e produtora, mas tamb\u00e9m por eu carregar os pap\u00e9is de guitarrista\/ compositor\/ roteirista\/ editor\/ diretor. Assim, acabo compreendendo\/ traduzindo\/ realizando as ideias de maneira mais efetiva e assertiva. Ent\u00e3o, a facilidade n\u00e3o passa apenas por quest\u00f5es de equipamento e opera\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o do projeto a ser executado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos fazer uma brincadeira com os t\u00edtulos de algumas faixas, n\u00e3o necessariamente envolvendo o contexto original das letras. Mas sim, pegando o nome e aplicando em alguma situa\u00e7\u00e3o mais ampla. Tipo: O que proporciona \u2018paz e harmonia\u2019 para voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nNossa independ\u00eancia. Tamb\u00e9m o luxo de se dar tempo para fazer m\u00fasica e o luxo de ter momentos de tranquilidade fazendo o que gostamos e estando com quem gostamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A \u2018vida \u00e9 curta\u2019, ent\u00e3o\u2026<\/strong><br \/>\n\u00c9 preciso arriscar e n\u00e3o ter arrependimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ser Plural \u00e9?<\/strong><br \/>\nSer quem se \u00e9 e valorizar a si mesmo, respeitando quem o outro \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando \u2018coisas tolas\u2019 fazem bem e quando fazem mal?<\/strong><br \/>\nFazem mal quando se d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o e elas ganham for\u00e7a. A aten\u00e7\u00e3o funciona como lente de aumento. Nesse caso algo pequeno pode tornar-se maior do que realmente \u00e9. Essa m\u00fasica fala disso, para darmos menos for\u00e7a aquilo que n\u00e3o nos agrega e abra\u00e7ar sem medo uma exist\u00eancia Plural e livre de f\u00f4rmas e f\u00f3rmulas prontas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Plural - Coisas Tolas (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gGdoZLf0CpA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Plural - Plural (Desplugado)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/czWv6R9n2gs?list=PLPX1DxjFZ-cUk-IzPETYAzaMJF9sn6aSg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Toda a banda tem suas singularidades, assim como cada indiv\u00edduo. Com a Plural n\u00e3o \u00e9 diferente. O nome, na verdade, \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o de que o trio de Porto Alegre preza pelo respeito \u00e0s individualidades que comp\u00f5em a diversidade da vida.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/09\/02\/entrevista-plural-um-trio-gaucho-para-se-prestar-atencao\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":62128,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5300],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62127"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62127"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62127\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62129,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62127\/revisions\/62129"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}