{"id":62093,"date":"2021-08-30T01:24:26","date_gmt":"2021-08-30T04:24:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=62093"},"modified":"2021-11-23T18:32:49","modified_gmt":"2021-11-23T21:32:49","slug":"entrevista-the-black-tones-nossa-musica-reflete-a-epoca-em-que-vivemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/30\/entrevista-the-black-tones-nossa-musica-reflete-a-epoca-em-que-vivemos\/","title":{"rendered":"Entrevista \u2014 The Black Tones: \u201cNossa m\u00fasica reflete a \u00e9poca em que vivemos\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Tissot<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apadrinhado por Jack Endino e Mike McCready (Pearl Jam), o duo The Black Tones \u00e9 uma das principais novidades do rock de Seattle em anos. Formada pelos g\u00eameos Eva e Cedric Walker \u2014 ela na guitarra e vocais, ele na bateria \u2014 a dupla se destaca por um combo de elementos que comp\u00f5em seu som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eva \u00e9 um talento nato e esbanja pot\u00eancia vocal. Sua voz entrela\u00e7ada com a guitarra minimalista e as batidas criativas e precisas do irm\u00e3o s\u00e3o o grande trunfo dos Black Tones. Apesar da capacidade pulmonar, no entanto, a cantora evita exageros na demonstra\u00e7\u00e3o de seus talentos \u2014 inclusive, diversas can\u00e7\u00f5es da dupla contam com prolongados trechos instrumentais, lembrando uma vers\u00e3o mais concisa da banda ga\u00facha Pata de Elefante, em certos momentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 agora, os Black Tones t\u00eam apenas um \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/1b9wq6uUN4Wu5JsCGBZCnh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cobain &amp; Cornbrea<\/a>d\u201d (2019) \u2014 o t\u00edtulo, segundo Eva, \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o resumida do som da banda, citando uma influ\u00eancia musical (o vocalista do Nirvana) e o tradicional p\u00e3o de milho da fam\u00edlia Walker. Produzido por Jack Endino, o disco traz pauladas como \u201cGhetto Spaceship\u201d, \u201cThe Key of Black (They Want Us Dead)\u201d e \u201cWelcome Mr. Pink\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os irm\u00e3os ainda lan\u00e7aram uma por\u00e7\u00e3o de singles, incluindo <a href=\"https:\/\/shop.pearljam.com\/products\/the-black-tones-where-do-we-go-now-b-w-the-devil-and-his-grandmother\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um compacto pelo selo do guitarrista do Pearl Jam<\/a>, com as faixas \u201cWhere Do We Go Now\u201d e \u201cThe Devil and his Grandmother\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste papo com Scream &amp; Yell, Eva e Cedric falam sobre a origem da dupla, a rotina dividida entre trabalhos \u201cnormais\u201d e a m\u00fasica, a cover de U2 gravada com McCready, Black Lives Matter e seus planos para o futuro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Black Tones featuring Mike McCready of Pearl Jam &quot;Pride (In the Name of Love)&quot; U2 Cover\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/unGMyVbld08?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pessoal, para come\u00e7ar a entrevista, por favor, me contem como voc\u00eas t\u00eam passado os \u00faltimos meses. Completamente vacinados e saud\u00e1veis, eu espero. De que forma a pandemia afetou o trabalho de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nEva: Sim, estamos definitivamente e completamente vacinados e esperamos nos manter saud\u00e1veis! Sabe, como muitos outros artistas, eu diria que o cancelamento dos shows foi o maior problema. Eu AMO tocar ao vivo, \u00e9 o que mais me deixa animada, mais do que as grava\u00e7\u00f5es e fazer v\u00eddeos. Tocar ao vivo \u00e9 onde coloco meu cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o poder fazer isso foi horr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cedric: Sim, estou totalmente vacinado e fazendo o melhor poss\u00edvel para me manter saud\u00e1vel. Foi realmente dif\u00edcil ver tantos shows serem cancelados. Est\u00e1vamos prestes a tocar pela primeira vez no South by Southwest, em Austin (Texas). Era algo que eu queria fazer h\u00e1 muito tempo. A pandemia nos for\u00e7ou a ser criativos para encontrar maneiras de mostrar nosso trabalho. Fizemos o poss\u00edvel para continuar tocando, muitas lives e v\u00eddeos pr\u00e9-gravados. Tenho certeza de que tem sido um per\u00edodo interessante para todos os artistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi que voc\u00eas lan\u00e7aram alguns singles em 2020. Essas m\u00fasicas foram escritas e gravadas durante o per\u00edodo de lockdown ou j\u00e1 estavam prontas antes da pandemia chegar?<\/strong><br \/>\nEva: Duas dessas can\u00e7\u00f5es, que foram lan\u00e7adas pelo Mike McCready (Pearl Jam) no selo dele, <a href=\"https:\/\/shop.pearljam.com\/collections\/hockeytalkter\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">HockeyTalkter<\/a>, foram gravadas um pouco antes do lockdown. No dia do lan\u00e7amento, tivemos um grande show na loja de discos Easy Street Records, aqui em Seattle, e estava lotado. Esse foi nosso \u00faltimo show, porque dois dias depois, o lockdown come\u00e7ou. O single \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/12CW1rEmNDOz7pxKkPk2J9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">My Name\u2019s Not Abraham Lincoln<\/a>\u201d foi a \u00fanica faixa gravada durante o lockdown, e \u00e9 nossa m\u00fasica estilo \u201csaloon do velho oeste\u201d sobre a falta de representatividade de pessoas negras, e como isso contribui para estere\u00f3tipos dos negros at\u00e9 os dias de hoje. Ela foi escrita pouco depois do assassinato de George Floyd.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Black Tones - My name&#039;s not Abraham Lincoln - Live on Band in Seattle\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jr9QphrGTIU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas t\u00eam planos de lan\u00e7ar novas m\u00fasicas em 2021? D\u00e1 para a gente esperar por uma sequ\u00eancia de \u201cCobain &amp; Cornbread\u201d? Ou v\u00e3o apenas tocar ao vivo?<\/strong><br \/>\nEva: Sabe, eu realmente vou levando um dia ap\u00f3s o outro. Se um disco completo sair de mim, ent\u00e3o a gente vai fazer um. Se n\u00e3o rolar, n\u00e3o rolou. Nunca for\u00e7o essas coisas. Posso fazer um disco inteiro em uma semana e depois ficar um ano sem compor nada. S\u00f3 quero que seja aut\u00eantico. Definitivamente vamos voltar a tocar ao vivo assim que a pandemia nos permitir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cedric: Concordo totalmente com a Eva nesse ponto. Se sair algo, \u00f3timo. Mas for\u00e7ar uma situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 totalmente descartado. Estou mais animado com a possibilidade de voltarmos a tocar ao vivo novamente. Espero que os shows possam continuar rolando, contanto que todos n\u00f3s fa\u00e7amos nossa parte para combater essa pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Me contem um pouco sobre como a banda come\u00e7ou. Li que, no come\u00e7o, a Eva estava meio que desenvolvendo sua carreira musical em segredo, e depois que o Cedric a viu tocando pela primeira vez, aprendeu a tocar bateria para formar uma banda. \u00c9 verdade?<\/strong><br \/>\nEva: O Cedric veio me ver tocar depois que eu finalmente decidi convidar a fam\u00edlia para uma apresenta\u00e7\u00e3o. Eu ficava muito nervosa de ter que tocar na frente deles quando eu estava come\u00e7ando, mas quando finalmente me senti confiante o suficiente para deix\u00e1-los me ouvir, eu os convidei. Eu e o Cedric somos muito pr\u00f3ximos, t\u00e3o pr\u00f3ximos quanto irm\u00e3os g\u00eameos podem ser, e nem mesmo ele sabia que eu podia cantar e tocar guitarra. Ele me falou, depois de uma apresenta\u00e7\u00e3o, que ele queria me apoiar, me acompanhar tocando um instrumento, e perguntou se eu podia ensin\u00e1-lo a tocar bateria, ent\u00e3o eu o fiz. A banda n\u00e3o existiria sem o Cedric investir em mim e nas minhas can\u00e7\u00f5es. Ele \u00e9 a principal raz\u00e3o pela qual isso tudo come\u00e7ou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cedric: Sim! A Eva andava cantando desde o colegial mas n\u00e3o tinha contado pra ningu\u00e9m na nossa fam\u00edlia ainda. Eu sabia que ela tocava guitarra, mas o que me surpreendeu foi quando eu tive a chance de ouvi-la cantar pela primeira vez. Ela tinha essa voz absolutamente incr\u00edvel que me comoveu muito. Ela realmente me colocou sob as asas e me moldou para ser seu baterista (ela tem tanto talento que consegue fazer de tudo), o baterista dos Black Tones!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como come\u00e7ou a rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas com a m\u00fasica? Sempre tiveram gostos musicais parecidos? Ou a dupla \u00e9 mais uma combina\u00e7\u00e3o de estilos diferentes?<\/strong><br \/>\nEva: A minha rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica come\u00e7ou quando eu era muito jovem. Pelo que me lembro, eu ouvia m\u00fasica em tudo \u2014 motores de carro, trens, sopradores de folhas, at\u00e9 nos sistemas de ventila\u00e7\u00e3o. Sempre conseguia ouvir alguma coisa musical vindo de sons aleat\u00f3rios. Minha irm\u00e3 sempre tocava muitos discos da nossa m\u00e3e e dan\u00e7\u00e1vamos e cant\u00e1vamos no quarto de cima, eu, ela e o Cedric. Me lembro especialmente dela nos apresentar o som do 5th Dimension. Ela tinha que fazer um trabalho da escola no qual ela precisava memorizar a declara\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia, ent\u00e3o ela colocava \u201cThe Declaration\u201d, do 5th Dimension, para tocar no modo \u201crepeat\u201d e aprendemos com ela. Al\u00e9m disso, \u00e9ramos crian\u00e7as dos anos 90, ent\u00e3o o que nossos irm\u00e3os estavam assistindo na MTV, a gente via junto. Foi assim que descobri minha primeira hero\u00edna do rock, Alanis Morrisette (que tamb\u00e9m \u00e9 uma g\u00eamea). O \u201cJagged Little Pill\u201d foi a primeira fita que eu comprei com meu pr\u00f3prio dinheiro. Eu gastei aquela fita de tanto ouvir todos os dias, v\u00e1rias vezes! Minha irm\u00e3 tamb\u00e9m foi a primeira pessoa a investir em mim como cantora. Ela sabia que eu queria cantar e me fazia cantar junto com m\u00fasicas da Selena Quintanilla e da Erykah Badu. No colegial, conheci o rock cl\u00e1ssico, tipo Led Zeppelin, The Doors, Rolling Stones, The Who, U2, Pink Floyd (que estou ouvindo agora, enquanto respondo). Minha m\u00e3e percebeu meu interesse e comprou CDs de grandes sucessos dessas bandas. A minha m\u00e3e era muito boa em nos encorajar a explorar nossos interesses. Ela sempre deu muito apoio a seja l\u00e1 o que for que estiv\u00e9ssemos a fim de conhecer. Minha maior influ\u00eancia nesse per\u00edodo foi Jimi Hendrix. Por meio do rock cl\u00e1ssico, descobri o blues, porque aprendi que todos esses caras do rock foram inspirados pelo blues negro americano. Ent\u00e3o me aprofundei no blues, como Muddy Waters, Robert Johnson e Son House. Hoje em dia, posso dizer que amo praticamente tudo. Meus artistas favoritos no momento s\u00e3o Zazou Bikaye, Kraftwerk, Herb Alpert, S\u00e9rgio Mendes e Public Enemy, assim como uma descoberta que fiz h\u00e1 alguns anos: afro rock e m\u00fasica psicod\u00e9lica dos anos 70 nigerianos e rock zambiano. Bandas como The Funkees, Witch e Ify Jerry Krusade, para citar alguns poucos. Amo m\u00fasica country, ragtime piano, \u00f3pera, m\u00fasica cl\u00e1ssica, jazz, rap, pop, literalmente tudo. N\u00e3o gosto de todas as can\u00e7\u00f5es, mas consigo encontrar algo que goste em praticamente todos os g\u00eaneros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cedric: A minha rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica foi um pouco diferente da Eva no come\u00e7o. Eu amava ouvir R&amp;B dos anos 80 e 90, tamb\u00e9m amava rap. S\u00f3 comecei a curtir rock quando me tornei f\u00e3 de luta livre (risos). Eu assistia o pay per view de luta livre e sempre rolavam can\u00e7\u00f5es-tema que eram cl\u00e1ssicos do estilo. Quando chegou a \u00e9poca do colegial, eu e a Eva divid\u00edamos um quarto no apartamento onde mor\u00e1vamos com nossa m\u00e3e. Ela colocava rock cl\u00e1ssico pra tocar e eu comecei a me interessar. Lembro que todos os dias ela colocava o mesmo CD do U2 pra ouvir antes de dormir. Nos fins de semana eu ouvia um programa de r\u00e1dio numa esta\u00e7\u00e3o local chamado Lunch with Led (Zeppelin). Tamb\u00e9m tinha um programa chamado Think Pink (Floyd)! Quando percebi, meus horizontes musicais haviam se expandido muito. Como a Eva comentou, tamb\u00e9m t\u00ednhamos irm\u00e3os mais velhos, nossa m\u00e3e e av\u00f3s que ouviam as m\u00fasicas que eles gostavam ao nosso redor e tenho certeza que isso nos influenciou de alguma forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas conseguem viver apenas da m\u00fasica, com tudo que est\u00e1 rolando no mundo hoje? Ou ainda t\u00eam empregos fora da banda?<\/strong><br \/>\nEva: Estou totalmente envolvida com m\u00fasica em todas as minhas atividades. Seja me apresentando ou como curadora. Quando n\u00e3o estou tocando nos Black Tones, sou apresentadora na KEXP [lend\u00e1ria r\u00e1dio de Seattle]. Apresento um dos programas mais longevos do r\u00e1dio no noroeste, o Audioasis. \u00c0s vezes apare\u00e7o em outros programas da r\u00e1dio, especialmente o Midday Show, que normalmente \u00e9 apresentado pela Cheryl Waters [conhecida pelo programa Live on KEXP, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/c\/kexp\/videos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cujas grava\u00e7\u00f5es s\u00e3o um sucesso no YouTube<\/a>].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cedric: Ganhamos uma graninha aqui e ali com os Black Tones, mas tamb\u00e9m tenho meu trabalho na Amazon. Atualmente trabalho no Amazon Prime Air e \u00e9 algo que gosto de fazer tamb\u00e9m. A maior parte das pessoas com quem trabalho diz que se tivessem a chance de transformar sua paix\u00e3o em seu trabalho em tempo integral, elas o fariam. E eu tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, quem sabe? Um dia poderei me tornar m\u00fasico em tempo integral.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Black Tones - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/szOQRFxGOkk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas trabalharam com o Jack Endino no seu primeiro \u00e1lbum. Por que o escolheram como produtor? Quer dizer, \u00e9 \u00f3bvio que ele \u00e9 uma lenda, mas h\u00e1 algo espec\u00edfico que voc\u00eas estavam buscando \u2014 um determinado som ou algu\u00e9m que entendesse as ideias da banda, quem sabe? Trabalhariam com ele novamente?<\/strong><br \/>\nEva: Muitas pessoas nos recomendaram o Jack e \u00e9 claro que eu conhecia o trabalho dele e adorava. A forma como chegamos a ele foi por meio do meu ent\u00e3o namorado, hoje marido, Jake. Ele mandou uma de nossas can\u00e7\u00f5es para o Jack sem eu saber, e a resposta foi \u201cporra, o que eu n\u00e3o gravaria com uma banda dessas!\u201d. Quando o Jake me contou o que tinha feito e a resposta do Jack, falei: \u201cOk! Vamos trabalhar com ele, ent\u00e3o!\u201d. \u00c9 \u00f3timo trabalhar com o Jack. V\u00ea-lo em a\u00e7\u00e3o \u00e9 como ver um qu\u00edmico atr\u00e1s da mesa de som. Ele \u00e9 t\u00e3o humilde, apesar de todo o trabalho incr\u00edvel que j\u00e1 realizou. Ele realmente se importa com o projeto em que est\u00e1 envolvido no momento. Seja trabalhando com o Soundgarden ou um cantor\/compositor local. Ele entrega um trabalho de qualidade e se esfor\u00e7a da mesma forma. Recentemente trabalhamos com outro produtor igualmente incr\u00edvel, Don Farwell, do Earwig Studios. Tamb\u00e9m trabalhamos com o Barrett Martin [ex-baterista de Mad Season, Nando Reis e Screaming Trees]. Nosso amigo Mason Lowe produziu duas das can\u00e7\u00f5es do \u201cCobain &amp; Cornbread\u201d, \u201cChubby &amp; Tubby\u201d e \u201cWelcome Mr. Pink\u201d. Seattle tem muitos produtores incr\u00edveis e engenheiros que tamb\u00e9m s\u00e3o pessoas \u00f3timas. Continuaremos trabalhando com todos eles no futuro e, se conhecermos algu\u00e9m legal, teremos oportunidade de fazer algo tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cedric: Foi uma grande honra trabalhar e conhecer Jack Endino. Como a Eva mencionou, meu cunhado quebrou um galho pra gente e enviou uma de nossas can\u00e7\u00f5es pro Jack. Quando a Eva me disse que ele queria gravar a gente, nem tivemos que pensar a respeito. Ele \u00e9 um mestre no que faz na mesa de som e sempre abre espa\u00e7o para o artista ser criativo e, ao mesmo tempo, d\u00e1 \u00f3timos conselhos sobre o que adicionar ou at\u00e9 mesmo retirar das m\u00fasicas. Sua humildade diante da grandeza do que ele oferece em cada trabalho realizado \u00e9 admir\u00e1vel e algo em que me espelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sua fam\u00edlia \u00e9 originalmente da Louisiana, mas voc\u00eas s\u00e3o nascidos e criados em Seattle, certo? Qual a influ\u00eancia da cidade no som de voc\u00eas? Quer dizer, d\u00e1 pra ouvir um pouquinho de Jimi Hendrix e um pouquinho de grunge nas m\u00fasicas. Mas tamb\u00e9m tem um sabor de m\u00fasica sulista, blues e gospel. Todas as influ\u00eancias surgiram naturalmente ou voc\u00eas tentam conscientemente incorporar esses estilos?<\/strong><br \/>\nEva: Nossa casa era muito musical, sempre tinha algo tocando. Meus av\u00f3s adoravam jazz, blues e big bands. Minha m\u00e3e curtia soul, R&amp;B, pop e jazz dos anos 70. Tudo isso foi parte da jornada para chegarmos ao que criamos hoje. Comecei a curtir m\u00fasica gospel quando estava explorando grava\u00e7\u00f5es de blues antigas. Quando aprendi sobre a influ\u00eancia que o blues e o gospel tiveram no rock n\u2019 roll, me aprofundei ainda mais. Havia algo ali que soava nost\u00e1lgico e fazia eu me sentir em casa. Crescemos indo \u00e0 igreja duas vezes por semana, mas n\u00e3o igrejas batistas ou aquelas que tinham corais de soul. \u00c9ramos cat\u00f3licos, ent\u00e3o a m\u00fasica era mais calma. Eu gostava de algumas delas. Mas \u00e0s vezes \u00edamos a outras igrejas que tinham bandas e corais gospel e lembro de am\u00e1-los! Sinto que as influ\u00eancias musicais podem vir de qualquer lugar, at\u00e9 mesmo de fontes n\u00e3o musicais. J\u00e1 me inspirei at\u00e9 pela est\u00e9tica da casa de meus av\u00f3s, onde crescemos. O dialeto sulista que meus av\u00f3s ainda usavam e a culin\u00e1ria sulista que com\u00edamos diariamente. Ser criado por sulistas no noroeste dos Estados Unidos cria uma esp\u00e9cie de h\u00edbrido entre alimentar a alma e a vontade de se rebelar. Gosto de pedir para as pessoas imaginarem como \u00e9 comer feij\u00f5es vermelhos e arroz, enquanto usa botas e flanela e Cobain est\u00e1 cantando ao fundo. Ou bater cabe\u00e7a enquanto come gumbo [sopa t\u00edpica da cultura Cajun da Louisiana]. Tudo isso parecia muito natural e correto. Nossa m\u00fasica \u00e9 apenas uma reflex\u00e3o dessas experi\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 o papel da religi\u00e3o na m\u00fasica de voc\u00eas? Foi essa a raz\u00e3o de terem gravado \u201cRivers of Jordan\u201d, do Jaybird Coleman?<\/strong><br \/>\nEva: Eu canto sobre Jesus em mais can\u00e7\u00f5es do que pensei que faria. Como falei antes, fomos criados como cat\u00f3licos e, \u00e0s vezes, gosto de endere\u00e7ar isso na m\u00fasica. Eu amo, amo, amo m\u00fasica gospel. A paix\u00e3o, os instrumentos, o trabalho vocal, tudo. N\u00e3o sou mais uma pessoa religiosa, mas minha can\u00e7\u00e3o favorita de todos os tempos por acaso \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o religiosa chamada \u201cJudgment\u201d, da Rev. Sister Mary Nelson. Ouvi \u201cRivers of Jordan\u201d pela primeira vez mais ou menos na mesma \u00e9poca em que ouvi \u201cJudgment\u201d, e me apaixonei pela can\u00e7\u00e3o. Eu estava come\u00e7ando a aprender a tocar harm\u00f4nica e aprender essa can\u00e7\u00e3o se tornou um objetivo imediato. Eu adorava o trabalho de harm\u00f4nica e a mensagem hist\u00f3rica de cruzar o rio da Jord\u00e2nia, que representa libertar-se da opress\u00e3o e da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tina Bell | The Woman Who Invented Grunge\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RKDyW3VtcT0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos \u00faltimos anos, Tina Bell tem sido meio que \u201credescoberta\u201d pelos jornalistas de m\u00fasica. Qual sua vis\u00e3o sobre o trabalho dela como uma influ\u00eancia ou at\u00e9 mesmo como \u201cfundadora\u201d do grunge? E por que voc\u00ea acha que ela foi \u201capagada\u201d da hist\u00f3ria da m\u00fasica de Seattle por tantos anos?<\/strong><br \/>\nEva: Acho a Tina Bell incr\u00edvel! Nem acredito que ela tenha sido real, \u00e0s vezes, mas ela com certeza existiu. \u00c9 a mesma raz\u00e3o pela qual muitas pessoas negras s\u00e3o apagadas da hist\u00f3ria como influenciadoras. Racismo. Supremacia branca. Estere\u00f3tipos. A lista \u00e9 longa. Tem uma narrativa que os Estados Unidos querem manter a respeito de pessoas negras. N\u00e3o nos ver como indiv\u00edduos e, especialmente, n\u00e3o em um g\u00eanero musical que agora \u00e9 dominado por pessoas brancas. Porra, muitos de n\u00f3s nem sabiam ou se davam conta<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/08\/as-verdadeiras-rainhas-do-rock-n-roll\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> que uma mulher negra havia inventado o rock n\u2019 roll<\/a>, at\u00e9 poucos anos atr\u00e1s. Historicamente, a narrativa e a miss\u00e3o do pa\u00eds tem sempre sido celebrar e dar cr\u00e9dito a pessoas brancas. \u00c9 por isso que a recente onda de informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas a respeito de quem inventou essas coisas \u00e9 t\u00e3o chocante para muita gente. Eles nunca esperavam que tivesse sido a gente, porque essa nunca foi a narrativa e nem uma prioridade no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algumas de suas can\u00e7\u00f5es t\u00eam longos trechos instrumentais, com poucos vocais ou at\u00e9 mesmo nenhum. De onde vem essa caracter\u00edstica?<\/strong><br \/>\nEva: Nem sempre tenho o que dizer, vocalmente, em uma can\u00e7\u00e3o. N\u00e3o acredito na ideia de ocupar espa\u00e7o em uma m\u00fasica com vocais apenas por ter vocais, ou porque se pensa que toda can\u00e7\u00e3o precisa ter letra. \u00c0s vezes os pr\u00f3prios instrumentos t\u00eam mais a dizer. Eu toco o que amo e o que sinto, e \u00e0s vezes isso n\u00e3o depende de palavras. Eu adoro m\u00fasica instrumental. Acho que os anos 70 foram uma das melhores d\u00e9cadas para a m\u00fasica. Adoro como Kraftwerk, Pink Floyd, Miles Davis, Herb Alpert e muitos outros criaram can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o dependiam de palavras \u2014 fossem apenas algumas ou todas elas. Fela Kuti era o rei de manter um groove consistente por uns bons 10 minutos antes de cantar qualquer coisa. Se \u00e9 o que voc\u00ea est\u00e1 sentindo, manda ver. Se n\u00e3o est\u00e1 quebrado, n\u00e3o tente consertar. \u00c0s vezes uma can\u00e7\u00e3o soa melhor e pode te levar a uma jornada completamente diferente se o vocalista simplesmente calar a boca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eva, e quanto ao seu medo de aranhas, que inspirou a letra de &#8220;Mama! There&#8217;s a Spider in my Room&#8221;? A can\u00e7\u00e3o narra um evento real? O que aconteceu com a pobrezinha da aranha?<\/strong><br \/>\nEva: Eu realmente n\u00e3o gosto de aranhas. Tenho medo delas desde que era uma garotinha. N\u00e3o lembro de uma \u00e9poca em que elas n\u00e3o me assustavam. Escrevo can\u00e7\u00f5es sobre temas que me deixam feliz, triste, intrigada, assustada etc. Aranhas me assustam. Embora eu sinta que o meu medo diminuiu ligeiramente (muito ligeiramente) \u00e0 medida que envelheci. Consigo lidar com aquelas bem pequeninas, se vir uma. Mas, no geral, eca! N\u00e3o as suporto. Acho que um t\u00edtulo mais apropriado teria sido \u201cCedric! There\u2019s a Spider in my Room\u201d, j\u00e1 que ele matou a maioria das aranhas pra mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Me contem um pouco da rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas com o Mike McCready, do Pearl Jam. Como voc\u00eas contaram, voc\u00eas gravaram um single de 7 polegadas para o selo dele. Como voc\u00eas se conheceram?<\/strong><br \/>\nEva: Mike \u00e9 um cara t\u00e3o legal! Ele \u00e9 um apoiador dos m\u00fasicos locais aqui em Seattle e \u00e9 uma grande honra ter o suporte dele. Recebi um e-mail do empres\u00e1rio dele uns dois anos atr\u00e1s dizendo que o Mike tinha assistido nossa apresenta\u00e7\u00e3o em um programa de TV chamado Band in Seattle, e falando sobre como ele havia ficado impressionado e queria lan\u00e7ar nossas m\u00fasicas pelo seu selo. Fiquei bem surpresa, porque a gente nunca sabe quem assiste, presta aten\u00e7\u00e3o ou se importa com o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo. Ent\u00e3o, \u00e9 claro que dissemos \u201cpode crer\u201d, e escrevemos e gravamos duas faixas \u2014 \u201cThe Devil and His Grandmother\u201d, batizada em homenagem a um conto de fadas dos Irm\u00e3os Grimm, e \u201cWhere Do We Go Now\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E ele tamb\u00e9m tocou na cover que voc\u00eas fizeram para \u201cPride (In the Name of Love)\u201d, do U2. Como surgiu a ideia de fazer uma vers\u00e3o dessa m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nFomos convidados pelo SMASH, uma organiza\u00e7\u00e3o que oferece suporte \u00e0 sa\u00fade de m\u00fasicos aqui em Seattle. Eles estavam organizando uma a\u00e7\u00e3o beneficente e queriam que m\u00fasicos colaborassem em can\u00e7\u00f5es com o tema \u201cesperan\u00e7a\u201d. A m\u00fasica em que pensei imediatamente foi \u201cPride (In the Name of Love)\u201d, do U2, uma faixa que eles escreveram a respeito do Dr. Martin Luther King Jr. Uns meses antes disso, ficamos hospedados no Lorraine Motel, em Memphis (Tennessee), que \u00e9 onde ele foi assassinado em 1968, e agora \u00e9 o Museu dos Direitos Civis. Ent\u00e3o, a can\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava na minha cabe\u00e7a h\u00e1 algum tempo, e eu sonhava em fazer uma vers\u00e3o dela desde quando ainda estava na escola. Da\u00ed, entramos em contato com o Mike, que alegremente aceitou colaborar na grava\u00e7\u00e3o. Falamos por telefone e ele \u00e9 um cara muito legal e p\u00e9 no ch\u00e3o. O que me deixou com l\u00e1grimas nos olhos foi quando ele me disse, \u201ca primeira vez que ouvi a can\u00e7\u00e3o de voc\u00eas, \u2018The Key of Black\u2019, fiquei sem palavras\u201d. A\u00ed est\u00e1 um homem que \u00e9 parte do Rock N\u2019 Roll Hall of Fame, conquistou tudo que h\u00e1 para se conquistar no mundo da m\u00fasica, querendo trabalhar com a gente, expressando sua admira\u00e7\u00e3o pelo que fazemos e nos encorajando. Isso realmente faz a gente se sentir validado, mesmo sendo uma banda menor, local e independente. Faz a gente sentir que \u00e9 parte do mundo da m\u00fasica e que tem algo a dizer que \u00e9 t\u00e3o importante quanto a mensagem de uma mega estrela. Esse ser\u00e1 sempre um dos momentos mais memor\u00e1veis da minha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algumas de suas letras t\u00eam forte conte\u00fado pol\u00edtico, especialmente no que tange quest\u00f5es como racismo, viol\u00eancia policial e outros temas. Contem um pouco de suas a\u00e7\u00f5es como ativistas, quais as principais causas que apoiam e como os f\u00e3s podem se envolver.<\/strong><br \/>\nEva: <a href=\"http:\/\/ite\/2015\/08\/05\/docs-salinger-artigas-e-nina-simone\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-wplink-url-error=\"true\">Nina Simone<\/a> costumava dizer que o trabalho de um artista \u00e9 refletir os tempos atuais. E \u00e9 isso que fazemos. N\u00e3o podemos fingir que as quest\u00f5es de hoje n\u00e3o est\u00e3o nos afetando, ou afetando as pessoas que se parecem com a gente. Nosso ativismo aparece em algumas de nossas m\u00fasicas. Outra parte dele \u00e9 financeira. J\u00e1 doamos dinheiro que ganhamos em shows ou can\u00e7\u00f5es para escolas de m\u00fasica, solicitando que o montante fosse diretamente direcionado ao ensino de estudantes negros. No ano passado, pegamos o or\u00e7amento da banda e compramos presentes de Natal para fam\u00edlias negras, algo que gostar\u00edamos de voltar a fazer todos os anos. Tamb\u00e9m temos um game em que voc\u00ea pode lutar contra grupos de \u00f3dio jogando com dois personagens, eu ou Cedric, em <a href=\"http:\/\/www.theywantusdead.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.theywantusdead.com<\/a> [o game s\u00f3 funciona nos Estados Unidos].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cedric: Como Eva disse, estamos apenas tentando refletir a \u00e9poca em que vivemos. Desde doar dinheiro e presentes de Natal, at\u00e9 nos tornarmos membros da diretoria do Keep Music Live aqui no estado de Washington, tentamos ajudar onde podemos. Tamb\u00e9m tive a honra de me unir e atuar em um projeto para o Black Music Collective for the Pacific Northwest Chapter, da associa\u00e7\u00e3o do Grammy.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No ano passado, quando o Black Lives Matter explodiu nos Estados Unidos, Jeff Tweedy (Wilco) lan\u00e7ou um comunicado com uma proposta para criar um programa que permitiria a compositores compartilharem um percentual de seus lucros com organiza\u00e7\u00f5es de suporte a comunidades negras. Isso \u00e9 algo que realmente pode fazer a diferen\u00e7a? O que mais sugeririam a artistas brancos interessados em dar apoio a causas antirracistas?<\/strong><br \/>\nEva: Isso \u00e9 algo muito legal e um passo na dire\u00e7\u00e3o certa. Acho que apoiar neg\u00f3cios de pessoas negras \u00e9 \u00f3timo, j\u00e1 que, historicamente, a competi\u00e7\u00e3o nunca foi justa. Al\u00e9m do dinheiro, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante, assim como o acesso a oportunidades. Acho que algo que as pessoas brancas deveriam fazer \u00e9 ter conversas dif\u00edceis com outras pessoas brancas sobre o que precisa mudar em rela\u00e7\u00e3o ao condicionamento inerente a muita gente neste pa\u00eds. Dar cr\u00e9dito onde o cr\u00e9dito \u00e9 devido, para fazer com que o cen\u00e1rio dos trabalhadores em cada empresa e at\u00e9 mesmo o dos l\u00edderes dessas empresa seja mais inclusivo. Oferecer suporte \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as de cor, demandar melhores escolas e acabar com esse t\u00fanel \u201cda escola para a pris\u00e3o\u201d. Investir em comunidades de cor, ensinar sobre investimentos, mudar a forma como o pa\u00eds enxerga e desvaloriza pessoas negras. Somos negros, e \u00e9 isso o que temos em comum. Somos indiv\u00edduos diversos. N\u00e3o somos todos pobres, n\u00e3o viemos todos de favelas, n\u00e3o gostamos da mesma comida, m\u00fasica e roupas. Queremos ser vistos como indiv\u00edduos. Nos unimos quando vemos que estamos sendo assassinados nas ruas, mesmo estando desarmados, por ma\u00e7\u00e3s podres na aplica\u00e7\u00e3o da lei, e ningu\u00e9m acredita em n\u00f3s. Ou dizem, \u201cbem, eles s\u00e3o todos negros, tenho certeza que tiveram motivo\u201d. \u00c9 por isso que todos n\u00f3s, indiv\u00edduos negros, nos unimos para dizer parem com isso agora!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cedric: Concordo com o sentimento da Eva. Dar apoio a neg\u00f3cios de pessoas negras e ajudar as comunidades \u00e9 muito importante, e \u00e9 algo admir\u00e1vel de ver quando as pessoas tentam ajudar. Al\u00e9m disso, as conversas dif\u00edceis sobre ra\u00e7a e sobre os equ\u00edvocos cometidos em rela\u00e7\u00e3o a pessoas de cor precisam ser endere\u00e7adas. Podemos doar todo dinheiro do mundo \u00e0s pessoas, mas \u00e9 por meio da educa\u00e7\u00e3o que destravamos a porta do entendimento entre todos. Sem a educa\u00e7\u00e3o, abrimos muito espa\u00e7o para a ignor\u00e2ncia e \u00e9 isso que nos impede \u2014 como na\u00e7\u00e3o e, at\u00e9 mesmo, globalmente \u2014 de seguir em frente e de entender as culturas alheias. Empatia e compreens\u00e3o podem nos levar longe. Precisamos apenas aprender a aceitar essas duas qualidades acima da gan\u00e2ncia e da ignor\u00e2ncia. Seremos infinitamente ricos com uma sociedade mais emp\u00e1tica e compreensiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quanto ao Brasil? J\u00e1 receberam ofertas para vir tocar aqui? Gostariam de vir depois que nossa situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria melhorar? Adorar\u00edamos receb\u00ea-los!<\/strong><br \/>\nEva: N\u00e3o que eu saiba, mas cara, adoraria ir ao Brasil!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cedric: Acho que n\u00e3o recebemos nenhuma oferta, mas como a Eva disse, seria INCR\u00cdVEL ter a oportunidade de ir ao Brasil e tocar pra voc\u00eas!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Black Tones - Ghetto Spaceship (Official music video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/o_lVF7-iBIo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Black Tones In-Store at Easy Street Records on 3\/5\/20\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1VIpInLoyo4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SONGS\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PLPQL6zyGBRN1YHwhfNiCwSm4fI4exOhCw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Tissot (<a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.leonardotissot.com<\/a>) \u00e9 jornalista e produtor de conte\u00fado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Apadrinhado por Jack Endino e Mike McCready (Pearl Jam), o duo The Black Tones \u00e9 uma das principais novidades do rock de Seattle em anos. Formada pelos g\u00eameos Eva e Cedric Walker \u2014 ela na guitarra e vocais, ele na bateria \u2014 a dupla se destaca por um combo de elementos que comp\u00f5em seu som.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/30\/entrevista-the-black-tones-nossa-musica-reflete-a-epoca-em-que-vivemos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":63,"featured_media":62099,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5294],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62093"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62093"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62093\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62100,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62093\/revisions\/62100"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62099"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62093"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62093"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62093"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}