{"id":61982,"date":"2007-06-27T00:47:00","date_gmt":"2007-06-27T03:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=61982"},"modified":"2021-08-17T01:52:48","modified_gmt":"2021-08-17T04:52:48","slug":"entrevista-supercordas-fala-de-seres-verdes-ao-redor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/06\/27\/entrevista-supercordas-fala-de-seres-verdes-ao-redor\/","title":{"rendered":"Entrevista: Supercordas fala de &#8220;Seres Verdes ao Redor&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por Tiago Agostini<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles s\u00e3o do Rio de Janeiro e tem o caule em Paraty, mas tudo faria mais sentido se tivessem surgido em alguma cidade do interior de Minas Gerais. Supercordas, a banda congelada na d\u00e9cada de 60 e desperta em 2003, foi respons\u00e1vel por um dos grandes discos de 2006, &#8220;<a href=\"http:\/\/shroomrecords.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Seres Verdes ao Redor &#8211; M\u00fasica para Samambaias, Animais Rastejantes e Anf\u00edbios Marcianos<\/a>&#8220;. Gravado 20% nos est\u00fadios da Trama (a banda ganhou 36 horas de est\u00fadio ao vencer o concurso No Capricho, da revista de mesmo nome) e em casa, com microfones baratos e participa\u00e7\u00e3o especial de sapos, grilos e do vizinho paciente, o disco mistura psicodelia e cultura brasileira num rock rural cheio de nuances, algo como um S\u00e1, Rodrix &amp; Guarabira do p\u00e2ntano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo come\u00e7ou em 2003, quando os amigos Pedro Bonifrate e Diogo Valentino, morando na capital do estado do Rio de Janeiro, resolveram montar uma banda, sonho antigo da \u00e9poca em que moravam em Paraty. Junto com o baixista R\u00e9gis, surgiu o Supercordas. Em 2003 mesmo lan\u00e7am &#8220;A Pior das Alergias&#8221; e em 2005 o EP <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/10\/14\/tres-discos-headphone-supercordas-superphones\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;Sat\u00e9lites no Bar<\/a>&#8221; &#8211; este \u00faltimo com tem\u00e1tica espacial, nada pr\u00f3ximo do som que marcaria o grupo com &#8220;Seres Verdes&#8221;. At\u00e9 por isso os m\u00fasicos gostam de dizer que est\u00e3o no rock rural de passagem. No futuro, preveem discos menos fechados em um \u00fanico tema, mas fi\u00e9is a uma proposta est\u00e9tica, baseada em um olhar constante para o passado e para a tradi\u00e7\u00e3o musical, para o que de melhor se fez no rock mundial e nacional durante meio s\u00e9culo &#8211; Beatles, Beach Boys e Mutantes, pra ficar em tr\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De passagem por Florian\u00f3polis na mesma semana em que tocaram no projeto Supernovas, com Fernanda Takai, a banda conversou com o Scream &amp; Yell sobre o passado, presente e futuro, conspira\u00e7\u00f5es c\u00f3smicas e sobre o show com Fernanda, confiante nos rumos que tomam. Nas palavras de Bonifrate, &#8220;h\u00e1 um tempo a gente sabe que se souber dentro de n\u00f3s mesmo que o lance vai dar certo, simplesmente vai dar certo&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Supercordas  Seres Verdes Ao Redor 2006 FULL ALBUM\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qypHZVVqxS8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o inicio da banda?<\/strong><br \/>\nPedro Bonifrate: Eu era amigo do Diogo Valentino j\u00e1 h\u00e1 muito tempo, desde adolescente. Eu tava morando no Rio, ele ainda estava em Paraty e acabou indo pro Rio. Chegando l\u00e1, a gente come\u00e7ou a pensar em montar uma banda, eu tinha conhecido o R\u00e9gis (primeiro baixista do grupo) e a gente acabou fazendo o Supercordas. Naquela \u00e9poca n\u00e3o tinha bateria, s\u00f3 um discman com umas batidas programadas, ent\u00e3o \u00e0s vezes o CD arranhava, era na ra\u00e7a o neg\u00f3cio. E a\u00ed com o tempo a gente foi come\u00e7ando a ter mais estrutura e colocou o Filipe Giraknob na guitarra e o Cabelo Wakaplot na bateria. E agora o Caue entrou pra dar uma for\u00e7a nas guitarras, dar uma engordada no som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E de onde voc\u00eas tiram inspira\u00e7\u00e3o para as m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nBonifrate: De tudo, e principalmente de m\u00fasica mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diogo Valentino: Ao contr\u00e1rio dessas bandas que dizem &#8220;a gente n\u00e3o \u00e9 influenciado por m\u00fasica, s\u00f3 vemos filmes B antigos&#8221;, a gente escuta m\u00fasica mesmo. \u00c9 praticamente tudo cara, n\u00e3o d\u00e1 pra ter uma resposta objetiva sobre isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: \u00c9 tudo mesmo, porque tem uma galera dizendo que a gente \u00e9 muito rural, e toca rock rural, por causa desse disco, mas n\u00e3o \u00e9 o prop\u00f3sito. Foi s\u00f3 um disco que \u00e9 fechado neste conceito, mas a gente n\u00e3o \u00e9 uma banda de rock rural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: Na verdade nem \u00e9 t\u00e3o fechado nesse conceito, se voc\u00ea ouvir &#8220;Sobre o Calor&#8221;, ela fala de cigarros e sol, nadando feito estrelas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: \u00c9 uma letra urbana. E no fim, os seres verdes e isso tudo \u00e9 uma grande met\u00e1fora, e um pouco al\u00e9m da met\u00e1fora, pra falar de gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: De gente, de drogas, de amor&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: De coisas que passam na sua cabe\u00e7a enquanto voc\u00ea est\u00e1 dormindo, de tudo. &#8220;Seres Verdes&#8221; \u00e9 s\u00f3 um nome e as letras das m\u00fasicas tem essas refer\u00eancias rurais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 ser uma das 13 bandas que realmente importam no rock pela revista Bizz mesmo antes de lan\u00e7ar um disco?<\/strong><br \/>\nValentino: Eu acho que n\u00e3o \u00e9&#8230; aquilo foi muito aleat\u00f3rio, foi inven\u00e7\u00e3o deles. Acho que \u00e9 uma grande mentira. N\u00e3o tem como a gente saber. Se a gente fosse o Rolling Stones ai respondia em cinco linhas como \u00e9 essa sensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: Mas foi legal, sei l\u00e1, foi a primeira vez que a gente saiu numa revista de porte, e o cara que escreveu, o Cl\u00e1udio, acabou virando nosso amigo. Ele \u00e9 um cara legal pra caramba, e diz que n\u00e3o precisa nem pensar sobre o que a gente faz, ele escuta e j\u00e1 diz sobre o que a gente t\u00e1 falando. D\u00e1 at\u00e9 vontade de colocar ele pra dar as entrevistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas sair na Bizz mudou alguma coisa no reconhecimento de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nBonifrate: Foi o primeiro passo, a\u00ed come\u00e7aram a acontecer coisas. Teve o concurso da Capricho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: N\u00e3o d\u00e1 pra saber se foi um acaso e v\u00e1rias coisas aconteceram ao mesmo tempo ou se uma coisa levou \u00e0 outra. Mas foi tudo mais ou menos ao mesmo tempo. A Bizz era, na \u00e9poca, a \u00fanica revista de porte que falava de m\u00fasica em geral, que n\u00e3o fosse espec\u00edfica como a Guitar Player.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: E foi mais ou menos na mesma \u00e9poca em que chamaram a gente pro Bananada, e as portas foram abrindo. A gente come\u00e7ou a fazer mais shows e logo depois come\u00e7ou a gravar o disco. Com o disco pronto ficou melhor ainda, tinha um produto legal pra divulgar, e ai a coisa foi crescendo. Acho que o segundo grande passo est\u00e1 sendo agora mesmo, a gente ta aparecendo na TV e tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: Eu quero saber qual o terceiro grande passo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>E voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam ideia nem planos do que seria este terceiro grande passo?<\/b><br \/>\nBonifrate: N\u00e3o, a gente s\u00f3 sabe que tudo vai dar certo porque, h\u00e1 um tempo j\u00e1 a gente sabe que se souber dentro de n\u00f3s mesmo que o lance vai dar certo, simplesmente vai dar certo. Porque o universo \u00e9 feito de teias de conex\u00f5es harm\u00f4nicas entre absolutamente tudo que existe. Tudo \u00e9 por acaso, mas o acaso \u00e9 o pr\u00f3prio Deus e senhor de toda exist\u00eancia, do acaso vem toda a harmonia do Cosmos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Supercordas - Rurad\u00e9lica\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3haJJ80dfwg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No \u00faltimo disco voc\u00eas fizeram arranjos mais org\u00e2nicos, mais ac\u00fasticos, tem bastante diferen\u00e7a entre o single de &#8220;Rurad\u00e9lica&#8221; e o disco em si.<\/strong><br \/>\nBonifrate: Primeiro que a gente tinha mais recursos, os outros discos foram feitos em casa, com gravador de fita, com batida eletr\u00f4nica, n\u00e3o tinha como gravar bateria. E por isso, mesmo sendo em fita, acho que eles soam mais el\u00e9tricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: \u00c9, e tem a tem\u00e1tica abordada, principalmente no segundo, &#8220;Sat\u00e9lites no Bar&#8221;, que a ideia era ser meio espacial mesmo. Ent\u00e3o a gente procurou esse som, mesmo com uma mega falta de recursos e uma mega falta de capacidade timbr\u00edstica de saber exatamente o que quer\u00edamos. A gente simplesmente fazia e sabia que o que estava sendo feito casava com o que a gente queria, n\u00e3o \u00e9 porque a gente pensou &#8220;precisa desse pedal porque vai fazer isso, e a guitarra tem que ser assim assado&#8221;. A gente fazia, soava bem e era o jeito que sa\u00eda. O &#8220;Seres Verdes&#8221; veio mais num esquema de can\u00e7\u00f5es com viol\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: E com o computador voc\u00ea pode gravar quantos canais quiser, ent\u00e3o a gente fica meio descontrolado e sem limites. &#8220;Vamos colocar um cravo aqui nessa parte, tr\u00eas vocais harmonizando&#8221;. Se pudesse a gente colocava duas baterias. E na verdade nossa meta sempre foi esse excesso de coisas, a gente s\u00f3 n\u00e3o fez nos EPs anteriores porque n\u00e3o tinha como. Eu imagino que vai chegar um ponto em que a gente vai querer fazer mais simples, com menos elementos e tentar fazer com que um canal de guitarra preencha toda a m\u00fasica em vez de colocar mil coisas. Hoje em dia a gente n\u00e3o se controla muito, n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o concurso da Capricho foi essencial para voc\u00eas fazerem o disco?<\/strong><br \/>\nValentino: O concurso n\u00e3o, o pr\u00eamio. O concurso em si foi um lixo. O pr\u00eamio veio numa \u00f3tima hora. Porque quando saiu na Bizz a gente ficou &#8220;legal, mas e a\u00ed? Como vamos fazer esse grande lance virar alguma coisa?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: Eu lembro que na mesma semana veio o convite pro Bananada e na mesma semana veio o e-mail do concurso, dizendo que \u00e9ramos uma das seis bandas selecionadas pro concurso No Capricho\/Trama Virtual. A\u00ed eu fiquei &#8220;algu\u00e9m se inscreveu nesse lance?&#8221;, e lembrei que eu tinha inscrito porque vi l\u00e1 &#8220;36 horas de est\u00fadio na Trama&#8221;. Me inscrevi tipo &#8220;claro que n\u00e3o v\u00e3o chamar&#8221;, eu achava ia ser s\u00f3 bandinha de punk e de hardcore mirim. Mas n\u00e3o, chegou l\u00e1 tinha um pessoal que a gente gostava, as meninas do Voz Del Fuego l\u00e1 do Rio, ai a gente ficou meio descrente, tocou, ficou mais descrente ainda que ia ganhar. E no final, a gente ganhou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: N\u00e3o se sabe como.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: A\u00ed foi \u00f3timo. Eu j\u00e1 ouvi gente dizendo que gravamos o disco inteiro no est\u00fadio da Trama, mas na verdade cerca de 20% do disco foi gravado l\u00e1, todos os canais de bateria, alguns viol\u00f5es e vozes principais. A maioria do disco foi feita em casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: Gravamos os baixos, ai chegamos em casa e regravamos os baixos, porque eu n\u00e3o gostei do som. N\u00e3o foi uma coisa &#8220;ah, voc\u00ea vai pra Trama e voc\u00ea resolve sua vida&#8221;. \u00c9 claro que a gente \u00e9 cascudo de grava\u00e7\u00e3o, a gente n\u00e3o \u00e9 muito cascudo ao vivo, mas em grava\u00e7\u00e3o a gente tem um ouvido e fala &#8220;foda-se se foi gravado em um est\u00fadio, eu prefiro ir pro meu quarto e gravar porque eu acho que vai soar melhor&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O resto do disco foi gravado em casa?<\/strong><br \/>\nValentino: Totalmente. Sem isolamento ac\u00fastico, com um microfone Le Son que custa, sei l\u00e1, R$ 90, um computador e um vizinho gritando na janela &#8220;porra!&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: E uns sapos e grilos vazando, porque gravamos uma parte em Paraty. Mas da\u00ed estava \u00f3timo, era a ideia do disco, sons naturais vazarem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O &#8220;Sat\u00e9lite&#8221; foi espacial, o &#8220;Seres Verdes&#8221; foi rural. A tend\u00eancia \u00e9 continuar fazendo discos tem\u00e1ticos?<\/strong><br \/>\nBonifrate: N\u00e3o. Mas assim, ainda que voc\u00ea n\u00e3o d\u00ea um nome pro disco tipo &#8220;Seres Verdes ao Redor&#8221;, ele vai ter um conceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: S\u00f3 fazendo um aparte, eu vi esses dias uma entrevista do Lenine que eu quase vomitei. Ele estava falando algo que vai totalmente contra a minha concep\u00e7\u00e3o do que um disco deve ser, algo tipo &#8220;ah, eu n\u00e3o me preocupo com nada, eu simplesmente fa\u00e7o e junto tudo que eu acho que \u00e9 bom e ponho&#8221;. P\u00f4, vai pra casa do caralho!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: Essa pretensa espontaneidade me irrita profundamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: P\u00f4, voc\u00ea est\u00e1 fazendo um \u00e1lbum ou est\u00e1 montando uma cole\u00e7\u00e3o de jingles?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: Isso n\u00e3o tem nada a ver com arte, com escrita de nada. A arte \u00e9 uma coisa pensada, mesmo que voc\u00ea pense muito pra ela soar espont\u00e2nea no final voc\u00ea vai pensar na coisa. Nenhum escritor, ah, sei l\u00e1, tem os surrealistas&#8230; Acho que o lance \u00e9 muito pensado no que voc\u00ea faz e como vai sair. E dentro dessa ideia, acho que mesmo que o disco n\u00e3o tenha uma coisa t\u00e3o direcionada ele vai ser fechado com o tema dele, n\u00e3o vai ser s\u00f3 um conjunto de can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tem nada a ver uma com a outra. Mas a tend\u00eancia \u00e9 abrir esse lance de conceito, n\u00e3o ficar t\u00e3o fechado. O &#8220;Seres Verdes&#8221; foi legal porque a gente fez um lance que era super f\u00e1cil das pessoas entenderem, tanto que eu nunca vi uma resenha, talvez uma ou outra, que fugisse completamente do conceito do disco. \u00c9 f\u00e1cil, as pessoas dizem &#8220;\u00e9 um disco pra voc\u00ea botar no discman e deitar na grama ou passear pela ro\u00e7a e ouvir&#8221;. E era essa a proposta. Mas o pr\u00f3ximo vai ser bem mais diversificado nas ideias, as can\u00e7\u00f5es falam de tudo mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas tocaram no projeto Supernovas com a Fernanda Takai. Como foi a experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nBonifrate: Foi genial, maravilhosa. A Fernanda \u00e9 absurdamente legal, linda e am\u00e1vel, ficou todo mundo apaixonado por ela. Foram dois shows em um dia e ela deu a maior for\u00e7a, foi muito firme no palco, porque a gente ensaiou s\u00f3 de manh\u00e3 antes do primeiro show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: A gente combinou com ela por e-mail, ela topou, achou super legal. A\u00ed a gente deu um tempo, retomou o contato e ela respondeu dizendo que achava legal cantar &#8220;Rurad\u00e9lica&#8221;. A gente sugeriu tamb\u00e9m &#8220;Sobre o Frio&#8221;, at\u00e9 porque casava com a voz dela. \u00cdamos passar o som um dia antes e ela ia ter um tempo enorme pra ensaiar, ver o que ia fazer, mas o v\u00f4o dela atrasou, e a gente tinha MTV pra fazer logo em seguida e n\u00e3o p\u00f4de esperar. No dia seguinte de manh\u00e3 ela chegou, o show era \u00e0 uma da tarde, a gente tinha que terminar a passagem ao meio dia. Onze e meia ela subiu no palco e ensaiamos duas vezes. Ela \u00e9 muito precisa, canta muito bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: E tem um lance a ver com a gente, a gente se amarra no Pato Fu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Nesse momento a entrevista \u00e9 interrompida por barulhos de um sapo coaxando. \u00c9 o celular de Valentino tocando)<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SUPERCORDAS - 3.000 Folhas(n\u00e3o oficial)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Wox8SV9MUCg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o Pato Fu ent\u00e3o \u00e9 um referencial pra voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nValentino: Referencial n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: \u00c9 claro que \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: Depende do que voc\u00ea entende como referencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: Eu n\u00e3o acho que tenha influ\u00eancia musical forte, mas rola uma identifica\u00e7\u00e3o com eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: Concordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: Eles s\u00e3o &#8220;A&#8221; grande banda brasileira que trabalha com tecnologia de uma maneira real, inventiva e tudo mais. Eu gosto bastante. Acho que mal ou bem, harmonicamente, eles t\u00eam algumas estruturas de can\u00e7\u00f5es que tem a ver com a gente, mas que soa completamente diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quais s\u00e3o as outras bandas brasileiras que voc\u00eas gostam?<\/strong><br \/>\nValentino: J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: A gente gosta muito de umas bandas que s\u00e3o de amigos nossos, n\u00e3o porque s\u00e3o de amigos, mas porque a gente realmente acha eles geniais. Tem o Telepatas, de S\u00e3o Paulo, uma banda chamada Filme, do Rio, Lulina. M\u00fasica brasileira dos anos 70, cl\u00e1ssica, a gente houve muito Elomar, essa violagem. Nos anos 80 e 90 a gente at\u00e9 acompanhou a m\u00fasica brasileira, mas n\u00e3o nos emociona. Acho que agora est\u00e3o brotando bandas que s\u00e3o muito melhores que qualquer uma dessas duas d\u00e9cadas perdidas. O Pato Fu veio nos 90, mas \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o, Los Hermanos tamb\u00e9m. S\u00e3o exce\u00e7\u00f5es que abriram portas. Olhando por um lado, acho que sem os Hermanos e o Pato Fu, bandas como n\u00f3s n\u00e3o existiriam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: N\u00e3o teriam for\u00e7a pra que as pessoas abra\u00e7assem essa causa independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: Fora isso \u00e9 tudo t\u00e3o ruim, t\u00e3o porcaria, t\u00e3o evitar qualquer coisa que te fa\u00e7a pensar um segundo sobre alguma coisa, tudo muito deprimente e deprimentemente alegre, escapista, que essas bandas (Los Hermanos e Pato Fu) acho que s\u00e3o um o\u00e1sis na hist\u00f3ria toda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas tem ra\u00edzes em Paraty&#8230;<\/strong><br \/>\nBonifrate: (interrompendo) Acho que mais o caule em Paraty. Ningu\u00e9m nasceu em Paraty realmente, mas eu vivi mais de 15 anos l\u00e1, de inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia. O Valentino tamb\u00e9m viveu um temp\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Festa Liter\u00e1ria de Paraty tem alguma influ\u00eancia em voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nBonifrate: Influ\u00eancia n\u00e3o. A gente vai l\u00e1 pra paquerar as turistas. (risos gerais) Na verdade tem algumas palestras que eu vi ali que marcaram, mas pelos caras, n\u00e3o pela festa. Tem algumas coisas que eu cito at\u00e9 hoje, principalmente a do Ferreira Gullar. E pensando agora em diversos aspectos tem muito a ver com a nossa onda. Eu lembro do Ferreira Gullar dizendo que temos que ser um pouco mais tradicionais pra parar com esse futurismo desenfreado de, sei l\u00e1, voc\u00ea vai fazer uma poesia e acaba sendo um monte de ponto de exclama\u00e7\u00e3o e s\u00edmbolos matem\u00e1ticos e, d\u00e1 um tempo, onde isso vai levar a gente? A paranoia pela inova\u00e7\u00e3o \u00e9 uma coisa meio nociva. E a gente abra\u00e7a completamente isso. Completamente nem tanto porque a gente tem o Filipe, e a onda dele \u00e9 toda eletro-ac\u00fastica, muito contempor\u00e2nea e erudita. Mas a gente n\u00e3o tem nenhuma pretens\u00e3o de inovar em nenhum ponto que n\u00e3o seja inovar porque somos n\u00f3s fazendo e n\u00e3o outra pessoa. Essa \u00e9 a grande inova\u00e7\u00e3o que uma banda pode ter, musicalmente, \u00e9 voc\u00ea fazer algo que \u00e9 seu e de ningu\u00e9m mais. Voc\u00ea vai sempre se apropriar das tradi\u00e7\u00f5es que vieram botando no caldeir\u00e3o recente da coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Charme Chulo ano passado disse que, pela proposta est\u00e9tica, s\u00f3 poderia ter surgido em Curitiba. O Supercordas&#8230;<\/strong><br \/>\nBonifrate: (interrompendo) S\u00f3 poderia ter nascido em Minas (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: S\u00f3 em Santa Teresa, Belo Horizonte. Ou em algum interior daqueles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: Ou seja, pra gente n\u00e3o se aplica. Ningu\u00e9m \u00e9 de Minas. Acho que a gente poderia ter surgido em qualquer lugar do Brasil, porque tem muito pouco de carioca na nossa m\u00fasica. Muito pouco mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: Praticamente nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas dizem que foram congelados nos anos sessenta e acordaram no ano 2003. Voc\u00eas acham que s\u00e3o uma banda fora do seu tempo?<\/strong><br \/>\nBonifrate e Valentino (juntos): N\u00e3o, muito pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: Na verdade isso ai \u00e9 tudo mentira. N\u00f3s somos pesquisadores de m\u00fasica do s\u00e9culo XXV e a voltamos no tempo pra participar do grande movimento da d\u00e9cada de 10 do come\u00e7o do s\u00e9culo XXI que revolucionou tudo. Mas n\u00e3o, a gente n\u00e3o \u00e9 fora do tempo. A gente \u00e9 bem do nosso tempo mesmo. Apesar de ser tradicional isso n\u00e3o significa estar fora do seu pr\u00f3prio tempo, muito pelo contr\u00e1rio. Voc\u00ea tem que saber o que est\u00e1 fazendo no seu pr\u00f3prio tempo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Supercordas - 3000 folhas (ao vivo na trama)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jUzS6iZDm6U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Ricardo Alexandre, da Bizz, na cr\u00edtica do disco, disse que voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam o menor \u00edmpeto adolescente de chocar o ouvinte. Voc\u00eas concordam com a afirma\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nBonifrate: A gente pode at\u00e9 surpreender, acho que pode ter um \u00edmpeto adolescente a\u00ed. N\u00e3o sei, fazer uma faixa de dez minutos repetindo alguma coisa talvez seja legal, mas n\u00e3o \u00e9 pra chocar, acho a palavra meio forte. Mas surpreender as pessoas \u00e9 bom. Talvez mesmo esse disco que a gente fez seja surpreendente. Numa \u00e9poca de um monte de adolescente gritando e fazendo coisas distorcidas na guitarra, viemos com um disco melodioso, cheio de arranjos sofisticados. Ent\u00e3o acho que \u00e9 surpreendente, depende do ponto de vista. Mas acho que podemos surpreender pegando mais pesado no pr\u00f3ximo, talvez&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 tocaram em algum teatro antes? (O show em Floripa foi no Teatro \u00c1lvaro de Carvalho)<\/strong><br \/>\nBonifrate: J\u00e1, mas n\u00e3o como esse, enorme, cl\u00e1ssico, com balc\u00e3o, lustres gigantescos, palco enorme e piano de cauda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas acham que o som de voc\u00eas, especialmente desse disco, se adapta bem ao teatro?<\/strong><br \/>\nBonifrate: Eu acho que at\u00e9 melhor que um show de balada. Na balada, mal ou bem, as pessoas est\u00e3o ali bebendo, flertando, se divertindo, e eu gosto da id\u00e9ia de tocar pra um monte de gente sentadinha. Tem alguns shows nossos em balada que d\u00e3o certo, as pessoas se empolgam, vira um rock&#8217;n roll. A gente tem feito shows mais rock do que o disco, at\u00e9 em teatro mesmo. S\u00f3 que eu gosto muito da id\u00e9ia de tocar pra um pessoal que t\u00e1 ali sentado pra ver a gente tocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: Mesmo porque n\u00e3o d\u00e1 pra dizer que voc\u00ea n\u00e3o pode sentar e ouvir rock. Claro que pode, eu fa\u00e7o isso todo dia. Eu ou\u00e7o um disco do Nirvana, n\u00e3o preciso ficar ali na frente bebendo e pulando; simplesmente sento e ou\u00e7o o que est\u00e1 se mostrando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>E como transportar os efeitos e detalhes do disco pro show?<\/b><br \/>\nValentino: Diz pra gente, porque ainda estamos descobrindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: Fora o Filipe fazendo o trabalho de texturas dele em todo show \u00e9 muito dif\u00edcil transportar isso pro disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: A gente n\u00e3o se preocupa com isso na hora de fazer o disco. N\u00e3o ficamos pensando &#8220;n\u00e3o vamos colocar isso porque n\u00e3o vai dar pra reproduzir. Ah, s\u00e3o dez vozes e no show s\u00e3o duas&#8221;. A gente simplesmente faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: N\u00f3s vamos, digamos assim, empurrando os limites com a nossa capacidade. Por exemplo, em alguns shows a gente levou a viola caipira pra tocar, s\u00f3 que ela d\u00e1 muito problema, \u00e9 dif\u00edcil de afinar no palco, n\u00e3o conseguimos colocar uma capta\u00e7\u00e3o decente nela, ai acabamos deixando de lado. Ent\u00e3o essas coisas s\u00e3o muito dif\u00edceis de reproduzir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valentino: Uma coisa que eu acho interessante, por outro lado, \u00e9 voc\u00ea fazer um show onde as pessoas v\u00e3o ver a m\u00fasica de uma outra maneira. Porque o disco ta ali, at\u00e9 \u00e9 legal voc\u00ea sentar e ver a m\u00fasica ser executada como ela foi gravada, mas, ent\u00e3o, qual \u00e9 a grande gra\u00e7a do ao vivo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonifrate: Os meus discos ao vivo favoritos s\u00e3o discos que os arranjos s\u00e3o completamente diferentes. Dylan em 66 no Albert Hall, o Spiritualized em 97 no Albert hall tamb\u00e9m, discos que neguinho pegou as faixas do disco e fez outra coisa com elas. Eu gosto tamb\u00e9m quando a banda faz direitinho o que t\u00e1 no disco, mas da\u00ed \u00e9 outro esp\u00edrito. Como a gente tem esse problema de n\u00e3o ter 15 pessoas e equipamentos geniais pra levar pro palco e tocar a gente realmente faz um lance que soa diferente do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E pra terminar, voc\u00eas j\u00e1 est\u00e3o come\u00e7ando a planejar o pr\u00f3ximo \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nBonifrate: Tem muitas m\u00fasicas na cabe\u00e7a. S\u00f3 que um pouco diferente, porque no &#8220;Seres Verdes&#8221; as letras pelos menos s\u00e3o quase todas minhas, e no pr\u00f3ximo j\u00e1 vamos ter mais colabora\u00e7\u00f5es. O Filipe j\u00e1 t\u00e1 fazendo can\u00e7\u00f5es, o Valentino tem pelo menos uma j\u00e1 feita e eu tenho umas oito ou nove que j\u00e1 t\u00e3o fechando, a gente j\u00e1 sabe como vai come\u00e7ar, como vai terminar, e o meio deixamos por \u00faltimo. Ele t\u00e1 quase fechado na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Supercordas e J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3 (C\u00f3digo MTV)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IMMTolpALCE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Eles s\u00e3o do Rio de Janeiro e tem o caule em Paraty, mas tudo faria mais sentido se tivessem surgido em alguma cidade do interior de Minas Gerais. Supercordas, a banda congelada na d\u00e9cada de 60 e desperta em 2003, foi respons\u00e1vel por um dos grandes discos de 2006\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/06\/27\/entrevista-supercordas-fala-de-seres-verdes-ao-redor\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":104,"featured_media":61984,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5285],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61982"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61982"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61982\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62024,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61982\/revisions\/62024"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61984"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}