{"id":61961,"date":"2021-08-16T01:04:56","date_gmt":"2021-08-16T04:04:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=61961"},"modified":"2021-11-03T01:34:20","modified_gmt":"2021-11-03T04:34:20","slug":"entrevista-papangu-mistura-literatura-nordestina-prog-e-sludge-metal-no-disco-holoceno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/16\/entrevista-papangu-mistura-literatura-nordestina-prog-e-sludge-metal-no-disco-holoceno\/","title":{"rendered":"Entrevista: Papangu une prog, sludge metal e literatura nordestina no disco \u201cHoloceno\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imagine o seguinte enredo: um cangaceiro tem uma premoni\u00e7\u00e3o ruim durante um sonho e tenta alterar seu futuro na base da matan\u00e7a. Por\u00e9m, ao perceber que cada morte piora a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o e a do planeta em que vive, ele decide vender a alma ao dem\u00f4nio para tentar impedir o apocalipse. Esta bem poderia ser a sinopse de uma obra perdida de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, mas na verdade \u00e9 o conceito por tr\u00e1s de \u201c<a href=\"https:\/\/papangu.bandcamp.com\/album\/holoceno\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Holoceno<\/a>\u201d (2021), o disco de estreia do quarteto paraibano <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/papangu.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Papangu<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada por Marco Mayer (baixo, synth e voz), Hector Ruslan (guitarra e voz), Ra\u00ed Accioly (guitarra, voz) e Nichollas Jaques (bateria e voz), a banda de Jo\u00e3o Pessoa lan\u00e7ou no final de junho seu primeiro \u00e1lbum, ap\u00f3s sete anos de matura\u00e7\u00e3o. Ao longo de 45 minutos, o grupo mostra em sete faixas um sludge metal semelhante aos momentos mais agressivos do Mastodon, com inser\u00e7\u00f5es que fazem jus \u00e0 fase setentista do King Crimson e uma forte influ\u00eancia de zeuhl \u2013 mistura de rock progressivo, jazz e m\u00fasica cl\u00e1ssica cunhada pelos franceses do Magma \u2013, tudo isso com letras em portugu\u00eas, elementos de literatura modernista do Nordeste e de \u2018escatologia ecol\u00f3gica\u2019 (o estudo das coisas que devem acontecer no final dos tempos, com \u00eanfase no meio ambiente).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um caldeir\u00e3o de refer\u00eancias a princ\u00edpio t\u00e3o diferentes poderia mais confundir do que entreter, mas o efeito foi justamente o contr\u00e1rio; apesar de ainda n\u00e3o ter furado a bolha do underground, \u201c<a href=\"https:\/\/papangu.bandcamp.com\/album\/holoceno\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Holoceno<\/a>\u201d tem despertado a aten\u00e7\u00e3o de ouvintes fora do Brasil e arrancado elogios de f\u00f3runs e sites estrangeiros ligados a rock progressivo, metal experimental e m\u00fasica alternativa como Metal Storm, Prog Archives e TrebleZine. E esse interesse \u00e9 chancelado tamb\u00e9m pelas participa\u00e7\u00f5es ilustres do baterista Torstein Lofthus (membro de conjuntos como Shining e Elephant9), Benjamin Mekki Wider\u00f8e (saxofonista da banda norueguesa Seven Impale), Uan\u00e1 Barreto (m\u00fasico paraibano de forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica), e Lu\u00eds Souto Maior nas grava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista por e-mail ao Scream &amp; Yell, a Papangu conta mais sobre a forma\u00e7\u00e3o da banda, o processo e o conceito que deu origem a \u201c<a href=\"https:\/\/papangu.bandcamp.com\/album\/holoceno\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Holoceno<\/a>\u201d. Confira abaixo o lyric video de \u201cBacia das Almas\u201d e o papo com o grupo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Papangu - Bacia das Almas (lyric video) \/\/ &quot;Holoceno&quot; out on Bandcamp\/streaming on June 25\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K_yy9hua9L8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeiramente: como foi que os membros da Papangu se conheceram?<\/strong><br \/>\u00c9 engra\u00e7ado porque todos n\u00f3s somos amigos de longa data, e nossas hist\u00f3rias se cruzam em pontos distintos por\u00e9m conexos. Todos \u00e9ramos aquele tipo de moleque roqueiro e nerd, ent\u00e3o com pouca idade j\u00e1 est\u00e1vamos focados em aprender a tocar instrumentos e montar bandas de rock. Hector (guitarra e voz) e Ra\u00ed (guitarra e voz) se conheceram estudando na mesma escola, ainda no ensino fundamental. Marco (baixo, synth e voz) e Ra\u00ed se conheceram atrav\u00e9s de uma viagem em comum que fizeram ainda quando adolescentes. Marco p\u00f4s um an\u00fancio de venda de uma guitarra nos classificados de um jornal local que chamou a aten\u00e7\u00e3o de Hector, e assim eles se conheceram. Marco e Nichollas (bateria) se conheceram ap\u00f3s uma amiga em comum fazer a ponte num festival de m\u00fasica em 2012. A banda em si come\u00e7ou quando Hector e Marco procuraram montar uma banda de stoner rock\/metal. Marco sugeriu que Nichollas fosse o baterista e, ap\u00f3s um primeiro ensaio em que tocamos apenas covers e umas jams, a banda nasceu. Logo nas primeiras tentativas de composi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, o som da banda foi se distanciando do stoner rock e se aproximando de um som mais progressivo e experimental, e logo veio a ideia de acrescentar elementos de m\u00fasica regional nordestina no caldeir\u00e3o de influ\u00eancias. Ainda como trio, fizemos alguns shows na cidade, mas a vontade de expandir o leque sonoro nos incentivou a buscar um segundo guitarrista, e Ra\u00ed foi a escolha natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda existe desde 2012, mas o primeiro \u00e1lbum s\u00f3 foi lan\u00e7ado agora em 2021 (depois de um per\u00edodo de 7 anos sendo trabalhado). Voc\u00eas conseguem resumir o que aconteceu com o grupo ao longo desse tempo todo?<\/strong><br \/>O primeiro grande desafio foi aprender a compor. Com exce\u00e7\u00e3o de Ra\u00ed, que j\u00e1 havia gravado um EP de thrash metal com uma banda que fundou no Canad\u00e1, nenhum de n\u00f3s possu\u00eda experi\u00eancia pr\u00e9via com m\u00fasica autoral. A cria\u00e7\u00e3o de estruturas musicais mais complexas e coesas, melodias vocais e letras foi algo que n\u00f3s precisamos estudar e praticar bastante ao longo desse tempo. Algumas das m\u00fasicas do disco j\u00e1 estavam mais ou menos prontas em 2014, mas foram ajustadas ao longo dos anos com a experi\u00eancia que adquirimos em composi\u00e7\u00e3o. O segundo grande desafio foi aprender a utilizar ferramentas de grava\u00e7\u00e3o, montando nossos pequenos est\u00fadios caseiros para que pud\u00e9ssemos testar ideias e estruturar as composi\u00e7\u00f5es de forma mais din\u00e2mica e organizada. A partir do momento que sentimos que est\u00e1vamos prontos para materializar o som de Papangu, com a seguran\u00e7a de que as pessoas poderiam ouvir nossas m\u00fasicas exatamente como quer\u00edamos que soasse, decidimos entrar em est\u00fadio para gravar \u201cHoloceno\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco traz o Torstein Lofthus como baterista. Como aconteceu a participa\u00e7\u00e3o de um instrumentista t\u00e3o influente logo no primeiro disco de voc\u00eas?<\/strong><br \/>Bem, a participa\u00e7\u00e3o de Torstein decorreu de uma sequ\u00eancia de fatos at\u00e9 que um tanto preocupantes, mas que se encerraram na feliz inclus\u00e3o dele em nosso disco. N\u00f3s iniciamos a grava\u00e7\u00e3o do material em meados de julho de 2019. Em raz\u00e3o de nossos empregos e or\u00e7amento, n\u00f3s n\u00e3o conseguimos passar um longo tempo enfurnados dentro do est\u00fadio para finalizar as grava\u00e7\u00f5es, raz\u00e3o pela qual fizemos seis sess\u00f5es de meio expediente entre julho e novembro de 2019. A finaliza\u00e7\u00e3o da grava\u00e7\u00e3o das cordas, vozes e teclas coincidiu com a conclus\u00e3o do mestrado de Nichollas, e n\u00f3s s\u00f3 conseguimos marcar o in\u00edcio das grava\u00e7\u00f5es de bateria em mar\u00e7o de 2020. Foi a\u00ed que a pandemia atingiu o Brasil com for\u00e7a total e acabou destruindo todo o nosso cronograma. Ocorre que Marco conhecera Torstein em uma viagem que fez \u00e0 Noruega ainda em 2019, em janeiro, para ver tr\u00eas shows da banda norueguesa Elephant9, que vieram a ser lan\u00e7ados como o disco ao vivo \u201cPsychedelic Backfire\u201d. Fanboy do jeito que \u00e9, ele foi convidado para entrar no backstage e manteve contato com Torstein desde ent\u00e3o. Frente \u00e0s dificuldades em gravar Nichollas no Brasil, perguntamos a Torstein se ele toparia gravar as baterias de \u201cHoloceno\u201d na Noruega, que estava em uma situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica bem melhor do que a do Brasil. Quando soubemos do aceite, ficamos muito animados e ansiosos. O cara \u00e9 sem d\u00favida um dos melhores bateristas do mundo e ouvi-lo em a\u00e7\u00e3o em \u201cHoloceno\u201d \u00e9 verdadeiramente emocionante pra gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E as participa\u00e7\u00f5es de Uan\u00e1 Barreto, Benjamin Mekki Wider\u00f8e e Lu\u00eds Souto Maior, como surgiram?<\/strong><br \/>Uan\u00e1 \u00e9 um m\u00fasico daqui de Jo\u00e3o Pessoa que tanto tem forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica quanto profundo conhecimento de m\u00fasica brasileira e de jazz. Na hora de gravar \u201c\u00c1gua Branca\u201d, quer\u00edamos usar o Minimoog do est\u00fadio para um solo de sintetizador, e surgiu na cabe\u00e7a a ideia de chamar Uan\u00e1 para dar um pulinho r\u00e1pido na grava\u00e7\u00e3o antes de ir tocar num show. Ele escutou \u201c\u00c1gua Branca\u201d uma \u00fanica vez e tocou fogo em tudo num take s\u00f3. Mesmo com todos da banda impressionados, ele pediu um segundo take, j\u00e1 que o primeiro fora s\u00f3 para aquecer, e \u00e9 esse o solo que entrou no disco. O cara \u00e9 incr\u00edvel. A gente ficou t\u00e3o animado que pedimos para repetir o procedimento em \u201cBacia das Almas\u201d. Benjamin toca sax numa banda norueguesa chamada Seven Impale. Marco sugeriu incluir saxofone para dar uma colorida em \u201cLobisomem\u201d e n\u00f3s adoramos a ideia. Quando est\u00e1vamos prestes a mixar, decidimos pedir o repeteco da contribui\u00e7\u00e3o na faixa-t\u00edtulo, e o resultado \u00e9 esse final maravilhoso. Pouco antes de mandar os arquivos para mixagem, falamos com Lu\u00eds Souto Maior, que \u00e9 primo de Marco e um expert em synths anal\u00f3gicos, e pedimos para que incrementasse a introdu\u00e7\u00e3o da faixa-t\u00edtulo com algumas faixas de Prophet-6. Achamos que aquela se\u00e7\u00e3o pedia essa textura um tanto setentista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Procurando pela defini\u00e7\u00e3o de \u2018Papangu\u2019, encontrei algumas vers\u00f5es. Questionando uma amiga cearense, a primeira explica\u00e7\u00e3o que ela me deu foi sobre as pessoas que usam m\u00e1scaras de monstros e dem\u00f4nios no carnaval nordestino. Qual \u00e9 a inspira\u00e7\u00e3o real para a banda?<\/strong><br \/>Hector deu nome \u00e0 banda. A defini\u00e7\u00e3o de Papangu que batiza nosso grupo vem justamente da ideia de uma criatura folcl\u00f3rica assustadora do Nordeste brasileiro. O Papangu \u00e9 uma figura t\u00edpica do carnaval da cidade de Bezerros, no interior de Pernambuco. S\u00e3o pessoas que se vestem como monstros e saem \u00e0s ruas para pregar pe\u00e7as. O imagin\u00e1rio folcl\u00f3rico nordestino \u00e9 uma das maiores influ\u00eancias est\u00e9ticas da nossa banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Papangu lembra algo da agressividade do Mastodon com algo de King Crimson e o zeuhl inventado pelo Magma. Al\u00e9m desses nomes, o que acham que influencia voc\u00eas e n\u00e3o estaria t\u00e3o aparente no som que fazem?<\/strong><br \/>Os quatro membros da banda possuem bagagens musicais distintas e que n\u00e3o necessariamente s\u00e3o refletidas no som de Papangu a todo momento. Ra\u00ed \u00e9 um grande f\u00e3 de thrash metal, Hector \u00e9 vidrado em punk e hardcore, Nichollas j\u00e1 tocou com bandas de death metal locais e Marco, al\u00e9m de uma enciclop\u00e9dia do rock progressivo, curte um bom city pop japon\u00eas, por exemplo. A linguagem da nossa banda, contudo, \u00e9 um ponto de conflu\u00eancia entre todos n\u00f3s. A mistura de sludge metal, rock progressivo, zeuhl e m\u00fasica nordestina \u00e9 algo que todos amamos. O objetivo sempre foi fazer m\u00fasica autoral com a nossa cara, algo que nos desse prazer e que pud\u00e9ssemos chamar de nosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda se diz influenciada tamb\u00e9m pela literatura modernista do Nordeste e pela \u2018escatologia ecol\u00f3gica\u2019. Pelo que pesquisei e entendi, imagino que o conceito do disco dialoga com ambas as ideias trazendo um cangaceiro (personagem caracter\u00edstico da regi\u00e3o nordeste) que, ao tentar mudar seu destino, acidentalmente causa um desastre ambiental (da\u00ed a no\u00e7\u00e3o de \u2018escatologia ecol\u00f3gica\u2019). Seria isso?<\/strong><br \/>A narrativa, em resumo, trata de um cangaceiro que se depara com um mau agouro num sonho e tenta mudar o futuro na base da matan\u00e7a. Quando ele percebe que cada morte matada piora a situa\u00e7\u00e3o, o cangaceiro vende a alma para o C\u00e3o achando que vai conseguir impedir o fim do mundo de ocorrer. Al\u00e9m do imagin\u00e1rio folcl\u00f3rico popular do Nordeste, n\u00f3s somos influenciados por obras como \u201cVidas Secas\u201d, de Graciliano Ramos, \u201cMorte e Vida Severina\u201d, de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, a poesia de Ariano Suassuna e de Augusto dos Anjos, e pela arte pl\u00e1stica de Fl\u00e1vio Tavares. \u00c9 importante, ainda que n\u00e3o essencial para ouvir o disco, frisar que \u201cHoloceno\u201d \u00e9 um disco conceitual e que cada uma de suas m\u00fasicas funciona como um cap\u00edtulo de um livro. A narrativa se assemelha ao realismo m\u00e1gico, que busca, atrav\u00e9s de elementos fant\u00e1sticos, contar hist\u00f3rias que s\u00e3o bem reais e relacion\u00e1veis para n\u00f3s. A fome do retirante que foge da seca e do desastre ambiental, o conflito entre a oligarquia detentora de terras e aqueles que verdadeiramente vivem dela. \u201cHoloceno\u201d cont\u00e9m mensagens pol\u00edticas que, ainda que n\u00e3o cantadas atrav\u00e9s de slogans e palavras de ordem, est\u00e3o bem presentes.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-61964\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/papangu2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/papangu2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/papangu2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/papangu2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A arte da capa (muito boa por sinal) \u00e9 assinada por Ars Moriendee, pseud\u00f4nimo de Pedro Felipe, um artista e m\u00fasico de Belo Horizonte (que tamb\u00e9m j\u00e1 fez capas para outros projetos musicais). Como foi a cria\u00e7\u00e3o dessa arte?<\/strong><br \/>A capa de \u201cHoloceno\u201d, encomendada por n\u00f3s, \u00e9 realmente fant\u00e1stica e somos muito gratos ao Pedro por isso. Falamos com o artista sobre nossas aspira\u00e7\u00f5es para o disco e, em seguida, enviamos algumas demos. A arte de Ars Moriendee complementa muito bem a est\u00e9tica sonora e visual que n\u00f3s buscamos implementar em \u201cHoloceno\u201d, e a forma como ele interpretou tudo serve como realce de seu talento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pandemia atrapalhou voc\u00eas na grava\u00e7\u00e3o do \u201cHoloceno\u201d de alguma forma? Ou a estrat\u00e9gia de divulga\u00e7\u00e3o\/lan\u00e7amento?<\/strong><br \/>Como mencionamos, a pandemia atrapalhou o cronograma das grava\u00e7\u00f5es da bateria, mas as dificuldades n\u00e3o se limitaram a apenas isso. Com o fechamento de est\u00fadios em nossa cidade, n\u00f3s tivemos que fazer alguns poucos overdubs em nossos est\u00fadios caseiros. A pandemia tamb\u00e9m afetou diretamente a mixagem. Como n\u00f3s n\u00e3o nos sent\u00edamos seguros em estar no est\u00fadio presencialmente, n\u00f3s acabamos iniciando o processo com um engenheiro de som local (n\u00e3o creditado no disco) e podemos dizer que tivemos problemas de todas as ordens com ele. Por conta disso, rompemos o contrato com ele e buscamos alternativas. A primeira op\u00e7\u00e3o foi um engenheiro de som nos Estados Unidos. Embora o trabalho dele fosse excepcional, a expertise dele n\u00e3o se adaptou bem \u00e0 est\u00e9tica que n\u00f3s procur\u00e1vamos. Em seguida, mandamos o disco para J\u00f8rgen, o engenheiro respons\u00e1vel pela grava\u00e7\u00e3o da bateria de Torstein, que fez um excelente trabalho ao conseguir traduzir o som que a banda queria expressar com as m\u00fasicas. Se tiv\u00e9ssemos mais experi\u00eancia com produ\u00e7\u00e3o musical, n\u00f3s ter\u00edamos procurado J\u00f8rgen j\u00e1 no in\u00edcio e economizado bastante tempo e paci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas tem algum plano de fazer shows ou turn\u00eas com a mesma forma\u00e7\u00e3o que gravou o disco?<\/strong><br \/>Planejamos fazer turn\u00ea sim, mas acreditamos que em shows no Brasil n\u00e3o conseguir\u00edamos contar com a participa\u00e7\u00e3o de Torstein ou Benjamin. Em uma eventual turn\u00ea europeia, faremos de tudo para trazer o sax de Benjamin e juntar as for\u00e7as de Nichollas e Torstein no palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do lyric video de &#8220;Bacia das Almas&#8221;, voc\u00eas t\u00eam mais algum material relacionado ao \u201cHoloceno\u201d em mente para lan\u00e7ar?<\/strong><br \/>Temos, mas n\u00e3o daremos spoilers agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos planos da Papangu?<\/strong><br \/>Bem, temos algumas composi\u00e7\u00f5es que ficaram fora de \u201cHoloceno\u201d pois n\u00e3o casavam com a est\u00e9tica e a narrativa do disco. Essas composi\u00e7\u00f5es j\u00e1 tinham um conceito maior em mente e est\u00e3o aos poucos se somando a outras id\u00e9ias, e j\u00e1 vislumbramos a espinha dorsal do pr\u00f3ximo disco. A gente n\u00e3o quer que o galo cante antes do amanhecer, mas j\u00e1 deixamos claro que pretendemos fazer algumas coisas diferentes no pr\u00f3ximo \u00e1lbum. A ideia \u00e9 gravar a maior parte dos instrumentos ao vivo no est\u00fadio e usar boa parte do tempo para experimentar coisas novas que possam incrementar as m\u00fasicas. Tamb\u00e9m pensamos em trazer a participa\u00e7\u00e3o de um produtor experiente que vai poder nos oferecer um norte mais claro, respeitando a nossa vis\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ave-Bala\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AfhRBEHuxuc?list=OLAK5uy_nXKfd1wDA53hqiIUkj8hl-mNvpyPrMWb8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n\n\n<p>\u2013 Alexandre Lopes (<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"De Jo\u00e3o Pessoa, na Para\u00edba, um disco de sludge metal semelhante aos momentos mais agressivos do Mastodon, inser\u00e7\u00f5es que fazem jus \u00e0 fase setentista do King Crimson e uma forte influ\u00eancia de zeuhl \u2013 mistura de rock progressivo, jazz e m\u00fasica cl\u00e1ssica cunhada pelos franceses do Magma\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/16\/entrevista-papangu-mistura-literatura-nordestina-prog-e-sludge-metal-no-disco-holoceno\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":61963,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5284],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61961"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61961"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61961\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61970,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61961\/revisions\/61970"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61963"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}