{"id":6196,"date":"2010-10-25T19:29:17","date_gmt":"2010-10-25T22:29:17","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=6196"},"modified":"2019-06-16T21:39:03","modified_gmt":"2019-06-17T00:39:03","slug":"na-maquina-do-tempo-com-o-rush","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/10\/25\/na-maquina-do-tempo-com-o-rush\/","title":{"rendered":"Na m\u00e1quina do tempo com o Rush"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6200\" title=\"rush_mrossi_t4f_4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/thiago.pereira.56808\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Thiago Pereira<\/a><br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #000000;\"><strong>Aten\u00e7\u00e3o: esse \u00e9 um texto elogioso. Mais do que isso, \u00e9 um texto que esbarra naquilo que os americanos chamam de \u201cbromance\u201d, esp\u00e9cie de declara\u00e7\u00e3o carinhosa entre amigos.<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rush \u00e9 m\u00fasica de nerd, m\u00fasica de chato, m\u00fasica de gente que gosta de m\u00fasica tocada por m\u00fasicos, m\u00fasica de veado que acha que \u00e9 roqueiro. Daria para encher um \u201cHemispheres\u201d inteiro s\u00f3 com descri\u00e7\u00f5es pouco elogiosas (e que pouco dizem, \u00e9 verdade) sobre o trio canadense mais vilipendiado do mundo. Ditas por todo o tipo de gente: dos \u201crespeit\u00e1veis\u201d jornalistas pautados pelos ingleses de plant\u00e3o a qualquer moleque que aos 15 anos, adora reproduzir todos os malvados clich\u00eas da cr\u00edtica rocker, jurando amor eterno ao \u201cNevermind The Bullocks\u201d dos Pistols e deixando os horm\u00f4nios flu\u00edrem ao compasso dos doces preconceitos adolescentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, se o Canad\u00e1 nos deu Neil Young e Joni Mitchell, porque algu\u00e9m iria se preocupar com os malabarismos fisiculturistas da bateria de \u201cTom Sawyer\u201d? Por que diabos algu\u00e9m n\u00e3o deveria sorrir contente e vingado quando Stephen Malkmus cantava \u201cwhat about the voice of Geddy Lee, how did he get so high, I wonder if he speaks like an ordinary guy\u201d? Para o inferno com aquele papo de melhor trio de m\u00fasicos j\u00e1 reunidos! Pra porra com os tempos cabulosos conduzidos por Neil Peart!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fato \u00e9 que na vida exigimos alguns Judas de plant\u00e3o, para descarregar energias ruins. Sacos de pancadas mesmo. Para algu\u00e9m que se disp\u00f5e a trabalhar com algo t\u00e3o abrangente e escorregadio quanto m\u00fasica (e mais do que isso: gostando muito de m\u00fasica, e na medida do poss\u00edvel querendo respeitar o gosto pr\u00f3prio e o gosto dos outros) \u00e9 h\u00e1bito pouco salutar criar Judas demais. Muitas vezes s\u00e3o escolhas puramente aleat\u00f3rias, exerc\u00edcios de sadismos gratuitos: a ignor\u00e2ncia como vizinha da maldade. O Rush, para todas as gera\u00e7\u00f5es p\u00f3s furac\u00e3o punk, sempre foi exemplo do que n\u00e3o gostar, mesmo tendo no curr\u00edculo apenas orelhadas carregadas de pregui\u00e7a em alguns poucos \u00e1lbuns do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que eu estava fazendo ent\u00e3o naquele est\u00e1dio, no \u00faltimo dia 08 passando frio, cercado pela maior multid\u00e3o de f\u00e3s usando \u00f3culos de grau (existe um coeficiente nerd pra isso?) que j\u00e1 vi em toda minha vida? Assim como o trio no palco, eu estava ali celebrando a for\u00e7a do tempo. A for\u00e7a que quebra id\u00e9ias pr\u00e9-concebidas. Que nos joga no desconhecido. Ch-ch-changes. Que nos tornam pessoas melhores, enfim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6198 aligncenter\" title=\"rush_mrossi_t4f_2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" \/><br \/>\nN\u00e3o descobri isso sozinho, descobri com um chapa, Terence. Afinal, quando um cara lista entre seus favoritos Radiohead, Jeff Buckley e Rush, alguma merda deu errado. O fato de esse chapa ser seu chefe tamb\u00e9m ajuda um pouquinho. Durante algum tempo, ouvia com certa estranheza frases soltas em reuni\u00f5es de pautas como \u201cno programa desta semana vamos tocar \u201cThe Trees\u201d, do Rush, copia esse clipe l\u00e1 para mim&#8230;\u201d, \u201cAh, o Rush est\u00e1 lan\u00e7ando um disco ao vivo, vamos aproveitar e colocar \u201cAnthem\u201d daquele DVD raro que eu tenho&#8230;\u201d, \u201cColoca no You Tube a\u00ed, \u201cYYZ\u201d do show do Rush no Rio, neguim cantando m\u00fasica instrumental \u201c.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simpatia simbi\u00f3tica entre a pessoa e a banda ao passar dos anos. O bra\u00e7o torcido veio com o espetacular document\u00e1rio lan\u00e7ado este ano (\u201cBeyond The Lighted Stage\u201d, imperd\u00edvel) e esperado com devo\u00e7\u00e3o religiosa por parte da nossa reda\u00e7\u00e3o &#8211; eu incluso, pois \u00e9. At\u00e9 que a fat\u00eddica frase chegou este ano: \u201cConfirmaram as datas do Rush. J\u00e1 vou comprar ingressos para voc\u00ea, ok? At\u00e9 como requalifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, hehe\u201d. Hehe, o cacete. Anos de piadinhas elaboradas sobre a beleza impressionante do Geddy Lee ou a masturba\u00e7\u00e3o te\u00f3rica percurssiva de Neil Peart estavam sendo jogadas fora naquele momento. Como eu iria me retratar no Bar da Eterna Juventude Rebelde, aquele que quase sempre ridiculamente \u00e9 o \u00faltimo a fechar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a bem da verdade \u00e9 que quando os caras entraram tocando \u201cThe Spirit Of Radio\u201d para o povar\u00e9u embasbacado, j\u00e1 deu para sentir algo al\u00e9m da curiosidade pura e simples. Era emo\u00e7\u00e3o genu\u00edna que surgia ao cantar palavras que nunca pensei que iria cantar, tipo \u201cObtrusive\u201d. Afinal \u201cPermanent Waves\u201d, o disco da virada de carreira rushiana j\u00e1 estava bem cotado no som do carro nos \u00faltimos meses, atropelando estranhamente outras coisas. O vocabul\u00e1rio j\u00e1 passara fazia tempo do verbete \u00fanico \u201cMcGayver\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, o amigo Terence, esse eterno f\u00e3 de m\u00fasica, zilh\u00f5es de horas-shows de rock nas costas&#8230; J\u00e1 \u00e1s seis da tarde apressava a comitiva para sairmos logo para o show, como um adolescente ansioso que todos somos frente a uma oportunidade de assistir a banda que sonorizou nossa exist\u00eancia. Agora se juntava como um igual naquele bando de homens, crian\u00e7as e, porra, at\u00e9 mulheres, prestando respeito a essa institui\u00e7\u00e3o \u00fanica (goste-se ou n\u00e3o) chamada Rush. Felicidade alheia \u00e9 um tro\u00e7o bacana de se admirar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senti-me confort\u00e1vel desde o in\u00edcio do show. Comovido com a beleza mel\u00f3dica de \u201cTime Stand Still\u201d.\u00a0 Curtindo o peso de \u201cStick It Out\u201d. Se divertindo com a rea\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s no come\u00e7o do riff quebrado de \u201cFreewill\u201d (\u201cA \u201cParanoid Android\u201d do Rush\u201d, informou o chefe). Analisando com aten\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00fasicas mais recentes que n\u00e3o conhecia. At\u00e9 chegar \u201cSubdivisions\u201d. Essa \u00e9 a m\u00fasica que me fez ignorar a banda por tantos anos. Aquele som de teclado no come\u00e7o, rapidamente catalogado pela mem\u00f3ria como brega oitentista, a voz esquisita do Geddy Lee, a melodia completamente esquisita. \u201cSubdivisions\u201d soava como o equivalente sonoro daquelas malditas equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas que torturavam na \u00e9poca escolar, e que me faziam perguntar: \u201cPara que serve isso?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6199 aligncenter\" title=\"rush_mrossi_t4f_3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><br \/>\nAinda tenho alergia a n\u00fameros misturados com letras e sinais matem\u00e1ticos. Mas entendi a serventia de \u201cSubdivisions\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Espalhados nos confins da cidade<br \/>\nEm ordem geom\u00e9trica<br \/>\nUma fronteira isolada<br \/>\nEntre as luzes brilhantes<br \/>\nE o distante e obscuro desconhecido<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Crescendo, tudo parece t\u00e3o parcial<br \/>\nOpini\u00f5es todas arranjadas<br \/>\nO futuro pr\u00e9-decidido<br \/>\nIsolado e subdividido<br \/>\nNa zona de produ\u00e7\u00e3o em massa<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Em lugar algum est\u00e3o os sonhadores<br \/>\nOu os exclu\u00eddos t\u00e3o solit\u00e1rios<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Subdivis\u00f5es \u2013<br \/>\nNas salas do colegial<br \/>\nNos shoppings<br \/>\nAjuste-se ou fique de fora<br \/>\nSubdivis\u00f5es \u2013<br \/>\nNos por\u00f5es dos bares<br \/>\nNas traseiras dos carros<br \/>\nSeja bacana ou fique de fora<br \/>\nQualquer fuga pode amenizar<br \/>\nA verdade pouco atraente<br \/>\nMas os sub\u00farbios n\u00e3o possuem charme para aliviar<br \/>\nOs sonhos inquietos da juventude<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Atra\u00eddos como mariposas nos amontoamos na cidade<br \/>\nA eterna e velha atra\u00e7\u00e3o<br \/>\nEm busca de a\u00e7\u00e3o<br \/>\nAcesos como vaga-lumes<br \/>\nApenas para sentir a noite pulsante<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Alguns ir\u00e3o vender seus sonhos por pequenos desejos<br \/>\nOu perder\u00e3o a competi\u00e7\u00e3o para ratos<br \/>\nSer\u00e3o pegos em armadilhas<br \/>\nE come\u00e7ar\u00e3o a sonhar com algum lugar<br \/>\nPara relaxar seu v\u00f4o inquieto<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Algum lugar fora da mem\u00f3ria<br \/>\nDe ruas iluminadas em noites quietas&#8230;&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(com a ajuda da tradu\u00e7\u00e3o livre do Terra, ok?)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6201 aligncenter\" title=\"rush_mrossi_t4f_5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_5.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_5.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_5-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><br \/>\n\u201cSubdivisions\u201d \u00e9 sobre n\u00e3o ser bacana. \u00c9 sobre ser nerd, geek, um merdinha de um sub\u00farbio qualquer de primeiro mundo. Inadapta\u00e7\u00e3o social, status, todas essas porras. Hoje \u00e9 cool vestir esses adjetivos? \u00c9 uma categoria aceit\u00e1vel? Rende programas de TV? Em 82 n\u00e3o era, meu chapa. \u00c9 o hino m\u00e1ximo antropologicamente (r\u00e1!) falando do que \u00e9 o Rush, a reden\u00e7\u00e3o completa dos f\u00e3s da banda e da pr\u00f3pria banda, desvestindo os inevit\u00e1veis excessos do hard rock setentista (longas su\u00edtes&#8230; quimonos&#8230; solos gigantescos&#8230; voc\u00ea sabe&#8230;) e encarando os novos tempos. E refor\u00e7ando que as m\u00e3os de Neil Peart n\u00e3o servem apenas para reinventar a hist\u00f3ria de um instrumento, como tamb\u00e9m para tecer letras mais interessantes que qualquer obra-prima liter\u00e1ria cometida pelo Pavement.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 at\u00e9 poss\u00edvel imaginar que algum f\u00e3 queira usar esse par\u00e1grafo anterior como uma forma de vingan\u00e7a, mas \u00e9 f\u00e1cil acreditar que 90% das 40 mil pessoas presentes no show nunca ouviram falar de \u201cCrooked Rain, Crooked Rain\u201d. O p\u00fablico do Rush n\u00e3o \u00e9 cool. \u00c9 real. Estamos falando de d\u00e9cadas de pedrada na cabe\u00e7a e bullying musical. Gente que faz parte de uma certa subdivis\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas se bem que&#8230; hoje \u00e9 cool gostar de Rush? \u00c9 permitido vibrar com a hist\u00f3ria de tr\u00eas amigos que, tr\u00eas d\u00e9cadas depois, at\u00e9 hoje parecem estar tirando um som sem maiores pretens\u00f5es? O som \u201cdeles\u201d e dos f\u00e3s? Preciso esconder o sorriso ao assistir aos pequenos filmes que eles passavam entre os blocos de m\u00fasicas? Mesmo isto sendo uma das coisas mais engra\u00e7adas, despretensiosas e simples id\u00e9ias que j\u00e1 vi num palco (s\u00f3 para usar adjetivos contr\u00e1rios aos que s\u00e3o sempre aplicados \u00e0 banda)? E quando eles tocaram na \u00edntegra o amado \u201cMoving Pictures\u201d, disco-fetiche da maior parte dos f\u00e3s? \u00c9 preciso encontrar defeitos? E quando eles BOTARAM PARA FODER ao vivo em um dos temas instrumentais mais complexos da hist\u00f3ria do rock, \u201cLa Villa Strangiato\u201d, como se fossem integrantes do Rage Against The Machine (que, ali\u00e1s, estavam na mesa de som acompanhando o show, hora em que o menino de 15 anos voltou e se sentiu meio esquisito)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ah, o tempo, esse puto tra\u00edra. Daria para fechar a conta do boteco com Plat\u00e3o, com Pink Floyd, com Proust, com M\u00f3veis Coloniais de Acaju, Caetano Veloso com Robert Zemeckis, com a putaquipariu. Naquela noite fria no Morumbi fechei com o amigo Terence e com aquela multid\u00e3o toda que estava l\u00e1. Eles? Eles estavam fechados com Neil Peart, sujeito que j\u00e1 levou umas boas pancadas dele \u2013 o tempo \u2013 e certa feita escreveu \u201ctempo fique parado\/ eu n\u00e3o estou olhando para tr\u00e1s\/ mas agora eu quero olhar ao meu redor\u201d. Ser\u00e1 poss\u00edvel ter quinze anos de novo e rever alguns conceitos do passado?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6197 aligncenter\" title=\"rush_mrossi_t4f_1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Na m\u00e1quina do tempo com o Rush<br \/>\nPor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/terencemachado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Terence Machado<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certo de que n\u00e3o veria nunca o Rush se apresentando em solo brasileiro, embarquei com dois amigos para assistir a dois shows da banda canadense, nos Estados Unidos, em 1996, na turn\u00ea \u201cTest For Echo\u201d. O primeiro, que eu mal poderia imaginar ser o abre alas de uma pequena s\u00e9rie, foi em Tampa, na Fl\u00f3rida. O ingresso era na d\u00e9cima terceira fila, no que seria a nossa pista, mas com lugar marcado. Eu vinha de um casamento de um amigo a mais de 300km de dist\u00e2ncia de BH, onde embarquei no dia seguinte rumo \u00e0 S\u00e3o Paulo, depois Miami, com direito a uma paradinha rotineira do v\u00f4o da Lloyd boliviana, em Santa Cruz de La Sierra. De Miami a Tampa, mais de cinco horas na estrada, e ainda a espera pelos ingressos comprados por um comparsa americano e ele atrasou. Com isso, fomos direto para o local do show. N\u00e3o dava mais para ir ao hotel, primeiro. J\u00e1 d\u00e1 pra imaginar como era o nosso estado f\u00edsico pra enfrentar o t\u00e3o sonhado show do Rush.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ice Palace, 09 de dezembro de 1996 \u2013 Tampa, FL<\/em><br \/>\nCom as batidas de guitarra e bateria de \u201cDreamline\u201d do \u00e1lbum \u201cRoll The Bones\u201d e efeitos de raio laser, no campo visual, o show come\u00e7ou com pontualidade brit\u00e2nica, coisa ainda rara no Brasil, naquela \u00e9poca. E para nossa total surpresa o som n\u00e3o estava l\u00e1 essas maravilhas, contradizendo tudo o que eu j\u00e1 havia escutado sobre as apresenta\u00e7\u00f5es do Rush. Sei l\u00e1 por qual motivo, quando compramos o ingresso, o show seria realizado em Orlando e, depois, anunciaram que haviam mudado o local para Tampa. E era um gin\u00e1sio rec\u00e9m constru\u00eddo para partidas de h\u00f3quei no gelo! N\u00e3o por acaso o show foi meio frio, mesmo para um f\u00e3 na d\u00e9cima terceira fila. A ac\u00fastica n\u00e3o ajudava, pois o lugar era todo de vidro e concreto. Ta\u00ed uma id\u00e9ia para otimizarem o aproveitamento do Chevrolet Hall, em Belo Horizonte, Credicard Hall, em S\u00e3o Paulo, e tantos outros \u201challs\u201d(e n\u00e3o estou falando do drops), com suas ac\u00fasticas sofr\u00edveis. Para o primeiro encontro com uma das minhas bandas favoritas foi pouco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>The Omni, 11 de dezembro de 1996 \u2013 Atlanta, GA<\/em><br \/>\nDia seguinte, p\u00e9 na estrada para cruzarmos a Fl\u00f3rida em dire\u00e7\u00e3o a Atlanta, no estado da Georgia, onde assistir\u00edamos ao segundo show. Essa viagem de carro, escutando as classic rock radios americanas j\u00e1 valeram. N\u00e3o tocava nada abaixo de AC\/DC, com Bon Scott, na escala rock. Isso, e ainda o tapete em forma de asfalto e bons sons entre amigos a caminho de um segundo show do Rush. Do que eu poderia reclamar? Em Atlanta, j\u00e1 no dia do show, entramos no The Omni, que abrigou, entre outras coisas, a final do basquete nas olimp\u00edadas daquele mesmo ano. S\u00f3 descobrimos de fato qual eram os nossos assentos, j\u00e1 dentro do lugar, no que bateu um des\u00e2nimo moment\u00e2neo. Eram cadeiras frontais \u00e0 lateral do palco, ou seja, ver\u00edamos a banda tocar de lado! Mas ao contr\u00e1rio da experi\u00eancia em Tampa, os primeiros acordes entregaram o quanto o som estaria perfeito durante toda a apresenta\u00e7\u00e3o. O extra foi a oportunidade de acompanhar a performance de Neil Peart por um \u00e2ngulo privilegiado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6202 aligncenter\" title=\"rush_mrossi_t4f_7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_7.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Est\u00e1dio do Morumbi, 22 de novembro de 2002<\/em><br \/>\nCom o pedido de credenciamento aceito pela assessoria do show, resolvi ir mais cedo com um amigo (um dos dois que me acompanharam na gringa) buscar a credencial. No que entramos no est\u00e1dio, algu\u00e9m veio com a informa\u00e7\u00e3o de que o Rush passaria o som nos pr\u00f3ximos minutos. Descemos rumo ao gramado (pista) do Morumbi, fomos \u00e0 primeira fila de cadeiras da ala vip e ficamos l\u00e1 sentados. N\u00e3o \u00e9 que Lee, Lifeson e Peart entraram em cena e come\u00e7aram a passar o som \u201cpra n\u00f3s dois\u201d, mais alguns integrantes do Sepultura e outros gatos pingados, no est\u00e1dio? N\u00e3o sei se foi sorte de f\u00e3, mas quando acabou a passagem de som, dei a volta no palco, n\u00e3o fui barrado por uma viva alma e, quando percebi, estava andando lado a lado com Neil Peart. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que n\u00e3o consegui esbo\u00e7ar qualquer tipo de plano ou pensamento, na tentativa de comunica\u00e7\u00e3o com ele, certo? Mas foi o suficiente pra ter certeza de que o mestre \u00e9 mesmo de carne e osso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde, showtime, Morumbi lotado, uma imagem que est\u00e1 tatuada no meu c\u00e9rebro, n\u00e3o tive d\u00favidas de que aquele seria o maior p\u00fablico da banda, em todos os tempos, a menos que o show do Maracan\u00e3 levasse ainda mais gente. N\u00e3o levou! Uma noite e tanto, \u00e9 disparado minha melhor experi\u00eancia ao vivo diante do power trio, seguida de perto pelo show de Atlanta, em 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Maracan\u00e3, 23 de Novembro de 2002<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu quarto show do Rush, e eu estava, finalmente, relaxado. Mas, sabendo que aquela apresenta\u00e7\u00e3o ganharia registro em DVD, tinha tudo pra ser outra aventura e tanto. E pra sorte do Rush, levando em conta essa grava\u00e7\u00e3o, o show do Rio superou o de S\u00e3o Paulo em um quesito: o p\u00fablico. Sem cadeiras ou \u00e1rea vip, f\u00e3s muito mais ortodoxos do que eu se espremeram, pularam e cantaram todas as m\u00fasicas, inclusive, a instrumental \u201cYYZ\u201d. O som do DVD deixa a desejar, mas as imagens contaram muito bem o que aconteceu naquele dia. Inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Morumbi, 08 de outubro de 2010<\/em><br \/>\nSabia que, se a banda n\u00e3o acabasse, voltaria ao Brasil, ao menos, como forma de agradecer a recep\u00e7\u00e3o ultra calorosa e \u00edmpar, na ocasi\u00e3o da primeira visita. Desta vez, n\u00e3o fui como jornalista, mas f\u00e3 que \u00e9 f\u00e3 compra ingresso e n\u00e3o se deixa abater. L\u00e1 estava, no mesmo Morumbi que me proporcionara um momento sui generis, com dois amigos e colegas de trabalho, na pista comum. E outro, que me acompanhou nos quatro shows anteriores tamb\u00e9m estava l\u00e1, mas na arquibancada, com o filho de oito anos \u2013 tempo que separou o primeiro show no Brasil deste retorno. E foi decepcionante ver no que se transformou essa elitiza\u00e7\u00e3o babaca do acesso aos shows, com as tais pistas vip, premium e camarotes da vida. Se elas existissem, mas n\u00e3o tirassem dos f\u00e3s a chance de ver seus \u00eddolos de perto, seria algo aceit\u00e1vel. Mas afastar os f\u00e3s que n\u00e3o podem ou querem pagar pre\u00e7os geralmente salgados pelos ingressos, l\u00e1 para o meio de campo, levando em conta a divis\u00e3o que fizeram no Morumbi, \u00e9 total bola fora. Certo \u00e9 que mesmo estando na turma do gargarejo da pista comum, Geddy Lee, Neil Peart e Alex Lifeson ficaram distantes. Assim como o som, que prejudicado por um incans\u00e1vel vento, deixava as m\u00fasicas ora mais baixas ora mais altas. O est\u00e1dio estava com pouco mais de meia lota\u00e7\u00e3o, considerando a hist\u00f3rica plat\u00e9ia de oito anos antes. 38 mil pagantes, foi o que divulgaram. Indo direto ao ponto, os v\u00eddeos projetados antes, durante e ap\u00f3s o show, j\u00e1 valeriam o ingresso. Eu s\u00f3 n\u00e3o teria colocado na edi\u00e7\u00e3o as m\u00fasicas que a banda tocaria em seguida, mesmo com a brincadeira e o sarro todo proposto pelas historietas de alguns dos v\u00eddeos, com os integrantes do Rush, ou melhor, a banda fict\u00edcia Rash. A primeira parte da apresenta\u00e7\u00e3o teve seus momentos, mas nada que chegasse perto da esperad\u00edssima parte dois, com a \u00edntegra do incompar\u00e1vel \u201cMoving Pictures\u201d sendo tocado ao vivo e na ordem original. \u201cThe Camera Eye\u201d nunca foi das minhas prediletas, nem do \u00e1lbum, mas ao vivo realmente chapou. \u201cWitch Hunt\u201d tamb\u00e9m merece lugar de destaque e acabou superando \u201cVital Signs\u201d, que fechou a antol\u00f3gica sequ\u00eancia. E, se depois disso, o f\u00e3 p\u00f4de conferir ainda parte do \u201c2112\u201d, \u201cLa Villa Strangiato\u201d e \u201cWorking Man\u201d, \u00e9 s\u00f3 pra ter 101% de certeza que o Rush \u00e9 das melhores bandas do planeta. \u201cWorking Man\u201d, perdeu bastante, sem o cl\u00e1ssico riff, na introdu\u00e7\u00e3o, substitu\u00eddo por uma levada reggae. Mas em compensa\u00e7\u00e3o, num livre improviso, durante o solo, a trinca de azes comprovou o que o guitarrista Alex Lifeson vem dizendo ultimamente: \u201cestamos tocando como nunca\u201d. Pontos fracos do show: a sequ\u00eancia com \u201cWorkin\u2019 Them Angels\u201d, \u201cLeave That Thing Alone\u201d, \u201cFaithless\u201d e a nova \u201cBU2B\u201d, que tinham possibilidades m\u00faltiplas de m\u00fasicas melhores para substitu\u00ed-las, n\u00e3o que essas sejam ou que a execu\u00e7\u00e3o das mesmas tenham sido ruins&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6203 aligncenter\" title=\"rush_mrossi_t4f_6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/rush_mrossi_t4f_6.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/thiago.pereira.56808\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Thiago Pereira<\/a> e <a href=\"http:\/\/twitter.com\/terencemachado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Terence Machado<\/a> integram o <a href=\"http:\/\/programaaltofalante.uol.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alto Falante<\/a>, site, programa de r\u00e1dio e de TV<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Rush \u00e9 m\u00fasica de nerd, de chato, de gente que gosta de m\u00fasica tocada por m\u00fasicos, m\u00fasica de veado que acha que \u00e9 roqueiro&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/10\/25\/na-maquina-do-tempo-com-o-rush\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":72,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2043],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6196"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/72"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6196"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6196\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52049,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6196\/revisions\/52049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}