{"id":61812,"date":"2021-08-05T02:34:02","date_gmt":"2021-08-05T05:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=61812"},"modified":"2021-10-13T18:00:12","modified_gmt":"2021-10-13T21:00:12","slug":"entrevista-karl-willetts-memoriam-ex-bolt-thrower-levantando-a-bandeira-antifascista-na-batalha-pela-musica-extrema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/05\/entrevista-karl-willetts-memoriam-ex-bolt-thrower-levantando-a-bandeira-antifascista-na-batalha-pela-musica-extrema\/","title":{"rendered":"Entrevista: Karl Willetts (Memoriam \/ ex-Bolt Thrower) levantando a bandeira antifascista na batalha pela m\u00fasica extrema"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida \u00e9 uma guerra. Uma luta di\u00e1ria por sobreviv\u00eancia \u2014 algo que esses tempos pand\u00eamicos escancaram. Das trincheiras dessa batalha inerente ao existir emergiu o vocalista ingl\u00eas Karl Willets, atualmente \u00e0 frente do Memoriam, mas seguidamente lembrado como vanguarda no cultuado Bolt Thrower. Foi urrando aos quatro ventos sobre conflitos \u2014 os que envolvem p\u00f3lvora e sangue, mas tamb\u00e9m os metaf\u00f3ricos, esses mais relacionados \u00e0s contendas pessoais de cada guerreiro na Terra \u2014 que o hoje senhor de 54 anos ficou conhecido. Se por um lado o simp\u00e1tico m\u00fasico ingl\u00eas versa sobre as peleias com seriedade, de outro nos permite uma analogia menos sisuda com o tema: o homem \u00e9 uma metralhadora com as palavras, dispara ideias com sua potente voz em ritmo fren\u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSempre fa\u00e7o isso. Algu\u00e9m me pergunta algo e falo por meia hora. Eu acabo com suas perguntas respondendo tudo de uma vez sem nem ser questionado (risos)\u201d, reconhece, divertindo-se. Mas a brincadeira fica por a\u00ed. E Karl faz quest\u00e3o de refor\u00e7ar seu posicionamento no front contra um inimigo que ganha for\u00e7a atualmente: o fascismo. \u201cGosto dessa perspectiva de que o que escrevo \u00e9 motivado politicamente. N\u00e3o tenho vergonha nenhuma de tremular minha bandeira vermelha e negra e proclamar mensagem antifa. N\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista, \u00e9 um estado de esp\u00edrito. O antifascismo existe porque h\u00e1 o fascismo. Ou voc\u00ea \u00e9 uma coisa ou \u00e9 outra\u201c, sentencia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram quase tr\u00eas d\u00e9cadas de gl\u00f3rias \u2014 aqui n\u00e3o estamos falando de sucesso comercial \u2014 encabe\u00e7ando o pelot\u00e3o death metal Bolt Thrower. Entre as conquistas do grupo, est\u00e1 o respeito dos f\u00e3s<a href=\"https:\/\/bolt-thrower.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> \u00e0 discografia com sete \u00e1lbuns de est\u00fadio<\/a> (\u201cIn Battle There Is No Law!\u201d [1988], \u201cRealm of Chaos: Slaves to Darkness\u201d [1989], \u201cWar Master [1991], \u201cThe IVth Crusade ]1992], \u201c&#8230;For Victory\u201d [1994], \u201cMercenary\u201d [1998], \u201cHonour \u2013 Valour \u2013 Pride\u201d [2001, que traz Dave Ingram, do Benediction, em vez de Karl nos vocais] e \u201cThose Once Loyal\u201d [2005]). Mas uma baixa na horda mudou os planos: em 2015, o baterista Martin Kearns morreu de ataque do cora\u00e7\u00e3o, aos 38 anos. As cicatrizes foram profundas, e em 2016 o Bolt Thrower encerrou oficialmente as atividades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o death metal, na vis\u00e3o de Karl, \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, ele criou o Memoriam para homenagear o parceiro que deixou este plano. A sonoridade carrega muitas das armas pelas quais o Bolt Thrower ficou conhecido, mas usa estrat\u00e9gias diferentes, com abordagens mais ecl\u00e9ticas. Ap\u00f3s <a href=\"https:\/\/willettsio.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma trilogia de \u00e1lbuns sobre o ciclo da morte<\/a> (\u201cFor the Fallen\u201d [2017], Silent Vigil\u201d [2018] e \u201cRequiem for Mankind\u201d [2019]), a tropa atual de Karl aponta para outra dire\u00e7\u00e3o. \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NmJbnwdDJsA&amp;list=OLAK5uy_lNnXfgYBSEhRQmabb_QxDSII-laMy2HgM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">To The End<\/a>\u201d, lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 2021, abre uma sequ\u00eancia de tr\u00eas discos, dessa vez dando \u00eanfase ao ciclo da vida. A ideia \u00e9 que esse nova trilogia conte a hist\u00f3ria do que ocorreu antes dos primeiros trabalhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a investida com o Memoriam, o vocalista tem alistados a seu lado Frank Healy (baixo, ex-Sacrilege \/ ex-Benediction), Scott Fairfax (guitarra, ex-Massacre) e o recruta com larga experi\u00eancia Spikey T. Smith (com passagens por Killing Joke, Sacrilege, The Damned, English Dogs e outros nomes de peso). Em um papo nada belicoso, Karl nos fala sobre a carreira na m\u00fasica extrema \u2014 e fora dela \u2014, aborda o conceito dos discos, revela a paix\u00e3o por Killing Joke, lembra-se da gradua\u00e7\u00e3o em Estudos Culturais, posiciona-se diante da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do mundo e conta alguns pequenos embates com redes sociais e outras ferramentas on-line. Avante! Veja a entrevista completa, em ingl\u00eas, neste v\u00eddeo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Interview with Karl Willetts (Memoriam \/ ex-Bolt Thrower)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9UnmBrS_i3E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pode me autorizar a gravar a entrevista pelo Zoom?<\/strong><br \/>\nComo fa\u00e7o isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abaixo na tela da ferramenta tem escrito \u201cparticipantes\u201d. V\u00e1 em cima do meu nome e marque a op\u00e7\u00e3o \u201cautorizar grava\u00e7\u00e3o\u201d.<\/strong><br \/>\nVou te contar: depois de fazer umas 50 entrevistas usando isso (Zoom), \u00e9 a primeira vez que aprendo como fazer esse neg\u00f3cio (permitir um convidado a gravar usando a ferramenta). Eu estou gravando, voc\u00ea est\u00e1 gravando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como fez com as entrevistas anteriores?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sabia como fazer e ningu\u00e9m me mostrou. Muito obrigado! Eu gravava por aqui e depois enviava por wetransfer para as pessoas. O que n\u00e3o era um problema, mas envolvia mais trabalho. Assim como estamos fazendo \u00e9 muito mais f\u00e1cil. E estamos gravando, n\u00e3o fale coisas como v\u00e1 se foder idiota! (risos). Estou aqui, bebendo uma cerveja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E eu um caf\u00e9, estou no meio de um dia de trabalho, aqui s\u00e3o 14h.<\/strong><br \/>\nAqui s\u00e3o 18h. \u00c9 fim de mais um dia de labuta, tempo para espairecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem um emprego regular?<\/strong><br \/>\nSim, sim! Com esse tipo de som que fazemos n\u00e3o se pode ganhar uma renda sustent\u00e1vel. Depois de 30 anos, voc\u00ea sabe&#8230;. Houve um per\u00edodo da vida, no come\u00e7o dos anos 1990, em que eu s\u00f3 tocava em tempo integral. Mas, hoje em dia, com contas para pagar e filhos para me preocupar\u2026. Todos n\u00f3s na banda temos trabalhos normais. Eu sou tipo gerente de empr\u00e9stimo comercial em uma startup de neg\u00f3cios apoiada pelo governo. Em ess\u00eancia, eu sou o destruidor de sonhos, o aniquilador de ambi\u00e7\u00f5es. \u201cVoc\u00ea quer abrir seu neg\u00f3cio, senhor?\u201d. Voc\u00ea pede um empr\u00e9stimo e eu liquido com ele (risos). Brincadeira! Na verdade, damos suporte a quem quer, porque o \u00fanico jeito de a economia sobreviver \u00e9 encorajando as pessoas. \u00c9 um trabalho interessante, temos aplica\u00e7\u00f5es variadas. E, especialmente com os impactos da Covid, todos no mundo est\u00e3o batalhando, e um jeito de passar por isso \u00e9 abrir seu pr\u00f3prio empreendimento. \u00c9 essa atividade que me mant\u00e9m ocupado e paga minhas contas. A grana que entra pela banda, que n\u00e3o \u00e9 muito no momento, eu compro as coisas bacanas, tipo curtir um feriado \u2013 algo que n\u00e3o estamos fazendo nessa pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 voc\u00ea o respons\u00e1vel pelas redes sociais do Memoriam?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, esse \u00e9 um trabalho que eu n\u00e3o fa\u00e7o. Eu tinha acesso como administrador do Facebook da p\u00e1gina da banda, com cerca de 33 mil curtidas. Mas n\u00e3o sei que merda eu fiz que perdemos tudo e ainda bloquei acessos de outras pessoas para mexer na p\u00e1gina. Conseguimos recuperar tudo depois de uns seis meses tentando desesperadamente. Estou ativo nas redes, me envolvo, mas, para meu pr\u00f3prio bem, n\u00e3o sou autorizado a controlar a p\u00e1gina da banda. Quem cuida dessa parte \u00e9 um amigo nosso, que faz isso de forma independente. Isso nos tira o fardo dessa press\u00e3o para nos concentrarmos no que sabemos fazer, que \u00e9 som. Todos da banda t\u00eam atribui\u00e7\u00f5es fora as de ser m\u00fasicos. Eu cuido do merchandising, por exemplo, dos pedidos de camisetas. Frank (Healy) \u00e9 mais da parte art\u00edstica, fica respons\u00e1vel pelo que envolve a gravadora e tamb\u00e9m organiza alguns shows indiretamente. Temos profissionais fazendo isso, mas o Frank chega junto porque tem experi\u00eancia de agendamento h\u00e1 uns 30 anos. O Scott (Fairfax) a gente deixa s\u00f3 criando riffs, \u00e9 o que ele faz bem. O mant\u00e9m ocupado, pois \u00e9 um monstro dos riffs, e estamos felizes com isso. Ent\u00e3o temos fun\u00e7\u00e3o extras que se relacionam com algo que sabemos fazer. Social media n\u00e3o \u00e9 o caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os primeiros tr\u00eas discos do Memoriam s\u00e3o uma trilogia sobre a morte. O novo trabalho, \u201cTo the End\u201d, d\u00e1 in\u00edcio a uma nova sequ\u00eancia de tr\u00eas registros, por\u00e9m versando sobre o ciclo da vida \u2014 que inevitavelmente leva \u00e0 morte. Por que essa mudan\u00e7a de perspectiva e o que te atrai em trilogias?<\/strong><br \/>\nMeio que gosto de ter um plano, algo para me dedicar. \u00c9 o contador de hist\u00f3rias que h\u00e1 em mim. Tematicamente falando, as letras s\u00e3o sobre temas diversos, mas \u00e9 interessante ter uma linha narrativa que se desenvolve por t\u00f3picos sobre aquilo que estamos versando, sobre onde queremos chegar. E isso funcionou muito bem com os tr\u00eas primeiros discos. S\u00e3o trabalhos nascidos de um lugar bem obscuro e mostram as primeiras evolu\u00e7\u00f5es do grupo. Eles v\u00eam da experi\u00eancia devastadora de perder um amigo, o Martin. Isso foi uma grande influ\u00eancia, especificamente no nosso debut, mas se estendeu pelos outros dois registros. Por isso que dizemos que o tema era esse ciclo da morte. Al\u00e9m disso, o foco central, visualmente falando nas capas, era o caix\u00e3o. Com \u201cTo the End\u201d, n\u00f3s contamos a hist\u00f3ria antes disso. \u201cFor the Fallen\u201d \u00e9 como o caix\u00e3o desfilando pela terra devastada por batalhas logo depois de o l\u00edder ser morto. \u201cSilent Vigil\u201d \u00e9 como um tributo \u00e0s massas, onde os corpos descansam. J\u00e1 \u201cRequiem for Mankind\u201d \u00e9 quando o corpo \u00e9 enterrado e consumido pelo solo. Agrada-me o conceito de ter uma trilogia art\u00edstica, em que a parte gr\u00e1fica dialoga diretamente com essa ideia e flui como imagem e tema. E eu sempre curti viver essa defini\u00e7\u00e3o, ou ter essa defini\u00e7\u00e3o, relacionada com a m\u00fasica que criamos, que \u00e9 death metal. Esse estilo \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o da vida que levamos, pura divers\u00e3o por tocar esse som, especialmente ao vivo. Foi isso que nos levou a essa nova ideia de desenvolver mais uma trilogia. Acho que quando eu estava escrevendo as letras, tive bastante influ\u00eancia do mundo que nos rodeava. E est\u00e1vamos em um lugar bem sombrio com o lance do coronav\u00edrus. Mas, ao mesmo tempo, pensava: certo, isso est\u00e1 acontecendo, mas n\u00e3o vai durar pra sempre. Deve haver uma luz no fim do t\u00fanel e essa experi\u00eancia global pela qual passamos, comunitariamente, vai nos colocar todos juntos e meio fazer do mundo um lugar melhor em alguns aspectos. Ao menos \u00e9 o que quero crer. Assim, h\u00e1 um elemento de esperan\u00e7a e alegria olhando para o futuro, em vez de mis\u00e9ria, desespero e tristeza. Aqui (aponta para o fundo de tela com a arte de Dan Seagrave que ilustra a capa do \u00e1lbum mais recente) estou em meio a t\u00famulos em um cen\u00e1rio dist\u00f3pico de mundo. Essa arte significa a mudan\u00e7a, com cores mais vibrantes. Voc\u00ea pode ver a luz ao fundo, e o l\u00edder \u2014 no centro da arte \u2014 est\u00e1 vivo. \u00c9 a primeira vez que ele aparece de uma maneira em que n\u00e3o est\u00e1 no caix\u00e3o. E est\u00e1 segurando uma esfera que simboliza a vida em certos aspectos. \u00c9 a primeira apari\u00e7\u00e3o, de um ciclo de tr\u00eas, que estamos chamando de ciclo da vida. O fim do ciclo da vida, na real. Trata-se de uma prequ\u00eancia de \u201cFor the Fallen\u201d. Aqui \u00e9 como se fosse a batalha, na qual o rei, ainda vivo, leva suas tropas e acaba em \u201cFor the Fallen\u201d. Eu fui um pouco Goerge Lucas aqui, um tanto quanto o louco do \u201cStar Wars\u201d. Minha ideia \u00e9 fazer uma trilogia em reverso agora, esse \u00e9 o plano para esse e os dois discos subsequentes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_61817\" aria-describedby=\"caption-attachment-61817\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61817 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Memoriam-por-Timm-Sonnenschein-.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"499\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Memoriam-por-Timm-Sonnenschein-.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Memoriam-por-Timm-Sonnenschein--300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61817\" class=\"wp-caption-text\"><em>Memoriam \/ Foto por Timm Sonnenschein <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que a banda pensa sobre essa proposta?<\/strong><br \/>\nInclusive, surpreendi os outros caras da banda com essa ideia de trilogia mais uma vez. Falei isso pra eles enquanto faz\u00edamos um release para a Nuclear Blast (gravadora) sobre o primeiro \u00e1lbum. A\u00ed que revelei esse conceito. E foi um choque pra eles. Agora, fiz isso de novo, porque nem eu tinha me dado conta de que estava planejando fazer uma sequ\u00eancia de tr\u00eas discos conceituais. Mas \u00e9 legal, nos d\u00e1 um norte. Nos faz seguirmos adiante, mantendo o \u00edmpeto fluindo para a banda. Isso \u00e9 importante, pois queremos atingir o m\u00e1ximo poss\u00edvel enquanto temos condi\u00e7\u00f5es. Estamos todos nos 50 anos \u2014 Scott deve estar nos seus 40 e poucos \u2014 e sabemos que n\u00e3o vai ser poss\u00edvel fazer isso pra sempre. Vai chegar um momento na vida em que n\u00e3o teremos capacidade mental ou f\u00edsica para seguir. A n\u00e3o ser que nos tornemos os Rolling Stones do death metal, nunca se sabe. Essa quest\u00e3o da continuidade necess\u00e1ria para os pr\u00f3ximos dois discos nos mant\u00e9m ocupados por uns dois ou tr\u00eas anos. Seguimos adiante a passos vorazes. J\u00e1 temos uns quatro ou cinco sons esbo\u00e7ados para um disco novo. Nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 gravar em 2022 e lan\u00e7ar no fim do ano. Temos de ver como as coisas v\u00e3o funcionar com cronogramas, porque acho que tudo (a cadeia que envolve um \u00e1lbum) pode estar lotado. H\u00e1 muitas bandas gravando porque n\u00e3o h\u00e1 mais o que se fazer. N\u00e3o podemos tocar, ent\u00e3o \u00e9 o que resta. E tem a procura massiva pelas plantas de prensagem. Vai ser preciso ver disponibilidade, mas a ideia \u00e9 gravar ano que vem. Por ora, usamos nosso tempo de maneira positiva. Estamos trancados por causa do coronav\u00edrus, n\u00e3o tocamos ao vivo desde 2020. Ent\u00e3o, usamos o tempo para criar novas composi\u00e7\u00f5es e tem sido uma boa experi\u00eancia. Estamos focados em escrever o \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Concentrar-se nisso tem sido proveitoso?<\/strong><br \/>\nNormalmente, sempre que estamos fazendo um disco rolam contratempos, porque tem os shows. N\u00e3o somos uma banda de turn\u00ea, mas temos compromissos com shows em mais ou menos um fim de semana sim e outro n\u00e3o. Ent\u00e3o, estamos envolvidos com viagem, em avi\u00e3o, geralmente pela Europa. Al\u00e9m disso, h\u00e1 os ensaios e essas tarefas nos tomam tempo. Dessa vez, sem essas complica\u00e7\u00f5es da vida, sem distra\u00e7\u00f5es dos shows, focamos completamente no disco. E acho que, talvez por isso, \u201cTo the End\u201d se destaca dos demais trampos que fizemos. \u00c9 mais diverso em sonoridades, estruturas, tons e texturas. Claro, tem a quest\u00e3o do novo baterista, que torna as coisas diferentes. Tem a nova gravadora tamb\u00e9m, d\u00e1 uma energia nova na promo\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de termos tido tempo para trabalhar as m\u00fasicas em vez de fazer letras e pensar melodias de \u00faltima hora. Sobre a parte l\u00edrica, em vez de seis semanas, tive meio ano. Isso me deu oportunidade de reescrever partes e gravar demos, algo que nunca tinha feito nesses 30 anos loucos trabalhando com m\u00fasica extrema. Era sempre \u201cvai o que sair\u201d. Dessa vez, pude fazer uns testes, ver o que ficava bom. Quando chegou a hora de gravar, estava mais preparado e tranquilo, porque sabia exatamente o que queria como resultado. Vamos tentar isso para o pr\u00f3ximo disco. N\u00e3o sabemos o que vai acontecer na quest\u00e3o dos shows. No Reino Unido, temos algumas gigs marcadas porque est\u00e3o dentro das nossas pequenas fronteiras solit\u00e1rias de ilha do Brexit. Fora daqui h\u00e1 uma s\u00e9rie de restri\u00e7\u00f5es para viagens e isso est\u00e1 em constante mudan\u00e7a em raz\u00e3o da maldita covid. Grava\u00e7\u00f5es t\u00eam sido per\u00edodos bacanas, tenho gostado mais nessa altura da vida do que antes. Aprecio isso pelo que realmente \u00e9. Acho que pela experi\u00eancia e idade, faz voc\u00ea apreciar mais o que est\u00e1 acontecendo, pois sabe o que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil estar ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 conhecido como o vocalista das guerras, aquele que aborda muito bem batalhas e sangue no ch\u00e3o \u2014 e, claro, t\u00f3picos inerentes a isso, como gan\u00e2ncia, quest\u00f5es sociais e psicol\u00f3gicas. Mas, pelo menos para mim, parece que com o Memoriam o leque se expandiu, e voc\u00ea est\u00e1 mais confort\u00e1vel em falar abertamente sobre outras quest\u00f5es. E isso fica mais gritante em \u201cTo the End\u201d, certo?<\/strong><br \/>\nSim, certamente. Acho que isso tem a ver com a idade, com a experi\u00eancia. Toda minha carreira, nos \u00faltimos 30 anos, junto com minha antiga banda, o Bolt Thrower, o foco central sempre foram as guerras. Claro, sempre com possibilidade de interpreta\u00e7\u00e3o, pois as letras foram escritas de forma a permitir essa abertura para outros entendimentos. Guerra pode ser vida, no geral. E \u00e9 assim que eu via quando estava escrevendo. H\u00e1 uma constante luta pela exist\u00eancia como humanidade. O lance \u00e9 que no Bolt Thrower tinha que ter a tem\u00e1tica da guerra, a banda era sobre isso. Era bacana e funcionava, mas era um tanto limitante, n\u00e3o me permitia ir al\u00e9m, desenvolver ou tentar algo diferente. E essa \u00e9 a beleza do que estou fazendo com o Memoriam. Sim, h\u00e1 similaridades e as compara\u00e7\u00f5es sempre v\u00e3o existir. \u00c9 a minha voz, afinal. Entretanto, sempre estamos tentando dar um passo adiante, sair das sombras das nossas bandas anteriores, formar nosso pr\u00f3prio senso de identidade. E \u00e9 uma batalha, para ser honesto. Sei que sem o que eu fiz no passado n\u00e3o estaria onde estou agora. Mas \u00e9 passado. Agora estamos preocupados com o presente e o futuro. Algumas vezes \u00e9 chato, as pessoas n\u00e3o aceitam o que estamos tentando fazer agora. Superem isso! (risos). Estou brincado! Bom, sobre as letras, \u00e9 como se fosse um bloco de notas em aberto no qual posso escrever sobre o que considero importante na vida. Sempre vai haver elementos sobre guerra. Fiz isso por muitos anos e poderia fazer dormindo, \u00e9 uma zona de conforto. \u00c9 onde geralmente come\u00e7o ao escrever letras, mas a\u00ed quebro esse paradigma e posso injetar outras quest\u00f5es. Em \u201cTo the End\u201d, temos as can\u00e7\u00f5es \u201cOnwards Into Battle\u201d e \u201cThis War is Won\u201d que s\u00e3o mais relacionadas a guerras. Mas nessa plataforma h\u00e1 a possibilidade de explorar outros assuntos que considero importantes no mundo em que vivemos. Se ignorasse meu entendimento, o que eu vejo que ocorre no planeta, situa\u00e7\u00f5es desafiadoras ou perigosas que valem ser mencionados, eu n\u00e3o seria justo comigo. \u00c9 minha posi\u00e7\u00e3o como letrista e vocalista ficar no palanque e pontificar temas pertinentes. H\u00e1 muitos coment\u00e1rios sociais, culturais e pol\u00edticos no que escrevo hoje em dia. Deixa muito claro de onde venho, minha vis\u00e3o pol\u00edtico-social. \u00c9 algo firmemente de esquerda, antifascista, e me orgulho disso. Sou apoiador de posicionamentos contra o racismo, o sexismo, a intoler\u00e2ncia. O crescimento da ideologia de extrema-direita pelo mundo \u00e9 assustadora de se observar. N\u00e3o \u00e9 apenas um problema local, isso existe em qualquer pa\u00eds. \u00c9 alarmante e est\u00e1 sendo inflamado por pol\u00edticos como Donald Trump, que encorajam o crescimento da direita conservadora. Aqui no Reino Unido passamos por bons bocados com o Brexit, com a retirada da Uni\u00e3o Europeia. E est\u00e1 tudo baseado em quest\u00f5es de ra\u00e7a, na agenda da direita. Tudo tem a ver com medo de outras pessoas, de forasteiros. \u201cEssa gente est\u00e1 destruindo a identidade brit\u00e2nica\u201d. Besteira! O mundo \u00e9 um lugar bem mais brilhante e excitante com as diferen\u00e7as. \u00c9 preciso aceitar as pessoas pelo que elas s\u00e3o e trazer isso para sua cultura. Tenho um posicionamento completamente oposto ao da extrema direita. E isso se reflete muito no conte\u00fado das letras. N\u00e3o espero mudar a mentalidade das pessoas, mas gosto de me permitir mostrar de onde venho. Eu me alinho com muita gente que ouve m\u00fasica e eles v\u00e3o entender o que quero passar e o que vem junto com isso. Levou um tempo, umas tr\u00eas d\u00e9cadas de experi\u00eancia, para chegar a esse ponto onde n\u00e3o estou nem a\u00ed para o que os outros pensam sobre o que fa\u00e7o. \u00c9 por mim e eu estou curtindo. Me sinto preparado para ficar no parapeito e lidar com as consequ\u00eancias. Se for preciso tirar alguns narizes nazistas do caminho, que seja.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Memoriam - Onwards Into Battle (OFFICIAL LYRIC VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/goDKHYj-UFY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pensa que essa vis\u00e3o mais progressista tem a ver com o fato de trabalhar com arte, de viajar pelo mundo, conhecer outras culturas?<\/strong><br \/>\nClaro! S\u00e3o v\u00e1rios fatores que fizeram minha mentalidade se desenvolver. Primeiro, minha heran\u00e7a musical enraizada no crust punk. Minha ideologia foi formada na cena anarcopunk brit\u00e2nica dos anos 1980. Nomes como Antisect, Amebix, Axegrinder e outras bandas desviantes que costumavam tocar no legend\u00e1rio Mermaid (pub de Birminghan que abra\u00e7ou um ent\u00e3o incipiente cen\u00e1rio da m\u00fasica extrema). Tinha ainda o Crass, o Discharge. Curto bandas com conte\u00fado pol\u00edtico ou antipol\u00edtico. Isso estabeleceu alguns par\u00e2metros pra mim, no cora\u00e7\u00e3o e na mente. Tem, ainda, o fato de que quando deixei o Bolt Thrower em 1994\/95, cursei Estudos Culturais na Universidade de Birmingham. Isso contemplava teoria da cultura, teoria p\u00f3s-moderna, teoria cl\u00e1ssica contempor\u00e2nea social. Enfim, conceitos variados. Aprendi bastante sobre cultura africana, russa. Voc\u00ea aprende muito sobre o mundo a\u00ed fora. Tamb\u00e9m se conhece muito saindo para tocar em lugares diferentes. D\u00e1 uma vis\u00e3o mais ampla de mundo. \u00c9 preciso abra\u00e7ar a cultura e as diferen\u00e7as. Seria um lugar muito mon\u00f3tono se fossemos uma massa homog\u00eanea, tiv\u00e9ssemos a mesma mentalidade, a mesma ideologia. Gosto dessa perspectiva de que o que escrevo \u00e9 motivado politicamente. N\u00e3o tenho vergonha nenhuma de tremular minha bandeira vermelha e negra e proclamar mensagem antifa. N\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista, \u00e9 um estado de esp\u00edrito. O antifascismo existe porque h\u00e1 o fascismo. Ou voc\u00ea \u00e9 uma coisa ou \u00e9 outra. H\u00e1 outra camada nas letras, que \u00e9 o fato de sempre serem baseadas na vida e na experi\u00eancia. Temas como \u201cMy Heart Grows Cold\u201d, que \u00e9 provavelmente o meu preferido, pois tem um sentimento \u00e9pico. E \u00e9 sobre a vida. Eu fa\u00e7o 55 anos em 2021 e hoje em dia considero que posso fazer refer\u00eancias \u00e0s experi\u00eancias que tive. Acho que isso ressoa entre as pessoas que ouvem, pois muitos tamb\u00e9m cresceram com o tempo, alguns devem ter minha idade ou mais. Todos temos nossas viv\u00eancias, passamos por alegrias e tristezas e isso nos faz ser quem somos. Escrever sobre essas experi\u00eancias de vida e em geral me d\u00e1 uma satisfa\u00e7\u00e3o. \u201cEach Step (One Closer to The Grave)\u201d \u00e9 outro cl\u00e1ssico exemplo disso. Um \u00e9pico doom arrastado, algo que nunca tinha feito antes. Mostra que podemos explorar tons e texturas para al\u00e9m do \u00f3bvio conforme nossas vontades. \u00c9 bacana que o p\u00fablico aprecie, mas um pouco ego\u00edsta porque fazemos para agradar a n\u00f3s mesmos. Devemos curtir e o resto \u00e9 s\u00f3 b\u00f4nus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das minhas letras preferidas do disco novo \u00e9 \u201cMass Psychosis\u201d, que voc\u00ea inclusive disse em outras entrevistas que \u00e9 um som inspirado em Killing Joke \u2014 uma banda que muitos artistas extremos citam como refer\u00eancia? Por que acredita que o Killing Joke \u00e9 t\u00e3o reverenciado por bandas mais agressivas?<\/strong><br \/>\nAcho que eles s\u00e3o uma banda de m\u00fasicos mesmo, um grande conjunto. Creio que muitos pares respeitam o que eles fazem, pois os caras percebem a diferen\u00e7a de profundidade e os n\u00edveis da obra do Killing Joke. Eles est\u00e3o sempre \u00e0 frente, e seguem relevantes. Se voc\u00ea ler as letras por meio das mudan\u00e7as que ocorrem com tempo\u2026 \u201cPandemonium\u201d (1994) \u00e9 diferente do que eles j\u00e1 haviam feito, soa meio eletr\u00f4nico, tecnol\u00f3gico. Mas sintetiza bem o tempo em que foi feito, mantendo o peso. Em qualquer \u00e1lbum que eles lan\u00e7am h\u00e1 certo elemento que o torna incrivelmente profundo musicalmente. E para mim, como letrista, como frontman, Jaz Coleman \u00e9 um her\u00f3i absoluto. As letras dele s\u00e3o incr\u00edveis, captam os momentos, o mundo em nossa volta. Para mim ele \u00e9 um \u00edcone, sou muito f\u00e3. Enfim, d\u00e1 para ouvir os discos do Killing Joke depois de lan\u00e7ados e eles continuam impactantes e dialogando com o que ocorre no mundo. \u00c9 uma banda esperta musicalmente, tudo que fazem \u00e9 ouro. E nosso novo baterista Spike tocou com eles.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mass Psychosis\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fGRCq48F0jI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, n\u00e3o apenas com o Killing Joke, mas tamb\u00e9m com English Dogs, The Damned\u2026<\/strong><br \/>\nConflict, Sacrilege, Morrissey (n\u00e3o vou falar sobre isso&#8230;risos). O curr\u00edculo dele \u00e9 rico. E \u00e9 meio pela chegada do Spike que fizemos \u201cMass Psychosis\u201d, pensamos que seria legal usar essa conex\u00e3o ao m\u00e1ximo. E o Spike fez o que ele achou legal na bateria. Eu n\u00e3o havia ouvido a ideia dele at\u00e9 chegar no est\u00fadio e, assim que escutei, fiquei maravilhado. Ele acertou exatamente naquilo que gostar\u00edamos de atingir. Spike encapsulou o sentimento da arte, e esse som \u00e9 um tributo ao Killing Joke.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E tem mais um lance interessante que \u00e9 do fato de o Killing Joke ter uma faixa com tem\u00e1tica semelhante, que \u00e9 \u201cPsyche\u201d, lado b do single 7\u201d \u201cWardance\u201d. O tema \u00e9 um tanto parecido, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSim! \u00c9 um registro repetitivo, meio hipn\u00f3tico, que funciona muito bem. Falando sobre a nossa m\u00fasica, \u201cMass Psychosis\u201d, divide opini\u00f5es. Tem gente que n\u00e3o entendeu. Especialmente os alem\u00e3es, n\u00e3o sei o por qu\u00ea. Alguns deles ficaram confusos. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 metal\u201d (imita Karl, com sotaque germ\u00e2nico: \u201cthis is not me-tal\u201d). Alguns disseram que \u00e9 a pior faixa do disco, e outros a melhor. Eu adoro esse tipo de situa\u00e7\u00e3o, pois o novo disco tem muitas sonoridades distintas, com sentimentos variados. Isso \u00e9 um grande testamento do que estamos tentando com esse trabalho, algo que pretendemos continuar com o pr\u00f3ximo. Queremos explorar a criatividade, que \u00e9 o que nos interessa. N\u00e3o temos receio disso. Em ess\u00eancia, ter uma banda deveria ser sobre isso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_61815\" aria-describedby=\"caption-attachment-61815\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61815 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/bolttower.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"595\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/bolttower.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/bolttower-300x238.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61815\" class=\"wp-caption-text\"><em>Bolt Thrower<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 falamos sobre preconceitos, e essa quest\u00e3o tem a ver: o rock e o metal ainda s\u00e3o predominantemente um meio masculino. E no Bolt Thrower havia uma baixista garota, a Jo Bench. Isso em um tempo em que estar numa banda extrema j\u00e1 n\u00e3o era t\u00e3o simples para homens, qui\u00e7\u00e1 para uma mulher. Voc\u00ea e ela chegavam a conversar sobre quest\u00f5es de g\u00eanero na m\u00fasica? E qual a sua percep\u00e7\u00e3o sobre a percep\u00e7\u00e3o dela de ser uma figura feminina em uma banda?<\/strong><br \/>\nEra diferente. \u00c9 preciso ter em mente que ela tinha necessidades diferentes. Quando est\u00e1vamos em turn\u00ea, tent\u00e1vamos dar espa\u00e7o pra ela ser ela mesma e curtir. Tipo alguma \u00e1rea reservada. Mas, no geral, ela era como a gente, parte do grupo. N\u00e3o a trat\u00e1vamos de maneira diferente em rela\u00e7\u00e3o aos demais. Ela era uma integrante da banda, e ocupava a fun\u00e7\u00e3o que tinha pelos pr\u00f3prios m\u00e9ritos. Ela era a baixista e uma for\u00e7a motriz dentro da banda. Claro que \u00e9ramos cientes do fato de ela ser uma mulher e fic\u00e1vamos sempre alerta para ver se ela estava bem, se n\u00e3o era amea\u00e7ada. Acredito que as pessoas sempre foram respeitosas com ela e curtiam o que a Jo fazia. E ela estar onde estava foi ainda muito importante para outras mulheres terem oportunidade de pensar se queriam fazer aquilo tamb\u00e9m: \u201cSe a Jo est\u00e1 l\u00e1, talvez eu tamb\u00e9m possa\u201d. Foi uma inspira\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00f5es diferentes em mostrar a import\u00e2ncia de se ter mulheres na cena e quanto isso era necess\u00e1rio, pois \u00e9 um espa\u00e7o muito masculinizado. Era um meio que poderia ser mais igualit\u00e1rio, onde as mulheres podiam ser protagonistas sem serem oprimidas ou subjugadas. Opress\u00e3o \u00e9 sobre o que n\u00e3o deveria ser o metal extremo. A Jo foi pioneira e uma esp\u00e9cie de \u00edcone para muita gente questionar seu senso sobre sexualidade e sobre o que as mulheres poderiam fazer. Ela foi bem respeitada pelo trabalho que desempenhou e pavimentou caminhos para outras meninas no metal. Foi muito bom estar envolvido com algo que tem rela\u00e7\u00e3o com minha ideologia tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredita que o metal \u00e9 um espa\u00e7o seguro e acolhedor para grupos mais vulner\u00e1veis, como mulheres, negros e pessoas LGBTQIA+?<\/strong><br \/>\nGosto de pensar que sim. No meu mundo, \u00e9 e sempre vai ser. Tenho amigos de diferentes etnias e g\u00eaneros, e refor\u00e7o que isso \u00e9 que torna o mundo interessante. Acho que, atualmente, mais do que h\u00e1 20 anos, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais diversificada. Mas sim, ainda h\u00e1 um logo caminho a ser percorrido. Ainda h\u00e1 problemas da cena que precisam ser debatidos. A quest\u00e3o latente da ideologia tendenciosa de extrema direita, por exemplo. Por sorte, temos vozes falando mais alto, h\u00e1 mais pessoas aceitando as diferen\u00e7as. Somos orgulhosos de gays na cena, eles est\u00e3o ganhando espa\u00e7o. A mesma coisa com pessoas de cor. Precisamos ser ainda mais voc\u00e1licos e prol\u00edficos com essas quest\u00f5es para que possamos ir adiante. Houve mudan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao passado, mas ainda existe o que ser melhorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Trocando de assunto: voc\u00ea toma conta da sua voz?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o (risos)! \u00c9 estranho, algo acontece, uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica talvez. Eu tomo uma cerveja, n\u00e3o vou negar. Mas, se voc\u00ea pedir pra eu fazer vocal death metal agora, n\u00e3o vou conseguir. Tem de ter um contexto, preciso estar dentro da atmosfera para fazer. Tenho feito isso (vocal) por muito tempo. Eu chamo o que fa\u00e7o de grito ritmado, e funciona. Faz 30 anos que uso minha voz e desenvolvi um tipo de n\u00edvel de confian\u00e7a na minha habilidade. Voc\u00ea n\u00e3o tem de ser bom nesse lance de cantar. Tem \u00e9 de mostrar confian\u00e7a, juntar os pontos para isso. Enquanto for convincente na entrega, n\u00e3o dou a m\u00ednima para o que outros pensam. Fa\u00e7o o que fa\u00e7o e estou curtindo, \u00e9 o que importa. Como vocalista, n\u00e3o adianta querer emular algu\u00e9m. \u00c9 preciso ser voc\u00ea mesmo para se desenvolver. Tem de deixar fluir pela sua alma e cora\u00e7\u00e3o naturalmente, ent\u00e3o tudo vai se encaixar. Tentar imitar algu\u00e9m fica percept\u00edvel, as pessoas notam. Tem se soar natural, esteja onde estiver, seja na sala de ensaio ou numa sexta-feira \u00e0 noite fazendo shows locais. Apenar curta! Tire desses momentos o melhor que eles podem proporcionar, pois nunca se sabe o que est\u00e1 por vir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Li em uma entrevista antiga sua que rolaram ocasi\u00f5es em que sua voz sumia, mas quando come\u00e7avam os shows ela estava l\u00e1 e voc\u00ea n\u00e3o sabia de onde vinha.<\/strong><br \/>\nSim, isso n\u00e3o acontece com frequ\u00eancia, mas j\u00e1 rolou sim. \u00c9 algo bem estranho, pois a voz com a qual eu falo sumia completamente. E a ideia de estar diante do microfone, interagir com as pessoas sem estar aparentemente com voz, \u00e9 um tanto assustadora. Mas assim que se est\u00e1 no palco, a voz parece vir de um lugar diferente. N\u00e3o da laringe e faringe, mas mais como se fosse do peito. A for\u00e7a e energia da voz brotam. Teve uma vez que o Chris Reifert (vocal e bateria do Autopsy) me fez tomar uma garrafa de Jack Daniel\u2019s antes de um show e eu me senti muito mal \u2014 acho que mais psicologicamente do que fisicamente. Era um medo psicol\u00f3gico de n\u00e3o estar apto a fazer meu vocal. Mas assim que se est\u00e1 em no palco, a voz vem, talvez do sarc\u00f3fago aqui (aponta para o peito). \u00c9 doido, mas funciona. Claro, eu nunca fiz cinco ou seis shows em sequ\u00eancia. Era sempre dois ou tr\u00eas no fim de semana. Ent\u00e3o, nunca foi necess\u00e1ria essa press\u00e3o com a voz. Sou bem sortudo com esse of\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredita que, se tivesse passado por um cronograma pesado de turn\u00ea, sua voz poderia estar danificada?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o poderia fazer, mental e fisicamente. Neste ponto da vida, n\u00e3o h\u00e1 energia para isso. N\u00e3o rolaria. H\u00e1 uns 20 anos, o entusiasmo compensaria, embora ainda fosse um desafio fazer meia d\u00fazia de shows corridos. Mas agora, com os impactos da vida \u2014 cigarro, bebida\u2026 \u2014, \u00e9 um animal diferente para se lidar. S\u00e3o ferramentas novas para se trabalhar hoje em dia. Eu me concentro mais numa entrega concisa, clara e enunciada. Assim a plateia pode ouvir o que estou dizendo. Eu gasto um bom tempo escrevendo letras, as formulando, ent\u00e3o \u00e9 bacana que as pessoas possam entender as palavras que estou dizendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que essa inten\u00e7\u00e3o de entregar algo bacana est\u00e1 bem clara em \u201cTo the End\u201d. N\u00e3o apenas de sua parte, mas de toda a banda, que soa bem entrosada.<\/strong><br \/>\nIsso vem de se tocar junto. Leva uns dois ou tr\u00eas \u00e1lbuns para criar liga. Apesar de j\u00e1 conhecermos uns aos outros h\u00e1 anos, levou algum tempo para descobrir quem somos, como banda, e criar uma identidade. Acho que conseguimos isso com \u201cRequiem for Mankind\u201d, gravado no The Parlour St\u00fadio, com Russ Russel. Ele estar envolvido foi um grande passo para n\u00f3s, porque funcionamos muito bem juntos. Ele \u00e9 quase um quinto membro silencioso, trouxe muito para o que estamos fazendo. O Russ nos fez sentir mais confiantes em nossas habilidades no est\u00fadio, e a partir de agora vamos trabalhar esses pontos fortes. Com \u201cTo the End\u201d fomos al\u00e9m do modelo que criamos em \u201cRequiem for Mankind\u201d. Trata-se de um avan\u00e7o, e queremos construir algo em cima disso e ver onde vai parar, at\u00e9 onde conseguimos ir al\u00e9m de nossas barreiras. Talvez virarmos os Rolling Stones do death metal (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Curto pegar t\u00edtulos de \u00e1lbuns ou nomes de m\u00fasica e aplic\u00e1-los em outros contextos. Vamos a alguns exerc\u00edcios assim&#8230; Pra voc\u00ea onde a express\u00e3o \u2018No Guts, No Glory\u2019 (\u201csem coragem, sem vit\u00f3ria\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre) se aplica diariamente?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 um hino, al\u00e9m de um lema de vida. Tem sido usado por um grupo de pessoas na Holanda que faz caridade para ajudar pessoas com c\u00e2ncer. \u00c9 bacana saber que a m\u00fasica teve um amplo impacto e est\u00e1 servindo para o bem-estar social. \u201cNo Guts, No Glory\u201d \u00e9 uma maneira de viver a vida, de ir adiante, ignorar seus detratores. \u00c9 um jeito de ser forte e verdadeiro com voc\u00ea mesmo, fazendo o melhor poss\u00edvel da vida.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bolt Thrower - No Guts, No Glory (Live @ London Music Hall 2015)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wngmyBn1VnI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual a pior \u201cFailure to Comply\u201d (inobserv\u00e2ncia)?<\/strong><br \/>\nEu usava essa express\u00e3o quando falava sobre contrabandistas\/falsificadores (cambistas). Tem muitos deles tentando nos passar para tr\u00e1s e vender camisetas falsas da banda, algo que eles n\u00e3o t\u00eam autoridade para fazer, tampouco o direito. \u00c9 uma esp\u00e9cie de recado a esse pessoal, para que parem. Caso contr\u00e1rio, a inobserv\u00e2ncia vai render rea\u00e7\u00f5es legais. Mas isso pode ter rela\u00e7\u00e3o com outras situa\u00e7\u00f5es. Algumas vezes na vida precisamos obedecer \u00e0s ordens sociais. Precisamos fazer os testes de Covid, precisamos tomar a vacina. N\u00e3o sou antivacina e n\u00e3o concordo com negacioanistas que pensam ser um grande golpe para dominar o mundo. Penso que \u00e9 para um bem social maior que temos de obedecer. Precisamos nos posicionar para fazer mudan\u00e7a, ficar do lado do que \u00e9 certo. Uma das quest\u00f5es relacionadas \u00e0 \u201cFailure to Comply\u201d \u00e9 a Black Lives Matter. \u00c9 preciso reconhecer que \u00e9 um problema que nos afeta h\u00e1 muito tempo e n\u00e3o melhorou. Mas agora \u00e9 tempo de nos colocarmos contra isso. Espero que surja algo positivo disso. \u00c9 necess\u00e1rio sermos contra o que julgamos errado, moralmente ou em nossos pensamentos, n\u00e3o seguir do jeito que est\u00e1.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Memoriam - Failure To Comply (OFFICIAL LYRIC VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9qpxQ4QPwxE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algo que voc\u00ea defenderia \u201cTo the End\u201d (at\u00e9 o fim) e algo que gostaria de fazer at\u00e9 o fim?<\/strong><br \/>\nBoa pergunta! Gostaria de seguir criando m\u00fasica, tocando ao vivo, gravando \u00e1lbuns enquanto tiver possibilidade f\u00edsica e mental para tanto. Isso (m\u00fasica) \u00e9 uma for\u00e7a de vida. Houve um per\u00edodo em que n\u00e3o estava envolvido com som, quando sa\u00ed do Bolt Thrower, em 1994, at\u00e9 2004. Foram uns 10 anos. Eu estive ocupado, fiz minha gradua\u00e7\u00e3o, trabalhos e experi\u00eancias mais amplas na vida. Mas sempre senti falta de fazer show. N\u00e3o h\u00e1 nada no mundo que chegue perto disso. De um ponto de vista mental, voc\u00ea conhece drogas, mas nada se equipara a tocar ao vivo. Ter tido essa experi\u00eancia e depois ficar sem me fez apreciar ainda mais \u2014 algo que o coronav\u00edrus agravou. O que eu queria fazer at\u00e9 o fim \u00e9 estar nessa banda e fazer gigs pelo simples prazer de tocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que tipo de lutas acredita que vale a pena seguir \u201cOnwards into battle\u201d (avante na batalha)?<\/strong><br \/>\nLutar a boa luta. Algumas batalhas nunca se vence, \u00e9 preciso escolher as que valem a pena. Para mim, meu posicionamento pol\u00edtico. Lutar contra a opress\u00e3o e o racismo \u00e9 muito importante. Filhos e fam\u00edlia, sempre s\u00e3o a coisa mais importante e sempre ser\u00e3o. Ter uma banda \u00e9 \u00f3timo, mas fam\u00edlia \u00e9 o que importa. Fam\u00edlia \u00e9s todo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se estivermos perto do fim, est\u00e1 pronto para fazer um \u201cRequiem for Makind\u201d (esp\u00e9cie de can\u00e7\u00e3o para os mortos)?<\/strong><br \/>\nSim, eu estaria preparado, em p\u00e9 no p\u00falpito. E tenho experi\u00eancia nisso, amigo, j\u00e1 fui do coral da igreja. Seria muito bacana se o Jaz Coleman pudesse se juntar a mim. Faria isso todo o tempo em que ele estivesse junto (risos). Meus sentimentos s\u00e3o de que estamos passando por uma pandemia global e todos tivemos dificuldades, mas isso vai nos fazer pessoas melhores. Vamos apreciar a vida que temos perdido, dar mais considera\u00e7\u00e3o \u00e0 beleza do mundo a nossa volta. No fim das contas, espero que isso nos sirva de prop\u00f3sito para vivermos por completo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea diria para \u201cThose Once Loyal\u201d (Aqueles uma vez leais) \u00e0s suas bandas?<\/strong><br \/>\nSuperem isso (muitos risos)! Eu agrade\u00e7o a lealdade, o amor e a rever\u00eancia, mas \u00e9 preciso aceitar que a vida segue. Somos todos invictos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"memoriam hellfest 2018\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7GzwY18AwvM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"This War is Won\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Beloohrtlms?list=OLAK5uy_lNnXfgYBSEhRQmabb_QxDSII-laMy2HgM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cGosto dessa perspectiva de que o que escrevo \u00e9 motivado politicamente. N\u00e3o tenho vergonha nenhuma de proclamar mensagem antifa. O antifascismo existe porque h\u00e1 o fascismo. Ou voc\u00ea \u00e9 uma coisa ou \u00e9 outra\u201c, sentencia Karl.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/05\/entrevista-karl-willetts-memoriam-ex-bolt-thrower-levantando-a-bandeira-antifascista-na-batalha-pela-musica-extrema\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":61816,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5282,5281],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61812"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61812"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61819,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61812\/revisions\/61819"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61816"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}