{"id":61784,"date":"2021-08-01T23:38:19","date_gmt":"2021-08-02T02:38:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=61784"},"modified":"2021-10-02T01:18:39","modified_gmt":"2021-10-02T04:18:39","slug":"cinema-tempo-de-m-night-shyamalan-e-a-fugacidade-assustadora-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/01\/cinema-tempo-de-m-night-shyamalan-e-a-fugacidade-assustadora-da-vida\/","title":{"rendered":"Cinema: &#8220;Tempo&#8221;, de M. Night Shyamalan, e a fugacidade assustadora da vida"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-61785 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/tempo1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/tempo1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/tempo1-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o deixe esse momento passar despercebido&#8221;, diz Prisca (Vicky Krieps) para seu filho de seis anos quando este reclama da demora de sua perman\u00eancia na van do aeroporto, no trajeto ao resort de luxo no qual se hospedar\u00e1 com sua fam\u00edlia. A m\u00e3e orienta o garotinho de seis anos a observar pela janela e ver a exuber\u00e2ncia daquele lugar paradis\u00edaco, mas, logo, ela mesma deixa para tr\u00e1s aqueles tenros minutos no qual ouviu sua t\u00edmida filha de onze anos cantar desinibida, para s\u00f3 parar ao notar que a m\u00e3e a escutava com aten\u00e7\u00e3o. Prisca volta seu foco para algo relacionado ao trabalho aprisionador, que n\u00e3o somente a ela, mas a todos priva de observar o mundo e a vida se descortinar. Quando percebemos aquele tempo perdido, claro, j\u00e1 ser\u00e1 tarde demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTempo\u201d (nome mais sutil que o seco \u201cOld\u201d, no original ingl\u00eas), novo filme de M. Night Shyamalan, tem seu roteiro baseado no quadrinho \u201cSandcastle\u201d, de Pierre-Oscar L\u00e9vy e Frederick Peeters. O t\u00edtulo da obra liter\u00e1ria, ali\u00e1s, condiz bem com a proposta trazida pelo diretor. Na praia onde todos envelhecem rapidamente, a fugacidade da vida \u00e9 a mesma de um fr\u00e1gil castelo de areia sendo levado pela mar\u00e9 alta. Diante de uma premissa simples, no entanto, o roteirista aproveita-se de belas oportunidades para inserir mais do que apenas a amea\u00e7a constante daquele paradis\u00edaco lugar. As met\u00e1foras visuais e tem\u00e1ticas est\u00e3o presentes em momentos que passam r\u00e1pidos pela tela, mas capturam a aten\u00e7\u00e3o. Sejam nos mais \u00f3bvios como a fala que abre esse texto, ou nos planos que Trent, a crian\u00e7a em quest\u00e3o, faz de permanecer eternamente amigo do garotinho nativo que conhece no hotel, \u00e9 na proposta de avaliar o tempo como sendo esses gr\u00e3os de areia que se perdem entre dedos das m\u00e3os que reside a premissa que Shyamalan quer nos trazer aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela praia, o tempo acelerado \u00e9 representado n\u00e3o somente pelas r\u00e1pidas (e, \u00e0s vezes, propositalmente grotescas) mudan\u00e7as f\u00edsicas em seus personagens. A passagem da inf\u00e2ncia surge de modo a fazer o p\u00fablico notar como a fugacidade da vida existe, tamb\u00e9m, no transcorrer normal dos segundos, minutos, horas, dias e anos. A dupla de irm\u00e3os correndo na praia enquanto brincam, quando a c\u00e2mera os acompanha em um vai-e-vem incomum a desenhar exatamente essa impress\u00e3o; os medos e ansiedade advindos de tais jogos pueris (aqui, representado de maneira grotesca com uma crian\u00e7a sendo apresentada ao conceito da morte); os j\u00e1 citados planos ing\u00eanuos para o futuro; as descobertas hormonais que guiam seres instintivamente e as promessas de eternas amizades que n\u00e3o se concretizaram. V\u00e1rios s\u00e3o os elementos que o diretor do cl\u00e1ssico \u201cO Sexto Sentido\u201d (1999, e tamb\u00e9m &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/09\/16\/cinema-a-vila-de-m-night-shyamalan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Vila<\/a>&#8220;, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/09\/28\/cinema-sinais-de-m-night-shyamalan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sinais<\/a>&#8220;, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2000\/12\/30\/cinema-corpo-fechado-de-m-night-shyamalan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Corpo Fechado<\/a>&#8221; e &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/28\/cinema-fragmentado-de-m-night-shyamalan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fragmentado<\/a>&#8220;, entre outros) traz em sua narrativa para nos fazer perceber como \u201cTempo\u201d \u00e9 n\u00e3o somente uma alegoria brutal \u00e0quela contagem regressiva para a inevit\u00e1vel morte, mas uma reflex\u00e3o sobre essa passagem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-61786\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/tempo2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/tempo2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/tempo2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que, tratando-se de um cinema de g\u00eanero, l\u00e1 estar\u00e3o os elementos fant\u00e1sticos para ilustrar aquela assustadora narrativa. O efeito do ambiente causando a seus personagens o envelhecimento precoce \u00e9 o mesmo que os mant\u00eam fisicamente invulner\u00e1veis aos ferimentos superficiais que venham a sofrer, com a cura para estes acontecendo instantaneamente (mas com as feridas abertas em suas mentes). Assim, a correnteza que leva aquelas pessoas a gradativamente irem perdendo suas sanidades seja pelo acelerar f\u00edsico do tempo em seus corpos ou pelo modo como suas consci\u00eancias tentam sem sucesso compreender o que est\u00e1 acontecendo, serve como cen\u00e1rio para Shyamalan exercitar sua veia de um cinema horripilante, como aquela na qual vemos uma personagem precisar sofrer uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica de emerg\u00eancia ou como quando uma outra, que sofre de problemas \u00f3sseos, demonstra que a cura instant\u00e2nea para suas fraturas podem significar monstruosas, irrevers\u00edveis e fatais deforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do mesmo modo que a vida se choca contra a realidade quando qualquer ideia de fantasia desacelera-se em nossas fugas mentais, \u201cTempo\u201d tamb\u00e9m possui tal quebra de expectativa em seu desfecho, trazendo para um patamar cient\u00edfico sua premissa fantasiosa e levando a discuss\u00f5es mais abrangentes dentro de um conceito da \u00e9tica. Acaba por demonstrar-se um filme cujo apelo abra\u00e7a propostas palp\u00e1veis e reais dentro do territ\u00f3rio do fant\u00e1stico. No entanto, at\u00e9 chegarmos \u00e0quele desfecho, quando o choque do pragm\u00e1tico nos atinge, o fant\u00e1stico j\u00e1 nos guiou por reflex\u00f5es duramente reais sobre como aquele acelerar do tempo em tal praia fantasiosa \u00e9 o mesmo cuja velocidade nos guia inadvertidamente do lado de c\u00e1 da tela (e das pequenas telas que nos levam no dia-a-dia), fazendo-nos perder capacidades de ouvir, relacionar-nos e de compreender e valorizar essa exist\u00eancia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"TEMPO | Trailer Legendado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/klBqUiUFVhw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 M. Night Shyamalan est\u00e1 de volta, e ir\u00e1 atormentar seu sono com \u201cFragmentado\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/03\/28\/cinema-fragmentado-de-m-night-shyamalan\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Em \u201cSinais\u201d, M. Night Shyamalan testa a f\u00e9 com alien\u00edgenas. E se sai muito bem (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/09\/28\/cinema-sinais-de-m-night-shyamalan\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cCorpo Fechado\u201d \u00e9 um filme t\u00e3o cheio de novidades quanto um disco novo do Mot\u00f6rhead (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2000\/12\/30\/cinema-corpo-fechado-de-m-night-shyamalan\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cA Vila\u201d \u00e9 uma met\u00e1fora brilhante sobre a manipula\u00e7\u00e3o nos EUA de George W. Bush (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/09\/16\/cinema-a-vila-de-m-night-shyamalan\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"V\u00e1rios s\u00e3o os elementos que o diretor traz em sua narrativa para nos fazer perceber como \u201cTempo\u201d \u00e9 n\u00e3o somente uma alegoria brutal \u00e0quela contagem regressiva para a inevit\u00e1vel morte, mas uma reflex\u00e3o sobre essa passagem.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/01\/cinema-tempo-de-m-night-shyamalan-e-a-fugacidade-assustadora-da-vida\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":61787,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61784"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61784"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61784\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61788,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61784\/revisions\/61788"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61787"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}