{"id":61658,"date":"2021-07-21T03:05:16","date_gmt":"2021-07-21T06:05:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=61658"},"modified":"2021-10-04T00:00:57","modified_gmt":"2021-10-04T03:00:57","slug":"entrevista-o-quinto-disco-da-banda-mopho-e-o-balanco-dos-25-anos-de-carreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/21\/entrevista-o-quinto-disco-da-banda-mopho-e-o-balanco-dos-25-anos-de-carreira\/","title":{"rendered":"Entrevista: O quinto disco da banda Mopho e o balan\u00e7o dos 25 anos de carreira"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zambi.ananda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ananda Zambi<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das mais importantes e cultuadas bandas de rock psicod\u00e9lico do Brasil do s\u00e9culo XXI, a banda Mopho lan\u00e7ou no final de junho o seu quinto disco, \u201c<a href=\"https:\/\/orcd.co\/erv85mk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Que Fim Levou Meu Sorriso<\/a>\u201d (2021), no mesmo ano que o grupo completa 25 anos de carreira. O \u00e1lbum, curto e contido, mas belo e elegante, \u00e9 composto por seis faixas \u2013 quatro do vocalista, guitarrista e l\u00edder da banda, Jo\u00e3o Paulo (uma delas, \u201cMerri-Go-Round\u201d, em parceria com sua filha, Julia Guimar\u00e3es), remanescentes da produ\u00e7\u00e3o do quarto \u00e1lbum da banda, \u201c<a href=\"https:\/\/crookedtreerecords.bandcamp.com\/album\/brejo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brejo<\/a>\u201d (2017), e duas de Boc\u00e3o, que deveriam ter sido gravadas no disco \u201cSine Diabolo Nullus Deus\u201d (2004, que est\u00e1 prestes a ganhar reedi\u00e7\u00e3o em vinil), que acabaram sendo registradas com a Casa Flutuante, banda que ele e H\u00e9lio Pisca (baterista) tiveram quando estavam fora da Mopho. Ali\u00e1s, o conjunto, que j\u00e1 passou por v\u00e1rias idas e vindas em sua forma\u00e7\u00e3o &#8211; exceto por Jo\u00e3o Paulo \u2013, conta agora com os mesmos integrantes da produ\u00e7\u00e3o do \u201cVolume 3\u201d, considerada a forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da banda: Jo\u00e3o, Pisca, Boc\u00e3o e Dinho Zampier nos teclados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda alagoana que conquistou f\u00e3s de Norte a Sul do pa\u00eds <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ksO5ZcAcUyo&amp;feature=emb_title\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ap\u00f3s lan\u00e7ar seu primeiro disco<\/a>, hom\u00f4nimo (2000), pelo selo paulistano Baratos Afins, do produtor Luiz Calanca, e ganhar elogios de nomes como Arnaldo Baptista e Rog\u00e9rio Duprat (que chegou a declarar na \u00e9poca que gostou mais da Mopho do que de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/03\/12\/o-cinquentenario-de-flavio-basso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">J\u00fapiter Apple<\/a>), nunca escondeu a nordestinidade em suas m\u00fasicas \u2013 vide, por exemplo, o vocal de sotaque carregado e timbre inigual\u00e1vel de Jo\u00e3o Paulo. Em \u201cQue Fim Levou Meu Sorriso\u201d, a rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica nordestina \u00e9 intensificada. O EP apresenta influ\u00eancias de grandes cancionistas populares da regi\u00e3o, como Fagner, Belchior e Ednardo, mas sem abandonar as camadas lis\u00e9rgicas e a doce melancolia caracter\u00edsticas da Mopho. O quinto trabalho do grupo, que sair\u00e1 em CD e posteriormente em vinil pelo selo Psico BR, foi gravado no Est\u00fadio Panda e no Divina Home, em Macei\u00f3, mixado por Joaquim Prado e masterizado por Brendan Duffey. \u201cQue Fim Levou Meu Sorriso\u201d foi viabilizado com os recursos da Lei Aldir Blanc, atrav\u00e9s edital p\u00fablico da Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas (Secult).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa conversa sincera e descontra\u00edda, J\u00fanior Boc\u00e3o e H\u00e9lio Pisca falaram mais sobre o disco novo, sobre a volta deles \u00e0 banda (e como, mesmo quando estavam fora, ainda continuaram envolvidos com a Mopho), sobre novidades futuras (incluindo feat com um grande nome do rock ga\u00facho), sobre m\u00fasica psicod\u00e9lica brasileira contempor\u00e2nea \u2013 indo de O Terno a Rodrigo Campos (!) e sobre o document\u00e1rio \u201cEu Quero Tudo &#8211; O Projeto Mopho\u201d (2019), de Carla Rosset, que voc\u00ea pode assistir na integra no final do texto. Os dois ainda fazem um balan\u00e7o dos 25 anos de carreira da banda. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mundo Sem Fim\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8lSswgwjWX0?list=OLAK5uy_nVfIcz1XMmTiz2KFv30Mgm2qjG1atNHA8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria saber como \u00e9 que como que foi voltar \u00e0 mesma forma\u00e7\u00e3o do \u201cVolume 3\u201d.<\/strong><br \/>Pisca: Na verdade, a gente come\u00e7ou essa forma\u00e7\u00e3o pouco antes da pandemia. A forma\u00e7\u00e3o (at\u00e9 ent\u00e3o) era essa sem o Boc\u00e3o, mas com o Leo (Luiz). Era eu, o L\u00e9o, o Jo\u00e3o e o Dinho, n\u00f3s quatro. S\u00f3 que antes da gente se encontrar mesmo, o Dinho tinha produzido o disco \u201cBrejo\u201d junto com Jo\u00e3o Paulo. Eu tinha sa\u00eddo pouco antes deles produzirem o \u201cBrejo\u201d. Na verdade, eu sa\u00ed e voltei umas duas ou tr\u00eas vezes j\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: Eu e Pisca gravamos o primeiro disco \u2013 o Pisca \u00e9 um dos fundadores do Mopho, que surgiu em 1996. N\u00f3s tivemos uma sa\u00edda em 2002, foi uma \u00e9poca que n\u00f3s fomos morar em S\u00e3o Paulo, e a gente formou uma banda chamada Casa Flutuante na \u00e9poca, para tocar algumas m\u00fasicas que seriam do repert\u00f3rio do segundo disco do Mopho. E depois n\u00f3s retornarmos em 2009 e em 2011 lan\u00e7amos o \u201cVolume 3\u201d. Um pouco depois do lan\u00e7amento desse disco, j\u00e1 em 2012, n\u00f3s sa\u00edmos, eu e o Pisca, e agora n\u00f3s retornamos em 2020. O Pisca tinha sido convidado para gravar o disco novo em 2019, j\u00e1 tinham come\u00e7ado as conversas e as grava\u00e7\u00f5es desse trabalho. Em 2020, no come\u00e7o do ano passado, por algum problema de sa\u00fade, o L\u00e9o, que \u00e9 tamb\u00e9m m\u00fasico original do Mopho l\u00e1 de tr\u00e1s, n\u00e3o pode fazer uns shows que a banda tinha agendado e fui convidado para me reintegrar a banda para esses shows. Depois que teve esse reencontro entre eu, Pisca, Jo\u00e3o Paulo e Dinho, depois de alguns anos que a gente n\u00e3o se encontrava no palco para tocar juntos com o Mopho, o Jo\u00e3o Paulo e o Dinho decidiram chamar a gente novamente para retornar \u00e0 banda, e eu j\u00e1 cheguei para fazer a parte final do disco \u201cQue Fim Levou Meu Sorriso\u201d, que era os contrabaixos e algumas vozes, mas o resto estava quase tudo pronto, o Pisca j\u00e1 tinha feito todas as baterias e tal. Foi assim que aconteceu esse reencontro. Foi meio que por acaso e consequ\u00eancia de um reencontro mesmo de amizade e tal, e fluiu bem natural. Foi muito legal, a gente est\u00e1 trocando muita ideia para fazer coisas muito interessantes daqui para frente. Ficou muita m\u00fasica ainda do que seria esse disco. A ideia era fazer um disco maior, s\u00f3 que a gente acabou decidindo fazer um EP para juntar m\u00fasicas que dialogassem umas com as outras melhor, por isso acabamos optando em fazer esse disco com seis m\u00fasicas. Ficaram algumas pra gente trabalhar ainda ao longo desse ano, do ano que vem, e tamb\u00e9m j\u00e1 com ideia de criar coisas novas e partir para novas experi\u00eancias sonoras com a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou das m\u00fasicas e tem duas que eram da Casa Flutuante que voc\u00eas gravaram de novo agora. Como \u00e9 que foi isso? Porque essa decis\u00e3o de regravar com a Mopho?<\/strong><br \/>Boc\u00e3o: Essas duas m\u00fasicas fazem parte de uma \u00e9poca, de um momento muito importante para a gente, porque quando a gente lan\u00e7ou o primeiro disco, a gente morou, praticamente, em S\u00e3o Roque, em um s\u00edtio que o Luiz Calanca, da Baratos Afins tinha, e a gente ficou hospedado l\u00e1 dois meses durante o ano de 2000, mais ou menos. E l\u00e1 a gente comp\u00f4s muitas coisas, e essas duas m\u00fasicas eu compus l\u00e1 no s\u00edtio de S\u00e3o Roque. Jo\u00e3o Paulo gosta muito delas, e ele sempre quis, sempre falou que queria regrav\u00e1-las, porque a partir daquele momento que eu e o Pisca sa\u00edmos do Mopho, a gente j\u00e1 tinha essas m\u00fasicas trabalhadas para gravar no disco do Mopho e a gente acabou colocando nesse \u00e1lbum que n\u00f3s intitulamos de \u201c<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/resenha_casaflutuante.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Terra \u00c9 A Nossa Casa Flutuante<\/a>\u201d, que foi lan\u00e7ado em 2003. A\u00ed agora&#8230; Inclusive antes de eu voltar pra banda Jo\u00e3o Paulo j\u00e1 tinha me pedido para gravar essas m\u00fasicas nesse disco. Eu j\u00e1 tinha cedido, autorizado. Eram m\u00fasicas que j\u00e1 estavam nos planos da banda h\u00e1 20 anos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_61668\" aria-describedby=\"caption-attachment-61668\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61668 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mopho2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mopho2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mopho2-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61668\" class=\"wp-caption-text\"><em>&#8220;Mopho&#8221; (2000) e &#8220;Sine Diabolo Nullus Deus&#8221; (2004)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu vi uma entrevista com o Jo\u00e3o Paulo, antiga, falando que voc\u00eas lan\u00e7am discos quando t\u00eam alguma coisa para dizer. N\u00e3o tem aquela coisa de lan\u00e7ar todo ano, n\u00e9. E queria saber o que voc\u00eas querem dizer com o \u201cQue Fim Levou Meu Sorriso\u201d. Qual que \u00e9 a ideia desse disco?<\/strong><br \/>Boc\u00e3o: Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s composi\u00e7\u00f5es da banda, o Jo\u00e3o Paulo \u00e9 uma pessoa que realmente tem essa urg\u00eancia de s\u00f3 escrever e trabalhar m\u00fasicas que realmente s\u00e3o coisas que ele est\u00e1 sentindo, assim, muito, sabe? Ele \u00e9 uma pessoa muito&#8230; que escreve muito sobre a vida dele. Ent\u00e3o esse \u00e1lbum, quatro m\u00fasicas s\u00e3o do Jo\u00e3o Paulo, e esse repert\u00f3rio desse disco \u00e9 uma sobra de material do \u201cBrejo\u201d, que \u00e9 o quarto \u00e1lbum que foi lan\u00e7ado nesse hiato meu e do Pisca \u2013 a gente saiu 2012 e o Jo\u00e3o Paulo tinha tido uma separa\u00e7\u00e3o, a vida pessoal dele estava um pouco complicada, ent\u00e3o &#8220;Brejo&#8221; \u00e9 um disco que tem uma carga emocional forte, at\u00e9 dram\u00e1tica \u2013 e algumas m\u00fasicas desse \u00e1lbum, \u201cQue Fim Levou Meu Sorriso\u201d, at\u00e9 pelo t\u00edtulo, comunicam muito sobre isso, sobre essas rela\u00e7\u00f5es de amor e desilus\u00f5es, e \u00e9 o que o Jo\u00e3o Paulo fala muito nas composi\u00e7\u00f5es dele, sobre amor, sobre a dor do amor, as perdas, os desencontros das rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pisca: S\u00e3o quatro m\u00fasicas do Jo\u00e3o Paulo, e duas do Boc\u00e3o. Geralmente eles escrevem, ent\u00e3o acaba sendo uma mensagem muito pessoal. Tem muito a ver com as experi\u00eancias deles, inclusive. Eu entro com a minha parte mais musical, mais em arranjo. A letra, os caras sempre chegam com ela j\u00e1 pronta. Letra, harmonia, de certa forma, melodias. Ent\u00e3o eu e o Dinho, a gente basicamente entra mais nas partes de arranjos, nesses momentos. N\u00e3o opino muito nas letras n\u00e3o. Raramente falei alguma coisa sobre as mensagens. O que a gente tenta fazer \u00e9 deixar a mensagem mais clara junto com a m\u00fasica. Tipo, ouvindo o que eles escreveram, eu, pelo menos, tento captar o m\u00e1ximo aquela mensagem ali e tentar passar isso para a m\u00fasica na hora de pensar no arranjo. Esse disco, inclusive, tem uma coisa meio melanc\u00f3lica, sabe, meio&#8230; eu acho que casou com o momento, por mais que a gente tenha produzido antes de tudo que estava rolando, meio que bateu. Foi uma feliz coincid\u00eancia pra gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: Voc\u00ea fala em rela\u00e7\u00e3o ao momento pand\u00eamico que a gente est\u00e1 vivendo, n\u00e9, as pessoas isoladas, solid\u00e3o, rupturas, muita coisa que aconteceu nesse momento tamb\u00e9m&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pisca: Sim. Porque estava ouvindo aqui o disco depois de pronto, e tem esse clima. Eu senti essa coisa bem triste, melanc\u00f3lica, meio que reflexiva tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E apesar de tamb\u00e9m ter esse lado melanc\u00f3lico que a gente pode associar \u00e0 pandemia, mas a produ\u00e7\u00e3o do disco come\u00e7ou antes da pandemia, em 2019&#8230;<\/strong><br \/>Pisca: Sim, sim. Na verdade, come\u00e7ou em 2018, a gente j\u00e1 estava gravando umas coisas. A gente n\u00e3o queria s\u00f3 seis m\u00fasicas. Acho que tinha mais tr\u00eas, n\u00e9, Boc\u00e3o? Ou quatro, n\u00e3o lembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: Mais quatro m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pisca: S\u00f3 que s\u00e3o m\u00fasicas que destoam dessas a\u00ed. Tem outra pegada. S\u00e3o m\u00fasicas mais pesadas. Acho que o Jo\u00e3o n\u00e3o tinha colocado letra ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: Tem uma que tem letra que tem uma participa\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/10\/musica-titas-brian-wilson-e-diego-medina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diego Medina<\/a>, de Porto Alegre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que legal! Que era do V\u00eddeo Hits, n\u00e9.<\/strong><br \/>Boc\u00e3o: Isso. Ele \u00e9 um amig\u00e3o nosso, a gente se conhece desde 2000, um broda\u00e7o da gente. \u00c9 uma m\u00fasica que ficou nessa sobra que a gente vai trabalhar ainda. mas ele j\u00e1 gravou a parte dele de voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Legal.<\/strong><br \/>Um rock\u2019n\u2019roll no estilo do Diego, n\u00e9. O Diego tem umas coisas bem viscerais de trabalhos dele, e ele botou muito disso, dessa carga dele nessa m\u00fasica. Logo logo a gente vai trabalhar ela!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora queria saber como \u00e9 que foi fazer o feat com a J\u00falia Guimar\u00e3es, filha do Jo\u00e3o Paulo&#8230; e foi o primeiro feat da banda, n\u00e9?<\/strong><br \/>Boc\u00e3o: Na verdade cometi um equ\u00edvoco quando falei sobre ser o primeiro feat, porque o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/wado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wado<\/a> participa de uma faixa do \u201cVolume 3\u201d. Mas como n\u00e3o \u00e9 um trecho que ele canta uma frase longa, acabou que meio que passou despercebido, mas o Wado participou de uma faixa. A J\u00falia participou cantando realmente a m\u00fasica inteira junto com o Jo\u00e3o. Ela \u00e9 uma menina que nasceu quando a banda nasceu, praticamente. A J\u00falia tem a idade do Mopho. E o Jo\u00e3o Paulo j\u00e1 vem trabalhando com ela, ela tem uma banda, e ele j\u00e1 vem trabalhando na produ\u00e7\u00e3o do disco dela j\u00e1 h\u00e1 alguns anos, que n\u00e3o est\u00e1 finalizado, e a\u00ed eles t\u00e3o trocando figurinhas e compondo juntos, ela comp\u00f4s uma m\u00fasica com Jo\u00e3o no disco, que \u00e9 a \u201cMerri-Go-Round\u201d e ela canta a primeira faixa do disco, que \u00e9 a \u201cMundo Sem Fim\u201d. O Jo\u00e3o fala muito emocionado sobre esse fato, porque para ele \u00e9 uma coisa muito especial, cantar com a filha dele, compor com a filha dele, apresentar a filha dele para o mundo musical\u2026 Eu n\u00e3o tenho filhos nem o Pisca tem, deve ser uma experi\u00eancia incr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sei que voc\u00eas em breve v\u00e3o lan\u00e7ar em CD o \u201cQue Fim Levou Meu Sorriso\u201d, queria saber se tem alguma novidade sobre isso.<\/strong><br \/>Boc\u00e3o: O disco j\u00e1 est\u00e1 definido, inclusive est\u00e1 indo para f\u00e1brica em alguns dias, deve sair daqui a uns 30, 40 dias. Vai ser uma tiragem limitada, de 500 c\u00f3pias, pela Psico BR, de Campinas, que \u00e9 um selo muito legal que abrange o rock nacional, psicodelia principalmente, e a gente tem plano sim de fazer o disco em vinil um pouco mais adiante. Na verdade, esse trabalho a gente tinha feito idealizando realmente lan\u00e7ar ele em vinil. Inclusive o projeto visual do disco \u00e9 todo para um vinil. A gente botou o disco no edital da Lei Aldir Blanc aqui pela Secretaria de Cultura do Estado, Secult, e conseguimos ser aprovados, e a gente decidiu lan\u00e7ar primeiro nas m\u00eddias digitais e depois pintou essa parceria com a Psico, que j\u00e1 \u00e9 uma extens\u00e3o de uma parceria que a gente j\u00e1 findou com eles para o relan\u00e7amento do \u201cSine Diabolo\u201d, que vai sair esse ano ainda em LP, uma edi\u00e7\u00e3o de luxo, com remixagem do Pisca e masteriza\u00e7\u00e3o do Arthur Joly. A gente deu uma pausa no projeto de lan\u00e7ar esse disco novo em vinil porque as f\u00e1bricas est\u00e3o com os prazos muito longos para entregar, e como j\u00e1 vai sair o disco do \u201cSine Diabolo\u201d, para n\u00e3o chocar esses lan\u00e7amentos, a gente acabou optando fazer isso agora, mas est\u00e1 no plano lan\u00e7ar tamb\u00e9m esse (novo) \u00e1lbum e ir lan\u00e7ando os outros \u00e1lbuns em LP, que acredito ser um formato que tem mais a ver com o som da banda, at\u00e9 com os f\u00e3s que a gente tem.<\/p>\n<figure id=\"attachment_61669\" aria-describedby=\"caption-attachment-61669\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61669 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mopho3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mopho3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mopho3-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61669\" class=\"wp-caption-text\"><em>&#8220;Volume 3&#8221; (2011) e &#8220;Brejo&#8221; (2017)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria saber o que voc\u00eas acham da cena de rock psicod\u00e9lico no Brasil hoje.<\/strong><br \/>Pisca: Tenho acompanhado bem pouco especificamente uma cena, sabe. Pra ser sincero, poucas bandas eu vi que eu n\u00e3o sei nem se eu classificaria como psicod\u00e9lico. Tipo, tem uma banda aqui em S\u00e3o Paulo que quando eu trabalhava num est\u00fadio eles ensaiavam muito l\u00e1, e a primeira vez que eles tocaram, quando eles come\u00e7aram o ensaio, me chamou a aten\u00e7\u00e3o para caramba, inclusive porque a m\u00fasica que eles tocaram eu lembrei do Mopho, e achei bem legal. Era <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/12\/entrevista-tim-bernardes-o-terno-entre-a-nostalgia-e-a-esperanca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Terno<\/a>. Eles ensaiavam l\u00e1 no est\u00fadio em que eu trabalhava, at\u00e9 troquei ideia com um dos caras. Batera muito bom, sabe. Mas ouvi poucas vezes O Terno. Depois disso eles gravaram, apareceram em alguns lugares, eu achei massa, \u00e9 uma banda que eu acho bem legal. Tenho ouvido um cara chamado Rodrigo Campos. Adoro o som do Rodrigo. Uma maravilha. Ele faz uma m\u00fasica bem brasileira, bem genu\u00edna. ele eu conheci mesmo pessoalmente l\u00e1 no est\u00fadio, a gente trocava ideia de vez em quando, at\u00e9 falei para ele que lembrava um pouco Paulinho da Viola. Ele tem uns sambas bem bonitos, sabe. Mas ele tem um disco, que eu acho que \u00e9 o terceiro disco da carreira dele, que \u00e9 o \u201cConversas com Toshiro\u201d (2015), se eu n\u00e3o me engano, que beira \u00e0 psicodelia. S\u00e3o at\u00e9 meio surreais umas coisas que ele escreve. Muito bom o disco, adoro. Agora vejo que surgem algumas bandas de vez em quando que v\u00e3o despontando na cena rock, nacional, meio psicod\u00e9licas, mas ainda acho que \u00e9 uma coisa bem misturada, sabe. Tem um cara que conheci que acho muito legal, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/23\/faixa-a-faixa-alienigena-de-jonnata-doll-e-os-garotos-solventes-por-guizado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jonnata Doll<\/a>, n\u00e3o sei se voc\u00eas conhecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu gosto.<\/strong><br \/>Pisca: Eu dividia casa com o baterista da banda dele, e eles ensaiavam l\u00e1 (no est\u00fadio). Eu curtia bastante, eu ficava ouvindo os ensaios deles, fui ver shows tamb\u00e9m. O Jonnata \u00e9 muito massa, mais para punk, n\u00e9, um som mais punk do que psicod\u00e9lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: \u00c9 muito dif\u00edcil definir esse g\u00eanero do psicod\u00e9lico brasileiro porque existem muitas coisas que as pessoas pegam e classificam como psicod\u00e9lico. Algumas fases dos Mutantes, Ronnie Von, coisas at\u00e9 de Z\u00e9 Ramalho, Lula C\u00f4rtes e algumas coisas do Nordeste como psicod\u00e9lico e tal. Quando o Mopho surgiu, n\u00e3o tinha ningu\u00e9m fazendo um som assim como a gente fazia. E esse termo de neo-psicodelia brasileira \u00e9 uma coisa que j\u00e1 aconteceu um pouco depois da gente. Eu percebo hoje em dia que as pessoas que nos conhecem h\u00e1 mais tempo nos colocam como aqueles caras que abriram as portas para uma neo-psicodelia brasileira, mas n\u00e3o acredito muito nisso. Acho que a gente surgiu numa \u00e9poca que tinham alguns artistas que tinham um Q psicod\u00e9lico \u2013 uns partiam mais para o pop, outros uma coisa mais garagem. Particularmente gosto muito de bandas como Os Skywalkers, que n\u00e3o est\u00e3o mais em atividade \u2013 inclusive eu fiz parte dessa banda \u2013 e que misturava muito bem a coisa da m\u00fasica\u2026 O Pedro Bizelli, que era o compositor, metia um frevo no meio de uma coisa meio garagem, meio psicod\u00e9lica&#8230; A V\u00eddeo Hits mesmo, que partia um pouco pro pop, tamb\u00e9m tinha umas coisas meio psicod\u00e9licas&#8230; Me lembro de uma banda de Porto Alegre muito legal, a Laranja Freak, que era mais Jovem Guarda psicod\u00e9lica. Tinha Os Haxixins, que \u00e9 uma banda da zona leste de S\u00e3o Paulo, que \u00e9 uma coisa mais garageira psicod\u00e9lica\u2026 e partindo pro Nordeste, tem a The Baggios, que \u00e9 uma banda de rock\u2019n\u2019roll que voc\u00ea pode tamb\u00e9m colocar com uma banda psicod\u00e9lica, a pr\u00f3prio Necro, aqui de Macei\u00f3, que \u00e9 uma banda que a galera coloca como stoner \u2013 a galera inventou um monte de g\u00eanero, n\u00e9: stoner, psicod\u00e9lico, progressivo, prog-rock e tal. E tem uma banda daqui de Macei\u00f3 que \u00e9 do primo do Pisca, o Alex, que cansou de ver a gente ensaiar na casa do Pisca, e que se chama Jude, que \u00e9 uma banda que tem uma coisa bem psicod\u00e9lica. \u00c9 interessante ver que esse movimento de uma m\u00fasica livre, sem se preocupar em fazer sucesso radiof\u00f4nico, acabou que meio que ficando um pouco popular dentro dessa cena que n\u00e3o \u00e9 mainstream&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pisca: Voc\u00ea falou do Baggios, realmente lembrei at\u00e9 de alguma coisa agora\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: Boogarins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pisca: Isso. Em Sergipe est\u00e1 rolando uma uma cena bem legal. O Luno lan\u00e7ou um disco (nota do editor: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/03\/28\/critica-homo-pacificus-de-luno-torres-um-dos-grandes-discos-brasileiros-de-2021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">destacado aqui no Scream &amp; Yell<\/a>)\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: Super psicod\u00e9lico, muito lindo o disco dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pisca: E tem o batera, que eu acho que tocava&#8230; N\u00e3o sei se no Pl\u00e1stico Lunar&#8230; Tem um batera l\u00e1 muito bom que tamb\u00e9m lan\u00e7ou um disco muito bom&#8230; Eu na verdade ouvi duas m\u00fasicas, n\u00e3o posso falar muito do disco todo, mas ouvi duas m\u00fasicas que eu achei muito boas. Eu tinha visto um clipe, s\u00f3 que n\u00e3o lembro o nome dele agora, eu vi rapidamente. Estava ouvindo o disco do Luno, inclusive. Aracaju tem uma cena muito massa. \u00c0s vezes eu tenho a impress\u00e3o que \u00e9 uma cena mais organizada que Macei\u00f3, sabia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: Voc\u00ea est\u00e1 conectado mais com as pessoas de l\u00e1. Aqui em Macei\u00f3, hoje, tem uma coisa muito ampla, cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pisca: Sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: Muitas bandas de muitos g\u00eaneros e muitos nichos\u2026 Eu tive um programa na Mutante R\u00e1dio, n\u00e9. Toquei durante quatro meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e9rio? Eu tamb\u00e9m tive.<\/strong><br \/>Boc\u00e3o: \u00c9 muita coisa. Ent\u00e3o voc\u00ea sabe do universo de m\u00fasica independente. E eu fiquei impressionado porque eu tive o programa de 2019 pra 2020, eu pesquisei bastante e eu fiquei impressionado com a quantidade de produ\u00e7\u00e3o e de qualidade. Desde m\u00fasica punk, reggae, hip-hop, funk metal e todo tipo de g\u00eanero de m\u00fasica. Tem muito artista legal em Alagoas. \u00c9 impressionante.<\/p>\n<figure id=\"attachment_61670\" aria-describedby=\"caption-attachment-61670\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61670 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mopho4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mopho4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mopho4-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61670\" class=\"wp-caption-text\"><em>&#8220;Que Fim Levou Meu Sorriso&#8221; (2021)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para encerrar, eu queria saber como voc\u00eas avaliam esses 25 anos de carreira. Voc\u00eas est\u00e3o fazendo 25 anos esse ano, n\u00e9?<\/strong><br \/>Pisca: Eu n\u00e3o participei durante os 25 anos ativamente, n\u00e9. Inclusive h\u00e1 uma janela grande de quando eu sa\u00ed em&#8230; 2003? Eu nem lembro mais&#8230; 2003, mesmo. De 2003 a 2008, pelo menos cinco anos a\u00ed que eu n\u00e3o trabalhei nada com o Mopho. Eu ca\u00ed no limbo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: Mas estar dentro e estar fora tamb\u00e9m faz parte da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o eu queria saber da impress\u00e3o de voc\u00eas enquanto voc\u00eas estavam e est\u00e3o dentro da banda.<\/strong><br \/>Pisca: Quando a gente saiu em 2003, a gente saiu meio que brigado, eu fiquei sem falar com Jo\u00e3o Paulo durante cinco anos. E quando a gente se encontrou, a gente trocou uma ideia sobre o que aconteceu e tudo e, enfim, colocamos as coisas nos lugares, sabe. E a\u00ed o Boc\u00e3o, acho que voc\u00ea tinha conseguido um show em S\u00e3o Paulo, n\u00e9? Ele morava aqui. E a gente se encontrou e a gente n\u00e3o ensaiou! A gente se encontrou no lugar do show, no dia, e foi l\u00e1 e tocou e o show foi uma maravilha!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: Foi no Berlim. Esse show foi muito louco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pisca: Acho que se a gente tivesse ensaiado n\u00e3o teria ficado t\u00e3o bom. Uma palavra para resumir o que me vem \u00e0 cabe\u00e7a agora \u00e9 sintonia, sabe. Eu acho que sempre que a gente se encontrou e come\u00e7ou a falar de m\u00fasica a gente conseguiu uma sintonia. Inclusive quando a gente passou cinco anos sem tocar junto e que se encontrou, teve a sintonia de novo. A gente n\u00e3o tem a pretens\u00e3o, talvez, de achar que \u201cAh, vamos lan\u00e7ar um disco que agora vai mudar a hist\u00f3ria da banda\u201d. A gente \u00e0s vezes fala isso brincando. Porque assim, a hist\u00f3ria da banda a gente constr\u00f3i com a vontade mesmo da gente. Tanto \u00e9 que a gente n\u00e3o lan\u00e7a um disco por ano. A gente se junta, tem umas can\u00e7\u00f5es que curte, \u201clegal, vamos trabalhar? vamos. P\u00f4, curti isso, curti aquilo, vamos fazer isso\u201d, de uma forma assim, \u201cvamos fazendo\u201d, sabe. N\u00e3o \u00e9 nada programado. Sintonia resume bem. A gente consegue ficar sintonizado um com o outro na hora de fazer m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: Fa\u00e7o um balan\u00e7o um pouco diferente do Pisca. Acho que esses 25 anos serviram para definir uma import\u00e2ncia muito interessante do Mopho na pr\u00f3pria cena musical brasileira p\u00f3s-2000. Falo respaldado por f\u00e3s que nos acompanham h\u00e1 mais de 20 anos, por pessoas importantes, m\u00fasicos e pessoas que realmente amam o trabalho dessa banda, e apesar desses hiatos e da banda estar sempre como um el\u00e1stico que estica e parece que faz estourar e volta, e de repente d\u00e1 uma sumida&#8230; Ent\u00e3o \u00e9 isso, o Mopho tem 25 anos de estrada, j\u00e1 s\u00e3o cinco trabalhos \u2013 fora as duas demos que foram lan\u00e7adas l\u00e1 antes de 2000 \u2013, e assim, \u00e9 uma banda que n\u00e3o tem uma audi\u00eancia muito grande, mas que tem f\u00e3s que realmente seguem a banda ao longo de todos esses anos. Mesmo com altos e baixos a gente, quando se re\u00fane, como o Pisca falou, rola uma sintonia que \u00e9 sentida pelas pessoas. Foi muito legal a gente ter tido um documento importante, que foi o lan\u00e7amento do filme, o document\u00e1rio &#8220;Eu Quero Tudo &#8211; O Projeto Mopho&#8221;, foi lan\u00e7ado em 2019, n\u00e9, Pisca?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pisca: Sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boc\u00e3o: Foi um momento muito importante para a gente, que a gente reencontrou o (Luiz) Calanca, ele veio pra Macei\u00f3, n\u00f3s tocamos juntos depois de muitos anos ali, eu n\u00e3o tinha voltado pra banda nem o Pisca, mas a gente estava no palco celebrando. A gente est\u00e1, nesse momento de 25 anos, tentando retomar um trabalho de mais encontros, mais m\u00fasicas, mais composi\u00e7\u00e3o, e a gente vai continuar trabalhando, que \u00e9 o que nos motiva desde sempre. O Mopho surgiu para moldar o que seria o destino de cada um de n\u00f3s, porque hoje eu trabalho com m\u00fasica, o Pisca trabalha com m\u00fasica, Jo\u00e3o Paulo trabalha com m\u00fasica\u2026 O estopim disso ter se traduzido nas nossas vidas \u00e9 o trabalho dessa banda. Ent\u00e3o, mesmo a gente estando fora, todos os momentos que estive fora eu me senti muito dentro, porque como o Pisca falou, \u201cah, o Boc\u00e3o fechou um show, mesmo estando fora\u201d, o Pisca fechou um contrato de um disco, mesmo estando fora\u2026 Ent\u00e3o a gente est\u00e1 sempre no radar. O Jo\u00e3o Paulo passou alguns momentos l\u00e1 sem eu e o Pisca, ele e o L\u00e9o, mas a gente esteve sempre em volta, sempre foi muito importante para a gente o Mopho, a gente \u00e9 sempre reconhecido tamb\u00e9m pelo Mopho \u2013 n\u00e3o tem como a gente n\u00e3o reconhecer isso. Eu tenho v\u00e1rios trabalhos fora do Mopho, mas sou sempre lembrado como algu\u00e9m do Mopho. O balan\u00e7o que fa\u00e7o \u00e9 muito positivo, apesar da gente n\u00e3o ter tido a oportunidade de ter vivido do Mopho \u2013 a gente mais investiu tempo e dinheiro do que recebeu da banda, vamos dizer assim. Mas a gente sempre foi uma banda de status de reconhecimento do f\u00e3, l\u00e1 em cima, e sempre uma banda que nunca teve uma valoriza\u00e7\u00e3o no que se refere a um contrato, a fazer shows grandes, a circular realmente no pa\u00eds. Independente disso, acho que foram 25 anos de muita coisa legal que aconteceu, e ainda tem muita coisa por vir. Eu acredito.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eu Quero Tudo    O Projeto Mopho\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zYdUY6a19dw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mopho no programa Turma da Cultura\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-ofE5dxFKb0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mopho - &quot;A m\u00fasica que eu fiz pra voc\u00ea&quot; (ao vivo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RaDhk04YPYk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mopho | MPG Records\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nxWRN2GABzM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zambi.ananda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ananda Zambi<\/a>\u00a0(@<a href=\"https:\/\/twitter.com\/anandazambi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">anandazambi<\/a>) \u00e9 jornalista e editora do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nonada.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nonada \u2013 jornalismo travessia<\/a>. Nas horas vagas, tamb\u00e9m brinca de fazer m\u00fasica.\u201d A foto que abre o texto \u00e9 de Rodrigo Brasil.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Numa conversa sincera e descontra\u00edda, J\u00fanior Boc\u00e3o e H\u00e9lio Pisca falaram sobre o disco novo, a volta deles \u00e0 banda, novidades futuras (incluindo feat com um grande nome do rock ga\u00facho),  m\u00fasica psicod\u00e9lica brasileira contempor\u00e2nea e sobre o doc \u201cEu Quero Tudo &#8211; O Projeto Mopho\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/21\/entrevista-o-quinto-disco-da-banda-mopho-e-o-balanco-dos-25-anos-de-carreira\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":68,"featured_media":61663,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2084],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61658"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/68"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61658"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61658\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61673,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61658\/revisions\/61673"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61663"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}