{"id":6159,"date":"2010-10-17T23:06:52","date_gmt":"2010-10-18T01:06:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=6159"},"modified":"2023-03-29T00:08:03","modified_gmt":"2023-03-29T03:08:03","slug":"musica-do-amor-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/10\/17\/musica-do-amor-do-amor\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Do Amor, Do Amor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6160 aligncenter\" title=\"do_amor\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/do_amor.gif\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"340\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/yuridecastro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Yuri Castro<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Do Amor lan\u00e7a agora seu primeiro \u00e1lbum com can\u00e7\u00f5es que estrearam em 2008, no Rio de Janeiro. Mais precisamente, era um s\u00e1bado de janeiro t\u00edpico de uma cidade como o Rio: turistas espalhavam-se nos arredores de Copacabana, a esta\u00e7\u00e3o Cardeal Arcoverde parecia ainda mais pacata e jovens se aglomeravam na porta da Sala Baden Powell para assistirem o ent\u00e3o relevante Humait\u00e1 Pra Peixe. \u00c9ramos todos turistas tamb\u00e9m. Nem t\u00e3o brancos quantos os que costumam andar pr\u00f3ximos ao Copacabana Palace, mas quase crus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s atra\u00e7\u00f5es do card\u00e1pio HPP08. O prato do dia era o Vanguart, de H\u00e9lio Flanders, ent\u00e3o a banda dos ovos de ouro do rock nacional. De entrada, serviram Do Amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 preciso explicar que o carioca arranjou um jeito de subverter a l\u00f3gica. O Vanguart apresentou-se aos seus (poucos) pares da plat\u00e9ia. Antes, o desleixo, as piadas internas e, por isso mesmo, o carisma, fez com que o Do Amor ganhasse o cora\u00e7\u00e3o e os sorrisos de uma plat\u00e9ia que, se soubesse como seria o andamento chocho do festival, riria e aplaudiria e \u2013 enfim \u2013 entenderia ainda mais o que os meninos estavam fazendo no palco. Mas h\u00e1 uma din\u00e2mica que n\u00e3o vem sendo respeitada pelo mercado independente do Brasil. Com algumas exce\u00e7\u00f5es, \u00e1lbuns s\u00e3o lan\u00e7ados com uma dist\u00e2ncia consider\u00e1vel entre o que pode ser entendido como hype e definitivo. Se \u201cIdem\u201d, do M\u00f3veis Coloniais de Acaju, n\u00e3o \u00e9 um \u00e1lbum sensacional, n\u00e3o pode ser jogado ao limbo. Respeitou \u2013 e bem \u2013 o que se via na banda logo quando ela surgiu. Quem faz o contr\u00e1rio, tem visto um p\u00f4r-do-sol cruel e enfrentado frio ao cair da noite. O debute hom\u00f4nimo da banda Do Amor pode vir a encarar este ocaso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sala Baden Powell, os versos de \u201cMorena Russa\u201d grudaram na plat\u00e9ia assim como \u201cCachoeira\u201d, tecnicamente um single que foi lan\u00e7ado pela banda quase um ano antes deste novo \u00e1lbum, causou alegria. Mas at\u00e9 ali, o Do Amor n\u00e3o era lido pelo mundo como uma banda propriamente dita. Era um projeto de m\u00fasicos competentes que tocavam com artistas de renome. E mesmo que a expectativa e os pr\u00f3prios integrantes criassem alguma atmosfera bem prop\u00edcia a um rompante definitivo (o baterista Marcelo Calado desligou-se do Canastra a fim de dedicar-se mais ao Do Amor), tudo ali era um esbo\u00e7o de piadas indies vindas da mesa do bar. E era engra\u00e7ado. E funcionava bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica \u00e9 imortal, vale relembrar, mas id\u00e9ias perec\u00edveis tendem a obedecer a certas leis naturais. A aterrissagem da banda \u00e0 oficialidade dos lan\u00e7amentos pode ser encarada como aquela piada que voc\u00ea n\u00e3o pode oferecer aos seus pais com o objetivo de encher o ambiente com uma gargalhada geral. Certas anedotas s\u00e3o restritas a um grupo, a um micro contexto e, se voc\u00ea desobedece e teima em narr\u00e1-las, sente-se deslocado. Seu pai n\u00e3o enxergar a mesma gra\u00e7a que voc\u00ea confere ao Hermes e Renato, n\u00e3o o impede de rir bastante com a saga de \u201cCharlinho\u201d. Conquanto extrapole barreiras, a arte \u00e9 universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 um campo perigoso e, por isso, se t\u00eam perdido muito tempo ao analisar m\u00fasica pelo vi\u00e9s antropol\u00f3gico. N\u00e3o que esse lado n\u00e3o importe. \u00c9 pertinente e deve ser feito. Mas n\u00e3o como principal argumento de defesa. Se voc\u00ea est\u00e1 tentando convencer algu\u00e9m a ouvir o Do Amor porque \u201cde fato, nosso pa\u00eds, intercala-se nesse presente trabalho em um movimento que n\u00e3o respeita as segrega\u00e7\u00f5es impostas pelos meios tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito musical e, finalmente, fonogr\u00e1fico\u201d, desista. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 oferecendo m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, \u201cPepeu Baixou em Mim\u201d, \u201cDar Uma Banda\u201d, \u201cChal\u00e9\u201d, \u201cVem Me Dar\u201d, por exemplo, n\u00e3o cativam ningu\u00e9m que possa se assemelhar com os g\u00eaneros que s\u00e3o tascados no grupo. A Guitarrada pode ter marcado presen\u00e7a de alguma forma. O ax\u00e9 pode estar ali tamb\u00e9m. Que mais? Quer Monty Python? Ent\u00e3o vamos nessa. Mas a dilui\u00e7\u00e3o \u00e9 tanta e \u2013 mais importante \u2013 t\u00e3o desinteressante para o ouvinte acostumado com estes g\u00eaneros que algumas perguntas ficam no ar. Afinal, \u00e9 piada? \u00c9 uma homenagem? \u00c9 divers\u00e3o? N\u00e3o d\u00e1 pra responder com certeza, pois \u00e9 tudo meio-termo, \u00e9 tudo mais ou menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com produ\u00e7\u00e3o de Chico Neves e lan\u00e7ado pela Mais Brasil M\u00fasica, \u201cDo Amor\u201d faz piada, homenageia e diverte. Pelos verbos, \u00e9 poss\u00edvel at\u00e9 esbarrar em Raimundos. Faziam piadas, homenageavam e divertiam; n\u00e3o eram inofensivos, no entanto. Os rapazes do grupo carioca est\u00e3o apostando na m\u00fasica como algo que n\u00e3o transp\u00f5e, que \u00e9 inerte. Passando a r\u00e9gua, a mistura de ritmos e sotaques de \u201cDo Amor\u201d n\u00e3o chega aos p\u00e9s do constrangimento oferecido por colet\u00e2neas brasileiras feitas para turistas. Mas, de alguma forma, inaugura uma nova se\u00e7\u00e3o de constrangimento para o ouvinte. Seja ele americano de camisa florida e interessado nas misturas clich\u00eas por aqui ofertadas ou seja este um simples adolescente interessado em humor intencionalmente escrachado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gustavo Benj\u00e3o, Marcelo Calado, Ricardo Dias Gomes e Bubu parecem n\u00e3o saber disso e v\u00e3o trilhando um caminho que, de certa forma, mascara este processo. Por isso, inclusive, est\u00e3o at\u00e9 bem distantes daqueles que trabalham na in\u00e9rcia musical faturando milh\u00f5es com carteira assinada e lugares cativos. Por outro lado, a id\u00e9ia legal, at\u00e9 em seu nome completo, Conjunto Musical Do Amor, deu lugar apenas a mais um aparente passo em falso. Aparente. Se acertado, quem sabe, possa vir a se tornar um caminho saud\u00e1vel para a m\u00fasica brasileira. Pelo menos, a pr\u00f3xima d\u00e9cada do rock brasileiro poder\u00e1 ter um xod\u00f3 para chamar de seu e, quem sabe, colocar na prateleira ao lado de \u201cC\u00ea\u201d, pen\u00faltimo \u00e1lbum de Caetano Veloso, que parece ter sido feito pelas vers\u00f5es adultas dos garotos Do Amor. Algu\u00e9m arrisca uma previs\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6161 aligncenter\" title=\"doamor\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/doamor.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"392\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Yuri Castro \u00e9 jornalista e produtor das r\u00e1dios Litoral FM e Gazeta AM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Yuri de Castro\nCom produ\u00e7\u00e3o de Chico Neves, Do Amor faz piada, homenageia e diverte. 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