{"id":61556,"date":"2021-07-10T01:33:00","date_gmt":"2021-07-10T04:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=61556"},"modified":"2021-09-10T01:34:00","modified_gmt":"2021-09-10T04:34:00","slug":"entrevista-cineastas-camila-gregorio-e-iago-ribeiro-falam-sobre-a-plataforma-cartografia-do-cinema-no-reconcavo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/10\/entrevista-cineastas-camila-gregorio-e-iago-ribeiro-falam-sobre-a-plataforma-cartografia-do-cinema-no-reconcavo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Cineastas Camila Greg\u00f3rio e Iago Ribeiro falam sobre a plataforma \u201cCartografia do Cinema no Rec\u00f4ncavo\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pintura acima, obra da artista pl\u00e1stica soteropolitana <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/belaseifarth\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Isabela Seifarth<\/a>, as cidades, as pessoas, as fachadas de casas, os pr\u00e9dios hist\u00f3ricos, os trilhos, os barcos, o mar, os rios, os caminh\u00f5es, as labutas, as estradas, as frutas, o samba de roda e todas as outras camadas de uma identidade regional do rec\u00f4ncavo baiano aparecem dentro dessa imensid\u00e3o de cores que a tela nos apresenta. Adentramos na imagem, e mesmo aquelas pessoas que n\u00e3o possuem lembran\u00e7as afetivas com a regi\u00e3o, ou com seus h\u00e1bitos e rotinas, sentem a for\u00e7a das hist\u00f3rias que permeiam tais locais e suas mem\u00f3rias. Tal qual como acontece com o Cinema, que tamb\u00e9m funciona como esse registro de \u00e9pocas e de costumes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o por acaso, a tela tamb\u00e9m ilustra o site <a href=\"https:\/\/cartografiadocinemanoreconcavo.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cartografia do Cinema no Rec\u00f4ncavo<\/a>, plataforma lan\u00e7ada com o suporte da Lei Aldir Blanc e idealizada pelos cineastas Iago Ribeiro e Camila Greg\u00f3rio. O espa\u00e7o virtual mapeia e registra essa identidade da regi\u00e3o atrav\u00e9s de trabalhos de cinema e TV rodados nas cidades entre os anos de 1923 e 1989, em mais de 130 produ\u00e7\u00f5es catalogadas at\u00e9 o momento. Como dito, o cinema, desde sua cria\u00e7\u00e3o no final do s\u00e9culo XIX, e passando pelo seu r\u00e1pido multiplicar de produ\u00e7\u00f5es nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, possui essa mesma capacidade de gerar em sua audi\u00eancia la\u00e7os, sejam afetivos ou hist\u00f3ricos, diante da visita\u00e7\u00e3o a per\u00edodos espec\u00edficos da expans\u00e3o de cidades, povos e costumes. E \u00e9 justamente esse o enfoque do site em seu resultado. Mas o alcance da proposta \u00e9 bem mais abrangente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iago Ribeiro explica que, inicialmente, a cria\u00e7\u00e3o do projeto veio de um interesse pessoal seu em pesquisar sobre os filmes produzidos no rec\u00f4ncavo durante o s\u00e9culo XX e que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o conhecidos pelo p\u00fablico. &#8220;Seguindo uma curiosidade mesmo, fui pesquisando e encontrando essa lista inicial de alguns filmes. Alguns mais can\u00f4nicos, como podemos chamar aqueles que v\u00eam sempre em primeiro lugar quando pensamos um pouco sobre os filmes mais antigos que retratam o rec\u00f4ncavo da Bahia. Ap\u00f3s uma primeira pesquisa, fui sendo levado a outros que n\u00e3o eram t\u00e3o lembrados em mostras, exibi\u00e7\u00f5es de cineclubes ou em coment\u00e1rios das pessoas. Foi quando fui me interessando e vendo que tinha uma s\u00e9rie de hist\u00f3rias que poderiam ser contadas atrav\u00e9s desses filmes. At\u00e9 ver que tinham v\u00e1rios da d\u00e9cada de 1930, cuja maioria foi perdida. S\u00e3o complementos, document\u00e1rios com temas de cidades que revelam aspectos econ\u00f4micos dos lugares, como \u2018A F\u00e1brica de Charutos Daneman de S\u00e3o Felix\u2019, de 1923, e que n\u00e3o foi localizado&#8221;, explica Iago. Tal filme \u00e9 o primeiro registro de imagens em movimento feitas no rec\u00f4ncavo h\u00e1 quase 100 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No aspecto relacionado a import\u00e2ncia da cataloga\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica e disponibiliza\u00e7\u00e3o das obras, juntamente com o vasto material informativo que acompanha toda a lista de filmes que o site traz, o leque de possibilidades de pesquisas \u00e9 bem vasto. A produtora geral do projeto, Camila Greg\u00f3rio, explica que as imagens que o p\u00fablico encontrar\u00e1 nessa sele\u00e7\u00e3o de filmes possuem valores para al\u00e9m do apenas cin\u00e9filo, mas como, justamente, o de um mergulho na evolu\u00e7\u00e3o dos tempos em diversos campos. &#8220;A gente defende muito o valor da imagem desses filmes e desses registros. E n\u00e3o s\u00f3 o valor cinematogr\u00e1fico que \u00e9 atribu\u00eddo a eles. Mas, tamb\u00e9m, o valor hist\u00f3rico que pode ser usado por pesquisadores de arquitetura, muse\u00f3logos, por exemplo. Ali est\u00e1 o registro de uma \u00e9poca, de uma rua, de um jeito de andar, de uma vestimenta. \u00c9 um documento hist\u00f3rico. N\u00f3s defendemos, tamb\u00e9m, essa import\u00e2ncia&#8221;, esclarece Camila.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como patrim\u00f4nio do rec\u00f4ncavo baiano, as obras reunidas no site nos alertam quanto a import\u00e2ncia de preservar tais imagens. Principalmente em uma \u00e9poca cujo descaso, ru\u00edna e abandono de Cinematecas Brasileiras, como os j\u00e1 not\u00f3rios casos do que acontece na Nacional, em S\u00e3o Paulo, s\u00e3o a meta de um desgoverno genocida a &#8220;presidir&#8221; o Brasil. Iago Ribeiro faz esse alerta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade da sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento que o rec\u00f4ncavo e sua gente deve sentir em rela\u00e7\u00e3o aos filmes produzidos l\u00e1. &#8220;\u00c9 uma caracter\u00edstica bem forte do rec\u00f4ncavo essa coisa da mem\u00f3ria e do descaso com essa mesma mem\u00f3ria. Patrim\u00f4nio e preserva\u00e7\u00e3o, e, ao mesmo tempo, a ru\u00edna e a aus\u00eancia. E esses filmes, quando comecei a me deparar com eles, veio muito essa ideia de que s\u00e3o o patrim\u00f4nio do rec\u00f4ncavo. Mesmo eles, em sua maior parte, n\u00e3o tendo sido feitos por pessoas daqui, n\u00e3o s\u00e3o produ\u00e7\u00f5es locais, tem at\u00e9 filme da Alemanha, mas que vemos e conclu\u00edmos que isso pertence ao rec\u00f4ncavo de alguma forma. E isso tem que retornar, tamb\u00e9m, para c\u00e1. Retornar de uma forma que as pessoas se apropriem dessas hist\u00f3rias e dessas imagens&#8221;, pontua o cineasta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ligados profissional e afetivamente ao rec\u00f4ncavo baiano, Iago e Camila t\u00eam em Cachoeira e na UFRB uma rela\u00e7\u00e3o de pertencimento que ambos salientam bem em suas palavras acerca deste e de v\u00e1rios outros projetos aos quais estiveram envolvidos. E esse afetivo ajuda a tocar para frente as v\u00e1rias empreitadas que os dois jovens cineastas buscam construir dentro do campo do audiovisual. &#8220;Eu defendo muito o afetivo&#8221;, afirma Camila, complementando: &#8220;\u00c9 uma das formas de lidarmos com esse material (do site). Inclusive, estrategicamente. Para fazer com que aquelas pessoas reconhe\u00e7am um valor existente, tamb\u00e9m, muitas vezes vem por essa afetividade. E o rec\u00f4ncavo baiano \u00e9 um lugar, tamb\u00e9m, onde h\u00e1 muito olhar afetivo para esse local. Seja de quem vem aqui uma vez por ano, seja de quem mora aqui, seja de quem ouve aqui atrav\u00e9s de m\u00fasica, da literatura, da poesia. E vai al\u00e9m do rom\u00e2ntico. Acho que \u00e9 um lugar que pode, at\u00e9 de uma forma meio pedag\u00f3gica, nos atrair, e atrair a defesa da import\u00e2ncia dessa mem\u00f3ria, atrav\u00e9s dessa afetividade. E fora, tamb\u00e9m, o que eu defendo muito \u00e9 a paix\u00e3o que temos por esse lugar, de trabalhar com esse material, com essas imagens. \u00c9 o que nos trouxe aqui. E. entre todas as coisas que poder\u00edamos estar fazendo na nossa vida, decidimos fazer isso assim. E olhar com mais carinho, tamb\u00e9m, para isso&#8221;, explica Camila. Neste papo com o Scream &amp; Yell, a dupla de cineastas aprofunda mais o processo de cria\u00e7\u00e3o do site, bem como suas rela\u00e7\u00f5es afetivas com a rica regi\u00e3o do rec\u00f4ncavo baiano. Confira!<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cartografiadocinemanoreconcavo.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-61564\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mapa-por-isabela-seifarth_fina3l.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mapa-por-isabela-seifarth_fina3l.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mapa-por-isabela-seifarth_fina3l-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Iago e Camila, voc\u00ea dois j\u00e1 possuem uma trajet\u00f3ria como realizadores e pesquisadores de cinema. Navegando pela plataforma Cartografia do Cinema no Rec\u00f4ncavo, pude observar que h\u00e1 muita coisa para al\u00e9m dos filmes disponibilizados dentro desse recorte que come\u00e7a em 1923 e segue at\u00e9 1989. Indo para o embri\u00e3o do projeto, como surgiu a proposta para criar o site reunindo os filmes e as valiosas informa\u00e7\u00f5es sobre eles?<\/strong><br \/>Iago Ribeiro \u2013 A ideia para o projeto surge muito com outras iniciativas. Uma delas, e que me lembro muito, foi o contato com a hist\u00f3ria do filme \u201c<a href=\"https:\/\/cartografiadocinemanoreconcavo.com\/filmes\/a-montanha-dos-sete-ecos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Montanha dos Sete Eco<\/a>s\u201d (1963), um longa metragem gravado em Cachoeira-S\u00e3o Felix na d\u00e9cada de 1960, e que impactou muito as pessoas que participaram dele. Os figurantes, as pessoas da cidade, e o filme nunca foi exibido aqui, em Cachoeira ou S\u00e3o F\u00e9lix. A\u00ed o <a href=\"https:\/\/cinemariogusmao.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cineclube Mario Gusm\u00e3o<\/a> fez uma pesquisa na busca desse filme. A partir disso, fui vendo outras hist\u00f3rias de filmes que foram gravados aqui, tendo contato com algumas imagens que circulam na internet. Essas imagens e hist\u00f3rias sobre cinema tinham uma forte rela\u00e7\u00e3o. Seguindo uma curiosidade mesmo, fui pesquisando e encontrando essa lista inicial de alguns filmes. Alguns mais can\u00f4nicos, como podemos chamar, como os filmes de Guido Ara\u00fajo, como \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XojJpWdWozw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Morte das Velas no Rec\u00f4ncavo<\/a>\u201d (1976)\u00a0 e \u201c<a href=\"https:\/\/cartografiadocinemanoreconcavo.com\/filmes\/festa-de-sao-joao-no-interior-da-bahia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festa de S\u00e3o Jo\u00e3o no Interior da Bahia<\/a>\u201d (1977). <a href=\"https:\/\/atarde.uol.com.br\/cinema\/noticias\/2120470-entrevista-cineasta-baiano-geraldo-sarno-lanca-sertania-na-mostra-tiradentes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os filmes de Geraldo Sarno<\/a>, tamb\u00e9m, como \u201c<a href=\"https:\/\/cartografiadocinemanoreconcavo.com\/filmes\/filme-u-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Espa\u00e7o Sagrado<\/a>\u201d (1975) e \u201c<a href=\"https:\/\/cartografiadocinemanoreconcavo.com\/filmes\/iao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ia\u00f4<\/a>\u201d (1976). Estes s\u00e3o filmes que v\u00eam sempre em primeiro lugar quando a gente pensa um pouco sobre os filmes mais antigos que retratam o rec\u00f4ncavo da Bahia. Mas, ap\u00f3s uma primeira pesquisa, fui sendo levado a outros filmes que n\u00e3o eram t\u00e3o lembrados em mostras, exibi\u00e7\u00f5es de cineclubes ou em coment\u00e1rios das pessoas. Foi quando fui me interessando e vendo que tinha uma s\u00e9rie de hist\u00f3rias que poderiam ser contadas atrav\u00e9s desses filmes. At\u00e9 ver que tinham v\u00e1rios da d\u00e9cada de 1930, cuja maioria foi perdida. S\u00e3o complementos, document\u00e1rios com temas de cidades que revelam aspectos econ\u00f4micos dos lugares, como a f\u00e1brica de charuto (N.E. Trata-se do filme \u201c<a href=\"https:\/\/cartografiadocinemanoreconcavo.com\/filmes\/a-fabrica-de-charutos-daneman-de-sao-felix\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A F\u00e1brica de Charutos Daneman de S\u00e3o Felix<\/a>\u201d, de 1923, e que n\u00e3o foi localizado). Foi quando percebi que a pesquisa podia levar a um retorno a esses filmes. Tanto aqueles que temos contato hoje, pois est\u00e3o dispon\u00edveis e poder\u00edamos rev\u00ea-los a partir dessa \u00f3ptica, desse contexto de uma filmografia que revela o rec\u00f4ncavo, quanto poder\u00edamos ir atr\u00e1s de filmes que foram realmente esquecidos e est\u00e3o perdidos. Ou filmes que n\u00e3o foram digitalizados, tamb\u00e9m, e est\u00e3o em algum acervo, mas que n\u00e3o s\u00e3o muito lembrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camila Greg\u00f3rio \u2013 Complementando isso que Iago falou, comigo essa rela\u00e7\u00e3o vem de alguns lugares, tamb\u00e9m. O pr\u00f3prio movimento de pesquisa na universidade, quando trabalhei com pesquisa e fui bolsista da Fapesb, e tinha essa dificuldade de encontrar filmes em geral, sejam eles de um per\u00edodo espec\u00edfico do passado, ou de qualquer lugar do Brasil. E sempre me veio essa curiosidade de ter algum tipo de material reunido, seja ele escrito ou um cat\u00e1logo ou como fosse. N\u00e3o necessariamente nesse formato, que foi uma ideia de Iago, com essa proposta do mapa, e pegando o rec\u00f4ncavo nesse recorte. Mas tamb\u00e9m vem de uma curiosidade que \u00e9 isso: as pessoas daqui falarem muito sobre filmes e t\u00eam na mem\u00f3ria da regi\u00e3o, das regi\u00f5es, os filmes dos quais eles participaram ou que tiveram a participa\u00e7\u00e3o de familiares. Em outros lugares, se voc\u00ea vai e fala sobre cinema, \u00e9 aquela coisa distante. \u00c0s vezes, est\u00e1 apenas na Globo, \u00e0s vezes est\u00e1 no Rio ou em S\u00e3o Paulo. J\u00e1 nessa regi\u00e3o aqui, quando voc\u00ea fala de cinema, todo mundo tem, de alguma forma, um repert\u00f3rio. O que me impressiona, porque at\u00e9 em Salvador, crescendo em Salvador, eu n\u00e3o tinha essa refer\u00eancia das pessoas ao meu redor. E aqui tinha essa mem\u00f3ria do cinema. Esse cinema de alguma forma mais pr\u00f3ximo. Ainda que tenha v\u00e1rias quest\u00f5es, como a gente coloca em filmes que nem foram exibidos aqui (Cachoeira), as pessoas n\u00e3o necessariamente se viram na tela ou coisa assim. Mas tinha essa refer\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o no cinema. De um filme que foi feito ali. E isso gerava uma curiosidade na gente, tamb\u00e9m. De vez em quando, aparecia tamb\u00e9m assim, na regi\u00e3o, algo que &#8220;viralizava&#8221; em Facebook, Whatsapp, que seja, algumas imagens da cidade de muitos anos atr\u00e1s. E t\u00ednhamos essa curiosidade de saber que imagem era aquela, quem foi que registrou, onde foi filmado, se faz parte de um filme ou \u00e9 um registro dom\u00e9stico. E a\u00ed t\u00ednhamos, tamb\u00e9m, de alguma forma, coletado essas imagens e informa\u00e7\u00f5es sobre elas. Ent\u00e3o, vale dizer que quando tivemos a ideia de colocar esse projeto em execu\u00e7\u00e3o, tirar do papel, Iago j\u00e1 tinha um material bem avan\u00e7ando. J\u00e1 tinha uma pesquisa bem avan\u00e7ada de anos em que ele j\u00e1 vinha coletando informa\u00e7\u00f5es que, inicialmente, vinham como uma curiosidade meio que espont\u00e2nea. Mas quando decidimos tirar a ideia do papel, j\u00e1 t\u00ednhamos esse material bem encaminhado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pesquisa que voc\u00ea j\u00e1 tinha anteriormente \u00e0 plataforma, Iago, se destinava a algum fim acad\u00eamico, dentro de um mestrado, por exemplo? Como funcionou esse processo de captar, catalogar as informa\u00e7\u00f5es que, agora, se tornou o site?<\/strong><br \/>Iago Ribeiro \u2013 Na verdade, era uma pesquisa bem aut\u00f4noma, mesmo. Uma pesquisa que eu tinha de procurar e ir me alimentando mais no sentindo de criar projetos de document\u00e1rios que pudessem dialogar com essas imagens antigas. Lembro de pesquisar muito sobre o rio Paragua\u00e7u e a barragem de Pedra do Cavalo, aqui em Cachoeira, para fazer a escrita de outros projetos. Mas isso foi se tornando uma mini-cataloga\u00e7\u00e3o dessa filmografia. E a\u00ed quando voc\u00ea encontra, por exemplo, filmes que voc\u00ea quer muito assistir e n\u00e3o tem o acesso, ou ent\u00e3o teria o acesso muito dificultado, voc\u00ea teria que ir a uma cinemateca ou a um acervo para assistir a ele em pel\u00edcula e n\u00e3o poder compartilhar isso, tamb\u00e9m. Tem aquela dificuldade para compartilhar isso. Que \u00e9 poss\u00edvel, \u00e9, mas tem de conseguir um projetor para usar aqui em Cachoeira, trazer uma pel\u00edcula, etc. \u00c9 um trabalho muito custoso. E a\u00ed vem a curiosidade, essa vontade de trazer esses filmes. Esse projeto n\u00e3o engloba a digitaliza\u00e7\u00e3o de materiais. \u00c9 um projeto s\u00f3 de cataloga\u00e7\u00e3o, mesmo. Mas nessa cataloga\u00e7\u00e3o conseguimos, agora, ter acesso a essa lista de filmes que vamos ter nos pr\u00f3ximos trabalhos de digitalizar e de restaurar o que for necess\u00e1rio. Essa cataloga\u00e7\u00e3o serve, tamb\u00e9m, para isso. Al\u00e9m de marcar esse registro, de que esse filme foi gravado, a gente ter esse mapeamento do que precisa se restaurado, do que precisa ser digitalizado, do que pode ser encontrado em algum acervo ou n\u00e3o, em caso de ter sido destru\u00eddo ou perdido. \u00c9 um projeto para continuar por algum tempo, ainda.<\/p>\n<figure id=\"attachment_61563\" aria-describedby=\"caption-attachment-61563\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61563 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Feira-da-Banana-Guido-Araujo-Frame-do-filme-fotografia-Thomaz-Farkas-e-Jorge-Bodanzky.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"555\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Feira-da-Banana-Guido-Araujo-Frame-do-filme-fotografia-Thomaz-Farkas-e-Jorge-Bodanzky.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Feira-da-Banana-Guido-Araujo-Frame-do-filme-fotografia-Thomaz-Farkas-e-Jorge-Bodanzky-300x222.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61563\" class=\"wp-caption-text\"><em>&#8220;Feira da Banana&#8221; (Guido Ara\u00fajo) &#8211; Frame do filme, fotografia Thomaz Farkas e Jorge Bodanzky<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas dois t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o afetiva e profissional muito grande com Cachoeira e com o rec\u00f4ncavo baiano. Um dos seus curtas, Iago, \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NUjCUyGp0wU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Obra Autorizada<\/a>\u201d (2016), traz uma rima espec\u00edfica com esse projeto, ao mostrar a cidade de Cachoeira em imagens que dialogam bem com a proposta de preserva\u00e7\u00e3o dos filmes na plataforma. Camila tem em seu trabalho diversas produ\u00e7\u00f5es locais, essa jun\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m. Como foi encontrar na filmografia de voc\u00eas dois esse lugar de afeto que a regi\u00e3o do rec\u00f4ncavo, e em especial Cachoeira, possui, e o reflexo disso na constru\u00e7\u00e3o desse projeto? \u00c9 uma pergunta dif\u00edcil, eu sei. A ideia n\u00e3o \u00e9 romantizar um processo que \u00e9 trabalhoso, mas creio que vale a pena pontuar essa quest\u00e3o afetiva para um projeto que se demonstra t\u00e3o bem finalizado.<\/strong><br \/>Camila \u2013 \u00c9 realmente uma pergunta dif\u00edcil, mas vale pontuar que achei \u00f3timo pensar isso a partir desse hist\u00f3rico nosso como realizadores de cinema. Com o que est\u00e1 presente nesse fazer cinema e nesse mostrar cinema, tamb\u00e9m. Em primeiro lugar, eu acho que tem esse lugar, realmente, do romance. De estar apaixonado por essa regi\u00e3o, e estar apaixonado por morar aqui etc. Mas tem todo um lado, tamb\u00e9m, que \u00e9 de uma escolha de estar aqui e acompanhar o que \u00e9 viver em Cachoeira e fazer cinema em Cachoeira, que tem todas as dificuldades de se fazer cinema, como \u00e9 no Brasil, em geral. No interior da Bahia, tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil, pois tem as suas complexidades. E eu acho que \u00e9 de sempre termos essa rela\u00e7\u00e3o profissional seja em que \u00e1rea a gente trabalha, de tentar sempre buscar o que podemos fazer por essa regi\u00e3o, tamb\u00e9m. Eu e Iago estamos envolvidos em v\u00e1rios projetos, mas j\u00e1 estivemos envolvidos com oficinas para pensar essa profissionaliza\u00e7\u00e3o das pessoas daqui, gerar um debate com as pessoas do rec\u00f4ncavo sobre cinema. Tamb\u00e9m com exibi\u00e7\u00e3o, uma vez que eu j\u00e1 produzi o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CoisadeCinemaPanorama\/photos\/a.240807482707750\/1583008375154314\/?type=3&amp;eid=ARBzttxo-DEkCCxDG8GQfmCid9lvg5hXNYYXpeW4k5BU1kG9p8Qto973KvVQpHrcrHNCnNg2SI6a94SF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>,\u00a0 aqui em Cachoeira, j\u00e1 trabalhei no Cineclube M\u00e1rio Gusm\u00e3o, e j\u00e1 com outros tipos de exibi\u00e7\u00e3o aqui na regi\u00e3o. Ent\u00e3o, tamb\u00e9m nessa l\u00f3gica de tentar entender como trazer os filmes para c\u00e1 e como levar os filmes daqui para outros lugares, tamb\u00e9m. Como trabalhar a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria. \u00c9 um lugar de quase uma defesa, assim, pelo espa\u00e7o do cinema no interior. E acho que dentro dessa l\u00f3gica da interioriza\u00e7\u00e3o do cinema entram v\u00e1rias esferas. E entra a necessidade, tamb\u00e9m, de falar da preserva\u00e7\u00e3o. De buscar pelo caminho da preserva\u00e7\u00e3o. Uma dessas esferas \u00e9, tamb\u00e9m, preservar o que est\u00e1 sendo produzido agora. \u00c9 como tenho trabalhado, tamb\u00e9m, nos \u00faltimos anos, com curadoria, com pesquisa dos filmes produzidos atualmente. Porque, de alguma forma, teve esse boom de produ\u00e7\u00e3o de cinema no rec\u00f4ncavo, mais especificamente em Cachoeira, e a\u00ed eu tamb\u00e9m estava sempre nessa l\u00f3gica de buscar saber o que estava sendo falado sobre os filmes daqui, como podemos trazer mais financiamentos para c\u00e1 para que outros filmes sejam produzidos. Eu estava sempre pensando dentro dessa esfera. Al\u00e9m de como manter e guardar esses filmes que est\u00e3o sendo produzidos agora. E indo um pouco al\u00e9m da pergunta, mas eu acho que \u00e9 uma das coisas a levantar, \u00e9 que nosso projeto tem muitos caminhos poss\u00edveis. Tanto darmos continuidade ao per\u00edodo, que est\u00e1 atualmente no final dos anos 1980, e queremos levar at\u00e9 os dias atuais, quanto tamb\u00e9m buscamos digitalizar esses filmes, pesquisar sobre digitaliza\u00e7\u00e3o e ter algum tipo de guarda dos arquivos no futuro. Tentar ver que tipo de coisa podemos fazer para que eles sejam preservados ao m\u00e1ximo. E isso envolve restaura\u00e7\u00e3o, digitaliza\u00e7\u00e3o e outras coisas. Al\u00e9m de, tamb\u00e9m, atribuirmos um valor e um discurso aos filmes que j\u00e1 foram produzidos. Por exemplo, se formos pensar nesses filmes de 1920, 1930 e 1940, n\u00f3s reconhecemos o valor que eles t\u00eam historicamente, mas, tamb\u00e9m, queremos futuramente colocar um novo lugar para eles. Um discurso novo atribu\u00eddo. Dar novos valores para esses filmes, trazendo com uma atualidade de um cinema que est\u00e1 viv\u00edssimo, sendo produzido e constru\u00eddo aqui no rec\u00f4ncavo agora. Eu fugi um pouco da pergunta, mas \u00e9 isso (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iago &#8211; Eu acho interessante voc\u00ea puxar essas coisas dos nossos filmes. Como diretor, sendo que fiz \u201cObra Autorizada\u201d (2016) e \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LaMsSUxp7og\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ADMIN\/ADMIN<\/a>\u201d (2017), que eu assinei junto a outros diretores em coletivo, eu vejo muito os dois trabalhos, tanto esse da cartografia quanto o de diretor, como uma coisa s\u00f3. N\u00e3o \u00e9 como se l\u00e1 eu fosse o cineasta e aqui um pesquisador, ou coisa assim. Eu acho que o filme, tamb\u00e9m, \u00e9 ligado \u00e0 pesquisa de imagem, apesar de estar construindo novas imagens. Mas s\u00e3o filmes muito de pesquisa, de experimenta\u00e7\u00e3o, de curiosidade. E sempre quando penso um filme e fa\u00e7o um projeto, eu tenho muito essa liga\u00e7\u00e3o com a pesquisa. Acho que uma coisa est\u00e1 muito ligada a outra. N\u00e3o conseguiria nem separar a fun\u00e7\u00e3o entre um cineasta e um pesquisador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camila \u2013 Inclusive, para adicionar algo ao que eu falei, acho importante pontuar que tanto o projeto cartografia quanto o \u201cObra Autorizada\u201d, pensando em obras conjuntas, que t\u00eam uma ponte entre si (de novo, comentando que acho muito massa essa liga\u00e7\u00e3o), eu acho que os dois projetos t\u00eam um lado de mostrar uma realidade, t\u00eam a evid\u00eancia da pesquisa, mas tamb\u00e9m t\u00eam esse lugar, mesmo que suave, de levantar um questionamento. Levantar, tamb\u00e9m, um protesto. S\u00e3o esses filmes que, na plataforma, est\u00e3o marcados por esse &#8220;Procura-se&#8221;. Eles tamb\u00e9m instigam. Apesar do site ser lindo, ter tudo muito harm\u00f4nico, e eu sou apaixonada pela pintura, tamb\u00e9m tem um lugar de provoca\u00e7\u00e3o. De questionar saber onde est\u00e3o esses filmes, para onde foram, se chegaram a ser exibidos. E as quest\u00f5es que trazem essas aus\u00eancias s\u00e3o marcadas. Acho que \u201cObra Autorizada\u201d, apesar de tamb\u00e9m ser esse filme harm\u00f4nico, bem dirigido, tamb\u00e9m traz esse lugar sutil da provoca\u00e7\u00e3o sobre algo, sobre uma realidade que est\u00e1 ali. Tamb\u00e9m marca essa aus\u00eancia, que acho que est\u00e1 presente nos dois projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iago &#8211; Acho que \u00e9 uma caracter\u00edstica bem forte do rec\u00f4ncavo essa coisa da mem\u00f3ria e do descaso com essa mesma mem\u00f3ria. Patrim\u00f4nio e preserva\u00e7\u00e3o, e, ao mesmo tempo, a ru\u00edna e a aus\u00eancia. E esses filmes, quando comecei a me deparar com eles, veio muito essa ideia de que s\u00e3o o patrim\u00f4nio do rec\u00f4ncavo. Mesmo eles, em sua maior parte, n\u00e3o tendo sido feitos por pessoas daqui, n\u00e3o s\u00e3o produ\u00e7\u00f5es locais, <a href=\"https:\/\/cartografiadocinemanoreconcavo.com\/filmes\/bahia-em-1927-titulo-atribuido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tem at\u00e9 filme da Alemanha<\/a>, mas que vemos e conclu\u00edmos que isso pertence ao rec\u00f4ncavo de alguma forma. E isso tem que retornar, tamb\u00e9m, para c\u00e1. Retornar de uma forma que as pessoas se apropriem dessas hist\u00f3rias e dessas imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camila \u2013 A gente defende muito o valor da imagem desses filmes e desses registros. E n\u00e3o s\u00f3 o valor cinematogr\u00e1fico que \u00e9 atribu\u00eddo a eles. Mas, tamb\u00e9m, o valor hist\u00f3rico que pode ser usado por pesquisadores de arquitetura, muse\u00f3logos, por exemplo. Ali est\u00e1 o registro de uma \u00e9poca, de uma rua, de um jeito de andar, de uma vestimenta. \u00c9 um documento hist\u00f3rico. N\u00f3s defendemos, tamb\u00e9m, essa import\u00e2ncia do documento hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iago \u2013 E, inclusive, \u00e9 interessante voltarmos para esse filme com esse olhar e reunir esses diferentes olhares sobre os filmes. Tanto um olhar cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria representa\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 importante a gente tocar nesse ponto, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma filmografia de filmes lindos, de filmes que a gente ama e que concordamos necessariamente com tudo que eles est\u00e3o falando ou com a forma que eles foram feitos. \u00c9 uma coisa que \u00e9 para refletirmos e n\u00e3o deixar de dar o valor hist\u00f3rico que ele tem por de fato registrar coisas de quase um s\u00e9culo atr\u00e1s, como tem de 1925 o primeiro filme que encontramos. S\u00e3o imagens que, por mais que possamos questionar a forma como elas foram criadas e a forma como elas representam as coisas, elas t\u00eam um valor. E est\u00e3o a\u00ed para isso. Para a gente questionar. N\u00f3s tivemos todo o cuidado de pesquisar textos sobre os filmes para acompanhar. Temos, linkados aos filmes, os textos e coment\u00e1rios sobre eles justamente para o acesso a esses trabalhos ficar vinculado a esse olhar cr\u00edtico e hist\u00f3rico. E a ideia \u00e9, tamb\u00e9m, fazer com que filmes que n\u00e3o foram muito estudados, que n\u00e3o t\u00eam muita literatura sobre eles, que possam ter agora. H\u00e1 uma s\u00e9rie de filmes em que h\u00e1 muita pouca informa\u00e7\u00e3o sobre eles. \u00c9 interessante que eles retornem com esse olhar atual.<\/p>\n<figure id=\"attachment_61562\" aria-describedby=\"caption-attachment-61562\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61562 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Erva-Bruxa-Acervo-Thomaz-Farkas.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Erva-Bruxa-Acervo-Thomaz-Farkas.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Erva-Bruxa-Acervo-Thomaz-Farkas-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61562\" class=\"wp-caption-text\"><em>Erva Bruxa \/ Acervo Thomaz Farkas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 toda uma riqueza atrelada a esse projeto que vai ajudar, como Camila falou, pesquisadores que buscam imagens voltadas para o estilo arquitet\u00f4nico, muse\u00f3logos, pessoas que buscam verificar registros de uma \u00e9poca. O recorte, inclusive, come\u00e7ando entre 1923 e indo at\u00e9 1989, passa por diversos pontos relevantes da Hist\u00f3ria do Brasil no s\u00e9culo XX. Como se deu a escolha desse per\u00edodo dentro do projeto? E isso pensando, inclusive, no fato de que a plataforma pode aumentar bastante quando passar a abranger per\u00edodos mais recentes.<\/strong><br \/>Camila \u2013 Primeiro tem essa coisa do 1923 come\u00e7ar nesse primeiro registro que temos documentado. Tem todos esses fatores hist\u00f3ricos que est\u00e3o presentes nesse recorte brasileiro, mas tem uma quest\u00e3o, tamb\u00e9m, muito importante: quando voc\u00ea fala ou pesquisa sobre preserva\u00e7\u00e3o, uma das coisas essenciais s\u00e3o as m\u00eddias. At\u00e9 1989, estamos falando de pel\u00edcula. Ali para os anos 1990, j\u00e1 vai entrar uma s\u00e9rie de m\u00eddias e incorpora\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, vamos ter o VHS e outras fitas. Vamos ter SDCam. Depois vai para uma s\u00e9rie de outras m\u00eddias. Falando um pouco do lado da produ\u00e7\u00e3o, ter uma estrat\u00e9gia e um mapa de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 completamente diferente. Agora, a gente mantendo um olhar para o mesmo tipo de m\u00eddia, temos um olhar para a quest\u00e3o de onde podemos encontrar esse material, com quais pessoas podemos falar. Temos registros de quem tinha esse tipo de c\u00e2mera nessa \u00e9poca. Ent\u00e3o, desse processo de pesquisa que tempos feito, tanto de pesquisa para encontrar registros desses filmes, quanto de pesquisa para encontrar esses materiais, passa por um olhar de entender quem tinha, na \u00e9poca, uma c\u00e2mera de pel\u00edcula para ser filmada. Seja em 32mm ou 16mm, e depois ainda conseguimos pegar um pouco dos 8mm, com a Super8. Quando pesquisamos, por exemplo, o Rotary Club, que era um clube que, em determinado momento aqui em Cachoeira, era uma sociedade de homens com um certo poder aquisitivo, considerados mais intelectuais, enfim, e que organizavam determinadas festas da cidade. E que um deles tinha uma c\u00e2mera, trazia um registro aqui, outro ali. Ent\u00e3o, voc\u00ea consegue mapear, mais ou menos, quem tinha esse material e ir vendo por isso. Quando chegamos \u00e0 Super 8, por exemplo, tamb\u00e9m entendemos que existe um movimento de pessoas que gravava em Super 8 na Bahia. E a\u00ed, imaginamos que essas pessoas, de alguma forma, podem ou n\u00e3o tido uma passagem por Cachoeira. Sabemos que algumas tiveram e outras n\u00e3o. Ent\u00e3o, a gente consegue ir mapeando, tamb\u00e9m, pelo registro hist\u00f3rico que t\u00ednhamos dessas pessoas. Quando formos para esse novo momento que envolve novas m\u00eddias, a\u00ed j\u00e1 \u00e9 uma outra abordagem, tamb\u00e9m. \u00c9 um outro olhar e outra produ\u00e7\u00e3o para se pensar em como chegar a esse material. Acreditamos, por exemplo, que quando passarmos desse ano de 1989, vamos ter uma nova gama de registros caseiros, por exemplo, que \u00e9 quando as c\u00e2meras come\u00e7am a entra mais dentro das casas dos brasileiros. Ainda que no rec\u00f4ncavo isso seja ainda bem mais tardio. Mas a\u00ed vamos ter mais registros. Tudo vai mudando, tamb\u00e9m, conforme a hist\u00f3ria da tecnologia chega no Brasil. E como nos relacionamos com ela ao longo do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iago \u2013 Concordo. Foi uma quest\u00e3o de um recorte metodol\u00f3gico, mesmo. At\u00e9 porque, nos anos 1990, come\u00e7amos a ter um boom de produ\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m. Uma quantidade muito maior de filmes para a televis\u00e3o. Mat\u00e9rias, tamb\u00e9m, de televis\u00e3o que come\u00e7am a ter em maior quantidade. E a\u00ed \u00e9 uma outra abordagem que a gente teria que ter na pesquisa e na produ\u00e7\u00e3o. Decidimos, ent\u00e3o, dividir em duas partes. E isso sem falar na UFRB, que \u00e9 quando chegamos a um boom de produ\u00e7\u00e3o local que \u00e9 enorme. A\u00ed, realmente, precisa de uma outra estrat\u00e9gia de abordagem. Porque j\u00e1 tentaram fazer alguns projetos, assim, de preserva\u00e7\u00e3o dos filmes daqui da UFRB. Nenhum foi \u00e0 frente ainda, mas tenho not\u00edcias de que tem gente fazendo esse trabalho de cataloga\u00e7\u00e3o, de pesquisa. Est\u00e1 caminhando. No futuro, queremos realmente juntar essas coisas e conseguir ter essa filmografia completa do rec\u00f4ncavo at\u00e9 os dias atuais. Como voc\u00ea comentou, nesse per\u00edodo acontecem momentos bem espec\u00edficos do Brasil e \u00e9 interessante como a gente que \u00e9 do rec\u00f4ncavo participa disso. Voc\u00ea tem bem claramente nos filmes, voc\u00ea consegue ver o rec\u00f4ncavo, no in\u00edcio ali da d\u00e9cada de 1920 e 1930, ainda como um local de interesse para as pessoas que vinham \u00e0 Bahia para fazer um filme e com um interesse em mostrar esses lugares no Sul do pa\u00eds, que era para onde iam esses filmes, para S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. E voc\u00ea v\u00ea como \u00e9 forte a quest\u00e3o econ\u00f4mica do charuto, a quest\u00e3o do transporte via barco a vapor. Conseguimos ver isso na filmografia. O trajeto que as pessoas fazem era vindo de barco de Salvador. E depois vemos o boom com o petr\u00f3leo na d\u00e9cada de 1950 e a\u00ed a transfer\u00eancia desses caminhos que levam ao interior, que passam a ser via estrada, principalmente, com o crescimento da cidade de Feira de Santana e <a href=\"https:\/\/cartografiadocinemanoreconcavo.com\/apresentacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a cria\u00e7\u00e3o da refinaria de Mataripe, em S\u00e3o Francisco do Conde<\/a>. E a\u00ed de uma s\u00e9rie filmes na d\u00e9cada de 1950 sobre o petr\u00f3leo e a refinaria. Ent\u00e3o, acho que \u00e9 interessante observar isso fazendo parte daquele momento da d\u00e9cada de 1950, com a campanha &#8220;O Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso&#8221;, a cria\u00e7\u00e3o da Petrobras. Ent\u00e3o, a gente consegue ver como que o retorno foi foco de interesse nas diferentes \u00e9pocas. Depois, na d\u00e9cada de 1970, j\u00e1 come\u00e7amos a ver mais um foco cultural, que come\u00e7a com esse processo de tombamento de Cachoeira, dessa valoriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio do rec\u00f4ncavo, com o samba de roda. Come\u00e7amos a ver filmes sobre o candombl\u00e9. Ent\u00e3o, a gente consegue ter essa curva do que o rec\u00f4ncavo despertava para as pessoas que vinham aqui filmar. Qual era o interesse delas sobre o rec\u00f4ncavo nas diferentes \u00e9pocas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi pontuado que o projeto visa disponibilizar digitalmente as obras. E \u00e9 um tipo preserva\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m. Voc\u00eas s\u00e3o de uma gera\u00e7\u00e3o de cineastas ligada o digital, mas que possuem esse louv\u00e1vel esfor\u00e7o na busca pela preserva\u00e7\u00e3o das imagens feitas em um per\u00edodo anterior. Discutir preserva\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica brasileira em uma \u00e9poca como a atual \u00e9 algo urgente, tamb\u00e9m. Principalmente vendo o que acontece com a Cinemateca, em S\u00e3o Paulo. Eu queria pontuar essa import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o dentro desse projeto, observando ser um trabalho voltado para o que j\u00e1 est\u00e1 digitalizado, mas que, invariavelmente, nos leva a pensar no acervo f\u00edsico.<\/strong><br \/>Iago \u2013 Como eu falei antes, a minha pesquisa come\u00e7a muito por um interesse pessoal. Ent\u00e3o, a minha vontade \u00e9 eu ter acesso \u00e0s coisas. Acredito que uma coisa n\u00e3o vai substituir a outra. E n\u00e3o deve, tamb\u00e9m. A gente n\u00e3o deve tentar substituir voc\u00ea assistir ao filme em casa com voc\u00ea assistir no cinema, mesmo digitalmente. E a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o da m\u00eddia original, porque \u00e9 na m\u00eddia que a gente consegue realmente preservar por mais tempo. Al\u00e9m de preservar a experi\u00eancia. A possibilidade de voc\u00ea assistir ao filme na forma como ele foi feito, mas tamb\u00e9m \u00e9 a forma ideal de se preservar. A\u00ed, encontramos algumas coisas na pesquisa que s\u00e3o interessantes. Como o trabalho \u00e9 de cataloga\u00e7\u00e3o, encontramos no filme diversas situa\u00e7\u00f5es. Tanto filmes que est\u00e3o bem preservados, teoricamente, em acervos, mas n\u00e3o est\u00e3o digitalizados, ou seja, eles est\u00e3o preservados, mas a gente n\u00e3o consegue ter um acesso f\u00e1cil a eles. E muitas vezes n\u00e3o temos nenhum acesso. Porque s\u00e3o casos que a pel\u00edcula est\u00e1 prejudicada e \u00e9 uma c\u00f3pia \u00fanica, como \u00e9 o caso de \u201cMontanha dos Sete Ecos\u201d, que, para voc\u00ea assistir ao filme, precisaria de um trabalho de restaura\u00e7\u00e3o antes de manusear. Mas tem outros que est\u00e3o bem guardados em acervos. Tanto filmes que foram digitalizados em um momento de mudan\u00e7a de m\u00eddia, como quando os filmes gravados em Super 8 e as pessoas passaram para VHS. Depois passaram para o DVD e perdeu o original. E ent\u00e3o, hoje, ficamos com aquela c\u00f3pia que foi enviada por VHS, enviada por DVD, e hoje est\u00e1 em um pen drive com o pr\u00f3prio cineasta. Ou seja, n\u00e3o tem nenhuma institui\u00e7\u00e3o cuidando disso. Identificamos coisas tanto de acervos de pessoas aqui do rec\u00f4ncavo, quanto filmes em Super 8, que o que temos hoje \u00e9 o arquivo do DVD, que est\u00e1 em baixa qualidade, mas \u00e9 a \u00fanica c\u00f3pia. Ent\u00e3o, essa coisa perigosa do digital, que muitas pessoas no in\u00edcio pensaram que era s\u00f3 migrar e estaria l\u00e1, mais simples. &#8220;Guardava no DVD e acabou, n\u00e9?&#8221; Tem esse perigo das pessoas desvalorizarem a m\u00eddia original, que \u00e9 o que tem que ser preservado, mesmo. Mas, ao mesmo tempo, essa coisa de digitalizar \u00e9 muito importante porque para voc\u00ea preservar algo, voc\u00ea tem que fazer com que as pessoas conhe\u00e7am aquilo. N\u00e3o tem como algu\u00e9m querer assistir a um filme se a pessoa nem conhece, nem sabe que ele existe, por exemplo. Ent\u00e3o, nosso trabalho vai muito nesse sentido. De querer mostrar os filmes para que as pessoas tenham um interesse neles. Tanto os filmes que est\u00e3o digitalizados, \u00e0s vezes em m\u00e1 qualidade, como tem casos de filmes que voc\u00ea olha e percebe que ele merece uma aten\u00e7\u00e3o maior, merece uma restaura\u00e7\u00e3o, merece um trabalho em torno dele, quanto filmes que vamos ter acesso a uma sinopse e sabe que tem aquela c\u00f3pia guardada em um acervo. E a\u00ed se a gente n\u00e3o d\u00e1 a essas pessoas tal informa\u00e7\u00e3o de que existe esse filme que fala sobre aquele tema, que foi gravado em tal lugar, que conta tal hist\u00f3ria, esse filme pode ficar esquecido. Porque sabemos, tamb\u00e9m, que muitos desses filmes n\u00e3o possuem uma prioridade de preserva\u00e7\u00e3o das grande institui\u00e7\u00f5es de acervo no Brasil. E muitas vezes n\u00e3o \u00e9 algo que possua culpados. Muitas vezes s\u00e3o filmes de uma coisa espec\u00edfica de uma certa regi\u00e3o. Sabemos que existem outras prioridades. Mas, por isso que tamb\u00e9m \u00e9 importante a descentraliza\u00e7\u00e3o do pensamento sobre preserva\u00e7\u00e3o. Estamos pensando aqui e temos a nossa prioridade aqui. E n\u00f3s podemos fazer o trabalho de preserva\u00e7\u00e3o desse material porque para n\u00f3s \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camila &#8211; \u00c9 importante enfatizar que, realmente, nem eu nem Iago acreditamos que a melhor forma de preserva\u00e7\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s da digitaliza\u00e7\u00e3o. Inclusive, sabemos por um fato que n\u00e3o \u00e9 assim. Um movimento, inclusive, que se faz, mesmo que tenha sido um filme digital, \u00e9 que em qualquer cinemateca do mundo, eles v\u00e3o fazer um &#8220;back to film&#8221; que \u00e9 um processo <a href=\"https:\/\/lwlies.com\/articles\/cpc-london-transferring-digital-film-to-35mm\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que leva o filme de volta para a pel\u00edcula<\/a>. A pel\u00edcula \u00e9 um dos melhores meios de preserva\u00e7\u00e3o. Mesmo com filmes que foram digitais. Claro que voc\u00ea pode preservar a c\u00f3pia, pode colocar em outras fitas. Mas, assim, n\u00f3s n\u00e3o defendemos essa ideia. O que a gente defende \u00e9 levantar o debate sobre a import\u00e2ncia hist\u00f3rica dessas imagens. E recuperar esses valores perdidos dessas imagens, trazer novos valores para elas e, tamb\u00e9m, trazer \u00e0 tona o debate sobre a preserva\u00e7\u00e3o da nossa mem\u00f3ria, dessa regi\u00e3o. Ent\u00e3o, assim, defendemos muito isso. E inclusive, como j\u00e1 foi pontuado, n\u00e3o temos esse espa\u00e7o de fazer esse processo de uma digitaliza\u00e7\u00e3o de um filme, de uma recupera\u00e7\u00e3o de um filme, seja uma remasteriza\u00e7\u00e3o ou, enfim, trabalhar em cima da pel\u00edcula restaurando. N\u00e3o temos ainda esse projeto em curso. Ainda que esteja escrito, ainda que a gente estude isso, pensamos em fazer isso no futuro. Mas acho que \u00e9 esse movimento que \u00e9 interessante, tamb\u00e9m, como primeiro passo. Para que deixe de ser uma coisa distante sobre filmes que foram feitos h\u00e1 muito tempo e que parece que n\u00e3o t\u00eam nada a trazer de novo para a gente. Nem para regi\u00e3o, para o cinema ou para a cidade, ou para as pessoas que est\u00e3o aqui. Mas quando a gente mostra essas imagens, quando compartilhamos, quando temos o contato com a opini\u00e3o das pessoas sobre essas imagens, n\u00e3o tem quem n\u00e3o fique boquiaberto, n\u00e3o tem quem n\u00e3o olhe com paix\u00e3o, n\u00e3o tem quem n\u00e3o fale: &#8220;meu Deus!&#8221; A gente consegue trazer esse valor para esse material. E acho que \u00e9 um primeiro passo. Acho que eu tamb\u00e9m enfatizaria isso que voc\u00ea falou, Iago, que \u00e9 um primeiro lugar. N\u00e3o d\u00e1 para a gente desejar preservar aquilo que desconhecemos. Ent\u00e3o, acho que o nosso primeiro movimento \u00e9 esse: trazer \u00e0 tona para que tenha um valor e um discurso atribu\u00eddo para esse material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iago \u2013 Tem alguns filmes, e acho isso muito interessante, que est\u00e3o na plataforma dispon\u00edveis para as pessoas assistiram completo, e eles j\u00e1 estavam na internet. Tem um caso espec\u00edfico, que chama \u201c<a href=\"https:\/\/cartografiadocinemanoreconcavo.com\/filmes\/a-baiana\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Baiana<\/a>\u201d, que est\u00e1 no YouTube do CTAV, Centro T\u00e9cnico do Audiovisual, que eu vi como um achado bem interessante. \u00c9 um filme que foi todo gravado em Cachoeira, praticamente. Mas ele n\u00e3o tem essa informa\u00e7\u00e3o de que foi gravado em Cachoeira. A\u00ed uma das coisas que eu acho que \u00e9 um papel do projeto \u00e9 esse: localizar. Dar a informa\u00e7\u00e3o agregada ao filme. \u00c9 um filme que registra algumas baianas de acaraj\u00e9 daqui, filma um samba de roda, mas n\u00e3o tem essa informa\u00e7\u00e3o nele. Ningu\u00e9m pesquisando sobre Cachoeira teria acesso a esse filme. Porque uma informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 conectada a outra. Ent\u00e3o, o filme j\u00e1 estava na internet, todo mundo poderia assistir, mas, talvez, n\u00e3o tivesse essa informa\u00e7\u00e3o de que ele foi gravado aqui em Cachoeira. Uma pessoa que tem me dado muito aux\u00edlio \u00e9 <a href=\"https:\/\/www3.ufrb.edu.br\/reverso\/historiador-cachoeirano-destaca-importancia-a-ufrb-na-cidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o historiador Cacau Nascimento<\/a>, aqui de Cachoeira. Eu mando fotos para ele, e ele sempre sabe me falar sobre aquelas imagens, identificando quem est\u00e1 registrado. E ele vai me ajudando a construir essa hist\u00f3ria, identificar quem s\u00e3o essas pessoas. E com esse filme ele ficou bem surpreso. Pois s\u00e3o v\u00e1rias pessoas que ele conhece, que ele conheceu, mas que ele nunca tinha visto. Ent\u00e3o, eu acho que \u00e9 um pouco desse trabalho, tamb\u00e9m. De retornar essas imagens com essa informa\u00e7\u00e3o contextualizada. Foi gravado aqui, est\u00e1 falando de pessoas daqui, e que a gente pode, agora, ter esse acesso contextualizado a essas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anteriormente, eu falei sobre a quest\u00e3o afetiva da rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas com esse projeto pelo fato dele destacar obras sobre a regi\u00e3o onde voc\u00eas vivem. Para fechar, queria abordar novamente essa quest\u00e3o afetiva dentro do desenvolvimento desse trabalho.<\/strong><br \/>Camila \u2013 Eu defendo muito o afetivo. E tamb\u00e9m acho que \u00e9 uma das formas de lidarmos com esse material (do site). Inclusive, estrategicamente. Para fazer com que aquelas as pessoas reconhe\u00e7am um valor existente, tamb\u00e9m, muitas vezes vem por essa afetividade. E o rec\u00f4ncavo baiano \u00e9 um lugar, tamb\u00e9m, onde h\u00e1 muito olhar afetivo para esse local. Seja de quem vem aqui uma vez por ano, seja de quem mora aqui, seja de quem ouve aqui atrav\u00e9s de m\u00fasica, da literatura, da poesia. E vai al\u00e9m do rom\u00e2ntico. Acho que \u00e9 um lugar que pode, at\u00e9 de uma forma meio pedag\u00f3gica, nos atrair, e atrair a defesa da import\u00e2ncia dessa mem\u00f3ria, atrav\u00e9s dessa afetividade. E fora, tamb\u00e9m, o que eu defendo muito \u00e9 a paix\u00e3o que temos por esse lugar, de trabalhar com esse material, com essas imagens. \u00c9 o que nos trouxe aqui. E. entre todas as coisas que poder\u00edamos estar fazendo na nossa vida, decidimos fazer isso assim. E olhar com mais carinho, tamb\u00e9m, para isso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_61561\" aria-describedby=\"caption-attachment-61561\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61561 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Coronel-Delmiro-Gouveia-Geraldo-Sarno-Frame-do-filme-fotografia-Lauro-Escorel-Filho.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Coronel-Delmiro-Gouveia-Geraldo-Sarno-Frame-do-filme-fotografia-Lauro-Escorel-Filho.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Coronel-Delmiro-Gouveia-Geraldo-Sarno-Frame-do-filme-fotografia-Lauro-Escorel-Filho-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61561\" class=\"wp-caption-text\"><em>&#8220;Coronel Delmiro Gouveia&#8221; (Geraldo Sarno) \/ Frame do filme, fotografia Lauro Escorel Filho<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p><em>\u2013&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\">Jo\u00e3o Paulo Barreto&nbsp;<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Plataforma idealizada pelos cineastas Iago Ribeiro e Camila Greg\u00f3rio mapeia e registra a identidade da regi\u00e3o atrav\u00e9s de trabalhos de cinema e TV rodados nas cidades entre os anos de 1923 e 1989, em mais de 130 produ\u00e7\u00f5es catalogadas at\u00e9 o momento.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/10\/entrevista-cineastas-camila-gregorio-e-iago-ribeiro-falam-sobre-a-plataforma-cartografia-do-cinema-no-reconcavo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":61565,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61556"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61556"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61556\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61574,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61556\/revisions\/61574"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61565"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}