{"id":61505,"date":"2021-07-07T00:08:49","date_gmt":"2021-07-07T03:08:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=61505"},"modified":"2021-09-24T00:03:58","modified_gmt":"2021-09-24T03:03:58","slug":"entrevista-marcio-grings-compila-34-resenhas-de-shows-em-novo-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/07\/entrevista-marcio-grings-compila-34-resenhas-de-shows-em-novo-livro\/","title":{"rendered":"Entrevista: Marcio Grings compila 34 resenhas de shows em novo livro"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apreciadores de m\u00fasicas s\u00e3o propensos colecionadores. De discos, CDs, escritos e memorabilia em geral de seus \u00eddolos. Entre esses, h\u00e1 tamb\u00e9m os que guardam mem\u00f3rias. \u00c9 o caso do escritor, jornalista e produtor cultural M\u00e1rcio Grings, que lan\u00e7ou em junho o livro &#8220;<a href=\"https:\/\/www.quandoosombatenopeito.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quando o Som Bate no Peito<\/a>&#8220;, uma colet\u00e2nea com 34 resenhas de shows internacionais vivenciadas nos \u00faltimos 23 anos \u2014 todas publicadas originalmente on-line na p\u00e1gina <a href=\"https:\/\/www.gringsmemorabilia.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Grings Memorabilia<\/a> ou no extinto blog que ele mantinha no site da r\u00e1dio Itapema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os relatos que comp\u00f5em a publica\u00e7\u00e3o, est\u00e3o narrativas sobre apresenta\u00e7\u00f5es de Bob Dylan, Paul McCartney, Rolling Stones, The Who, Roger Waters, Eric Clapton, Buddy Guy, Deep Purple e Black Sabbath. Al\u00e9m dos textos, sempre fundamentados em pesquisa e na pr\u00f3pria viv\u00eancia do autor, a obra traz cerca de 140 imagens. Mais da metade em um libreto colorido, com cliques de 18 fot\u00f3grafos, alguns com passagens por m\u00eddias importantes como GZH e r\u00e1dio Itapema. \u00c9 poss\u00edvel ter uma ideia do capricho com o trabalho no hotsite interativo <a href=\"https:\/\/www.quandoosombatenopeito.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.quandoosombatenopeito.com.br<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compilar as experi\u00eancias de imers\u00e3o em meio a graves, m\u00e9dios &amp; agudos a todo volume n\u00e3o deixa de ser a extens\u00e3o de outro h\u00e1bito similar de Grings: ele acumula trechos de jornais e revistas antigas sobre artistas e eventos, tudo devidamente armazenado em encartes de \u00e1lbuns aos quais esses materiais fazem refer\u00eancia. Os recortes s\u00e3o uma recorda\u00e7\u00e3o pessoal, compartilhada apenas com quem visita seu acervo, montado cuidadosamente na casa onde vive em Santa Maria (regi\u00e3o central do Rio Grande do Sul) com a companheira Camila Gon\u00e7alves, numa \u00e1rea menos urbanizada \u2014 com direito a presen\u00e7as espor\u00e1dicas de tucanos e a companhia do gato Jimi Hendrix. J\u00e1 o novo livro tem inten\u00e7\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m dos limites geogr\u00e1ficos. &#8220;Quando o Som Bate no Peito&#8221;, conforme o autor, foi feito para tocar e dividir emo\u00e7\u00f5es com outras almas que sentem reverberar a arte dos sons, estejam onde estiverem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSou obcecado pelo registro documental, luto para que as mem\u00f3rias n\u00e3o se apaguem, para que um evento seja falado e repercutido em palavras e n\u00e3o apenas imagens\u201d, afirma Grings, um amante inveterado de m\u00fasica \u2014 j\u00e1 atuou em loja de discos, em cima do palco tocando com bandas (como a Red House e Harvest Moon) ou promovendo apresenta\u00e7\u00f5es locais de gente como Eddie C. Campbell, Wee Willie Walker, Vitor Ramil e Bebeto Alves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria das coberturas de &#8220;Quando o Som Bate no Peito&#8221; foi registrada em Porto Alegre, distante cerca de 300 km da terra natal do autor e onde ele fixa resid\u00eancia. Boa parte dessas viagens foi em excurs\u00f5es organizadas pelo pr\u00f3prio Grings para levar f\u00e3s de rock at\u00e9 a capital ga\u00facha. O trajeto, que dura cerca de quatro horas, tamb\u00e9m costuma render recorda\u00e7\u00f5es \u2014 embora nas p\u00e1ginas da publica\u00e7\u00e3o constem apenas algumas men\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPoucas vezes tivemos problemas nesses translados. O p\u00fablico de rock \u00e9 muito tranquilo. Lembro a passagem do The Who em 2017, rumo ao Beira-Rio. O pessoal estava muito empolgado, parecia um bando de quarent\u00f5es de volta ao jardim de inf\u00e2ncia. Algumas vezes f\u00e3s mais exaltados se perdem no final do evento ou passam da conta na bebida, e precisamos localiz\u00e1-los para traz\u00ea-los de volta ao mundo real, em seguran\u00e7a at\u00e9 seu assento no ve\u00edculo\u201d, lembra Grings, saudoso da fun\u00e7\u00e3o em torno das viagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista que segue, o escritor fala sobre o novo trabalho no universo liter\u00e1rio (o nono da carreira), relembra como a m\u00fasica influenciou as trilhas pelas quais chegou at\u00e9 aqui e recorda momentos, e espet\u00e1culos, que ecoam em suas lembran\u00e7as.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Quando o Som Bate no Peito \u2014 Memorabilia Books\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mewKPuF1pZI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma colet\u00e2nea de resenhas sobre shows pode parecer algo \u00f3bvio, mas n\u00e3o \u00e9. Tanto que s\u00e3o raras as publica\u00e7\u00f5es do tipo no mercado editorial, pelo menos no Brasil. Como e por que surgiu a ideia de fazer esse trabalho?<\/strong><br \/>\nSabe que desconhe\u00e7o um livro desse naipe por aqui? L\u00e1 fora h\u00e1 in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es que relatam experi\u00eancias de assistir shows ao vivo em forma de resenhas, mas no Brasil n\u00e3o \u00e9 comum. Digo como obra liter\u00e1ria. N\u00e3o t\u00f4 dizendo que inventei a roda, longe disso, mas tomara que eu possa inspirar outros jornalistas musicais a escreverem suas impress\u00f5es numa publica\u00e7\u00e3o. Acredito que a mem\u00f3ria cultural precisa ser preservada, pois, sem essas descri\u00e7\u00f5es, muitas vezes s\u00f3 nos resta o material fotogr\u00e1fico de um evento. Sou obsessivo pelo registro documental de espet\u00e1culos, principalmente o descritivo, e desde 2009 comecei a tornar isso um h\u00e1bito. N\u00e3o h\u00e1 show em que eu n\u00e3o esteja com caneta e bloco de anota\u00e7\u00f5es comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 tua nona publica\u00e7\u00e3o no universo liter\u00e1rio, e a primeira completamente dedicada a versar sobre m\u00fasica. Por que tanto tempo para falar dessa paix\u00e3o que te acompanha desde meados dos 1980?<\/strong><br \/>\nNa verdade, minha trajet\u00f3ria na literatura passa pela poesia, conto e cr\u00f4nica, mas a m\u00fasica sempre esteve presente em meus escritos. Como j\u00e1 disse, sendo jornalista musical, h\u00e1 um bom tempo me aventuro nessa atividade de resenhar experi\u00eancias. Isso vem do Blog do Grings, plataforma em que mantinha meu material na \u00e9poca em que trabalhei na R\u00e1dio Itapema (do grupo RBS), e no site da Grings Tours, no qual documento minha trajet\u00f3ria de coberturas. Acredito que o livro vem num momento certo, j\u00e1 que todos estamos privados de assistir apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo. E, com isso, essas mem\u00f3rias parecem ainda mais importantes agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>H\u00e1 quem veja o jornalismo cultural, mais especificamente o musical, como algo sup\u00e9rfluo. Ao mesmo tempo, h\u00e1 os que percebem essa atividade como algo glamoroso, que coloca os profissionais da comunica\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es que muita gente n\u00e3o tem acesso, mas gostaria de ter. Como tu percebes o of\u00edcio?<\/b><br \/>\nFrank Zappa certa vez disse: \u201co jornalismo de rock envolve profissionais que n\u00e3o sabem escrever entrevistando artistas que n\u00e3o sabem falar pra leitores que n\u00e3o sabem ler\u201d. Acho uma meia verdade, pois basta olharmos para v\u00e1rios nomes aqui do pa\u00eds e d\u00e1 para perceber que tem muita gente boa escrevendo sobre m\u00fasica. Cito dois apenas, mas gigantes: Juarez Fonseca, no Sul, e Zuza Homem de Mello, no Centro do pa\u00eds. J\u00e1 sobre glamour ou algum tipo de \u2018acesso aos bastidores\u2019, isso n\u00e3o passa de uma vis\u00e3o deturpada de quem enxerga essa atividade como um evento social ou est\u00e1 apenas numa onda de pagar de f\u00e3. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/01\/entrevista-ricardo-alexandre-fala-de-espiritualidade-articulismo-e-musica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ricardo Alexandre<\/a>, ex-editor chefe da Bizz, disse algo bacana sobre cr\u00edtica musical: \u201cquem transforma discos e m\u00fasica em cultura \u00e9 a imprensa\u201d. Prefiro acreditar nesse preceito a entrar num jogo de demoniza\u00e7\u00e3o do jornalismo musical, como algo f\u00fatil. Cabe a n\u00f3s, profissionais do meio, dar o tom e a import\u00e2ncia ao nosso trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual tua avalia\u00e7\u00e3o sobre o jornalismo musical nos dias de hoje, se comparado ao passado? Em qualidade de produ\u00e7\u00e3o e no quesito credibilidade tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\nAh, vejo que hoje entramos meio que numa vala comum. Tanto nas editorias de cultura de jornais quanto no esquema dos bloggers e youtubers, vejo muita subtra\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e valoriza\u00e7\u00e3o da imagem. Claro que h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es, tem muita gente boa escrevendo sobre m\u00fasica, e cabe a n\u00f3s subirmos a r\u00e9gua. Ainda acredito no poder da palavra escrita, prefiro ler um bom texto do que ver um v\u00eddeo repleto de sacadas de edi\u00e7\u00e3o e piadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O t\u00edtulo &#8220;Quando o Som Bate no Peito&#8221; \u00e9 uma express\u00e3o que brinca com a sinestesia, com a diversidade de sensa\u00e7\u00f5es que um show proporciona. Algo que vai al\u00e9m da audi\u00e7\u00e3o. Quando e qual foi a epifania para escolher esse nome?<\/strong><br \/>\nFoi muito dif\u00edcil. Queria algo que sintetizasse essa sensa\u00e7\u00e3o de estarmos em frente a um palco, num show ao vivo. Quando estava revendo e reescrevendo os textos, escolhendo as resenhas que fariam parte do livro, me deparei exatamente com essa frase no relato do show do Pretenders no Beira-Rio (Porto Alegre), em fevereiro de 2017. Diz assim:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c\u2018Don\u2019 t Get Me Wrong\u2019 certamente figura entre as can\u00e7\u00f5es mais conhecidas da noite. Tamb\u00e9m fez parte de filmes, comerciais e o diabo a quatro. O que importa? Ela continua sendo um grande pop rock, ainda mais quando o som bate no peito, bem em frente ao palco, exatamente onde estamos\u201d. A\u00ed pensei: bingo! Esse \u00e9 o nome.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_61513\" aria-describedby=\"caption-attachment-61513\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61513 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Queem-por-Yuri-Weber.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"497\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Queem-por-Yuri-Weber.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Queem-por-Yuri-Weber-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61513\" class=\"wp-caption-text\"><em>Queen \/ Foto de Yuri Weber<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando nisso: o que tu sentes quando o som bate no peito? Cita pelo menos um exemplo que esteja entre as 34 resenhas do livro. Algo que ilustre a frase aplicada na pr\u00e1tica, contigo sendo arrebatado.<\/strong><br \/>\nMuitas vezes tive essa sensa\u00e7\u00e3o de arrebatamento. Quando vi Bob Dylan ao vivo pela primeira vez (7 de abril de 1998, no Bar Opini\u00e3o, em Porto Alegre) ou mais recentemente na apresenta\u00e7\u00e3o do The Who (26 de setembro de 2017, no Beira-Rio). Em lugares menores, num show de blues, por exemplo, nunca vou esquecer quando Willie \u2018Big Eyes\u2019 Smith (m\u00fasico da banda de Muddy Waters) largou a harm\u00f4nica e sentou na bateria na parte final de seu show nos cafund\u00f3s do Sul do Mundo (bar Rota 1, em Santa Maria): foi como se, finalmente, eu estivesse sendo apresentado ao verdadeiro blues. Quando o som bate no peito o cora\u00e7\u00e3o vibra e a alma voa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que nenhuma experi\u00eancia on-line, ainda que v\u00e1lida como alternativa para tempos pand\u00eamicos, consegue substituir o ao vivo in loco?<\/strong><br \/>\nImposs\u00edvel reprisar essa sensa\u00e7\u00e3o. Sempre digo que esse lance do aperto, de estar no meio da massa, vibrando em un\u00edssono com milhares de pessoas, equilibrando um copo de bebida na m\u00e3o, levando na chapa o impacto sonoro de um grande espet\u00e1culo, n\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o com o mais moderno dos smartphones, DVD, blu-ray, materializa\u00e7\u00e3o hologr\u00e1fica ou sabe-se l\u00e1 o que possa surgir. Assistir m\u00fasica ao vivo, ver espet\u00e1culos com bandas e artistas, \u00e9 sempre uma experi\u00eancia transformadora. Pelo menos para mim. \u00c9 um dos lugares em que mais gosto de estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entre os relatos do livro, tem descri\u00e7\u00f5es de shows protagonizados por artistas das quais tu \u00e9s f\u00e3. Como Bob Dylan e Glenn Hughes, para mencionar alguns. Como \u00e9 trabalhar a ideia de, certa forma, ser parte ativa, e n\u00e3o um mero espectador em uma situa\u00e7\u00e3o na qual \u00eddolos est\u00e3o envolvidos?<\/strong><br \/>\nSempre busco separar o f\u00e3 do rep\u00f3rter. Com isso, tento ser o louco da lanterna. Sabe aquele lance de todos pirarem \u00e0 sua volta e apenas voc\u00ea manter algum tipo de lucidez? Essa \u00e9 a ideia. Presenciar um show, estar escrevendo sobre essa experi\u00eancia ao vivo, saber que muitas vezes parte de tudo isso nunca ser\u00e1 reprisado da mesma forma como se est\u00e1 vendo naquele segundo, acho isso m\u00e1gico! Tenho obsess\u00e3o pelo registro documental, tentar enxergar o que o grande p\u00fablico muitas vezes n\u00e3o v\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sabendo da tua paix\u00e3o por Bob Dylan, pergunto: cobrir o show do bardo, em 1998, num local pequeno \u2014 o Opini\u00e3o, em Porto Alegre \u2014 foi diferente? De que maneiras esse lado especial apareceu pra ti?<\/strong><br \/>\nEsse show j\u00e1 nasceu hist\u00f3rico. Foi a \u00fanica apresenta\u00e7\u00e3o solo dele no Brasil naquele ano, j\u00e1 que em Rio e S\u00e3o Paulo ele fez abertura para os Stones. O Opini\u00e3o conseguiu um feito aparentemente imposs\u00edvel: trazer Bob Dylan para tocar num lugar onde apenas 1,5 mil pessoas poderiam assisti-lo. \u00c9 a resenha mais longa do livro (10 p\u00e1ginas e 33 notas de rodap\u00e9). Ressuscitei essa noite 13 anos depois, em 2011, quando escrevi um longo artigo que foi publicado no meu blog no site da Itapema, isso no dia do anivers\u00e1rio de 70 anos de Bob Dylan. Tinha tudo anotado, guardado durante anos: anota\u00e7\u00f5es, recortes de jornal, um v\u00eddeo da \u00fanica reportagem do evento (com imagens do show feitas pela extinta TV Com) e muita sede de escrever e pontuar todos os detalhes, antes que tudo se apagasse da mem\u00f3ria. Essa noite mudou minha vida, nunca mais me afastei da frente de um palco, saquei o grande barato da experi\u00eancia musical. Depois vi o show dele em 2012, tamb\u00e9m em Porto Alegre, mas dessa vez no Pepsi on Stage (um espa\u00e7o maior, com capacidade para cerca de 5,5 mil pessoas). Assisti ao lado de Eduardo Bueno, o Peninha, o mais famoso dos f\u00e3s de Bob Dylan no Brasil. Foi demais, estava novamente pr\u00f3ximo do palco, e cada show do bardo \u00e9 realmente especial. Quem o conhece e acompanha suas turn\u00eas sabe disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como figura que analisa os diversos aspectos de um show: o que torna espet\u00e1culos do tipo bons ou ruins, baseados na tua experi\u00eancia com m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nDepende de v\u00e1rios fatores, entre eles o lugar, o momento de cada artista ou banda e at\u00e9 mesmo a vibra\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Um bom exemplo disso \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o do The Who em Porto Alegre, em 26 de outubro de 2017, no Beira-Rio em formato de anfiteatro (quando somente parte do est\u00e1dio \u00e9 usada para o evento). Tinha algo especial naquela noite, tanto que o m\u00fasico e produtor Brian Kehew, que faz parte da equipe do Who, publicou um longo depoimento no site oficial do grupo que posiciona essa apresenta\u00e7\u00e3o como uma das melhores de Roger Daltrey, Pete Townshend e sua trupe neste s\u00e9culo. Foi muito especial estar l\u00e1 nessa noite.<\/p>\n<figure id=\"attachment_61512\" aria-describedby=\"caption-attachment-61512\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61512 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Deep-Purple-por-Fabiano-Dallmeyer.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1125\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Deep-Purple-por-Fabiano-Dallmeyer.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Deep-Purple-por-Fabiano-Dallmeyer-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61512\" class=\"wp-caption-text\"><em>Deep Purple \/ Foto de Fabiano Dallmeyer<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os textos cont\u00eam bastante informa\u00e7\u00e3o, seja hist\u00f3rico dos artistas resenhados ou impress\u00f5es tuas para al\u00e9m do evento e do dia do show. Como \u00e9 o processo de elabora\u00e7\u00e3o das resenhas?<\/strong><br \/>\nGeralmente vou acompanhando a turn\u00ea at\u00e9 a noite em que estarei presente. Sempre confiro setlist, ou\u00e7o as can\u00e7\u00f5es, reviro os \u00e1lbuns, vejo v\u00eddeos (j\u00e1 que hoje a instantaneidade das redes sociais nos ampara fabulosamente nessa antecipa\u00e7\u00e3o) e leio muito sobre a banda e os artistas. Escrevo algumas coisas antes do show, penso no mote, no tom da resenha, mas o que define tudo \u00e9 o que acontece na noite do show, ao vivo. J\u00e1 aconteceu de ter um material pr\u00e9vio escrito e n\u00e3o o usar. Um exemplo de resenha que tem muito material de pesquisa e relato jornal\u00edstico \u00e9 do show do Roger Waters em 2018, e n\u00e3o poderia ser diferente, mediante todo o contesto pol\u00edtico que a \u201cUs + Them Tour\u201d esteve envolta naquele momento. H\u00e1 ali um passo a passo da turn\u00ea at\u00e9 chegar na apresenta\u00e7\u00e3o da capital ga\u00facha. Um show que n\u00e3o usei quase nada do que tinha escrito foi o do Black Sabbath. Ca\u00ed de quatro quando os vi em 2013. No outro dia comprei uma biografia deles. Esse \u00e9 o grande barato de ver um show: muitas vezes cremos estar preparados para ver as lendas de perto, mas quando estamos ali, frente a frente com esses gigantes da m\u00fasica mundial, em certos momentos o arrebatamento \u00e9 inevit\u00e1vel. J\u00e1 rolou decep\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, enfim, eles tamb\u00e9m s\u00e3o humanos, fal\u00edveis, como qualquer um de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu trabalhaste em lojas de discos e em r\u00e1dios em Santa Maria, uma cidade do interior. Ou seja: um pouco distante dos grandes centros, onde tudo acontece. Lembra o que pensava sobre assistir a um artista internacional ao vivo? Idealizava essa situa\u00e7\u00e3o? E quando rolou, como foi?<\/strong><br \/>\nEu sempre quis viver uma vida de m\u00fasica, ligada \u00e0 atividade musical. Acho que falo bastante desse garoto no livro, um adolescente que encontrava um lar no rock and roll. Ter trabalhado em lojas de discos foi uma escola fabulosa, pois me apresentou a g\u00eaneros como o jazz e a m\u00fasica erudita, assim como ampliou meu campo de interesse. Sou radialista, tive programas e coordenei uma r\u00e1dio. Estar num est\u00fadio anunciando um bloco de m\u00fasica e falando sobre bandas e artistas foi um dos grandes baratos da minha vida. Tudo isso est\u00e1 refletido em &#8220;Quando o Som Bate no Peito&#8221;, h\u00e1 diversas viagens no tempo, quando volto aos anos 1980, \u00e9poca em que ainda menino descobri a for\u00e7a da m\u00fasica e as janelas que ela abriu na minha cabe\u00e7a. Quando aconteceu de estar na frente do palco, acredito que aquele menino que fui retornou muitas vezes comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fizeste in\u00fameras excurs\u00f5es de Santa Maria a Porto Alegre para levar gente a shows. E lidar com f\u00e3s, alguns por vezes alterados pela emo\u00e7\u00e3o ou por &#8220;algo mais&#8221;, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. Por que investir nesse tipo de empreitada? A curti\u00e7\u00e3o do trajeto \u00e9 t\u00e3o bacana quanto o destino final? Alguma boa hist\u00f3ria dessas trips pra contar?<\/strong><br \/>\nEm primeiro lugar, por morar no interior do RS, cerca de 300 km da capital, sempre tinha essa fun\u00e7\u00e3o de ir at\u00e9 Porto Alegre para trabalhar nas coberturas. Muitos amigos, como boa parte dos shows acontecerem no meio de semana, sempre precisavam fazer o bate e volta, pois a grande maioria, assim como eu (que escrevo as resenhas poucas horas depois de assistir aos concertos), necessita retornar ao trabalho. Desse modo, conciliei as coberturas credenciadas com as excurs\u00f5es. Come\u00e7amos em 2010 (logo depois a jornalista Ana Bittencourt se juntou a mim na organiza\u00e7\u00e3o das trips), numa van com cerca de 20 pessoas, e chegamos a levar cerca de 300 passageiros para o show do Guns N\u2019 Roses em 2016. O mais curioso \u00e9 que poucas vezes tivemos problemas nesses translados. O p\u00fablico de rock \u00e9 muito tranquilo. Lembro a passagem do The Who em 2017, rumo ao Beira-Rio. O pessoal estava muito empolgado, parecia um bando de quarent\u00f5es de volta ao jardim de inf\u00e2ncia. Algumas vezes f\u00e3s mais exaltados se perdem no final do evento ou passam da conta na bebida, e precisamos localiz\u00e1-los para traz\u00ea-los de volta ao mundo real, em seguran\u00e7a at\u00e9 seu assento no ve\u00edculo. Quando lembro das excurs\u00f5es, os amigos, companheiros de viagem, o aquecimento antes dos espet\u00e1culos, o \u00f4nibus tocando uma playlist com can\u00e7\u00f5es dos shows, o clima de festa, de celebra\u00e7\u00e3o, sempre digo que dia de show \u00e9 como se fosse feriado nacional no Planeta Rock. S\u00f3 saudades e boas lembran\u00e7as, al\u00e9m da esperan\u00e7a de um retorno a essa atividade em 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais os pap\u00e9is da m\u00fasica e da literatura nas tuas trajet\u00f3rias pessoal e profissional?<\/strong><br \/>\nSempre estiveram em caminhos paralelos. Tanto a literatura quanto a m\u00fasica t\u00eam um papel fundamental no homem que me transformei. Sempre acreditei que uma casa sem livros e sem discos \u00e9 o mais vazio dos lares. Gra\u00e7as ao Criador estou recheado desses totens no meu chal\u00e9. Minha vida, meus livros, meus discos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_61514\" aria-describedby=\"caption-attachment-61514\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61514 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Roger-Waters-por-Fabio-Codevilla.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Roger-Waters-por-Fabio-Codevilla.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Roger-Waters-por-Fabio-Codevilla-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61514\" class=\"wp-caption-text\"><em>Roger Waters \/ Foto de F\u00e1bio Codevilla<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguns textos foram revistos, com altera\u00e7\u00f5es feitas em rela\u00e7\u00e3o a vers\u00f5es que foram publicadas on-line \u2014 algumas, horas ap\u00f3s os shows. Como se deu esse processo de retrabalhar os escritos?<\/strong><br \/>\nPercebi que quando comecei a enfileirar as resenhas, pensando na palheta de obra liter\u00e1ria sobre relatos de shows, havia muitos temas repetidos, impress\u00f5es semelhantes, o que soava at\u00e9 monotem\u00e1tico. Com isso, subtra\u00ed muita coisa, achei um tom para cada relato e reescrevi muitas partes, sem fugir da senda original e das escolhas que previamente fiz para cada texto. Acredito que fez toda a diferen\u00e7a, pois cada review tem uma identidade pr\u00f3pria, um caminho diferenciado sobre vis\u00f5es de um rep\u00f3rter musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seguindo a quest\u00e3o anterior: conta pra gente algumas situa\u00e7\u00f5es que foram revistas.<\/strong><br \/>\nClaro! Um exemplo est\u00e1 nas resenhas do Bob Dylan, j\u00e1 que s\u00e3o duas no livro. Elas funcionam com tonalidades peculiares, sem repeti\u00e7\u00f5es, apesar de at\u00e9 mesmo falar de can\u00e7\u00f5es id\u00eanticas em ambas. Outra que mudou foi a de Joan Baez, pois coloquei um enxerto hist\u00f3ria de um show frustrado dela no in\u00edcio dos anos 1980, cancelado pela ditadura. O bacana \u00e9 que as resenhas originais podem ser lidas no meu site <a href=\"https:\/\/www.gringstours.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.gringstours.com.br<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Infelizmente, a arte est\u00e1 em desapre\u00e7o por parte consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Por que insistir em atividades ligadas a ela, seja tocando, produzindo shows, organizando excurs\u00f5es para grandes apresenta\u00e7\u00f5es ou mesmo lan\u00e7ando livros?<\/strong><br \/>\nFazer cultura \u00e9 uma atividade de guerrilha, \u00e9 aquele lance de matar um le\u00e3o por dia, de polival\u00eancia. E vender livros est\u00e1 no alto dessa pir\u00e2mide, como o mais dif\u00edcil dos feitos culturais. &#8220;Quando o Som Bate no Peito&#8221; cont\u00e9m recursos da Lei Aldir Blanc e, sem esse dinheiro, seria imposs\u00edvel entregar um livro com tamanha qualidade. \u00c9 dif\u00edcil comercializar livros, mas estamos vendendo razoavelmente bem, e a aceita\u00e7\u00e3o e o impacto das pessoas quando pegam o exemplar f\u00edsico nas m\u00e3os \u00e9 sensacional!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Quando o Som Bate no Peito&#8221; \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de resenhas. Isso, de certa forma, n\u00e3o deixa de ser a extens\u00e3o do teu h\u00e1bito de catalogar registros sobre m\u00fasica, como as mat\u00e9rias de \u00e9poca sobre artistas ou shows que tu guardas entre os encartes dos \u00e1lbuns a que se referem. Faz sentido pra ti essa linha de pensamento?<\/strong><br \/>\nPerfeitamente. Como j\u00e1 disse, sou obcecado pelo registro documental, luto para que as mem\u00f3rias n\u00e3o se apaguem, para que um evento seja falado e repercutido em palavras e n\u00e3o apenas imagens. A palavra escrita \u00e9 uma das bandeiras da minha vida e da atividade profissional ligada \u00e0 arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tua ideia \u00e9 dividir com as pessoas essa atra\u00e7\u00e3o pela m\u00fasica. De que maneira pensa que o livro pode fazer isso? E quais atrativos da obra ajudam a atingir esse objetivo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um livro de m\u00fasica para quem gosta de m\u00fasica. J\u00e1 falei antes desse bord\u00e3o por aqui? Digo isso a todos. Quando editei o livro com meu diagramador, Giovani Faganello, disse para ele: \u201cquero que esse livro relembre as revistas de m\u00fasicas, aqueles fanzines ilustrados com fotos duotone, gostaria de colocar imagens em cada brecha poss\u00edvel\u201d (s\u00e3o mais de 130!). Al\u00e9m disso, o libreto de fotos est\u00e1 em papel couch\u00ea com 71 fotografias, registros sensacionais de cada show resenhado, um elemento que ilumina o livro. Imposs\u00edvel n\u00e3o materializar muitas sensa\u00e7\u00f5es. Criastiano Radtke, que foi o cara que me auxiliou na reescrita do material original, como revisor de conte\u00fado e diversas outras pontas, falou algo interessante: de que muitas imagens conversam com o texto. Por isso vejo uma obra bem alinhavada, onde todas as costuras est\u00e3o desenhadas com crit\u00e9rios e principalmente amparadas por um olhar transversal.<\/p>\n<figure id=\"attachment_61517\" aria-describedby=\"caption-attachment-61517\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61517 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ozzy-por-Fabio-Codevilla.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1125\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ozzy-por-Fabio-Codevilla.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Ozzy-por-Fabio-Codevilla-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61517\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ozzy Osbourne \/ Foto de Fabio Codevilla<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi a rela\u00e7\u00e3o com os fot\u00f3grafos nos eventos? Como se deu o di\u00e1logo pr\u00e9vio e qual peso das imagens para deixar teus relatos ainda mais cr\u00edveis para quem os l\u00ea?<\/strong><br \/>\nNa maioria das vezes, eu levei um fot\u00f3grafo comigo, credenciado pela empresa em que eu trabalhava na \u00e9poca (no caso, a r\u00e1dio Itapema) ou pela Grings Tours, pela qual fa\u00e7o coberturas independentes. Quando n\u00e3o tive fot\u00f3grafos credenciados, geralmente as imagens vinham depois, e a\u00ed sempre era uma surpresa conferir o material que iria ilustrar as resenhas. No caso dos briefings, vou citar um exemplo do que ocorreu em 2014, quando Fabiano Dallmeyer atuou como fot\u00f3grafo na cobertura do show do Deep Purple no Audit\u00f3rio Ara\u00fajo Vianna, em Porto Alegre. Pedi para ele uma foto em que os tr\u00eas integrantes da forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica estivessem juntos numa imagem (Ian Gillan, Ian Paice e Roger Glover). \u00c9 a fotografia que abre o \u00e1lbum de fotos de &#8220;Quando o Som Bate no Peito&#8221;. Geralmente, converso com fot\u00f3grafos e pe\u00e7o imagens espec\u00edficas, prevejo situa\u00e7\u00f5es, antecipo temas e posicionamentos dos artistas no palco, j\u00e1 pensando naquilo que irei explorar nos textos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim como o t\u00edtulo do livro, h\u00e1 outro bord\u00e3o entre frequentadores de shows que diz: da arquibancada se v\u00ea o show, da pista se vive o evento. O que acha? Claro, h\u00e1 in\u00fameras vari\u00e1veis para algu\u00e9m escolher o local onde ficar, principalmente a financeira, mas consideramos aqui o posicionamento do espectador.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho d\u00favida: \u00e9 na pista que se sente o show de verdade, principalmente pr\u00f3ximo ao palco. N\u00e3o h\u00e1 compara\u00e7\u00e3o. Principalmente pelo som, mas tamb\u00e9m para poder ver aquilo que o tel\u00e3o n\u00e3o mostra. Eu, inclusive, gosto de curtir tudo: soundcheck, a movimenta\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos de som e roadies, as trocas de instrumentos entre as m\u00fasicas, as luzes, enfim, todo o misancene que move eventos musicais, inclusive pelos personagens coadjuvantes. J\u00e1 assisti shows da arquibancada, poucas vezes, e confesso que o impacto diminui bastante. Se por um lado, fica mais c\u00f4modo ir ao banheiro, comprar um lanche e o cansa\u00e7o \u00e9 menor, por outro lado a experi\u00eancia \u00e9 amplamente diminu\u00edda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como algu\u00e9m que, literalmente, cobre o setor de shows, o que acredita que vai acontecer com esse mercado ap\u00f3s a pandemia?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito dif\u00edcil prever. O que sab\u00edamos \u00e9 que o Brasil estava totalmente inserido no circuito das turn\u00eas internacionais, pois grande parte delas passava por aqui. P\u00f3s-pandemia, uma coisa \u00e9 certa: os pre\u00e7os dos ingressos (que j\u00e1 eram caros) devem aumentar, assim como acredito que ir\u00e1 levar um tempo para acomodar as pe\u00e7as at\u00e9 retomarmos ao status de 2019, por exemplo. Tamb\u00e9m acredito que as turn\u00eas de bandas e artistas em lugares menores ficar\u00e3o extremamente prejudicadas, pois financeiramente vai ser mais cr\u00edtico viabiliz\u00e1-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu tens um selo liter\u00e1rio, o <a href=\"https:\/\/www.memorabiliastore.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Memorabilia<\/a>, que trabalha com publica\u00e7\u00f5es independentes. Como avalia a produ\u00e7\u00e3o dos escritores que n\u00e3o chegam \u00e0 massa e como \u00e9 manter um trabalho desses em tempos, como j\u00e1 falamos, de descaso com a arte?<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 publiquei nove livros meus e ajudei a editar outros cinco ou seis. Aprendi no andar da carruagem, a come\u00e7ar pelas li\u00e7\u00f5es de Luiz Vidal de Negreiros Gomes, meu primeiro editor, al\u00e9m da viv\u00eancia com diagramadores, editores, escritores e da minha obsess\u00e3o por olhar para o \u2018produto\u2019 livro como algo com necessidade de um bom acabamento. Al\u00e9m de &#8220;Quando o Som Bate no Peito&#8221;, a Memorabilia Store lan\u00e7ou esse ano &#8220;Meu Reino por uma Cerveja&#8221;, de Ronaldo Lippold, e &#8220;Paisagem Marinha&#8221;, de Vitor Biasoli. Convido os leitores do Scream &amp; Yell a visitarem nosso site: <a href=\"https:\/\/www.memorabiliastore.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.memorabiliastore.com.br<\/a>. Entre nossos servi\u00e7os, auxiliamos os autores com copidesque, na divulga\u00e7\u00e3o e na distribui\u00e7\u00e3o das obras. Em pouco mais de tr\u00eas meses da cria\u00e7\u00e3o do site os resultados s\u00e3o fabulosos. Acho que essa jogada de distribui\u00e7\u00e3o e assessoria de imprensa \u00e9 um dos calcanhares de Aquiles de um produto independente. Tem muito trabalho envolvido, sou quase um one mand band, mas conto com um minitime afinado. T\u00e1 rolando\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A tem\u00e1tica de &#8220;Quando o Som Bate no Peito&#8221;, apesar de espec\u00edfica, \u00e9 bem ampla. D\u00e1 margem para se trabalhar diversos aspectos ou mesmo uma sequ\u00eancia. Algo na agulha?<\/strong><br \/>\nGosto de dizer que, se voc\u00ea gosta de m\u00fasica, poucas sensa\u00e7\u00f5es podem ser equiparadas a estar na frente de um palco, vendo uma apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo. Tive a sorte de passar o rodo nos \u00faltimos anos, vi muita coisa boa de perto. Outras tantas ficaram de fora do livro, at\u00e9 porque sempre tive planos de fazer uma sequ\u00eancia, um volume II. Quem sabe em 2022, quem sabe com mais shows na bagagem, quem sabe em tempos menos dif\u00edceis do que esses que estamos vivendo agora, reprisando a \u00e9poca em que \u00e9ramos felizes e sab\u00edamos. Penso que as 34 resenhas que est\u00e3o em &#8220;Quando o Som Bate no Peito&#8221; s\u00e3o apenas um aperitivo, ainda h\u00e1 muito mais a ser vivido. Espero&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-61511\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/capa-Quando-o-Som-Bate-no-Peito.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1072\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/capa-Quando-o-Som-Bate-no-Peito.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/capa-Quando-o-Som-Bate-no-Peito-210x300.jpg 210w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Ricardo Ravanello<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entre os relatos que comp\u00f5em a publica\u00e7\u00e3o est\u00e3o narrativas sobre apresenta\u00e7\u00f5es de Bob Dylan, Paul McCartney, Rolling Stones, The Who, Roger Waters, Eric Clapton, Buddy Guy, Deep Purple e Black Sabbath al\u00e9m de cerca de 140 imagens &#8211; mais da metade em um libreto colorido\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/07\/entrevista-marcio-grings-compila-34-resenhas-de-shows-em-novo-livro\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":61515,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61505"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61505"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61505\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61522,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61505\/revisions\/61522"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}