{"id":6149,"date":"2010-10-16T08:50:56","date_gmt":"2010-10-16T11:50:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=6149"},"modified":"2019-07-09T10:45:22","modified_gmt":"2019-07-09T13:45:22","slug":"musica-souvenir-suzana-flag","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/10\/16\/musica-souvenir-suzana-flag\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Souvenir, Suzana Flag"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6151 aligncenter\" title=\"souvenir\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/souvenir.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"401\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/souvenir.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/souvenir-300x267.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Ismael Machado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fosse Bel\u00e9m uma capital um pouco mais organizada e o resto do pa\u00eds \u2013 ou pelo menos o mundo pop \u2013 teria despertado para a sonoridade que a primeira metade da d\u00e9cada produziu na cidade. Cravo Carbono, Pio Lobato, La Pupu\u00f1a, Coletivo R\u00e1dio Cip\u00f3, Eletrola, Lu Guedes, Delinquentes, Euterpia, Madame Saatan, Iva Rothe, Norman Bates, Sevilha, enfim&#8230; uma lista quase inacab\u00e1vel de bandas e artistas que flertaram com os mais diversos estilos e ritmos. Essa miscel\u00e2nea de sons foi o fermento ideal para o surgimento e consolida\u00e7\u00e3o do Se Rasgum Festival, que j\u00e1 entrou no calend\u00e1rio pop cultural do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre essas bandas uma se destacava por conta da incr\u00edvel facilidade de costurar can\u00e7\u00f5es pop f\u00e1ceis de gravar na cabe\u00e7a e quase imposs\u00edvel de se desgarrar delas. Suzana Flag. Uma banda que surgiu em Castanhal, munic\u00edpio distante cerca de duas horas de Bel\u00e9m, trazendo na bagagem um repert\u00f3rio calcado em desilus\u00f5es amorosas, esperan\u00e7as adolescentes, cotidianos urbanos e indecis\u00f5es \u00e0s bordas da maturidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Bel\u00e9m a banda come\u00e7ou a tocar em festinhas e outros espa\u00e7os pequenos. Foi conquistando um p\u00fablico fiel e apaixonado. Entre 2004 e 2006, tri\u00eanio de rara conflu\u00eancia criativa na capital paraense, o Suzana Flag foi estabelecendo um lugar certeiro nos cora\u00e7\u00f5es dos amantes da musica pop perfeita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse per\u00edodo a banda lan\u00e7ou \u201cFanzine\u201d,\u00a0 disco que merece um estudo \u00e0 parte por especialistas. Gravado de forma totalmente caseira e driblando as regras do bom senso, \u201cFanzine\u201d trouxe \u00e0 tona can\u00e7\u00f5es como \u201cLudo\u201d e \u201cRecreio\u201d, perfeitas \u2018silly love songs\u2019 que formaram com a bela \u201cContraposto\u2019 uma esp\u00e9cie de sant\u00edssima trindade de can\u00e7\u00f5es que retratam as idas e vindas de relacionamentos e desilus\u00f5es adolescentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma guitarra que lembra \u201cLove Vigilantes\u201d, do New Order, \u201cContraposto\u201d tornou-se, em Bel\u00e9m, uma esp\u00e9cie de hino dos amores perdidos. N\u00e3o era raro, nos shows da banda, encontrar pessoas chorando ao ouvir os versos: \u201cVoc\u00ea prefere os tons mais toscos \/ Se o dia te oferece cor \/ Voc\u00ea prefere o tempo frio \/ Se o tempo pede mais calor\/ N\u00e3o ir em frente quando \/ Se deve ir mais longe \/ N\u00e3o ser t\u00e3o claro quando \/ Te pedem explica\u00e7\u00e3o. \/ Ficar pensando em nada \/ Enquanto tudo pede aten\u00e7\u00e3o \/ N\u00e3o ver o lado bom das coisas \/ Apenas por contradi\u00e7\u00e3o \/ E s\u00f3 ter pressa \/ Quando se tem a vida toda \/ Podia parecer contente \/ Mas hoje voc\u00ea n\u00e3o quer se alegrar \/ E quando tem que ser discreto \/ N\u00e3o quer se conter \/ \u00c0s vezes some quando \/ Tem que aparecer \/ Voc\u00ea diz que n\u00e3o demora \/ Mas vai se atrasar \/ Voc\u00ea chega atrasado \/ Quando n\u00e3o quer chegar \/ Nem se o c\u00e9u cair sobre voc\u00ea \/ Mudar de cor pra voc\u00ea ver \/ N\u00e3o vai mudar nada em voc\u00ea \/ Eu n\u00e3o vou ficar pra te perder \/ Eu vou sair pra te esquecer\u201d. Feita de ant\u00edteses t\u00edpicas de relacionamentos amorosos, \u201cContraposto\u201d poderia ter encantado o Brasil. Mas Bel\u00e9m est\u00e1 longe demais das capitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lutando para gravar o segundo disco, o Suzana Flag foi obrigado a um retiro for\u00e7ado. Durou cerca de dois anos. A banda ressurge agora com \u201cSouvenir\u201d. Uma produ\u00e7\u00e3o feita com esmero e que flagra a banda na encruzilhada do fim da adolesc\u00eancia perdida e in\u00edcio da maturidade que sempre chega trazendo mais d\u00favidas do que certezas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reduzido a um trio (o casal Joel Melo \u2013 cordas \u2013 e Susanne May \u2013 voz \u2013 e mais o baterista Jo\u00e3o Ricardo) o grupo vem em busca de um tempo que, se n\u00e3o foi perdido, trouxe cicatrizes que se refletem nas letras. Em \u201cH\u00edbrido\u201d, a can\u00e7\u00e3o que abre o disco, eles parecem chamar os antigos f\u00e3s. \u201cPode vir, n\u00f3s n\u00e3o temos tempo a perder. Sei que aqui est\u00e1 h\u00edbrido, vivendo entre n\u00f3s\u201d. O tempo urge. No mundo pop um ano ou dois parecem s\u00e9culos. A banda sofreu perdas, passou por crises, pequenas revolu\u00e7\u00f5es internas. \u201cE agora que meus her\u00f3is est\u00e3o acorrentados \/ cativo o meu algoz num c\u00e9u iluminado. De repente o mundo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o seguro. Vou ficar no meu abrigo antia\u00e9reo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSouvenir\u201d foi mixado e masterizado no Rio de Janeiro. \u00c9 como se a banda ganhasse um banho de loja. Buscou timbres diferentes, pesquisou solu\u00e7\u00f5es sonoras. Tentou encontrar a ponte exata entre a banda que come\u00e7ou em Castanhal e\u00a0 a que ainda acredita no futuro. \u201cEu to sem rumo, mas vou indo bem \/ andar errado \u00e0s vezes conv\u00eam \/ caminho longo, atalho at\u00e9 que tem se acaso a gente se perder \u00e0 frente\u201d, eles cantam em \u201cSanta F\u00e9\u201d, curiosamente nome de um bar onde a banda fez excelentes temporadas na cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas can\u00e7\u00f5es de \u201cSouvenir\u201d, no entanto, n\u00e3o fariam feio em qualquer filme adolescente, ou mesmo em qualquer trilha de novela. \u201cDual\u201d e \u201cUm dia de cada vez\u201d. A primeira \u00e9 embalada num quinteto de cordas. Uma agridoce can\u00e7\u00e3o de amor, daquelas que diz \u201csinta-se s\u00f3 no amor\u201d. E \u201cUm dia de cada vez\u201d, a faixa que encerra o disco, tem uma levada pra cima, uma t\u00edpica can\u00e7\u00e3o pop perfeita, herdeira dos melhores momentos de Legi\u00e3o Urbana, Ira! ou mesmo Belle and Sebastian. Nada disso est\u00e1 na can\u00e7\u00e3o, mas o clima remete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUm dia de cada vez\u201d fala de maturidade sem perda de inoc\u00eancia. De saber que nas noites de sexta-feira ainda se pode exagerar aqui e ali, mas h\u00e1 sempre manh\u00e3s de s\u00e1bado, com caf\u00e9 entre amigos e o trabalho esperando na segunda. \u201cO mundo \u00e0s vezes \u00e9 bom \/ se aperto o dedo no port\u00e3o \/ determinado, o sangue faz o cora\u00e7\u00e3o acelerar de afli\u00e7\u00e3o \/ eu tive um sonho com voc\u00ea \/ parecia muito bom \/ na verdade aconteceu \/ \u00e9&#8230; alegria \u00e9 um dom \/ acredite em voc\u00ea \/ eu te vejo de manh\u00e3\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe de sambinhas de branco a la R\u00f4mulo Froes, longe da fofice chatinha de Mallu Magalh\u00e3es, longe de querer imitar Los Hermanos, o Suzana Flag produziu um daqueles raros discos pop que servem para ser ouvidos em noites solit\u00e1rias de sexta-feira ou em ensolarados s\u00e1bados de manh\u00e3 cercado por amigos. Um dos bons discos do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6150 aligncenter\" title=\"suzana_flag\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/suzana_flag.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"421\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/suzana_flag.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/suzana_flag-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.suzanaflag.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.suzanaflag.com.br\/<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p>&#8211; Ismael Machado \u00e9 jornalista e mant\u00e9m uma coluna semanal no jornal Diario do Par\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Ismael Machado\nEis um raro disco pop que serve para ser ouvidos em noites solit\u00e1rias de sexta-feira ou em ensolarados s\u00e1bados de manh\u00e3&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/10\/16\/musica-souvenir-suzana-flag\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":15,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6149"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6149"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6149\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52366,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6149\/revisions\/52366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}