{"id":61486,"date":"2021-07-05T04:22:26","date_gmt":"2021-07-05T07:22:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=61486"},"modified":"2021-09-21T17:11:33","modified_gmt":"2021-09-21T20:11:33","slug":"entrevista-steve-turne-mudhoney-fala-sobre-os-30-anos-de-every-good-boy-deserves-fudge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/05\/entrevista-steve-turne-mudhoney-fala-sobre-os-30-anos-de-every-good-boy-deserves-fudge\/","title":{"rendered":"Entrevista: Steve Turner (Mudhoney) fala sobre os 30 anos de \u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Tissot<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que n\u00e3o falta por a\u00ed s\u00e3o teses a respeito da quantidade de discos lan\u00e7ados em 1991 que se tornaram cl\u00e1ssicos do rock e do pop. \u00c9 verdade que o ano ficou marcado por \u00e1lbuns de sucesso, especialmente o de uma banda sa\u00edda das profundezas de Aberdeen (EUA) que derrubou o rei do pop do topo das paradas. Mas outro disco menos badalado tamb\u00e9m fez hist\u00f3ria naquele come\u00e7o de d\u00e9cada: o Mudhoney lan\u00e7ou seu segundo LP, \u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d \u2014 ap\u00f3s o cultuado EP \u201cSuperfuzz Bigmuff\u201d (1988) e o primeiro full-length intitulado, simplesmente, \u201cMudhoney\u201d (1989).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produzidos por Jack Endino, os trabalhos anteriores ajudaram a construir a lenda em torno do quarteto de Seattle, uma das primeiras bandas da regi\u00e3o a conseguir algum reconhecimento internacional, ao lado do Soundgarden. Mas Mark Arm (vocal e guitarra), Steve Turner (guitarra), Matt Lukin (baixo) e Dan Peters (bateria), antes mesmo de verem o grunge se tornar um fen\u00f4meno cultural de massa (e uma m\u00e1quina de ganhar dinheiro), j\u00e1 desejavam se afastar do r\u00f3tulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d foi o disco que os ajudou a chegar l\u00e1. Lan\u00e7ado em 23 de julho de 1991, o \u00e1lbum volta ao mercado exatamente 30 anos depois <a href=\"https:\/\/www.subpop.com\/releases\/mudhoney\/every_good_boy_deserves_fudge_30th_anniversary_deluxe_edition\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em uma vers\u00e3o remasterizada e repleta de extras<\/a> \u2014 s\u00e3o sete lados B in\u00e9ditos, vers\u00f5es alternativas e demos para fazer a alegria dos f\u00e3s. \u201cEstou muito feliz com o resultado. Acho que, sem a pandemia, n\u00e3o ter\u00edamos feito um trabalho t\u00e3o bom, pois acabamos tendo mais tempo de esmiu\u00e7ar o material\u201d, diz o guitarrista Steve Turner, sentado confortavelmente em uma cadeira em sua casa na cidade de Portland, com um p\u00f4ster de Bob Dylan e uma estante cheia de vinis ao fundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No papo via chamada de v\u00eddeo com o Scream &amp; Yell, Steve relembra detalhes a respeito da produ\u00e7\u00e3o do disco, fala do rumo menos polido e mais garageiro que a banda decidiu seguir na \u00e9poca, revela influ\u00eancias do \u00e1lbum, traz novidades sobre o sucessor de &#8220;Digital Garbage&#8221; (2018) e, \u00e9 claro, recorda suas passagens pelo Brasil ao longo dos anos. \u201cEsperamos poder voltar um dia. Quando voc\u00eas conseguirem um presidente novo\u201d, brinca \u2014 falando s\u00e9rio \u2014 o guitarrista.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney - Ounce of Deception (Remastered)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hKCe9NtSPxo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, 30 anos\u2026 Voc\u00ea sente que passou tanto tempo desde o lan\u00e7amento de \u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o! [risos] Mas estamos sempre nos lembrando da passagem do tempo, porque celebramos o anivers\u00e1rio da banda todos os anos, no dia 1\u00ba de janeiro. Por um lado, estamos acostumados a sentir que n\u00e3o passou tanto tempo assim, mas ao mesmo tempo \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o perceber. J\u00e1 faz bastante tempo e simplesmente seguimos em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea poderia compartilhar algumas mem\u00f3rias da \u00e9poca em que compuseram as m\u00fasicas para o \u00e1lbum e tamb\u00e9m das grava\u00e7\u00f5es? Acredito que tenha sido a primeira vez que n\u00e3o trabalharam com o Jack Endino como produtor, certo?<\/strong><br \/>\nCerto. O que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o quando est\u00e1vamos organizando o material para o relan\u00e7amento e pesquisando aquele per\u00edodo da banda, foi o qu\u00e3o ocupados est\u00e1vamos, mas n\u00e3o sent\u00edamos isso. Acho que era coisa de gente jovem. Fizemos muitos shows e gravamos muito entre 90 e 92, e \u00e9 meio doido pensar nisso agora. N\u00e3o apenas fizemos tudo isso, como tamb\u00e9m est\u00e1vamos envolvidos em outras bandas. Mark e eu tocamos no Monkeywrench, eu estava tocando baixo nos Fall-Outs, participei de outro projeto paralelo chamado Sad and Lonely(s), o Dan tocou um tempinho no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/05\/entrevista-gary-lee-conner\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Screaming Trees<\/a>\u2026 E no Nirvana! \u00c9 incr\u00edvel a quantidade de coisas que fizemos em t\u00e3o pouco tempo, mas n\u00e3o nos sent\u00edamos t\u00e3o ocupados. Ent\u00e3o foi isso que me chamou a aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o trabalhamos com o Jack nessas can\u00e7\u00f5es, meio que quisemos ir em outra dire\u00e7\u00e3o. Quando come\u00e7amos a ir para o Reino Unido, em 89\u2026 Sabe, eu coleciono discos punks, e era tipo uma mina de ouro l\u00e1. Eu comprava centenas de discos de sete polegadas de algumas das bandas grandes, como Devo, 999, The Clash e tal. Mas consegui muitas coisas mais obscuras tamb\u00e9m. Eu morava com o Dan na \u00e9poca, e eu estava apresentando pra ele algumas coisas do punk 77 e muitas coisas de garage rock dos anos 60.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Suponho que ele era um cara mais estilo Mot\u00f6rhead, considerando o figurino dele no clipe de \u201cGood Enough\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nSim, tinha o lance do Mot\u00f6rhead tamb\u00e9m. Mas demos uns passos para tr\u00e1s e o disco era meio que um disco de garage rock, mais do que um disco grunge. Gravamos algumas coisas com o Jack em 1990 que entraram como extras no relan\u00e7amento, mas n\u00e3o curtimos muito a sonoridade. N\u00e3o teve nada a ver com o Jack, era mais uma quest\u00e3o de estarmos em um est\u00fadio muito polido e tal [o Reciprocal Recording]. E na mesma \u00e9poca eu estava ouvindo algumas coisas produzidas pelo Conrad Uno no est\u00fadio Egg, em Seattle. Me lembro especificamente de <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0FGEnSQ4WjV49BZLc8V5r5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um disco do Girl Trouble<\/a>, que eu achei que tinha um som \u00f3timo \u2014 era como eu imaginava que o Mudhoney poderia soar. O mais engra\u00e7ado \u00e9 que eu liguei para o Conrad e falei, \u201cei, aqui \u00e9 o Steve, do Mudhoney, e queremos ir at\u00e9 o Egg pra gravar com voc\u00ea\u201d. Ele s\u00f3 riu e disse, \u201cpor qu\u00ea??\u201d. Ent\u00e3o eu achei que era um bom press\u00e1gio. Acabamos indo l\u00e1 e gravamos v\u00e1rios covers punks, can\u00e7\u00f5es desses discos comprados durante as turn\u00eas. T\u00ednhamos pensado em fazer um disco de covers de can\u00e7\u00f5es punk antigas. Mas a\u00ed o Guns N\u2019 Roses teve a mesma ideia e abortamos nosso plano. De qualquer forma, nos divertimos muito nas grava\u00e7\u00f5es, o Conrad \u00e9 um cara muito legal e nos demos muito bem com ele. Tamb\u00e9m inserimos um Farfisa, que o Mark adicionou em algumas faixas. Isso mudou bastante as coisas tamb\u00e9m. Acho que foi meio que uma rea\u00e7\u00e3o ao \u201csom de Seattle\u201d, mesmo antes do Nirvana e do Pearl Jam estourarem. Pra mim, as grava\u00e7\u00f5es ficaram mais divertidas e menos taciturnas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney - Good Enough [OFFICIAL VIDEO]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MnB7zNrnRqk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que aconteceu com esses covers de bandas punk? Planejam lan\u00e7\u00e1-los integralmente algum dia?<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amos alguns deles como lados B de singles ou em colet\u00e2neas. Nossa ideia era inclu\u00ed-los neste relan\u00e7amento, mas a\u00ed ter\u00edamos que fazer um \u00e1lbum triplo. Ent\u00e3o decidimos deix\u00e1-los de fora e incluir s\u00f3 as can\u00e7\u00f5es originais e extras no formato de \u00e1lbum duplo, um pouco mais conciso e por um pre\u00e7o acess\u00edvel. Queremos fazer outra colet\u00e2nea com todos os covers que j\u00e1 gravamos, incluindo alguns mais recentes, e fazer um disco duplo. \u00c9 meio que o nosso pr\u00f3ximo projetinho de relan\u00e7amento. Nosso \u201cSpaghetti Incident\u201d. [risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Legal. E voc\u00eas conseguiram chegar na sonoridade que queriam com o Conrad?<\/strong><br \/>\nBem, n\u00e3o sab\u00edamos exatamente o que quer\u00edamos. Ele \u00e9 um cara bem tranquilo e acho que isso ajudou bastante. Ele tem um ouvido \u00f3timo, claro, e eu acho que ele \u00e9 um \u00f3timo engenheiro de som e tal. Mas ele simplesmente era mais tranquilo e um pouco mais velho que n\u00f3s. Se voc\u00ea o visse, pensaria que ele \u00e9 um velho hippie \u2014 barba e cabelo branco, adora baseball. Era um cara bem informal com quem a gente se deu muito bem. Havia restri\u00e7\u00f5es bem significativas no est\u00fadio, porque t\u00ednhamos uma mesa de oito canais e foi necess\u00e1rio gravar praticamente ao vivo. Precis\u00e1vamos garantir que t\u00ednhamos um bom take. E ele \u00e9 muito bom nisso, em nos dizer se o take era bom ou n\u00e3o, porque \u00e0s vezes voc\u00ea perde a no\u00e7\u00e3o das coisas no est\u00fadio. N\u00e3o chegamos a discutir, mas \u00e0s vezes o pessoal fica meio tenso e ansioso. Essa foi a principal contribui\u00e7\u00e3o dele, ser um cara tranquilo e nos lembrar que gravar um disco n\u00e3o \u00e9 nada demais. Simplesmente grave de novo se n\u00e3o ficou bom&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas gravaram tudo no est\u00fadio Egg, certo? Era o est\u00fadio pr\u00f3prio do Conrad.<\/strong><br \/>\nSim, era no por\u00e3o da casa dele. Os Young Fresh Fellows gravaram v\u00e1rias coisas l\u00e1 ao longo dos anos. O Scott McCaughey (vocalista e guitarrista dos Fellows, do Minus 5 e membro honor\u00e1rio do R.E.M., tendo gravado e sa\u00eddo em turn\u00ea com a banda do \u00e1lbum &#8220;New Adventures in Hi-Fi&#8221; em diante) trabalhou l\u00e1 tamb\u00e9m, assim como o Kurt Bloch (dos Fastbacks), que era um dos engenheiros no Egg. Era meio que uma parte diferente da cena de Seattle, gente muito importante tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea lembra quanto tempo levou para voc\u00eas gravarem o disco?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 n\u00e3o lembro mais. Acho que, pelo menos, uma semana. N\u00e3o gast\u00e1vamos muito tempo fazendo as coisas nessa \u00e9poca. Foi bem r\u00e1pido, um p\u00e9 l\u00e1, outro c\u00e1. Ent\u00e3o, vou \u201cchutar\u201d uma semana. Sei que nosso disco seguinte, \u201cPiece of Cake\u201d (1992), que gravamos l\u00e1 tamb\u00e9m, foi feito em duas semanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas t\u00eam bastante material novo nesse relan\u00e7amento. L\u00e1 em 91, como decidiram quais faixas incluir e quais excluir da lista final?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho certeza\u2026 Logo percebemos que cometemos alguns erros nas can\u00e7\u00f5es que colocamos no disco [risos]. N\u00e3o erros, mas costum\u00e1vamos pensar que se uma m\u00fasica era feita muito rapidamente, meio que a descart\u00e1vamos. Como a faixa \u201cOunce of Deception\u201d, que eu n\u00e3o sei por que n\u00e3o entrou no disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma \u00f3tima m\u00fasica.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, eu sei! A gente se deu conta disso uns anos depois. Ficamos, tipo, \u201cp\u00f4, essa \u00e9 uma das melhores m\u00fasicas que fizemos\u201d e \u201cpor que n\u00e3o a inclu\u00edmos no disco?\u201d. Mas eu acho que descartamos algumas que foram f\u00e1ceis demais de compor. \u201cAh, essa levou s\u00f3 cinco minutos\u201d, entende?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas usaram todo o material gravado agora ou ainda ficou alguma coisa no fundo do ba\u00fa?<\/strong><br \/>\nBem, tirando as covers que sair\u00e3o nesse disco que comentei, acho que \u00e9 s\u00f3. Colocamos at\u00e9 uma jam barulhenta no disco, nem me recordo do nome agora\u2026 Ent\u00e3o, \u00e9 isso a\u00ed. N\u00f3s cavamos fundo e encontramos muita coisa. A maior parte n\u00e3o havia sido lan\u00e7ada antes, mas tem algumas coisas que sa\u00edram em singles. A vers\u00e3o de \u201cOverblown\u201d \u00e9 a mesma da trilha sonora de \u201cVida de Solteiro\u201d [filme de Cameron Crowe que tinha diversas bandas de Seattle na trilha], que foi gravada no Egg tamb\u00e9m\u2026 Lembro que custou s\u00f3 uns US$ 150 pra gravar.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-61490\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/MUD_EGBDF_Mok_BlueREd_1_900x.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/MUD_EGBDF_Mok_BlueREd_1_900x.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/MUD_EGBDF_Mok_BlueREd_1_900x-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No document\u00e1rio \u201cI\u2019m Now \u2014 The Story of Mudhoney\u201d, voc\u00eas falam mal do disco hom\u00f4nimo (\u201cMudhoney\u201d, de 1989)&#8230; Eu amo esse \u00e1lbum e queria te perguntar por que voc\u00eas desgostam tanto dele? E \u00e9 por isso que n\u00e3o lan\u00e7aram uma vers\u00e3o deluxe?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 muito o que acrescentar a ele. Foi nossa primeira fornada de can\u00e7\u00f5es, junto \u00e0s m\u00fasicas do \u201cSuperfuzz Bigmuff\u201d. E o que t\u00ednhamos de extras acabou entrando <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/10\/14\/disco-da-semana-duas-vezes-mudhoney\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no relan\u00e7amento do \u201cSuperfuzz Bigmuff\u201d<\/a> mesmo. N\u00e3o \u00e9 que a gente n\u00e3o goste do disco, mas n\u00e3o demos um passo adiante com ele. O que faz sentido, porque s\u00e3o m\u00fasicas da fase inicial da banda, nos primeiros seis meses em que est\u00e1vamos juntos. Mas, pra mim, elas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o din\u00e2micas quanto as m\u00fasicas do \u201cSuperfuzz Bigmuff\u201d. Adoramos v\u00e1rias m\u00fasicas ali e ainda as tocamos em shows, mas as grava\u00e7\u00f5es ficaram meio sem gra\u00e7a. E acho que a rea\u00e7\u00e3o a isso nos levou ao \u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d, que foi um disco bem diferente comparado ao \u00e1lbum hom\u00f4nimo. S\u00f3 quer\u00edamos seguir em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra coisa que \u00e9 dita no document\u00e1rio \u00e9 que o \u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d tamb\u00e9m era considerado uma esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o para a Sub Pop, que n\u00e3o andava bem das pernas na \u00e9poca. Voc\u00eas sentiram alguma press\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o disso?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, mas ficamos felizes de o disco sair nessa \u00e9poca, e de ajudar a manter a Sub Pop no mercado por mais algum tempo, pois eles estavam com problemas. E a\u00ed, mais adiante naquele mesmo ano, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/10\/05\/nevermind-e-ainda-hoje-um-disco-atual-e-sensacional\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o \u201cNevermind\u201d saiu<\/a> e aquilo realmente salvou a Sub Pop. Tem\u00edamos que eles fossem \u00e0 fal\u00eancia de fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E isso os levou a, em seguida, deixar a gravadora.<\/strong><br \/>\nSim, nosso relacionamento ficou um pouco estremecido, porque eles nos deviam uma grana. \u00c9ramos amigos, mas eles estavam com problemas\u2026 Eles meio que estavam passando dos limites. Foi uma \u00e9poca estressante entre n\u00f3s, Jonathan [Poneman] e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/21\/entrevista-bruce-pavitt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruce [Pavitt<\/a>, cofundadores da Sup Pop]. Tivemos que seguir em frente. Para mantermos a amizade, abrimos m\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o comercial. N\u00e3o esper\u00e1vamos ir para uma grande gravadora, mas fez sentido na \u00e9poca [ap\u00f3s sair da Sub Pop, o Mudhoney assinou com a Reprise Records, uma subsidi\u00e1ria da Warner, e (quase) eterna casa de Neil Young]. N\u00e3o foi uma m\u00e1 decis\u00e3o. Obviamente, isso tudo s\u00e3o \u00e1guas passadas, estamos de volta \u00e0 Sub Pop h\u00e1 20 anos, muito felizes com eles. O Mark trabalha l\u00e1, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o \u00f3tima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 alguns anos, <a href=\"https:\/\/www.vice.com\/en\/article\/vbj53a\/rank-your-records-mudhoney-steve-turner\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">voc\u00ea ranqueou o \u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d como seu disco favorito do Mudhoney<\/a>. Ainda mant\u00e9m a escolha?<\/strong><br \/>\n\u00c9 definitivamente um dos meus favoritos. Foi uma \u00e9poca muito divertida e criativa. Mas gosto de todos os nossos \u00e1lbuns. Sempre falamos que \u201cPiece of Cake\u201d \u00e9 um dos que menos gostamos, porque acho que ficamos meio arrogantes e n\u00e3o trabalhamos o suficiente nele. Apesar de que esse disco tem uma das minhas faixas favoritas, \u201cSuck You Dry\u201d, que eu acho que \u00e9 a m\u00fasica que define o que \u00e9 o Mudhoney. Ent\u00e3o, sim, gosto muito do disco e estou muito feliz com a forma como elaboramos esse relan\u00e7amento. Acho que, por causa da pandemia, est\u00e1vamos todos em lockdown e tivemos bastante tempo para fazer o melhor, pesquisar bem\u2026 Encontramos velhas fitas DAT no fundo do ba\u00fa, coisas que nem lembr\u00e1vamos mais. Toda aquela sess\u00e3o anterior com o Jack, por exemplo. Foi incr\u00edvel perceber o qu\u00e3o pronto aquele material estava. Pensei que t\u00ednhamos gravado uma ou duas faixas, mas acabou que t\u00ednhamos v\u00e1rias outras. Acho que fizemos um bom trabalho. Sou f\u00e3 de relan\u00e7amentos com muitos extras.<\/p>\n<figure id=\"attachment_61492\" aria-describedby=\"caption-attachment-61492\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-61492 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mudhoney-2021-promo-01-michaellavine-2219x1500-300.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mudhoney-2021-promo-01-michaellavine-2219x1500-300.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/mudhoney-2021-promo-01-michaellavine-2219x1500-300-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-61492\" class=\"wp-caption-text\"><em>Mudhoney em 1991<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O ano de 1991 \u00e9 considerado por muitos cr\u00edticos e f\u00e3s <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/06\/1991-the-year-creation-records-broke\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como um dos melhores da hist\u00f3ria do rock<\/a>. Voc\u00ea concorda?<\/strong><br \/>\nBem, acho que essa hist\u00f3ria come\u00e7ou na metade dos anos 80, e aqui me refiro \u00e0s bandas americanas. O hardcore foi o que come\u00e7ou isso tudo, porque a maior parte das bandas ic\u00f4nicas dos anos 90 vieram dessa cena, que come\u00e7ou l\u00e1 em 83, 84. Voc\u00ea pode apontar a origem disso em selos como Touch and Go, Homestead e SST, que tinham bandas incr\u00edveis como Big Black e Sonic Youth. Isso tudo veio do hardcore. O <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/24\/entrevista-dinosaur-jr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dinosaur Jr.<\/a> tamb\u00e9m. S\u00e3o pessoas vindo da mesma cena e pensando sobre o que fazer na sequ\u00eancia, porque o hardcore era meio que um beco sem sa\u00edda, artisticamente falando. Quer dizer, o qu\u00e3o r\u00e1pido d\u00e1 pra tocar? Ent\u00e3o, isso fez com que toda essa rapaziada punk aumentasse seu leque de influ\u00eancias e descobrisse outros tipos de m\u00fasica, como rock dos anos 70, m\u00fasica psicod\u00e9lica dos anos 60, noise\u2026 A\u00ed, em 91, j\u00e1 tinha uma p\u00e1 de bandas com alguns anos de estrada. Eu apontaria para 88 como um grande ano. Foi quando saiu o \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/30\/um-livro-sobre-daydream-nation\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Daydream Nation<\/a>\u201d, do Sonic Youth, o Dinosaur Jr. lan\u00e7ou disco\u2026 Tudo isso estava rolando. Em 91 foi mais, tipo, \u201co Nirvana estourou\u201d. Isso abriu os olhos de muita gente. Mas creio que essa cena j\u00e1 estava em ebuli\u00e7\u00e3o h\u00e1 v\u00e1rios anos nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora eu gostaria de falar sobre alguns detalhes de faixas do \u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d. Por exemplo, \u201cBroken Hands\u201d. Essa m\u00fasica come\u00e7a com um riff que j\u00e1 hav\u00edamos escutado antes, mais especificamente em \u201cCinnamon Girl\u201d, do Neil Young. De quem foi a ideia de incluir essa refer\u00eancia?<\/strong><br \/>\nAh, isso foi s\u00f3 um acidente. Estava tocando e fiquei, tipo, \u201cmeu deus\u201d, \u00e9 o riff de abertura! [Na verdade, o riff se encontra nos 20 segundos finais da faixa de Young] Ent\u00e3o s\u00f3 meio que enfiamos ali, porque essa m\u00fasica tem uma vibe meio Neil Young, com um pouco de Roxy Music no solo e tal. Foi s\u00f3 algo que achamos engra\u00e7ado, n\u00e3o pensamos muito a respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sabe se o Neil j\u00e1 ouviu?<\/strong><br \/>\nTivemos sorte de conhec\u00ea-lo porque o Sonic Youth abriu alguns shows dele. Mas n\u00e3o sei se ele j\u00e1 ouviu. O que sei \u00e9 que, certa vez, est\u00e1vamos no Hava\u00ed, abrindo para o Pearl Jam, e o Neil estava l\u00e1. Era anivers\u00e1rio do Mark e todos estavam cantando \u201cparab\u00e9ns pra voc\u00ea\u201d para ele, e o Neil estava cantando junto, sem fazer muita ideia do que estava rolando\u2026 Ent\u00e3o \u00e9 isso, Neil Young fez uma serenata pro Mark no anivers\u00e1rio dele. [risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre a faixa \u201cPokin\u2019 Around\u201d&#8230; Essa m\u00fasica lembra bastante Dinosaur Jr. Foi de prop\u00f3sito?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, mas concordo totalmente que o Dinosaur Jr. foi uma influ\u00eancia. Gostei muito do primeiro disco deles. Eu tinha acabado de come\u00e7ar a ouvir Neil Young na \u00e9poca. Por influ\u00eancia dos Meat Puppets, acabei comprando o \u201cZuma\u201d&#8230; Enfim, dava pra ver que o Dinosaur Jr. era igual a mim: caras nerds que curtiam hardcore e ouviam Neil Young, saca? Nessa \u00e9poca, tamb\u00e9m estava come\u00e7ando a curtir m\u00fasica folk, aprendi um pouco de harm\u00f4nica. Mas sim, tem muito do Dinosaur nessa m\u00fasica, sem d\u00favida. Sou um grande f\u00e3. Adoro o Sebadoh [banda do baixista do Dinosaur Jr., Lou Barlow] tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando na harm\u00f4nica, acho que foi a primeira vez que ouvimos instrumentos diferentes de baixo, guitarra e bateria num disco do Mudhoney, como o \u00f3rg\u00e3o Farfisa tamb\u00e9m. Como voc\u00eas os incorporaram ao som da banda? Foi algo natural ou teve influ\u00eancia do produtor?<\/strong><br \/>\nBem, o Farfisa foi porque compramos um bem baratinho. Adoro o som garage dos anos 60, que tem muito Farfisa. Bandas tipo Question Mark and the Mysterians, The Animals e coisas assim. Era algo \u00f3bvio de incorporar em algumas can\u00e7\u00f5es, porque elas t\u00eam muita influ\u00eancia desses sons. O Mark sabe tocar um pouco de piano, ent\u00e3o deu para dominar o instrumento rapidamente. Foi nessa \u00e9poca que come\u00e7amos a usar a afina\u00e7\u00e3o tradicional, porque precis\u00e1vamos incluir o Farfisa. Antes, a gente afinava tudo meio tom abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fale um pouco sobre isso. Muitas bandas usam essa afina\u00e7\u00e3o e deixam guitarristas iniciantes quebrando a cabe\u00e7a at\u00e9 entenderem como funciona.<\/strong><br \/>\nFoi algo natural para n\u00f3s. No primeiro ano e meio do Mudhoney, n\u00e3o t\u00ednhamos afinador. Apenas afin\u00e1vamos os instrumentos entre n\u00f3s. Mas era um saco, a gente no palco tendo que afinar com base no instrumento do outro. Finalmente decidimos comprar um afinador e dissemos: \u201cseja l\u00e1 qual for o tom que estamos agora, vai ser assim que vamos afinar\u201d, e est\u00e1vamos meio tom abaixo. Da\u00ed foi essa a afina\u00e7\u00e3o que usamos\u2026 At\u00e9 comprarmos o Farfisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais suas lembran\u00e7as dos shows dessa \u00e9poca? N\u00e3o sei se sa\u00edram em turn\u00ea imediatamente ap\u00f3s o lan\u00e7amento do disco, mas voc\u00ea tem alguma mem\u00f3ria das apresenta\u00e7\u00f5es dessa era?<\/strong><br \/>\nPra mim sempre foi algo cont\u00ednuo. Faz\u00edamos muitas turn\u00eas na \u00e9poca. J\u00e1 hav\u00edamos estado na Europa algumas vezes\u2026 Lembro que cortamos o cabelo e isso foi muito marcante, especialmente na Inglaterra. Sempre nos divertimos muito tocando. Isso foi antes de ter internet, eu ia numa cabine telef\u00f4nica e arrancava as p\u00e1ginas da lista que tinha os endere\u00e7os das lojas de discos locais, em cada cidade por onde pass\u00e1vamos. A\u00ed dava um jeito de descobrir como chegar l\u00e1 e sa\u00eda pra comprar discos. E depois disso, ficava tomando cerveja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na capa original do disco, todos os personagens est\u00e3o caindo de um barco, e no relan\u00e7amento voc\u00eas mudaram para um avi\u00e3o \u2014 essa ilustra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aparece no encarte do CD original. Por que a colocaram como capa principal agora?<\/strong><br \/>\nEu adorava as pinturas do Ed Fotheringham, que fez a arte do disco \u2014 ele morava comigo e o Dan na \u00e9poca. Decidimos trocar porque n\u00e3o sab\u00edamos qual usar\u2026 Gostamos de todas, e por isso todas elas foram inclu\u00eddas no encarte do CD. Lembro de estar em casa, sentado \u00e0 mesa de jantar, e o Ed ali, desenhando coisas engra\u00e7adas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi <a href=\"https:\/\/twitter.com\/_Mudhoney\/status\/1404879140763803648\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma foto de voc\u00eas nas redes sociais<\/a>, com o primeiro ensaio da banda desde o in\u00edcio da pandemia. Voc\u00eas t\u00eam planos para esse ano? V\u00e3o fazer uma turn\u00ea para celebrar os 30 anos de \u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o vamos sair em turn\u00ea esse ano. Vamos esperar at\u00e9 2022 e ver como a situa\u00e7\u00e3o [da pandemia] vai ficar. Temos planos de gravar em setembro. Esperamos ter o suficiente para um \u00e1lbum completo. Se n\u00e3o conseguirmos, vamos pensar no que fazer depois. Estamos h\u00e1 um temp\u00e3o sem fazer nada, ent\u00e3o acho que todos n\u00f3s temos ideias para m\u00fasicas. Acho que vamos conseguir concluir tudo bem r\u00e1pido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua carreira solo, tem planos de compor e gravar algo novo? Conseguiu compor durante a pandemia?<\/strong><br \/>\nCara\u2026 N\u00e3o! Estou meio desapontado comigo mesmo, por n\u00e3o ter composto mais. A musa meio que vai e volta. Quando penso em compor m\u00fasicas para eu mesmo cantar\u2026 Os discos que lancei foram antes de meus filhos nascerem, e acho que h\u00e1 um link direto entre as duas coisas. Sou pai solteiro, tenho dois filhos que moram comigo. E compor \u00e9 algo que eu descrevo como \u201chumilhante\u201d. N\u00e3o sou um cantor natural e n\u00e3o \u00e9 um papel no qual me sinto confort\u00e1vel. Basicamente, preciso estar sozinho em casa para acontecer. Posso compor riffs o dia todo, mas cantar uma m\u00fasica e escrever letras que n\u00e3o me deixem envergonhado \u00e9 mais dif\u00edcil. N\u00e3o fico sozinho em casa com muita frequ\u00eancia e meio que perdi o costume. Mas fa\u00e7o parte de outra banda aqui na cidade, com uma por\u00e7\u00e3o de outros pais velhos, basicamente, chamada <a href=\"https:\/\/sundaystate.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sunday State<\/a>. Nosso segundo disco vai sair em breve. Ent\u00e3o, isso me ajuda a manter a criatividade fluindo. Estou tentando compor algumas m\u00fasicas agora, na verdade. Vamos ver o que acontece. Pode ser que elas acabem como riffs do Mudhoney, em vez de can\u00e7\u00f5es solo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Mudhoney veio ao Brasil diversas vezes, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/18\/sub-pop-festival-sao-paulo-2014\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a \u00faltima em 2014<\/a>. O que mais te marcou nessas passagens?<\/strong><br \/>\nNa primeira vez que fomos a\u00ed, fiquei encantado, por v\u00e1rias raz\u00f5es diferentes. N\u00e3o aprendemos muito sobre o Brasil ou sobre a Am\u00e9rica do Sul nas escolas aqui nos Estados Unidos. O pa\u00eds \u00e9 simplesmente descartado como uma na\u00e7\u00e3o de terceiro mundo, o que \u00e9 t\u00e3o errado. E foi muito diferente do que eu esperava. Fomos a algumas cidades, como Recife e outros lugares dos quais nunca t\u00ednhamos ouvido falar, onde vivem milh\u00f5es de pessoas. E eu ficava, tipo, \u201cpor que nunca ouvimos falar de uma cidade onde vivem milh\u00f5es de pessoas?\u201d. Est\u00e1vamos \u00e0s cegas. E isso me fez querer aprender mais sobre o Brasil. Na verdade, cheguei a me matricular em uma aula de portugu\u00eas brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pera\u00ed, ent\u00e3o poder\u00edamos estar fazendo essa entrevista em portugu\u00eas o tempo todo?<\/strong><br \/>\n[Risos] Bom, o que aconteceu foi o seguinte: eu me matriculei, fui nas primeiras semanas de aula \u2014 e \u00e9 uma l\u00edngua dif\u00edcil para falantes nativos de ingl\u00eas aprenderem. Mas ent\u00e3o quebrei as costelas andando de skate, tive que ficar em repouso e perdi algumas aulas. A\u00ed fiquei para tr\u00e1s na turma e tive que desistir. \u00c9 um dos meus arrependimentos na vida, mas amei o pa\u00eds. \u00c9 um lugar multicultural e fascinante pra mim. Adoro ir a\u00ed. E amamos muita m\u00fasica brasileira. As coisas dos anos 60 e 70, sabe? Quando fomos a\u00ed da primeira vez, um dos promotores dos shows nos deu uma por\u00e7\u00e3o de CD-Rs com m\u00fasicas obscuras dos anos 60 e 70 \u2014 n\u00e3o apenas as coisas mais \u00f3bvias \u2014 que achamos incr\u00edveis. At\u00e9 roqueiros grunge adoram a m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Agradecimentos ao colega <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/alexandre-lopes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a> pelo apoio na elabora\u00e7\u00e3o da pauta<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney - Generation Genocide (Remastered)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fuKHWeu79EY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney - Who You Drivin&#039; Now? (Remastered)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IDig1HgTDLE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney - Fuzzgun &#039;91 (Remastered)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HZEJ146GJnc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Tissot (<a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.leonardotissot.com<\/a>) \u00e9 jornalista e produtor de conte\u00fado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Steve relembra detalhes a respeito da produ\u00e7\u00e3o do disco que afastou o Mudhoney da cena grunge, fala do rumo menos polido e mais garageiro que a banda decidiu seguir na \u00e9poca, revela influ\u00eancias do \u00e1lbum, traz novidades sobre o sucessor de &#8220;Digital Garbage&#8221; (2018) e, \u00e9 claro, recorda as vindas ao Brasil\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/05\/entrevista-steve-turne-mudhoney-fala-sobre-os-30-anos-de-every-good-boy-deserves-fudge\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":63,"featured_media":61491,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[315],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61486"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61486"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61486\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61496,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61486\/revisions\/61496"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61491"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}