{"id":61463,"date":"2021-07-02T01:53:09","date_gmt":"2021-07-02T04:53:09","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=61463"},"modified":"2021-08-14T00:02:52","modified_gmt":"2021-08-14T03:02:52","slug":"entrevista-a-nova-fase-de-pratagy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/02\/entrevista-a-nova-fase-de-pratagy\/","title":{"rendered":"Entrevista: A nova fase de Pratagy"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O isolamento social e a falta de shows fizeram com que o paraense <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Pratagy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pratagy<\/a> se voltasse para os instrumentos que tinha a m\u00e3o em casa: o viol\u00e3o e o piano se tornaram seus companheiros e deram vida a novas composi\u00e7\u00f5es, calcadas numa simplicidade r\u00edtmica. <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/6pa80SSIvE2EacgPZZB6t1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cTe Amo\u201d e \u201cUm Objeto no C\u00e9u\u201d<\/a> foram os dois singles lan\u00e7ados pelo artista ainda no primeiro semestre de 2021, mas ele tem outras can\u00e7\u00f5es na gaveta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre composi\u00e7\u00f5es em casa e grava\u00e7\u00f5es curtas, Pratagy tamb\u00e9m lan\u00e7ou sua loja com camisetas e outros artigos relacionados a suas can\u00e7\u00f5es. Foi com a venda desses artigos que ele conseguiu pagar a grava\u00e7\u00e3o dos novos singles e \u00e9 a partir dessa movimenta\u00e7\u00e3o independente que ele planeja os lan\u00e7amentos futuros. Em paralelo, e com apoio da lei Aldir Blanc, o artista gravou um show intitulado \u201cTe Amo: Sess\u00e3o Ao Vivo\u201d com tr\u00eas m\u00fasicas registradas com banda completa, em um \u00fanico take, dirigido por Lucas Domires.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado em m\u00fasica pela Universidade Federal do Par\u00e1 e com nove anos de hist\u00f3ria na m\u00fasica independente paraense, Pratagy se v\u00ea hoje mais maduro e com foco em desenvolver uma carreira sustent\u00e1vel em Bel\u00e9m. Mas al\u00e9m disso, ele tamb\u00e9m se v\u00ea conectado com artistas de diferentes regi\u00f5es em cria\u00e7\u00f5es conjuntas e trocas art\u00edsticas que expandem seu universo de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conversa virtual com o Scream &amp; Yell, Pratagy falou sobre o tempo de distanciamento social, suas composi\u00e7\u00f5es, suas inspira\u00e7\u00f5es e suas trocas art\u00edsticas. Confira o papo na \u00edntegra:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pratagy apresenta Te Amo: Sess\u00e3o Ao Vivo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/npD5blOaOU8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra come\u00e7ar, eu gostaria de saber como voc\u00ea est\u00e1? Como tem sido esse tempo de distanciamento social, o que voc\u00ea tem feito?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, ano passado quando come\u00e7ou a pandemia e veio aquele primeiro lockdown, eu fiquei sozinho em casa \u2013 eu moro com a minha irm\u00e3, mas fiquei sozinho, ela n\u00e3o estava \u2013 e a\u00ed foi bem puxado. Fiquei alguns meses aqui s\u00f3 eu e eu mesmo. Agora as coisas no contexto todo deram uma piorada, mas confesso que assim, na minha vida pessoal, elas come\u00e7aram a se encaminhar um pouco melhor, mas \u00e9 isso, por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que com o tempo a gente consegue se organizar melhor, se acostumar de algum modo a esse universo e tentar achar o caminho para alguma coisa acontecer. E nesse sentido voc\u00ea acabou tamb\u00e9m compondo coisas nesse tempo em que voc\u00ea estava sem fazer shows, sem produzir. Como foi esse processo de compor de uma forma mais sem ter o espa\u00e7o de tocar com a banda?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, nos meus \u00faltimos trabalhos eu vinha trazendo cada vez mais essas influ\u00eancias da m\u00fasica eletr\u00f4nica. No \u00e1lbum de 2019 [\u201cPratagy\u201d] me inspirei muito em house, em R&amp;B, pra compor. E acabou que com esse contexto todo me vi voltado ao piano e ao viol\u00e3o, e comecei a praticar bem mais o piano. Essas can\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a surgir de uma forma mais ac\u00fastica, assim por dizer, mais simples. E passei a focar mais na melodia e na letra, nas mensagens, nos sentimentos que eu queria passar e fiquei longe do computador, n\u00e3o produzi nada no computador. Primeiro deixei as m\u00fasicas prontas, na letra, melodia e depois mandei pro meninos, pra gravarem \u00e0 dist\u00e2ncia. \u201cUm Objeto no C\u00e9u\u201d, por exemplo, a bateria e o baixo, que foram gravados pelo Jean [Ramos] e pela Rayssa [Almeida], amigos meus de Goi\u00e2nia, que tocam com a Bruna Mendez, gravaram de l\u00e1 as coisas e mandaram, ent\u00e3o a gente nem precisou ensaiar. Foi bom porque essa coisa do isolamento social impediu de eu me reunir com a minha banda daqui de Bel\u00e9m. Ent\u00e3o, acho que uma das coisas da quarentena \u00e9 que me trouxe essa aproxima\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o, sabe? E menos dos arranjos complexos e tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cUm Objeto no C\u00e9u\u201d, que voc\u00ea citou, foi composta depois que voc\u00ea assistiu ao filme \u201cAquarius\u201d, \u00e9 isso? Queria que voc\u00ea contasse um pouco dessas hist\u00f3ria e de como que nasceu essa m\u00fasica.<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, eu ainda n\u00e3o tinha assistido esse filme do Kleber Mendon\u00e7a Filho, a\u00ed assisti durante a quarentena no ano passado e fiquei impactado com a narrativa que ele traz, que \u00e9 essa quest\u00e3o do indiv\u00edduo contra o sistema. O indiv\u00edduo reinvindicando, na verdade, aquele lugar que \u00e9 dele, que no caso do filme \u00e9 o lugar f\u00edsico, \u00e9 um apartamento, mas sei que esse lugar pode ser muitas coisas, aquilo \u00e9 um s\u00edmbolo que o diretor usa e o sistema que procura tirar essas pessoas do lugar delas de acordo com os seus interesses. Ent\u00e3o, pensando nisso, comecei a escrever essa m\u00fasica, eu j\u00e1 tinha uma melodia, escrevi o refr\u00e3o que fala \u201cN\u00e3o quero ir, n\u00e3o quero voltar, eu sei que aqui \u00e9 o nosso lugar, se voc\u00ea vem fica tudo em paz\u201d. Pensando nessa quest\u00e3o do lugar. E tamb\u00e9m fazendo uma reflex\u00e3o minha em rela\u00e7\u00e3o ao meu lugar aqui na minha casa em que estou agora, que me mudei faz poucos anos, e essa mudan\u00e7a representa tamb\u00e9m v\u00e1rias coisas na minha vida, como o fato de eu me colocar como artista e definir isso como a minha carreira, como a minha vida e estar aqui nesse apartamento diz muitas coisas sobre isso e claro que a quarentena intensificou esses sentimentos meus e acabou que eu acho que essa m\u00fasica fala um pouco sobre isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mora em Bel\u00e9m?<\/strong><br \/>\nIsso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00ea \u00e9 natural de Bel\u00e9m ou do interior?<\/strong><br \/>\nSim, sou de Bel\u00e9m, capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa can\u00e7\u00e3o que voc\u00ea est\u00e1 lan\u00e7ando, voc\u00eas tamb\u00e9m apresenta ela numa session que foi gravada ao vivo, e a\u00ed voc\u00ea reencontrou a banda, eu queria entender um pouco como foi pra voc\u00ea essa sensa\u00e7\u00e3o depois de tanto tempo de voltar a estar junto?<\/strong><br \/>\nEssa session aconteceu por causa da lei Aldir Blanc, aqui do Par\u00e1. Eu tinha escrito um projeto primeiro que era pra fazer um show ac\u00fastico, como te falei, daquela pegada de como as can\u00e7\u00f5es surgiram, que era no viol\u00e3o, no piano, mas depois pensei \u201cvamos usar essa oportunidade aqui para juntar a banda\u201d, que \u00e9 o Emmanuel [Penna] na bateria, Rafaela [Lobato] no baixo e Lucas [Torres] na guitarra. E a gente n\u00e3o tocava j\u00e1 h\u00e1 quase um ano, o \u00faltimo show foi no Sesc daqui, em mar\u00e7o de 2020. Foi muito legal, porque quando a gente come\u00e7ou a tocar essas m\u00fasicas novas, \u201cTe Amo\u201d e \u201cUm Objeto no C\u00e9u\u201d, saiu muito f\u00e1cil, parece que essas m\u00fasicas estavam pedindo para serem tocadas num arranjo de banda, sabe? Porque a gente passou muito tempo tentando decifrar como tocar os arranjos das outras m\u00fasicas do \u00e1lbum de 2019, por exemplo, que eram carregadas de instrumentos e muitas vezes a gente usava backing tracks, que \u00e9 aquele aux\u00edlio ao vivo, e quando a gente come\u00e7ou a tocar essas m\u00fasicas novas saiu muito f\u00e1cil, o clima foi muito bom, sabe? Eu t\u00f4 doido para poder fazer um show completo, com plateia e tudo, nesse formato dessas m\u00fasicas novas, quarteto e tal, vai ser legal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou sobre a lei Aldir Blanc e, na sua carreira, h\u00e1 diferentes processos relacionados a existir enquanto um artista independente: voc\u00ea j\u00e1 trabalhou completamente independente, j\u00e1 trabalhou com o aux\u00edlio da lei de incentivo, do Natura Musical, da lei Aldir Blanc, e agora voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 nessa fase produzindo materiais de divulga\u00e7\u00e3o pr\u00f3prios pra criar essa rede de autosustenta\u00e7\u00e3o. Eu queria que voc\u00ea falasse um pouco sobre esses caminhos que voc\u00ea tem encontrado para poder produzir a sua m\u00fasica da forma mais livre e mais independente, por\u00e9m de uma forma sustent\u00e1vel.<\/strong><br \/>\nEu tava recapitulando aqui: comecei o meu trabalho s\u00f3 em 2016, faz uns 5 anos e fiz meio que quase de tudo assim, j\u00e1 lancei de todos os jeitos poss\u00edveis. Comecei de forma totalmente independente, bancando do meu bolso os trabalhos, com \u201cPictures\u201d (2016) e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/02\/17\/tres-cds-pratagy-necro-e-jonnata-doll\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">B\u00fafalo<\/a>\u201d (2017), consegui nesse \u00e1lbum \u201cPratagy\u201d, de 2019, o patroc\u00ednio da Natura Musical, o que foi experimentar um pouco da outra realidade de fazer um disco, de trabalhar. E agora fiz as camisetas do meu trabalho, comecei a vender merch on-line mesmo, porque pensei o seguinte: sem show, que \u00e9 basicamente a grande parte da receita de um artista hoje em dia, eu precisava me movimentar, ent\u00e3o lancei uma loja on-line e comecei a vender essas camisetas e coloquei metas ali, (algo como) \u201cse eu vender tantas camisetas, vou gravar um single, mixar, masterizar\u201d e comecei fazendo isso. A\u00ed lancei \u201cTe Amo\u201d em mar\u00e7o e agora t\u00f4 lan\u00e7ando \u201cUm Objeto no C\u00e9u\u201d por esse mesmo esquema. Acho que o importante \u00e9 nunca parar do que s\u00f3 ficar esperando alguma oportunidade assim de patroc\u00ednio. Consegui a lei Aldir Blanc para gravar esse v\u00eddeo que foi muito legal, mas no fundo n\u00e3o importa assim, eu s\u00f3 continuo e tento encontrar novos meios. Uma coisa que eu queria experimentar era o lance do crowndfunding, mas t\u00f4 estudando ainda como \u00e9 que eu faria isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah sim, mas nesse caso voc\u00ea est\u00e1 pensando para fechar um disco, uma coisa assim mais robusta?<\/strong><br \/>\nSim, sim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pratagy - Te Amo (videoclipe oficial)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/voV4gXRIj3w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou do single \u201cTe amo\u201d, que tamb\u00e9m foi lan\u00e7ado j\u00e1 nesse espa\u00e7o de distanciamento social, e ele ganhou um clipe muito legal dirigido pelo Rollinos. Eu queria que voc\u00ea falasse um pouco sobre essa troca com ele, pois ele tem uma est\u00e9tica muito espec\u00edfica, uma coisa que voc\u00ea enxerga e j\u00e1 sabe que \u00e9 do Rollinos.<\/strong><br \/>\nAcho que foi em 2018, em 2019, que eu assisti um show do Boogarins, aqui em Bel\u00e9m, no festival Se Rasgum, e tava rolando um video mapping bem louco, umas transi\u00e7\u00f5es bem loucas, e eu j\u00e1 conhecia a Alejandra, que estava fazendo o som deles, ela tinha mixado o meu \u00e1lbum, e a\u00ed eu quis saber quem \u00e9 que estava por tr\u00e1s dessa loucura audiovisual e era o Rollinos. A gente come\u00e7ou a se seguir no Instagram, se conheceu, come\u00e7ou a trocar ideia e perguntei pra ele se ele tinha interesse de fazer alguma coisa, de a gente, sei l\u00e1, pensar num videoclipe. Mandei a m\u00fasica \u201cTe Amo\u201d pra ele, ele curtiu e acabou que a gente fez uma anima\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma parada que ele come\u00e7ou a fazer h\u00e1 pouco tempo. N\u00e3o \u00e9 muito aquela vibe do glitch que ele tamb\u00e9m faz, mas mistura ali tamb\u00e9m. E foi legal trabalhar com ele, ele \u00e9 um cara que assim \u00e9 meio que um \u00eddolo meu, j\u00e1 trabalhou com v\u00e1rios artistas que eu adoro, o Boogarins, por exemplo, o Metronomy, e eu estou vendo que ele est\u00e1 trabalhando com um monte de gente agora Brasil afora e do mundo. Adorei ter feito o clipe assim em anima\u00e7\u00e3o, primeiro porque tenho um problema de ser filmado, de fazer um videoclipe com a minha cara, ent\u00e3o foi \u00f3timo ficar em casa e a\u00ed o videoclipe est\u00e1 pronto e eu n\u00e3o apare\u00e7o. [risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim como com o Rollinos que voc\u00ea trabalhou \u00e0 dist\u00e2ncia, voc\u00ea falou que uma parte das grava\u00e7\u00f5es do \u00faltimo single tamb\u00e9m foi \u00e0 dist\u00e2ncia. Voc\u00ea sente que de algum modo o fato de todo mundo estar parado, sem fazer shows, em casa, tamb\u00e9m propicia que voc\u00ea consiga trocar com essas pessoas muito \u00e0 dist\u00e2ncia, que \u00e0s vezes voc\u00ea n\u00e3o teria tempo ou espa\u00e7o para conseguir construir algo com elas?<\/strong><br \/>\n\u00c9, eu fico pensando aqui se n\u00e3o tivesse nesse contexto, eu n\u00e3o teria trabalhado com o Jean e a Rayssa e que saiu muito legal, eu adorei trabalhar com eles, foi uma coisa super tranquila de fazer e vamos fazer mais inclusive. Mas acho que tem algumas condi\u00e7\u00f5es para isso funcionar, sabe, porque acho que encaixou bem a vibe deles dois como m\u00fasicos e as coisas que eu estava pensando, ent\u00e3o nem precisava ficar explicando muito \u201cah, em tal parte faz tal coisa\u201d, eles j\u00e1 iam sentindo o clima da m\u00fasica e pensando nas mesmas refer\u00eancias que eu j\u00e1 tinha pensado e a\u00ed sa\u00eda. Eu acho que, por exemplo, o processo com o Rollinos foi a mesma coisa, a gente foi pensando coisas ali um lendo a cabe\u00e7a do outro, n\u00e9? Mas acho que trabalhando com outras pessoas que talvez j\u00e1 sejam um pouco distantes assim do universo musical ou de refer\u00eancias, talvez j\u00e1 seja um pouco mais complicado, mas vale a pena experimentar, n\u00e3o sei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou desse universo de refer\u00eancias, e o que voc\u00ea andou escutando, lendo, vendo nesses \u00faltimos tempos que acabou te deixando com alguma inspira\u00e7\u00e3o, digamos assim?<\/strong><br \/>\n\u00c9 engra\u00e7ado, eu falo isso para minha irm\u00e3, que eu n\u00e3o escuto mais m\u00fasica, estou com uma dificuldade de encontrar m\u00fasicas novas que eu pire mesmo, acho que a coisa que eu estou escutando agora, que eu voltei a gostar de escutar foi a St. Vincent. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/25\/musica-daddys-home-a-versao-setentista-de-st-vincent\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ela lan\u00e7ou um \u00e1lbum novo que tem essa pegada setentista<\/a> e eu acho interessante, porque essas refer\u00eancias setentistas foram uma coisa que procurei agora nessas m\u00fasicas, com o piano el\u00e9trico e o timbre da bateria e coisas ali que aproximam do trabalho do Roberto Carlos nos anos 70, gosto muito de Rita Lee naqueles discos cl\u00e1ssicos dos anos 70 tamb\u00e9m. Nessa faixa \u201cUm Objeto no C\u00e9u\u201d tem um pouco daquela coisa meio, n\u00e3o sei se classic rock, mas inspirada no John Lennon, essa coisa da balada e tal. Nunca fui t\u00e3o f\u00e3 do John Lennon, mas nesse \u00faltimo anivers\u00e1rio dele que eu acho que foi de 80 anos, comecei a sentir mais, sabe? E a\u00ed escutei pra caramba e pensei \u201cpoxa, isso aqui \u00e9 bem legal, essa coisa do piano\u201d. O Commodores tamb\u00e9m, aquela m\u00fasica \u201cEasy\u201d eu acho que tem uma pegada parecida. Uma das bandas que traz essas refer\u00eancias setentistas atualmente no Brasil \u00e9 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/12\/entrevista-tim-bernardes-o-terno-entre-a-nostalgia-e-a-esperanca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Terno<\/a>, tamb\u00e9m tem o Shintaro Sakamoto, do Jap\u00e3o, tem essas refer\u00eancias legais, s\u00e3o coisas que eu escuto bastante, mas confesso que na hora de escrever uma m\u00fasica eu n\u00e3o estou pensando muito num disco espec\u00edfico ou num artista, \u00e0s vezes \u00e9 mais na hora de gravar, na hora de mixar, a\u00ed eu penso em alguma sonoridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E tamb\u00e9m \u00e0s vezes eu acredito que voc\u00ea tem essa percep\u00e7\u00e3o do que te influenciou depois do que j\u00e1 foi feito, pois pode ser t\u00e3o natural. E ainda \u00e0s vezes pode n\u00e3o ser voc\u00ea que percebe, \u00e0s vezes as outras pessoas ouvindo v\u00e3o sacar essas coisas, mas na hora de voc\u00ea compor acho que tem que ser mais fluido, sem voc\u00ea ter que ficar pensando quero ir por aqui ou tenho que ir por aqui, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><br \/>\nSim. \u00c9 engra\u00e7ado, \u00e0s vezes as pessoas trazem refer\u00eancias que eu nunca pensei, mas s\u00e3o coisas que eu gosto. Ent\u00e3o eu penso: em algum lugar, l\u00e1 no fundo da minha cabe\u00e7a, isso emergiu ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu acredito que tem coisas que ficam guardadas aqui e a gente nem percebe. Por exemplo, uma das \u00faltimas coisas que eu fiz antes de come\u00e7ar o distanciamento social foi ver a exposi\u00e7\u00e3o do Bob Gruen com fotos do John Lennon em Nova York e eu fiquei muito mexido. Assim como voc\u00ea falou, eu n\u00e3o era f\u00e3 do John Lennon, n\u00e3o sou uma pessoa super entendida da hist\u00f3ria do John Lennon, mas aquilo est\u00e1 t\u00e3o natural na nossa mem\u00f3ria afetiva, voc\u00ea v\u00ea aquilo tanto que eu entrei no universo daquelas fotos e fiquei assim \u201cgente, isso faz parte da nossa constru\u00e7\u00e3o de algum modo\u201d e a\u00ed parece que a gente fica distante disso.<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 louco, eu passei a ver as m\u00fasicas dele, algumas m\u00fasicas, como algo que \u2013 parece meio clich\u00ea falar isso \u2013 \u00e9 meio que maior do que uma m\u00fasica, como se fosse algo s\u00f3lido na sociedade, sabe? Pro bem ou pro mal, n\u00e3o fazendo um julgamento aqui, mas \u00e9 isso, comecei a pensar dessa forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora voc\u00ea falou que voc\u00ea est\u00e1 com esse projeto de tentar colocar metas de venda para produzir coisas, voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 com novas metas?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, agora eu estou pensando nos pr\u00f3ximos passos. Eu tenho, no total, 6 ou 7 faixas ali que fariam parte de um \u00e1lbum, contando com essas duas que eu j\u00e1 lancei no primeiro semestre. E o que eu queria \u00e9 lan\u00e7ar esses 6 ou 7 faixas ali no segundo semestre, o neg\u00f3cio \u00e9 que o processo de gravar e de mixar, masterizar, tudo \u00e9 caro, n\u00e9? Ent\u00e3o eu teria que vender muitas camisetas para conseguir fazer. Uma das coisas que eu estou estudando \u00e9 o financiamento coletivo, mas n\u00e3o sei, ou segundo semestre ou ano que vem mesmo, mas quero muito lan\u00e7ar esse disco com seis ou sete faixas, porque acho que todas elas t\u00eam uma coes\u00e3o ali que nasceram juntas nesse per\u00edodo do ano passado e tem essa pegada de instrumento, essa coisa setentista que a gente vem falando. E tem coisas novas, tem uma m\u00fasica que eu compus que \u00e9 um xotezinho, tem tri\u00e2ngulo, \u00e9 meio forr\u00f3, umas coisas que j\u00e1 est\u00e3o at\u00e9 meio que gravadas. Essa m\u00fasica, por exemplo, eu aproveitei as sess\u00f5es das m\u00fasicas que a gente j\u00e1 gravou e j\u00e1 gravei boa parte delas, mas de fato eu n\u00e3o tenho como prometer um \u00e1lbum, eu quero muito fazer, mas n\u00e3o sei quando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 normal, mas nesse mundo atual a gente tenta planejar as coisas, mas a gente n\u00e3o sabe at\u00e9 que ponto a gente vai poder colocar elas em pr\u00e1tica.<\/strong><br \/>\nSim, sim, total.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Um Objeto no C\u00e9u\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s6G8olIeaqQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pratagy - B\u00fafalo (videoclipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xgSmUhwtb0I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pratagy - Dias de Ver\u00e3o (videoclipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8YPt-TKDbTY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Tamb\u00e9m colabora com o\u00a0<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Monkeybuzz.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O isolamento social e a falta de shows fizeram com que o paraense Pratagy se voltasse para os instrumentos que tinha a m\u00e3o em casa: o viol\u00e3o e o piano se tornaram seus companheiros e deram vida a novas composi\u00e7\u00f5es, calcadas numa simplicidade r\u00edtmica&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/02\/entrevista-a-nova-fase-de-pratagy\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":61468,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1709],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61463"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61463"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61463\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61469,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61463\/revisions\/61469"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61468"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}