{"id":61453,"date":"2021-06-30T01:35:22","date_gmt":"2021-06-30T04:35:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=61453"},"modified":"2021-08-12T02:03:37","modified_gmt":"2021-08-12T05:03:37","slug":"entrevista-mateus-fazeno-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/06\/30\/entrevista-mateus-fazeno-rock\/","title":{"rendered":"Entrevista: Mateus Fazeno Rock"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Andando ali no outro lado da rua, ela me evita pois tem medo que eu leve sua bolsa. Enquanto isso eu vou lhe evitar, levitar, levitar \/ Inevit\u00e1vel que na minha idade a minha cidade n\u00e3o fique apavorada quando eu ando por a\u00ed\u201d. \u201cA fome faminta de morte batendo na porta tirando o sossego \/ A bala perdida que \u00e9 teleguiada mirando no corpo do nego\u201d. Esses versos \u00e1cidos e por vezes reais demais s\u00e3o alguns exemplos da prosa de Mateus Henrique Ferreira do Nascimento, o jovem preto de 26 anos respons\u00e1vel por &#8220;puxar o bonde&#8221; &#8211; como ele mesmo prefere dizer &#8211; do projeto <a href=\"https:\/\/apoia.se\/mateusfazenorock\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mateus Fazeno Rock<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Residente em Sapiranga, bairro pobre de Fortaleza com grande incid\u00eancia de favelas constantemente assoladas pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, Mateus passou a frequentar uma biblioteca local quando crian\u00e7a porque a m\u00e3e solteira come\u00e7ou a estudar para tentar passar no vestibular. O costume criado ao acompanh\u00e1-la despertou no menino um grande interesse pela leitura. Ao descobrir o rock por meio de um vizinho que ouvia muito Nirvana e Silverchair e organizava festivais de bandas no quintal de casa, estava ali plantada a semente de um artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de aprender alguns acordes no viol\u00e3o por meio de a\u00e7\u00f5es da ONG Revarte (Resgate dos valores atrav\u00e9s da Arte) e de organizar um sarau no bairro, Mateus teve contato com o teatro, apresentou poemas e suas primeiras ideias musicais para outros artistas e curiosos. Com isso, o rapaz percebeu que poderia falar para pessoas que sofrem os mesmos problemas \u2013 racismo, segrega\u00e7\u00e3o social e viol\u00eancia policial \u2013 e usar sua escrita para compartilhar hist\u00f3rias e manter a sanidade, pois \u201co nego n\u00e3o tem grana pra pagar um analista e nunca ouviu falar em terapia hol\u00edstica, nem reiki, s\u00f3 break\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a consolida\u00e7\u00e3o de tudo isso veio com &#8220;<a href=\"https:\/\/tratore.com.br\/um_cd.php?id=22000\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rol\u00ea nas Ru\u00ednas<\/a>&#8220;, o primeiro registro de Mateus Fazeno Rock lan\u00e7ado em abril de 2020. Ao longo de nove faixas e pouco menos de 30 minutos, sua m\u00fasica evoca o grunge (&#8220;Mel\u00f4 do Djavan&#8221; traz cita\u00e7\u00f5es e samples discretos de &#8220;Smells Like Teen Spirit&#8221;), punk, reggae, mpb, rap, funk e influ\u00eancias mais regionais recheadas de letras com cr\u00edticas sociais que jogam luz ao duro lugar do preto perif\u00e9rico na sociedade, de forma que \u00e9 dif\u00edcil ouvir e ficar impass\u00edvel. N\u00e3o por acaso o \u00e1lbum apareceu em listas de melhores discos do ano, inclusive de colaboradores do Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, Mateus escreve mais um cap\u00edtulo de sua travessia com &#8220;Jesus \u00d1 Voltar\u00e1&#8221;, um novo trabalho em fase de finaliza\u00e7\u00e3o que conta com uma campanha de financiamento com tr\u00eas objetivos: a produ\u00e7\u00e3o musical, a cria\u00e7\u00e3o da identidade visual e a produ\u00e7\u00e3o e impress\u00e3o do \u00e1lbum tamb\u00e9m em vinil de 12 polegadas. Voc\u00ea pode colaborar <a href=\"https:\/\/apoia.se\/mateusfazenorock\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clicando na p\u00e1gina de Mateus Fazeno Rock no Apoia.se<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, Mateus fala sobre as motiva\u00e7\u00f5es, parcerias e refer\u00eancias por tr\u00e1s de sua arte, como foi lan\u00e7ar &#8220;Rol\u00ea nas Ru\u00ednas&#8221; em plena pandemia, d\u00e1 detalhes do novo \u00e1lbum e mostra que apesar de todas as tretas, \u201co rock de favela vem sem medo\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BEM LENTINHA\/SLOWMOTION - MATEUSFAZENOROCK\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/C_G3De6vnAE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea define o seu som como Rock de Favela. O que exatamente seria isso?<\/strong><br \/>Esse termo foi uma forma que eu encontrei de localizar o meu som. Eu tava nesse processo, quando o projeto veio nascendo e se formando, de entender o que que era esse trabalho e o que eram essas m\u00fasicas. Sempre soube que era rock, mas tamb\u00e9m me incomodava esse termo por si s\u00f3, porque o som tem v\u00e1rios outros atravessamentos que eu n\u00e3o consigo colocar lado a lado com uma produ\u00e7\u00e3o de rock que j\u00e1 existe \u00e9 pr\u00e9-estabelecida, sobretudo no Brasil: de um rock branco, de um rock feito no condom\u00ednio. Enfim, tenho outras viv\u00eancias, outra realidade. Ent\u00e3o o rock de favela \u00e9 quase como uma bandeira que se finca num lugar, num territ\u00f3rio. Ele \u00e9 abrangente porque pensa a partir dessa minha viv\u00eancia no meu territ\u00f3rio, e a partir dela, encontra formas de se produzir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea diria que o Rock de Favela \u00e9 a sua leitura do punk e da coisa do &#8220;fa\u00e7a voc\u00ea mesmo&#8221;?<\/strong><br \/>Pode ser um \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d tamb\u00e9m, mas n\u00e3o pela m\u00e1xima do \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d, at\u00e9 porque eu acho que \u00e9 um corre de que aqui na favela isso n\u00e3o \u00e9 uma escolha. Quem nasce nas favelas, quem \u00e9 pobre, \u00e9 preto, tem a sua vida precarizada de diversas formas, independente se \u00e9 pra fazer rock ou qualquer outra coisa na vida. Existe a\u00ed um caminho dobrado, um esfor\u00e7o e umas estradas que t\u00eam que ser abertas que \u00e9 um percurso muito espec\u00edfico da experi\u00eancia de quem vive na favela, que \u00e9 totalmente distinto de pessoas que vem de outras realidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O nome do projeto \u00e9 Mateus Fazeno Rock, mas voc\u00ea teve bastante ajuda do Nego C\u00e9lio e do Cai\u00f4, dividindo autoria de umas m\u00fasicas com eles. Pode-se dizer que Mateus Fazeno Rock \u00e9 uma banda e n\u00e3o s\u00f3 o teu projeto?<\/strong><br \/>Acho que n\u00e3o pode-se dizer que \u00e9 uma banda porque n\u00e3o tem uma estrutura e nem uma rotina de banda. Esse projeto eu puxo o bonde, digamos assim. O Nego C\u00e9lio e o Cai\u00f4 participaram do meu processo criativo, de trocar experi\u00eancias e composi\u00e7\u00f5es no sentido da gente mostrar \u201colha essa m\u00fasica que t\u00f4 fazendo, olha esse caminho que eu t\u00f4 pensando\u201d. Principalmente no momento ali que eu tava pensando e criando o \u201cRol\u00ea nas Ru\u00ednas\u201d. E por isso eles participaram de uma das faixas, compondo \u201cAs Vozes da Cabe\u00e7a\u201d junto comigo, e tamb\u00e9m canto a letra do Cai\u00f4 em \u201cAquela Ultraviol\u00eancia\u201d. Mas eu entendo isso como um projeto e n\u00e3o como uma banda, porque existem v\u00e1rias pessoas envolvidas e fazendo parte, mas n\u00e3o existe uma rotina de banda, de ensaio, n\u00e3o tem um batera ou a forma\u00e7\u00e3o de banda. Tem pessoas pr\u00f3ximas que est\u00e3o pensando a dan\u00e7a ou a cena comigo, tem o Piajay que toca nos shows sendo DJ, quem pensa comigo os clipes&#8230; Enfim, tem gente que t\u00e1 no corre de outras movimenta\u00e7\u00f5es do projeto. Ent\u00e3o entendo mais como um projeto mesmo do que como uma banda. Mas assim que puder, adoraria ter uma banda formada para poder pensar o show nesse outro formato. N\u00e3o tive a possibilidade de experimentar muito isso por quest\u00f5es estruturais e da pandemia tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No seu som e letras d\u00e1 para perceber a influ\u00eancia do Nirvana, do rap, do funk, do reggae e do punk. O que mais voc\u00ea acha que faz parte das tuas refer\u00eancias?<\/strong><br \/>Essa de fato pra mim \u00e9 sempre uma pergunta muito dif\u00edcil, porque de um modo geral eu escuto de tudo, dentro de todas as vertentes mesmo. A textura de m\u00fasica rock sempre me interessou e \u00e9 um lugar que sempre busco, seja atrav\u00e9s da instrumenta\u00e7\u00e3o ou da minha voz. \u00c0s vezes as duas coisas n\u00e3o vem juntas, por conta da forma que componho mesmo. E essas outras linguagens sempre me atravessaram muito: o funk, o rap e o reggae, porque vivo muito isso aqui na cidade de Fortaleza, em lugares que eu frequentava que tocam essas m\u00fasicas. Ent\u00e3o acho que parte das minhas refer\u00eancias est\u00e3o mais no meu imagin\u00e1rio e viv\u00eancia do que de fato em algum som que eu v\u00e1 buscar, porque escuto de tudo. Escuto muita coisa; desde R\u2019n\u2019B gringo a toque de m\u00fasicas da capoeira, puxada de rede, toque amazonas, capoeira regional, pontos, escuto Gil, Mateus Aleluia, compositores brasileiros, escuto quase tudo que sai de lan\u00e7amentos e t\u00f4 sempre acompanhando pessoas que est\u00e3o lan\u00e7ando trabalhos novos. Acho que \u00e9 uma mistura bem grande que n\u00e3o conseguiria nem tra\u00e7ar um mapa de refer\u00eancias. Ent\u00e3o acredito que a maior parte das minhas refer\u00eancias est\u00e3o no meu imagin\u00e1rio e do meu dia a dia e em texturas que j\u00e1 tenho em mente como caminhos para trabalhar. Mas esse novo \u00e1lbum, por exemplo, est\u00e1 bem vinculado a linguagens do hip-hop na sua constru\u00e7\u00e3o. E no fim \u00e9 isso: hip-hop e rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nas tuas letras, d\u00e1 para a gente pegar umas p\u00e9rolas como &#8220;eu calo a boca e ainda assim a boca fala \/ a boca fala, fala o que quiser de mim&#8221;, entre outras partes mais \u00e1cidas e cheias de cr\u00edticas sociais sobre o espa\u00e7o dos pretos em rela\u00e7\u00e3o aos brancos no mundo. Voc\u00ea acha que o rock \u00e9 elitista?<\/strong><br \/>Acho que \u00e9 elitista sim. N\u00e3o s\u00f3 o rock como um pouco a forma\u00e7\u00e3o de estruturas de possibilidades de circula\u00e7\u00e3o, autonomia e visibilidade dentro das cenas [culturais\/musicais], de um modo geral. \u00c9 bem elitista, at\u00e9 porque \u00e9 uma quest\u00e3o estrutural e hist\u00f3rica, de quem teve o dinheiro para poder criar esses espa\u00e7os. Ent\u00e3o querendo ou n\u00e3o, sim, o rock \u00e9 elitista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea acha que podemos criar cada vez mais espa\u00e7o para a atua\u00e7\u00e3o de artistas pretos e perif\u00e9ricos no Brasil?<\/strong><br \/>O que acho \u00e9 que deve existir, principalmente entre as pessoas que tem as institui\u00e7\u00f5es, casas de show e m\u00eddias que tem esses espa\u00e7os, criar neles outras din\u00e2micas de entender as pluralidades mesmo. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre pegar uma pessoa e ela ser a representatividade; \u00e9 sobre dinamizar e buscar isso, porque tenho certeza que tem muita gente produzindo. E n\u00e3o s\u00f3 gente branca; tem gente preta, homens pretos, mulheres pretas, pessoas trans, ind\u00edgenas, dentro e fora das minoridades de g\u00eanero&#8230; Ent\u00e3o \u00e9 sobre criar essas din\u00e2micas; pessoas que tem acesso, que coordenam ou que pensam esses espa\u00e7os culturais e de circula\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e pensamento que deveriam ter essa responsabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No que a epidemia do coronav\u00edrus mudou para voc\u00ea, tanto no lan\u00e7amento do primeiro \u00e1lbum quanto na cria\u00e7\u00e3o do segundo?<\/strong><br \/>Durante o lan\u00e7amento de \u201cRol\u00ea nas Ru\u00ednas\u201d j\u00e1 est\u00e1vamos na pandemia. Ent\u00e3o o que rolou para mim foi ter que repensar estrat\u00e9gias ou sonhos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 circula\u00e7\u00e3o, a esse movimento e assimilar essa nova realidade. Durante os primeiros meses eu n\u00e3o tinha uma perspectiva, organiza\u00e7\u00e3o ou planejamento de circular a n\u00e3o ser de continuar lan\u00e7ando os materiais que j\u00e1 estavam planejados, como o clipe de \u201cBem Lentinha\/Slowmotion\u201d que saiu logo depois e j\u00e1 era um v\u00eddeo que j\u00e1 estava gravado desde antes da pandemia. Ent\u00e3o nesse per\u00edodo fiz algumas lives de voz e viol\u00e3o pelo instagram, tamb\u00e9m pelo youtube e s\u00f3 mais \u00e0 frente consegui pensar como \u00e9 que poderia ser se apresentar [desta forma], a partir do convite de alguns festivais. Eu j\u00e1 trabalhava com o DJ Piajay que toca comigo nas apresenta\u00e7\u00f5es, com quem faz a luz desde a primeira Missa Negra [o nome dos shows do projeto] e ent\u00e3o foi pensar essa apresenta\u00e7\u00e3o com eles, com o Will e a Larissa que dan\u00e7am comigo, de forma que a gente conseguisse trabalhar num formato seguro e o show tivesse esse movimento que ele merece e precisa dentro dessa nova \u00f3tica que \u00e9 o espa\u00e7o virtual. E em setembro do ano passado a gente entrou no processo de produzir o novo \u00e1lbum. Cai\u00f4 e Agno foram duas pessoas que sentaram comigo para pensar os arranjos e a sonoridade e a\u00ed a gente se reunia uma vez por semana ou de 15 em 15 dias na casa um do outro ou lugar que fosse mais prop\u00edcio a visitas por conta da exposi\u00e7\u00e3o m\u00ednima. Ent\u00e3o ficamos nos reunindo dessa forma at\u00e9 o ano que virou, veio fevereiro e a\u00ed entrou o lockdown de novo. Ent\u00e3o parte desse processo aconteceu tamb\u00e9m no formato virtual. A gente demandava tarefas para serem feitas em casa individualmente e depois se reunia para ouvir os beats, para apontar caminhos, definir novas miss\u00f5ezinhas e partir para outra reuni\u00e3o. Ent\u00e3o a gente tamb\u00e9m teve que passar por essas adapta\u00e7\u00f5es. Inclusive agora, porque vai rolar todo um processo de identidade visual desse novo \u00e1lbum, e a gente t\u00e1 nesse momento pensando estrat\u00e9gias de como trabalhar de forma segura, de como fazer para n\u00e3o perder certas ideias&#8230; Enfim, toda uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que precisam ser consideradas nesse momento: de sa\u00fade, financeira, a exposi\u00e7\u00e3o nossa e de outras pessoas. Eu acredito que foi muito aprendizado para mim e para n\u00f3s todos que participamos. Apesar de toda a loucura que \u00e9 esse momento que a gente t\u00e1 vivendo, sou feliz com ter descoberto a possibilidade de como continuar assim, sinceramente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O nome do novo \u00e1lbum \u00e9 \u201cJesus \u00d1 Voltar\u00e1\u201d. Por qu\u00ea? Qual \u00e9 o conceito por tr\u00e1s desse nome?<\/strong><br \/>Esse nome \u00e9 o de uma das faixas que est\u00e1 no \u00e1lbum. Ele foi todo constru\u00eddo juntando mem\u00f3rias minhas, compartilhadas comigo ou vivenciadas no meu territ\u00f3rio \u2013 no bairro onde nasci, na Sapiranga. Essas mem\u00f3rias, essa espiral, conversam muito sobre essa ocupa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea e territ\u00f3rio onde vivo, mas acho que tamb\u00e9m acabam dialogando com a vida na favela de um modo geral. E pensando sobre processos de adoecimentos dentro desses territ\u00f3rios por conta das precariza\u00e7\u00f5es de nossas vidas e corpos, e processos de cura a partir dessa nossa habita\u00e7\u00e3o, desse lugar da mem\u00f3ria, desse lugar de encontrar pot\u00eancia dentro das nossas \u00e1reas. E a\u00ed, por conta de pensar essas coisas, a gente acaba catando, pensando e falando sobre v\u00e1rias aus\u00eancias, pessoas e vidas que s\u00e3o interrompidas e que s\u00e3o hist\u00f3rias reais. Por estar trabalhando com isso, eu e toda a equipe tentamos ter o m\u00e1ximo de respeito por essas hist\u00f3rias e esse compartilhamento nesse lugar. E o nome \u201cJesus \u00d1 Voltar\u00e1\u201d n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica direta a algo crist\u00e3o, quando voc\u00eas ouvirem v\u00e3o entender. Mas \u00e9 de pensar a partir de uma aus\u00eancia sobre a nossa pr\u00f3pria presen\u00e7a. E a possibilidade de rearticular a nossa continuidade, a nossa passagem aqui, pensando como n\u00f3s: pessoas que vivem na favela nesse Brasil afora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvi dizer que voc\u00ea ter\u00e1 convidados nesse novo \u00e1lbum. Quem s\u00e3o?<\/strong><br \/>Sim, esse \u00e1lbum tem algumas participa\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m dos projetos do Ag\u00ea e Outragalera (representados pelo Agno e o Cai\u00f4 que est\u00e3o fazendo os arranjos e compondo comigo), tem feat. da Jup do Bairro, da M\u00e1 dame, Big L\u00e9o e da Brisa Flow. Tem dois guitarristas convidados, que \u00e9 o Rodrigo Brasil, de Sobral e o Theuzitz, de S\u00e3o Paulo. Fora isso tem feat. da Mumu, cantora daqui de Fortaleza. Ela, a Jocasta e a Bianca Ellen comp\u00f5em o coro de vozes e backing vocals de algumas faixas do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em maio, voc\u00ea anunciou um Apoia-se para o lan\u00e7amento do novo disco. <a href=\"https:\/\/apoia.se\/mateusfazenorock\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quais s\u00e3o as recompensas desse esquema<\/a>? E ele vai estar no ar at\u00e9 quando?<\/strong><br \/>As recompensas s\u00e3o v\u00e1rias. Al\u00e9m do vinil, tem duas oficinas: uma de mixagem com o Guilherme Mendon\u00e7a, onde tamb\u00e9m vamos abrir bastante do processo do \u00e1lbum, e uma de dan\u00e7a com \u00c2ngelo William, que \u00e9 um dos dan\u00e7arinos do show do \u00e1lbum \u201cRol\u00ea nas Ru\u00ednas\u201d. Tem colagem da artista Alexia do projeto Colagem Negra, tem trabalho artevisual do Blackout (que \u00e9 o Helder Carlos), tem bordado da Borda Dinha, fotografia do Leo Sila (o Leo Desconectado), tem croch\u00ea da Vit\u00f3ria Maria do projeto Avia Handmade &#8211; tanto uma bolsa em croch\u00ea quanto uma arte em croch\u00ea exclusiva da campanha. Talvez eu esteja at\u00e9 esquecendo alguma coisa. Fora isso tem ingresso para o show de lan\u00e7amento. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode contratar um show do Fazeno Rock! Enfim, tem um monte de recompensas. E a campanha fica no ar at\u00e9 o dia 06 de julho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do lan\u00e7amento do \u201cJesus \u00d1 Voltar\u00e1\u201d, quais os outros planos que voc\u00ea tem?<\/strong><br \/>Por ora o plano \u00e9 finalizar o disco. Com ele vem um material audiovisual bem incr\u00edvel. Nem foi realizado ainda mas j\u00e1 acredito que vai vir uma coisa foda. E pensar um show de lan\u00e7amento. Desta vez tenho muita vontade de fazer um show como esse \u00e1lbum merece: com as backing vocals, com uma banda, todos os recursos que s\u00e3o necess\u00e1rios para que o show aconte\u00e7a. Ainda estou estudando as possibilidades e entendendo esses caminhos, mas por ora s\u00e3o essas as metas e objetivos. Enfim, seja esse show presencial ou n\u00e3o, ele \u00e9 um dos planos. E a\u00ed mais \u00e0 frente a gente vai vendo outras coisas, singles e outros trabalhos que est\u00e3o sendo desenrolados em paralelo tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"AQUELA ULTRAVIOL\u00caNCIA -  Mateus Fazeno Rock Part. Cai\u00f4 (Video Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FCyUxvjb9Ls?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"mateusfazenorock - trilha sonora para o fim do mundo (teste)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ssAlDqRtBhw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mateus Fazeno Rock -  Legal Legal (V\u00cdDEO OFICIAL)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jZMX5NFWo9E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mateus Fazeno Rock  l\u00e1 no Po\u00e7o da Draga -  Festival Arrua\u00e7a\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kj8vCc4T7U0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mateus fala sobre as motiva\u00e7\u00f5es, parcerias e refer\u00eancias por tr\u00e1s de sua arte, como foi lan\u00e7ar &#8220;Rol\u00ea nas Ru\u00ednas&#8221; em plena pandemia, d\u00e1 detalhes do novo \u00e1lbum (&#8220;Jesus \u00d1 Voltar\u00e1&#8221;) e mostra que apesar de todas as tretas, \u201co rock de favela vem sem medo\u201d.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/06\/30\/entrevista-mateus-fazeno-rock\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":61454,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5239],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61453"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61453"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61453\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61456,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61453\/revisions\/61456"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61454"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}