{"id":61431,"date":"2021-06-27T02:13:58","date_gmt":"2021-06-27T05:13:58","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=61431"},"modified":"2021-08-14T00:06:55","modified_gmt":"2021-08-14T03:06:55","slug":"musica-for-the-first-time-black-country-new-road","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/06\/27\/musica-for-the-first-time-black-country-new-road\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;For the first time&#8221;, Black Country, New Road"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100016802896941\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luciano Ferreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em par com bandas com grande n\u00famero de integrantes (The Young Republic, Belle and Sebastian, Polyphonic Sprees, Arcade Fire, Broken Social Scene), o septeto londrino Black Country, New Road (quatro caras e tr\u00eas garotas) apresenta em &#8220;<a href=\"https:\/\/blackcountrynewroad.bandcamp.com\/album\/for-the-first-time\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">For The First Time<\/a>&#8220;, seu \u00e1lbum de estreia, um comp\u00eandio musical que remete tanto a cena experimental nova-iorquina do final dos anos 70, especificamente a No Wave, com associa\u00e7\u00e3o ao The Contortions, quanto ao p\u00f3s-rock perpetrado por Slint e Tortoise, atrav\u00e9s de can\u00e7\u00f5es com estruturas abstratas e andamentos que se alternam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somando \u00e9 poss\u00edvel encontrar elementos dispersos de uma das vertentes do p\u00f3s-punk na torrente de guitarras t\u00edpicas dos australianos do The Birthday Party (vide a abertura de &#8220;Science Fair&#8221;) e pitadas de jazz em doses generosas. J\u00e1 os vocais de Isaac Wood s\u00e3o narrativos, assim como os de Florence Shaw, do Dry Cleaning, mas de forma intensa e n\u00e3o blas\u00e9. Na mesma \u201cScience Fair\u201d ele chega a soar como um pregador sobre uma base musical oscilando entre o incidental e o ca\u00f3tico, remetendo a Nick Cave em seus momentos mais \u201cpossessos\u201d com sua ex-banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado por jovens amigos de escola na casa dos 20 anos, a m\u00fasica do Black Country, New Road soa singular dentro do cen\u00e1rio musical brit\u00e2nico atual, apesar de um esfor\u00e7o meio exagerado em enquadr\u00e1-los na mesma leva de nomes como Shame, Fontaines D.C. e outros. Art-Rock? Art-Pop? Qualquer que seja a resposta, musicalmente e contemporaneamente, \u00e9 plaus\u00edvel coloc\u00e1-los ao lado de bandas menos conhecidas como Robocobra Quartet ou em ascens\u00e3o como Black Midi, grupos cuja sonoridade tamb\u00e9m est\u00e1 al\u00e9m dos usuais baixo, bateria e guitarra, mas que, principalmente, tem nas experimenta\u00e7\u00f5es uma t\u00f4nica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Country New Road - &#039;Athens, France&#039; (Official Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xDcGl8tZhrs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abertura de &#8220;For The First Time&#8221; com a instrumental e percussiva (e redundantemente chamada) \u201cInstrumental\u201d pode assustar. E parece ser uma das inten\u00e7\u00f5es poss\u00edveis ao longo do disco, provocar e desconcertar a cada faixa, a cada mudan\u00e7a de andamento e de elementos que comp\u00f5em os arranjos, possibilidade facilitada pela quantidade de instrumentos da banda, que al\u00e9m de saxofone tem tamb\u00e9m violino. De volta a primeira faixa, sua dura\u00e7\u00e3o \u00e9 incomum para uma faixa de abertura instrumental: 05m27s. E dentro do contexto do \u00e1lbum ela soa meio deslocada. Sua intensidade, balan\u00e7o e ritmo desvairado deve funcionar bem ao vivo, j\u00e1 que cresce e conduz a um final cat\u00e1rtico, apote\u00f3tico, daqueles que o Arcade Fire costuma construir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 \u201cAthens, France\u201d a faixa que apresenta objetivamente o universo musical do grupo. As varia\u00e7\u00f5es de andamentos, o lado ca\u00f3tico se contrastando a passagens mais tranquilas, com o saxofone emergindo como protagonista na orquestra\u00e7\u00e3o desorientada, as experimenta\u00e7\u00f5es que estar\u00e3o presentes ao longo do disco surgem aqui de forma plena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma que a longa \u201cSunglasses\u201d, uma su\u00edte de quase 10 minutos e tr\u00eas partes, acaba soando como uma varia\u00e7\u00e3o de todos esses elementos citados, enquanto o vocalista discorre sobre a for\u00e7a que os \u00f3culos escuros lhe confere e quest\u00f5es diversas: \u201cEu sou invenc\u00edvel nesses \u00f3culos de sol \/ Eu sou o Fonz, eu sou o Valete de Copas \/ Eu estou olhando para voc\u00ea e voc\u00ea n\u00e3o pode dizer \/ que sou mais do que a soma de minhas partes \/ Eu estou olhando para voc\u00ea com meus melhores olhos e eu queria que voc\u00ea pudesse dizer \/ Eu queria que todos os meus filhos parassem de se vestir como Richard Hell \/ Estou trancado em uma fortaleza de alta tecnologia, envolvente, transl\u00facida e tingida de azul \/ E voc\u00ea n\u00e3o pode me tocar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 algo mais que \u201csalta aos olhos\u201d na m\u00fasica da banda: a aus\u00eancia de melodias. Isso confere uma sensa\u00e7\u00e3o abstrata provocada pela jun\u00e7\u00e3o de fragmentos musicais diversos que se unem e d\u00e3o forma \u00e0s can\u00e7\u00f5es, tendo na bateria e no baixo o papel de fio condutor primordial. Basta observar a estrutura minimalista de \u201cScience Fair\u201d, cuja riqueza est\u00e1 na entrada e sa\u00edda de cena dos diversos elementos: guitarras torrenciais, sax dissonantes e sintetizadores distorcidos, que se unem no fim para formarem uma orquestra de sons bizarros tocados ao mesmo tempo. Na letra, refer\u00eancias ao Slint (&#8220;S\u00f3 de pensar que poderia ter sa\u00eddo da feira com minha dignidade intacta, E fugiu do palco com a segunda melhor apresenta\u00e7\u00e3o de tributo aos Slint do mundo&#8221;), finalizando de forma desesperadora: \u201c\u00c9 um pa\u00eds escuro l\u00e1 fora\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Country, New Road - &#039;Track X&#039; (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/u3H8O8RJp3M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A minimalista \u201cTrack X\u201d \u00e9 a faixa onde mais se aproximam do convencional. Cantada de forma grave e adornada por backings femininos, \u00e9 um momento de placidez de \u201cFor the First Time\u201d. Mant\u00e9m a f\u00f3rmula da base repetitiva que ganha adere\u00e7os musicais diversos ao longo do percurso, mas segue no mesmo clima at\u00e9 o final, sem criar sobressaltos ou momentos explosivos. Se assim se pode dizer, \u00e9 a faixa mais encantadora do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com poucas can\u00e7\u00f5es, seis apenas, e tempo dentro do normal para um \u00e1lbum (prensado em vinil), o grupo mostra entender que \u00e9 mais f\u00e1cil fisgar e manter a aten\u00e7\u00e3o do ouvinte com um n\u00famero menor de can\u00e7\u00f5es, ainda que algumas tenham longa dura\u00e7\u00e3o, seja na su\u00edte \u201cSunglasses\u201d, em que diz ser um &#8220;Scott Walker moderno&#8221;, ou em \u201cOpus\u201d, faixa de encerramento surgida na mesma se\u00e7\u00e3o que deu origem a faixa de abertura. Aqui o grupo brinca com a mudan\u00e7a de climas, variando entre uma grande fanfarra e elementos pra cima t\u00edpicos do ska, e logo quebrando para um humor modorrento com andamento arrastado, beirando o melanc\u00f3lico, em seguida tenso e, mais uma vez, bizarro e tamb\u00e9m teatral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se musicalmente h\u00e1 muitas cita\u00e7\u00f5es em termos sonoros, liricamente n\u00e3o \u00e9 diferente. Isaac Wood adiciona \u00e0s letras refer\u00eancias diversas do seu cotidiano, que podem ser musicais (Scott Walker, Black Midi, Bob Dylan, Slint, Richard Hell, Kanye West, Jerskin Fendrix), hist\u00f3ricas (Abraham, Isaac) ou da cultura pop (Cirque du Soleil, Fonz). Elas ajudam a sustentar a narrativa esculpida pelos versos de tom subjetivo ou direto que est\u00e3o reunidos para narrar e, ao mesmo tempo, refletir sobre as vicissitudes dos relacionamentos, afetados por conflitos interiores e afli\u00e7\u00f5es externas do cotidiano, mas tamb\u00e9m quest\u00f5es como os rumos da sociedade e o escapismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;For the First Time&#8221; \u00e9 surpreendente como \u00e1lbum de estreia e proposta sonora para os tempos atuais. H\u00e1 certa irregularidade que n\u00e3o compromete o disco, aceit\u00e1vel para um primeiro trabalho. Sua grande qualidade \u00e9 que \u00e9 daqueles \u00e1lbuns dif\u00edceis de se manter impass\u00edvel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Country New Road - &#039;Sunglasses&#039; (Official Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7t-9rgpzU6A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Country, New Road - &#039;Science Fair&#039; (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gXay__MuoGw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Country, New Road - BBC 6 Music Festival 2021 Full Set\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nOAyl6HlAbI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100016802896941\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luciano Ferreira<\/a>\u00a0\u00e9 editor e redator na empresa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.urgesite.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Urge :: A Arte nos conforta<\/a>\u00a0e colabora com o Scream &amp; Yell.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;For the First Time&#8221;, disco de estreia deste septeto de Londres, \u00e9 surpreendente como \u00e1lbum de estreia e proposta sonora para os tempos atuais. 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