{"id":61306,"date":"2021-06-15T01:11:33","date_gmt":"2021-06-15T04:11:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=61306"},"modified":"2021-08-11T23:14:05","modified_gmt":"2021-08-12T02:14:05","slug":"los-rolling-ruanas-o-rock-nao-esta-em-crise-o-que-esta-em-crise-e-o-que-as-pessoas-acham-o-que-e-ou-nao-e-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/06\/15\/los-rolling-ruanas-o-rock-nao-esta-em-crise-o-que-esta-em-crise-e-o-que-as-pessoas-acham-o-que-e-ou-nao-e-rock\/","title":{"rendered":"Los Rolling Ruanas: &#8220;O rock n\u00e3o est\u00e1 em crise. O que est\u00e1 em crise \u00e9 o que as pessoas acham o que \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 rock\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">2015, Bogot\u00e1. Quatro jovens colombianos pegam instrumentos t\u00edpicos da carranga (m\u00fasica camponesa de seu pa\u00eds) e decidem levar um som. S\u00f3 que o som sai roqueiro, muito roqueiro. E d\u00e1 t\u00e3o certo que gente do mundo inteiro come\u00e7a a prestar aten\u00e7\u00e3o neles \u2013 alguns com o simples olhar do exotismo, outros com muita aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 uma vers\u00e3o bem resumida da hist\u00f3ria de Juan Diego Moreno (voz e guacharaca), Fernando Cely (requinto), Luis Guillermo Gonz\u00e1lez (viol\u00e3o e Jorge Mario Vinasco (tiple) \u2013 <a href=\"https:\/\/losrollingruanas.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Los Rolling Ruanas<\/a>, muito prazer. Tocavam tantos as can\u00e7\u00f5es regionais do Altiplano Cundiboyacense como o rock\u2019n\u2019roll, e um dia, com seus instrumentos folcl\u00f3ricos, mandaram os acordes de \u201cA Hard Day\u2019s Night\u201d e viram que isso era bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da\u00ed, n\u00e3o teve mais volta. Suas vers\u00f5es para \u201cPaint It Black\u201d (Rolling Stones) e \u201cToxicity\u201d (System of a Down) somam milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es no Youtube (assista aos dois v\u00eddeos no final do texto). Muita gente queria ver quem eram aqueles sujeitos vestidos com ruanas (a vestimenta rural colombiana por excel\u00eancia) fazendo vers\u00f5es ac\u00fasticas e extremamente vigorosas de hits roqueiros. Por\u00e9m, o grupo foi muito al\u00e9m das vers\u00f5es e se estabeleceu com suas can\u00e7\u00f5es autorais e suas intensas apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma delas, no festival Rock Al Parque (em Bogot\u00e1) de 2017, Moreno disse que \u201co rock n\u00e3o est\u00e1 em crise. O que est\u00e1 em crise \u00e9 o que as pessoas acham o que \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 rock\u201d. S\u00e1bias palavras. Os Rolling Ruanas s\u00e3o definitivamente roqueiros, mas se sua leitura do g\u00eanero parou nos anos 1970 ou 1990, voc\u00ea certamente ter\u00e1 um choque ao ouvi-los. Basta dizer que eles tratam a carranga da mesma maneira que os argentinos Orquesta T\u00edpica Fern\u00e1ndez Fierro tratam o tango. Ah, voc\u00ea n\u00e3o conhece a Fern\u00e1ndez Fierro tamb\u00e9m? D\u00e1 um Google, queridx. Nunca foi t\u00e3o f\u00e1cil conhecer m\u00fasica nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E aproveita para fu\u00e7ar em toda a discografia dos Rolling Ruanas, claro (eles est\u00e3o com single novo, &#8220;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/15xLvUZmh6Lz6WvHh3h3PK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mario Miguel<\/a>&#8220;, dispon\u00edvel). Mas antes de come\u00e7ar a ouvir a banda ou ler essa entrevista, vale saber que a banda deu a cara a tapa nas manifesta\u00e7\u00f5es contra o governo colombiano. A banda tocou durante alguns protestos e manifestou seu apoio constantemente nas redes sociais. Mais do que \u201cengajamento\u201d, a banda assumiu a causa. E \u00e9 por isso que o papo \u2013 com Guillermo Gonz\u00e1lez e Fernando Cely \u2013 come\u00e7ou justamente por a\u00ed.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Los Rolling Ruanas - Ruanas On (Videoclip oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jwaNzvM2CZY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agrade\u00e7o por voc\u00eas terem disposi\u00e7\u00e3o de falar em meio a um momento t\u00e3o dif\u00edcil no pa\u00eds. E \u00e9 por esse assunto duro que vamos come\u00e7ar: voc\u00eas tocaram em algumas manifesta\u00e7\u00f5es, est\u00e3o apoiando-as fortemente nas redes sociais, est\u00e3o muito dedicados a isso. Como veem a situa\u00e7\u00e3o toda? Quais as expectativas e os sentimentos que voc\u00eas est\u00e3o vivendo?<\/strong><br \/>\nGuillermo: Posso falar da minha experi\u00eancia pessoal. Eu sou formado na universidade p\u00fablica, ent\u00e3o no meu processo de educa\u00e7\u00e3o na m\u00fasica tive a oportunidade de participar de v\u00e1rias marchas com estudantes. Mas era muito diferente do que est\u00e1 acontecendo hoje em dia. \u00c9 um momento t\u00e3o conjuntural: vemos crian\u00e7as, idosos&#8230; As marchas de que eu participava eram pelos direitos dos estudantes, quest\u00f5es que em dois dias se resolviam. Mas neste momento vemos que esta situa\u00e7\u00e3o das pessoas nas ruas est\u00e1 chamando aten\u00e7\u00e3o para muitas coisas, e o governo est\u00e1 lidando com isso da maneira mais errada poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando: Eu acho que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 delicada, porque digamos que eu tamb\u00e9m, depois de muitos anos vendo protestos, vejo agora uma inconformidade geral do povo colombiano com os dirigentes que t\u00eam cuidado do pa\u00eds ultimamente \u2013 e por ultimamente, eu me refiro aos \u00faltimos 200 anos (Guillermo ri). Mas digamos que o que torna mais grave toda a situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 que nunca hav\u00edamos visto policiais disparando nas pessoas \u00e0 queima-roupa nos protestos. Isso est\u00e1 deixando muita gente deprimida, a ponto de virar um problema de sa\u00fade mental. A gente sabe que a Col\u00f4mbia \u00e9 um pa\u00eds que est\u00e1 em guerra h\u00e1 muitos anos nas zonas rurais, mas nunca havia sido t\u00e3o presente nas cidades. Por isso n\u00e3o podemos deixar de falar sobre isso, de usar nossas redes para explicar de onde vem isso tudo e o que podemos fazer como sociedade, usando a m\u00fasica como uma ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o para as novas gera\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o quem pode fazer com que isso mude algum dia. S\u00e3o pensamentos ut\u00f3picos, mas por que n\u00e3o? Por que n\u00e3o sonhar com melhores decis\u00f5es para que todos em Col\u00f4mbia possam viver um pouco melhor? Especialmente os que sofreram mais, como os ind\u00edgenas e as melhorias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o vamos nos aprofundar no papel da m\u00fasica de voc\u00eas nesse momento. Voc\u00eas t\u00eam sido muito participantes, e isso os coloca vulner\u00e1veis, pode at\u00e9 ser arriscado. Por que \u00e9 t\u00e3o importante para voc\u00eas marcarem isso?<\/strong><br \/>\nGuillermo: Porque \u00e9 gra\u00e7as \u00e0s pessoas que Los Rolling Ruanas puderam chegar aonde est\u00e3o. Independente de cren\u00e7a religiosa ou posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, e de haver p\u00fablicos de diferentes lugares, queremos falar com os campesinos e representar a zona rural, levar sempre uma mensagem de amor, compreens\u00e3o e toler\u00e2ncia. Aqui na Col\u00f4mbia nunca nos ensinaram a falar desses temas t\u00e3o delicados e j\u00e1 entramos em aspectos mais complicados como a viol\u00eancia, os golpes, as armas e etc. Nunca pudemos debater sobre as diferen\u00e7as que temos em pol\u00edtica, e o que Los Rolling Ruanas querem \u00e9 convidar a isso. Por isso estamos convidando as pessoas para as marchas e n\u00f3s mesmos estamos participando quando podemos. Quando eu tinha 15 anos, um amigo do col\u00e9gio foi assassinado em uma marcha e s\u00f3 15 anos depois que o assunto teve uma solu\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o participar na primeira linha como violonista dos Rolling Ruanas \u00e9 importante para mim. E tamb\u00e9m porque \u00e9 uma chance de falar para outras pessoas, como estou fazendo agora, tendo a chance de falar para nossos irm\u00e3os brasileiros sobre o que acontece em nosso pa\u00eds h\u00e1 mais de 50 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando: Para complementar um pouco o que o Memo disse, tamb\u00e9m \u00e9 palavra de ordem nos Rolling Ruanas lembrar \u00e0s pessoas que um tomate, uma cebola, uma batata n\u00e3o crescem no supermercado, n\u00e9? Existe uma pessoa que as cultiva com suas pr\u00f3prias m\u00e3os para que todos n\u00f3s na cidade possamos comer, e isso \u00e9 algo que muitos de n\u00f3s nos esquecemos. Tamb\u00e9m se esqueceram do campon\u00eas, e a m\u00fasica dos Rolling Ruanas quer reivindicar o campon\u00eas e lembrar \u00e0s pessoas seu sangue ind\u00edgena tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse \u00e9 um papel que parecem assumir com naturalidade. Ainda que tr\u00eas de voc\u00eas sejam da capital (apenas Juan Mario \u00e9 do interior), n\u00e3o \u00e9 algo que voc\u00eas planejaram como estrat\u00e9gia. Essa identidade se formou naturalmente.<\/strong><br \/>\nGuillermo: Bem, isso tem a ver com de onde viemos. Meus av\u00f3s, bisav\u00f3s e meus pais eram todos camponeses, e por uma ou outra raz\u00e3o \u2013 que foi a viol\u00eancia que se instalou no pa\u00eds a partir de 1948 \u2013 aconteceu de muitas fam\u00edlias migrarem para a cidade (nota: Guillermo se refere ao per\u00edodo de quase 10 anos de conflito civil entre os apoiadores dos partidos Liberal e Conservador, que deixou mais de 175 mil mortos e for\u00e7ou mais de dois milh\u00f5es de colombianos a deixar o campo para viver em centros urbanos). N\u00e3o havia mais oportunidades no campo. E foi a\u00ed que vieram pessoas como eu, por exemplo, que sou da cidade grande, mas tenho toda a fam\u00edlia vindo do Departamento de Santander \u2013 uma parte do munic\u00edpio de V\u00e9lez e outra de Oliva. Ent\u00e3o \u00e9 bonito ver que n\u00f3s que estamos na cidade podemos mostrar \u00e0s pessoas daqui de onde v\u00eam a comida e at\u00e9 a \u00e1gua que temos aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No aspecto musical, o quanto a quest\u00e3o folcl\u00f3rica limita voc\u00eas? Na ideia de manter essa instrumenta\u00e7\u00e3o e resistir ao impulso de dizer: \u201cah, agora vou colocar um teclado aqui\u201d?<\/strong><br \/>\nFernando: Digamos que no come\u00e7o n\u00f3s olhamos e dissemos: \u201colha, por aqui tem algo interessante\u201d. Porque os instrumentos que usamos t\u00eam uma sonoridade muito particular, muito estranha. Pensamos como poder\u00edamos evoluir esses instrumentos sem que percam sua raiz sonora. Testamos pedais, distor\u00e7\u00f5es bem suaves, chorus, delay, coisas que n\u00e3o existiam na m\u00fasica camponesa. Ent\u00e3o trazemos um pouco desse rock, pensando em coisas que s\u00e3o comuns para algu\u00e9m que toca com uma guitarra el\u00e9trica, mas que n\u00e3o s\u00e3o para quem toca um requinto ou um tiple, que s\u00e3o os instrumentos que n\u00f3s usamos. Testamos pedais anal\u00f3gicos e vimos que n\u00e3o, n\u00e3o funcionava para esses instrumentos. Ent\u00e3o fizemos uma explora\u00e7\u00e3o muito exaustiva, muito profunda, de quais processos que podem exaltar os instrumentos que temos sem mudar nossa sonoridade. E mais que uma pris\u00e3o, isso funciona para levar os instrumentos at\u00e9 onde der. O f\u00e1cil seria tocar uma guitarra el\u00e9trica. Mas o legal do nosso som \u00e9 como fazemos para soar esses quatro instrumentos soarem gigantes. Em um festival todo mundo toca com baixo, bateria, e a\u00ed chegamos n\u00f3s com uma guacharaca pequenininha (risos) e temos que fazer soar enorme, como uma banda de rock. Por isso nosso engenheiro de som \u00e9 praticamente um quinto integrante da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guillermo: Eu sou baixista, mas faz mais ou menos uns tr\u00eas anos que toco esse instrumento que foi feito pelo maestro Orlando Pimentel, e \u00e9 uma esp\u00e9cie de viol\u00e3o de sete cordas, como o do Brasil, com um baixo mais grave. Ent\u00e3o eu trago essa experi\u00eancia de tocar como baixista para esse instrumento. \u00c9 como o Fer falou: explorar esses instrumentos vira uma quest\u00e3o pessoal! E assim, a cada dia surge uma nova m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No Rock al Parque, Juan Diego disse que \u201co rock n\u00e3o est\u00e1 em crise. O que est\u00e1 em crise \u00e9 o que as pessoas acham o que \u00e9 e que n\u00e3o \u00e9 rock\u201d. Concordam com isso? (risos)<\/strong><br \/>\nFernando: Totalmente! Esse show do Rock al Parque foi muito especial para n\u00f3s. Antes dele j\u00e1 v\u00ednhamos trabalhando muito, fazendo coisas, mas nesse dia, muita gente falava desse show: \u201cpor que convidaram Los Rolling Ruanas se eles n\u00e3o fazem rock?\u201d Mas sempre consideramos o rock mais um estilo de vida que um g\u00eanero que pode ser catalogado. Baixo, guitarra e bateria \u00e9 algo que qualquer banda pode ter, mas e a atitude? Pra mim, Hector Lavoe era a pessoa mais rock\u2019n\u2019roll do universo! E toda a banda dele: eram como uma banda de rock tocando salsa! E \u00e9 assim que pensamos: a carranga \u00e9 muito rock\u2019n\u2019roll! \u00c9 contestadora, \u00e9 do campo, nasceu como o rock e o bluegrass. S\u00e3o g\u00eaneros essencialmente anarquistas, libert\u00e1rios. E foi nesse dia, do festival, com a can\u00e7\u00e3o mais carranguera tinha gente fazendo pogo, enlouquecendo. Foi uma demonstra\u00e7\u00e3o muito grande do que pod\u00edamos fazer. E a hist\u00f3ria dos Rolling Ruanas se divide em antes e depois desse dia, com as palavras que disse Juan. Da\u00ed por diante as pessoas come\u00e7aram a pogar em nossos shows, j\u00e1 entenderam que podiam pogar, pular e brincar em nossos shows, n\u00e3o s\u00f3 dan\u00e7ar ou tomar cerveja como na carranga tradicional (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma outra quest\u00e3o: em um primeiro momento, as vers\u00f5es foram muito importantes para promover a banda. Por\u00e9m, me parece que agora elas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o importantes, principalmente porque voc\u00eas est\u00e3o estabelecidos como compositores.<\/strong><br \/>\nGuillermo: Realmente, temos um amor inato por covers de diferentes estilos musicais. <a href=\"https:\/\/losrollingruanas.bandcamp.com\/album\/la-casa-de-la-abuela\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Em dezembro fizemos o lan\u00e7amento de um disco de natal<\/a>, com uma can\u00e7\u00e3o que fizemos para nossas av\u00f3s e outras sete can\u00e7\u00f5es de Natal. Gostamos de fazer covers e os mantermos nos shows ao vivo. Mas queremos tamb\u00e9m continuar fazendo nossa m\u00fasica in\u00e9dita. E logo mais sai nosso pr\u00f3ximo disco de in\u00e9ditas, feita com o cora\u00e7\u00e3o no meio da pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para finalizar: a m\u00fasica de voc\u00eas t\u00eam essa forte caracter\u00edstica ac\u00fastica e um cuidado grande com o som. Apesar disso, as pessoas provavelmente v\u00e3o ouvi-la em dispositivos m\u00f3veis. Isso incomoda de alguma maneira?<\/strong><br \/>\nFernando: Nada! Acredito que esse \u00e9 o nosso trabalho! Se uma pessoa&#8230; N\u00f3s n\u00e3o podemos decidir como as pessoas escutam a m\u00fasica, e sinceramente n\u00e3o nos importa se temos que fazer v\u00eddeos no TikTok para que nossa mensagem chegue a mais pessoas. O que n\u00f3s realmente queremos \u00e9 que nossa mensagem da alma camponesa, da alma ind\u00edgena, chegue a muitas pessoas. Se algu\u00e9m vai escutar nosso disco em um celular, maravilhoso! Agora estou mixando o disco no est\u00fadio da minha casa e estou fazendo de maneira que soe melhor no celular. N\u00e3o h\u00e1 porque nos negarmos ao que est\u00e1 acontecendo. Preferimos ir, como dizem os gringos, go with the flow.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Los Rolling Ruanas - Toxicity (System Of a Down cover)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/g0BSEAQhYTs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Los Rolling Ruanas - Out Loud (Tigo Music Sessions 2017)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/C5mU6brsYZw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Los Rolling Ruanas - Paint It Black (Rolling Stones Cover)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/COHY3prYFzY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"2015, Bogot\u00e1. 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