{"id":60979,"date":"2021-05-19T17:53:34","date_gmt":"2021-05-19T20:53:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=60979"},"modified":"2023-12-11T12:38:16","modified_gmt":"2023-12-11T15:38:16","slug":"entrevista-steven-mcdonald-redd-kross-melvins-off","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/19\/entrevista-steven-mcdonald-redd-kross-melvins-off\/","title":{"rendered":"Entrevista: Steven McDonald (Redd Kross, Melvins, OFF!)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma trajet\u00f3ria iniciada h\u00e1 mais de 40 anos, o <a href=\"https:\/\/reddkross.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Redd Kross<\/a> talvez seja uma das bandas mais subestimadas e dif\u00edceis de definir da hist\u00f3ria do rock. Criado no final dos anos 1970, quando os irm\u00e3os Steven (baixo\/voz) e Jeff McDonald (guitarra\/voz) tinham apenas 12 e 16 anos de idade, respectivamente, o grupo \u00e9 dono de uma discografia bastante rica e variada, j\u00e1 tendo sido colocada em diversos g\u00eaneros e \u201ccenas\u201d nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de uma dezena de discos, entre fulls e EPs (o mais recente, &#8220;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/5MJaYnl9U8qqiPAtCmgPFd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Beyond the Door<\/a>&#8220;, saiu em 2019), o Redd Kross mostra uma infinidade de vers\u00f5es da mesma banda, que pode ir do punk ao rock psicod\u00e9lico, passando pelo rock alternativo e outros subg\u00eaneros. Um ponto sempre presente na carreira da banda, al\u00e9m da presen\u00e7a dos irm\u00e3os McDonald, \u00e9 a influ\u00eancia latente da m\u00fasica feita nos anos 1960 e 1970 \u2013 que \u00e9 celebrada no disco de covers \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/55mTx1W6SJiwI4SvIWAXcl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Teen Babes From Monsanto<\/a>\u201d (1984), com vers\u00f5es inspiradas de m\u00fasicas do Kiss, David Bowie, Rolling Stones, The Shangri-las e Stooges, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, o gente fin\u00edssima Steven McDonald, cujo curr\u00edculo tamb\u00e9m inclui bandas como Melvins e OFF! (e White Stripes&#8230; mais ou menos, j\u00e1 que Steven, na brincadeira, colocou baixo em todas as can\u00e7\u00f5es do disco &#8220;White Blood Cells&#8221; em 2002 e a vers\u00e3o &#8220;<a href=\"http:\/\/www.reddkross.com\/features\/RBC\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Redd Blood Cells<\/a>&#8221; &#8211; aprovada por Jack White &#8211; teve mais de 60 mil downloads oficiais), fala sobre o legado e o futuro do Redd Kross, lembra o conv\u00edvio com Raymond Pettibon quando ainda era um adolescente, como foi ter um disco produzido pelo \u00eddolo Tommy Ramone, como conheceu (e tocou com) Os Mutantes e lamenta pela turn\u00ea brasileira com os Ramones que nunca aconteceu. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Redd Kross - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WwgW73jxBMs?list=PL18C4CF7B8F182D46\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como tem sido esse \u00faltimo ano para voc\u00ea com a pandemia e tudo mais? Antes disso, voc\u00ea estava fazendo muitas turn\u00eas, certo?<\/strong><br \/>\nSim, estava fazendo muitas turn\u00eas. Esse foi um ano decepcionante para o Redd Kross em especial porque t\u00ednhamos muitas coisas planejadas para 2020. Mas, no fim das contas, est\u00e1 tudo bem. N\u00e3o era nada que n\u00e3o pudesse esperar. Era algo que est\u00e1vamos planejando h\u00e1 algum tempo. O Redd Kross lan\u00e7ou um disco novo em 2019 e fizemos uma turn\u00ea abrindo para o Melvins, em que eu tamb\u00e9m toco, e isso foi muito divertido. Em 2020, far\u00edamos muitos shows como headliners, ir\u00edamos para a Europa como headliners pela primeira vez desde os anos 1990, e far\u00edamos uma grande turn\u00ea nos EUA. Tamb\u00e9m est\u00e1vamos abertos a outros pa\u00edses que tivessem interesse em nossos shows. Essa seria a primeira vez que o Redd Kross seria a minha banda principal para shows desde 1997. N\u00f3s sempre fizemos turn\u00eas, \u00e9 que sempre foram tipo duas semanas aqui, uma semana ali. Dessa vez, seria algo maior. E n\u00f3s tamb\u00e9m ir\u00edamos&#8230; n\u00f3s lan\u00e7amos \u201cBeyond the Door\u201d em 2019, <a href=\"https:\/\/www.mergerecords.com\/news\/3877\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">soltamos tr\u00eas reedi\u00e7\u00f5es em 2020<\/a>. E tinha muitas coisas planejadas, est\u00e3o fazendo um document\u00e1rio sobre a gente. Est\u00e1vamos planejando um show especial de reuni\u00e3o de 40 anos, com todos os integrantes que eu pudesse entrar em contato em Los Angeles \u2013 ent\u00e3o tamb\u00e9m tinha esse show planejado. A ideia seria fazer tipo um final divertido para esse document\u00e1rio que est\u00e3o produzindo. E tudo isso precisou ser cancelado, o que foi decepcionante. Mas de qualquer forma, tudo bem, todo mundo est\u00e1 bem de sa\u00fade. N\u00f3s podemos fazer isso quando todos&#8230; quer dizer, n\u00e3o sei sobre o show de 40 anos em Los Angeles, se ele ainda acontecer\u00e1. O document\u00e1rio ainda est\u00e1 de p\u00e9, est\u00e3o tentando finaliz\u00e1-lo agora. S\u00f3 n\u00e3o ter\u00e3o aquele final legal que tentei dar para eles, mas tudo bem, \u00e9 o filme deles. Se eles n\u00e3o quiserem esperar, tudo bem (risos). Se quiserem terminar o filme e disponibiliz\u00e1-lo para as pessoas, \u00e9 uma decis\u00e3o deles. Mas&#8230; \u00e9 um pouco frustrante, mas n\u00e3o \u00e9 o fim do mundo, nem de longe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea tem mantido contato com o seu irm\u00e3o? Voc\u00eas moram perto um do outro?<\/strong><br \/>\nSim, n\u00f3s vivemos a cerca de 5 minutos um do outro de carro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea disse, o Redd Kross j\u00e1 tem uma hist\u00f3ria de cerca de 40 anos. Quando voc\u00ea e seu irm\u00e3o come\u00e7aram a banda, voc\u00eas eram muito novos, voc\u00ea tinha cerca de 12 anos de idade. Na \u00e9poca, voc\u00eas imaginavam que ficariam tocando juntos por tanto tempo?<\/strong><br \/>\nAcho que nunca imaginei algo por tanto tempo assim (risos). Nunca pensei nisso realmente. Mas agora que estamos aqui, sou grato. E tenho orgulho de dizer que ainda posso fazer isso com o meu irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea v\u00ea o legado da banda? Qual o significado dela na sua vida?<\/strong><br \/>\nO significado na minha vida&#8230; Acho que \u00e9 o momento em que posso meio que ser um \u201cco-l\u00edder\u201d em uma banda, tem muito a ver com a minha hist\u00f3ria. Ent\u00e3o todas essas coisas tornam a banda especial, mas tamb\u00e9m adoro todas as outras coisas que fa\u00e7o. Realmente amo estar em bandas, independente de a banda ser a minha cria\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o. H\u00e1 mais responsabilidade com o Redd Kross, ent\u00e3o pode encher um pouco o saco \u00e0s vezes (risos). \u00c9 mais dif\u00edcil de algumas maneiras, mas de algumas maneiras as recompensas emocionais podem ser maiores. O ponto principal, a grande diferen\u00e7a \u00e9 que eu estou com o meu irm\u00e3o, e essa \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o \u00fanica. Quando \u00e9ramos mais jovens, n\u00f3s \u00e9ramos tipo irm\u00e3os brigando, como todas as duplas\/equipes famosas de irm\u00e3os. N\u00f3s \u00e9ramos como uma vers\u00e3o punk ou indie do The Kinks. Todas as hist\u00f3rias s\u00e3o reais, n\u00f3s entr\u00e1vamos em brigas, \u00e0s vezes no palco. Provavelmente era muito irritante fazer parte da nossa banda, porque eu e o Jeff discut\u00edamos o tempo todo nos ensaios. Mas \u00e0 medida que voc\u00ea fica mais velho e acontecem coisas diferentes na sua vida, como ter filhos ou uma outra carreira, ent\u00e3o voc\u00ea coloca tudo em perspectiva. E coisas que pareciam realmente importantes quando voc\u00ea tinha 19 anos, n\u00e3o s\u00e3o mais importantes (risos). Elas n\u00e3o incomodam mais. E voc\u00ea pode at\u00e9 mesmo passar a apreciar ou amar algu\u00e9m pelas suas peculiaridades, em vez de coisas que pareciam frustrantes quando voc\u00ea era jovem. Ent\u00e3o \u00e9 isso o que a banda realmente representa para mim: apenas muita gratid\u00e3o. Porque \u00e9 raro ter algu\u00e9m na vida que pode completar suas frases \u2013 e voc\u00ea completar as frases dessa pessoa. E n\u00e3o de uma maneira irritante, mas de um modo muito reconfortante, especialmente quando voc\u00ea est\u00e1 em um ambiente criativo, em que voc\u00ea est\u00e1 sempre tentando ler a mente da outra pessoa, estar na mesma p\u00e1gina. H\u00e1 determinadas coisas com o seu irm\u00e3o que s\u00e3o apenas dadas, voc\u00ea apenas entende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acha que o fato de voc\u00ea ter come\u00e7ado t\u00e3o novo na m\u00fasica o ajudou a conhecer mais sobre a ind\u00fastria e apreciar essas coisas \u00e0 medida que envelheceu?<\/strong><br \/>\nClaro. Eu era muito novo e meu irm\u00e3o \u00e9 quase quatro anos mais velho do que eu. E al\u00e9m de ser mais velho, o Jeff basicamente tem o gosto musical de algu\u00e9m com 5 a 10 anos a mais do que ele \u2013 ou seja, entre uma e duas gera\u00e7\u00f5es a mais, em termos de rock. Ent\u00e3o a minha experi\u00eancia \u00e9 que eu basicamente me identificava com pessoas com 15 anos a mais do que eu (risos). Por exemplo, tenho 53 anos atualmente, mas de muitas maneiras \u00e9 mais como se tivesse 65 (risos). Acho que h\u00e1 pr\u00f3s e contras sobre isso. De algumas maneiras, \u00e9 incr\u00edvel que eu tenha crescido com discos como&#8230; me lembro de o Jeff trazer para casa o \u201cHunky Dory\u201d (1971), do David Bowie, quando tinha provavelmente um ano do seu lan\u00e7amento \u2013 e eu s\u00f3 tinha quatro anos de idade (risos). Ouvir \u201cLife on Mars\u201d e ser levado pela m\u00fasica para essa terra dos sonhos imagin\u00e1ria foi algo incr\u00edvel. Tive um presente incr\u00edvel, uma riqueza, que foi poder conhecer alguns dos momentos mais incr\u00edveis do rock enquanto eles aconteciam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas acho que sempre h\u00e1 um ponto negativo. Talvez de algumas maneiras eu tenha experimentado muitas coisas muito cedo \u2013 tipo o segundo disco do New York Dolls, \u201cToo Much Too Soon\u201d (1974) \u2013 (risos). Ali\u00e1s, esse foi outro disco que o Jeff levou para casa, quando tinha acabado de ser lan\u00e7ado e eu tinha apenas 6 ou 7 anos de idade. E \u201cChatterbox\u201d (uma das m\u00fasicas do disco do Dolls) fez parte da minha tanto quanto o que tocava na r\u00e1dio na \u00e9poca \u2013 e que n\u00e3o era \u201cChatterbox\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando penso em ter tocado em espa\u00e7os de shows punks quando tinha 12 anos de idade, isso \u00e9 incr\u00edvel, muito legal. Mas tamb\u00e9m tinha o lado negativo de estar em uma banda competitiva e ter outras bandas fazendo coisas p\u00e9ssimas, como roubar a sua m\u00fasica ou algo assim (risos). E sentir aquele cinismo tamb\u00e9m muito cedo. Passar por essas experi\u00eancias com t\u00e3o pouca idade pode ter cobrado algum tipo de pre\u00e7o. Mas nada muito grande, obviamente, eu ainda estou aqui. N\u00e3o sei, acho que o que estou tentando dizer \u00e9 que de algumas maneiras n\u00e3o tive uma cria\u00e7\u00e3o muito normal (risos). Mas n\u00e3o no sentido dos meus pais, os meus pais eram pessoas comuns, trabalhadoras. Pais carinhosos e am\u00e1veis e sou muito grato a eles. Mas o meu grupo de pares, pessoas da minha idade, n\u00e3o me identificava muito bem com elas (risos). E talvez essa parte tenha sido mais inst\u00e1vel, um pouco mais estranha. Mas tudo bem, estou aqui agora. Vivi para contar a hist\u00f3ria, e isso \u00e9 incr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percebi algo no Instagram outro dia, algu\u00e9m postou uma linda foto do Raymond Pettibon de quando ele tinha uns 20 e poucos anos de idade. E ele est\u00e1 rodeado pelos seus desenhos, que est\u00e3o espalhados ao lado dele. \u00c9 apenas uma foto incr\u00edvel e bonita, ele era muito bonito e um grande artista. E isso me lembrou de quando eu tinha 12 anos de idade e costumava ir \u00e0 The Church (Nota: Antiga igreja em Hermosa Beach em que o Black Flag e outras bandas ensaiavam no in\u00edcio dos anos 1980). E o que pensei sobre essa \u00e9poca \u00e9 que essas pessoas, esses pesos pesados, eram meio que intelectuais. E eu n\u00e3o era (risos). N\u00e3o fui criado por intelectuais. Eu n\u00e3o entendia realmente sobre o que era a arte do Raymond na \u00e9poca, quando era jovem. Mas o que me lembro \u00e9 que ele sempre foi muito legal comigo, nunca me tratou como uma crian\u00e7a idiota. E pensei em como isso era legal, de ele ser assim, de sempre ter sido muito respeitoso e sempre falar comigo como se eu fosse um par, um amigo, mesmo eu sendo apenas uma crian\u00e7a de 12 anos (risos). Isso \u00e9 apenas algo muito \u00fanico. Quer dizer, esse era um artista importante, que provavelmente vai ter um legado que vai viver por anos. E o fato de eu ter interagido com uma subcultura interessante quando era t\u00e3o jovem \u00e9 algo realmente \u00fanico e sou grato por esse tipo de coisa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-60989\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/reddkross2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"291\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/reddkross2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/reddkross2-300x116.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m da proximidade com o Black Flag, uma vez que voc\u00eas tocaram juntos diversas vezes e alguns integrantes fizeram parte das duas bandas, queria saber sobre a import\u00e2ncia da cena punk de Los Angeles para voc\u00eas. Voc\u00eas eram pr\u00f3ximos de alguma forma do pessoal do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/14\/entrevista-john-doe-e-o-novo-disco-do-x\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">X<\/a>, The Germs ou The Runaways? Vi alguns v\u00eddeos dos anos 1980 de voc\u00eas tocando com a Cherie Curie (The Runaways) e sei que tamb\u00e9m j\u00e1 tocaram com o Pat Smear (Germs, Nirvana, Foo Fighters). Existia uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com algumas dessas bandas?<\/strong><br \/>\nBom, essa gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos de Los Angeles eram como deuses para mim. Quando o Jeff tinha 13 anos de idade, com o seu gosto musical precoce, ele descobriu a cena punk de LA, por meio do DJ Rodney Bingenheimer. Quer dizer, antes ele descobriu o punk. O Jeff come\u00e7ou a trazer para casa os discos da Patti Smith, e isso aconteceu n\u00e3o muito depois de ele trazer os discos do New York Dolls. E ent\u00e3o logo em seguida descobrimos os Ramones \u2013 e os Sex Pistols tamb\u00e9m, \u00e9 claro. E pouco depois disso ficamos sabendo de um DJ de Los Angeles chamado Rodney Bingenheimer, que \u00e9 bastante conhecido hoje em dia. E foi realmente incr\u00edvel ficar sabendo que existia toda essa cena aqui no nosso quintal. Los Angeles \u00e9 uma cidade muito espalhada e n\u00f3s viv\u00edamos no sub\u00farbio, crescemos em uma cidade chamada Hawthorne, que fica perto do aeroporto. Ent\u00e3o est\u00e1vamos a cerca de 25 quil\u00f4metros de Hollywood e o sistema de \u00f4nibus n\u00e3o era muito bom na \u00e9poca \u2013 e n\u00e3o tinha realmente muitas maneiras de chegar \u00e0 Hollywood. Ent\u00e3o realmente parecia que era algo a 1 milh\u00e3o de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Mas, de qualquer forma, o Rodney estava tocando todas as bandas de LA e foi assim que ficamos sabendo do X, Weirdos, Germs. E o Runaways tinha vindo antes dessas bandas, e n\u00f3s conhec\u00edamos a banda, foi uma inspira\u00e7\u00e3o para n\u00f3s. Porque, apesar de sermos mais novos do que elas na \u00e9poca, elas eram adolescentes e faziam um som que era t\u00e3o bom e t\u00e3o pesado quanto o Kiss ou algo assim. E elas eram essas garotas incr\u00edveis e intimidadoras, elas eram meio como a irm\u00e3 mais velha de um amigo de quem voc\u00ea tem medo. E elas usavam umas SGs, nos fazendo lembrar do Tony Iommi. E na contracapa do primeiro disco voc\u00ea tem as idades delas (risos). A Lita Ford tinha 17, a Joan Jett tinha 16 \u2013 e eu tinha uns 9 e o Jeff tinha 13. E foi algo realmente incr\u00edvel. Com as Runaways e os Ramones foi a primeira vez em que n\u00f3s meio que pensamos \u201cUau, talvez a gente tamb\u00e9m possa fazer isso\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ent\u00e3o quando ficamos sabendo da cena punk de LA, n\u00f3s convencemos nossos pais a nos levarem ao Whisky a Go Go. E o Whisky ainda era um pouco como era nos anos 1960, isso foi no final dos anos 1970, em 1978. Nesta \u00e9poca, uma banda fazia dois shows na mesma noite, um mais cedo (\u201cearly show\u201d) e outro mais tarde (\u201clate show\u201d). E o Whisky era um lugar sem limite m\u00ednimo de idade para entrar, por isso conseguimos convencer os nossos pais a nos levarem at\u00e9 l\u00e1 para assistirmos ao show mais cedo. Eles eram t\u00e3o legais e nos apoiavam tanto que ficavam esperando sentados no carro, no estacionamento do posto de gasolina do outro lado da rua, enquanto n\u00f3s assist\u00edamos a esse show mais cedo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso \u00e9 incr\u00edvel (risos)!<\/strong><br \/>\nEu sei (risos)! \u00c9 incr\u00edvel que eles faziam isso! E \u00e9 claro que toda vez eu e o Jeff tent\u00e1vamos ir mais longe ainda, implorando para eles \u201cPor favor, nos deixem ficar para o show mais tarde\u201d (risos). E eles falavam \u201cSem chance! J\u00e1 s\u00e3o 22h30, entrem no carro que n\u00f3s j\u00e1 estamos saindo!\u201d (risos). Mas a primeira vez que fizemos isso foi quando assistimos aos Avengers, de San Francisco, no Whisky, em 1978 \u2013 e o X abriu o show. Essa foi a primeira vez ouvimos falar no X e ficamos sabendo que eles tinham um single lan\u00e7ado por uma gravadora local chamada Dangerhouse. De qualquer forma, esse foi o in\u00edcio de tudo. N\u00f3s conhecemos tamb\u00e9m punks locais, que eram meio que estudantes de arte que tinham vindo da cena do glitter rock. Eles eram mais velhos do que a gente e achavam que era demais que esses garotos do sub\u00farbio tinham convencido seus pais a levarem eles para o Whisky &#8211; isso com as poucas pessoas que conhecemos. Porque n\u00f3s ficamos intimidados, est\u00e1vamos receosos que fossem nos segurar e cortar nosso cabelo, porque n\u00f3s ainda t\u00ednhamos o cabelo meio comprido. Ach\u00e1vamos que eles iam reconhecer que n\u00f3s n\u00e3o \u00e9ramos punks verdadeiros, que \u00e9ramos posers, hippies ou algo assim. Mas n\u00e3o foi nada desse tipo. De qualquer forma, pouco tempo depois pegamos guitarras e come\u00e7amos a escrever m\u00fasicas, descobrimos que pod\u00edamos compor as nossas pr\u00f3prias m\u00fasicas e tudo mais. Isso tudo aconteceu entre 1978 e 1979. O ano passado, 2020, marcou os 40 anos do lan\u00e7amento do nosso primeiro EP, mas j\u00e1 \u00e9ramos uma banda ao vivo um ano antes disso. Ent\u00e3o realmente come\u00e7amos a tocar bastante em 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea j\u00e1 disse, voc\u00ea tem tocado com o Melvins h\u00e1 algum tempo e o Dale Crover j\u00e1 tocou com o Redd Kross. Por isso, queria saber como isso aconteceu. Voc\u00eas j\u00e1 se conheciam desde os anos 1980 quando eles eram uma banda de Seattle? Ou passaram a se falar quando eles foram para a Calif\u00f3rnia?<\/strong><br \/>\nBom, eles mudaram para Los Angeles h\u00e1 bastante tempo. O Buzz (Osborne, guitarrista\/vocalista do Melvins) est\u00e1 aqui em LA desde 1993. N\u00f3s t\u00ednhamos um amigo em comum, um cara chamado Bill Bartell, que j\u00e1 faleceu. Ele usava o codinome Pat Fear nas suas bandas, que n\u00e3o deve ser confundido com o Pat Smear. E a sua banda era chamada White Flag, que n\u00e3o deve ser confundida com o Black Flag. O Bill era realmente um personagem. Ele tamb\u00e9m \u00e9 conhecido por ter apresentado o Kurt Cobain \u00e0 banda brasileira chamada Os Mutantes. Na verdade, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tqPW2xgeHMk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">h\u00e1 um v\u00eddeo \u00f3timo do Kurt falando sobre o Bill quando ele estava no Brasil<\/a>. Porque acho que o Kurt estava falando sobre Os Mutantes na primeira vez em que foi ao Brasil e ent\u00e3o perguntam sobre como ele conhecia a banda (nota: Essa fala aconteceu em uma entrevista de Kurt para a MTV Brasil em 1993, quando o Nirvana veio ao pa\u00eds para tocar no Hollywood Rock). E a\u00ed o Kurt fala \u201cAh, foi o meu amigo Bill Bartell, ele tem um bigode e \u00e9 amigo dos caras do Redd Kross\u201d (risos). E todas essas coisas s\u00e3o verdadeiras. E o Bill era realmente um cara estranho, ele tinha um bigode, ele era obcecado com policiais. Ele era obcecado com coisas como Os Mutantes e o Village People, ao mesmo tempo. E ele criou uma banda que era uma par\u00f3dia do Black Flag, que se chamava White Flag. Ele tamb\u00e9m fez parte de uma banda que eu tive com o Pat Smear depois, chamada Tater Totz, que nunca teria existido sem o Bill. Mas, de qualquer maneira, o Bill era amigo dos caras do Nirvana e depois tamb\u00e9m ficou amigo do pessoal do Melvins. Me lembro que o Melvins veio no in\u00edcio dos anos 1990, lembro que eles fizeram uma jam com a Yoko Ono no Roxy uma noite, quando ela estava em turn\u00ea com o seu filho, o Sean Lennon, em uma banda chamada IMA. E foi realmente demais, soava como a Plastic Ono Band. E acho que eles (Buzz e Dale) tocaram \u201cDon\u00b4t Worry Kyoko\u201d com ela, n\u00e3o me lembro direito qual m\u00fasica foi. E acho que essa foi a primeira vez que os conheci.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ent\u00e3o sei l\u00e1, nos tornamos amigos, mas n\u00e3o mantive contato pr\u00f3ximo com eles. Mas ent\u00e3o avan\u00e7amos para 2014: o OFF! ia sair em turn\u00ea e o nosso baterista, Mario Rubalcaba (Earthless), n\u00e3o iria poder fazer esses shows porque j\u00e1 tinha compromissos com as suas outras bandas. Ent\u00e3o o Dale estava livre e se ofereceu para cobrir o Mario. Foi uma turn\u00ea de cerca de tr\u00eas semanas e isso colocou eu e o Dale em contato de novo. E eles (Melvins) estavam procurando por um baixista de novo \u2013 eles j\u00e1 tiveram muitos (risos) \u2013 e uma coisa levou \u00e0 outra e agora j\u00e1 faz cinco anos e tem sido muito divertido. E o Dale tamb\u00e9m come\u00e7ou a tocar com o Redd Kross, o que tamb\u00e9m tem sido muito divertido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Melvins with new bass player Steve McDonald at practice\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-bnSN5PgvZc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Melvins com Steven McDonald<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, voc\u00ea falou de Os Mutantes h\u00e1 pouco. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1994\/3\/25\/ilustrada\/22.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Li uma entrevista sua de 1994 para um jornal brasileiro<\/a>, quando o Redd Kross estava prestes a fazer uma turn\u00ea com os Ramones e o Stone Temple Pilots no pa\u00eds que acabou cancelada (nota: Apenas os Ramones se apresentaram no pa\u00eds), e voc\u00ea falou que curtia muito a banda (Mutantes). Al\u00e9m disso, voc\u00ea gravou um cover de \u201cBat Macumba\u201d em um projeto com o seu irm\u00e3o, chamado Tator Totz, que mencionou agora pouco. Por isso, queria saber quando voc\u00ea conheceu a banda pela primeira vez e tamb\u00e9m, por saber que voc\u00ea \u00e9 um grande f\u00e3 dos Beatles, se chegou a fazer alguma rela\u00e7\u00e3o dos Mutantes com os Beatles, porque j\u00e1 vi muita gente falar isso.<\/strong><br \/>\n(Quando os conheci) N\u00e3o sabia nada sobre m\u00fasica brasileira, n\u00e3o sabia sobre a Tropic\u00e1lia. N\u00e3o sabia sobre a incr\u00edvel hist\u00f3ria de m\u00fasica psicod\u00e9lica e \u00fanica feita por a\u00ed, sobre a riqueza da m\u00fasica brasileira nos anos 1960 e 1970. Ent\u00e3o na \u00e9poca foi realmente uma surpresa. E, mais uma vez, entra em cena o meu amigo Bill Bartell, o mesmo mencionado pelo Kurt Cobain. A irm\u00e3 mais velha dele (do Bill) era uma estudante de interc\u00e2mbio, em que voc\u00ea vai viver com uma fam\u00edlia em algum lugar, e talvez o filho dessa fam\u00edlia pode ir morar com a sua fam\u00edlia &#8211; durante o \u00faltimo ano do ensino m\u00e9dio ou talvez no primeiro ano da faculdade. E a irm\u00e3 dele foi para o Brasil nos anos 1960 fazer isso. Quando ela voltou para casa, trouxe algumas coisas do Brasil para o seu irm\u00e3o mais novo, incluindo o primeiro disco dos Mutantes (risos). Ent\u00e3o o Bill cresceu com esse disco ao lado dos Beatles, ent\u00e3o ele escutava o \u201cMagical Mistery Tour\u201d (1967) e o primeiro disco dos Mutantes. Ele n\u00e3o sabia a diferen\u00e7a, ele tinha 9 anos ou algo assim. Ele apenas presumia que todo mundo conhecia e escutava esses discos, j\u00e1 que cresceu com eles. Talvez ela (irm\u00e3 do Bill) tenha voltado para os EUA com os dois primeiros discos dos Mutantes, n\u00e3o sei. Ent\u00e3o ele nos apresentou esses discos no final dos 1980, e n\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos nada sobre essa cena. Isso foi muito antes da Internet, era muito dif\u00edcil saber muita coisa sobre eles, como se esses eles ainda estavam tocando, o que eles fizeram depois dos Mutantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o Bill era muito persistente. Ele conseguiu conhec\u00ea-los e entrou em contato com o Arnaldo (Baptista). Quando eles come\u00e7aram a fazer shows pelo mundo, nos anos 1990, Bill teve um papel importante em ajud\u00e1-los a fazer isso (nota: Na verdade, a banda retomou os shows em 2006, n\u00e3o nos anos 1990). E quando o Bill faleceu, acho que h\u00e1 cerca de cinco anos (Nota: O m\u00fasico morreu em 2013), teve um grande show memorial para ele em Los Angeles em que eu e o Jeff pudemos tocar com o Arnaldo, n\u00f3s tocamos \u201cBat Macumba\u201d em uma homenagem carinhosa ao Bill (Nota: Na verdade, o Redd Kross se apresentou com Sergio Dias neste show). Foi incr\u00edvel e muito divertido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/clark-quente\/tater-totz-bat-macumba\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s fizemos um cover dessa m\u00fasica<\/a> (\u201cBat Macumba\u201d) no primeiro disco do Tater Totz, mas acho que ele (Bill) colocou a m\u00fasica original na vers\u00e3o em CD do disco como uma faixa b\u00f4nus escondida, achando que nunca os conhecer\u00edamos ou saber\u00edamos mais sobre eles (risos). Ele era apenas realmente obcecado por eles (Os Mutantes). Ele apenas queria fazer as pessoas gostarem do som dos Mutantes. Ele fez o mesmo com aquela banda japonesa de rock formada s\u00f3 por mulheres chamada Shonen Knife. Muito do fato de as pessoas terem podido conhecer o Shonen Knife tem a ver com a obsess\u00e3o do Bill. O Bill era apenas esse tipo de pessoa que tinha muita energia e ele n\u00e3o&#8230; Talvez hoje em dia ele fosse diagnosticado com algum grau de autismo, ele n\u00e3o tinha muito traquejo social. Se as pessoas ficavam irritadas com ele, a maioria das pessoas se afastaria, mas o Bill n\u00e3o tinha esse tipo de senso. Ent\u00e3o ele era implac\u00e1vel, o que em alguns momentos poderia ser algo como \u201cAh, meu deus, o Bill est\u00e1 me deixando louco\u201d. Mas, ao mesmo tempo, ele fazia essas coisas acontecerem, ele fazia acontecer. Quando menos esperava, voc\u00ea estava em um disco com a Cherie Curie (The Runaways) tocando \u201cInstant Karma\u201d (risos). Ou o Jimmy McNichol, \u00eddolo adolescente dos anos 1970, est\u00e1 tocando \u201cDon\u00b4t Worry Kyoko\u201d ao vivo com voc\u00ea em um show no Beatlefest, desanimando todo o p\u00fablico do festival (risos). Isso foi insano. Mas enfim, todo o cr\u00e9dito vai para o Bill.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu amava esses discos (dos Mutantes), achava que eles me lembravam os Beatles. E outra coisa que realmente ouvi neles foi The Mamas and the Papas, que foi uma grande influ\u00eancia para mim e para o Jeff no in\u00edcio dos anos 1980, quando come\u00e7amos a descobrir m\u00fasicas de Los Angeles dos anos 1960. E sei que eles (Mamas and the Papas) tamb\u00e9m foram uma grande influ\u00eancia para Os Mutantes, eles fizeram um cover deles, n\u00e3o me lembro o nome da m\u00fasica (Nota: Nesse momento, Steven come\u00e7a a cantarolar a melodia da m\u00fasica \u201cOnce Was a Time I Thought\u201d, que foi gravada como \u201cTempo no Tempo\u201d pela banda brasileira em seu primeiro disco). Mas \u00e9 apenas incr\u00edvel descobrir algo completamente&#8230; eles pareciam muito ex\u00f3ticos para n\u00f3s, sabe? Muito legal.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sergio Dias of Os Mutantes with Redd Kross\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jBh_Y3ZpFcA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Sergio Dias com o Redd Kross ao vivo em 2013<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como mencionei na \u00faltima pergunta, o Redd Kross estava programado para fazer uma turn\u00ea no Brasil em 1994 com os Ramones e o Stone Temple Pilots, e apenas os Ramones acabaram tocando por aqui. Por isso, queria saber se voc\u00eas chegaram a ser convidados depois disso para voltar ao Brasil?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, foi muito triste (o cancelamento). E os Ramones acabaram fazendo essa turn\u00ea? Porque lembro que eles cancelaram na \u00e9poca, ent\u00e3o devem ter remarcado depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, os Ramones acabaram vindo duas vezes naquele ano \u2013fizeram tamb\u00e9m uma tour com o Sepultura por aqui meses depois desses shows.<\/strong><br \/>\nAh sim, porque me lembro que ia ser algo insano, eu estava muito animado. Era como uma fantasia. E n\u00f3s est\u00e1vamos fazendo entrevistas e tudo mais (risos). Mas acabamos n\u00e3o tendo a chance de ir depois, n\u00e3o surgiu outra oportunidade. E ent\u00e3o em 1998 a banda meio que parou de tocar, entramos em um hiato por quase 10 anos. Era por isso que estava esperando que em 2020 n\u00f3s pud\u00e9ssemos ir para os mais diferentes lugares, tipo onde as pessoas tivessem interesse. Se o Jap\u00e3o tivesse interesse, n\u00f3s ir\u00edamos tentar ir para l\u00e1 \u2013 a mesma coisa com o Brasil. Eu sei que a \u201cJimmy&#8217;s Fantasy\u201d (Nota: M\u00fasica de abertura de \u201cPhaseshifter, de 1993, provavelmente o disco mais conhecido do Redd Kross) foi tocada na TV a\u00ed por umas duas semanas ou algo assim (Nota: Provavelmente aqui Steven se refere ao clipe de \u201cJimmy\u2019s Fantasy\u201d, estrelado pelo ator Jason Lee, e \u00e0 MTV Brasil). O que acho que deve ter levado a essa poss\u00edvel turn\u00ea com os Ramones, mas ent\u00e3o tudo isso acabou caindo. Mas acho que por alguns minutos parecia que ir\u00edamos ter um grande empurr\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Redd Kross - &quot;Jimmy&#039;s Fantasy&quot; courtesy of Rocky Schenck\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_7ad4VQvBEQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando em Ramones, o Tommy Ramone produziu um dos discos mais legais do Redd Kross, o \u201cNeurotica\u201d (1987). Como foi trabalhar com ele? E voc\u00eas j\u00e1 tinham encontrado com ele antes de trabalharem juntos?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o o conhec\u00edamos. Mas ele tinha feito <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/28\/para-entender-the-replacements\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um disco dos The Replacements <\/a>naquela \u00e9poca e essa foi a primeira vez que tivemos um pouco mais de or\u00e7amento. Nos disseram que precis\u00e1vamos encontrar um produtor e \u00e9 claro que ficamos horrorizados com a ideia de deixar algu\u00e9m entrar em nosso santu\u00e1rio criativo, nosso pequeno mundo particular. Mas quando soubemos sobre a possibilidade de ele poder ser essa pessoa, algu\u00e9m que ajudou a criar o Ramones, ent\u00e3o ficamos muito abertos a isso. Foi algo excitante, uma honra e ele foi um cara muito gentil. Foi principalmente&#8230; hmm, como foi? N\u00f3s provavelmente fizemos um monte de perguntas. Tamb\u00e9m foi a primeira vez em que vi uma pessoa mais velha, talvez 10, 15 anos mais velha, ficar totalmente confusa e perplexa com a obsess\u00e3o de uma pessoa mais jovem por uma coisa que ele achava que n\u00e3o era importante (risos). Ou talvez algo que ele achava que j\u00e1 era passado, que j\u00e1 tinha ficado para tr\u00e1s. Desde ent\u00e3o, fiquei do outro lado disso em alguns momentos e foi interessante. N\u00e3o sei, me lembro de perguntar para ele sobre um show dos Rolling Stones&#8230; N\u00f3s costum\u00e1vamos assistir muitos v\u00eddeos raros e obscuros dos Stones que encontr\u00e1vamos em VHS na \u00e9poca. N\u00f3s t\u00ednhamos um bootleg do show deles no Hyde Park e no meio desse show a c\u00e2mera foca em um jovem hippie dan\u00e7ando de maneira selvagem e o cara \u00e9 id\u00eantico a um Joey Ramone de 16 anos de idade. E n\u00f3s sempre fic\u00e1vamos \u201cUau, isso foi em 1969. Ser\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel que o Joey tenha guardado dinheiro para ir assistir a um show gratuito dos Stones em Londres?\u201d (risos). N\u00e3o acho que o Tommy negou, mas ele tamb\u00e9m n\u00e3o confirmou, acho que ele disse algo como \u201cIsso seria poss\u00edvel, ele era obcecado por bandas brit\u00e2nicas. Consigo ver ele tentando dar um jeito de ir at\u00e9 l\u00e1\u201d. Mas acho que outras pessoas j\u00e1 levantaram esse t\u00f3pico, porque agora \u00e9 poss\u00edvel encontrar isso na Internet, outras pessoas se fizeram a mesma pergunta. E acho que n\u00e3o era o Joey, mas n\u00f3s pudemos perguntar ao pr\u00f3prio Tommy Ramone sobre isso (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joey Ramone at Rolling Stones free concert?\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_AEwNDka0jU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Joey Ramone no show dos Stones?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, voc\u00ea acabou finalmente vindo ao Brasil \u2013 e Am\u00e9rica do Sul &#8211; cerca de 20 anos depois dessa tour que poderia ter rolado com os Ramones, quando veio para c\u00e1 com o OFF em 2013. Como foi essa sua primeira visita ao Brasil e \u00e0 Am\u00e9rica do Sul? Houve alguma coisa espec\u00edfica que chamou sua aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nHmm, estou pensando. Foi realmente incr\u00edvel, foi incr\u00edvel apenas poder estar a\u00ed. No Brasil, foram muitas&#8230; como se chama&#8230; caipirinha? Estou falando certo (risos)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, \u00e9 isso mesmo (risos). E voc\u00ea gostou?<\/strong><br \/>\nSim, provavelmente mais do que devia (risos). Mas \u00e9, foi excitante, poder dar uma volta pelas ruas do Rio de Janeiro depois do show, apenas nos sentindo muito vivos com as pessoas, com m\u00fasicos tocando nas ruas, foi legal. Adoraria poder voltar em algum momento. Mas \u00e9, isso j\u00e1 foi h\u00e1 algum tempo. N\u00f3s tamb\u00e9m tocamos em Santiago do Chile e fizemos alguns shows na Argentina. Pareceu bem interessante, as cidades eram mais europeias do que eu esperava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por favor, me diga tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e por que eles fizeram isso.<\/strong><br \/>\nHmm, tr\u00eas discos. Ok, deixa eu tentar coloc\u00e1-los em ordem. Bom, um disco que mudou a minha vida implica que tenha sido antes de alguma forma, porque n\u00e3o houve nenhum momento na minha vida em que eu n\u00e3o tivesse a m\u00fasica comigo. Ent\u00e3o eu quase diria \u201cos discos que consolidaram, que garantiram que eu continuasse em um caminho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o eu diria o \u201cWhite Album\u201d (1968), dos Beatles. Lembro que esse foi o primeiro que eu e o Jeff compramos juntos, com o nosso pr\u00f3prio dinheiro. N\u00f3s fomos&#8230; na \u00e9poca, voc\u00ea podia retornar garrafas de Coca-Cola por 5 centavos cada na sua loja de bebidas local \u2013 e n\u00f3s t\u00ednhamos muitas garrafas e conseguimos comprar o \u201cWhite Album\u201d assim. Eu tinha 5 anos na \u00e9poca. E esse continua sendo um disco muito importante na minha vida at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E tamb\u00e9m diria&#8230; hmmm&#8230; talvez um disco dos Ramones, o \u201cRocket to Russia\u201d (1977). Essa foi a primeira vez em que percebemos que n\u00f3s tamb\u00e9m pod\u00edamos tocar. Foi um momento importante, do tipo \u201cAh, voc\u00ea n\u00e3o precisa ser um mago para fazer isso (risos)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ent\u00e3o o meu primeiro show de rock foi o Kiss, na turn\u00ea do \u201cAlive\u201d (1975), e foi algo que mexeu muito comigo! Eu diria que esse foi o momento em que percebi que queria ser um m\u00fasico pelo resto da minha vida (risos). \u00c0s vezes me cobro sobre como estou tocando. Quando estou gravando, por exemplo, ou por de n\u00e3o conseguir tocar como o James Jamerson, como gostaria, o tempo todo. Ou soar como um m\u00fasico contratado muito bom o tempo todo. Mas eu sei que posso subir no palco e fazer algo que \u00e9 bastante \u00fanico. E penso que isso \u00e9 um resultado direto de ter visto o Kiss ao vivo quando tinha 8 anos de idade. Ent\u00e3o teria de dizer que o \u201cAlive\u201d, do Kiss, realmente mudou a minha vida.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Redd Kross - &quot;Lady In the Front Row&quot; - courtesy of Rocky Schenck\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gqRLmsFnKG8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Talvez a m\u00fasica mais Beatles do Redd Kross, o clipe tamb\u00e9m tem muitas refer\u00eancias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o Gene era a sua maior influ\u00eancia quando come\u00e7ou a tocar baixo?<\/strong><br \/>\nHmm, quando comecei a tocar j\u00e1 tinha outras influ\u00eancias, como o Dee Dee Ramone e a Jackie Fox tamb\u00e9m. Mas o Gene definitivamente, acho que ele ainda aparece nas partes que componho, aquela puxada na corda pelo bra\u00e7o, \u201cBaummmmmmm\u201d, sabe? A parte inicial de \u201cDeuce\u201d, que abre o \u201cAlive\u201d (Nota: Neste momento Steven come\u00e7a a cantarolar os riffs de guitarra e linhas de baixo da m\u00fasica). Isso \u00e9 um cl\u00e1ssico do Gene e acho que definitivamente algo que deixou sua marca em mim. Ent\u00e3o \u00e9, acho que essas coisas me mudaram. Ou elas me mudaram ou garantiram que eu continuasse neste caminho. E tamb\u00e9m teria mais duas men\u00e7\u00f5es not\u00e1veis aqui. Os dois primeiros discos que eu escolhi. Minha m\u00e3e me levou \u00e0 loja de discos quando eu tinha cinco anos de idade e disse \u201cEscolha o que voc\u00ea quiser\u201d. E eu escolhi o \u201cGet Yer Ya Ya\u2019s Out!\u201d (1970), dos Rolling Stones, e o \u201cKiller\u201d, do Alice Cooper. E s\u00e3o dois discos que ainda amo at\u00e9 hoje, e sempre gosto de me gabar disso (risos). Acho que o \u201cKiller\u201d (1971), do Alice Cooper, era provavelmente um lan\u00e7amento na \u00e9poca, provavelmente em 1972. Ent\u00e3o essas s\u00e3o duas men\u00e7\u00f5es honrosas, mas diria que os outros tr\u00eas discos, \u201cWhite Album\u201d, \u201cRocket to Russia\u201de \u201cAlive\u201d, t\u00eam muito a ver com onde eu estou hoje enquanto m\u00fasico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Alice Cooper, ali\u00e1s, foi o primeiro grande show de rock internacional no Brasil. Ele veio em 1974, no meio da ditadura, e foi um show gigante e hist\u00f3rico. Se n\u00e3o me engano, foram as \u00faltimas apresenta\u00e7\u00f5es com a forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da banda, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSim! Tenho escutado muitos audiobooks durante a pandemia, e um dos que acabei de ouvir foi a biografia do Denis Dunaway. N\u00e3o me lembro exatamente do t\u00edtulo, mas \u00e9 um bom livro. Adoro o jeito do Denis tocar baixo. Mas sim, acho que esses foram provavelmente os \u00fanicos shows que eles fizeram para promover o \u201cMuscle of Love\u201d (1973), mas eles ainda estavam meio que fazendo a Billion Dollar Babies Tour. Adoro essa banda original, eles s\u00e3o os melhores. Tamb\u00e9m gosto muito dos dois primeiros discos, mas a sequ\u00eancia que eles tiveram com Bob Ezrin, com \u201cLove it to Death\u201d (1971) e \u201cBillion Dollar Babies\u201d (1973) \u2013 eles s\u00e3o inegavelmente \u00f3timos discos. Eles tinham arranjos muitos bons, m\u00fasicas \u00f3timas e performances incr\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essas s\u00e3o as duas \u00faltimas perguntas. A m\u00fasica sempre foi algo presente na sua vida, certo? Seus pais levavam voc\u00ea e seu irm\u00e3o para shows e para lojas de discos, voc\u00ea tocando com o seu irm\u00e3o e hoje em dia com a sua esposa, que tamb\u00e9m \u00e9 m\u00fasica. Pensa que isso tornou ou contribuiu para que sua abordagem fosse mais natural talvez quando voc\u00ea e seu irm\u00e3o decidiram come\u00e7ar a tocar e a fazer m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nHmm, sim. Quer dizer, a m\u00fasica nunca foi algo que foi empurrado para n\u00f3s. E nunca fomos for\u00e7ados a fazer aulas ou qualquer coisa do tipo \u2013 hoje em dia, eu meio que gostaria de ter feito (risos). Mas sempre foi algo bem&#8230; n\u00f3s apenas meio que sempre encontramos coisas por conta pr\u00f3pria. Eu diria que a maior influ\u00eancia foram nossos tios e tias quando \u00e9ramos muito pequenos. O meu pai era o mais velho de um total de sete ou oito irm\u00e3os. Ent\u00e3o o irm\u00e3o mais novo dele tinha 20 anos a menos do que ele. E em 1966 os irm\u00e3os dele tinham 16 ou 17 anos de idade e uma delas levou o Jeff para ver um show dos Beatles em San Diego quando ele (Jeff) tinha 2 anos (risos) \u2013 ela era uma f\u00e3 obcecada dos Beatles. E o meu tio mais novo curtia Cat Stevens e coisas assim. Me lembro que ele tinha o \u201cZiggy Stardust\u201d (1972), do Bowie, em fita 8-Track e n\u00f3s pegamos emprestado em 1972 e nunca mais devolvemos (risos). E isso mudou tudo, foi um outro disco que mudou tudo. Mas o ponto \u00e9 que n\u00f3s meio que encontramos as coisas por conta pr\u00f3pria, n\u00f3s nunca fomos necessariamente encorajados, mas \u00e9ramos apoiados. Nossos pais tinham o pensamento avan\u00e7ado o bastante, eram progressistas o bastante para ver que provavelmente era melhor nos apoiar sobre o que nos deixava animados. E sou muito agradecido por isso. Mas nunca houve realmente&#8230; nunca recebemos nenhum direcionamento ou conselhos sobre como fazer isso. Foi algo mais auto liderado e autodidata. Por isso, neste sentido sempre foi algo bastante aut\u00eantico e natural. Nunca tivemos muitas regras nas nossas cabe\u00e7as sobre o que pod\u00edamos ou n\u00e3o fazer. O Jeff tamb\u00e9m \u00e9 casado com uma musicista, a Charlotte Caffey, do The Go-Go\u2019s. Penso que sempre fez sentido ter como parceiro algu\u00e9m que entende o processo criativo, algu\u00e9m que eu admiro e respeito, sempre foi uma atra\u00e7\u00e3o natural para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a \u00faltima. Do que voc\u00ea tem mais orgulho na sua carreira?<\/strong><br \/>\nHmm, eu imagino que&#8230;J\u00e1 fiz muitas coisas diferentes, toquei em v\u00e1rias bandas, pude lan\u00e7ar alguns discos legais e tudo mais. Mas acho que poder fazer o Redd Kross neste est\u00e1gio da minha vida \u00e9 algo significativo. E n\u00e3o precisa ser a \u00fanica coisa que eu fa\u00e7o ou algo assim. Mas ainda poder tocar com o meu irm\u00e3o em algo que comecei aos 11 anos de idade&#8230;E ter 53 anos e ainda poder t\u00e3o ainda poder fazer isso \u00e9 algo de que tenho orgulho. E, mais do que isso, \u00e9 um equil\u00edbrio com uma quantidade igual de gratid\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Redd Kross - Beyond the Door (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/I4QE08QTVXY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Redd Kross - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WwgW73jxBMs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Redd Kross - Stay Away From Downtown\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6teoeHq6pig?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Redd Kross - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pQ-VB74qNGQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Redd Kross - What&#039;s In My Bag?\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TUXvl9ap0Xg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"M\u00fasico fala dos 40 anos da banda e da rela\u00e7\u00e3o com o irm\u00e3o Jeff, relembra conv\u00edvio com Raymond Pettibon, explica como conheceu Os Mutantes e lamenta tour brasileira com os Ramones que n\u00e3o aconteceu.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/19\/entrevista-steven-mcdonald-redd-kross-melvins-off\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":60982,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5182,5181],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60979"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60979"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60979\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78539,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60979\/revisions\/78539"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60982"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60979"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60979"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60979"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}