{"id":60879,"date":"2021-05-10T00:34:02","date_gmt":"2021-05-10T03:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=60879"},"modified":"2021-06-09T01:03:24","modified_gmt":"2021-06-09T04:03:24","slug":"entrevista-daniel-santiago-fala-sobre-song-for-tomorrow","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/10\/entrevista-daniel-santiago-fala-sobre-song-for-tomorrow\/","title":{"rendered":"Entrevista: Daniel Santiago fala sobre \u201cSong for Tomorrow\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><br \/>\nFaixa a faixa por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/daniel.santiago.90475\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Daniel Santiago<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natural de Bras\u00edlia, Daniel Santiago tem em seu vasto curr\u00edculo musical as fun\u00e7\u00f5es de guitarrista, compositor, arranjador e multi-instrumentista. Em 20 anos de carreira, Santiago firmou diversas parcerias com um leque variado de artistas numa lista que conta com Milton Nascimento, Jo\u00e3o Bosco, Ivan Lins, Hamilton de Holanda e a banda O Teatro M\u00e1gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua discografia constam os \u00e1lbuns \u201cOn the way\u201d (2006), \u201cMetr\u00f3pole\u201d (2009), \u201cSimbiose\u201d (2017) gravado junto ao m\u00fasico Pedro Martins, \u201cUnion\u201d (2018), o ao vivo \u201cBras\u00edlia Brasil Trio\u201d (2020) com Hamilton de Holanda e Rog\u00e9rio Caetano, e o rec\u00e9m-lan\u00e7ado <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/1zzpDezAMWHJlYWaN416WO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cSong for Tomorrow<\/a>\u201d (2021)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/1zzpDezAMWHJlYWaN416WO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Song For Tomorrow<\/a>\u201d, seu quinto \u00e1lbum de est\u00fadio, Santiago promove uma am\u00e1lgama de refer\u00eancias musicais que v\u00e3o de Clube da Esquina ao rock nacional e internacional passando por elementos eletr\u00f4nicos oitentistas. Liricamente, as can\u00e7\u00f5es promovem uma adequada ode \u00e0 contemporaneidade, falando de esperan\u00e7a em tempos sombrios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produzido pelo guitarrista norte-americano Kurt Rosenwinkel, \u201cSong for Tomorrow\u201d traz uma lista de convidados especiais, que conta Joshua Redman, Aaron Parks, Pedro Martins e Eric Clapton, que Daniel conheceu em 2019, durante sua participa\u00e7\u00e3o do festival Crossroads Guitar Festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista e no faixa a faixa abaixo, Santiago fala sobre o papel da arte na atualidade, sua forma\u00e7\u00e3o musical, o processo de grava\u00e7\u00e3o do disco, trazendo detalhes presentes em uma das doze can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Daniel Santiago - Open World (feat. Eric Clapton)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/U3joxm-zD7I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De modo geral, suas composi\u00e7\u00f5es em &#8220;Song for Tomorrow&#8221; trazem uma certa carga de otimismo quanto ao futuro. Mas em tempos tempestuosos como \u00e9 compor can\u00e7\u00f5es que remetem a esperan\u00e7a? E ainda: qual \u00e9 o papel da arte (em especial a m\u00fasica) deve desempenhar na atualidade?<\/strong><br \/>\nA maioria dessas can\u00e7\u00f5es foram feitas antes da pandemia, apenas algumas letras foram feitas durante a quarentena, foi o caso da \u201cOpen World\u201d e \u201cSong for Tomorrow\u201d. Acredito que alguns precisam trazer luz paras sombras. N\u00f3s, artistas, temos tamb\u00e9m essa fun\u00e7\u00e3o. Trazer reflex\u00f5es, cr\u00edticas, mas tamb\u00e9m esperan\u00e7a num mundo melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neste novo trabalho voc\u00ea traz \u00e0 tona uma s\u00e9rie de refer\u00eancias musicais que ajudaram a formatar a sua musicalidade. Nesse sentido como se dera o seu processo de forma\u00e7\u00e3o musical?<\/strong><br \/>\nMinha forma\u00e7\u00e3o musical passa desde uma inicia\u00e7\u00e3o na Escola de m\u00fasica de Bras\u00edlia passando por bandas na adolesc\u00eancia de estilos variados, contatos com grandes m\u00fasicos muito cedo e depois o famoso \u201cbaile\u201d. Tive que tocar muitos estilos na minha vida at\u00e9 come\u00e7ar a achar meu som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em &#8220;Song for Tomorrow&#8221; voc\u00ea trabalhou com uma s\u00e9rie de convidados especiais que contribu\u00edram de maneira significativa para o resultado final. Como foi o processo de grava\u00e7\u00e3o do novo disco e como se deu a sele\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00f5es especiais?<\/strong><br \/>\nEsse disco aconteceu por conta da minha participa\u00e7\u00e3o no Crossroads Guitar Festival 2019, festival do Eric Clapton. L\u00e1 conheci, por meio do meu grande amigo e parceiro Pedro Martins, o Kurt Rosenwinkel. Desse encontro saiu a semente de fazermos alguma coisa juntos. Ent\u00e3o fomos pra Berlim em fevereiro de 2020 e gravamos metade do disco. O restante foi durante a quarentena, portanto online. O Kurt foi o produtor e ele contactou as participa\u00e7\u00f5es. Serei eternamente grato ao Kurt, Pedro e todos que participaram desse sonho!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-60881\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/danielsantiaho2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/danielsantiaho2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/danielsantiaho2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/danielsantiaho2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>FAIXA A FAIXA por Daniel Santiago<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cOpen World\u201d &#8211;<\/strong> Meu pai me levou a um show do Eric Clapton em Bras\u00edlia quando eu tinha uns 11 anos de idade, e desde ent\u00e3o ele se tornou um dos meus her\u00f3is. O envolvimento dele neste projeto \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho pra mim. E ter Kurt Rosenwinkel produzindo o \u00e1lbum \u00e9 igualmente poderoso, j\u00e1 que ele e Clapton s\u00e3o as minhas maiores inspira\u00e7\u00f5es na guitarra. Eu me sinto muito grato e imensamente feliz por poder contar com eles no \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSong For Tomorrow\u201d \u2013<\/strong> Essa m\u00fasica representa minha conex\u00e3o com o Clube da Esquina, uma das influ\u00eancias mais importantes na minha forma\u00e7\u00e3o. Depois que compus a melodia, convidei meu parceiro Fernando Anitelli (O Teatro M\u00e1gico) pra ajudar na letra. Ele imediatamente se identificou e acabou aprimorando a pr\u00f3pria estrutura da m\u00fasica, colocando letra numa parte que seria instrumental e, no final, essa melodia acabou virando o refr\u00e3o. A grava\u00e7\u00e3o dessa m\u00fasica aconteceu \u00e0 dist\u00e2ncia. Logo que eu mandei pro Kurt Rosenwinkel ouvir, ele me disse que a faixa precisava de um solo de guitarra bem marcante, que remetesse \u00e0 melodia. Na mesma hora eu pensei que ele seria o cara pra fazer isso. Dito e feito. O Kurt nos brinda com um dos momentos mais emocionantes do disco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Daniel Santiago - Song for Tomorrow (feat. Kurt Rosenwinkel)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jt9Px2zeir4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cO Que Valer\u00e1\u201d \u2013<\/strong> Gosto muito daquela jun\u00e7\u00e3o de world music com jazz, presente no \u201cNative Dancer\u201d, do Wayne Shorter, ou no \u201cBring on the Night\u201d, do Sting. Quando terminamos a base da m\u00fasica, imaginei um saxofone, numa jam rock. A\u00ed o Kurt falou: \u201cTem que ser Joshua Redman!\u201d Apesar de eu ter tocado em outras oportunidades com o Joshua e saber que ele gostava do meu som, n\u00e3o imaginei que seria f\u00e1cil t\u00ea-lo no \u00e1lbum. Foi uma grande honra ele ter aceitado o convite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cClara Manh\u00e3\u201d &#8211;<\/strong> Escrevi como se fosse uma m\u00fasica de ninar pra minha filha. Me transporta para a minha \u00e9poca de inf\u00e2ncia, em Bras\u00edlia, ouvindo Pink Floyd e Beach Boys. Mostrei pro Kurt e falei que achava que um piano ficaria bonito. Eu j\u00e1 tinha pensado no Aaron Parks. O Aaron esteve em SP e ficamos amigos. Eu, que j\u00e1 era f\u00e3, ainda descobri que ele tinha me citado como um dos compositores brasileiros que ele mais gostava. Fiquei muito feliz com a sensibilidade e musicalidade que ele trouxe pra m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cHow It Should Be\u201d &#8211;<\/strong> Compus pensando nas rela\u00e7\u00f5es humanas. A import\u00e2ncia de fazer amigos e do conv\u00edvio com o outro. Gravamos essa faixa em Berlim ao vivo e depois adicionamos outros instrumentos e mais vozes. Kurt na batera, Pedro no baixo e eu tocando guitarra e cantando. Esse \u00e9 um dos momentos que guardo com mais carinho nesse processo de grava\u00e7\u00e3o. Foi pouco antes da pandemia, ent\u00e3o vivemos aqueles dias intensamente, gravando tudo que pod\u00edamos, intercalado apenas por uma boa cerveja e sinuca, na esquina do est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMundo\u201d &#8211;<\/strong> M\u00fasica que fiz em 2009. Foi a primeira faixa que gravamos em Berlim. Lembrei do Nan\u00e1 Vasconcelos no \u201cMilagre dos Peixes\u201d, do Milton Nascimento, e resolvi fazer uma homenagem pra ele colocando uma conga dobrada com a voz. Pedro Martins \u00e9 o convidado dessa m\u00fasica, criando camadas de melodias t\u00e3o naturais, de quem tem uma sensibilidade rara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cN\u00e3o Pode Apagar (Fly Lua, Fly)\u201d &#8211;<\/strong> Essa tamb\u00e9m gravamos em Berlim. O Pedro Martins na bateria, viol\u00e3o e voz; eu no baixo, viol\u00e3o, synths e voz; o Kurt na guitarra e vocais. Quando terminamos a base o Pedrinho falou: \u201cKurt est\u00e1 faltando uma guitarra sua\u201d. Ele encontrou um som de guitarra incr\u00edvel e come\u00e7ou a fazer uma melodia mais bonita do que outra. Na letra eu falo dos nossos desafios internos na busca de crescimento como ser humano, com qualidades e defeitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cProgressive\u201d &#8211;<\/strong> Toninho Horta, Tavinho Moura e o rock progressivo ingl\u00eas, principalmente Yes. Essa m\u00fasica \u00e9 minha homenagem a esse universo. Eu o Pedro, como um momento de retorno \u00e0s origens, \u00e0 ess\u00eancia da nossa m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cRoots\u201d &#8211;<\/strong> Minha fam\u00edlia. Minhas ra\u00edzes profundas e interioranas. Uma homenagem aos meus av\u00f3s. Mas principalmente meu av\u00f4, de Minas Gerais, que tinha alma de artista e seu nome ecoa no meu, Santiago. Aquela imagem das festas e do nosso sincretismo, onde as culturas africana e crist\u00e3 se encontram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cFrom The Mountains\u201d &#8211;<\/strong> O t\u00edtulo j\u00e1 diz tudo. M\u00fasica das montanhas. As montanhas de Minas, mas tamb\u00e9m as montanhas da Chapada dos Viadeiros. M\u00fasica do alto. Eu e o Pedro, de novo num momento intimista. Gravamos em Berlim, no sof\u00e1 do est\u00fadio, com o Kurt do nosso lado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Daniel Santiago &amp; Pedro Martins - From the Mountains\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uo5QiO4nPTk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cHeroes\u201d &#8211;<\/strong> M\u00fasica de quem nasceu em Bras\u00edlia e cresceu nos anos 80 e 90. Falo sobre a luta de alguns contra um inimigo imagin\u00e1rio, e sobre a confus\u00e3o dos tempos atuais onde tudo \u00e9 relativizado. O Pedro Martins me ajudou a compor e o Frederico Heliodoro ajudou na letra. Na bateria, Renato Galv\u00e3o, um jovem da nova gera\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cN\u00e3o Vou\u201d &#8211;<\/strong> Balada melanc\u00f3lica que compus em 2017, com esp\u00edrito pinkfloydiano. Tem tamb\u00e9m influ\u00eancia da can\u00e7\u00e3o popular brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSalamander\u201d &#8211;<\/strong> Tema composto em 2009, momento que eu estava bem envolvido com o jazz, e a m\u00fasica instrumental brasileira. Vejo essa m\u00fasica como uma abstra\u00e7\u00e3o, um mosaico de cores e de ra\u00edzes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Open World\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/882-SyX_VFw?list=OLAK5uy_kVJ2OIXZGXOazc_RLWt5il8kcCey1tIjo\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em seu quinto \u00e1lbum de est\u00fadio, Santiago exibe refer\u00eancias de Clube da Esquina, rock nacional e internacional, al\u00e9m de elementos eletr\u00f4nicos oitentistas. 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