{"id":60872,"date":"2021-05-09T23:58:46","date_gmt":"2021-05-10T02:58:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=60872"},"modified":"2021-06-23T00:05:30","modified_gmt":"2021-06-23T03:05:30","slug":"faixa-a-faixa-analogica-de-marietta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/09\/faixa-a-faixa-analogica-de-marietta\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: \u201cAnal\u00f3gica\u201d, de Marietta"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Herbert Moura<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dez anos depois de sua estreia solo com \u201cMassarock\u201d (2010), a cantora e compositora Marietta chega ao seu segundo \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/7i0P1dHbOhbfmHEIlGV4os\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Anal\u00f3gica<\/a>\u201d (2020), lan\u00e7ado no finalzinho do ano passado. Produzido por Lucas Martins, com quem Marietta divide a assinatura das 12 composi\u00e7\u00f5es (tr\u00eas delas com mais alguns parceiros), \u201cAnal\u00f3gica\u201d busca expressar toda a inquieta\u00e7\u00e3o po\u00e9tica da artista paulistana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse \u00e1lbum fala sobre ess\u00eancia, reunindo grande parte dos meus questionamentos em rela\u00e7\u00e3o ao mundo atual. Trago pro ambiente simb\u00f3lico-sutil-simplificado uma vis\u00e3o \u00fanica e ir\u00f4nica onde inconsciente e mist\u00e9rio afloram. O sup\u00e9rfluo e o excesso nos fazem voltar ao que \u00e9 essencial, onde a busca pela liberdade de ser e de amar extrapola bitmaps, n\u00fameros e conven\u00e7\u00f5es rob\u00f3ticas\u201d, declara Marietta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado pela Ori Records, &#8220;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/7i0P1dHbOhbfmHEIlGV4os\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Anal\u00f3gica&#8221;<\/a>\u00a0conta com as participa\u00e7\u00f5es especiais de Jorge Dubman (Dr. Drumah), Russo Passapusso, MC All Ice, Ual\u00ea Figura e Guilherme Arantes, pai da de Marietta. Sonoramente, o \u00e1lbum encontra inspira\u00e7\u00e3o na est\u00e9tica sonora groovada-percussiva dos anos 70 no Brasil, na pegada dos bailes funk 80 e 90 onde bombavam balan\u00e7o, boogie, charme e funk melody. No mesmo molho, toda a for\u00e7a ineg\u00e1vel e sint\u00e9tica do pop eletr\u00f4nico contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDe forma mel\u00f3dica e dan\u00e7ante, esse disco provoca o ouvinte de que no excesso de virtual, passamos a buscar o oposto: o corporal. Que o corpo sabe viver e tem seu pr\u00f3prio tempo. Que a feminilidade ampla incorpora o afeto com muito balan\u00e7o e cad\u00eancia. E que o ser humano ainda n\u00e3o se perdeu totalmente num mundo que dilacera almas e sentimentos. Ainda estamos aqui, fortes, profundos e fluidos. E creio que estamos todos tendo a oportunidade neste momento dram\u00e1tico de questionar nossos modos de vida e de lembrar da nossa ess\u00eancia: o que faz o \u201cbeat bater\u201d. Esse disco chegou para fortalecer nossa volta ao que importa. Autenticidade para somar na sobreviv\u00eancia da alma\u201d, define. Abaixo, Marietta comenta as 12 faixas do disco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-60873\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/analagoica.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/analagoica.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/analagoica-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/analagoica-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01) &#8220;Anal\u00f3gica\u201d (Marietta\/ Latzina\/ Lucas Martins) \u2013 03:35<\/strong><br \/>\nEssa m\u00fasica tem em sua sonoridade densa uma base extremamente digital e minimalista, numa concep\u00e7\u00e3o de \u00e1udio 3D, e traz em sua atmosfera soturna e a\u00e9rea as mesmas quest\u00f5es presentes na letra: O risco que todos corremos de que nossa comunica\u00e7\u00e3o se perca na n\u00e9voa digital. Que nossas rela\u00e7\u00f5es fiquem &#8220;na nuvem&#8221;. A base extremamente digital contrasta com um sentimento totalmente anal\u00f3gico presente na voz. No conte\u00fado ela \u00e9 uma observa\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, cr\u00edtica e sutil sobre e como se d\u00e1 de maneira confusa nossa comunica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos meios digitais. Imagem, proje\u00e7\u00e3o, expectativa e realidade. Retrata uma personagem que tem dificuldade em se adaptar ao meio digital que ironiza sobre si mesma: &#8220;(..)Anal\u00f3gica, fazer o que?&#8221; Na forma, ela \u00e9 inspirada nas redes sociais e em roteiro de cinema, cenas, fragmentos, recortes e s\u00edmbolos. Para isso, contou com Latzina na parceria.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Marietta - Anal\u00f3gica\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZqhIHeaePLo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02. Bico (Marietta\/ Lucas Martins) \u2013 04:27<\/strong><br \/>\nCom a sonoridade mais org\u00e2nica do disco, essa faixa foi concebida a partir da melodia sem nenhuma base harm\u00f4nica, para que depois Lucas Martins compusesse todo o restante. Traz com sua cad\u00eancia fluida e elementos que remetem \u00e0 m\u00fasica brasileira (e influ\u00eancia da m\u00fasica Afrobrasileira como Baden Powell por exemplo, atrav\u00e9s da presen\u00e7a mais forte das cordas) uma atmosfera de ambientes naturais calmantes e reflexivos, prop\u00edcios ao entendimento sobre o Amor fraterno-Universal: que enquanto n\u00e3o houver mais justi\u00e7a e a m\u00ednima equanimidade, n\u00e3o tem \u201cbem comum\u201d poss\u00edvel para n\u00f3s. Em cada beco, em cada escada, em cada injusti\u00e7a e situa\u00e7\u00e3o corriqueira do Brasilz\u00e3o, o individualismo \u00e9 o contr\u00e1rio da prosperidade e a gan\u00e2ncia mata mais do que faz viver. Nosso sangue \u00e9 r\u00edtmico e mel\u00f3dico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03. Gasto o Dia (Marietta\/ Lucas Martins) \u2013 03:17<\/strong><br \/>\nEsta faixa \u00e9 um mantra-arrocha-reggae que refor\u00e7a em sua melodia levemente funk a tradi\u00e7\u00e3o de pergunta e resposta do coro. A simplicidade como for\u00e7a. Na repeti\u00e7\u00e3o do amor pr\u00f3prio, fala sobre aceita\u00e7\u00e3o da propria poesia, e do empoderamento art\u00edstico di\u00e1rio no of\u00edcio de cantar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04. Felina (Marietta\/ Lucas Martins) \u2013 04:26<\/strong><br \/>\nA mais \u201crom\u00e2ntica\u201d do disco, esta faixa partiu de uma base j\u00e1 anteriormente composta por Lucas Martins na MPC, e que invertida sugeriu a mim a melodia cheia de sentimento e com influ\u00eancias de Cassiano e Tim Maia que na coragem buscou express\u00e3o a decis\u00e3o de amar, a feminilidade e a liberdade de ser e amar como se quer, e a for\u00e7a da entrega ao amor rom\u00e2ntico como op\u00e7\u00e3o consciente. Com muitas camadas detalhadas, sonoridade \u201ccheia\u201d e pegada de can\u00e7\u00e3o pop, tomamos f\u00f4lego para cantar o fim da guerra, e a beleza simples do afeto real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05. Na Noite (Marietta\/Lucas Martins) \u2013 02:47<\/strong><br \/>\nEssa faixa curta, quase uma vinheta, partiu de uma base tamb\u00e9m j\u00e1 pronta de Lucas Martins e que lapidada, transformou-se num quase funk que ressalta e reverencia a noite como o tempo do mist\u00e9rio, dos ecos no sil\u00eancio, nas ruas vazias onde a sensualidade de gatos e felinos e a for\u00e7a e poesia do inconsciente se revelam mais intensamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06. Ch\u00e3o de Taco (Marietta\/ Russo Passapusso\/ Lucas Martins)\u2013 03:36<\/strong><br \/>\nDesse som eu tinha composto especialmente o refr\u00e3o totalmente influenciada por Ant\u00f4nio Carlos e Jocafi, para que a minha amiga e parceira musical Luciana Oliveira continuasse a compor e inclu\u00edsse no seu \u00e1lbum \u201cDeusa do Rio Niger\u201d. A faixa acabou n\u00e3o entrando no disco dela, eu a peguei de volta e desenvolvi com Lucas Martins esse \u201cFunk melody\/ Samba Reggae\u201d para que Russo Passapusso a enriquecesse ainda mais com sua participa\u00e7\u00e3o e a transformasse numa rever\u00eancia total aos ch\u00e3os de taco dos sal\u00f5es antigos de baile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07. Fresh Rub A Dub (Marietta\/ All Ice\/ Ual\u00ea Figura\/ Lucas Martins)\u2013 04:51<\/strong><br \/>\nTotalmente relacionada \u00e0 cultura do Reggae e de Soundsystem, essa faixa pesadona conta um pouco da hist\u00f3ria que vivi dentro dessa cultura, e com humor e pegada forte \u00e9 na verdade, uma grande celebra\u00e7\u00e3o em si. Atualizando por vozes da rua fortes e reais, artistas agentes que movimentam a cena como Ual\u00ea Figura e All Ice, ela legitima e homenageia o Reggae no Brasil, com respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08. Expira (Marietta\/ Lucas Martins)\u2013 03:06<\/strong><br \/>\nCuriosamente essa m\u00fasica foi o casamento de uma base extremamente atual e pesada, com timbres absolutamente contempor\u00e2neos de Lucas Martins e um poema quase concreto que eu havia escrito anteriormente, que trata sobre tempo do mundo X tempo natural, sobre o realismo seco dos fatos corriqueiros, e o jogo de cintura gigantesco que temos que ter diante da realidade di\u00e1ria. Fala tamb\u00e9m sobre envelhecer, e sentir-se inspirada. O tic-tac do rel\u00f3gio n\u00e3o nos acompanha perfeitamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09. Suco (Marietta\/ Lucas Martins)\u2013 02:22<\/strong><br \/>\nEssa m\u00fasica tamb\u00e9m \u00e9 bem curta, e \u00e9 esteticamente a mais \u201canos 80\u201d do disco (inclusive com a presen\u00e7a de instrumentos da \u00e9poca). Trata sobre ess\u00eancia e sutileza e a poesia \u00e9 toda sobre fluidez, tendo a alitera\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias palavras com \u201cS\u201d na letra, lembrando do caminho curvo que o \u201cS\u201d faz. Fala da volta ao b\u00e1sico, ao que interessa e da seiva que nos mant\u00eam. Enfim, o \u201csuco\u201d, \u00e9 o suco da alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10. Tijolo por Tijolo (Marietta\/ Lucas Martins)\u2013 04:13<\/strong><br \/>\nEssa foi a primeira melodia e letra do disco que eu fiz. Me veio como algo totalmente autobiogr\u00e1fico e trata de caminhada. Foco, constru\u00e7\u00e3o pouco a pouco, e a autenticidade de nossos pr\u00f3prios caminhos. A m\u00fasica deu muito trabalho, rs, e foi das \u00faltimas a ficarem prontas, \u00e9 em si um \u201cboogie\u201d repaginado, totalmente voltado \u00e0 pista de dan\u00e7a e \u00e0 vontade de transmuta\u00e7\u00e3o pela dan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11. Tempestade e calmaria (Marietta\/ Lucas Martins) &#8211; 04:37<\/strong><br \/>\nHumm, das minhas preferidas, essa me soa como um \u201cnewafrobeat\u201d mas com influencias de Leon Ware, Marina Lima e Fernanda Abreu. A voz foi um grande desafio por\u00e9m me soa muito natural ao mesmo tempo. Ela fala de envolv\u00eancia e traz em sua sonoridade uma quentura \u00fanica no disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>12. Voz no vento (Marietta\/ Lucas Martins) \u2013 01:21<\/strong><br \/>\nTexto com fundo musical, interpreta\u00e7\u00e3o com influ\u00eancia de spoken word, mas \u00e9 simplesmente um discurso antifascista para fechar o disco. A alma n\u00e3o tem pre\u00e7o, n\u00e3o se copia nem morre.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Marietta - Analo\u0301gica (Full Album)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7ux-qjlUQaM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Anal\u00f3gica&#8217; conta com as participa\u00e7\u00f5es de Dr. Drumah, Russo Passapusso, MC All Ice, Ual\u00ea Figura e Guilherme Arantes, pai da de Marietta. Sonoramente, o \u00e1lbum se inspira na est\u00e9tica sonora groovada-percussiva dos anos 70 no Brasil, na pegada dos bailes funk 80 e 90 onde bombavam balan\u00e7o, boogie, charme e funk melody\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/09\/faixa-a-faixa-analogica-de-marietta\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":60874,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4200],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60872"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60872"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60872\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60878,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60872\/revisions\/60878"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60874"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}