{"id":60862,"date":"2021-05-08T02:37:07","date_gmt":"2021-05-08T05:37:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=60862"},"modified":"2021-06-20T00:34:01","modified_gmt":"2021-06-20T03:34:01","slug":"endless_arcade_teenage_fanclub","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/08\/endless_arcade_teenage_fanclub\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;Endless Arcade&#8221;, do Teenage Fanclub"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>resenha por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100016802896941\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luciano Ferreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das piores coisas que pode acontecer a uma banda \u00e9 ela se tornar uma institui\u00e7\u00e3o, isso se olhado pelo ponto de vista da espontaneidade, daquilo que alguns chamariam de chama criativa, geralmente presente no in\u00edcio da carreira. H\u00e1 exce\u00e7\u00f5es, claro, e tamb\u00e9m h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es que conseguem lan\u00e7ar bons trabalhos, alguns que at\u00e9 superam os de in\u00edcio de carreira. N\u00e3o \u00e9 a regra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Institui\u00e7\u00f5es tendem a se manterem relativamente s\u00f3lidas e em atividade, sempre lan\u00e7ando \u00e1lbuns que para a maioria n\u00e3o destoam em nada do seu passado, enquanto para alguns soa como um CTRL+C \/ CTRL+V com pouco ou nada a oferecer, mas com reconhecido padr\u00e3o de qualidade. Conseguiram respeito ao longo dos anos, d\u00e9cadas, \u00e9 pecado de alguma forma diminu\u00ed-las, uma v\u00e3 tentativa de macular a imagem de algo que merece respeito e rever\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Institui\u00e7\u00f5es se mant\u00e9m gra\u00e7as ao seu passado, ainda que sua relev\u00e2ncia em termos de influ\u00eancia tenha ficado tamb\u00e9m l\u00e1. Mas a carreira segue, entre hiatos ou n\u00e3o, por uma grana a mais, por contratos, por costume ou porque o que se tornaram n\u00e3o significa que a m\u00fasica tenha esva\u00eddo. Seguir em frente pode ser tamb\u00e9m uma ratifica\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da m\u00fasica na vida de uma banda. \u00c9 o que fazem os escoceses do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/05\/21\/tres-noites-de-teenage-fanclub-em-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Teenage Fanclub<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem o baixista Gerard Love, fundador e um dos dois principais compositores da banda \u2013 \u00e9 de sua autoria can\u00e7\u00f5es inesquec\u00edveis do grupo, como \u201cDecember\u201d e \u201cStar Sign\u201d (de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/06\/1991-the-year-creation-records-broke\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bandwagonesque<\/a>\u201d, 1991), \u201cHang On\u201d (de \u201cThirteen\u201d, 1993), \u201cSparkys\u2019 Dream\u201d (de \u201cGrand Prix\u201d, 1995) e a bel\u00edssima \u201cAin\u2019t That Enough\u201d (de \u201cSongs from Northern Britain\u201d, 1997), s\u00f3 para citar algumas -, coube a Norman Blake (a outra principal metade pensante do grupo) e Raymond McGinley (que a partir de \u201cGrand Prix\u201d se revelou outro compositor de m\u00e3o cheia) dividir as composi\u00e7\u00f5es e manter o \u201cf\u00e3 clube adolescente\u201d funcionando, com o tecladista Dave McGowan passando para as quatro cordas e a adi\u00e7\u00e3o do m\u00fasico gal\u00eas Euros Childs (Gorky&#8217;s Zygotic Mynci) nos teclados. A conclus\u00e3o, de antem\u00e3o, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/21\/ao-vivo-teenage-fanclub-em-amsterda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e9 que o Gerard Love compositor faz falta<\/a> (sua sa\u00edda foi devido a rotina de turn\u00eas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com seu lan\u00e7amento adiado devido a pandemia, o que permitiu que a banda desse uma mexida no trabalho mesmo depois de pronto, &#8220;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6BBYKRGhb3pBbxwM18B6oY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Endless Arcade<\/a>&#8221; vem ao mundo mais de quatro anos depois de &#8220;Here&#8221; (2016). Come\u00e7ou a ser \u201csaboreado\u201d cerca de dois anos atr\u00e1s, com o single \u201cEverything Is Falling Apart\u201d, e seguiu com \u201cI\u2019m More Inclined\u201d e \u201cThe Sun Won&#8217;t Shine on Me\u201d, todas presentes no \u00e1lbum.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Teenage Fanclub - The Sun Won&#039;t Shine On Me\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/W68oV6487u0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem n\u00e3o acompanha a banda muito de perto pouco notar\u00e1 a aus\u00eancia de Love, j\u00e1 que tanto Blake (autor de hits teenagianos como &#8220;Everything Flows&#8221;, &#8220;The Concept&#8221;, &#8220;Metal Baby&#8221;, &#8220;Mellow Doubt&#8221;, &#8220;Start Again&#8221; e \u201cBaby Lee\u201d) quanto McGinley (&#8220;About You&#8221;, &#8220;Verisimilitude&#8221;) s\u00e3o \u00f3timos compositores e tamb\u00e9m parte fundamental na identidade musical do Teenage Fanclub, que segue aqui em seu modus operandi cl\u00e1ssico j\u00e1 de alguns anos: can\u00e7\u00f5es com belas melodias constru\u00eddas em dedilhados de guitarra e as sempre presentes belas harmonias vocais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O power pop que sempre esteve presente nos primeiros anos foi substitu\u00eddo faz tempo pelo que se poderia chamar de sweet pop, com a mem\u00f3ria afetiva de sessentistas como The Byrds mais e mais presente. Isso \u00e9 ruim?<br \/>Bem, algu\u00e9m j\u00e1 classificou o Teenage Fanclub como uma banda \u201cimposs\u00edvel de fazer can\u00e7\u00f5es ruins\u201d, o que \u00e9 verdade. Mas \u00e9 quase imposs\u00edvel n\u00e3o bater a sensa\u00e7\u00e3o de d\u00e8ja vu ao longo de \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6BBYKRGhb3pBbxwM18B6oY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Endless Arcade<\/a>\u201d, como se uma continuidade de \u201cHere\u201d a partir da terceira faixa. E isso \u00e9 ruim? Em termos de novidade, sim. Mas ser\u00e1 que a essa altura do campeonato eles ainda querem soar como novidade ou inovadores? Por certo que n\u00e3o. Eles alcan\u00e7aram um formato, uma identidade e seguem rezando essa cartilha, compondo can\u00e7\u00f5es assobi\u00e1veis que servem como boas companheiras e podem at\u00e9 se fixar na mem\u00f3ria do ouvinte para todo e sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De diferente mesmo s\u00f3 a dura\u00e7\u00e3o de &#8220;Home&#8221; (que aparece em v\u00eddeo abaixo na vers\u00e3o editada), a terceira mais longa can\u00e7\u00e3o da carreira da banda (s\u00f3 perde para \u201cCrush on You\u201d, de \u201cWords of Wisdom and Hope\u201d, e &#8220;Heavy Metal II&#8221;, de \u201cA Catholic Education\u201d), com uma extensa parte instrumental em que se permitem &#8220;perderem-se&#8221; ao longo da estrada entre solos de guitarra e camadas de piano discretos; o estilo quase fanfarra de &#8220;Warm Embrace&#8221; que, por paradoxal que pare\u00e7a, \u00e9 a faixa mais curta de todas e tem aquele vocal acompanhado de perto pelo backing vocal; ou a valsa melodiosa, com direito a harpsichord, &#8220;The Sun Wont Shine on Me&#8221;, um dos melhores momentos do disco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Teenage Fanclub - Home (single edit)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rKaoUahiY1k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora composto no per\u00edodo pr\u00e9-pandemia (gravado em Hamburgo e produzido pela banda) as letras mostram tend\u00eancia reflexiva e at\u00e9 motivacional (vide o refr\u00e3o &#8220;Don&#8217;t be afraid of this life\u201d na faixa t\u00edtulo), e acenos rom\u00e2nticos nas can\u00e7\u00f5es de autoria de Blake, que se separou recentemente da esposa, decifr\u00e1vel em frases como: &#8220;Havia conforto em sua companhia \/ E navegar pelo mundo com voc\u00ea \/ Me fez sentir como eu&#8221; (\u201cHome\u201d); &#8220;Meu mundo est\u00e1 de cabe\u00e7a para baixo \/ Estou perdido, n\u00e3o sei o que fazer \/ Voc\u00ea est\u00e1 t\u00e3o longe de mim&#8221;, de \u201cLiving with You&#8221;. J\u00e1 os versos de &#8220;I&#8217;m More Inclined&#8221; poderiam ser tomados como relacionados \u00e0 pandemia, mas seguem a tem\u00e1tica do fim do relacionamento: \u201cEu poderia viver em isolamento \/ Afundando-me cada vez mais na tristeza \/ Ou poderia seguir o caminho que me leva de volta a voc\u00ea\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da sensa\u00e7\u00e3o de uma nostalgia suave ao finalizar o \u00e1lbum, n\u00e3o ache estranho se bater aquele desejo urgente de ouvir os primeiros trabalhos da institui\u00e7\u00e3o, pois tudo que voc\u00ea encontra aqui est\u00e1 l\u00e1 tamb\u00e9m, s\u00f3 que com mais frescor. <a href=\"https:\/\/www.irishtimes.com\/culture\/music\/teenage-fanclub-we-ll-keep-playing-as-long-as-we-re-enjoying-it-1.4541224?fbclid=IwAR1zO0WlRJTsAEbGQuREodnR9Sv3yOMoIUV3hfqyh7cruliclRxARZpMCuk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blake n\u00e3o se faz de rogado<\/a>: &#8220;N\u00e3o estamos reinventando a roda com o Teenage Fanclub; fazemos algo parecido &#8211; versos, refr\u00e3os, solos. Mas tentamos dizer isso de uma forma mais eloquente a cada vez&#8221;.<del><hr \/><\/del><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-60864\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/teenage_fanclub.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/teenage_fanclub.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/teenage_fanclub-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/teenage_fanclub-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>resenha por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um texto escrito h\u00e1 20 anos por Nick Hornby <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/12\/teenage-fanclub-por-nick-hornby\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no qual ele aborda o lan\u00e7amento do \u201cHowdy!\u201d<\/a>, o ent\u00e3o novo disco da banda escocesa Teenage Fanclub. Nele, o autor de \u201cAlta Fidelidade\u201d, \u201cUm Grande Garoto\u201d e \u201cFebre de Bola\u201d fala sobre a proposta de um disco &#8220;quase insanamente feliz&#8221;, e, tamb\u00e9m, sobre o direcionamento c\u00ednico, ressentido e repleto de uma falta de interesse da cr\u00edtica especializada em rela\u00e7\u00e3o ao &#8220;ensolarado, alegre e entusi\u00e1stico&#8221; \u201cSongs from Nothern Britain\u201d, \u00e1lbum anterior da grupo de Glasgow, lan\u00e7ado tr\u00eas anos antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto em quest\u00e3o, publicado na revista Mojo em 2000 e, no ano seguinte, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/12\/teenage-fanclub-por-nick-hornby\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui no Scream &amp; Yell (com tradu\u00e7\u00e3o de Claudia Ferrari)<\/a>, o escritor referencia Brian Eno quando este reflete sobre como as sensa\u00e7\u00f5es de alegria, entusiasmo, curiosidade e fascina\u00e7\u00e3o presentes na rotina de cria\u00e7\u00e3o esbarravam no acima citado \u00e1spero direcionamento da cr\u00edtica para com o produto finalizado. E olha que estamos falando de um per\u00edodo no qual a Internet engatinhava e as maldades levianas oriundas das redes sociais ainda ficavam restritas \u00e0s mentes perigosas dos trolls que as criavam. Reler este texto, hoje, confirma como o Teenage conseguiu escapar de todo sarcasmo e cinismo de uma sociedade marcada por pessoas que acham que essas duas caracter\u00edsticas rimam com intelig\u00eancia. &#8220;N\u00e3o tenha medo desta vida&#8221;, canta o refr\u00e3o de \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6BBYKRGhb3pBbxwM18B6oY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Endless Arcade<\/a>\u2019, faixa t\u00edtulo do novo disco do Teenage. Quer algo mais direto do que isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ando em abril, o 12\u00ba disco de est\u00fadio em 32 anos de carreira do Teenage Fanclub faz jus \u00e0 sua premissa de pureza l\u00edrica do pop. Mas n\u00e3o confundir tal pureza com ingenuidade ou manuais de autoajuda. O otimismo not\u00f3rio de suas letras se faz presente aqui, mas h\u00e1 as asperezas que nos incomodam. H\u00e1 o reflexo da dor, tamb\u00e9m. Logo em sua abertura, uma can\u00e7\u00e3o intitulada &#8220;Lar&#8221; nos faz imaginar se tratar da calorosa sensa\u00e7\u00e3o de se sentir bem vindo, de se sentir abra\u00e7ado. Mas, na real, n\u00e3o \u00e9 sobre isso. \u00c9, sim, sobre a no\u00e7\u00e3o da perda. A letra, de fato, canta sobre a incerteza de voltar a ser feliz e toda ang\u00fastia atrelada a essa desesperan\u00e7a. Por\u00e9m, m\u00e1gico e belo, o set instrumental de mais de tr\u00eas minutos que encerra a m\u00fasica a partir de sua metade em diante nos acalenta ap\u00f3s a pancada inicial de realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas d\u00e9cadas se passaram desde \u201cHowdy!\u201d, s\u00e9timo \u00e1lbum da banda citado por Nick Hornby em seu texto para a Mojo. O Teenage Fanclub lan\u00e7ou ainda mais quatro discos (sendo um deles chamado \u201cWords of Wisdom and Hope\u201d \u2013 quer mais provas das inten\u00e7\u00f5es positivas desta banda?). Al\u00e9m disso, passou pela sa\u00edda de Gerard Love, baixista, vocalista e um dos autores de cl\u00e1ssicos teenagianos como \u201cSparky&#8217;s Dream\u201d, \u201cDon\u2019t Look Back\u201d, \u201cStar Sign\u201d e \u201cDecember\u201d (entre muitas outras), em 2018, mas manteve seus outros membros fundadores de 1989 (e vozes inconfund\u00edveis e autores irrepreens\u00edveis) Norman Blake e Raymond McGinley nas guitarras, bem como Francis Macdonald na bateria. No lugar de Gerard Love, o j\u00e1 tecladista e guitarrista, Dave McGowan, assumiu o contrabaixo, com a banda dando boas vindas a um novo tecladista, Euros Childs, a partir de 2019. Chegamos \u00e0 terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI e a sonoridade otimista somada a letras que, distante da plasticidade falsa e de tons furados de discursos de coach, nos fazem escapar um pouco do peso de uma realidade pesarosa e tr\u00e1gica que vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, admito. \u00c9 verdade que soa clich\u00ea citar a simplicidade do pop que sobressa\u00ed em uma can\u00e7\u00e3o de 2min e meio. Soa clich\u00ea, tamb\u00e9m, cit\u00e1-la como sendo um clich\u00ea. Mas \u00e9 preciso pedir licen\u00e7a para este pontuar da capacidade singular que tal tipo de can\u00e7\u00e3o pode lhe causar. Ao ouvir \u201cThe Sun Won&#8217;t Shine On Me\u201d, com sua letra composta com apenas seis frases (sendo uma delas o t\u00edtulo e o refr\u00e3o), em uma valsa que te convida a bailar abra\u00e7ando a si mesmo (sim, pode me chamar de cafona) enquanto ouve nos fones de ouvido o personagem te dizer que &#8220;\u00e0 deriva como gelo no mar, enquanto, com a mente problem\u00e1tica, estou em decl\u00ednio e percebo que o sol n\u00e3o mais brilhar\u00e1 sobre mim&#8221;, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se cativar por tal poder presente na can\u00e7\u00e3o. Exagero ao dizer que d\u00e1 para sentir as ondas de tal mar gelado? Talvez. Mas, no fundo, creio que n\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Teenage Fanclub - I&#039;m More Inclined\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hO1kLueiTns?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do mesmo modo, as mensagens diretas nas faixas seguintes, \u201cI&#8217;m More Inclined\u201d e \u201cBack In The Day\u201d, fazem o ouvinte perceber como a m\u00fasica pop \u00e9 capaz de te embalar por momentos de introspec\u00e7\u00e3o (ou de perigosa nostalgia), mas sem deixar de te divertir. Afinal, \u00e9 para isso que levantamos de manh\u00e3, n\u00e3o? Em algum momento do seu dia, voc\u00ea precisa sorrir. E sendo um ateu (ou a toa, como j\u00e1 fui chamado em mais uma fracassada tentativa citada l\u00e1 no come\u00e7o de fazerem sarcasmo rimar com sapi\u00eancia), uma letra no qual o personagem diz que &#8220;n\u00e3o encontrou a religi\u00e3o e que nunca precisou dela&#8221; por ter colocado sua f\u00e9 na pessoa que ama&#8230; bom, a m\u00fasica fala por si. O que \u00e9 mais importante do que depositar a f\u00e9 no amor concreto por algu\u00e9m para al\u00e9m de qualquer foco em dogmas ou supostas vidas eternas? A vida \u00e9 apenas uma. Fa\u00e7a-a valer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E sobre o perigo de se idealizar e romantizar tempos passados, ao final de \u201cBack In The Day\u201d n\u00e3o surge uma solu\u00e7\u00e3o para este processo de superar o que ficou para tr\u00e1s, desanuviando a ang\u00fastia atual. Mas, do mesmo modo, voc\u00ea sorri por perceber a mensagem clara de identifica\u00e7\u00e3o. E aprende a dar mais um passo \u00e0 frente, ansiando por um futuro t\u00e3o bonito quanto este passado que voc\u00ea idealiza. Ainda d\u00e1 para sorrir e renovar sua f\u00e9 e energia positiva a partir do simples ato de colocar uma m\u00fasica nos fones de ouvido. E n\u00e3o \u00e9 para isso que M\u00fasica serve? Sim. E n\u00e3o h\u00e1 cinismo, sarcasmo ou menosprezo que tire a verdade disso. Ainda bem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Teenage Fanclub - In Our Dreams\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DRh4Gm2clwk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-60865\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Teenage-Fanclub_Jornal-A-Tarde_08_05-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"856\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Teenage-Fanclub_Jornal-A-Tarde_08_05-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Teenage-Fanclub_Jornal-A-Tarde_08_05-1-263x300.jpg 263w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100016802896941\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luciano Ferreira<\/a>\u00a0\u00e9 editor e redator na empresa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.urgesite.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Urge :: A Arte nos conforta<\/a>\u00a0e colabora com o Scream &amp; Yell.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\u2013 Teenage Fanclub ao vivo em Amsterd\u00e3, 2019 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/21\/ao-vivo-teenage-fanclub-em-amsterda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\u2013 Tr\u00eas noites de Teenage Fanclub ao vivo em S\u00e3o Paulo, 2004 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/05\/21\/tres-noites-de-teenage-fanclub-em-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\u2013 \u201cO Teenage Fanclub tem seguido um estranho caminho\u201d, analisa Nick Hornby (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/12\/teenage-fanclub-por-nick-hornby\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\u2013 \u201cJonny\u201d: Para Norman Blake fazer m\u00fasica parece uma coisa extremamente f\u00e1cil (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/06\/27\/cds-meat-puppets-jonny-roddy-woomble\/\">aqui<\/a>)<br \/>\u2013 Teenage, Primal Scream, MBV: \u201c1991: The Year Creation Records Broke\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/06\/1991-the-year-creation-records-broke\/\">aqui<\/a>)<br \/>\u2013 Tr\u00eas Discos: BMX Bandits (mais Norman Blake e Francis Macdonald) (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/06\/tres-discos-bmx-bandits\/\">aqui<\/a>)<br \/>\u2013 Teenage Fanclub x BMX Bandits ou \u201cTears\u201d x \u201cNo Future\u201d (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2014\/06\/10\/teenage-fanclub-x-bmx-bandits\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\u2013 \u201cShadows\u201d, do Teenage Fanclub, faz esquecer o tempo solit\u00e1rio sem power pop (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/28\/teenage-fanclub-mark-mulcahy-paul-weller\/\">aqui<\/a>)<br \/>\u2013 \u201cMan-Made\u201d, Teenage Fanclub, mant\u00e9m a qualidade da banda em alta (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/01\/12\/musica-man-made-teenage-fanclub\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com Endless Arcade, d\u00e9cimo segundo  \u00e1lbum de est\u00fadio, banda escocesa  apresenta seu pop puro em melodias e letras que nos fazem respirar com mais calma em um presente no qual isso se faz urgente\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/08\/endless_arcade_teenage_fanclub\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":60863,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[196],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60862"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60862"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60862\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60868,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60862\/revisions\/60868"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60863"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}