{"id":60758,"date":"2021-04-26T00:01:00","date_gmt":"2021-04-26T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=60758"},"modified":"2021-05-24T02:19:05","modified_gmt":"2021-05-24T05:19:05","slug":"entrevista-marina-lima-em-um-papo-leve-sobre-musica-e-amizades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/04\/26\/entrevista-marina-lima-em-um-papo-leve-sobre-musica-e-amizades\/","title":{"rendered":"Entrevista: Marina Lima em um papo leve sobre m\u00fasica e amizades"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 1979, quando lan\u00e7ou seu disco de estreia, \u201c<a href=\"http:\/\/marinalima.com.br\/simples-como-fogo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Simples Como Fogo<\/a>\u201d, Marina j\u00e1 se demarcou como artista de seu tempo presente. Entre ser Marina e Marina Lima, entre composi\u00e7\u00f5es ao lado do irm\u00e3o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/06\/ao-vivo-antonio-cicero-e-arthur-nogueira-compartilham-respeito-em-belo-show-no-sesc-av-paulista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Antonio C\u00edcero<\/a> e entre tantos g\u00eaneros pelos quais ela navegou, sempre foi a sua percep\u00e7\u00e3o do hoje que prevaleceu \u2013 e isso segue sendo assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meio \u00e0 pandemia e ao distanciamento social, Marina Lima est\u00e1 lan\u00e7ando de forma virtual o songbook &#8220;<a href=\"http:\/\/marinalima.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">M\u00fasica e Letra<\/a>&#8220;, livro com partituras de toda sua discografia, e o EP &#8220;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0hNxPKfAl4iPvlWZCNRsIW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Motim<\/a>&#8220;, com quatro faixas in\u00e9ditas. Produzido em seu est\u00fadio caseiro, o EP surge de experimenta\u00e7\u00f5es de Marina sob novos formatos de lan\u00e7amento \u2013 desprendida do conceito de disco cheio, ela tem se divertido testando can\u00e7\u00f5es, compondo com amigos e estudando um bocado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cM\u00fasica e Letra\u201d <a href=\"http:\/\/marinalima.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">est\u00e1 dispon\u00edvel gratuitamente no site oficial de Marina Lima<\/a> e traz todas as can\u00e7\u00f5es presentes em seus discos, mesmo aquelas que n\u00e3o foram compostas pela artista, pois segundo ela, essas m\u00fasicas ainda representam e constroem esteticamente o que s\u00e3o esses \u00e1lbuns. S\u00e3o mais de 40 anos de carreira, 21 discos e 175 can\u00e7\u00f5es que foram transcritas por Giovanni Bizzotto, m\u00fasico e parceiro de Marina desde os anos 90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o EP \u201cMotim\u201d foi produzido por Marina e Alex Fonseca (com quem ela divide a autoria em uma das can\u00e7\u00f5es), e conta com parcerias com <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/22\/entrevista-alvin-l-lanca-seu-primeiro-livro-o-veneno-dos-pequenos-detalhes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alvin L.<\/a> (que ainda faz vocal em &#8220;Kilimanjaro&#8221;) e Giovanni Bizzotto. Como convidado especial, Mano Brown participa na faixa &#8220;N\u00f3is&#8221;. J\u00e1 Cand\u00e9 Salles e Renato Gon\u00e7alves assinam, respectivamente, as fotos e o projeto gr\u00e1fico do livro e do EP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bastante gente envolvida em um projeto simb\u00f3lico para uma carreira t\u00e3o longeva como a de Marina. Para falar sobre esses lan\u00e7amentos, conversamos, via zoom, com a cantora, que contou todo o processo de preparo do songbook, o seu olhar sobre as novas formata\u00e7\u00f5es de lan\u00e7amento musical e hist\u00f3rias deliciosas sobre sua amizade com Alvin L e Mano Brown. Confira o papo na \u00edntegra abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"KILIMANJARO (MARINA LIMA\/ ALVIN L. \/ ALEX FONSECA) PSEUDO VIDEO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4ee5HISEVs8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para come\u00e7ar, gostaria de saber como voc\u00ea est\u00e1 nesse Brasil de 2021 e nesse tempo de pandemia? Como voc\u00ea anda?<\/strong><br \/>\nOlha, eu sou muito resistente, entendeu? Fora ser privilegiada e poder estar na minha casa e ter comida e estar esperando passar algum dia, fora esse privil\u00e9gio, eu sou muito resistente, porque acho que interiormente eu preciso de pouco. Dentro de mim eu preciso de poucas coisas realmente importantes. Ent\u00e3o a pandemia foi um choque, \u00e9 um paradigma, eu acho que o mundo nunca passou por isso, dessa maneira, e na nossa \u00e9poca digital e tudo, foi uma loucura, foi um susto, uma sacudida, uma limita\u00e7\u00e3o, mas me fez, como tudo, ver e rever um monte de coisa que eu n\u00e3o quero mais. E apontar para v\u00e1rias coisas para onde eu vou agora, ent\u00e3o quase tudo tem um lado bom \u2013 menos essa desgra\u00e7a, entendeu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse sentido, voc\u00ea entende que nessa fase voc\u00ea se voltou um pouco para o trabalho, para o viol\u00e3o? Como foi esse \u00faltimo ano?<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 vinha h\u00e1 uns tr\u00eas anos pensando que eu deveria lan\u00e7ar um songbook de todos os meus discos, porque no decorrer da minha carreira \u2013 eu tenho 40, 42 anos de carreira \u2013, <a href=\"http:\/\/marinalima.com.br\/discografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">eu fiz 21 discos<\/a>, e no decorrer desse tempo, v\u00e1rias vezes, alguma editora vinha propor \u201cMarina, vamos fazer um songbook da sua obra e tal\u201d e eu sempre achei precipitado, sempre achei muito cedo, n\u00e3o sei nem como vai ser minha obra. Quando percebi, em 2019, dois anos atr\u00e1s, que eu tinha 21 discos, eu pensei assim \u201colha, vai ser importante e inteligente da minha parte, j\u00e1 com 65 anos, deixar pronto o que eu j\u00e1 fiz at\u00e9 aqui\u201d. Embora eu tenha pregui\u00e7a de olhar pra tr\u00e1s, esse registro \u00e9 importante, \u201cMarina, seja respons\u00e1vel, os discos est\u00e3o a\u00ed, agora faz um songbook, com partituras, cifras e letras desses 21 discos\u201d, porque os discos s\u00e3o o que considero o tesouro da minha obra. Os discos, mais do que um songbook s\u00f3 autoral, embora eu seja uma autora, os discos dizem muito sobre mim, ent\u00e3o quero fazer um songbook com tudo. Comecei a preparar, chamei um cara, o Giovanni Bizzotto, que \u00e9 um cara incr\u00edvel, que demorou quase dois anos trabalhando. Vida que segue, isso era um projeto paralelo. Chega a pandemia no finalzinho disso, do songbook, eu j\u00e1 come\u00e7ando um trabalho chamado \u201cPra Come\u00e7ar Tour\u201d, onde eu estava indo a v\u00e1rios festivais. Porque hoje em dia, no Brasil, o formato de se consumir, apresentar, ouvir m\u00fasica mudou, ent\u00e3o uma coisa que ficou muito presente hoje em dia s\u00e3o os festivais. 11 horas da manh\u00e3, meio-dia, uma da tarde, festivais de gente jovem. Ent\u00e3o eu tinha acabado de fazer um show para esse tipo de formato. Cheguei a fazer Inhotim e Fortaleza, na praia do PI [Praia de Iracema]. E acabou. E a\u00ed eu me vi louca, amarrada, toda j\u00e1 programada \u201cvoc\u00ea n\u00e3o pode nada, voc\u00ea n\u00e3o pode sair, voc\u00ea n\u00e3o pode ver ningu\u00e9m\u201d, eu falei \u201ceu n\u00e3o vou aguentar, eu vou ficar louca\u201d. E a\u00ed, gra\u00e7as a deus, a minha aptid\u00e3o \u00e9 m\u00fasica, tudo que eu fa\u00e7o quando tenho um tempo \u00e9 estudar m\u00fasica. Comecei a estudar muito cedo, ganhei um viol\u00e3o com cinco anos de idade, a vida inteira estudo. At\u00e9 pouco tempo, esses dias eu entrei na Souza Lima, que \u00e9 uma escola tradicional aqui em S\u00e3o Paulo, s\u00f3 pra fazer umas aulas, eu gosto de estudar, m\u00fasica \u00e9 uma coisa infinita, quanto mais se aprende, mais voc\u00ea descobre. Ent\u00e3o eu pensei \u201cbom, \u00e9 uma oportunidade que eu tenho de estudar e ningu\u00e9m me cobrar \u2018ai voc\u00ea est\u00e1 estudando?\u2019\u201d, ningu\u00e9m pode me cobrar, n\u00e3o posso fazer nada. Ent\u00e3o eu posso me dedicar realmente ao que mais importa que \u00e9 a m\u00fasica e eu fiz isso. E essa pandemia durou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim! E voc\u00ea falou um pouco sobre essa forma de consumo da m\u00fasica pelas pessoas e tudo mais; tanto que a maioria dos lan\u00e7amentos hoje em dia \u00e9 apenas digital. Ent\u00e3o voc\u00ea ter o seu songbook de forma digital, gratuita e que as pessoas podem acessar e conferir enquanto elas est\u00e3o ouvindo a m\u00fasica em outra plataforma tamb\u00e9m \u00e9 um material que traz uma mem\u00f3ria diferente para esse universo da internet.<\/strong><br \/>\nEu acho que sim, eu acho que foi a forma mais inteligente de lan\u00e7ar. Quando eu pensei \u201ceu vou lan\u00e7ar um produto que \u00e9 um songbook que revisita a minha obra at\u00e9 aqui\u201d, quando eu pensei nisso e entendi tamb\u00e9m que eu ia lan\u00e7ar um EP com quatro m\u00fasicas junto, simultaneamente, eu organizei um pequeno grupo de quatro pessoas para me ajudarem a organizar. O ponto de partida era a m\u00fasica, mas precis\u00e1vamos organizar como chegar at\u00e9 voc\u00ea, jornalista, at\u00e9 o cara que consome o Spotify, at\u00e9 o cara que n\u00e3o tem o Spotify, que ouve m\u00fasica s\u00f3 no YouTube, vendo v\u00eddeos. Eu comecei a ver as maneiras que tinham de se chegar atrav\u00e9s da minha m\u00fasica no p\u00fablico hoje em dia e pra isso contei com o Cand\u00e9 [Salles], que faz o visual, o audiovisual. A m\u00fasica hoje em dia \u00e9 audiovisual, todo mundo que ouve no YouTube quer ver o v\u00eddeo; n\u00e3o \u00e9 o que eu gosto, m\u00fasica pra mim \u00e9 \u00e1udio, mas \u00e9 o mundo de hoje, ent\u00e3o como eu fa\u00e7o o meu \u00e1udio chegar l\u00e1? Ent\u00e3o, \u00e9 audiovisual, chamei o Cand\u00e9 que \u00e9 um cara que me conhece, que n\u00e3o me incomoda, que eu admiro, que eu acho um excelente cineasta, para registrar a feitura um pouco do final do songbook e o come\u00e7o do EP.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-60761\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Marina-Lima-Musica-e-Letra-capa_baixa.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"971\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Marina-Lima-Musica-e-Letra-capa_baixa.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Marina-Lima-Musica-e-Letra-capa_baixa-232x300.jpg 232w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 havia trabalhado com o Cand\u00e9 no filme \u201c<a href=\"https:\/\/www.canalcurta.tv.br\/filme\/?name=uma_garota_chamada_marina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Garota Chamada Marina<\/a>\u201d (2019), n\u00e9?<\/strong><br \/>\nSim, eu j\u00e1 tinha trabalhado com ele num filme que a gente nem sabia o que ia ser. Ele gosta muito de mim, me admira, t\u00e1 sempre ao meu lado, acha gra\u00e7a, ent\u00e3o t\u00e1 sempre filmando, pois ele mesmo \u00e9 curioso. Tudo partiu disso, e a\u00ed eu fazia gra\u00e7a pra ele, era um relacionamento eu e ele, quando de repente isso chegou no canal Curta! atrav\u00e9s dos produtores Let\u00edcia Monte e o marido Lula Buarque \u2013 na \u00e9poca, hoje eles j\u00e1 separaram. Ent\u00e3o uma coisa feita meio que em casa acabou virando profissional; e foi bom, porque doeu menos, pois \u00e9 a cara da gente. Ent\u00e3o eu pensei \u201ccomo eu fa\u00e7o agora para ter algu\u00e9m que n\u00e3o me incomode e que possa registrar audiovisualmente essas coisas que v\u00e3o acontecer?\u201d. O Cand\u00e9 foi um. O Giovani era o m\u00fasico que eu escolhi para transcrever tudo, que quando ficasse pronto, iria me encontrar para eu revisar tudo e ver o que estava certo. Teve o Renato Gon\u00e7alves, que \u00e9 um jornalista, que eu conheci na internet, no Twitter, h\u00e1 10 anos atr\u00e1s, quando mudei pra S\u00e3o Paulo. Entrei no Twitter e procurando gente assim, eu encontrei esse cara e gostei das coisas que ele escrevia e tal, a\u00ed ficamos amigos de internet. Acabamos nos conhecendo e realizando alguns trabalhos juntos. Ent\u00e3o chamei o Renato para n\u00f3s quatro pensarmos de que maneira lan\u00e7ar isso e chegamos nisso que voc\u00ea conhece agora, que \u00e9 o songbook digital, did\u00e1tico, simples e bonito, porque um songbook \u00e9 bonito, \u00e9 um sonho de qualquer pessoa que queira aprender m\u00fasica. Foi como eu aprendi mesmo, quando eu descobri que queira estudar, eu comprava songbooks dos Beatles, do Tom Jobim, do Gilberto Gil, ent\u00e3o songbook \u00e9 o que o estudante de m\u00fasica, o louco por m\u00fasica, quer ter, que ensina tudo ali de uma maneira did\u00e1tica e f\u00e1cil. Era uma forma que eu tinha, de verdade, sem ficar piegas \u2013 vamos passar rapidinho por isso, mas \u2013 de certa maneira, de retribuir ao meu p\u00fablico eu estar at\u00e9 hoje, eu, uma mulher brasileira, que toca sem parar na r\u00e1dio. Isso n\u00e3o \u00e9 muito comum. O meu trabalho, voc\u00ea pode estar em qualquer lugar, ele toca em todas as r\u00e1dios. O p\u00fablico brasileiro gosta de mim. O da minha idade passou para os filhos, os filhos passam pros amigos; a verdade \u00e9 que eu toco em um monte de r\u00e1dio jovem, tenho um monte de f\u00e3s de 20 anos. Enfim, a minha hist\u00f3ria \u00e9 muito vitoriosa e atual, at\u00e9 hoje com a m\u00fasica, ent\u00e3o eu falei \u201ceu vou dar de volta para esse p\u00fablico todo\u201d. Olha, se esse cara aprender a tocar essas m\u00fasicas que est\u00e3o nesses discos todos aqui, est\u00e3o todas aqui, mas pra n\u00e3o ficar um projeto revisionista, revisitar passado, eu vou lan\u00e7ar quatro m\u00fasicas novas e vou incluir no projeto, se voc\u00eas gostarem, podem aprender a tocar e vou colocar nas plataformas, a\u00ed eu tenho um projeto atual. E de mem\u00f3ria afetiva, pra ajudar as pessoas que gostam de m\u00fasica. Ent\u00e3o isso virou um projeto que, ao menos pra mim, enquanto p\u00fablico, seria interessant\u00edssimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essas novas can\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m meio que passeiam pelo seu passado, mas falando de coisas muito, muito atuais, e eu acho isso muito simb\u00f3lico nesses quatro lan\u00e7amentos.<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 que quando comecei a estudar m\u00fasica novamente, comecei a compor como uma louca. Era natural, porque eu j\u00e1 sei m\u00fasica e o dia inteiro quatro, cinco horas por dia trancada no meu est\u00fadio, numa pandemia, com viol\u00e3o, com parafern\u00e1lia eletr\u00f4nica, computador ligado, meus teclados virtuais e os que eu tenho aqui, eu s\u00f3 pensei nisso, ent\u00e3o comecei a compor muito. Pensei assim \u201ccara, eu n\u00e3o quero lan\u00e7ar um disco\u201d, j\u00e1 basta os 21 revisitados, a maneira mais legal e justa agora \u00e9 lan\u00e7ar quatro m\u00fasicas. A\u00ed eu escolhi quatro das que eu tinha feito e que eu achei que representavam bem o meu momento agora e a minha carreira em si. E quando eu mostrei isso pro Cand\u00e9, pro Renato e pro Giovani, eles ficaram loucos tamb\u00e9m com as m\u00fasicas. A\u00ed eu achei que eu estava certa e fui trabalhar nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a\u00ed voc\u00ea tamb\u00e9m traz participa\u00e7\u00f5es nessas m\u00fasicas: tem o Alvin L, tem o Mano Brown. Como voc\u00ea chegou nessas trocas?<\/strong><br \/>\nBom, o Alvin \u00e9 meu parceiro h\u00e1 muitos anos. Eu conheci o Alvin na \u00e9poca de um disco meu chamado \u201c<a href=\"http:\/\/marinalima.com.br\/marina-lima\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marina Lima<\/a>\u201d, seu eu n\u00e3o me engano \u00e9 de 1991. E a\u00ed eu j\u00e1 estava terminando de fechar o repert\u00f3rio quando eu ganhei uma fita cassete de uma amiga nossa, a Andreinha Alves, com quatro m\u00fasicas do Alvin, que ele pediu \u00e0 ela para me mostrar. E no meio dessas quatro m\u00fasicas tinha \u201cN\u00e3o Sei Dan\u00e7ar\u201d. Conheci o trabalho do Alvin atrav\u00e9s de \u201cN\u00e3o Sei Dan\u00e7ar\u201d! Que \u00e9 uma obra-prima e que eu gravei nesse disco, e claro que nos conhecemos depois disso, nos tornamos amigos e terminamos parceiros.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Clipe Marina Lima - N\u00e3o Sei Dan\u00e7ar\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DpnqVOCQcTQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fizemos v\u00e1rias m\u00fasicas juntos que eu adoro, tipo \u201cParis &#8211; Dakar\u201d, \u201cNa Minha M\u00e3o\u201d, \u201cAlguma Prova\u201d, tenho algumas m\u00fasicas com ele que eu adoro e que s\u00f3 podiam ser com ele. Mas eu estou morando aqui em S\u00e3o Paulo h\u00e1 10 anos, ent\u00e3o tinha uns 13 anos que eu n\u00e3o falava com o Alvin. Mas a nossa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simbi\u00f3tica que eu liguei um dia, pelo whatsapp, para ele:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cAlvin, aqui \u00e9 Marina\u201d<\/em><br \/>\n<em>[Marina imita a voz de Alvin] \u201cOi, como vai?\u201d<\/em><br \/>\n<em>\u201cMeu querido, voc\u00ea est\u00e1 bem?\u201d<\/em><br \/>\n<em>[Marina imita a voz de Alvin] \u201cEu t\u00f4 e voc\u00ea?\u201d<\/em><br \/>\n<em>\u201cAlvin, t\u00f4 compondo um EP e tal\u201d<\/em><br \/>\n<em>[Marina imita a voz de Alvin] \u201cAi que \u00f3timo. Agora n\u00e3o diga!\u201d<\/em><br \/>\n<em>\u201cFiz uma m\u00fasica que eu queria te mandar\u201d<\/em><br \/>\n<em>[Marina imita a voz de Alvin] \u201cManda!\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, eu mandei \u201cMotim\u201d, que estava quase pronta, j\u00e1 tinha toda a estrutura dela, melodia, at\u00e9 ideia de arranjo e tudo, e as m\u00e9tricas todas, algumas palavras tamb\u00e9m que eu queria botar, como \u201cca\u00ed no mar com voc\u00ea\u201d, mas eu expliquei \u201c\u00f3, a hist\u00f3ria \u00e9 essa, como \u00e9 que voc\u00ea se v\u00ea, tem alguma hist\u00f3ria parecida?\u201d, ele disse assim \u201colha, deixa comigo\u201d. E a\u00ed come\u00e7amos a trocar e a primeira que fizemos foi \u201cMotim\u201d. Dele e do Giovani, com que eu j\u00e1 vinha trabalhando no songbook, que eu tava ligad\u00edssima a ele. A\u00ed a segunda, pra mim, quando eu fiz ficou durante algum tempo a que eu mais gosto, n\u00e3o sei se hoje em dia \u00e9 a que eu mais gosto, na \u00e9poca ficou sendo a que eu mais gosto, que se chama \u201cKilimanjaro\u201d. Pelo seguinte, eu sou sempre respons\u00e1vel pela parte de \u00e1udio, porque n\u00e3o tenho banda, quando componho eu fa\u00e7o a parte musical ou no viol\u00e3o, ou no computador, ent\u00e3o entrego demos praticamente prontas para os m\u00fasicos. Os m\u00fasicos s\u00e3o muito importantes, me ajudam a achar timbres, ideias e frases, mas as m\u00fasicas v\u00e3o meio prontas, n\u00e3o mudam tanto acorde, n\u00e3o \u00e9 muito por a\u00ed, \u00e9 uma outra coisa, \u00e9 uma outra m\u00e1gica e eu sempre compus assim. E na \u00e9poca do EP, o Alex Fonseca, que \u00e9 um m\u00fasico que j\u00e1 trabalhou comigo muitas vezes e que eu adoro, j\u00e1 produziu disco meu e que eu acho um grande m\u00fasico, sempre que eu posso, quando o momento d\u00e1, eu trago ele pra perto. E nesse EP, eu falei \u201c\u00e9 o Alex, ele \u00e9 o cara\u201d, falei pra ele \u201ct\u00f4 fazendo um EP e tal\u201d, ele disse \u201cvoc\u00ea j\u00e1 tem as m\u00fasicas?\u201d, eu falei \u201cj\u00e1\u201d, ele disse \u201cdeixa eu te mandar uma m\u00fasica que eu tenho nova\u201d, e me mandou uma parte, uma outra parte, a segunda parte de \u201cKilimanjaro\u201d, que nem tinha esse nome. Eu fiquei louca pela m\u00fasica, a\u00ed eu liguei pro \u00c1lvin e falei \u201cganhei uma m\u00fasica do Alex; eu n\u00e3o tenho tempo agora, porque fora as suas, eu tenho as minhas pra terminar, tenho outras pessoas, toma essa m\u00fasica do Alex, se voc\u00ea gostar, faz alguma coisa\u201d. A\u00ed eu comecei a trabalhar numa m\u00fasica chamada \u201cKilimanjaro\u201d com o \u00c1lvin, linda e chega a m\u00fasica do Alex com o \u00c1lvin que eu fiquei louca, a\u00ed eu imagino que seja assim que, por exemplo, o Renato Russo e o Legi\u00e3o [Urbana], ou o Thom Yorke, no Radiohead, deviam trabalhar, que s\u00e3o quando h\u00e1 peda\u00e7os bonitos de um elemento e de outro elemento e se encontram e se juntam e fazem uma m\u00fasica totalmente inesperada, que \u00e9 \u201cKilimanjaro\u201d pra mim. Eu nunca tinha composto assim. Ent\u00e3o pra mim foi uma descoberta. Eu fiquei louca por essa m\u00fasica. Ent\u00e3o o Alvin foi assim. E o Mano Brown eu j\u00e1 conhe\u00e7o h\u00e1 muitos anos; eu posso te contar a hist\u00f3ria toda, depois voc\u00ea edita e bota o que voc\u00ea quiser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o, pode contar a hist\u00f3ria toda sim. Fiquei curioso sobre esse seu encontro com o Mano Brown.<\/strong><br \/>\nQuando os Racionais lan\u00e7aram o primeiro disco, eu n\u00e3o sei se voc\u00ea lembra, mas eles n\u00e3o apareciam em lugar nenhum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, sim.<\/strong><br \/>\nEles eram muito exigentes em se expor, eles eram muito fechados, tudo era muito verdadeiro, muito novo, a periferia falando e ganhando voz, tinha uma quest\u00e3o muito s\u00e9ria, onde n\u00e3o podia haver trai\u00e7\u00e3o. E televis\u00e3o era meio assim, ningu\u00e9m conhecia bem, ent\u00e3o eles n\u00e3o iam a nada, ningu\u00e9m conhecia eles. E eu n\u00e3o sei por que, n\u00e3o sei como foi, teve um momento em que a MTV conseguiu negociar com eles e eles tinham ganho todos os pr\u00eamios praticamente aquele ano e eles foram os convidados especiais da MTV. Devem ter colocado um monte de exig\u00eancia pra ir, enfim, mas a MTV topou e no VMB a grande atra\u00e7\u00e3o era que os Racionais iriam aparecer. E assim, ver eles, o Mano Brown, os caras, os DJs. E eu, que ia \u00e0s premia\u00e7\u00f5es da MTV j\u00e1 h\u00e1 uns 2 anos e tal, fui nesse dia. Eu tava sentada na minha cadeira, junto com algu\u00e9m, empres\u00e1rio, sei l\u00e1, tinham lugares marcados e tal. A\u00ed veio, por tr\u00e1s, um cara que eu nunca tinha visto, que era o Mano Brown, e a mulher dele, que eu tamb\u00e9m n\u00e3o conhecia, eu nunca tinha visto eles. O Mano Brown me futucou e eu virei e fiz \u201cOi\u201d, \u201ceu sou o Mano Brown\u201d, a\u00ed eu tomei um susto, \u201coi, que prazer, nossa, como vai?\u201d fiquei olhando assim, a\u00ed ele disse \u201cessa \u00e9 a minha mulher, Eliana\u201d, ela era linda, ela \u00e9 linda, uma mulher linda, era uma mulher tipo Rihanna, linda! Eles eram muito orgulhosos um do outro, era uma rela\u00e7\u00e3o muito bonita de se ver, esses dois juntos, um casal bonito. E a\u00ed eu fiz assim \u201coi, que prazer\u201d, mas eu n\u00e3o entendi direito. A\u00ed eles disseram \u201colha, Marina, n\u00f3s somos seus f\u00e3s, conhecemos seu trabalho, adoramos voc\u00ea\u201d, a\u00ed ela falou assim \u201ceu quis vir aqui com o Brown te dizer isso, pra voc\u00ea saber\u201d, eu falei muito obrigada e tal, mas eu nunca esqueci isso, ficou guardado como uma coisa muito&#8230; eu nem contei muito, porque ningu\u00e9m ia acreditar, fiquei quieta. Mas a\u00ed houve outras premia\u00e7\u00f5es, inclusive de pr\u00eamios de rap e hip-hop. Quando o hip-hop come\u00e7ou a ficar mais conhecido na periferia, tinham premia\u00e7\u00f5es e estavam surgindo grupos de hip hop no Rio de Janeiro, em S\u00e3o Paulo, Sabotage, Marcelo D2, come\u00e7ou a aparecer um monte de gente nova, diferente, alguns famosos e tal. Ent\u00e3o volta e meia eu encontrava o Mano Brown quando me chamavam pra dar algum pr\u00eamio. Eles simpatizavam comigo, o pessoal do rap, e eles me chamavam para dar pr\u00eamio, assim como chamavam, sei l\u00e1, a Regina Cas\u00e9, eu era sempre chamada e eu adorava, eu ia e ficava com aquele pessoal que eu n\u00e3o tinha outra chance de conhecer, e eu podia fazer amizade e tal. O Mano sempre estava, ent\u00e3o fomos ficando amigos. E a\u00ed eu mudei pra S\u00e3o Paulo, em 2010, h\u00e1 11 anos atr\u00e1s. E eu tenho um outro grande brother, um grande amigo compositor, um cara que come\u00e7ou comigo e nunca terminamos. William Magalh\u00e3es, que \u00e9 um grande m\u00fasico e \u00e9 filho do cara do&#8230; daquela banda negra brasileira super importante do Rio de Janeiro&#8230; meu deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Black Rio?<\/strong><br \/>\nIsso! Claro! A Banda Black Rio. Quem fundou a banda foram os trompetistas e o pai do William era um deles, o Oberdan. Isso estourou em todos os bailes, abriu uma novela, foi um acontecimento. Caetano botou pra tocar com ele num show num teatro, \u201cBicho Baile Show\u201d. Enfim, eles tiveram uma influ\u00eancia grande. E teve uma \u00e9poca que o William decidiu vir pra S\u00e3o Paulo levar isso adiante. O pai tinha morrido, era um legado e ele quis levar isso adiante, quis se dedicar a isso. E eu tamb\u00e9m vim pra S\u00e3o Paulo, estava gravando um disco chamado \u201c<a href=\"http:\/\/marinalima.com.br\/climax\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cl\u00edmax<\/a>\u201d (2011) e falei \u201cp\u00f4 William, vem tocar aqui no disco\u201d. L\u00e1 veio ele, mas ele trouxe o Mano Brown! E a\u00ed chega o Mano Brown e eu fiquei felic\u00edssima, a gente gravando, o Mano Brown ouvindo, participando, j\u00e1 com uma intimidade, entendeu? A\u00ed trocamos telefone e tal, e de repente, de vez em quando, a gente trocava alguma mensagem. Por exemplo, eu ia em um festival em Minas e eu sabia que ele ia, a\u00ed eu mandava \u201ceu j\u00e1 sei que voc\u00ea vai estar nesse tal lugar, \u00f4 Brown, vamos nos ver\u201d. A\u00ed a gente combinava uma hora no backstage e se falava. E a\u00ed na pandemia, eu fiz uma m\u00fasica, que \u00e9 aquela m\u00fasica. Eu n\u00e3o tinha feito a letra, tinha feito a ideia da m\u00fasica, o baixo, os teclados, toda a m\u00fasica, toda a ideia. Ele me mandou uma mensagem assim \u201ce a\u00ed, Marina, como \u00e9 que voc\u00ea est\u00e1 nessa pandemia? P\u00f4, baixo astral e tal\u201d, a\u00ed eu falei \u201cMano Brown, \u00e9 agora, n\u00e3o podemos fazer nada, \u00e9 a hora de compor, vou te mandar uma m\u00fasica e ver se voc\u00ea gosta\u201d. Mandei a m\u00fasica e ele falou assim \u201camei a m\u00fasica, adorei\u201d. A\u00ed eu falei \u201cvem pra c\u00e1\u201d. A\u00ed marcamos e ele come\u00e7ou a vir aqui. Toda semana ele vinha, ficada duas, tr\u00eas, quatro horas aqui, porque eu tenho um quartozinho com computador, meus teclados, o microfone, o viol\u00e3o, um lugar incr\u00edvel onde eu fiz o EP \u201cMotim\u201d, gravei ele todo aqui em casa. Ent\u00e3o ele come\u00e7ou a vir aqui, mas o Brown, inv\u00e9s de ele botar uma letra, porque eu achava que ele ia ouvir aquilo e ia sair falando, que era a imagem que eu tinha um pouco dele, pensar numa coisa sobre o problema, sobre o momento, sobre a noite, meio marrenta meio irresist\u00edvel, era essa imagem que eu fazia. E tinha um microfone ligado, e a\u00ed eu come\u00e7o a ouvir&#8230; O Brown n\u00e3o sabe operar as coisas, ele n\u00e3o opera, ele tem l\u00e1 as pessoas que operam, eu n\u00e3o tenho ainda essa sorte de poder ter algu\u00e9m aqui operando pra mim, sou eu mesma que tenho que operar, d\u00e1 um trabalho danado, mas tudo bem. Tava eu operando para o Brown ouvir enquanto eu cantarolava, e a\u00ed eu operando vendo se a voz estava bem, se estava tudo certo, se estava saindo e tal, e ficava um vocalize, ficava uma voz cantando perto do meu ouvido, porque o microfone era perto do meu ouvido, um vocalize que n\u00e3o tinha letra [ela imita o vocalize de forma onomatopeica]. \u201cDe quem \u00e9 essa voz?\u201d, a\u00ed uma hora eu virei e vi que era ele e eu falei \u201cBrown, cara, eu n\u00e3o sabia que voc\u00ea cantava tanto e tal?\u201d, e ele \u201cAh, essa coisa aqui&#8230;\u201d. Eu falei: \u201cBrown, olha s\u00f3, n\u00e3o sei se voc\u00ea faz isso nos seus discos, se voc\u00ea faz eu nunca ouvi\u201d, \u201cAh \u00e9, \u00e9 porque eu tenho as ideias, mas na hora de gravar boto outras pessoas gravando, n\u00e3o gravo\u201d. A\u00ed eu falei \u201cmas por que voc\u00ea n\u00e3o grava?\u201d, \u201cah porque tem gente que faz muito melhor do que eu\u201d. \u201cPorra, Brown, voc\u00ea podia gravar no meu\u201d, ele fez assim \u201cah, vamos ver\u201d, e eu falei \u201ct\u00e1, ent\u00e3o pode ficar tocando a\u00ed\u201d e eu fiquei gravando as vozes do Brown. A gente discutia, ia andar de carro, ele me mostrando S\u00e3o Paulo, bebendo alguma coisa, fumando um, pensando na letra, na m\u00fasica, no mundo e como \u00e9 que a sua vida, como \u00e9 que \u00e9 a sua, ficamos muito amigos. Conversamos sobre tudo: eu n\u00e3o ter filhos, \u201cquanto voc\u00ea cal\u00e7a?\u201d, as conversas mais loucas poss\u00edveis. E a\u00ed isso tudo me fez conhecer muito o Brown, entendeu. E de ficar louca por ele, de ser amiga dele, de ficar agradecida por ter o encontrado. E a\u00ed eu fiz uma letra, chama \u201cN\u00f3is\u201d, sobre eu, ele, o Brasil, a situa\u00e7\u00e3o, o desejo de estar junto, sobre o que eu sentia principalmente tendo ele perto de mim. E fiz uma melodia em que eu canto a minha letra como um contracanto com o vocalize que ele fazia, pra poder cantar com ele, e a\u00ed nasceu \u201cN\u00f3is\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_60759\" aria-describedby=\"caption-attachment-60759\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-60759 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/marina_djonga_mano.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/marina_djonga_mano.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/marina_djonga_mano-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/marina_djonga_mano-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-60759\" class=\"wp-caption-text\"><em>Djonga, Marina Lima e Mano Brown em 2019 \/ Foto: Cand\u00e9 Salles <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa hist\u00f3ria \u00e9 linda!<\/strong><br \/>\n\u00c9 linda n\u00e9? Incr\u00edvel, \u00e9 realmente incr\u00edvel. Ele \u00e9 muito feliz por isso e eu tamb\u00e9m e a gente fica encantado. Agora a minha \u00faltima novidade \u00e9 que eu resolvi propor algo pra enlouquecer o William. Isso agora j\u00e1, com tudo pronto, esses dias eu liguei pra ele, conversando e tal, e disse \u201cBrown, tive uma ideia de fazer uma m\u00fasica, n\u00e3o sei se \u00e9 pro meu disco, pro seu, pro disco dele, n\u00e3o importa, mas fazer uma onda eu, voc\u00ea e o William, o que voc\u00ea acha disso?\u201d, o Brown na hora \u201cpor que te ocorreu isso?\u201d, eu falei \u201cporque s\u00e3o tr\u00eas pessoas loucas que se conhecem, muito musicais, que tem muitas ideias, podem at\u00e9 brigar, mas acabam rindo, eu acho que a gente tem tudo pra se divertir, vamos fazer?\u201d, \u201cvamos fazer\u201d. A\u00ed falei com o William e qualquer hora estamos l\u00e1 juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea at\u00e9 chegou a falar da quest\u00e3o de n\u00e3o ter a necessidade de lan\u00e7ar, por exemplo, um disco completo, mas poder trabalhar dessa outra forma, mais livre, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><br \/>\n\u00c9 porque, como eu te falei, o formato de m\u00fasica mudou, tudo mudou. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 que eu acho \u201cai que saco\u201d, n\u00e3o, eu amo m\u00fasica. Eu acho que a m\u00fasica me mant\u00e9m viva, feliz, ligada. Eu sou auditiva, eu sou totalmente dionis\u00edaca, pra mim a forma e tal vem depois, primeiro vem o ouvido, ent\u00e3o eu sou muito ligada em m\u00fasica. Ent\u00e3o eu fico querendo mostrar as coisas que eu acho que valem a pena e que s\u00e3o, de certa maneira, a trilha sonora da vida de muita gente. Hoje em dia eu fico pensando em maneiras de como chegar nessas pessoas. Ent\u00e3o, algum dia eu posso sim fazer um \u00e1lbum, por que n\u00e3o? Talvez sim. Se eu achar que \u00e9, que tem a ver com o momento, eu posso fazer, mas, no momento, eu estou assim mais vira-lata. Eu descobri o EP, descobri que posso fazer um neg\u00f3cio louco com o William e com o Mano Brown, descobri que eu posso fazer uma m\u00fasica instrumental e lan\u00e7ar, posso at\u00e9 ter um nome de uma banda que n\u00e3o seja o meu. N\u00e3o estou falando que vou fazer tudo isso, estou falando que s\u00e3o possibilidades que descobri, que eu n\u00e3o sou mais obrigada a ser a Marina Lima que vai lan\u00e7ar o tatatal disco, n\u00e3o sou mais obrigada. Fiz isso durante 21 discos, t\u00e1 tudo ali, dei o melhor de mim, o melhor de mim est\u00e1 ali. Agora o melhor de mim nesse momento vir\u00e1 ainda. E agora \u00e9 nisso que eu estou mergulhada!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"N\u00d3IS (MARINA LIMA) PSEUDO VIDEO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2bs-qEoo16I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PELOS APOGEUS (MARINA LIMA) PSEUDO VIDEO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/f_FI4dK_9Ww?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"MOTIM (MARINA LIMA\/ ALVIN L.\/ GIOVANNI BIZZOTTO) - PSEUDO VIDEO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uvy4YqN0yvA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Marina Lima - Todas ao vivo (1986) Completo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Q194Mj4DPBM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Marina Lima - Acustico MTV - Making of (2003)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EahKF8iWMs0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Marina Lima - S\u00edssi na Sua (Show Completo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m-uV601vYT4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"#LiveNoAbrigo  \u2013 Marina Lima - 28\/04\/2020\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yllwx12l65M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Tamb\u00e9m colabora com o\u00a0<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Monkeybuzz.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Marina conta todo o processo de preparo do songbook, o seu olhar sobre as novas formata\u00e7\u00f5es de lan\u00e7amento musical e hist\u00f3rias deliciosas sobre sua amizade com Alvin L e Mano Brown. Confira o papo na \u00edntegra abaixo:\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/04\/26\/entrevista-marina-lima-em-um-papo-leve-sobre-musica-e-amizades\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":60762,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4503,1951,1595],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60758"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60758"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60758\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60768,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60758\/revisions\/60768"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60762"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60758"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60758"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60758"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}