{"id":60613,"date":"2021-04-09T11:47:16","date_gmt":"2021-04-09T14:47:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=60613"},"modified":"2021-05-21T14:51:12","modified_gmt":"2021-05-21T17:51:12","slug":"entrevista-bobby-liebling-pentagram-e-sonny-vincent-testors-falam-de-sua-nova-banda-the-limit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/04\/09\/entrevista-bobby-liebling-pentagram-e-sonny-vincent-testors-falam-de-sua-nova-banda-the-limit\/","title":{"rendered":"Entrevista: Bobby Liebling (Pentagram) e Sonny Vincent (Testors) falam de sua nova banda, The Limit"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Figuras cultuadas no nicho rockeiro, Bobby Liebling e <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/5zXFJAM37R90rf8v5YN4CW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sonny Vincent<\/a> s\u00e3o for\u00e7as criativas desde os anos 1970. O primeiro \u00e9 at\u00e9 hoje frontman do <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/0xybuiDEYo3YuT3fLPaIyE?si=A696OqtTS1qcyPy2feKKJw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pentagram<\/a> (EUA), grupo pioneiro de heavy rock\/doom apontado como uma mistura entre Black Sabbath e Blue Cheer. O segundo \u00e9 um prol\u00edfico guitarrista e vocalista que despontou na cena punk de Nova York liderando o <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/0xybuiDEYo3YuT3fLPaIyE?si=A696OqtTS1qcyPy2feKKJw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Testors<\/a>, banda embalada pela selvageria sonora do The Stooges e que n\u00e3o devia nada aos pares da \u00e9poca de CBGB, tal qual Dead Boys.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada um trilhou seu caminho sem ter conhecimento do outro, ambos \u00e0 margem dos holofotes mainstream \u2014 ainda que com certo reconhecimento tardio de p\u00fablico e de colegas. At\u00e9 que, em 2019, um amigo m\u00fatuo colocou Bobby e Sonny em contato possibilitando uma parceria musical promissora. Batizado como The Limit, o projeto que re\u00fane os veteranos tem lan\u00e7amento do primeiro \u00e1lbum neste 9 de abril. O debut \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/7gsjhbYHYEV98An0OYRIZE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Caveman Logic<\/a>\u201d (2021), em linhas gerais, \u00e9 rock cru e empolgante, referenciando a urg\u00eancia das composi\u00e7\u00f5es de Sonny e o peso pregresso dos trabalhos de Bobby \u2014 com linhas vocais menos soturnas, no entanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o ares old school, mas com roupagem contempor\u00e2nea. O registro inclui ainda Jimmy Recca (ex-The Stooges) no baixo, Hugo Conim na guitarra e Jo\u00e3o Pedro Ventura na bateria (esses dois \u00faltimos, membros do conjunto portugu\u00eas <a href=\"https:\/\/dawnrider.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dawnrider<\/a>). Fabian Dee Damners (UDO), Nils Finkeisen (Die Krupps) e Paul Simmons (Bevis Frond) tamb\u00e9m est\u00e3o nos cr\u00e9ditos da grava\u00e7\u00e3o como convidados especiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo menos tr\u00eas faixas foram disponibilizadas para aprecia\u00e7\u00e3o antes de o \u00e1lbum ser liberado oficialmente: \u201cKitty Gone\u201d, \u201cBlack Sea\u201d e \u201cDeath of My Soul\u201d. A trinca de m\u00fasicas j\u00e1 indicava que a pilha dos caras \u00e9 o rock\u2019n\u2019roll b\u00e1sico, sem invencionismos, por\u00e9m bem executado e carregado de energia. Uma audi\u00e7\u00e3o do disco refor\u00e7a tal percep\u00e7\u00e3o com temas como \u201cOver Rover\u201d, \u201cHuman vs Nature\u201d (com Sonny no vocal), \u201cFleeting Thoughts\u201d e \u201cLife&#8217;s Last Night\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dif\u00edcil n\u00e3o ter curiosidade em ouvir o The Limit considerando-se a trajet\u00f3ria de seus integrantes mais not\u00f3rios. Bobby chegou a protagonizar um document\u00e1rio abordando o drama da reabilita\u00e7\u00e3o em decorr\u00eancia dos v\u00edcios. O longa \u201cLast Days Here\u201d (2011) \u2014 nome que brinca com o t\u00edtulo da colet\u00e2nea \u201cFirst Daze Here\u201d, que ajudou a dar visibilidade ao Pentagram j\u00e1 neste s\u00e9culo \u2014 mostra o cantor morando com os pais e reconquistando a pr\u00f3pria confian\u00e7a com a banda tendo inesperada proje\u00e7\u00e3o. O Dead Weather (que re\u00fane Jack White e Alisson Mosshart [The Kills]) <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=x-W6OhYbOuE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">at\u00e9 tocou \u201cForever My Queen\u201d, esp\u00e9cie de hit underground do Pentagram, no programa Jimmy Kimmel Live<\/a>, em 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Sonny deu continuidade \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o em carreira solo, com o <a href=\"https:\/\/sonnyvincenttestors.bandcamp.com\/album\/the-dons-naked\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Dons<\/a> e outras iniciativas. A discografia do m\u00fasico inclui parcerias com gente do calibre de Scott Asheton (The Stooges), Cheetah Chrome (Dead Boys), Maureen \u2018Moe\u2019 Tucker (Velvet Underground), Bob Stinson (The Replacements) e Captain Sensible (The Damned). Mesmo com trampos honestos e potentes, o cara ainda \u00e9 talento subestimado entre a massa rockeira. Descolamos um papo com Bobby e Sonny via zoom. Na conversa, abordamos poss\u00edveis limita\u00e7\u00f5es, surgimento do The Limit e t\u00f3picos relacionados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonny foi insistente ao pedir que disponibiliz\u00e1ssemos os links para aquisi\u00e7\u00e3o das vers\u00f5es f\u00edsicas de \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/7gsjhbYHYEV98An0OYRIZE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Caveman Logic<\/a>\u201d na Amazon (<a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/dp\/B08TQCXQTP\/ref=redir_mobile_desktop?_encoding=UTF8&amp;qid=1612538169&amp;ref_=tmm_fbs_vnl_title_0&amp;sr=8-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) e junto \u00e0 gravadora finlandesa Svart Records (<a href=\"https:\/\/svartrecords.com\/product\/the-limit-caveman-logic-album\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>). \u00c0 \u00e9poca da entrevista transcrita aqui, os itens ainda estavam em pr\u00e9-venda. \u201cO \u00e1lbum sai em alguns dias e est\u00e1 quase esgotado. Quero ter certeza de que as pessoas que realmente querem conseguir\u00e3o uma c\u00f3pia\u201d, justificou.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Limit: Kitty Gone (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v2xqt_N1L_o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas s\u00e3o amigos de longa data? Lembra como se conheceram?<\/strong><br \/>\nSonny \u2014 Na real, fomos apresentados n\u00e3o faz muito tempo. Foi um amigo em comum que nos aproximou. \u00c9 um f\u00e3 do Bobby, com quem ele fez amizade e passou um bom tempo junto ao longo dos anos. Deu acaso que esse cara estava dirigindo meu \u00f4nibus de turn\u00ea em alguma gira que fiz. Ele acabou mostrando meu som para o Bobby. Os dois ouviram minhas m\u00fasicas em algumas ocasi\u00f5es que estavam juntos, e esse camarada em comum passou nossos n\u00fameros de telefone um para o outro. Um dia nos ligamos e falamos bastante de m\u00fasica, fizemos algumas piadas e tivemos momentos divertidos. A\u00ed o neg\u00f3cio ficou s\u00e9rio e decidimos criar um \u00e1lbum juntos. Quando foi isso, Bobby?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bobby \u2014 Acho que por volta de 2019. Foi durante a primavera de 2019 que nos falamos pela primeira vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonny \u2014 N\u00e3o foi como os Beatles, por exemplo, que cresceram na mesma cidade e se conheceram bem jovens. N\u00f3s, basicamente, meio que nos contatamos e ent\u00e3o resolvemos gravar um disco porque tivemos uma boa conex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o conheciam nem as bandas um do outro at\u00e9 ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nBobby \u2014 Eu n\u00e3o tinha ouvido Testors at\u00e9 2015. N\u00e3o havia escutado nada do Sonny at\u00e9 tal ano, n\u00e3o sabia quem ele era at\u00e9 esse amigo mostrar. Curti aquilo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonny \u2014 O mesmo por aqui, o que n\u00e3o \u00e9 muito comum. Eu nunca tinha ouvido a m\u00fasica do Pentagram. Provavelmente j\u00e1 tinha visto o nome em algum lugar, mas n\u00e3o era familiar. Em nossas conversas, o Bobby me direcionou ao material mais antigo dele e eu realmente gostei. Quando era moleque eu curtia bastante Blue Cheer e outros nomes pesados, e os primeiros do Pentagram s\u00e3o nessa pegada. Como o Bobby disse, nosso amigo m\u00fatuo tocou v\u00e1rios dos meus discos para ele. O Bobby \u00e9 \u00fanico e aprecia diferentes tipos de m\u00fasica. Hoje em dia h\u00e1 variados grupos de pessoas, tribos distintas. Fomos entrevistados por um cara que disse: \u201cIsso (The Limit) \u00e9 sensacional, posso imaginar um garoto ouvindo Metallica ou Slayer pela primeira vez\u201d. S\u00f3 que isso era algo meio da galera de onde ele veio que tinha esse gosto musical. Mas h\u00e1 gente que s\u00f3 gosta de Nick Cave, PJ Harvey ou Lydia Lunch. Ent\u00e3o, existem diferentes segmentos, pessoas que curtem determinados estilos de som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sobre o nome The Limit, algum significado especial para batizar a banda com ele?<\/strong><br \/>\nBobby \u2014 Tenho isso na cabe\u00e7a desde, sei l\u00e1, 2015. \u00c9 algo n\u00e3o muito t\u00edpico. Ent\u00e3o, mantive como um pequeno segredo comigo mesmo at\u00e9 agora. Apenas pensei que era um bom nome, sem nenhuma conota\u00e7\u00e3o errada, f\u00e1cil de lembrar e assim por diante. Como as pessoas s\u00e3o muito cr\u00edticas hoje em dia, eu e Sonny pensamos que era uma boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E h\u00e1 algum limite para a criatividade no The Limit?<\/strong><br \/>\nBobby \u2014 N\u00e3o creio que h\u00e1 limite. O limite \u00e9 aquilo que voc\u00ea pode aguentar. \u00c9 meio apropriado que voc\u00ea possa levar adiante o que concebeu, n\u00e3o h\u00e1 outros tipos de limita\u00e7\u00f5es. O limite \u00e9 infinito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quanto aos outros caras, como Jimmy Recca, j\u00e1 conheciam?<\/strong><br \/>\nBobby \u2014 Conhe\u00e7o Jimmy desde aproximadamente 2015, por meio do mesmo amigo que me apresentou ao Sonny. Pensamos que chamar ele seria uma boa porque \u00e9 um \u00f3timo baixista e seria adequado para nosso projeto, tanto quanto os dois caras de Portugal. Nunca os conheci, nem mesmo ouvi suas bandas, mas o Sonny j\u00e1 tinha trabalhado com eles em alguns projetos que s\u00f3 envolviam grava\u00e7\u00f5es, produzindo algumas coisas, acho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes das primeiras composi\u00e7\u00f5es, voc\u00eas tinham uma idealiza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de que tipo de som queriam fazer? Tipo: \u201cVamos criar algo meio proto-punk com vocais heavy doom\u201d, por exemplo?<\/strong><br \/>\nSonny \u2014 N\u00e3o, definitivamente. N\u00e3o \u00e9 como trabalhamos. Isso para mim parece mais uma reuni\u00e3o de neg\u00f3cios alem\u00e3 (risos). N\u00e3o fazemos as coisas assim. N\u00e3o nos juntamos e falamos: \u201cok, vamos fazer um \u00e1lbum 40% punk, 40% heavy rock, 10% extravagante e 10% glam\u201d. Apenas nos reunimos e vemos o que acontece, deixamos a magia fluir. Fico meio surpreso, pois v\u00e1rias pessoas nos perguntam isso. \u00c9 s\u00f3 minha opini\u00e3o, mas n\u00e3o acredito que artistas de verdade funcionem assim. Isso \u00e9 como homens de neg\u00f3cio procedem. Voc\u00ea se senta em uma mesa de reuni\u00f5es, faz planos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bobby \u2014 \u00c9 nossa cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e n\u00e3o criamos arte por gr\u00e1ficos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonny \u2014 \u00c9 uma pergunta v\u00e1lida, mas me surpreende que tanta gente funcione desse jeito. Eu, definitivamente, n\u00e3o. Uma vez almocei com um cara chamado Steve Baise, do The Devil Dogs, de Nova York, porque estava precisando de um baixista. Eu n\u00e3o conhecia o trabalho dele, mas o cara j\u00e1 foi logo dizendo para tocarmos juntos e ver o que rolava. Gosto disso. \u00c9 um lance mais intuitivo. Com o The Limit, apenas decidimos nos juntar, trabalhar em algumas m\u00fasicas e ver o que aconteceria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembra como foi a primeira experi\u00eancia em est\u00fadio, todos juntos, para fazer um som?<\/strong><br \/>\nBobby \u2014 S\u00f3 ensaiamos umas tr\u00eas vezes antes de gravar. Fizemos um show de apresenta\u00e7\u00e3o com meia d\u00fazia de m\u00fasicas em Portugal, mas nunca nos conhecemos antes e nem tocamos pessoalmente at\u00e9 o primeiro ensaio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonny \u2014 Passamos por algumas dificuldades, porque Bobby e eu est\u00e1vamos acostumados a ser meio que os controladores, as pessoas que tomam a maioria das decis\u00f5es em nossas m\u00fasicas. Quando falamos por telefone em fazer o \u00e1lbum, parecia tudo muito natural. Mas, uma vez que nos reunimos, foi como um garoto que vai para a escola todo dia pelo mesmo caminho. L\u00e1 est\u00e1vamos n\u00f3s, prestes a fazer o que fazemos, e ca\u00edmos nos mesmos padr\u00f5es que est\u00e1vamos acostumados. N\u00f3s dois quer\u00edamos fazer de um determinado jeito, e levou um tempo para entender como poder\u00edamos funcionar juntos. Mas n\u00f3s conseguimos fazer isso bem e nos tornamos uma esp\u00e9cie de monstro com duas cabe\u00e7as. Logo depois, descobrimos que t\u00ednhamos tantas opini\u00f5es que pareciam diferentes, mas na verdade eram a mesma coisa. A\u00ed tudo ficou mais f\u00e1cil. Creio que, na real, em um primeiro momento, n\u00e3o est\u00e1vamos dispostos a ouvir um ao outro. Era s\u00f3: \u201cquero fazer do meu jeito\u201d. Superamos isso e juntamos for\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em linhas gerais, o som do The Limit \u00e9 rock\u2019n\u2019roll direto. Pensa que o estilo pede mais bandas assim, j\u00e1 que n\u00e3o parece haver muitas desse tipo ganhando espa\u00e7o?<\/strong><br \/>\nSonny \u2014 N\u00e3o somos respons\u00e1veis pelos fracotes no mundo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bobby \u2014 Queremos ser alta energia, queremos ser beligerantes, queremos ter uma atitude e tamb\u00e9m queremos ser pesados. Mas n\u00e3o h\u00e1 um plano e n\u00e3o me importo com o que outras bandas fazem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonny \u2014 Isso \u00e9 apenas o que fazemos. \u00c9 tipo perguntar para o Little Richards (Sonny canta \u201cbop bopa-a-lu a whop bam boo, tutti frutti, oh Rudy\u201d) se ele precisa dos gritos cheios de alma em vez de algo mais falado, como Lou Reed, por exemplo. Apenas fazemos o que fazemos. E descobri que se voc\u00ea faz o que faz, e tenta fazer isso bem, pode dar certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o \u00e1lbum foi gravado? Em 2020 ou ainda em 2019?<\/strong><br \/>\nBobby \u2014 Foi em 2020. Fizemos o \u00e1lbum em tr\u00eas sess\u00f5es de oito horas e mais uma de quatro horas em Portugal. Todas as faixas b\u00e1sicas foram registradas nesse per\u00edodo, ao menos. Logo veio a pandemia e n\u00e3o conseguimos terminar. Voltamos para os EUA, e o Sonny ia retornar para fazer alguns overdubs de guitarra, mixagem e outras tarefas, mas n\u00e3o rolou. Acabamos\u2026 Bom, o Sonny fala sobre isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonny \u2014 Como o Bobby disse, gravamos o b\u00e1sico e saiu bem redondo. A\u00ed, todos voltamos para casa e tivemos de nos recuperar. A parte musical foi muito legal, mas toda a log\u00edstica e como isso se deu foi bem estressante de muitas maneiras. Voltei para minha resid\u00eancia e era para ter retornado a Portugal fazer algumas partes complementares de guitarra e coisas do tipo. S\u00f3 os toques finais. Mas isso foi quando a pandemia estourou, e eu n\u00e3o pude viajar. Tinha at\u00e9 comprado passagem, mas n\u00e3o adiantou. Eu n\u00e3o sabia como usar computadores para fazer trabalho de est\u00fadio. Agora eu manjo melhor, s\u00f3 que naquele momento eu n\u00e3o tinha experi\u00eancia. Ent\u00e3o pensei que poderia pedir ajuda para alguns amigos que sabem mais do assunto. Transfer\u00eancia de arquivos e outras coisas assim. Lembrei ainda que, quando est\u00e1vamos em Portugal, vi Bobby com um livro sobre Michael Schenker, tipo uma autobiografia dele com o UFO. O Bobby disse que era um dos seus guitarristas favoritos. Ent\u00e3o, quando pensei nos toques extras para finaliza\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, lembrei de um cara com quem estive em turn\u00ea quando morava na Alemanha. Ele toca guitarra e saiu em tour comigo, e o estilo dele \u00e9 um pouco diferente do que eu estava acostumado. Tivemos de fazer alguns ensaios, mostrei para ele minhas m\u00fasicas. E ele \u00e9 um cara muito gente boa que consegue tocar qualquer coisa. O nome dele \u00e9 Fabian Dee Dammers, do UDO, uma dessas bandas que excursiona bastante, tocou em Moscou e em v\u00e1rios outros lugares do mundo. Mandei os sons para o Dee e ele tocou. Tamb\u00e9m passei as faixas para outros amigos, como o Paul Simons do The Bevis Frond. Mas primeiro foi para o Dee, que fez umas partes de guitarra especiais, alguns complementos e solos. Mandei esses registros para o Bobby e fiquei muito satisfeito, porque ele disse estar feliz com o resultado. Bobby ouviu as partes do Dee e as mixes que fizemos com isso e se emocionou. Tivemos alguns amigos para fazer truques de m\u00e1gica no disco. O pr\u00f3ximo passo foi mixar com nosso engenheiro Paulo Vieira, com o qual trabalhamos enviando e reenviando material por meses. E depois a masteriza\u00e7\u00e3o, que nos deixou contentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O The Limit \u00e9 a banda principal de voc\u00eas agora?<\/strong><br \/>\nSonny \u2014 Ambos temos outros compromissos que sempre tivemos. O Bobby ainda tem o Pentagram, eu sigo com meus \u00e1lbuns solos. Mas, conforme andamos, ficamos mais pilhados com o The Limit. Quando fomos para o est\u00fadio, ouvimos umas mixagens cruas e falamos: \u201cseria irado tocar isso para o p\u00fablico\u201d. Depois, quando escutamos o disco completo, foi \u201cwow, seria mesmo \u00f3timo nos apresentarmos ao vivo\u201d. Aos poucos foi acontecendo. Quando o disco saiu para pr\u00e9-lan\u00e7amento, algumas pessoas ouviram e promotores de shows nos chamaram querendo saber se far\u00edamos giras e festivais. Bom, talvez. Precisamos ver como vai ser com a pandemia. N\u00e3o \u00e9 nosso projeto principal, mas \u00e9 algo que \u00e9 especial para a gente. Como j\u00e1 disse, somos sortudos. Mesmo n\u00e3o nos conhecendo t\u00e3o bem h\u00e1 muitos anos, a combina\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos e a vibe que criamos juntos bateu legal. Isso nos deixou inspirados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem deu o t\u00edtulo \u201cCaveman Logic\u201d? Tem a ver com um livro de mesmo nome cujo subt\u00edtulo diz: a persist\u00eancia do pensamento primitivo no mundo moderno?<\/strong><br \/>\nSonny \u2014 N\u00e3o, acho que n\u00e3o sab\u00edamos. Foi uma sugest\u00e3o do Bobby. Ele que escreveu boa parte das letras e deu o nome de \u201cCaveman Logic\u201d a um dos sons.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bobby \u2014 Isso meio que brotou na minha cabe\u00e7a. Essa ideia de manter o pensamento primitivo, as coisas simples e diretas. Sem abordagem nonsense, sem produ\u00e7\u00e3o exagerada, mas deixando uma sonoridade moderna. Os leads de guitarra\u2026 Foi um material bem gravado e bem produzido. N\u00f3s s\u00f3 quer\u00edamos manter o b\u00e1sico. Meio que um estilo de som congelado no tempo, com sentimento cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma pergunta meio filos\u00f3fica: pensam que estamos agindo como primatas com dispositivos eletr\u00f4nicos hoje em dia?<\/strong><br \/>\nSonny \u2014 Pergunta interessante, depende de qual dia. \u00c0s vezes penso que a humanidade est\u00e1 condenada, sem esperan\u00e7as, com baleias nas praias cheias de pl\u00e1stico em seus corpos e brutalidade contra pessoas na sociedade. Mas, em outros dias, vejo algo nobre e bonito, com gentileza, e tenho alguma perspectiva. Para mim, varia bastante: h\u00e1 dias em que me sinto esperan\u00e7oso, em outros \u00e9 como um inferno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acreditam que a arte, m\u00fasica no caso, pode trazer algum al\u00edvio para tempos como o que vivemos?<\/strong><br \/>\nBobby \u2014 Definitivamente! \u00c9 meio que o objetivo pelo qual me tornei um artista perform\u00e1tico. Tenho muita satisfa\u00e7\u00e3o em saber que depois de um show que fiz, ou ap\u00f3s ouvir minha m\u00fasica, as pessoas sentem-se um pouco melhores do que antes. Acho que \u00e9 um grande al\u00edvio sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonny \u2014 \u00c9 um jeito de as pessoas ouvirem e sentirem algo que \u00e9 comum com outras. Isso cria um v\u00ednculo. Pode parecer s\u00f3 uma m\u00fasica, mas \u00e9 prazeroso que fa\u00e7a a galera se animar. Algumas vezes \u00e9 esperan\u00e7oso, outras nem tanto. Depende de cada um, de o que a pessoa est\u00e1 passando naquele momento. \u00c9 profundo dentro da experi\u00eancia de vida de cada ouvinte. Talvez fa\u00e7a com que quem escuta n\u00e3o se sinta t\u00e3o sozinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas poderiam apontar seus temas preferidos de \u201cCaveman Logic\u201d e explicar o porqu\u00ea das escolhas?<\/strong><br \/>\nBobby \u2014 N\u00e3o tenho uma preferida, curto todas. Me agradam \u201cCaveman Logic\u201d, \u201cKitty Gone\u201d. Amo \u201cThese Days\u201d e \u201cSir Lancelot\u201d. Gosto de algumas guitarras mais pomposas e com sentimento, \u00e9 a escola de onde vim. Esses sons passam isso para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonny \u2014 N\u00e3o tenho nenhum som favorito mesmo. Ao contr\u00e1rio do Bobby, n\u00e3o consigo pensar em exemplos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E qual som acreditam que funcionar\u00e1 bem ao vivo?<\/strong><br \/>\nSonny \u2014 Teremos de descobrir.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Limit: Black Sea (Official video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UBfQXrPBxOI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Limit: Death Of My Soul (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1hFnbpJT8jU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Figuras cultuadas no nicho rockeiro, Bobby Liebling e Sonny Vincent s\u00e3o for\u00e7as criativas desde os anos 1970 que, agora, se juntam no The Limit, que est\u00e1 lan\u00e7ando seu primeiro \u00e1lbum, \u201cCaveman Logic\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/04\/09\/entrevista-bobby-liebling-pentagram-e-sonny-vincent-testors-falam-de-sua-nova-banda-the-limit\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":60614,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5100,5101,5099],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60613"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60613"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60613\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60617,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60613\/revisions\/60617"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60614"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}