{"id":60601,"date":"2021-04-07T19:36:56","date_gmt":"2021-04-07T22:36:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=60601"},"modified":"2021-06-24T14:56:34","modified_gmt":"2021-06-24T17:56:34","slug":"entrevista-rodrigo-correa-fala-do-podcast-balanco-e-furia-e-da-editora-sobinfluencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/04\/07\/entrevista-rodrigo-correa-fala-do-podcast-balanco-e-furia-e-da-editora-sobinfluencia\/","title":{"rendered":"Entrevista: Rodrigo Corr\u00eaa fala do podcast Balan\u00e7o e F\u00faria e da editora sobinfluencia"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Educador, oficineiro, editor, m\u00fasico, produtor de eventos e podcaster. Essas s\u00e3o apenas algumas das fun\u00e7\u00f5es que Rodrigo Corr\u00eaa (ou Pi\u00e1 para os \u00edntimos) tem acumulado ao longo de sua vasta carreira na ala cultural. Sua trajet\u00f3ria foi iniciada a mais de uma d\u00e9cada, quando ajudou a produzir as edi\u00e7\u00f5es da Verdurada, festival voltado a cultura punk\/hardcore e seus desdobramentos, em Piracicaba (interior de S\u00e3o Paulo). A iniciativa durou at\u00e9 2016 e fez hist\u00f3ria ao promover shows, oficinas e palestras que visavam um maior di\u00e1logo com outros movimentos sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m da carreira de produtor, Rodrigo \u00e9 membro da banda de hardcore <a href=\"https:\/\/xtimeanddistancex.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Time and Distance<\/a>, que aposta numa sonoridade raivosa, com letras que tem um discurso pol\u00edtico de esquerda afiado alinhado a filosofia straight edge. Suas iniciativas mais recentes s\u00e3o o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/balancoefuria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">podcast Balan\u00e7o e F\u00faria<\/a> e a <a href=\"https:\/\/www.sobinfluencia.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">editora sobinfluencia <\/a>(conhe\u00e7a a<a href=\"https:\/\/sobinfluencia.lojaintegrada.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> loja online)<\/a>. O primeiro tem como proposta trazer discuss\u00f5es pertinentes a respeito da interface entre a arte e a pol\u00edtica. J\u00e1 a segunda tem como objetivo fomentar material revolucion\u00e1rio em suas mais variadas facetas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa conversa, Rodrigo Corr\u00eaa fala sobre os dilemas da pandemia, o podcast Balan\u00e7o e F\u00faria, o mercado editorial brasileiro e a sobinfluencia, o crescente movimento da cultura dos podcasts, as origens de sua rela\u00e7\u00e3o com a cultura punk e o rap, o legado da Verdurada, o esfacelamento da cultura na contemporaneidade, planos futuros e mais. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os malditos da m\u00fasica brasileira com Kiko Dinucci\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ADdkCpyX8pE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeiramente gostaria de saber como tem sido a pandemia para voc\u00ea. O que tem feito neste per\u00edodo de confinamento?<\/strong><br \/>A pandemia tem intensificado uma condi\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vinha se desenvolvendo, por um lado a ruptura do limite entre tempo livre\/trabalho, a hiperconectividade e hiperprodutividade, e por outro, a precariza\u00e7\u00e3o e a mis\u00e9ria. Nesse um ano de pandemia, acho que 90% do meu tempo foi ocupado pelo trabalho, mas a frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e o exerc\u00edcio intelectual que tenho tido vem principalmente da troca com meus companheiros da sobinfluencia e no Balan\u00e7o e F\u00faria, assim como eventuais encontros com meus amigos de banda, quando e como poss\u00edvel. Mas em resumo \u00e9 isso, n\u00e3o sei se desenvolvi novos h\u00e1bitos ou se administro da forma mais saud\u00e1vel a minha rotina, n\u00e3o tenho lido como gostaria, nem visto tantos filmes, mas o podcast e a sobinfluencia tem me movimentado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas que s\u00e3o importantes pra mim, o aprendizado pela troca e o experimento da mat\u00e9ria que tamb\u00e9m servem de brecha para que seja poss\u00edvel produzir vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem atuado em diversas frentes, mas gostaria de falar, primeiramente, sobre o podcast Balan\u00e7o e F\u00faria, que traz \u00e0 tona discuss\u00f5es pertinentes, a cada epis\u00f3dio, relacionadas a interface entre arte e pol\u00edtica. Nesse sentido, como se deu a cria\u00e7\u00e3o desta iniciativa? E ainda: quais s\u00e3o as suas motiva\u00e7\u00f5es \/ inten\u00e7\u00f5es ao trazer para o p\u00fablico geral o apre\u00e7o por esta tem\u00e1tica?<\/strong><br \/>Eu e meus amigos mais pr\u00f3ximos consumimos podcast assiduamente desde algum tempo, e o Balan\u00e7o e F\u00faria n\u00e3o \u00e9 a primeira tentativa de podcast. J\u00e1 houve uma com o Alex (que tamb\u00e9m constr\u00f3i a sobinfluencia), mas n\u00e3o foi pra frente. Acho que os temas que cruzam o Balan\u00e7o e F\u00faria, antes de tudo, respondem a curiosidades e associa\u00e7\u00f5es muito particulares e muitas vezes, antigas. O podcast \u00e9 s\u00f3 uma das plataformas que escolhi pra desbravar temas que me interessam e tamb\u00e9m estabelecer essa troca com pessoas que admiro. Alguns daqueles temas eu j\u00e1 havia esbo\u00e7ado elabora\u00e7\u00f5es usando outros meios, como um texto sobre punk e situacionismo que nunca se concluiu, assim como um projeto inscrito em um edital chamado &#8220;a hist\u00f3ria do Brasil cantada pelo rap&#8221;. Antes de atuar no ramo editorial, fui educador, oficineiro, basicamente. Minhas oficinas tinham como p\u00fablico os adolescentes, e de alguma forma, muitas das ideias materializadas no Balan\u00e7o e F\u00faria j\u00e1 foram aplicadas nesses outros espa\u00e7os, oficinas sobre a hist\u00f3ria do sample, resgatando a origem jamaicana, constru\u00e7\u00e3o de cartografias afetivas, partindo do situacionismo e do skate, a constru\u00e7\u00e3o de cartazes e fanzines, enfim&#8230; o Balan\u00e7o e F\u00faria \u00e9 s\u00f3 uma continua\u00e7\u00e3o disso em contexto de pandemia, se n\u00e3o fosse a pandemia, sem d\u00favida essas conversas se transformariam em oficinas ou qualquer coisa do tipo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Balan\u00e7o e F\u00faria surgiu num momento em que as plataformas de streaming trouxeram \u00e0 tona diversas iniciativas voltadas ao formato podcast. Nesse sentido como voc\u00ea v\u00ea o crescimento deste nicho? Quais as iniciativas voc\u00ea acompanha e recomenda?<\/strong><br \/>De alguma forma, o podcast, pelo menos nesse espa\u00e7o que nos situamos (hardcore\/ punk\/ contracultura\/ hip-hop\/ pol\u00edtica), assume algumas caracter\u00edsticas de fanzine, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es. Existem podcasts pessoais, podcasts mais pol\u00edticos, podcasts de entrevista, podcasts mais musicais, assim como os fanzines eram (ou s\u00e3o). Al\u00e9m disso, o fanzine tamb\u00e9m dizia sobre o sujeito\/coletivo que o cria, revela algo de si, esse algo que o conecta com outras pessoas. Enfim, tudo isso pra dizer que h\u00e1 algo que aproxima o podcast do fanzine a meu ver (risos). Ironicamente, o boom dos podcasts me fez ouvir uma variedade cada vez menor, e cada vez menos tenho descoberto novos podcasts. \u00c9 uma faca de dois gumes n\u00e9, quando a coisa fica saturada, o que est\u00e1 na superf\u00edcie acaba sendo o que adotamos, nesse contexto disperso e ef\u00eamero da virtualidade. Isso fora a forma como os algoritmos agem, a favor de determinados conte\u00fados em detrimento de outros. Minhas recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o:<br \/>&#8211; <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCch8-TG64jzKSbsveeYWqqA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">R\u00e1dio aurora, o podcast da sobinfluencia<\/a><br \/>&#8211; <a href=\"https:\/\/fagulhacast.noblogs.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fagulha podcast &#8211; Um podcast anarquista<\/a><br \/>&#8211; <a href=\"https:\/\/www.megafono.host\/podcast\/antinomia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Antinomia<\/a><br \/>&#8211; <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/rio-que-arrasta-podcast\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Do rio que tudo arrasta<\/a><br \/>&#8211; <a href=\"https:\/\/dublab.com.br\/category\/programas\/sabe-som\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sabe som?<\/a><br \/>&#8211; <a href=\"https:\/\/disconversa.com\/disconversando\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Disconversando<\/a><br \/>&#8211; <a href=\"https:\/\/www.doityourcast.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Do it yourcast<\/a><br \/>&#8211; <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/63TdQTOpuEVMF8hzsKtFUd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Madcast<\/a><br \/>&#8211; <a href=\"https:\/\/podcasts.google.com\/feed\/aHR0cHM6Ly9mZWVkLm1lZ2Fmb25vLmhvc3QvdG9ydG8?sa=X&amp;ved=0CAMQ4aUDahcKEwjYjobmlu3vAhUAAAAAHQAAAAAQAQ&amp;hl=pt-BR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Torto Podcast<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Engra\u00e7ado que eu pretendia citar na pergunta este fator. Acredito que o podcast tem uma fun\u00e7\u00e3o parecida com o zine. Mas achei que seria uma viagem errada. Ent\u00e3o n\u00e3o estou de todo errado!<\/strong><br \/>N\u00e3o t\u00e1 n\u00e3o. (risos). Matuto muito sobre isso. Ou n\u00f3s dois estamos viajando, o que t\u00e1 tudo bem tamb\u00e9m (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos epis\u00f3dios voc\u00ea aborda elementos da cultura punk \/ hip hop e seus desdobramentos, essencialmente. Como se deu a sua rela\u00e7\u00e3o com estas culturas e de que maneira elas ajudaram na sua forma\u00e7\u00e3o humana \/ intelectual?<\/strong><br \/>\u00c9 uma hist\u00f3ria t\u00e3o longa, quanto clich\u00ea (risos). Mas, basicamente, as primeiras vezes em que tive acesso ao punk e ao rap foram atrav\u00e9s do skate. Quem era uma crian\u00e7a, prestes a se tornar adolescente na primeira metade dos anos 2010, inevitavelmente cruzaria alguma dessas express\u00f5es. Cresci em Piracicaba, interior de S\u00e3o Paulo, e uma das primeiras pessoas que conheci, aos 11 anos, foi um cara chamado Douglas, um pouco mais velho que eu, mas relativamente esclarecido em rela\u00e7\u00e3o a alguns temas. Ele j\u00e1 era vegan e se dizia anarquista com algum embasamento a mais que a m\u00e9dia das pessoas da nossa idade, al\u00e9m de ser um grande f\u00e3 de rap, mas mais de Racionais MCs especificamente, claro. No come\u00e7o esse fato me intrigava, pois ele n\u00e3o s\u00f3 ouvia, como frequentava os shows. Pouco tempo depois h\u00e1 um relativo &#8220;boom&#8221; do rap underground, e em Piracicaba frequent\u00e1vamos as batalhas que aconteciam na pra\u00e7a central em meados de 2008\/2009 eu acho. Isso aproximou algumas pessoas que organizavam shows de hardcore\/punk de algumas pessoas que organizavam os eventos de rap, inclusive, se n\u00e3o me engano, a primeira vez que o Kamau tocou em Piracicaba, foi em um evento organizado por um coletivo de pessoas envolvidas com o hardcore e um coletivo de pessoas do rap. E talvez a maior contribui\u00e7\u00e3o que o punk e o rap tenham dado pra minha forma\u00e7\u00e3o seja a de orientar a minha curiosidade. N\u00e3o me considero uma pessoa de f\u00e1cil aprendizagem, na escola nunca funcionou assim, mas a curiosidade com as coisas relacionadas ao que me interessava talvez tenha me deixado um pouco mais esperto. De alguma forma, \u00e9 f\u00e1cil percorrer um caminho em que voc\u00ea cruza o Nas, o Art Blakey e o James Baldwin, assim como voc\u00ea pode caminhar pela trilha do Discharge at\u00e9 chegar no John Heartfield, ou do Racionais Mcs e chegar no Movimento Negro Unificado. Enfim, acho que o punk e o rap s\u00e3o s\u00f3 mais uma forma de aprender.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Time and Distance - Wounds + Hand of Power - Live in Oslo - 02-08-19\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BTKGQA-GqEs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda falando sobre m\u00fasica, voc\u00ea \u00e9 integrante da banda de hardcore paulistana Time and Distance. O grupo tem como bandeiras a defesa da filosofia straight edge e do espectro pol\u00edtico orientado para a esquerda. Em tempos de esfacelamento da cultura e do recrudescimento de discursos reacion\u00e1rios qual a import\u00e2ncia que a m\u00fasica politizada tem na contemporaneidade?<\/strong><br \/>Essa \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil de responder, pelo menos pra mim, ou pelo menos agora. Talvez em algum outro momento da vida eu tivesse uma resposta, mas hoje, acho que n\u00e3o tenho. Esse \u00e9 o tipo de coisa que a gente sabe que \u00e9 importante, mas n\u00e3o necessariamente elabora a partir da ideia de import\u00e2ncia, s\u00f3 faz, s\u00f3 faz porque gosta, porque ama ou porque vive isso. \u00c9 a mesma coisa com a sobinfluencia e com o Balan\u00e7o e F\u00faria, que tem sua import\u00e2ncia, \u00f3bvio, vivemos uma desgra\u00e7a sem precedentes, o campo pol\u00edtico ao qual pertencemos est\u00e1 perdendo e est\u00e1 perdido. Mobiliza\u00e7\u00f5es que organizam nossas a\u00e7\u00f5es, nossos afetos e nosso imagin\u00e1rio, no sentido contr\u00e1rio dessa barb\u00e1rie que vivemos, s\u00e3o necess\u00e1rias e importantes. Mas ao mesmo tempo \u00e9 t\u00e3o importante quanto \u00f3bvio (bem naquele sentido da m\u00e1xima brechtiana, dos tempos de defender o \u00f3bvio), \u00e9 tamb\u00e9m simplesmente a coisa que comp\u00f5e a nossa humanidade, o que a gente come, l\u00ea, ouve&#8230; com todas as contradi\u00e7\u00f5es que um ser humano tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea fez parte do coletivo Verdurada, iniciativa que unia shows, palestras e oficinas com orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O festival encerrou as atividades em 2016 e fez hist\u00f3ria na cena hardcore\/punk independente. Passados cinco anos ap\u00f3s a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, voc\u00ea acredita que o evento deixou um legado para o que \u00e9 produzido na atualidade?<\/strong><br \/>Eu fiz parte do coletivo da Verdurada de Piracicaba. L\u00e1 a Verdurada aconteceu de 2009-2016. De forma geral, podemos considerar que a Verdurada, desde as primeiras em S\u00e3o Paulo, foi o primeiro evento nesse formato, interseccional, que estabelecia di\u00e1logo com outros movimentos sociais, que trouxe pautas para espa\u00e7os culturais predominados por pessoas muito jovens, n\u00e3o afeitas a essas discuss\u00f5es, coisas que hoje em dia s\u00e3o muito comuns tanto no punk\/hardcore, como em alguns outros lugares tamb\u00e9m. Acho que de forma n\u00e3o t\u00e3o clara, a constitui\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio que relaciona com uma certa pol\u00edtica de pauta, ainda muito atrelada a alguns setores do hardcore, deve aos formatos e discuss\u00f5es propostos pela Verdurada, mas as coisas s\u00e3o muito diferentes hoje, o hardcore\/punk, ou at\u00e9 mesmo o rock no geral n\u00e3o mobiliza uma juventude. Suspeito at\u00e9 que a m\u00fasica no geral tenha perdido esse lugar na cultura pop e em algum n\u00edvel tenha ficado pra tr\u00e1s de uma cultura gamer ou qualquer coisa que o valha. N\u00e3o sei, t\u00e1 tudo meio estranho. Uma coisa sobre a Verdurada de Piracicaba que \u00e9 importante mencionar: a Casa do Hip Hop era o nosso Jabaquara, e as pessoas envolvidas com a casa do Hip Hop foram essenciais na constru\u00e7\u00e3o de cada Verdurada, atuaram na cozinha, pintavam as bandeiras, estavam antes do evento, ajudando a arrumar o espa\u00e7o e continuavam l\u00e1 depois de tudo ter acabado, mesmo sem nenhuma conex\u00e3o com o punk ou o veganismo. A Verdurada de Piracicaba tamb\u00e9m se aliava \u00e0 comunidade em que acontecia o evento, a Paulic\u00e9ia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_60603\" aria-describedby=\"caption-attachment-60603\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-60603 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/porumarte.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/porumarte.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/porumarte-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-60603\" class=\"wp-caption-text\"><em> &#8220;Por uma Arte Revolucion\u00e1ria Independente&#8221;, livro de Andr\u00e9 Breton e Diego Rivera <a href=\"https:\/\/sobinfluencia.lojaintegrada.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lan\u00e7ado pela sobinfluencia<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mudando de assunto, voc\u00ea \u00e9 um dos fundadores da j\u00e1 citada sobinfluencia, editora que tem trazido para o p\u00fablico publica\u00e7\u00f5es de obras que fomentam o discurso revolucion\u00e1rio em suas mais variadas facetas. Gostaria que voc\u00ea falasse sobre os motivos que os levaram a criar esta nobre iniciativa e como tem sido a recep\u00e7\u00e3o no mercado editorial brasileiro?<\/strong><br \/>A sobinfluencia, a princ\u00edpio, era um nome pra algo que eu costumava chamar de &#8220;exposi\u00e7\u00e3o&#8221; (risos). Em 2016 comecei a fazer algumas colagens, e por algumas vezes expus essas colagens em um &#8220;evento&#8221;. N\u00e3o sei mais como classificar, mas em um momento passei a chamar de &#8220;sobinfluencia&#8221;. A mesma passa a se transformar lentamente em outra coisa a partir do momento em que a Fabiana (que tamb\u00e9m constr\u00f3i a editora) me apresenta esse cen\u00e1rio em que diversas editoras independentes fomentam suas publica\u00e7\u00f5es. A primeira manifesta\u00e7\u00e3o da sobinfluencia em papel foi atrav\u00e9s de um fotozine, feito em colabora\u00e7\u00e3o com o coletivo flanantes em mar\u00e7o de 2019, se n\u00e3o me engano. Mas s\u00f3 em janeiro de 2020 a sobinfluencia estabelece de fato sua inten\u00e7\u00e3o de ser uma editora, com meus companheiros de vida Fabiana, Alex e Gustavo. Acho que n\u00e3o preciso elaborar muito sobre as dificuldades de se construir uma editora no Brasil pand\u00eamico de Bolsonaro. Ela \u00e9 total. Mas ao mesmo tempo \u00e9 como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos outra escolha, \u00e9 isso o que temos a fazer. Todos n\u00f3s temos outras fontes de renda, damos aula, trabalhamos para outras editoras. Enfim, a sobinfluencia ainda n\u00e3o nos mant\u00e9m fisicamente, materialmente, mas nos mant\u00e9m vivos. \u00c9 o buraco em que a gente enfia a m\u00e3o pra arrancar algo que nos fale sobre o subterr\u00e2neo das publica\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas da It\u00e1lia dos anos 70, sobre os jogos surrealistas, sobre a deriva situacionista, sobre a necessidade de se relembrar a Comuna de Paris, sobre o marxismo amer\u00edndio de Mari\u00e1tegui ou o banditismo social de Gino Menghetti. Enfim&#8230; \u00e9 algo por a\u00ed. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, gostaria que voc\u00ea falasse sobre planos futuros. Sei que voc\u00ea se dedica a diversas iniciativas e imagino que voc\u00ea seja movido pela inquietude. E, talvez, por esse fator voc\u00ea deve ter engatilhado uma s\u00e9rie de iniciativas. O que podemos esperar ainda em 2021?<\/strong><br \/>Dif\u00edcil projetar planos em momentos como esses (risos). Mas quando for poss\u00edvel, al\u00e9m de intensificar as atividades da sobinfluencia e retomar a banda, gostaria muito de tornar o Balan\u00e7o e F\u00faria algo presente\/presencial\/material, um espa\u00e7o para trocas humanas, oficinas, n\u00e3o sei, um livro talvez. Como eu disse, o podcast foi s\u00f3 uma plataforma que escolhi pra escoar assuntos que j\u00e1 me atravessavam. Pode ser e quero que o Balan\u00e7o e F\u00faria se transforme em algo maior, assim como a sobinfluenica. Vamos devagar, tateando esse solo, chegando e vendo o que pode ser feito.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Check the rhime \u2013 o rap alternativo e uma outra elabora\u00e7\u00e3o est\u00e9tica da cultura de rua com Parteum\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DcsjG66fEtU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Queercore \u2013 a esquina onde a comunidade LGBT e o punk se encontram com Cau\u00ea Xop\u00f4 e Bruna Provazi\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1t5Bb-dCVlw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"As veias abertas da Am\u00e9rica do Sul com Daniel Villaverde (Sonidos Latinos)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lH7IDLkNn98?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Educador, oficineiro, editor, m\u00fasico, produtor de eventos e podcaster, Rodrigo Corr\u00eaa fala sobre seus novos projetos: o podcast Balan\u00e7o e F\u00faria, sobre arte e pol\u00edtica, e a editora sobinfluencia, que fomenta o discurso revolucion\u00e1rio\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/04\/07\/entrevista-rodrigo-correa-fala-do-podcast-balanco-e-furia-e-da-editora-sobinfluencia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":60602,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[5095,5096,5097],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60601"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60601"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60601\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60857,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60601\/revisions\/60857"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60602"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}