{"id":60491,"date":"2021-03-27T03:31:06","date_gmt":"2021-03-27T06:31:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=60491"},"modified":"2023-10-06T00:15:26","modified_gmt":"2023-10-06T03:15:26","slug":"assista-a-this-is-canoas-not-poa-doc-sobre-o-rock-independente-de-canoas-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/03\/27\/assista-a-this-is-canoas-not-poa-doc-sobre-o-rock-independente-de-canoas-rs\/","title":{"rendered":"Assista a &#8220;This Is Canoas, not POA&#8221;, doc sobre o rock independente de Canoas (RS)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desconsiderando-se fronteiras e peculiaridades, as cenas locais de m\u00fasica independente em distintas cidades compartilham mais afinidades do que diferen\u00e7as. A vontade de fazer acontecer que se sobressai \u00e0 falta de condi\u00e7\u00f5es, o desejo de se expressar gritando alto para desafiar a falta de apoio e a satisfa\u00e7\u00e3o de dividir momentos de realiza\u00e7\u00e3o com outros desajustados dentro de um recorte temporal e geogr\u00e1fico s\u00e3o caracter\u00edsticas comuns desses microcosmos culturais estabelecidos em torno da arte sonora. &#8220;<a href=\"https:\/\/conquestfordeath.bandcamp.com\/album\/many-nations-one-underground\">Many nations, one underground<\/a>&#8221; (v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es, um underground), sintetiza o t\u00edtulo de uma faixa da Conquest For Death, banda estadunidense de fastcore.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por raz\u00f5es diversas, tais movimenta\u00e7\u00f5es acabam ficando restritas e, n\u00e3o raro, s\u00e3o esquecidas. Figura ativa no submundo cultural do Sul do pa\u00eds h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, o realizador audiovisual e m\u00fasico Wender Zanon, 30 anos, resolveu subverter esse cen\u00e1rio comum. Para isso, idealizou e dirigiu um resgate hist\u00f3rico em forma de document\u00e1rio, elencando acontecimentos que o meio alternativo musical trilhou em sua terra natal, Canoas \u2014 munic\u00edpio da regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre. \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=s9QQOOeqh0w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">This Is Canoas, not POA<\/a>\u201d (2021), retrata, com foco no rock, parte das atividades envolvendo bandas, pontos de encontros, fomentadores e eventos desde os anos 1980 at\u00e9 recentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia do projeto, contemplado com repasses da Lei Aldir Blanc no Rio Grande do Sul (mecanismo de est\u00edmulo financeiro ao setor cultural disponibilizado pelo governo federal), \u00e9 inspirar pessoas de outros cantos para que contem suas experi\u00eancias e n\u00e3o as deixem desaparecer com o passar do tempo. \u201c\u00c9 tudo que eu quero e desejo com esse filme. A gente precisa dar mais aten\u00e7\u00e3o pra nossas pequenas hist\u00f3rias e resgatar elas. Se n\u00e3o vai ser sempre a hist\u00f3rias de quem teve &#8216;sucesso&#8217;, saca?\u201d, explica Wender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O hoje baixista (dos grupos Paquet\u00e1 e Conflito), tamb\u00e9m um admirador de cinema, tomou li\u00e7\u00f5es aprendidas no esquema DIY (do it yourself ou fa\u00e7a voc\u00ea mesmo) e reuniu amigos do circuito independente para colocar a iniciativa em pr\u00e1tica. O resultado \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o de duas horas com personagens narrando seus envolvimentos com m\u00fasica e suas rela\u00e7\u00f5es de pertencimento a uma determinada localidade. Na entrevista a seguir, Wender explica o processo de pesquisa para o longa-metragem, avalia incentivos estatais ao setor de cultura e justifica o porqu\u00ea de explorar o underground canoense na tela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como diz um som do quarteto hardcore CxFxC (um dos mais antigos de Canoas em atividade, formado em 1991): <a href=\"https:\/\/cxfxcx.bandcamp.com\/track\/seja-a-cena\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">seja a cena<\/a>. Ou, neste caso: assista \u00e0s cenas de quem faz a cena em Canoas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"This is CANOAS, not POA!\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s9QQOOeqh0w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De onde veio a ideia de fazer um document\u00e1rio falando sobre a cena rockeira independente de Canoas? O que te levou a crer que valeria o esfor\u00e7o, que haveria conte\u00fado a ser explorado?<\/strong><br \/>\nO embri\u00e3o da ideia vem l\u00e1 do meu inicio como frequentador dos shows na minha cidade. Eu notei que muitas daquelas bandas que eu estava assistindo ficariam apenas na hist\u00f3ria oral de um pequeno grupo. Isso era tipo 2006\/2007, quando ainda era dif\u00edcil de gravar. Talvez porque naquele meio todo mundo era um pouco duro de grana, sei l\u00e1. Lembro uma vez que uns amigos gravaram um ensaio ao vivo e j\u00e1 ficaram muito felizes com aquilo, saca? Foi uma vibra\u00e7\u00e3o, uma conquista. Hoje em dia vai escutar e \u00e9 uma merda. Tipo, n\u00e3o \u00e9 um material que fica na \u201chist\u00f3ria\u201d. Fazer um material de qualidade requer grana, planejamento, maturidade e isso muitas vezes n\u00e3o t\u00e1 em sintonia com o momento da banda, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 isso que impede um som ou um disco de ser gravado, sabe? Impede que essa m\u00eddia, essa arte se espalhe pra mais espa\u00e7os e pessoas, obtenha mais exposi\u00e7\u00e3o na imprensa e, assim, fa\u00e7a parte de uma hist\u00f3ria oficial. Enfim, digo isso pra mostrar que todo lugar tem uma hist\u00f3ria em potencial a ser contada. E essas micro-hist\u00f3rias influenciam, moldam vidas e formam muita gente. Assim como foi um aprendizado enorme eu ter participado de uma cena, sabe? A ideia do filme vai ao encontro dessa valoriza\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia da cultura e da arte que ocorre em espa\u00e7os distintos, mas principalmente em pontos que est\u00e3o fora do eixo, dos grandes centros. Ent\u00e3o, desde aquela \u00e9poca em que eu comecei a ver shows at\u00e9 hoje, fiquei com essa pulga atr\u00e1s da orelha de \u201ccomo colaborar e contar a hist\u00f3ria daquelas pessoas que foram t\u00e3o importantes na minha forma\u00e7\u00e3o?\u201d. A\u00ed, com a pandemia, fiquei desempregado, reativei alguns projetos e um deles foi esse. Falei com meu amigo Roger Neres sobre montar um podcast e fazer um mapeamento da cidade. E ele respondeu \u201ccara, isso d\u00e1 um filme\u201d! A\u00ed come\u00e7amos a trabalhar pra isso virar um document\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredita que esses registros locais, mas que t\u00eam um apelo global, que dialogam e se assemelham com o que acontece no submundo musical de outras \u00e1reas geogr\u00e1ficas, s\u00e3o importantes? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\n\u00c9 escola, n\u00e9!? O filme refor\u00e7a muito essa import\u00e2ncia dos espa\u00e7os como pontos de cultura, pontos de encontro, de ideias e de refer\u00eancias. O envolvimento com o underground da minha cidade serviu para abrir portas e conhecer outras pessoas, m\u00fasicas, culturas, filmes e livros. Tipo, eu tava l\u00e1 em um bairro de Canoas, minha m\u00e3e \u00e9 costureira e meu pai \u00e9 metal\u00fargico, cultura n\u00e3o era algo presente na minha cria\u00e7\u00e3o. A\u00ed tu come\u00e7a a ir em shows, se envolver, conversa com quem t\u00e1 tocando. Logo passa a organizar shows e descobre que \u00e9 poss\u00edvel fazer v\u00e1rias coisas. Lembro que logo nas primeiras gigs que participei da organiza\u00e7\u00e3o, a gente j\u00e1 estava recebendo bandas da Argentina, Chile e Estados Unidos. E tipo, sair de uma perspectiva que tu n\u00e3o imagina que vai conhecer algo fora do teu bairro pra conhecer gente de outros lados do mundo \u00e9 um aprendizado e tanto! Ent\u00e3o, esse meu relato eu sei que acontece tamb\u00e9m em outras regi\u00f5es. Essa porta que se abre quando tu te envolve com cultura \u00e9 um lance transformador.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-60499\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Jeferson-Assumpcao.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Jeferson-Assumpcao.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Jeferson-Assumpcao-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 tua primeira incurs\u00e3o como diretor?<\/strong><br \/>\nDe verdade, com condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e financeiras, \u00e9 sim. Fa\u00e7o alguns materiais de v\u00eddeo pra <a href=\"https:\/\/paqueta.bandcamp.com\/album\/chumbar-um-blaze\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paquet\u00e1<\/a> e <a href=\"https:\/\/sonsdoconflito.bandcamp.com\/album\/s-t\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conflito<\/a> \u2014 que s\u00e3o bandas em que eu toco \u2014, mas a\u00ed \u00e9 aquela coisa. Faz como pode, quando d\u00e1 e com as ferramentas que se tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a pesquisa e quanto tempo levou desde que esse trabalho de mapear pessoas, lugares e acontecimentos come\u00e7ou at\u00e9 o montagem do document\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nEsse processo inicial durou cerca de tr\u00eas meses. Quando falei com o Roger Neres, produtor do filme, a gente logo tirou a ideia da cabe\u00e7a e come\u00e7ou a executa-la. A primeira pesquisa foi feita on-line, por um formul\u00e1rio, e come\u00e7amos a enviar pra galera que a gente conhecia e ia pedindo pra espalhar. Isso foi algo legal. Inicialmente pensei em come\u00e7ar a falar a partir dos anos 1990. Pra mim foi quando a coisa ficou mais legal, quando o punk estava forte na cidade e era a fase em que meus amigos mais velhos tinham come\u00e7ado tamb\u00e9m. Mas essa primeira pesquisa acabou indo longe, chegou na galera dos anos 80 e, ali, j\u00e1 descobri um pessoal que estava engajado na cidade e que eu n\u00e3o conhecia. A\u00ed o filme acabou ganhando uma d\u00e9cada a mais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-60497\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cleiton.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cleiton.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cleiton-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A equipe \u00e9 praticamente toda de pessoas que s\u00e3o envolvidas com o cen\u00e1rio da m\u00fasica independente \u2014 talvez n\u00e3o s\u00f3 de Canoas, mas que tem rela\u00e7\u00e3o com o mundo underground. Foi uma preocupa\u00e7\u00e3o ter esse tipo de profissionais no trabalho?<\/strong><br \/>\nNa verdade, minha maior preocupa\u00e7\u00e3o foi tipo: \u201cEu nunca fiz um filme, quem eu sei que tamb\u00e9m nunca fez um filme e que eu possa chamar pra participar?\u201d. Tirando o Renato, da <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/chama.independente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chama V\u00eddeo Independente<\/a>, que \u00e9 videomaker h\u00e1 anos e o Daniel Hogrefe, que \u00e9 tatuador, mas j\u00e1 trabalhou em ag\u00eancia de publicidade, o resto da galera de alguma forma est\u00e1 dando os primeiros passos e tentando se manter com seus trabalhos. Todo mundo tem experi\u00eancia, mas uma boa parte n\u00e3o tinha pegado um projeto t\u00e3o grande ou de fato um filme pra fazer. Quando fui formando a equipe do projeto pensei mais nisso. Quem est\u00e1 na mesma caminhada e nos mesmos passos que eu, sabe? Acho que isso definiu uma sintonia e uma entrega que acabou rolando pra esse filme. A gente tinha condi\u00e7\u00f5es de fazer algo bom, eu sabia que essas pessoas iriam me entregar um material de qualidade e tamb\u00e9m serviria pra elevar o n\u00edvel do nosso trabalho. Ent\u00e3o, respondendo \u00e0 pergunta, acho que foi mais uma consequ\u00eancia mesmo de estar envolvido com m\u00fasica. Logicamente minha rede de amigos\/profissionais tamb\u00e9m s\u00e3o desse meio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quantas pessoas foram entrevistadas? Como se deu a escolha desses personagens?<\/strong><br \/>\nForam 60 entrevistas no total. Os primeiros entrevistados sa\u00edram da primeira fase da pesquisa. Fui analisando quem tinha respondido com mais entusiasmo e logo teria mais hist\u00f3rias para contar. A\u00ed, conforme foram rolando as entrevistas, os pr\u00f3prios entrevistados citavam algu\u00e9m que parecia ser interessante ou at\u00e9 falavam \u201ctem que conversar com fulano de tal\u201d. Ent\u00e3o, teve um momento em que todo dia aparecia um entrevistado novo pra ir atr\u00e1s. O pr\u00f3prio filme e os pr\u00f3prios entrevistados foram pedindo passagem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-60494\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Ana-Leticia.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Ana-Leticia.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Ana-Leticia-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quanto tempo de grava\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias acabaram virando essas duas horas de filme? Quais crit\u00e9rios pra selecionar o que entrou para o corte final?<\/strong><br \/>\nEm m\u00e9dia, cada entrevista ficou com meia hora. Claro que teve gente que falou quase 1h30min hehe. No fim, juntamos umas 35 horas de material captado. No momento em que a entrevista estava rolando, eu j\u00e1 estava sacando o que queria que fosse pro filme. Ent\u00e3o, digamos que tiveram dois momentos de decupagem. Na entrevista, eu j\u00e1 selecionava mentalmente o que era legal. Depois, quando fui escutar tudo de novo, fui anotando e marcando os tempos pra passar pro editor. O crit\u00e9rio foi ver o que formava uma \u201cunidade\u201d ou configurava um capitulo. Teve bons momentos que ficaram de fora porque eram s\u00f3 duas pessoas falando de algo. A\u00ed n\u00e3o tinha um peso pra entrar no filme, sabe? Ia ficar muito perdido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que um nome em ingl\u00eas e n\u00e3o alguma express\u00e3o que fa\u00e7a refer\u00eancia \u00e0 pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o musical da cidade?<\/strong><br \/>\n&#8220;This is Canoas, Not POA&#8221; era um evento que eu fazia na cidade. O nome veio daquela colet\u00e2nea de hardcore \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_v0bqZsoIOw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">This is Boston, Not L.A<\/a>\u201d. A\u00ed na \u00e9poca que estava escrevendo o filme no edital, pensei que seria interessante aproveitar uma ideia que j\u00e1 existia e transformar em filme do que criar um nome totalmente novo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-60495\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/armani.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/armani.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/armani-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa colet\u00e2nea punk estadunidense \u2018This Is Boston not LA\u2019 foi um esp\u00e9cie de rea\u00e7\u00e3o da galera da cidade na costa leste dos EUA ante o que rolava no munic\u00edpio da costa oeste. Seria mais ou menos essa ideia se compararmos Canoas com a vizinha Porto Alegre?<\/strong><br \/>\nIsso. O nome \u00e9 em homenagem a colet\u00e2nea, mas \u00e9 mais uma tira\u00e7\u00e3o de onda do que algo \u201cs\u00e9rio\u201d. O lance \u00e9 que Canoas, assim como qualquer cidade que fica do lado de uma capital ou um grande centro urbano, sofre e agradece por estar t\u00e3o perto. A gente sabe que as coisas s\u00e3o mais \u201cevidentes\u201d na capital, que as novidades chegam primeiro l\u00e1. As bandas famosas est\u00e3o na capital. Pra tua banda ser mais reconhecida tu precisa ir pra Porto Alegre. Quem se d\u00e1 bem em Porto Alegre da\u00ed precisa ir pra S\u00e3o Paulo, saca? Porque \u00e9 l\u00e1 onde as coisas rolam. Acho que \u00e9 essa a rela\u00e7\u00e3o Canoas x Poa. \u00c9 na capital onde a cultura oficial \u00e9 forte e acontece. Aquela cultura que tu v\u00ea na tv, no jornal, no melhor site de cobertura, sabe? Pegando um exemplo recente, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o livro que t\u00e1 saindo agora <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/701316490646892\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dos 100 grandes discos do rock ga\u00facho<\/a> \u00e9 basicamente formado por bandas de Porto Alegre. Enfim, a gente precisa ter essa cultura de aprender, vivenciar e respeitar a cultura local, saca? Ali que \u00e9 o centro de forma\u00e7\u00e3o. Tem muita gente aqui da cidade que vivencia mais a capital do que a cena local. Talvez porque a cena local n\u00e3o tenha os atrativos que aquela pessoa goste, mas acho que na maioria dos casos \u00e9 porque as pessoas n\u00e3o t\u00eam oportunidades e incentivos de frequentar o que acontece no seu bairro, cidade, clubinho, saca? E \u00e9 tipo isso: pra tua arte ser reconhecida, no caso tua banda, tu precisa passar pela aprova\u00e7\u00e3o da capital, saca? A fun\u00e7\u00e3o de Canoas, uma cidade dormit\u00f3rio, \u00e9 continuar sendo uma cidade dormit\u00f3rio at\u00e9 que algu\u00e9m tente mudar isso. Claro que \u00e9 nos grandes centros urbanos que tudo acontece. Mas por exemplo: tem um cap\u00edtulo do filme em que a gente fala sobre uns shows que rolavam aqui no bairro Mathias Velho e que aconteciam em uma cancha de futebol de areia. \u00c9 um espa\u00e7o conquistado que a dona na \u00e9poca, a S\u00f4nia, abriu para shows. Um espa\u00e7o no meio do bairro. Aquilo foi importante e formou muitas pessoas. Enfim, a maioria das bandas que formaram meu gosto musical e o meu \u201centendimento\u201d sobre cultura, arte e tal, s\u00e3o bandas que em sua maioria n\u00e3o sa\u00edram da cidade ou ficaram restritas ao circuito da regi\u00e3o metropolitana. As pessoas que est\u00e3o envolvidas nessas bandas em sua maioria s\u00e3o oper\u00e1rios, professores, funcion\u00e1rios, que nunca desistiram de fazer algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A narrativa do filme passa uma ideia de cronologia. Tipo: pega desde os anos 1980 em diante. Por que fizeram essa op\u00e7\u00e3o e n\u00e3o algo mais fragmentado, misturado?<\/strong><br \/>\nEu tenho uma inten\u00e7\u00e3o que \u00e9 o filme funcionar como uma ponte, uma liga\u00e7\u00e3o entre as gera\u00e7\u00f5es de Canoas. Pra isso fazer sentindo a sa\u00edda foi falar dos espa\u00e7os e n\u00e3o das bandas. A ordem cronol\u00f3gica ajudou a juntar as gera\u00e7\u00f5es de m\u00fasicos e rol\u00eas. E dai resolvi dividir o filme por espa\u00e7os f\u00edsicos que colaboraram pras coisas acontecerem na cidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_60500\" aria-describedby=\"caption-attachment-60500\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-60500 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/paqueta_alice-tenorio-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/paqueta_alice-tenorio-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/paqueta_alice-tenorio-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-60500\" class=\"wp-caption-text\"><em>Registro da banda Paquet\u00e1 ao vivo \/ Foto de Alice Ten\u00f3rio<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Houve preocupa\u00e7\u00e3o em contemplar a import\u00e2ncia das mulheres na cena canoense, j\u00e1 que elas s\u00e3o retratadas \u2014 ainda que em menor n\u00famero (at\u00e9 porque ainda \u00e9 um meio predominantemente masculino)?<\/strong><br \/>\nSim, j\u00e1 nas entrevistas elas abordam esse assunto porque faz parte da viv\u00eancia delas. Ent\u00e3o era um relato que tinha que estar ali porque entre as falas delas essa experi\u00eancia era un\u00e2nime. E acredito que seja tamb\u00e9m assim em todos os circuitos culturais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A quest\u00e3o de viabilizar o projeto por meio de lei de incentivo: qual papel disso e como avaliam esses mecanismos de fomento da cultura?<\/strong><br \/>\nEssencial! Esse filme n\u00e3o teria sido feito sem a descentraliza\u00e7\u00e3o de recursos propostos pela Lei Aldir Blanc. Assim, n\u00e3o sou um megaconhecedor de edital, mas eu nunca tinha tentado um edital antes porque n\u00e3o tinha feito nenhum filme pra conseguir um edital pra fazer um filme, por exemplo. Esses editais emergenciais da Aldir Blanc possibilitaram que a renda fosse distribu\u00edda para muitos pequenos produtores, e n\u00e3o para poucos grandes produtores. E acho isso essencial. Por exemplo: Canoas est\u00e1 fervendo de iniciativas agora, e isso \u00e9 excelente. V\u00e1rias sementes est\u00e3o sendo plantadas nesse momento gra\u00e7as \u00e0 essa a\u00e7\u00e3o da Lei Aldir Blanc. E p\u00f4! Tamo falando da cidade, da hist\u00f3ria dela&#8230; quem teria interesse em bancar isso, ser\u00e1, se fosse por vias de um financiamento privado?<\/p>\n<figure id=\"attachment_60501\" aria-describedby=\"caption-attachment-60501\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-60501 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/hungrybirds.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"569\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/hungrybirds.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/hungrybirds-300x228.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-60501\" class=\"wp-caption-text\"><em>Hungry Birds, banda de rockabilly da cena de Canoas nos anos 90<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dos entrevistados comenta que, em cultura, oferta gera demanda. Dito isso, acredita que seria importante que pessoas que vivem\/vivenciaram cenas independentes de outros lugares tamb\u00e9m fizessem resgates desse tipo. Assim, registros locais passariam a ser mais comuns e, consequentemente, alcan\u00e7ar mais p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nSim. \u00c9 tudo que eu quero e desejo com esse filme. A gente precisa dar mais aten\u00e7\u00e3o pra nossas pequenas hist\u00f3rias e resgatar elas. Se n\u00e3o vai ser sempre a hist\u00f3rias de quem teve \u201csucesso\u201d, saca? E o que \u00e9 isso? Pra quem t\u00e1 come\u00e7ando a fazer som em Canoas agora \u00e9 importante que essa pessoa saiba que j\u00e1 teve tal banda ali, tal banda no seu bairro que fez isso ou aquilo. Isso serve de incentivo! Mas n\u00e3o falo s\u00f3 de m\u00fasica, falo de tudo, cara. Capoeira, teatro, literatura, qualquer arte, a gente vive em um pa\u00eds que cada vez mais tem um descaso com as formas de arte. Ent\u00e3o cabe a n\u00f3s acharmos solu\u00e7\u00f5es e maneiras de manter a cultura viva e repassar isso entre as gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como tu apresentarias o cen\u00e1rio da m\u00fasica independente canoense para algu\u00e9m que n\u00e3o conhece? Mais: como faria isso tendo em mente a ideia de despertar o interesse desse poss\u00edvel ouvinte\/expectador para o que foi produzido na cidade, para que assista ao document\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nCanoas \u00e9 uma cidade dormit\u00f3rio, uma cidade industrial. A linha do trem e a rodovia dividem a cidade. Esses elementos cooperam muito para formar a identidade cultural de quem vive aqui. A gente n\u00e3o teve nenhuma banda megafamosa, mas por exemplo, no final da primeira fase de pesquisa, chegamos em 320 bandas e 80 lugares citados pelos entrevistados via formul\u00e1rio. Isso quer dizer alguma coisa, sabe? Eu acho que apresentaria o filme com a ideia de \u201cveja esse filme e fa\u00e7a o registro da sua cena tamb\u00e9m\u201d. Eu acho que isso pode ser interessante. Na real, repito, \u00e9 isso que quero com <span style=\"font-size: inherit;\">o filme.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-60498\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cartaz-11.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cartaz-11.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Cartaz-11-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dirigido por Wender Zanon, filme retrata, com foco no rock, parte das atividades envolvendo bandas, pontos de encontros, fomentadores e eventos dos anos 1980 at\u00e9 recentemente em Canoas, munic\u00edpio da regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/03\/27\/assista-a-this-is-canoas-not-poa-doc-sobre-o-rock-independente-de-canoas-rs\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":60496,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3,118],"tags":[6857],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60491"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60491"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60491\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60504,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60491\/revisions\/60504"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}