{"id":60282,"date":"2021-03-05T18:23:12","date_gmt":"2021-03-05T21:23:12","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=60282"},"modified":"2021-04-30T01:14:06","modified_gmt":"2021-04-30T04:14:06","slug":"tres-perguntas-rafael-carvalho-e-o-folk-mineiro-do-sliced-hearts","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/03\/05\/tres-perguntas-rafael-carvalho-e-o-folk-mineiro-do-sliced-hearts\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Rafael Carvalho e o folk mineiro do Sliced Hearts"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natural de S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rei, Minas Gerais, <a href=\"https:\/\/www.slicedhearts.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rafael Carvalho<\/a> ganhou notoriedade na cena belo horizontina ao fazer parte do grupo Devise. Fundada em 2010, a banda apostava numa sonoridade que unia britpop e refer\u00eancias mineiras como Skank e L\u00f4 Borges. Por\u00e9m, ap\u00f3s seis anos de dedica\u00e7\u00e3o, Rafael deixou a banda, de forma amig\u00e1vel, para se dedicar a carreira de cirurgi\u00e3o vascular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passados quatro anos, Rafael decidiu retornar aos est\u00fadios e se dedicar a um novo projeto, desta vez em formato solo, o <a href=\"https:\/\/www.slicedhearts.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sliced Hearts<\/a>. Gravado no ano passado e lan\u00e7ado em fevereiro deste ano, no EP \u201c<a href=\"https:\/\/www.slicedhearts.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Solitude Daydream<\/a>\u201d o m\u00fasico aposta numa sonoridade buc\u00f3lica em ode a melancolia, fruto das influ\u00eancias folk \/ alt country de nomes como Neil Young, Wilco, Whiskeytown, Drive By Truckers, Tom Petty e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado no disputado Est\u00fadio Ilha do Corvo (MG), o EP conta com produ\u00e7\u00e3o, mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o de Leonardo Marques (Transmissor). No hall das participa\u00e7\u00f5es especiais, Rafael contou com as colabora\u00e7\u00f5es de Lu\u00eds Couto (Devise), Rodrigo Costa nas guitarras, Bruno Bentes (da banda Radiotape) na bateria e Let\u00edcia Bassi nos vocais de apoio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, Rafael fala sobre as motiva\u00e7\u00f5es que o levaram de volta ao universo da m\u00fasica, a crescente cena folk \/ alt country mineira, a cantora brit\u00e2nica Phoebe Bridgers, o papel social exercido pela m\u00fasica na atualidade e muito mais. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Walk the Path\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Z88Ha3C4-Ps?list=OLAK5uy_m41aH4ZPWu7Bnhphy-onRuwKUvw0g7DRM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anos atr\u00e1s voc\u00ea deixou o posto de baixista da banda Devise para se dedicar a carreira de cirurgi\u00e3o vascular. Passado esse tempo, acredito eu, a m\u00fasica n\u00e3o deixou de ser parte do seu cotidiano. Nesse sentido, como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o deste novo trabalho? Quais as inspira\u00e7\u00f5es e motiva\u00e7\u00f5es o levaram a retomar os est\u00fadios de grava\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nLembro-me de ter ficado muito frustrado em ter que deixar a Devise. Est\u00e1vamos em pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o do segundo disco, a mil. Queria continuar, mas n\u00e3o podia segurar a banda com minhas limita\u00e7\u00f5es de agenda. Da\u00ed prometi para mim mesmo que eu daria um jeito de voltar a tocar o quanto antes. Obviamente n\u00e3o consegui tocar em bandas, minha rotina de trabalho era vertiginosa. Mas lembro de um dia escutar &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/02\/22\/o-coracao-de-ouro-de-neil-young\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heart of Gold<\/a>&#8220;, Neil Young no viol\u00e3o e gaita, e pensar: &#8220;Isso eu consigo fazer em casa!&#8221;. Comprei um novo viol\u00e3o e novas gaitas e comecei a compor, inspirado pelo pr\u00f3prio Young e tantos outros da cena folk e alt-country &#8211; Wilco, Drive-By Truckers, Tom Petty, Ryan Adams e seu antigo Whiskeytown&#8230; Nesse meio tempo tamb\u00e9m aprendi a tocar o banjo de cinco cordas e o lapsteel, instrumentos tradicionais dessa est\u00e9tica. N\u00e3o posso dizer que sou bom em todos os instrumentos, mas o importante \u00e9 que parece ter funcionado. Destaco tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o inestim\u00e1vel do Lu\u00eds Couto, da Devise, nesse processo, que me encorajou e me fez acreditar no potencial das composi\u00e7\u00f5es desde o in\u00edcio. Inclusive, ele gravou boa parte das guitarras do EP. Tamb\u00e9m contei com a ajuda de mais amigos: Rodrigo Costa com guitarras, Bruno Bentes (Radiotape) na bateria, Let\u00edcia Bassi nos vocais de apoio. Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o no est\u00fadio Ilha do Corvo, do Leonardo Marques, que foi essencial para encontrar a sonoridade que as m\u00fasicas pediam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Minas Gerais tem se tornado, gradualmente, a \u201cmeca\u201d do alt country \/ folk nacional, com diversos artistas que exploram esta sonoridade. Como mineiro, acredito que a geografia do nosso estado montanhoso e o ar buc\u00f3lico de cidades interioranas (como a sua natal) devam influenciar diretamente para isso. Mas para voc\u00ea como se deu a escolha por trilhar este caminho musical?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito peculiar o surgimento dessas bandas aqui em Minas &#8211; posso citar de cara duas que eu gosto muito, que s\u00e3o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/19\/entrevista-andre-travassos-moons\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Moons<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/20\/entrevista-midnight-mocca-da-turminha-indie-folk-de-bh\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Midnight Mocca<\/a>, ambas de Belo Horizonte. H\u00e1 tamb\u00e9m o Young Lights, que hoje experimenta outras sonoridades, e o duo Julie and Gent. Acredito que esse revival global da m\u00fasica folk iniciado na d\u00e9cada passada teve influ\u00eancia, mas acho que a semente n\u00e3o germina se o solo n\u00e3o for f\u00e9rtil. Acredito que nossas terras foram aradas para essa atmosfera buc\u00f3lica. Grande parte das m\u00fasicas surgiu na estrada, em meio \u00e0s montanhas &#8211; constantemente dirijo entre a capital e S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei. Junte a paisagem da rodovia com a bagagem emocional e a receita est\u00e1 pronta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O EP tem em si uma sonoridade melanc\u00f3lica, que remete a um estado de paz espiritual. Tal escolha acaba por ser um contraponto ao caos contempor\u00e2neo em que vivemos. Para voc\u00ea qual \u00e9 o papel social a ser exercido pela m\u00fasica na atualidade?<\/strong><br \/>\n\u00c9 engra\u00e7ado porque, por mais que o mundo esteja em chamas, cada vez mais vejo a ascens\u00e3o global de bandas e artistas com composi\u00e7\u00f5es intimistas, muitas delas recheadas de tristeza e melancolia. Uma vez li um artigo em que a Phoebe Bridgers (outra grande influ\u00eancia) <a href=\"https:\/\/www.nylon.com\/life\/why-does-sad-music-make-you-happy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">discutia sobre o gosto peculiar por m\u00fasica triste<\/a>. Ela explicava que trata-se de uma maneira de se ver no outro e processar pensamentos que talvez nunca elaborar\u00edamos sozinhos. Ironicamente, \u00e9 uma maneira menos solit\u00e1ria de se sentir s\u00f3. Talvez isso tenha a ver com a verdadeira epidemia de transtornos de sa\u00fade mental que vivemos hoje &#8211; pessoas cada vez mais deprimidas, ansiosas e solit\u00e1rias. Mas \u00e9 a\u00ed que a m\u00fasica entra &#8211; passar por essas emo\u00e7\u00f5es faz parte do processo de cura. H\u00e1 vales que precisamos cruzar. Se tiver trilha sonora, menos mal.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-60285\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/SlicedGearts2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/SlicedGearts2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/SlicedGearts2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Natural de S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rei, Minas Gerais, Rafael Carvalho ganhou notoriedade na cena belo horizontina ao fazer parte do grupo Devise e agora aventura-se solo com o projeto alt country folk Sliced Hearts.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/03\/05\/tres-perguntas-rafael-carvalho-e-o-folk-mineiro-do-sliced-hearts\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":60283,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5070],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60282"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60282"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60282\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60287,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60282\/revisions\/60287"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60282"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60282"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60282"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}