{"id":60267,"date":"2021-03-02T14:12:05","date_gmt":"2021-03-02T17:12:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=60267"},"modified":"2021-04-03T02:23:57","modified_gmt":"2021-04-03T05:23:57","slug":"1996-2021-25-anos-sem-mamonas-assassinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/03\/02\/1996-2021-25-anos-sem-mamonas-assassinas\/","title":{"rendered":"1996\/2021: 25 anos sem Mamonas Assassinas"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/paulo.pontes.376\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Paulo Pontes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Texto da \u00e9poca da faculdade, feito para um exerc\u00edcio de web r\u00e1dio, mas nunca publicado. &#8220;N\u00e3o \u00e9 uma cr\u00f4nica, n\u00e3o \u00e9 &#8216;real'&#8221;, explica Paulo. &#8220;Mas para um garoto que que viu seu primeiro show aos nove anos e esse show era dos caras, posso dizer que soa verdadeiro&#8221;, completa. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imposs\u00edvel n\u00e3o reconhecer o barulho do motor. Eu sabia que estavam chegando novamente. J\u00e1 ia abrir a porta quando ouvi o som da buzina, que confirmava: eram eles. Sa\u00ed correndo e avistei, em frente ao port\u00e3o, a insubstitu\u00edvel Bras\u00edlia amarela. Dinho, o l\u00edder da trupe formada por cinco loucos, desceu do carro e falou com uma voz rouca e engra\u00e7ada: \u201cAten\u00e7\u00e3o, Creuzebeck! Creuzebeck, meu filho!\u201d. Foi o suficiente para eu cair na gargalhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abracei cada um deles, que vestiam roupas hil\u00e1rias, e comecei a ouvir, mais uma vez, tudo o que tinham para me ensinar \u2014 ou, simplesmente, o que eles tinham para me alegrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez por eu ter apenas 9 anos de idade, algumas coisas n\u00e3o faziam muito sentido para mim, mas eram engra\u00e7ad\u00edssimas. Acho que era por conta da forma como Dinho soltava cada uma daquelas frases: sempre com uma voz diferente, como se quisesse imitar outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles me falaram, por exemplo, sobre a frustra\u00e7\u00e3o em ver o \u201cfilhinho chorando querendo ter um avi\u00e3o\u201d. Eu refleti: \u201cCaramba! Choro por muito menos\u201d. Tamb\u00e9m me contaram a respeito do dia em que foram convidados &#8220;para uma tal de suruba\u201d. E eu n\u00e3o fazia a menor ideia do que era aquilo, mas, para n\u00e3o passar vergonha, evitei perguntar \u2014 ainda bem que \u00e0 \u00e9poca o Google n\u00e3o existia. Entre outras coisas, me ensinaram que \u201cgay tamb\u00e9m \u00e9 gente\u201d e que \u201ca soma dos quadrados dos catetos \u00e9 igual a porra da hipotenusa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Divers\u00e3o! Essa \u00e9 a palavra que melhor define os momentos que passei com eles. N\u00e3o tinha tristeza por perto, apenas risos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De repente, Bento, J\u00falio, Samuel, S\u00e9rgio e Dinho anunciaram que precisavam ir. Tinham um compromisso inadi\u00e1vel com algumas garotas na cidade de Santos. Deram partida na Bras\u00edlia e sa\u00edram cantando \u201cSab\u00e3o Cr\u00e1 Cr\u00e1\u201d; e eu, nem cabelo no saco tinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse momento, acordei. Quase todas as noites eles apareciam nos meus sonhos. Acordei rindo, me virei para o r\u00e1dio rel\u00f3gio na mesa de cabeceira, que anunciava: 6 horas da manh\u00e3. Era dia 3 de mar\u00e7o de 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Me sentei na cama e, do meu quarto, percebi que a televis\u00e3o da sala estava ligada. Fui at\u00e9 l\u00e1, dei uma olhada e vi a foto dos meus \u00eddolos \u2014 e amigos durante o sono. Meu sorriso deu as caras: \u201clogo cedo vendo not\u00edcias sobre eles, que maravilha!\u201d. Mas minha m\u00e3e n\u00e3o sorria, pelo contr\u00e1rio, chorava de maneira incessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo assim?\u201d \u2014 pensei. Era imposs\u00edvel chorar quando o assunto era relacionado aos cinco. O objetivo deles era proporcionar risadas e momentos de alegria. Essa, me parecia, era a fun\u00e7\u00e3o, o papel deles na Terra. Mas, bastou ouvir o rep\u00f3rter \u2014 que pronunciava as palavras visivelmente magoado, abalado e perplexo \u2014, para entender o motivo das l\u00e1grimas de minha m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meus olhos ficaram marejados. Minha m\u00e3e virou o rosto em minha dire\u00e7\u00e3o e solu\u00e7ando disse: \u201cEles se foram, meu filho. Os Mamonas Assassinas se foram\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o consegui acreditar. Voltei correndo para a cama e chorei. Mam\u00e3e foi at\u00e9 o quarto e, sem sucesso, tentou me consolar. E, chorando incontrolavelmente, peguei no sono. Foi a\u00ed que, novamente, ouvi o barulho do motor, da buzina e sa\u00ed correndo em dire\u00e7\u00e3o ao port\u00e3o: eram eles. Dinho abaixou o vidro da Bras\u00edlia e falou: \u201cAten\u00e7\u00e3o Creuzebeck! Creuzebeck, meu filho! N\u00f3s sempre estaremos aqui!\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mamonas Assassinas - Desnudos En Cancun\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TowsPxs4KM4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mamonas Assassinas - Vira-Vira\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1WjI3DLOk4c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mamonas Assassinas (esse \u00e9 o v\u00eddeo mais lindo que voc\u00ea vai ver hoje) - Especial de Natal da Xuxa\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UHSU4CMqtF8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Paulo Pontes \u00e9 colaborador do\u00a0<a href=\"http:\/\/whiplash.net\/autores\/paulopontes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Whiplash,\u00a0<\/a>assina a\u00a0<a href=\"http:\/\/lounge.obviousmag.org\/kontratak_kultural\/autor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Kontratak Kultural<\/a>\u00a0e escreve de rock, hard rock e metal no Scream &amp; Yell. \u00c9 autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo.php?fbid=2123311197759382&amp;set=a.356284934462026&amp;type=3&amp;theater\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Arte de Narrar Vidas: hist\u00f3rias al\u00e9m dos biografados<\/a>\u201c.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/03\/15-anos-sem-mamonas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1996\/2011 \u2013 15 anos sem Mamonas Assassinas<\/a>, por Bruno Capelas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Texto da \u00e9poca da faculdade, feito para um exerc\u00edcio de web r\u00e1dio, mas nunca publicado. &#8220;N\u00e3o \u00e9 uma cr\u00f4nica, n\u00e3o \u00e9 &#8216;real'&#8221;, explica Paulo. &#8220;Mas para um garoto que que viu seu primeiro show aos nove anos e esse show era dos caras, posso dizer que soa verdadeiro&#8221;, completa.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/03\/02\/1996-2021-25-anos-sem-mamonas-assassinas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":65,"featured_media":60263,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5068],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60267"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/65"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60267"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60267\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60271,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60267\/revisions\/60271"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}