{"id":60166,"date":"2021-02-20T16:11:00","date_gmt":"2021-02-20T19:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=60166"},"modified":"2022-12-17T09:16:27","modified_gmt":"2022-12-17T12:16:27","slug":"meu-disco-favorito-de-2020-angel-olsen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/02\/20\/meu-disco-favorito-de-2020-angel-olsen\/","title":{"rendered":"Meu disco favorito de 2020: Angel Olsen"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>MEU DISCO FAVORITO DE 2020 #20<br \/>\n\u201cWhole New Mess\u201d, Angel Olsen<br \/>\nescolha de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\">Artista: Angel Olsen<br \/>\n\u00c1lbum: Whole New Mess<br \/>\nLan\u00e7amento: 28\/08\/2020<br \/>\nGravadora: Jagjaguwar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s conquistar a aten\u00e7\u00e3o do mundo pop com \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/23\/angel-olsen-ao-vivo-em-nova-york\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">My Woman<\/a>\u201d, seu terceiro bel\u00edssimo disco lan\u00e7ado em 2016, que bateu na posi\u00e7\u00e3o 47 dos charts da Billboard, Angel Olsen decidiu se retirar num autoex\u00edlio para compor um novo disco na tentativa de curar uma s\u00e9rie de feridas que foram abertas conforme seu \u00e1lbum mais famoso escalava as paradas e seu relacionamento se deteriorava, terminando de maneira dolorosa e levando consigo seus melhores amigos. Sozinha, Olsen pegou sua guitarra e voltou aos tempos de \u201cStrange Cacti\u201d (2010), seu primeiro EP lan\u00e7ado originalmente em fita cassete, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/24\/zona-para-respiradores-songs-are-like-tattoos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">onde soava uma caipira apaixonadamente triste tocando folks lamacentos<\/a>, daqueles que o ouvinte coloca os p\u00e9s e n\u00e3o consegue tirar mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela tinha apenas 23 anos, lan\u00e7aria outro EP (\u201cLady Of The Waterpark\u201d) e depois iniciaria uma parceria com Bonnie Prince Billy da qual sairiam um 10 polegadas e dois \u00e1lbuns bem bonitos, \u201cWolfroy Goes to Town\u201d (2011) e \u201cNow Here\u2019s My Plan\u201d (2012), que influenciariam \u201cHalf Way Home\u201d (2012), sua estreia notadamente ac\u00fastica. Tudo isso seria deixado totalmente para tr\u00e1s em \u201cBurn Your Fire for No Witness\u201d (2014), o segundo \u00e1lbum, que inicia uma busca pelo pop perfeito nascido das fa\u00edscas do choque do indie dos anos 90 com a sonoridade sixtie, e que se cristaliza de forma incr\u00edvel em \u201cMy Woman\u201d (2016), seu terceiro registro. Por\u00e9m, assim como quando damos uma topada e, reflexo natural, soltamos um palavr\u00e3o, com a vida totalmente em cacos, Angel Olsen decidiu voltar para si mesma, se despir e gravar o novo disco sozinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, com o trabalho pronto, Olsen decidiu experimentar, e o que era um disco despido totalmente de produ\u00e7\u00e3o ganhou teclados, orquestra\u00e7\u00f5es (violino, viola, trumpete, trombone e cello), bateria, guitarras, drones e se tornou \u201cAll Mirrors\u201d (2019), um disco grandioso e grandiloquente, gritado, t\u00edpico de quem alcan\u00e7a certa dose de fama e se sente a vontade para fazer tudo aquilo que sempre quis, mas que a inexperi\u00eancia e a falta de grana impediam. Com \u201cAll Mirrors\u201d, celebrado por grande parte da cr\u00edtica, Angel Olsen aparentemente jogava uma grande p\u00e1 de cal sobre aquela caipirona <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/24\/zona-para-respiradores-songs-are-like-tattoos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">flagrada numa pracinha de Chicago<\/a> tocando can\u00e7\u00f5es emocionais no come\u00e7o dos anos 10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o era bem assim. Se por um lado, toda suntuosidade dos arranjos davam eleg\u00e2ncia a \u201cAll Mirrors\u201d, por outro diminu\u00edam o drama das letras, o principal motivo da artista se refugiar numa pequena e antiga igreja cat\u00f3lica convertida em est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o na pequena cidade de Anacortes, Washington. Angel Olsen chegou a cogitar lan\u00e7ar \u201cAll Mirrors\u201d e \u201cWhole New Mess\u201d simultaneamente, mas acabou segurando o segundo rebento, que veio ao mundo em agosto de 2020, j\u00e1 num contexto de pandemia global. Se est\u00e1vamos todos n\u00f3s lutando contra nossos fantasmas, nada mais justo que Angel colocar os seus para fora do arm\u00e1rio para v\u00ea-los debatendo-se em p\u00fablico. \u201cWhole New Mess\u201d \u00e9 dolorosamente bonito, triste e amargo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A faixa titulo foi o primeiro single do disco, e \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o em busca de sanidade (pessoal e comercial). A inspira\u00e7\u00e3o, contou Angel em entrevistas, vem dos anos que ela passou lutando contra o alcoolismo, a depress\u00e3o e uma doen\u00e7a na tireoide. Dai que quando conseguiu comprar sua casa, percebeu que a vida que tinha escolhido n\u00e3o a permitiria passar mais que duas semanas l\u00e1. \u201cWhole New Mess\u201d, a can\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma tentativa de manter a cabe\u00e7a limpa e de entender que ela n\u00e3o precisa sexualizar seu corpo para vender sua m\u00fasica. J\u00e1 \u201cToo Easy (Bigger Than Us)\u201d, que aparece em \u201cAll Mirrors\u201d numa vers\u00e3o de paix\u00e3o cega e man\u00edaca, ressurge aqui como nasceu, apaixonada, sincera e at\u00e9 feliz (at\u00e9 que a separa\u00e7\u00e3o os separe).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cAll Mirrors\u201d, \u201c(New Love) Cassette\u201d tem um arranjo dub (ao modo Angel Olsen). J\u00e1 em \u201cWhole New Mess\u201d ela ressurge simples, delicada e, novamente, apaixonada. Para Angel Olsen, em boa parte dos relacionamentos a outra parte \u00e9 um \u201caspirador humano\u201d que suga todas as suas energias. Aqui ela imagina o contr\u00e1rio, algu\u00e9m que possa respirar por ela quando ela n\u00e3o conseguir. Seguindo, tudo que \u00e9 orquestra\u00e7\u00e3o na faixa t\u00edtulo de \u201cAll Mirrors\u201d vira microfonia em \u201c(We Are All Mirrors)\u201d (uma das can\u00e7\u00f5es mais fortes nos dois \u00e1lbuns) enquanto \u201c(Summer Song)\u201d ganha muito mais impacto nessa vers\u00e3o despojada, que valoriza outra grande letra. In\u00e9dita, \u201cWaving, Smiling\u201d \u00e9 aceitar o fim do relacionamento, pensar que n\u00e3o foi um tempo perdido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vibe ensolarada da faixa anterior, \u201cTonight (Without You)\u201d \u00e9 sobre perceber tudo que a faz feliz sozinha, sem certas pessoas. \u201cEstou cantando bem baixo, e para mim \u00e9 a m\u00fasica mais forte. \u00c9 t\u00e3o suave e terno, mas estou dizendo: Gosto da minha vida sem voc\u00ea. Muito\u201d, explicou Angel Olsen. Um dos cavalos de batalha dos dois \u00e1lbuns, \u201cLark Song\u201d foi composta antes de \u201cMy Woman\u201d, e Angel diz que quase s\u00e3o quatro can\u00e7\u00f5es em uma. Para ela, \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o sobre abuso verbal e psicol\u00f3gico, falta de apoio no relacionamento e um final t\u00e3o doloroso que h\u00e1 vontade de come\u00e7ar de novo, \u201cfingir que n\u00e3o nos conhecemos\u201d. Pesada. No mesmo sentimento, \u201cImpasse (Workin\u2019 for the Name)\u201d soa quase doentia: \u201cV\u00e1 em frente, diga a seus amigos que eu estava errada\u201d, abre a letra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A can\u00e7\u00e3o que fecha \u201cAll Mirrors\u201d pra cima retorna com toda sua for\u00e7a ainda mais intensa em \u201cWhole New Mess\u201d. H\u00e1 uma batidinha sixtie que pontua o arranjo de voz e que comove junto com uma letra que percebe que n\u00e3o somos t\u00e3o fortes e imbat\u00edveis e certos sobre a vida quanto ach\u00e1vamos que \u00e9ramos na adolesc\u00eancia. Conforme crescemos e vivemos relacionamentos percebemos velhas feridas se abrindo, e temos que lidar com elas &#8211; A VIDA TODA. \u201cFeridas que nunca ser\u00e3o resolvidas completamente\u201d, observa Angel Olsen. \u201cNada jamais \u00e9 curado completamente. Isso \u00e9 o que estou aprendendo. Sempre h\u00e1 coisas para trabalhar. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea pensa em um final feliz com algu\u00e9m, voc\u00ea est\u00e1 realmente mentindo para si mesmo. Voc\u00ea tem que trabalhar para chegar l\u00e1\u201d, acredita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encerrando \u201cWhole New Mess\u201d, \u201cWhat It Is (What It Is)\u201d numa vers\u00e3o cativante. Se em \u201cAll Mirrors\u201d ela \u00e9 dominada por drones, teclados e cordas, aqui s\u00f3 uma batidinha de viol\u00e3o basta para passar a mensagem: &#8220;\u00c9 f\u00e1cil se voc\u00ea falar a verdade, mas saber o que \u00e9, n\u00e3o \u00e9 suficiente \/ Saber que voc\u00ea ama algu\u00e9m n\u00e3o significa que voc\u00ea j\u00e1 esteve apaixonado&#8221;. No fim das contas, na dobradinha \u201cAll Mirrors\u201d \/ \u201cWhole New Mess\u201d, Angel Olsen bate e assopra ao mesmo tempo. Expurga seus dem\u00f4nios, mas n\u00e3o tenta fazer do ato um trampolim para uma nova fase. Ela quer aprender com os erros, tentar entender onde \u00e9 que errou, enquanto foge de qualquer nova tentativa. \u201cWhole New Mess\u201d n\u00e3o \u00e9 sobre seguir em frente, mas sim sobre entender o sofrimento para, quem sabe, poder seguir em frente. E nos moldes dos primeiros discos de Angel Olsen, \u00e9 um disco lamacento que se voc\u00ea colocar os p\u00e9s, vai ser dif\u00edcil tira-los t\u00e3o cedo. N\u00e3o recebeu o mesmo acolhimento que &#8220;All Mirrors&#8221;, mas, de v\u00e1rias formas, \u00e9 muito melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conselho: deixe um len\u00e7o por perto e se as l\u00e1grimas vierem, entregue-se. Chorar nunca foi t\u00e3o necess\u00e1rio como nesses tempos&#8230;<\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a><\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Angel Olsen - Whole New Mess (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Z3_9FSfpADA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Angel Olsen - Waving, Smiling (Live at the Masonic Temple)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FHBFwqo7MmM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Angel Olsen: Tiny Desk (Home) Concert\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4RL4mk38wwI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/favorito2020\/\" rel=\"noopener\"><strong>TODOS OS DISCOS FAVORITOS DE 2020 EST\u00c3O AQUI<\/strong><\/a><\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cWhole New Mess\u201d n\u00e3o \u00e9 sobre seguir em frente, mas sim sobre entender o sofrimento para, quem sabe, poder seguir em frente. 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