{"id":6016,"date":"2010-09-29T13:42:38","date_gmt":"2010-09-29T16:42:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=6016"},"modified":"2021-09-20T00:43:13","modified_gmt":"2021-09-20T03:43:13","slug":"dvd-as-pontes-de-madison","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/29\/dvd-as-pontes-de-madison\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ver: &#8220;As Pontes de Madison&#8221; (1995),  de Clint Eastwood"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6017 aligncenter\" title=\"pontes_madison\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/pontes_madison.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"424\"><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autor de pequenas obras-primas do cinema p\u00f3s anos 2000 como &#8220;Menina de Ouro&#8221; e &#8220;Sobre Meninos e Lobos&#8221;, Clint Eastwood nunca ir\u00e1 perder sua imagem de cowboy de western spaguetti. Por\u00e9m, por tr\u00e1s daquela pose de algu\u00e9m que pode despejar o tambor de um rev\u00f3lver sobre o inimigo, e ainda beber um brandy antes de deixar o saloon, h\u00e1 a alma de um homem bastante sentimental. Isso come\u00e7ou a surgir quando Eastwood filmou &#8220;Bird&#8221;, cinebiografia de Charlie Parker, em 1988. Um cowboy contando a hist\u00f3ria de uma lenda do jazz? Algo estava errado. E ficou ainda mais &#8220;errado&#8221; quando Eastwood voltou ao Oeste e trouxe de l\u00e1 &#8220;Os Imperdo\u00e1veis&#8221;, uma pel\u00edcula de cowboy em plenos anos 90, que faturou Oscar de Melhor Filme e mostrou que mesmo no peito de quem segura uma espingarda de dois canos bate um cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eastwood queria mais. Em &#8220;Um Mundo Perfeito&#8221; (1994), Clint fez de Kevin Costner um bandido foragido que seq\u00fcestra um menino, jogou um punhado de d\u00f3lares sobre seu corpo (a cena final \u00e9 arrepiante) e construiu uma amizade tocante aonde n\u00e3o deveria existir nada, como se flores pudessem nascer no asfalto. O resultado \u00e9 acachapante, e abriu caminho para sua obra mais ousada at\u00e9 ent\u00e3o: &#8220;As Pontes de Madison&#8221;. O que um cowboy sabe sobre o amor? Mais do que eu, voc\u00ea, e qualquer apaixonado pud\u00e9ssemos imaginar. De natureza simples, &#8220;As Pontes de Madison&#8221; desenha um romance absolutamente perfeito em sua imperfei\u00e7\u00e3o. O roteiro brinca com os minutos, arrastando as cenas, como se quatro dias pudessem ser mais importantes que uma vida inteira. E podem. E s\u00e3o. Pouco menos de 100 horas que valem uma eternidade, ou duas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;As Pontes de Madison&#8221;, Clint \u00e9 Robert Kincaid, um fot\u00f3grafo da National Geografic que est\u00e1 no Iowa para fotografar antigas pontes cobertas, famosas na regi\u00e3o, para uma reportagem da revista. Meryl Streep \u00e9 Francesca Johnson, uma dona de casa que trocou a It\u00e1lia pelo sonho de viver na Am\u00e9rica. Casou-se com um soldado, e anos depois se v\u00ea criando os dois filhos do casal na paisagem buc\u00f3lica de uma fazenda em que pouca coisa acontece, e vive-se a vida porque se acorda todo o dia, e n\u00e3o porque se t\u00eam sonhos. Perdido, o fot\u00f3grafo pede informa\u00e7\u00f5es na fazenda dos Johnsons, mas a fam\u00edlia foi para uma feira agropecu\u00e1ria, e apenas Francesca est\u00e1 em casa. O que acontece ap\u00f3s este esbarr\u00e3o do destino \u00e9 aquilo que a astrologia resume como &#8220;efeito urano&#8221;: \u00e9 quando uma pessoa faz uma &#8220;burrada&#8221; t\u00e3o grande que detona a sua pr\u00f3pria vida e a de outras pessoas. Bem, quase faz, e \u00e9 neste fragmento do &#8220;quase&#8221; que reside a beleza deste filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossos dois personagens desse \u00e9pico rom\u00e2ntico moderno passam quatro dias juntos, se apaixonam, descobrem uma certeza que s\u00f3 se tem uma vez na vida, e s\u00e3o obrigados a escolher entre ficar ou fugir. A encruzilhada abre diversas possibilidades e questionamentos. O amor, tal qual o conhecemos, sobrevive a rotina? \u00c9 poss\u00edvel ser feliz ap\u00f3s ter detonado a vida de uma por\u00e7\u00e3o de pessoas para alcan\u00e7ar essa felicidade? O passado pode ser esquecido como se queim\u00e1ssemos uma folha de papel e jog\u00e1ssemos as cinzas pela janela? \u00c9 poss\u00edvel amar e n\u00e3o estar com a pessoa amada? Essa hist\u00f3ria de alma g\u00eamea \u00e9 uma brincadeira divina (o homem l\u00e1 de cima deve ser um cara extremamente divertido) ou podemos, num momento x de nossas vidas, encontrar uma pessoa que nos fa\u00e7a acreditar que caminhamos uma vida toda para chegar a este encontro?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6018 aligncenter\" title=\"pontes_madison1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/pontes_madison1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/pontes_madison1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/pontes_madison1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto voc\u00ea matuta respostas, Robert e Francesca s\u00e3o condenados a viver o amor em sil\u00eancio. E n\u00e3o existe amor mais forte que este, pois &#8220;o amor \u00e9 fogo que arde sem se ver, \u00e9 ferida que d\u00f3i e n\u00e3o se sente&#8221;, e como carregar por toda uma vida um amor que s\u00f3 durou quatro dias? Amando. \u00c9 cruel e inconceb\u00edvel pensar assim, mas apenas quem ama verdadeiramente pode entender que ap\u00f3s encontrar a pessoa amada, o mundo ganha um novo significado, e a vida se transforma em uma estrada de m\u00e3o \u00fanica cuja \u00faltima e \u00fanica parada \u00e9 chamada apropriadamente de fim. O amor justifica a vida. Melhor sofrer por amor que viver sem amar, diria o poetinha. Por mais vileza que seja amar em sil\u00eancio, n\u00e3o h\u00e1 como fugir desse destino. Porque s\u00f3 amando \u00e9 que vamos correr o risco de sermos amados e, nesse fragmento de sorte, sermos eternamente felizes. No entanto, n\u00e3o se entra em uma hist\u00f3ria de amor para se ser infeliz, mas a infelicidade est\u00e1 inclu\u00edda implicitamente na hora que compramos o pacote. D\u00f3i, saiba, mas \u00e9 s\u00f3 assim que voc\u00ea poder\u00e1 ter a chance de guardar quatro dias inesquec\u00edveis para se lembrar para o resto da vida. Pode parecer pouco, mas n\u00e3o \u00e9&#8230; acredite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Clint Eastwood abusa do direito de ser comovente em uma cena cl\u00e1ssica: na chuva, Robert p\u00e1ra no meio da rua enquanto o marido de Francesca, que voltou com os filhos, faz compras. A cena se arrasta e Francesca segura a ma\u00e7aneta da porta do carro com tanta for\u00e7a que deve ter sentido o objeto atravessar seu cora\u00e7\u00e3o. Ela quer deixar o carro. Ela quer correr na chuva para o seu amado. Ela quer deixar a fazenda para tr\u00e1s, seus filhos, uma vida sem sonhos, mas a raz\u00e3o est\u00e1 ali despejando um mundo de motivos para que ela deixe o amor virar a esquina e partir para sempre, para longe de seus olhos, longe de seu corpo, mas n\u00e3o longe da alma. Ela se desespera, chora, e volta a viver porque viver \u00e9 preciso, afinal, acordamos todos os dias a espera do fim. E com o fim, a cren\u00e7a no reencontro. Injusto? N\u00e3o. O amor n\u00e3o tem nada a ver com justi\u00e7a. O amor \u00e9 maior que a vida. E talvez voc\u00ea entenda isso melhor quando tiver aquela certeza que n\u00f3s s\u00f3 teremos uma vez na vida. Quando isso acontecer, tudo far\u00e1 sentido. E amar em sil\u00eancio n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o inconceb\u00edvel. Porque enquanto o corpo sente falta do toque, a alma est\u00e1 totalmente completa. E, sabemos, um dia todos vamos ser apenas poeira no ch\u00e3o. Ou nos arredores de um ponte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As Pontes de Madison&#8221; \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o do romance &#8220;The Bridges of Madison County,&#8221; de Robert James Waller, que supostamente \u00e9 baseado em uma hist\u00f3ria real. Mais do que surpreender o espectador, que talvez nunca esperasse uma hist\u00f3ria de amor contada com tanta soberba e maestria por um dos her\u00f3is da classe western, &#8220;As Pontes de Madison&#8221; encanta por retratar o amor na idade adulta, quando pouco de n\u00f3s espera alguma coisa a mais da vida, quando nossos sonhos de adolesc\u00eancia foram esquecidos, e a lembran\u00e7a de que um dia sonhamos \u00e9 algo que nos faz analisar e questionar toda uma exist\u00eancia. Quase ao final do filme, quando Francesca pede aos filhos que aceitem seu \u00faltimo desejo, dizendo que deu sua vida \u00e0 fam\u00edlia, e quer deixar para Robert o que restou dela, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o entregar os pontos, as l\u00e1grimas, o cora\u00e7\u00e3o e a alma para Clint Eastwood. Ele conseguiu algo que poucos conseguem: retratar o amor sem ser piegas ou c\u00ednico ou vingativo. E com isso, conseguiu filmar uma pequena obra-prima, mais uma de seu excelente curr\u00edculo como cineasta, um filme que voc\u00ea precisa ver.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"As Pontes de Madison - Trailer - Original\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bn79t3d3UiQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Texto <\/em><em>dedicado \u00e0 L\u00edvia Casar\u00e8s Bergman. Publicado originalmente no Scream &amp; Yell em 22\/01\/2006<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Nost\u00e1lgico, \u201cGran Torino\u201d abusa do politicamente incorreto. E emociona. (leia <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/29\/gran-torino-de-clint-eastwood\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Repleto de imprecis\u00f5es, \u201cInvictus\u201d abusa de cenas que buscam l\u00e1grimas f\u00e1ceis (leia <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/08\/cinema-invictus-de-clint-eastwood\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cA Conquista da Honra\u201d e \u201cCartas de Iwo Jima\u201d, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/conquista_cartas.htm\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Clint Eastwood conseguiu algo que poucos conseguem: retratar o amor no cinema sem ser piegas ou c\u00ednico ou vingativo. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/29\/dvd-as-pontes-de-madison\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":57427,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[5324,4751],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6016"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6016"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6016\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58603,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6016\/revisions\/58603"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57427"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6016"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6016"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6016"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}