{"id":60078,"date":"2021-02-15T00:59:19","date_gmt":"2021-02-15T03:59:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=60078"},"modified":"2021-03-22T01:16:28","modified_gmt":"2021-03-22T04:16:28","slug":"entrevista-de-lisboa-os-vertigem-falam-de-seu-ep-de-estreia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/02\/15\/entrevista-de-lisboa-os-vertigem-falam-de-seu-ep-de-estreia\/","title":{"rendered":"Entrevista: de Lisboa, Os Vertigem falam de seu EP de estreia"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<\/strong><strong><a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Vertigem formaram-se em finais de 2017, quando Ana Lua Caiano (voz e composi\u00e7\u00e3o) conheceu In\u00eas Proen\u00e7a (piano e mel\u00f3dica), Artur Morais (contrabaixo) e Aliu Bai\u00f3 (bateria e percuss\u00e3o), no momento em que todos integravam a escola de m\u00fasica do Hot Clube de Portugal. Ao iniciarem a sua atividade, come\u00e7aram a trabalhar nos temas de Ana Lua, mas recolheram as v\u00e1rias refer\u00eancias sonoras dos restantes membros. O objetivo principal da banda lisboeta era fazer shows e criar m\u00fasica original em portugu\u00eas de car\u00e1ter interventivo (inspirada em compositores como Zeca Afonso, entre outros), resgatando o esp\u00edrito de improvisa\u00e7\u00e3o do jazz, da sua forma\u00e7\u00e3o, e introduzindo alguns elementos da world music.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Motivados pelas rea\u00e7\u00f5es positivas do p\u00fablico, Os Vertigem aceleraram o processo de composi\u00e7\u00e3o e ganharam mais confian\u00e7a no seu trabalho. Entre outras atua\u00e7\u00f5es, o quarteto apresentou-se no Teatro do Bairro (Lisboa) e participou da edi\u00e7\u00e3o de 2019 do Festival Aqui Ao Lado (Massam\u00e1), que contou com a participa\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/23\/tres-discos-noiserv-samuel-uria-selma-uamusse\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Noiserv<\/a>, bem como no Festival Porto Femme (na cidade do Porto) no ano seguinte. Para In\u00eas Proen\u00e7a, o desempenho \u00e9 o aspecto mais importante para o grupo: \u201cO que nos d\u00e1 prazer nos concertos \u00e9 tocar. \u00c9 a parte menos constrangedora (risos)\u201d, enquanto Aliu Bai\u00f3 salienta o reconhecimento gradual do p\u00fablico: \u201cInicialmente, as pessoas estranham a interpreta\u00e7\u00e3o, mas depois de nos escutarem melhor v\u00eam falar conosco e elogiam a nossa m\u00fasica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro single do conjunto, \u201c<a href=\"https:\/\/osvertigem.bandcamp.com\/track\/chamas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chamas<\/a>\u201d, editado em Janeiro de 2020, abordou a quest\u00e3o dos inc\u00eandios florestais que assolaram Portugal em Outubro de 2017, de forma interessante e, em simult\u00e2neo com o respectivo clipe, serviram como cart\u00e3o de visita do agrupamento. Alguns meses depois, Os Vertigem venceram o concurso III Mostra de Bandas, organizado pela prefeitura do Montijo (uma cidade pertencente \u00e0 \u00c1rea Metropolitana de Lisboa) e, como pr\u00eamio, gravaram o seu EP de estreia \u201cCabe\u00e7a Leve, Mundo Quadrado\u201d (<a href=\"https:\/\/osvertigem.bandcamp.com\/album\/cabe-a-leve-mundo-quadrado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ou\u00e7a no Bandcamp<\/a>), composto por cinco can\u00e7\u00f5es, que foi lan\u00e7ado recentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal marca do trabalho \u00e9 a fus\u00e3o de sonoridades portuguesas e jazz\u00edsticas com o pop e o indie, refletindo sobre a tem\u00e1tica do amor, da tecnologia e da guerra. Globalmente, o disco requer aten\u00e7\u00e3o, mas surpreende positivamente pela habilidade dos caminhos seguidos e pelo prazer interpretativo que o quarteto coloca nas suas can\u00e7\u00f5es. Um dos temas do EP, \u201cH\u00e1bitos Corcundas\u201d, exibe o lado de divers\u00e3o comum aos quatro m\u00fasicos, mas tamb\u00e9m critica os reflexos da utiliza\u00e7\u00e3o exagerada da tecnologia na sociedade. \u201cQuando apareceu a express\u00e3o \u2018H\u00e1bitos Corcundas\u2019 eu n\u00e3o sabia o que isso significava. Depois comecei a associar ao fato das pessoas olharem para baixo quando falam no celular e achei que era uma s\u00edntese engra\u00e7ada. Nos shows, a assist\u00eancia n\u00e3o reconhece o come\u00e7o da can\u00e7\u00e3o, mas percebe do que se trata no refr\u00e3o\u201d, conta Ana Lua Caiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relativamente ao processo criativo, Artur Morais real\u00e7a a versatilidade do quarteto: \u201cPodemos ensaiar durante uma ou duas semanas, mas se algu\u00e9m faz algo diferente num show n\u00f3s adaptamo-nos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o\u201d. O mesmo sistema que reconhece no est\u00fadio: \u201cO m\u00e9todo \u00e9 semelhante aos concertos, porque tocamos estas m\u00fasicas h\u00e1 algum tempo e podem aparecer surpresas. Como foi o caso em que a Ana Lua apareceu na sala de ensaios com uma mala cheia de percuss\u00f5es e de instrumentos que ela coleciona e originou novas ideias\u201d, conclui. De Lisboa para o Brasil, Os Vertigem conversaram com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Na\u0303o te Conhec\u0327o | Cabe\u00e7a Leve, Mundo Quadrado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6QOE0azm84c?list=PL_YBWAWZl1un8Os-AVl3KDstbZQRt99KB\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque escolheram o nome Os Vertigem para se apresentar?<\/strong><br \/>A escolha foi um bocado complicada. Houve muitos ensaios em que debatemos o nome com que nos dever\u00edamos apresentar e tentar perceber o que era melhor. Acabamos por escolher o nome Vertigem porque soava bem, mas ao mesmo tempo as m\u00fasicas s\u00e3o sobre temas da sociedade e provocativas, como \u00e9 o caso da faixa \u201cH\u00e1bitos Corcundas\u201d e este t\u00edtulo cria essa impress\u00e3o. Para al\u00e9m disso, tamb\u00e9m pretend\u00edamos formar uma ideia nas pessoas de que podiam chegar a grandes alturas sem terem medo de cair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O vosso primeiro single, \u201cChamas\u201d, prop\u00f4s uma reflex\u00e3o sobre os inc\u00eandios florestais que ocorreram em Portugal em Outubro de 2017. A meu ver, o ambiente sonoro que voc\u00eas criaram acentuou o dramatismo do tema. Concordam?<\/strong><br \/>Foi espont\u00e2neo, mas tamb\u00e9m consciente, depois de entendermos o que tinha acontecido. Ao longo dos ensaios tentamos criar e deduzir qual seria a melhor forma de retratar esse ambiente tr\u00e1gico e passar alguma esperan\u00e7a. Nesse sentido, desmontamos o tema e avaliamos qual seria o tom ideal. A melodia remete para algo dram\u00e1tico, mas n\u00f3s fizemos essa desconstru\u00e7\u00e3o. Procuramos que as pessoas n\u00e3o interpretassem isso como uma brincadeira e demos um vislumbre de otimismo para que todos encarassem essa circunst\u00e2ncia de modo diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No EP evidencia-se uma tentativa de integrar sonoridades portuguesas com v\u00e1rias correntes musicais recorrendo, algumas vezes, ao experimentalismo. Adotaram este caminho de fus\u00e3o sonora para elevar a vossa m\u00fasica e dar-lhe mais subst\u00e2ncia?<\/strong><br \/>Sentimos que tudo decorreu de forma espont\u00e2nea. Mesmo que seja apenas pelo desejo de experimentar. Os elementos que ensaiamos e acrescentamos no processo n\u00e3o foram necessariamente pensados. Na maior parte dos casos s\u00e3o coisas que surgem naturalmente. Por vezes, passamos um ensaio a tocar uma m\u00fasica e depois algu\u00e9m faz um ritmo ou apresenta uma ideia nova e n\u00f3s ouvimos e repetimos. Nunca tentamos chegar a um objetivo concreto e tudo \u00e9 desenvolvido normalmente. Relativamente \u00e0s m\u00fasicas que toc\u00e1vamos, fizemos algumas mudan\u00e7as nos arranjos que inclu\u00edmos no EP. Acabou por ser uma experi\u00eancia diferente em fun\u00e7\u00e3o das pessoas que acompanhavam Os Vertigem. A nossa evolu\u00e7\u00e3o foi da noite para o dia e tentamos mostrar o disco para n\u00f3s pr\u00f3prios mas, principalmente, interessava-nos que o p\u00fablico escutasse o nosso trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nas letras da banda existem diversas observa\u00e7\u00f5es sobre a sociedade, mas h\u00e1 um car\u00e1ter eminentemente portugu\u00eas na sua sonoridade. Quando comp\u00f5em baseiam-se apenas na experi\u00eancia pessoal ou tamb\u00e9m recolhem influ\u00eancias de outros autores?<\/strong><br \/>Os versos das nossas can\u00e7\u00f5es, normalmente, n\u00e3o s\u00e3o muito pessoais. Para Os Vertigem acaba por ser uma observa\u00e7\u00e3o sobre outros assuntos. H\u00e1 aspectos que nos marcaram a todos como \u00e9 o caso da faixa \u201cChamas\u201d. Mas existem outras situa\u00e7\u00f5es, representadas no tema \u201cA Culpa \u00e9 do Bot\u00e3o\u201d, em que a Ana Lua fala sobre as v\u00e1rias coisas que um clique num bot\u00e3o pode gerar: ligar a luz, p\u00f4r a m\u00e1quina a lavar, lan\u00e7ar um m\u00edssil, etc. As reflex\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o especificamente individuais. Podem ser sobre uma obra liter\u00e1ria ou baseadas em diversos autores. No momento em que escreveu essa letra, a Ana estava a ler um livro que falava sobre o fato de estarmos a substituir todos os movimentos e a carregar num bot\u00e3o. Normalmente, quando ela canta faz melodias espontaneamente e surgem ideias ou palavras que depois s\u00e3o escutadas, aproveitadas e desenvolvidas. Tamb\u00e9m existe o processo de encaixar a letra na sonoridade, bem como a parte instintiva e a parte pensada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Em face das diversas limita\u00e7\u00f5es que a pandemia imp\u00f5e aos artistas, como anteveem o futuro do vosso grupo?<\/b><br \/>Atualmente, temos poucas perspectivas, mas estamos em conversa\u00e7\u00f5es com os locais onde foram cancelados os nossos shows. Os respons\u00e1veis desses espa\u00e7os est\u00e3o interessados e aguardamos novas oportunidades. Tamb\u00e9m planejarmos realizar concertos no futuro. Brevemente iremos lan\u00e7ar o clipe da m\u00fasica \u201cN\u00e3o Te Conhe\u00e7o\u201d. \u00c9 uma maneira de chamar a aten\u00e7\u00e3o, porque as pessoas gostam de est\u00edmulos visuais. Poder\u00e1 ser igualmente uma forma de despertar mais interesse para o EP. Antes da pandemia eclodir come\u00e7amos a trabalhar, no est\u00fadio, quatro composi\u00e7\u00f5es novas da Ana Lua. Infelizmente, passadas duas semanas, veio o surto e abandonamos o trabalho. Ainda n\u00e3o desenvolvemos esses temas devido ao fato de estarmos parados. Procuramos, agora, ter um agenciamento, porque \u00e9 a componente fundamental para chegar ao p\u00fablico. \u00c9 uma altura perigosa no que respeita \u00e0s bandas novas. Aqueles que n\u00e3o forem persistentes acabam por desistir. N\u00e3o existem shows e a \u00fanica forma de obter alguma visibilidade \u00e9 nas redes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00eam alguma mensagem para os leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>Gostamos bastante de artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Z\u00e9, Elis Regina e Maria Rita, mas tamb\u00e9m da Banda do Mar. Reconhecemos a influ\u00eancia da m\u00fasica brasileira no nosso trabalho e a Ana Lua inclusivamente trabalhou com o Leo Middea (um m\u00fasico brasileiro radicado em Portugal). Visitem a nossa p\u00e1gina e escutem as nossas m\u00fasicas. Somos uma banda em crescimento. Temos muito potencial. Acho que se v\u00e3o identificar um pouco conosco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os Vertigem | Chamas  [Official Video]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fwRrkRmv704?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>\u00a0(siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a>.\u00a0<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s chamar a aten\u00e7\u00e3o com o single clipe de estreia, \u201cChamas\u201d, editado em Janeiro de 2020, o quarteto Os Vertigem venceram o concurso III Mostra de Bandas e, como pr\u00e9mio, gravaram o seu EP de estreia \u201cCabe\u00e7a Leve, Mundo Quadrado\u201d. Aqui eles convidam voc\u00ea a ouvi-los!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/02\/15\/entrevista-de-lisboa-os-vertigem-falam-de-seu-ep-de-estreia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":60079,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5054,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60078"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60078"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60078\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60083,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60078\/revisions\/60083"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60079"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}